A porta bateu atrás da bruxa de jaqueta de couro, ela tinha os cabelos trançados e usava uma touca de lã escura. Seus passos foram acompanhados por muitos olhares masculinos. Ela se sentou e pediu uma dose de Hidromel, esperaria pouco se tivesse sorte... Meia hora depois, um bruxo de aparência esfarrapada deslizou pela porta e a encontrou na bancada do bar.

- Aqui está, Granger. - Stanislau entregou o papel com a informação desejada.

- Você foi útil. - Exclamou secamente. - Obrigada.

- Boa sorte,... Vai precisar. - O bruxo pronunciou indeciso e foi embora.

Hermione pagou a conta e saiu satisfeita daquele lugar, pois odiava a Travessa do Tranco e nunca pisaria ali se tivesse escolha. Seus instintos entraram em alerta ao notar uma movimentação suspeita numa viela próxima, ela se infiltrou entre os bruxos que caminhavam rapidamente. Era uma briga. Reprimiu o palavrão e decidiu que não se envolveria, precisava ser discreta... No entanto, esqueceu tudo ao visualizar um pedaço de pele sardenta ensanguentada.

Empurrou alguns indivíduos sem preocupação. O coração acelerado, as mãos suando... Será? A auror passou seus olhos rapidamente pelos dois bruxos que brigavam: um era grande, musculoso e tinha uma cicatriz realmente feia no rosto. O outro era alto, músculos esticado por uma estrutura definida e esguia, seu cabelo curto vermelho revelava a falta de uma orelha. E seus olhos... Granger tremeu impactada,... Azuis gélidos. Aquele era George Fabian Weasley!

Outra tentativa de soco por parte do musculoso de cicatriz tirou a bruxa do torpor, ela levantou a varinha e parou... O ruivo, todo impulso e violência,... Um deus de guerra... Marte! Ele desferiu uma série de golpes precisos e duros, o sangue pingava de seus dedos e o sorriso perigoso, como se apenas naquele momento libertasse quem era. O Weasley só parou quando o outro desfaleceu. A algazarra tornou-se insuportável ao redor do vencedor que sorria com indiferença, apenas mantinha as feições enfadadas. Granger aproximou-se sorrateira e sorriu, levantou a varinha, Pericullum, soltando faíscas vermelhas, fazendo a multidão dispersar. George olhou para trás e notou a ex-grifinória, ela tocou seu ombro rapidamente e aparataram.

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira.

E se deixa em mim.

Me escuta no pé do ouvido.

Todos teus sentidos.

Que afetam os meus.

Que querem te ter.

Que tu me escreveu.

Com a varinha apontada para si, o homem ruivo permitiu que ela executasse os primeiros socorros em seus machucados. O bruxo não realizou nenhum movimento de fuga apenas encarou a bruxa com curiosidade e tédio, então seus olhos se estreitaram numa fúria silenciosa.

- Você me deve 300 galeões! - Rosnou, lembrando-se do brutamonte desacordado na Travessa do Tranco.

- George... - Sua voz tremeu cheia de tantas emoções, os olhos grandes sorvendo cada mudança na aparência do antigo amigo.

Ele pareceu minimamente abalado, foi rápido e no segundo seguinte a apatia cobriu novamente sua expressão. Hermione feriu-se com aquele comportamento e cruzou os braços.

- Aquela merda era um ex-comensal, ia entrega-lo no Ministério da Magia e receber minha recompensa. - Explicou seco, diante do olhar insistente. - Você atrapalhou.

- Eu pago seu dinheiro. - Hermione revirou os olhos e o silêncio prorrogou-se...

George franziu o cenho, avaliou o ambiente que estava e percebeu ser o apartamento dela... A sala em tons sóbrios, organizada, algumas fotos: o trio de ouro rindo, os pais dela, os gêmeos a abraçando e Malfoy tirando um cacho dos olhos dela. Uma careta deformou suas belas feições. Encontrou o bar, e sem constrangimento serviu-se de whisky trouxa, uma ótima bebida inclusive.

