PAÍS DAS MARAVILHAS
Quando Caroline abriu os olhos novamente o sol a cegava. Ela piscou profundamente e tornou a afundar o rosto no travesseiro, respirando fundo. Talvez houvesse sido tudo um pesadelo.
Não sabia que horas eram, mas seu corpo estava dolorido e tinha uma terrível dor de cabeça.
O despertador tocou estridente, assustando-a. Seu coração disparou.
Ela sentou-se rapidamente, percebendo só então que estava nua. Engoliu um grito de pânico. Como acabara nua? Tinha certeza que não bebera na noite passada... Certo? Certo, ela estava com Klaus, estavam brigando... E então o quê?
E seus sorrisos falsos não me enganam...
Ah, sim. Ele dissera coisas horríveis e então ela sentira a dor. A dor lancinante que a empurrara para a inconsciência... O calor que a cercava, a tontura...
Não fora nenhum pesadelo.
Pois bem, então como acabara nua? Olhou ao redor. Não era seu quarto tampouco. Como acabara nua em um quarto estranho?
Somente então percebeu o ser deitado ao seu lado. Ele não roncava, será que estaria morto? Ela o matara?!
Caroline empurrou o corpo ao seu lado com a ponta dos dedos, surpresa sobre quão pesado ele parecia, mesmo ela utilizando sua força de vampira. E então ela gritou.
Klaus sorriu em seu sonho. Ah, o gosto do sangue de Caroline... Tão viciante, o mais raro licor... Seu corpo pequeno e magro sob seus dedos, seus cabelos louros roçando na pele dele...
Estava quente, estava queimando, mas ele não se importava. Só se importava com a extasiante sensação de ter Caroline Forbes em seus braços, completamente vulnerável, totalmente sua...
O grito agudo fez com ele abrisse os olhos, chocado. Sentou-se de imediato. Era o grito de Caroline, ele tinha certeza.
- O que está acontecendo?! - exclamou ele irritado, piscando furiosamente para poder se localizar. Viu o rosto dela, pálido e em pânico. E então percebeu que estava nu ao lado dela - e que ela também estava.
Fora apenas um sonho bom, mas sua realidade estava se provando ser muito melhor.
- Ora, ora, ora... O que temos aqui, senhorita Forbes? - ele zombou, antes de ser cruelmente chutado para fora da cama.
O Original riu, feliz demais por tê-la nua ao seu lado.
- O que fizemos noite passada, amor? - ele questionou, erguendo-se. Percebeu então que o rosto dela estava vermelho de raiva e constrangimento.
- Caroline. – chamou, agora sério. Ela se enrolou no lençol e se levantou, afastando-se dele. - Caroline, amor, você está corada - ele alertou.
Ela encarou-o e Klaus finalmente percebeu o que estava em seus olhos azuis. Nojo... Horror. A jovem estava completamente em pânico.
- Caroline - ele se levantou e fez menção de segurá-la pelo braço, mas ela soltou um gritinho e abriu a porta, correndo dele.
- Maldição! - ele exclamou, vestindo uma bermuda jogada no chão e correndo atrás dela. - Caroline! - gritou, descendo as escadas.
Encontrou-se em uma sala completamente desconhecida. Não sabia onde estava, não fazia a menor ideia. Esperava piamente que a loira soubesse.
Ouviu um barulho na porta à sua direita e entrou - era uma cozinha.
- Caroline, largue essa colher - ele pediu, irritado, vendo-a erguer uma colher de pau a frente do corpo, como uma estaca improvisada.
- Fique longe de mim! - ela gritou, assustada.
- Querida... Essa colher, mesmo que você consiga enfiá-la em mim, não vai ter efeito algum. Por favor, abaixe-a - pediu ele, gentil, andando cuidadosamente para perto dela. A jovem soltou um grito e correu para a direção oposta.
- CAROLINE! - ele rugiu, agarrando-a pelo braço - Abaixe essa maldita colher, garota! - rosnou, arrancando a colher da mão dela. Viu os olhos dela se encherem de lágrimas e ela empurrou-o com força.
- Fique longe de mim! - ela guinchou. Seu rosto estava ficando pálido.
Ouviram então alguém pigarreando.
Klaus ergueu os olhos, furioso com a interrupção. - Umm... Nós viemos numa má hora... Vamos embora, querida - falou Elijah, passando um braço ao redor do quadril de Elena e a puxando para fora da sala.
- Ah! - exclamou ela, sorrindo - Parece que eles estão brincando de sadomasoquismo... Eu te disse, Elijah, é a cara do Klaus! - exclamou Elena.
