Eu Pego Esse Homem
Capítulo II
Com ajuda de Rose e Alice, Bella arrastou-se até o sofá cor de damasco do abençoado e privado quarto de preparativos da noiva. Uma outra batida à porta.
- É o Edward que veio me dizer que era um trote pré-nupcial – disse Bella –, ele tem um senso de humor especial.
Rose abriu a porta. A srta. Wistlestop logo a empurrou para dentro do quarto.
- É só um pequeno atraso – a organizadora falou em meio à bruma de seu perfume –, tudo está sob controle. Nada de pânico. Estamos aguardando o noivo. E o padrinho e... onde está a sra. Swan? Devia estar aqui. Já estamos cinco minutos atrasados.
Bella, Alice e Rose olharam fixo para a pequena, mas rechonchuda, mulher visivelmente nervosa, com suas pérolas, vestido de festa de tafetá pêssego, sapatos combinando, meias de seda e um coque em espiral feito no cabeleireiro. Obviamente, para onde quer que tivesse ido, Esme ainda não tinha informado a srta. Wistlestop da mudança de planos.
- Meninas – a srta. Wistlestop exclamou –, vocês estão ou não estão comigo? Nós temos aqui uma situação de emergência!
- Eu pensei que era para não entrar em pânico. – Disse Bella.
Nos últimos seis meses tinha passado horas com a srta. Wistlestop, discutindo os detalhes da recepção. Porta-guardanapos. Bordas das toalhas de mesa. E olhando agora para aquela mulher atarracada, de rosto transtornado, Bella se espantava com as horas gastas e a distorção de perspectiva.
Como as pequenas coisas – a baixinha srta. Wistlestop e suas respectivas listas – pareciam enormes e formidáveis. Mas as grandes coisas – sua vida – acabaram se reduzindo ao planejamento de um evento de cinco horas. Um evento que, assim como os seis minutos anteriores, não passava de um fracasso.
- Não estamos em pânico. – Disse a srta. Wistlestop. – Esse é o melhor dia de sua vida, aquele com o qual você sonhou desde criança.
- Se eu tivesse tido fantasias de menina – Bella retrucou enquanto observava seu reflexo fantasmagórico no espelho do toucador –, seguramente não se pareceriam com isto. – E voltando-se para Rose e Alice, acrescentou – Mostrem o bilhete pra ela.
Alice entregou para a srta. Wistlestop aquilo que poderia ser o último item em sua pilha gigantesca de correspondência matrimonial. A organizadora leu palavra por palavra da decisão de Edward. Depois, pôs a folha dentro do envelope e o devolveu a Alice.
A srta. Wistlestop pegou sua bolsa cor-de-rosa e tirou um walkie-talkie de dentro dela. Com ele nas mãos, falou em tom abafado:
- Atenção, equipe de organização do casamento: nós temos aqui uma situação código vermelho. Repito: código vermelho! Equipe da cozinha: não abram o caviar. – Ela soltou o botão e pegou seu palmtop dentro da bolsa. – Me dá um segundo, só para achar a lista de desistências. Preciso conversar com sua mãe sobre as despesas reembolsáveis.
- Ela deve estar em algum lugar por aí. – Bella falou. – O que me pergunto é por que não endoidei.
- Algumas noivas abandonadas ficam sem ação. – A mulher replicou. – Algumas chegam até a parar no pronto-socorro.
- E os noivos abandonados? – Bella perguntou.
- Nunca tivemos nenhum. – A organizadora respondeu. – Aqui, achei. Primeiro item da lista: informar aos convidados. A maioria das noivas pede a alguém para fazer isso. Ficam muito envergonhadas quando são vistas com vestido de noiva sem terem se casado.
- Isso também pode ser constrangedor. – Bella comentou.
- Quanto ao Plaza, nenhuma despesa reembolsável. – Disse a organizadora. – Recomendo tentar vender o vestido no Ebay.
- Vou fazer isso. – Bella concordou.
- Só não põe foto. – Rose sugeriu.
- Estou à disposição. Já fiz isso dezenas de vezes. Sou boa nisso. Muito boa. – Disse a mulher.
Alice alongou a coluna e disse com expressão compenetrada:
- Como dama de honra, a responsabilidade é minha. Sou eu que vou dar as explicações devidas. Se dor preciso, até me descabelo. – E vendo o sorriso forçado de Bella, completou – Depois não vá dizer que não tentei.
