Capitulo 2: O passado volta a tona
Tenshi – Obrigada pela review.
--
Obs: Estou levando em consideração que o dia das mães no mundo inteiro seja na mesma data: 2º domingo do mês de maio. Mas as datas são variáveis dependendo do país.
Obs2: essa fic terá muitos flashbacks então para não ter que escrever toda hora, vou abreviar. FLASHBACK -- FB e FIM FLASHBACK -- FFB.
Saga – Poço de preguiça ¬ ¬
--xxxxx--
--Miro Pakos--
O escorpião descia a passos lentos. Aldebaran tinha sido muito inconveniente ao vir com aquele assunto de dia das mães. Era uma data como outra qualquer, afinal todos os dias eram iguais. Entrou em casa acendendo as luzes. Casa, sua casa. Olhando ao redor, reparou nos movéis, nos vários eletrodomésticos que tinha, não era luxuoso, mas tinha um certo conforto, principalmente para alguém que nunca tivera nada.
- Estou muito bem assim. – disse.
O silencio voltou a imperar. Uma casa enorme para uma única pessoa.
- Só para mim. – tentou sorrir. – que o Deba não consiga viajar! – exclamou chutando os pufes, para em seguida tampar a boca com as mãos. – "já estou dizendo asneiras... Aldebaran não tem nada haver com a minha vida."
Foi para o quarto, estava cansado.
--Kamyu Saunierre--
- "Perdi meus pais quando era pequeno." – lembrou do que tinha dito. – não quero me lembrar disso. – murmurou ao entrar em casa.
Como Miro, sentiu a casa grande demais para ele. Estava tudo num profundo silencio que começou a ficar incomodado.
Sentou no sofá, deixando a cabeça tombar para trás.
- Há exatos quatorze anos... – sua mente viajou para o passado. Dois rostos infantis apareceram. – Henry... Antonietta... como devem está hoje?
--Dohko Hian--
Dohko já estava há muito tempo parado em frente a uma moldura com dizeres chineses. Sua mente viajava...
- "Que saudades tenho daquele tempo...tempo que não voltará mais..."
--Shaka Hadijahh--
O virginiano entrou apressado em casa, estava atrasado para sua meditação da noite e não poderia perder tempo com frivolidade. Passou a mão no rosário rumando para a sala das arvores gêmeas.
Sentou na sua tradicional postura e pôs se a meditar. Mas não conseguiu...
A conversa tida minutos atrás não saia da mente. Todos tinham histórias tristes e ele? Teria uma historia?
Sempre se vangloriou por ser o homem mais próximo de deus, detentor de sabedoria que muitos não podiam ter. Desde pequeno ouvia a voz de Buda orientando-o, mostrando qual caminho a seguir. E naquela hora...
- "Qual a sua história Shaka?"
Os anos de sabedoria não serviram para nada, as longas conversas com Buda não valiam nada, ser o primeiro a conseguir o arayashiki era nada, pois não conseguia responder a esta simples pergunta.
- Qual é a minha história? – abriu os olhos. – o que há por trás de Shaka Hadijahh?
--Gustav Kiergaarg--
Afrodite colhia algumas rosas para Aldebaran. A mãe dele certamente ficaria muito feliz ao recebê-las.
- Minha mãe também... – pensou por um momento. Se Atena tinha liberado porque não ir ate Estocolmo? – faz tanto tempo...
Ponderou. As chances eram remotas, mas e se encontrasse aquela mulher que tanto o odiava...
- Melhor não ir. – olhou para as rosas na mão. – mas minha mãe merece. E se eu a encontrar nem saberei quem é.
-- Shura Martinez--
O capricorniano juntava a bagunça deixada pelo estressado escorpião.
- Não sei por que ficou daquele jeito. O pai canalha é o meu.
Shura detestava falar, se quer lembrar da existência dele. Desde que fora para o santuário perdeu qualquer contato. Alias desde a morte da mãe nunca mais o viu.
- Que continue assim. – disse indo para o quarto.
