Drabble feita para o projeto Torre de Astronomia.

Signo/Item: Touro/Estável


alguém que seja a maré calma

por Luna Fortunato


Era mais uma noite sombria.

As ruas molhadas e frias lá fora, o céu pesado forrado de nuvens entristecidas, e até mesmo as casas transpareciam melancolia e tragédia. Outra noite de notícias ruins, outra noite em que Sirius não conseguiria adormecer. Remus o observava longamente, os traços cansados, o jeito de quem não dormia direito fazia dias, o que não estava longe da verdade.

— Os McKinnon eram legais – murmurou Sirius enquanto se aninhava junto ao amigo no sofá – eu ainda não consigo acreditar que estão mortos.

— O importante é que estamos vivos e seguros – Remus disse tristemente.

Apenas por essa noite, Moony, pensou Sirius, mas não quis contestá-lo. Apenas quis ficar perto, tão perto de Remus como se estivessem prestes a se fundirem em um só.

Sua rocha, seu porto seguro. Em tempos tão sombrios, quando se fazia um velório silencioso todas as noites, rezando por mais um dia de segurança, era confortante tê-lo ao seu lado, com toda a sua gentileza indescritível, seus cabelos já grisalhos, seus olhos confortantes.

— Moony – Sirius chamou, segurando as mãos do amigo, tentando decorar a textura da pele – nunca me abandone.

Remus lhe encarou inicialmente confuso, mas então a compreensão preencheu seus traços.

— Nunca te abandonaria – Remus prometeu – nunca, nem em mil anos.

— Nunca – Sirius reforçou, quase desesperado, quase odiando a si mesmo por depender tanto de uma pessoa para estar bem. Porque Sirius era como a maré calma que ele precisava depois daquela tormenta e era tudo o que ele queria agora para que tudo não fosse difícil demais.

Remus estava sempre ali, tão constante, tão calmo, pacientemente esperando dia após dia, lhe sendo um exemplo de calma e persistência, racionalidade e gentileza. Invejava o amigo por tudo que ele era, mas precisava de tudo que Remus lhe oferecia.

Precisava tão desesperadamente dele quanto um ovo de dragão precisa ser chocado. Sabia que se Remus não estivesse ali, lhe segurando, sendo um refúgio emocional, provavelmente já teria se matado tamanha a sua impulsividade e raiva que sentia naqueles dias.

— Nunca – Remus plantou um beijo na testa, tão calmo que era como se não estivessem em guerra – nunca – beijou a bochecha direita – nunca, nunca, nunca – outro na bochecha esquerda, outro na ponta do nariz, outro nos lábios e Sirius sorriu.

Era apenas a confirmação.

Assim como fogo precisa da água para se conter, Sirius precisava de Remus para lhe lembrar de respirar fundo e tentar novamente.

Assim como Remus lhe abraçava tão ternamente quanto era possível e precisava de alguém para lhe desestabilizar seu mundo particular, Sirius precisava de Remus para se refrear no meio do seu desespero e tormenta.

Porque era Sirius e era Remus. E Sirius sabia que estaria tudo bem enquanto Remus pudesse ser a sua rocha para lhe segurar, firme e sólida, sendo um lugar para onde voltar. Porque enquanto Remus continuasse a ser Remus para todos, pensou Sirius enquanto o namorado lhe despia calmamente, então ele poderia a continuar ser Moony para ele.