- Você é uma auror. - Concluiu desacreditando na falta de sorte.

- E você é um caçador de recompensa. - Ela rebateu também buscando uma bebida, aquilo era difícil. E doía.

- Eu dispenso o dinheiro. - Terminou o líquido âmbar. - Adeus.

Tentou aparatar, com irritação crescente, percebeu que ela bloqueou sua fuga. Pegou o copo vazio e atirou contra a parede, os estilhaços voando por vários ângulos. A morena assustou-se e o encarou com fúria.

- Não vai me tratar como uma estranha! - Brigou. - Converse comigo e eu libero a aparatação. – Negociou, encarando de forma corajosa os olhos azuis cheios de cólera.

- Eu já sei o tema desse diálogo, e dispenso. - O tom falsamente entediado, cruel. - Ah George! Sentimos tanto sua falta... Volte para sua querida e enorme família... Tudo ficará bem novamente, eu prometo. - Ele forçou uma voz fina e deu um sorriso debochado no final vendo-a perder a compostura.

Hermione não raciocinou. Seus pés cobriram a distância até o bruxo ergueu a mão direita e o estapeou com força. As lágrimas se recusando a caírem. Ela pegou impulso novamente, porém ele previu o movimento e segurou o braço dela firmemente. Eles ficaram próximos, o ar tornando-se denso... Ele a empurrou sem cuidado e a mulher abandonou a ira pela confusão e, então, tristeza. George fechou os olhos consternados e quando os abriu não estavam perdidos em calotas polares... Não no mínimo, pois nunca conseguiria manter-se indiferente com ela. Caminhou até a morena e segurou o rosto choroso entre suas mãos calejadas.

- Não posso ser mais aquele bruxo, entende? – Confidenciou, infeliz. - Sinto muito, Hermione. - Falar aquele nome destrancou correntes em seu peito.

- Eu não quero que seja ninguém, além de quem é agora. - Rebateu novamente obstinada. - E não quero que volte para nada, além de mim. - Os olhos dela queimavam no dele.

- Você não vai gostar de quem eu me tornei. - Advertiu perigosamente.

- Deixe que eu decida isso. - Ela o desafiou e afastou-se. - Você não faz ideia de quem eu me tornei. - Instigou com um sorriso enigmático.

Caminhou confiante a caminho do quarto, não poderia obriga-lo, ele precisava decidir sozinho. Ela o queria, sempre quis. Cinco anos era tempo demais! Não desperdiçaria a oportunidade... Tirou as botas e as deixou pelo caminho, tirou a jaqueta que foi esquecida no chão, soltou os cabelos indisciplinados e finalmente o encarou sedutoramente.

- Fica?

O Weasley manteve seus olhos presos ao da bruxa, rendendo-se ao encanto que ela sempre jogava sobre ele, sua Vênus... Pouquíssimas coisas eram verdadeiramente semelhantes entre seu eu de antes e atual: a cobiça por aquela morena tão atrevida... Foda-se! Tirou a camisa puída escura, arrancou os coturnos de couro de dragão, sorriu arrogante, exibindo os hematomas nos músculos duros.

- Eu fico.

O corpo feminino foi jogado na cama de casal, o ruivo mordeu o lábio inferior dela puxando e atiçando. As mãos descobrindo as curvas sutis, a pele quente. Arrancou o sutiã e brincou com os mamilos endurecidos, ela ofegou. Apertou o quadril e, sem delicadeza, retirou a calça jeans junto com a calcinha. Hermione ergueu-se empurrando o amante para o colchão, mordeu o queixo dele e desceu por seu caminho pecaminoso. Ela queria marca-lo inteiro porque ele era delicioso, e as marcas apenas a excitavam mais. Arrancou toda a roupa dele com impaciência e então com um sorriso muito, muito pervertido a bruxa segurou a ereção e o levou até seus lábios. – Porra, baby! Engoliu o riso, e continuou os movimentos de sobe e desce com sucção, tinha um gosto tão dele...