--Aldebaran Ferreira--
Deba sorria de orelha a orelha, depois de anos encontraria sua família. Estava tão ansioso que parecia que ia para uma batalha. Arrumou suas coisas e foi correndo para o templo de Atena.
- Deve ser para me dá as passagens. Brasil aí vou eu!
--Mu--
A casa era bem vazia sem a presença de Kiki. Pensou ao entrar.
Tinha algumas armaduras para consertar e como teria o dia de folga iria aproveitar para descansar. Pegando seus instrumentos rumou para lá. A noite estava agradável e sem sono num instante terminaria sua tarefa.
Colocou a armadura de touro a frente.
- Como ele consegue fazer isso. – riu. A armadura estava toda rachada. – e nem estamos em guerra. Aldebaran...
Sorriu, nunca o vira tão empolgado, mas tinha seus méritos. Rever a família depois de tanto tempo tinha que ser comemorado.
- Família... – murmurou. – família... – pensou em si. Nunca se perguntara sobre seu passado, nem para Shion que fora seu mestre. – como eram meus pais?
O.o.O.o.O.o
Atena olhava estática para a tela do computador.
- Como vou dizer isso a ele?
Tirando do seu estado, ouviu a porta bater.
- Entre.
- Boa noite Atena. – disse o taurino polidamente.
- Boa noite Aldebaran. Sente-se.
- Obrigado. Disse que queria me ver. É sobre a viagem?
- É... – murmurou. Deba notou.
- Aconteceu alguma coisa?
- Infelizmente sim. Devido alguns problemas técnicos a companhia suspendeu alguns vôos que iriam para o Brasil. Por tempo indeterminado.
A expressão de Deba era de perplexidade.
- Somente os bilhetes comprados a mais de um mês tem garantia de vôo. O seu foi comprado essa semana... tentei em outras companhias, mas está tudo lotado. O jato da fundação está para a manutenção... eu sinto muito Aldebaran.
- Sem problema! – exclamou sorrindo. – sei como são as coisas, imprevistos acontecem! Na próxima eu vou. – levantou. – obrigado mesmo assim Atena.
- Aldebaran...
- Boa noite.
Saiu com o rosto ainda sorridente, mas lembrando que não veria mais sua mãe, seu rosto foi entristecendo.
- Droga... – murmurou na porta do templo.
O taurino descia mergulhado nas expectativas perdidas quando foi interrompido por Afrodite.
- Aqui está. Tenho certeza que sua mãe vai adorar. – estendeu o buquê.
- Obrigado Dite, mas eu não vou mais.
- Não?! Por quê?
- Houve um problema com o vôo. Sem previsão para ir ao Brasil.
- Sinto muito. Muito mesmo.
- Eu sei. – tocou no ombro dele. – boa noite.
- Boa...
Afrodite ficou na porta olhando-o ate ele desaparecer pelo corredor.
- Coitado...
Deba passou por todas as casas sem querer ser percebido. Chegando a sua sentou no sofá. Fitou o chão, mas algo chamou sua atenção. Desviou o olhar deparando com a bandeira do Brasil pendurada na parede. Ficou por um bom tempo encarando-a.
- Que droga, não vou comer pão de queijo da avó!
- Homem de deus ainda está com essa roupa? – indagou Aioria aparecendo junto com o irmão.
- Vai se atrasar.
- Eu não vou mais.
- Como?
- Por quê?
- Sem vôo. Só Zeus sabe quando.
- Nossa... – Aioria sentou ao lado dele. – que pena.
- É... fazer o que? Mais um presente acumulado.
- Aldebaran, vim para te acompanhar... – Mu parou de dizer ao vê-lo com uma cara de desolação. – o que aconteceu?
- Ele não vai mais. – disse Aiolos. – cancelaram o vôo.
- Sério?
- É Mu. Atena acabou de me dizer isso.
- Sinto muito.
- Pare de falar desse jeito. Está parecendo que alguém morreu. – Deba levantou. – na próxima oportunidade eu vou.