- Eu também sou dama de honra, acho que é minha responsabilidade também.
- E agora surgindo na passarela, Alice Swan e Rosalie Hale, estrelando A Noiva Abandonada. – Disse Bella.
- Você vai se orgulhar de nós. – Rose rebateu.
Edward é quem devia fazer isso, Bella pensava.
- A comida é uma despesa reembolsável? – Alice perguntou a srta. Wistlestop.
- Algumas. – A organizadora falou enquanto franzia a testa mostrando seriedade, e depois berrou no walkie-talkie. – Atenção, pessoal da cozinha: não raspem as trufas!
- Bem, vamos acabar logo com isso. – Bella disse ajeitando a roupa.
- E o que você vai falar? – Alice indagou enquanto a seguia pelo corredor que ia dar no salão. – Seria bom reservar dois minutos para preparar um roteiro.
- Deixa pra lá, eu improviso. – Bella objetou. – Ainda estou sem ação. Eu devia estar sentindo... alguma coisa. Alguma coisa ruim.
- E você acha que ir até lá para encarar os convidados vai mudar a situação? Você vai se torturar para sentir uma dor que não está sentindo. Hmmmm! – Rose refutou. – Essa idéia até que não é má. É uma sacudida na agonia. Uma cutucada na degradação. De repente, dá certo.
Cutucada? Sacudida? Bella não gostou daquilo.
- Talvez seja melhor dar um tempo. – Disse, literalmente dando meia-volta.
- Agora é tarde. – A srta. Wistlestop falou.
As quatro mulheres tinham chegado à porta aberta do salão. Duas centenas de cabeças voltaram-se para elas. Os convidados sentavam-se em cadeiras estofadas dispostas em duas alas que ladeavam a passarela.
Após a cerimônia, as cadeiras seriam arrumadas em torno das mesas enquanto, do lado de fora, seria servido um coquetel. Na extremidade de cada fileira de cadeiras, um vaso helênico repleto de rosas brancas. Bella olhava o altar enfeitado de rosas no final da passarela. Agora pareciam estar a milhas de distância.
- Vou com você. – Rose e Alice falam juntas.
Bella recusou com a cabeça.
- Alice, vá avisar o Jasper sobre o aconteceu. E Rose, pega o seu carro e me espera estacionada lá na frente. Vou dizer o que tenho que dizer, depois a gente vai para casa da mamãe.
- Tá legal. – Rose respondeu, enquanto Alice apenas acentiu com a cabeça. Depois Alice seguiu atrás de Jasper e Rose tomou o rumo do saguão do hotel.
- Me dá um empurrão. – Bella disse, voltando-se para a organizadora.
A srta. Wistlestop deu-lhe um empurrãozinho de nada.
- Mais forte!
A mulher empurrou-a então com os ombros, como um jogador de futebol americano. Bella foi literalmente arremessada dentro da passarela. Logo o fotógrafo e o cinegrafista direcionaram as câmeras para ela.
Bella fez um sinal frenético de "corta" e eles retrocederam. Ela não permitiria de jeito nenhum que o álbum de casamento consistisse em cinco tomadas de sua garganta cortada pelo seu dedo indicador.
Caminhando aos trancos e barrancos pela passarela, ela ouvia o burburinho que aumentava de volume a cada passo. Com o coração disparado, pousou os olhos no altar e viu o rabino sentado numa cadeira estofada.
Quando alcançou a plataforma nupcial, Bella sorriu para o atarantado rabino e começou a suar. Gotas de suor desciam pela sua testa. Um riacho escorria pelas suas costas. Respirou fundo (engasgando-se com o forte aroma de rosas) e sorriu para os convidados.
Já tinha enfrentado platéias centenas de vezes. Já tinha dançado na Broadway em trajes sumários para milhares de pessoas, mas esta (nesse verdadeiro show de última hora) era a primeira vez que se sentia exposta.
O burburinho, que já havia ultrapassado os limites da polidez, se deteve. Bella interrompeu o silêncio com uma tossida, arrependida por não ter deixado Alice ou Rose ou ambas substituí-la.
Ela retirou o microfone do tripé, aproximou-o dos lábios e falou:
- Alô, Cleveland!