Klaus passou um braço protetor ao redor do corpo de Caroline, que soluçava, em pânico, completamente alheia à falta de sentido da situação ou à chegada do estranho casal.
- Elijah? O que faz aqui? - rosnou Niklaus. Seu irmão pigarreou.
- Nada, perdão pela interrupção. Kat, vamos. - ele falou, puxando a mulher.
Pois bem. Não era Elena e sim Katherine, pensou Klaus.
- Eu... Umm... Te ligo mais tarde... - seu irmão estava embaraçado, atônito por encontrar Caroline e Klaus em tal situação.
- Não! - Caroline gritou. - Não me deixe sozinha com ele! - ela se desfez do abraço improvisado de Niklaus e correu até o casal, sem se importar se estava apenas enrolada em um lençol.
- Caroline? - agora Katherine parecia um pouco confusa.
- Por favor, por favor... - a voz de Caroline estava beirando à histeria. Klaus estava paralisado, nunca a vira desse jeito. - Não me deixe com ele! Por favor... Ele vai me matar... - suplicou ela, as lágrimas escorriam por seu rosto e os soluços sacudiam seu corpo inteiro.
Klaus sentiu seus olhos se arregalarem de pavor quando finalmente juntou um mais um.
Ela era humana.
Estava bem óbvio, agora que pensava: O fato que ela não conseguia esconder os sentimentos, como estava chorando com mais facilidade, o sangue que tingia seu rosto e os vergões na pele pálida de seus ombros... Ela tremia...
Ele era humano.
Seu coração estava acelerado, ele sentia que estava ficando pálido e se sentia à beira de um desmaio... Era tão fraco... tão humano...
- Caroline, venha comigo. Vou te ajudar a vestir algumas roupas - disse Katherine, lançando um olhar crítico à loira que tremia e soluçava apavorada, guiando-a.
- Niklaus? O que está acontecendo? - a voz de Elijah era gelada, manchada de preocupação e irritação em partes iguais.
Klaus olhou seu irmão mais velho, assustado. - 'Lijah... - gaguejou, sentindo-se fraco. - Ela... Eu... O que está acontecendo? - acabou por ecoar a pergunta, antes de cair de joelhos, o mundo rodando ao seu redor.
Caroline olhou para o rosto de Elena.
- Elena? Elena, estou com tanto medo... Ontem... Ontem ele me... - gaguejou, entre soluços, enquanto era colocada sentada na cama e a morena abria o armário.
- Ele fez o que com você, Care? Ele te machucou? - questionou ela, consternada, escolhendo algumas peças de roupas. Caroline tremia demais até para concordar.
- Ele... Ele me mordeu... - soluçou - Eu vou morrer...
- Te mordeu? Você está fazendo todo esse drama só por que seu noivo te mordeu? - questionou Katherine, incrédula, cruzando os braços.
- Drama?! Ele me mo... Noivo?! - a voz de Caroline realmente não podia ficar mais aguda. Ela começou a suar frio. A morena revirou os olhos e ajoelhou-se diante da amiga, segurando-lhe as mãos.
- Care, o que aconteceu? Por que você está nervosa? - questionou, erguendo as sobrancelhas.
- 'Lena...
- Não sou a Elena, Caroline. - corrigiu a outra, já ficando um pouco irritada. - Care, sou eu! Katherine? - sugeriu - Sua cunhada? Bom, quase...
- Ka... Katherine? Por que... O que está acontecendo?! - exclamou Caroline. Queria correr, mas já não tinha mais tanta energia. Gritar e chorar durante a manhã inteira tinha deixado-a exausta.
- Caroline, você bateu a cabeça recentemente? Drogas? - sugeriu Katherine franzindo as sobrancelhas e estendendo uma mão para sentir a temperatura da loira.
- Nã... Não... - a verdade era que não sabia. Estava tão perdida que podia muito bem estar drogada ou estar sofrendo os efeitos de uma concussão.
- Ok, deve ser só nervoso. Uma amnésia temporária... - suspirou a mulher, entregando-lhe as roupas e esperando que se vestisse. - Caroline... - ela começou, séria, sentando-se ao lado da jovem.
- Você e Klaus estão noivos... Já faz uns dois meses, na verdade - explicou - Eu sou casada com Elijah - ela completou.
- Noivos...? Ah meu Deus, qual minha idade? Eu sou muito nova para estar noiva de alguém, quem dirá dele! - ela gesticulava para conseguir se expressar.