- Quer sair conosco amanha? – indagou o leão tentando desviar o assunto. – vamos dá umas voltas pela cidade.
- Quero.
- Mu vai também. – disse Aiolos.
- Vou?
- Lógico. Vai ficar fazendo o quê aqui?
O ariano pensou por um momento.
- Está bem.
- Combinado. Amanha as nove, na primeira casa.
- Combinadíssimo. – disse o taurino já animado. – vai só nós?
- É. – Aioria cruzou os braços. – não vou levar esse povo baderneiro comigo. Não quero passar vergonha.
- Deixa eles escutarem.
- Só vão saber se contar. Vamos indo, porque amanha teremos um longo dia. – Aiolos espreguiçava. – ate amanha Mu, Deba.
- Até. – responderam os dois.
Com um sorriso estampado no rosto o dono da casa sentou.
- O que vou comprar para minha mãe?
- Ficou chateado não ficou? – o ariano sentou ao lado dele.
- Fiquei. Queria muito ir, mas não podia ficar bravo. Atena fez o que pode.
- Oportunidade não vai faltar.
- Sim.
- Aldebaran...
- Sim?
- Desculpe eu perguntar... – Mu hesitou. – mas... como é sua mãe?
Deba o olhou surpreso. Não era típico do amigo, hesitação eu perguntar algo.
- Ora...- coçou a cabeça. – morena, olhos e cabelos pretos, bem mais baixa que eu e um amor de pessoa. Se sou o que sou hoje devo tudo a ela.
- Posso imaginar...
- Por quê?
- Por nada...
- Como não? Te conheço. Desembuça Áries.
- É que depois daquela conversa fiquei imaginando como seria a minha.
- Sério que não sabe nada sobre ela?
- Sim. Não me lembro do rosto dela, alias não lembro de nada.
- Por que não perguntou ao Shion?
- Não sei... sempre estivemos tão envolvido em batalhas e treinos que nunca tive a oportunidade de perguntar.
- Ou não teve coragem de perguntar?
Foi a vez de Mu ficar surpreso.
- Você me conhece mesmo. – sorriu.
- Começamos a treinar juntos, praticamente quinze anos. Já deu para perceber como você é. – sorriu de volta.
- Tem razão. Acho que nunca tive essa coragem.
- Por quê?
- Medo de não ter nada a ser encontrado. – sorriu. – teremos um longo dia amanha. Melhor descansarmos. – levantou.
- Mu.
- Obrigado por me ouvir. – deu as costas. – boa noite. – acenou já na porta.
Aldebaran tentou impedi-lo, mas ele já fora. Olhou para a bandeira. Mesmo sem vê-la sabia onde poderia encontrá-la, toda vez que fosse ao Brasil, a senhora Margarida estaria lhe esperando e o Mu?
- "Medo de não ter nada a ser encontrado." – lembrou das palavras dele.
O.o.O.o.O.o
Uma brisa suave indicava o nascimento de um novo dia. Atena já estava de pé na companhia do pisciano.
- Faça uma boa viagem Afrodite.
- Obrigado Atena. É só uma pena Aldebaran não ter embarcado.
- Fiquei com dó dele. Estava tão animado com a viagem. – caminhou ate a janela. – fiz o possível, mas tem certos assuntos que nem a deusa Atena consegue intervir. – fitava o céu azul.
- Sim. Se me der licença.
- Boa viagem. – o olhou sorrindo.
Afrodite reverenciou e saiu.
Desde a conversa na noite anterior estava pensando se seria prudente ir ate Estocolmo. Aquela cidade lhe trazia péssimas recordações e mesmo tendo enfrentado duras batalhas tinha receio de voltar lá. É só uma cidade, dizia a si diversas vezes, mas em todas a voz não saia com convicção.
- Devo fazer isso por minha mãe. – disse entrando em sua casa.
Pegou alguns objetos e desceu rumo a entrada do santuário. Pegaria um trem rumo a sua cidade de natal e não poderia atrasar-se.