Silêncio. Não se ouvia um pio.
Bella distinguiu sua voz amplificada.
- Quero agradecer a todos por terem vindo. – Começou. – Cinco minutos atrás, o meu noivo, Edward Cullen, teve uma revelação. Um autêntico momento de iluminação. Ele se deu conta de que efetivamente o casamento não passa de uma questão de posse. Edward é esclarecido demais para compactuar com uma instituição tão sexista, e não podia participar de um casamento. Neste caso, o dele mesmo. Para os que não me conhecem, sou Isabella Swan, a noiva. Mas isso é óbvio! Eu sou a única que está com um vestido de noiva armado que pesa uns duzentos e cinqüenta quilos.
Uma onda de burburinhos de preocupação espalhou-se pelas fileiras.
- Não se preocupem, está tudo bem. De verdade. – Ela assegurou a todos. – Agradeço a Edward por ter tido uma postura política sem se valer da velha tática de dar o fora! Isso sim é que seria barra pesada. Isso realmente deixaria transtornada uma mulher desprezada. Ela talvez até tivesse vontade de atirar ou quebrar qualquer coisa. Quem sabe até rasgaria.
Rasgão. Algumas senhoras à frente estavam boquiabertas. Bella nem ligou. Com a mão que não segurava o microfone, ela apertava um babado branco do vestido. Involuntariamente, arrancou-o.
- Quem gosta de renda? – Ela perguntou. – Tem alguém aí que gosta mesmo de ombreiras de Cinderela? – Bella agarrou o topo de sua manga direita e arrancou-a. recolocou o microfone no tripé e arrancou a manga esquerda. Atirou as duas para a multidão.
- Que tal esses botões de pérola? Alguém aí gosta desses incômodos botõezinhos de merda? – Pondo as mãos de cada lado do adorável decote, ela arrancou duas dezenas de botões e depois os arremessou para a multidão.
- Que tal laços de cetim? Rasgão.
- E uma anquinha de tule? Puxão.
Bella puxava e rasgava e arrancava com a força de dez noivas abandonadas. À medida que se livrava da fofice de sua carga, ela ria e ofegava; esquecera o pessoal no salão; esquecera o rabino. Mas não esquecera Edward.
Em sua mente ele estava deitado numa cama sabe-se lá onde, dormindo como um bebê inocente, enquanto ela se engalfinhava com esse crocodilo albino: o seu vestido de noiva. Por fim, ela o arrancou e o atirou como um chicote contra o altar, e o esmurrou até que ele virasse uma tira sem vida.
Bella tropeçou. Triunfante, encarou o cadáver do seu vestido de noiva. Radiante, ajeitou-se, à espera de aplausos pela sua vitória.
Em vez de aplausos, ela viu os rostos (francamente) aterrorizados das senhoras sentadas nas fileiras da frente. E os sorrisos maliciosos de seus maridos senis.
- Por favor, assinem o livro de visitas a seu bel-prazer. O coquetel terá início em poucos minutos na piscina do hotel; portanto, desfrutem os canapés.
Ela deixou o altar. Vestindo apenas o que restara de seu conjunto de calcinha e sutiã azul, das novas sandálias prateadas, da velha gargantilha de pérolas e uma pulseira de diamantes emprestada, Bella cruzou a passarela a passos largos e saiu do salão.
Edward não estava morto, Esme notou com alívio quando pressionou as costelas dele com o dedo indicador. Só estava inconsciente. Nocauteado. Esme o preferia dessa maneira, esparramado e calado.
Ela estava pasma porque sua reação fora espontânea. Ou melhor, violenta. Não conseguia se lembrar da última vez – ou de qualquer outra vez – em que seguira um impulso. É verdade que com muita freqüência tinha pensamentos sombrios, mas até dez segundos atrás nunca os colocara em prática.
Esme se deu conta de que é bom fazer o que se quer, por mais que isso seja ruim.
Mas agora estava num impasse. Ao ver Edward imobilizado, ela se perguntava: "O que faço com você?". Com um súbito lampejo de medo, inteirou-se de que os outros convidados – os familiares de Edward, por exemplo – também podiam vir à procura do noivo.
