Disclaimer: Não sou a dona de Sukisho; escrevo por pura diversão.

Notas da autora: Este capítulo ficou pequeno, eu sei. Eu não esperava concluí-lo tão rápido. Mas não quero demorar pra postar o próximo.

Por favor, deixem review... a opinião de vocês é tudo pra mim, de verdade

Espero estar agradando

Pri

Culpa - cap.II

Ponto de vista do Sora

Meus olhos se abriram de repente. Como se eu acordasse abruptamente de um sonho. Senti como se voltasse de muito longe – mas com certeza estive o tempo todo sentado ali.

Nos meus braços, Ran soluçava.

Já entendi. Yoru. Ele voltou!

Eu poderia ficar horas me perguntando por que. Mas algo me disse que, sozinho, não chegaria à resposta nunca.

- Er... Ran? Tudo bem?

Ao ouvir minha voz, ele levantou o rosto, que estava afundado no meu ombro, e quis se afastar. Eu o puxei de volta, fiz com que encostasse a cabeça de volta em mim. Acho que isso o deixou surpreso, pois senti o corpo dele enrijecer de tensão. Fui afagando os cabelos dele, e logo Ran foi relaxando, cedendo, parando aos poucos de chorar.

E eu continuei quieto.

Ficamos assim por um tempo, eu não me atrevia a me mover. Ran estava tranqüilo nos meus braços, o corpo amolecido contra o meu, respirando profundamente. Quando achei que ele tinha dormido, ele se mexeu, e olhou para mim. Olhou nos meus olhos, e olhou, e olhou, e parecia que procurava alguma coisa. Parecia querer enxergar além. Então eu pisquei os olhos, sacudi a cabeça – aquilo estava me deixando nervoso – e falei com ele.

- Ran... o que foi?

Minha voz pareceu assustá-lo, ele arregalou os olhos vermelhos. Só por um instante. Logo, desviou o olhar e abaixou a cabeça.

- Me desculpe.

- Desculpar? Porque?

- Eu não devia ter te tratado mal.

Eu abri um grande sorriso para ele.

- Ah, aquilo? Tudo bem. Esqueça.

Ele se encolheu de repente, empalideceu, e sua voz não saiu mais do que um sussurro.

- E você não precisa se preocupar com ele – disse, e fechou os olhos – ele não vem mais.

- Ele quem? – foi a minha pergunta estúpida. Me arrependi imediatamente.

Por quem mais Ran estaria triste assim?

Mas ele nem se deu ao trabalho de responder. Na verdade a única prova de que ele tinha me ouvido foi um leve tremor que lhe passou pelos ombros.

Ele não vem mais. Talvez, isso seja bom pra mim. E Ran, como se sente?

Eu sei como ele se sente. Se Nao-kun não fosse voltar mais...

A madrugada se estendia, lá fora a primeira claridade do dia surgia timidamente. Ainda restavam algumas horas até que o dia raiasse completamente. E eu estava cansado.

Aproximei-me dele e coloquei as mãos sobre seus ombros nus. Estavam gelados. Ran me encarou.

- Olha... ainda é tão cedo. Vamos dormir e amanhã veremos o que fazer.

Ele ficou me olhando sem expressão. Eu sorri para ele.

- Você deve estar exausto disso tudo, né? E está com frio – eu falei, massageando os braços dele para esquentá-lo – vamos deitar!

Ran ficou me olhando sem entender nada, como se jamais esperasse essa atitude vinda de mim. Senti o olhar curioso dele sobre mim enquanto levantava as cobertas para deitar. Quando sentei na minha cama, ele virou-se com um 'boa noite' e dirigiu-se para a cama do Sunao.

Eu me levantei e segurei o braço dele.

- Está frio. Vem deitar ao meu lado. Tem bastante espaço!

Ran ficou quieto, me olhando desconfiado, do mesmo jeito que Nao fazia no começo, quando tinha vergonha de mim. Decidi tomar isso como um 'sim' (como tinha feito com Nao) e fui puxando ele pela mão. Quando eu deitei e me cobri, ele ainda hesitava. Mas passou uma brisa gelada pelo quarto que sacudiu as cortinas, e fez Ran se encolher no cantinho da minha cama. Já morrendo de sono, eu o puxei para bem perto como faço com Toshizou. Senti-o rígido em meus braços, então fui fazendo um carinho no rosto dele, que estava frio. Acho que ele gostou, minha mão estava quentinha, e ele se encolheu mais contra mim. E depois de um beijo na testa dele, nós dormimos logo, enroscados um no outro, do mesmo jeito que dormimos Nao e eu na noite de ontem.

Quando acordei horas mais tarde, atrasado pra escola, Ran não estava mais ao meu lado. Olhei em volta. Não estava nem no quarto. Como ele pode resolver sair por aí assim, de repente? O que as pessoas vão pensar? Será que vão notar a diferença?

Será que ele vai se importar em agir como Nao?

Imaginado as inevitáveis confusões que logo surgiriam, tratei de me arrumar logo e ir atrás dele. Talvez ainda não tivesse encontrado ninguém...

Peguei minhas roupas e entrei no banheiro. Pensando bem, talvez Ran estivesse lá. Talvez fosse só isso – tinha ido tomar um banho.

Parei na porta. Tinha alguém chorando lá dentro. Bem baixinho, mas eu ouvi.

Eu hesitava. Não queria incomodar quem quer que estivesse ali... Ao mesmo tempo, algo me dizia para empurrar a porta e entrar de uma vez.

Pode ser ele. Pode muito bem ser ele...

Mas se veio até aqui, é porque queria ficar sozinho.

E a pessoa ainda chorava, um choro abafado e contínuo. Vi na minha mente a imagem de Nao, tremendo, soluçando, sozinho.

Empurrei a porta.

Um par de olhos se arregalou para mim. Um par de olhos inchados de choro, num rosto todo molhado de lágrimas.

Um par de olhos cor de rosa. Os olhos de Sunao.

Mal pousaram em mim, aqueles olhos se encheram de terror. E imediatamente, avermelharam-se.

- Hashiba!

Ran levantou-se e veio na minha direção, furioso.

- Você me seguiu?

- N...não, eu...só vim tomar banho...

Na minha frente, Ran me encarava com muita raiva.

Mas não parece só raiva.

- Então, vá em frente. Pode tomar seu banho – ele disse com frieza. Jogou os cabelos para trás, passou direto por mim e chegou até a porta. Antes de sair, ainda virou-se e falou.

- Não vou às aulas. Nem vou falar com ninguém, não se preocupe – olhou nos meus olhos e eu me assustei. Todo o desespero que havia antes nos olhos de Ran tinha desaparecido sem deixar vestígios, para dar lugar a um vazio sinistro.

- Espere! Onde você vai ficar?

Ele respondeu já abrindo a porta e saindo.

- Não sei. Não me procure.