No trajeto encontrou com Kamus nas escadarias.
- Bom dia Kamus.
- Bom dia. – respondeu no seu habitual tom frio. – vai sair? – indagou ao vê-lo arrumado.
- Resolvi dar ouvidos ao taurino.
Kamus o olhou confuso.
- Vou para Suécia, no tumulo dos meus pais. Até mais tarde. – desceu acenando.
- Até.
Kamus o acompanhou com os olhos ate vê-lo sumir na próxima casa. Pensava que tudo aquilo era bobagem, que o passado deveria ficar no passado. Eram guerreiros e como tais deveriam viver só para isso, mas...
- Heureux jour dês mères... – murmurou. (n/a: Feliz dia das mães em francês.)
--FB--
- Abra logo mamãe!
- Tenha calma Antonietta. – sorriu uma jovem senhora.
- Fui eu que escolhi! – disse a criança de cabelos loiros e olhos azuis.
- Mas fui eu que comprei.
- Mas foi o Kamyu que deu o dinheiro, Henry. – rebateu.
- Nós todos contribuímos. – disse o irmão mais velho. De olhos e azuis extremamente azuis ao contrario do irmão do meio que também era loiro de olhos azuis.
- Agradeço a todos. – disse a mulher. – muito obrigada.
- Feliz dia das mães! – exclamaram os três em coro.
--FFB--
- Droga. – Kamus cerrou o punho. – droga de lembranças.
Afrodite continuou sua caminhada parando dessa em vez em Capricórnio. Seu morador estava deitado no sofá vendo TV.
- Vai sair peixinho? – indagou para provocá-lo.
- Vou chifrudo. – rebateu.
- Não precisa me chamar assim! – o olhou. – ta indo onde?
- Suécia.
- Para que?
- Visitar alguém.
Shura o olhou curioso.
- Minha mãe.
- Ah...boa viagem. – voltou a sentar.
- Obrigado.
Saiu.
Shura voltou a prestar atenção na programação, ou pelo menos tentou.
--FB--
- Ela vai gostar mesmo padre?
- Claro Shura. Tua madre adora rosas. Olha ela lá.
Shura olhou para onde seu pai apontava. Sua mãe estava na porta de casa cuidando do jardim.
- Vá entregá-la. – disse no ouvido do garoto.
Shura lhe sorriu e segurando o buquê correu até a mãe que o recebeu de braços abertos.
--FFB--
- Ele acabou com as nossas vidas. – disse mudando de canal.
O pisciano passou por Sagitário não encontrando seu morador. Em Escorpião nem se preocupou, certamente Miro ainda dormia. Estava certo.
Em libra encontrou com Dohko na entrada.
- Bom dia Dohko.
- Bom dia Afrodite. Vai sair?
- Sim. Vou viajar para Estocolmo.
- Boa viagem.
- Obrigado.
Passou direto por Virgem, Leão, Câncer, Gêmeos e Touro.
- Que estranho... – disse chegando em Áries. – para onde foi todo mundo?
- Bom dia peixinho! – cumprimentou Aioria.
- Bom dia leãozinho. É alguma reunião? – indagou ao ver Aiolos, Saga, Kanon, Aldebaran e Mu.
- Não, estamos de saída. – disse Saga. – vamos Kanon estamos atrasados.
- Ate mais. – o outro acenou.
- E vocês?
- Vamos a cidade nos divertir. – disse Aiolos. – quer ir?
- Obrigado, mas tenho outro compromisso. Estou indo viajar.
- Para onde?
- Suécia.
- Você tem sorte de nascer aqui perto. – disse Deba. – nem precisa de avião.
- Aposto que depois Atena vai recompensá-lo com uma viagem de um mês.
- Seria ótimo.
- Bom já vou indo. Ate mais tarde.
- Boa viagem.
- O que ele vai fazer na Suécia? – indagou o leonino.
- Ver a mãe dele. – disse Deba vendo-o sumir no horizonte. – vamos.