Esme precipitou-se porta afora. O corredor estava vazio, com exceção do enorme carrinho da lavanderia (ela teve que sufocar um gritinho de satisfação) que havia tombado pelo caminho. Então, empurrou o carro para dentro do quarto.
Claro que o carrinho é grande o bastante, pensou. Primeiro, ela pôs a mala de Edward dentro do carro (não podia deixá-la para trás, senão as pessoas se perguntariam por que ele não a tinha levado). Depois, empurrou o carro, posicionou-o contra a cama e rolou o corpo inerte de Edward para dentro dele, em cima da mala. Para ocultar o corpo, usou uma colcha que retirou da cama.
Enquanto ajeitava o penteado e a roupa, Esme checava outra vez o corredor. Todo vazio. Manobrou o carro para fora do quarto com facilidade. Deu uma olhada para trás e notou que o carro havia deixado rastro sobre o tapete felpudo. Rapidamente, desfez as pistas com o sapato. E com a ponta do lençol esfregou as maçanetas da porta pelo lado de dentro e de fora, fechando-a em seguida.
Esme empurrou a carga até o fim do corredor, onde ficava o elevador de serviço. Conhecia bem a arquitetura do hotel. Ela o inspecionara por ocasião da escolha das suítes para os convidados.
Alguma coisa dentro dela dizia que havia uma câmara de segurança embutida no painel de controle do elevador. A única maneira de não ser filmada seria agachando-se atrás do carro e impelindo-o para dentro. O próprio carro a ocultaria. Na fita, a impressão que daria é que alguém teria empurrado o carrinho para dentro do elevador e por algum motivo desistira de seguir junto.
Esme olhou em volta para se assegurar de que não havia testemunhas e se pôs de joelhos atrás do carro. Movendo-se com lentidão (pareceu-lhe uma eternidade), ela engatinhava enquanto empurrava o carro para dentro do elevador.
Já dentro dele, ela se deu conta de que teria que apertar o botão para descer até o estacionamento subterrâneo do hotel. Estava agachada atrás de uma lateral do carro, distante da porta e do painel de controle.
Resolveu então girar o carro, esgueirando-se por trás dele. Na fita, a impressão que daria é que o carro teria girado sozinho de forma demoníaca. Quando se viu debaixo do painel, ela apertou o botão "S".
Se havia alguma crise de consciência em Esme por ter apagado Edward (talvez sem sangramento), as deusas que regem o destino estavam claramente do seu lado e a absolveram: o elevador desceu catorze andares até a garagem sem nenhuma parada.
Quando a porta se abriu, Esme puxou o carrinho, ainda agachada, para fora do elevador. Na frente da porta, avistou uma única câmera de segurança. Conseguiu desativá-la com facilidade e em passos rápidos empurrou o carrinho na direção de sua caminhonete Volvo Cross Country vermelha. Seus saltos altos ecoavam na garagem cavernosa à medida que ela empurrava o carro.
Apesar dos seus quarenta e cinco anos, Esme era alta (media pouco mais de um metro e oitenta) e muito forte. Tinha tempo de sobra, e gastava a maior parte dele na Academia Equilux, localizada no famoso Short Hares Mall.
Anti-social por natureza, ela evitava as concorridas classes de Pilates e optava pela solidão e monotonia das sessões de musculação. Quem olhasse para Esme, vestida no seu insinuante conjunto cinza e coberta de diamantes, dificilmente imaginaria que ela podia suportar 75 quilos de pressão.
Enquanto abria a porta traseira da caminhonete, Esme estimava que Edward devia pesar uns 85 quilos. O peso batia com sua capacidade de levantamento. A tarefa ficaria muito mais fácil se ela conseguisse encaixar a borda do carrinho no pára-choque da caminhonete, para criar uma alavanca. Encaixou o carrinho e, suspendendo-o do chão, inclinou-o com seu conteúdo para dentro da caminhonete. De cabeça para baixo, o carrinho escondia convenientemente Edward, a colcha e a mala.
Esme se pôs ao volante e saiu em disparada da garagem. Cantando os pneus na rua, dobrou à direita. Preocupada com o excesso de velocidade, diminuiu a marcha. Afinal, estava a poucos minutos de sua mansão em Overlook Lane. Com uma das mãos no volante e a outra no celular, telefonou para casa.