Querendo leva-la ao mesmo nível, o ruivo segurou os cabelos dela com força e a puxou para um beijo sedento. Ela estava molhada e dois dedos afundaram com facilidade. O gemido foi alto, o olhar trocado foi voraz. Desceu por aquele corpo tão bonito. Granger mordeu o lábio inferior ao sentir a língua dele invadi-la sem nenhuma cortesia. A sucção forte, a pressão sobre o clitóris. Tremeram extasiados. – Agora! - Mandou. O sorriso prepotente foi o único retorno dele.

Levantou da cama, puxou-a pela cintura a mantendo parada naquela posição submissa, entrou e ouviu o soluço de prazer. Era uma bela visão, o traseiro empinado, as costas suadas, os cachos entre seus dedos. Movimentou-se com força e precisão. Era tão quente, apertado e tinha aquele tempero... Paixão. Hermione virou o pescoço levemente para olhá-lo, lambeu os lábios e gemeu alto. - Mais forte! - Exigiu.

Virou-a e puxou as pernas torneadas para seus ombros, entrando ainda mais fundo e frenético, o suor escorria pelos corpos. Os olhares conectados, dezenas de sentimentos compartilhados. Era demais. Hermione fechou os olhos e entregou-se ao orgasmo, George movimentou-se ainda mais forte também chegando ao prazer e caindo ao lado da morena...

As pernas entrelaçadas, o braço sardento possessivo sobre a cintura, os cabelos cheios fazendo cócegas no rosto másculo, ajeitaram-se na cama, a escuridão levando os amantes ao sono mais pacífico que tiveram em anos.

Antes de o sol raiar, Hermione abriu os olhos e satisfeita encontrou os fios vermelhos sobre seu travesseiro. Ela tentou desvencilhar-se dos braços do bruxo, mas ao pisar no tapete felpudo George a encarava alerta.

- Sabe que não pode fugir da própria casa? - Questionou sarcástico. - Vai me expulsar agora que tivemos nossa comemoração quente?

- Imbecil. - Revirou os olhos. - Eu não fujo. - Hermione alfinetou, ferina - Vou numa missão pessoal. - Explicou.

- Você é auror. - O ruivo sentou e passou as mãos pelos olhos, espantando o resto do sono. - Recebe ordens, não creio que uma missão pessoal se enquadre nisso.

- Isso nunca me impediu. - Rebateu impassível. - Vocês, caçadorezinhos de recompensa, só pegam delinquentes menores. Aurores vão atrás dos criminosos grandes.

- Por quem a ilustríssima auror Granger levanta às quatro da madrugada? - O Weasley foi mordaz, orgulho ferido.

- Scabior. - A resposta parecia veneno.

O bruxo levantou-se colocando a cueca, precisa de alguns segundos para organizar os pensamentos... Aquilo só podia ser uma péssima piada.

- Você é estúpida?! - Explodiu. - Não é possível que Potter e Ronald permitam você cometer uma insanidade dessas.

Ela riu com escárnio. - Eles realmente não permitiriam caso soubessem. – Granger piscou, aproximou-se nua e tocou o rosto do ruivo. - Você está idealizando aquela adolescente que teve o coração partido, Weasley, você não me conhece mais. - Ela o beijou rapidamente e foi para o banheiro.

Quando a auror retornou vestia um uniforme militar sem as insígnias do Ministério, os cabelos presos e as feições duras. Hermione trazia um uniforme masculino em seus braços.

- Já que está tão preocupado, quer ser meu parceiro? - Perguntou séria, levemente jocosa. - Eu vi como lutou na Travessa do Tranco, parecia possuído por Marte, e nunca duvidei de suas habilidades com a varinha. - Sorriu maliciosa. - E pela sua reação minutos atrás, você tem informações sobre aquele monstro.