O.o.O.o.O.o
Saga e Kanon Milyes
Saga lia o jornal, chegara cedo na estação e teriam que esperar por vinte minutos o trem que partiria para Khalki. Kanon tinha sumido das vistas dele.
- "Se me fizer perder esse trem eu o mato." – pensou.
- Cheguei.
- Onde estava? – indagou sem tirar os olhos do jornal.
- Comprar suprimentos. É uma viagem de uma hora e vou ficar com fome.
- Só pensa em comer. – ergueu os olhos. – flores?
- Não penso só em comida. – sorriu carregando um vaso de azaléia. – são para a mamãe. – sentou ao lado. – lembra quando o pai disse que essas eram as flores predileta dela?
- Lembro... Kanon.
- Sim?
- Vamos encontrar alguma coisa?
- Como assim?
- Faz anos que não vamos a Khalki, a cidade deve está diferente.
- Só perguntar onde é o cemitério.
- Não é isso. – Saga encostou no encosto do banco. – por que ficamos tanto tempo sem ir lá? Na morte dos nossos avós nem fomos.
- Estávamos treinando.
- E o treino era tão importante a ponto de nem irmos nem no enterro deles? A ponto de nem nos dia das mães irmos ao cemitério?
- Mamãe sempre esteve conosco. Não precisávamos de ir até lá. Isso tudo é ritual.
- Então por que estamos indo agora?
Kanon o olhou.
- Não sei Saga. – levantou. – olha o trem chegou, vamos entrar logo.
Pegou as sacolas dirigindo para o trem. Saga dobrou o jornal e o seguiu.
O trem seguia silencioso pelas montanhas da Grécia central, o cenário era lindíssimo, contemplado por moradores locais e muitos estrangeiros. Kanon, que sempre gostou de viajar na janela, observava o paisagem.
- Há quantos anos não fazíamos esse trajeto? – perguntou para o irmão, mas sem tirar os olhos da janela.
- Quer mesmo saber? – Saga lia o jornal.
- Tanto tempo assim?
- Vinte e dois anos.
Kanon engoliu a seco. Praticamente uma vida inteira. Encostou no banco passando a fitar as flores na mão.
- Como seria se ela não tivesse morrido?
Saga parou de ler. Dobrou o jornal, colocando-o na área reservada.
- Tínhamos virado cavaleiros de Atena. Era o nosso destino. Com ou sem ela.
- Eu sei, mas...
- Mas...?
- Nunca imaginou a nossa vida como garotos normais? Ir para a escola, brincar na rua, jantar ao redor da mesa com a família reunida?
- Já Kanon.
- E é por isso que estamos indo agora? Imaginar como estaríamos hoje se tivéssemos uma vida normal?
Saga fitou a paisagem, apesar dos anos a vegetação continuava a mesma. Mas era só a vegetação, nada era como há vinte e dois anos atrás. Tudo tinha mudado e nem tinha percebido o quanto.
- Acho que queremos recuperar o tempo perdido.
- Não há o que recuperar. Estão todos mortos. – olhou.
- Pelo menos agora estamos tentando. – disse. – ao menos a memória.
Kanon voltou a fitar a paisagem.
- Talvez...
Cerca de meia hora desembarcavam na estação de Khalki. Ficaram impressionados, a cidade tinha mudado completamente.
- Não sei andar mais aqui. – disse Kanon.
- Só perguntar.
Pediram informações e pegando um táxi seguiram para o cemitério local.
Na porta haviam varias pessoas entrando e saindo, barracas vendendo flores e velas.
- Como aqui mudou... – murmurou Kanon.
- Muito.
- Você se lembra onde era?
Saga fitou o portão de entrada. Fechou os olhos numa tentativa de resgatar as lembranças. Como se apenas esperando o momento certo, toda a sua vida até os oito anos veio lhe na mente.
--FB--
- Que caminhada. – disse um senhor, esticando o corpo.
- Já está cansado vovô? – indagou um menino.
- Eu não tenho mais a sua idade Kanon. – brincou com os cabelos dele.