- Residência da sra. Swan. – Atendeu Tanya Denali, uma mulher de trinta e seis anos, nascida e criada na Moscou comunista, que trabalhava na casa havia muito tempo como governanta e babá.
- Graças a Deus você está aí! – Disse Esme. – Vou chegar em dois minutos.
- Por que você não está no casamento? – Tanya perguntou.
- Por que você não está lá? – Esme replicou.
- Não dava para assistir. – Disse Tanya.
- Presta atenção: Edward pulou fora. Ele mandou um bilhete infame para Bella. Encontrei o desgraçado no quarto dele e... exagerei um pouquinho.
- Estou vendo você chegar.
Cantando pneu, Esme subiu a toda pela via de entrada e freou bruscamente a caminhonete quando chegou ao topo. Tanya estava parada ao lado de fora da porta da cozinha com o telefone ainda encostado no rosto, espremida num vestido de festa que realçava suas curvas.
Esme estacionou e saiu do carro. Depois, levantou a porta traseira e recuou. Oscilando sobre altíssimos saltos plataforma, Tanya se juntou à patroa na traseira da caminhonete.
- Já não temos bastante roupa pra lavar e você ainda precisava trazer mais para casa? – Tanya falou ao ver o carrinho da lavanderia dentro da caminhonete.
Esme puxou o carrinho para fora. Ele desembarcou na vertical. Depois ela retirou a colcha e deixou Edward à mostra (uma coisa inerte). Tanya cutucou a perna dele com sua longa e bem-cuidada unha. Ele não reagiu. O que era bem significativo. A unha dela era afiadíssima.
- Será que a gente devia levá-lo ao hospital? – Esme perguntou.
- Por quê? Ele está doente? – Disse Tanya.
- Só nocauteado.
Lentamente, como se drogado, Edward rolou a cabeça para o lado. Suas pálpebras tremiam e ele gemeu.
Tanya deu um grito.
Esme fez o mesmo.
As duas mulheres colocaram a colcha e a mala de volta no carrinho e rolaram Edward para dentro dele. Esse movimento o fez grunhir. A russa era mais musculosa que Esme, e por isso foi quem mais empurrou durante as manobras do carrinho pela cozinha.
- Lá pra cima. – Disse Esme.
Elas empurraram o carrinho através da copa e do grande saguão de entrada da mansão, com um imponente pé direito de mais de dez metros de altura. Entrada com pé direito triplo, como os corretores chamavam, o majestoso saguão causava uma forte impressão nas visitas (não que Esme recebesse muitas), que não conseguiam conter um "uau!" quando entravam. A perspectiva de alçar o carrinho pela escadaria fez com que o braço de Esme doesse.
- Você já sabe onde estou pensando em colocá-lo? – Ela perguntou para Tanya.
- Como é que vamos levá-lo por três lances de escada? – A russa replicou.
- Um degrau de cada vez. – Disse Esme.
E assim fizeram, ambas de salto alto, puxando escada acima um carrinho cujas rodas saltavam e batiam a cada puxão.
- Graças a Deus pela adrenalina! – Exclamou Esme quando elas atingiram o segundo lance de escadas.
- Que merdaaaaaaaaa! – Grunhiu Edward, completamente grogue.
Surpresas pelo som inesperado, as mulheres largaram o carrinho. Ele despencou escada abaixo com Edward chacoalhando dentro dele como um brinquedo. E deslizou pelo saguão até se chocar com a porta de entrada.
- Que merda! – Tanya reclamou. – Estragou meu sapato!
De fato, um de seus sapatos tinha perdido o solado de cortiça. Depois de resgatar o carrinho, elas fizeram tudo outra vez, escada acima; Tanya (com um pé descalço), puxando e Esme empurrando.
Na metade do segundo lance, Edward Cullen parecia recuperar a consciência.
- Último degrau. – Disse Tanya ofegante, enquanto elas puxavam o carrinho para o terceiro piso escuro e sujo.
Dentro de sua gaiola, Edward apalpava as laterais do carro, numa débil tentativa de sair. Lentamente, ele abriu os olhos, fitou Esme e gaguejou:
- Eu sei que você está tentando me matar! Você odeia os homens, sua estraga-prazeres miserável!
- Pega aqui. – Disse Tanya, descalçando o outro pé.