- Scabior é pior tipo de bruxo que você pode se meter. - Rebateu pegando as malditas roupas. - Eu capturei um dos bruxos da gangue dele dois anos atrás, sujeitinho vil... E eu tive sorte. – Admitiu, irritado.

- Eu tenho um bom plano. - Encarou-o determinada. - Eu sei com que tipo de bruxos eu vou lidar.

- Por quê? – Levantou a sobrancelha esperando a porra de um ótimo motivo para aquilo. Analisou-a friamente.

- Scabior tentou me estuprar durante a guerra, e só não conseguiu porque estávamos na Mansão Malfoy. - Hermione revelou seca. - Ele conseguiu com Lavander Brown junto de Fenrir Greyback. - Respirou profundamente, enojada. - Parvati me procurou na época e contou que eu salvei a vida de Lilá durante a batalha de Hogwarts, eu estuporei o lobo quando ela ia ser mordida... Então Patil também disse que eu condenei sua amiga ao sofrimento... Lilá agonizou por meses no Saint Mungu's e antes de morrer eu prometi que faria justiça.

- Foi você quem matou Greyback? - Questionou enfurecido, tenso e impressionado... Ele queria ter matado o lobisomem.

- Sim, eu matei aquele monstro. - Empinou o nariz e encarou firme o homem. - Eu ia prendê-lo, ele resistiu... - Deu de ombros.

- Parabéns Granger, eu não faria diferente. - Apertou o nariz dela e trancou-se no banheiro.

Tomaram um café-da-manhã reforçado, ambos num silêncio contemplativo. George, com frio assombro, percebeu que a antiga paixão tornou-se uma das bruxas mais fortes, autoritárias e sexys que ele conhecia. Nada que ele fez nesses cinco anos a assustaria, ele apaixonou-se novamente. Puta merda!

- Por que não contou aos seus melhores amigos? - Questionou curioso. - Vocês sempre se arriscaram juntos.

- Harry não é auror, ele tem uma boa vida viajando ao lado de Luna procurando novas criaturas. – Explicou, sorrindo. - E Ron ficou extremamente abalado com a tragédia de Lilá, ela era sua ex-namorada, então eu o estou poupando. - Sua voz carinhosa, e George viu uma brecha da antiga aluna da Grifinória.

- Vocês trabalham juntos?

- Eu sou chefe do departamento de aurores, então não foi difícil esconder as informações sobre esse caso... Ron vai assumir meu cargo daqui um mês, essa captura é meu presente de despedida. - Apertou os dedos num tique ansioso.

- Eu apenas largava os idiotas com agentes do Ministério, contudo sempre evitei qualquer informação sobre os cargos ou vida de vocês. - O ruivo explicou devido à surpresa. - Por que vai entregar o cargo?

- Estou realmente cansada. - Suspirou. - Não é a vida que eu sonhei,... Só fiquei até agora porque dentro do Ministério conseguiria as informações de Scabior, ele passou de um sequestrador medíocre para um dos maiores criminosos britânicos.

O Weasley levantou e aproximou-se da mulher, encostaram as testas e ele beijou-a lentamente com afeto, ela se aconchegou nos braços dele... Foi por tão pouco, as chances de George nunca estar ali para apoia-la e protege-la de missões suicidas.

- Depois que acabarmos com Scabior, você será minha. - Prometeu possessivo. - Que tal Nova Zelândia? É bonito, exótico e você ficará uma deusa de biquíni. - Sorriu rapidamente com a proposta impulsiva.

Hermione buscou algo nos olhos azuis, sorriu esperançosa, e acenou com a cabeça concordando com a oferta inusitada.


N.B.: uau! Que ideia fantástica... Fui lendo, amando e tendo algumas ideias... Parabéns! Bjs bjs, Ártemis Stark