- Não devia sair correndo na frente. – disse um garoto igualzinho a ele dando a mão a uma senhora.
- Vocês andam muito devagar. – cruzou os braços.
- Rápido ou devagar chegamos. – disse a senhora. – obrigada por levar a sacola Saga.
- De nada vovó.
- Puxa saco.
- Preguiçoso.
- Puxa saco.
- Preguiçoso.
- Pare vocês dois. – disse a senhora de forma enérgica. – estamos num lugar de respeito, não para ficarem discutindo, alem do mais, seus pais estão te vendo. Comportem-se.
- Desculpe vovó. – disseram juntos.
- Estão desculpados. – sorriu, achava graça quando eles falavam ao mesmo tempo. – vamos entrar.
--FFB--
- Vamos.
Kanon o seguiu silencioso. Caminhavam virando ora a esquerda ora a direita, em determinados locais Saga parava como se tentando recordar o caminho.
Depois de cinco minutos chegaram aos limites do cemitério.
- Era por aqui.
- Aqui?
- Sim. Lembro que tinha uma arvore aqui, ficava debaixo dela.
- Tiraram a arvore Saga. – comentou o irmão. – afinal vinte e dois anos.
Ignorou o comentário. Olhava ao redor, tudo estava muito diferente, havia muitas lapides e se lembrava que a da mãe era uma sepultura mais simples. Kanon saiu de perto do irmão, não adiantava procurar, havia passado tanto tempo que poderiam ter removido a lapide ou outra coisa.
- "Devíamos ter sido mais gratos." – pensou.
Caminhava distraído apenas lendo os nomes que eram visíveis, passou por um que só podia-se ler parte do primeiro nome por causa da ferrugem do aço.
- Será que...
Aproximou, ajoelhando ao lado da cova, passou a mão pela placa para retirar o sujo.
- O nome... – sussurrou... " Athina Milyes, Nikos Milyes, Katina Milyes, Konstantinos Milyes" Saga! Saga!
Escutando a voz do irmão, correu até ele.
- O que foi?
- Achei. – apontou para a placa.
Saga a olhou por instantes. Não só os pais estavam ali como também os avós.
- Está tão descuidado. – Kanon colocou as flores perto da cruz. – erramos feio.
O outro geminiano não disse nada. Novamente todas as suas lembranças vieram a tona. Kanon procurou por um lugar para sentar, passando a fitar o local.
Ficaram em silencio, cada um mergulhado nos próprios pensamentos.
- Ainda lembra da oração que a avó nos ensinou? – Kanon não o olhou.
- Você lembra? – indagou surpreso.
- Partes. Senta aí, não custa agradá-la um pouco. Já que fugíamos da igreja.
Saga sorriu. A avó era uma pessoa religiosa e fazia questão que eles a seguissem. Ele sentou ao lado do irmão e baixinho começaram a rezar.
Giovanni Romanelli
Mask tinha saído cedo do santuário, já que tinha o dia livre resolveu passear pela cidade. Aquele papo todo de Aldebaran só havia deixado irritado. Não gostava de lembrar de seu passado e nem que seu pai ainda continuava vivo.
- Maledito. – cerrou o punho.
Vagou sem rumo por horas, ate que inconsciente foi levado para um lugar.
Os olhos azuis ergueram em direção ao céu, deparando com uma cruz.
-- FB--
- Gio, não vou chamar de novo!
- Eu não quero ir! – um garoto segurava o pé da mesa com toda força.
- Estamos atrasados para missa!
- Não quero ir... aquela cara não para de falar!
- Ao respeito com o padre!
- Não vou!
- Ah vai sim. Se não for vai ficar de castigo um mês! Sem por os pés fora de casa!
- Não me importo. – sorriu. – chantagens não funcionam comigo.
- Vai ter que ir todos os dias com seu pai para o escritório. – disse séria, mas queria sorrir. Sabia que o filho detestava ir para o escritório com o pai.
- Não vale! – soltou da mesa. – golpe baixo.