- Muito obrigada. – Esme agradeceu, pegando o sapato e acertando a cabeça de Edward.
Edward foi mais uma vez nocauteado.
- Fica cada vez mais fácil. – Esme falou.
- Qual porta? – Tanya quis saber.
- A terceira à direita. Mas está trancada, e temos que achar a chave.
- Tem uma chave-mestra lá na cozinha. – Disse Tanya enquanto descia para buscá-la.
Sozinha com seu ex-futuro genro, Esme inclinou-se sobre o carrinho e lembrou-se da última vez que estivera no quarto de brinquedos, a única parte da casa que planejara demolir depois que Charlie foi embora. Mas com todos os eventos tristes que sucederam a partida dele, nunca mais pôs os pés lá dentro.
E agora agradecia a si mesma por sua inércia. O quarto de brinquedos era um lugar perfeito para abrigar Edward até que... até que decidisse o que fazer com ele.
Esme analisava o rosto do rapaz e não podia deixar de admirar aquelas pestanas compridas, escuras e curvadas. Além de sua boa aparência, Edward era de uma família abastada de Nova York. E também era bem-educado, tinha boas maneiras e um ótimo emprego.
Mas nada disso importava. Esme o conhecia muito bem, conhecia a besta que se escondia sob sua pele. Ela suspeitava dele desde o dia em que o conhecera. Quando Bella sofreu o primeiro "acidente", a suspeita de Esme virou certeza.
Tanya, que desconfiava de qualquer um e também não confiava em Edward, retornou ofegante com a chave-mestra. Esme introduziu-a na fechadura e destrancou a porta. Empurrou-a para dentro e procurou o interruptor de luz.
- Traga-o para dentro. – Ela disse.
Tanya empurrou o carrinho até o meio do quarto.
- Dá uma checada no banheiro e na pia. – Esme falou, apontando para o banheiro sem janelas no final do salão. Enquanto empurrava Edward para o lado a fim de pegar a mala, Esme ouviu um gotejar e depois um correr de água e a descarga.
- Tá funcionando. – Disse Tanya.
- Me ajuda aqui com a mala. – Disse Esme.
Tiraram a mala de dentro do carrinho e Esme carregou-a para fora do quarto de brinquedos. Apagou a luz e trancou a porta.
- Tenho que voltar para o hotel. Depois explico tudo, tim-tim por tim-tim. Não o deixe sair. Bella não pode ficar sabendo de nada, tá?
Enquanto falava Esme destrancou uma outra porta e empurrou a mala para dentro do aposento.
- Ele merece isso? – Disse Tanya.
- E você ainda pergunta?!
Esme desceu as escadas, atravessou correndo o salão, a cozinha e a porta e entrou na Volvo. Olhou o relógio. Só tinham se passado vinte minutos desde que golpeara a cabeça de Edward.
Ela diria que o estava procurando, que havia percorrido todo o hotel e que até tinha saído de carro para verificar nos arredores.
Esme saiu de casa e foi para o Short Hares Plaza. Durante o trajeto, rememorava os fatos da última meia hora.
No primeiro sinal luminoso, ela freou.
- Que droga! – Disse consigo mesma. – A garrafa!
N/A: Hello everybody!!!
Acho que todos conheceram hoje a Esme Bond! HAUHuhauHUAHuhauHAa... Depois de todo aquele trabalhão esqueceu a garrafa! E agora??
Bella acabou com o vestido de noiva e saiu de calcinha e sutiã porta afora... Ai ai ai...
Devo confessar que eu morri de rir com o carrinho caindo escada abaixo e o Edward indo junto... xD Uma das melhores cenas, na minha opinião... HUAHuhauA
Na verdade, eu adoro ver o Edward sofrendo... hUAHUhauhUAHUha... Maldade total... xD
Mas devo dizer que fiquei muito, mas muito mesmo, feliz com tantas reviews, alertas e favoritos no primeiro capítulo!!
Agradeço especialmente a marjorie saunders, Bia. Cullen-CrAzY, Fuh, Re Lane Cullen, Isa.C., elleen c., Bruna cm Yamashina, Kagome Juh, Biasha e Nessiie Black pelas reviews que alegraram completamente meu dia!!!
Espero que vocês continuem gostando e acompanhando a história!!
Beijinhos...
Katry.