- Não reclama. – sorriu.
- Se ele demorar eu vou embora.
- Vai deixar sua mãe voltar sozinha para casa?
Giovanni a olhou.
- Não. Vamos logo.
A mulher o abraçou.
- Fica lindo emburrado. – brincou com os cabelos dele. – nunca se esqueça que a mamãe te ama. – deu lhe um beijo na face.
- Para mãe! Isso é coisa de maricas. – limpava a bochecha.
--FFB--
- "Também te amo." – pensou sorrindo.
MM deu as costas, caminhou alguns passos, mas parou. Nunca ligou para religião, só ia a missa porque a mãe o obrigava ou porque queria agradá-la, mas não tinha a menor paciência para ouvir os sermões. Sempre dormia nessa parte. Mesmo depois de receber a armadura, nas poucas vezes que ia em casa, se fosse no domingo... era inevitável... lá esta MM sentando num banco da igreja.
O canceriano voltou o olhar para o local. Torcendo o nariz entrou. Aquele lugar era santo de mais para ele. Sentou no ultimo banco.
- "Só porque é para a senhora... Pater noster, qui es in caelis..." – começou a rezar o Pai-nosso em latim. Catarina sempre quis que ele aprendesse as orações em latim, mas o gênio do filho era difícil e ele nunca falou uma oração completa nessa língua. Mesmo a contra gosto ele acabou aprendendo, mas nunca revelou isso a ela.
Aiolos e Aioria Kratos
Os quatro amigos divertiam na área de jogos de um shopping. Aioria e Deba travavam uma verdadeira batalha no jogo de futebol. Aiolos e Mu disputavam uma partida de tênis.
- Atena bem que podia colocar umas maquinas dessas no santuário. – disse Aioria procurando o melhor ataque.
- Mesmo se ela deixasse o mestre não ia permitir. Goollll!! – gritou empolgado. – 3 x 0 !!
- Não vale me pegou distraído!
- Você que é ruim mesmo. A seleção brasileira vai ganhar de lavada.
- O jogo ainda não acabou.
- Só milagre para você ganhar. – sorriu.
Na partida de tênis...
- Parabéns pela vitória Aiolos.
- Por pouco você não empatou.
- Esses jogos são interessantes.
Sentaram num banco próximo, de onde podiam ver a "pequena" discussão.
- Esses dois parecem crianças. – Aiolos esticava os braços.
- Parecem ou são?
- Concordo. São.
Os dois começaram a rir.
- Foi uma pena Deba não ir para o Brasil. – Aiolos apoiou a cabeça no encosto do banco.
- Foi pena mesmo. Ainda bem que ele aceitou o convite de vocês. Ficar naquele santuário não faria bem para ele.
- E os outros?
- Kamus, Miro, Shura, Shaka e Dohko ficaram. MM sumiu logo de manha.
- Aquela cara é esquisito. A mãe dele deve ter sido mesmo uma santa para agüentá-lo.
- É... – murmurou pensativo. – Aiolos.
- Diga.
- Como era a sua? – o olhou.
- A minha...?
- Mãe.
- Bom...ela tinha o cabelo da cor do Aioria... eram cumpridos, os olhos castanhos. Muito carinhosa. Ela morreu quando o Oria tinha um ano. O meu pai foi logo em seguida. Por quê?
- Por nada. – respondeu rápido. – é melhor irmos separar aqueles dois.
Aiolos olhou para onde Mu apontava. Aioria e Deba batiam boca.
- São duas crianças... – suspirou.
Depois de muito "revanche", " nunca vai ganhar de mim", "você trapaceou" o animo dos dois cavaleiros voltaram ao normal. Continuaram o passeio dessa vez no centro da cidade. Deba conversava com Mu, Aioria seguia na frente em busca de um lugar para comerem enquanto Aiolos apreciava a paisagem. O sagitariano seguia lentamente quando algo lhe chamou a atenção. Passava ao lado de uma floricultura, na porta dezenas de tulipas estavam expostas. Parou passando a contemplá-las.
- Achei uma lanchonete. – Aioria aproximou. – parece que é um bom lugar. – fitou o irmão. – Aiolos? Aiolos? – não obteve resposta. – Terra chamando Aiolos. Responda.
- O que foi?
- Não me respondeu. Esta feito bobo olhando para essa loja.
- Por que pararam? – Deba e Mu aproximaram.
- Deve ter visto alguma mulher bonita. – Aioria olhava para dentro da loja.
- Opa também quero ver. – Deba empolgou.
- Não é nada disso. – disse Aiolos. – estou olhando as flores.
- Hum... – murmurou o leão. – deve ser para alguma mulher...
- Era a favorita da mamãe. – disse. – ela adorava tulipas.
Aioria fitou as flores. As lembranças que tinha dos pais eram mininas. Tinha apenas um ano quando eles morreram.
- Aioria. – Aiolos o olhou.
- Vamos sim. – ele entendera o olhar do irmão.
- Vamos todos. – disse Deba sorrindo.
Aioria e Aiolos eram de Athenas mesmo, o que facilitou o encontro com o passado. O cemitério estava repleto de pessoas, apesar dos anos sem ir até lá, Aiolos sabia exatamente o lugar onde estavam enterrados. O taurino e o ariano os seguiram ate certo ponto, preferindo esperá-los.
Tendo cada um, um ramalhete, pararam em frente a sepultura.
- Queria ter mais lembranças. – disse Aioria. – você viveu mais tempo com eles.
- Foi amado tanto quanto eu. – ajoelhando colocou o ramalhete sobre a placa com o nome.
- É...
--FB--
- Já vou servir o jantar. – uma mulher colocava o restante dos pratos na mesa.
- Estou com muita fome. – disse um homem sentando-se a mesa. – cadê os meninos?
- Fazendo bagunça no quarto. Aiolos, trás seu irmão. Vamos jantar.
Mal acabou de falar e um bebê surgiu na porta correndo e rindo.
- Conde, conde. (n/a: tradução: esconde, esconde) – o menininho escondeu em meio às pernas da mulher.
- Aiolos.. fazendo seu irmão correr.
- Eu vou pegar, eu vou pegar.
Escutando a voz de Aiolos o menininho, Aioria, agarrou ainda mais nas pernas escondendo o rostinho.
- Onde está o Oria... – Aiolos apareceu na porta, fingindo não o vê. – Oria...
Aioria ria baixinho.
- Eu escutei um riso.
Fingiu procurá-lo por toda a sala, ate que parou atrás da mulher.
- Achei! – disse pegando-o no colo.
Aioria não parava de rir.
- Achei. Achei. – fazia cosquinhas nele.
- Aiolos desse jeito ele vai soluçar. – a mulher também ria.
- Eu paro. – o sagitariano o colocou no chão.
- Vocês dois parem de arte e vamos jantar. – disse o homem. – vamos ao parque.
- Serio? – Aiolos comemorou.
- Sim.
- Paque. Paque. (tradução: parque)
- Vamos todos ao parque.
--FFB--
Aiolos deu um sorriso.
- Olos.
Ele virou.
- Conde, conde. – Aioria tampou os olhos com as mãos.
- Achei... – brincou com os cabelos dele. – Oria.
Mu olhava as pessoas depositando as flores nos túmulos. Deba o fitava. Desde a conversa da noite anterior, notou o diferente. Parecia que essa data tinha mexido com ele.
- Por que não procura suas raízes? – Deba tocou no ombro dele, fazendo-o despertar.
- Eu tenho medo. – disse fitando duas crianças que brincavam entre os túmulos.
Deba ficou surpreso.
- É estranho não é? Numa batalha não tenho medo de morrer, mas ao pensar no meu passado...
- Amigos são para isso. Se um dia quiser descobrir conte comigo.
- Obrigado.
- Vamos rapazes? – Aioria e Aiolos aproximavam.
- Vamos.
--
Continua...