- Você vai fazer vinte e quatro anos mês que vem - Katherine falou, ficando cada vez mais preocupada - Honestamente, sempre soube que era uma loira natural, mas isso...
- E ele? - Caroline a interrompeu sem cerimônias.
- Klaus fez vinte e oito mês passado... Você que organizou a festa, foi à fantasia... Não se lembra? Não lembra que Damon foi de Batman? Stefan ficou meio irritadinho, mas foi de Robin... - ela riu - Como pode se esquecer disso?
Caroline estava tão nervosa que teve um ataque de riso. - Batman e Robin?! - arfou, gargalhando. Katherine sorriu, ainda preocupada, mas um pouco menos - Eu tirei fotos, relaxe. Minha irmã deve estar com o álbum...
- Sua irmã...? - Caroline parou de rir, tentando se centrar no grande enigma em que se encontrava. Que mundo distorcido era aquele onde ela e Klaus estavam apaixonados? Onde Katherine era uma amiga divertida e esposa de Elijah? Damon e Stefan se davam bem?!
- Elena. Minha irmã gêmea... Tenho certeza que se lembra dela, Care, estava me chamando por seu nome poucos segundos atrás - garantiu a morena. Caroline concordou timidamente.
- Katherine é a gêmea mais bonita.
Caroline e Kat ergueram os olhos para a porta, que não tinha percebido que se abrira. Elijah estava parado junto ao portal, sorrindo, sendo seguido por um pálido Klaus.
- Sim, sou mesmo - concordou Katherine, sorrindo para o marido e fazendo-o corar.
- Caroline, Klaus queria falar com você. Vamos estar na sala, grite se precisar de alguma coisa - falou Elijah. Katherine lançou um olhar avaliativo para Niklaus, antes de voltar os olhos para a loira.
- Grite caso precise de algo, qualquer coisa - estava na cara que ela ainda achava que o homem tinha machucado Caroline.
Elijah seguiu sua esposa, fechando a porta cuidadosamente atrás de si.
Assim que ficaram sozinhos, um silêncio estranho se estabeleceu. Klaus andou até a jovem, sentando-se ao seu lado e falando bem baixo - Não sei o que aconteceu.
Caroline não sabia por que sussurravam, mas respondeu no mesmo tom de voz. - Se lembra de ontem? Da briga... Da mordida... - sua voz estava falha e ele mal conseguia ouvi-la. Maldita audição humana.
- Sim - ele falou simplesmente. - Não sei como acordamos nesse mundo estranho, mas é melhor começarmos a jogar o jogo deles, se não vão nos internar em um hospício - ele avisou. Ela concordou silenciosamente.
- Somos humanos, Klaus... E noivos - sussurrou, constatando o óbvio.
- Eu sei, vou dar um jeito nisso. - ela não tinha certeza se ele estava falando sobre a questão de serem humanos ou noivos. - Por favor, Caroline, diga que vai jogar comigo. Que vai fingir perfeitamente que só teve um apagão e que não se lembra de algumas coisas... A última coisa que quero é ser preso por violência doméstica, só por que você fica choramingando que eu vou te matar! - a voz dele subiu e o homem rapidamente se repreendeu.
Confiava em seu irmão, mas não duvidava nada que Katherine estivesse ouvindo tudo através da porta.
- O que você descobriu? - ela questionou, tentando não sorrir diante da possibilidade dele ser preso. Klaus certamente merecia isso.
- Que Elijah e Katherine são casados... Que Stefan está namorando minha irmã...
- Rebekah? - ela espantou-se - Achei que Stefan estaria com Elena!
- Umm... Não. O estripador está com Bekah. Elena ficou com o outro Salvatore, creio - Klaus deu de ombros, não se importava com os detalhes daquele ridículo triângulo amoroso. A duplicata e seus dois vampiros de estimação... Aquilo já durara tempo demais.
- Damon? Entre todos os caras do mundo ela escolheu logo Damon? - Caroline, por sua vez, estava indignada com aquela reviravolta na vida amorosa da amiga. Mundo Alternativo ou não, Elena ainda era sua melhor amiga e Damon uma pessoa não muito querida.
- Sério mesmo, Caroline? Com todos nossos problemas, quem a Gilbert escolheu não nos interessa - ele cortou, irritado. Todo seu bom humor já se esvaíra.
A loira corou, concordando silenciosamente - Katherine disse que já faz dois meses que estamos noivos - contou. Klaus suspirou.
- Elijah falou que já namoramos fazem quatro anos... Incrível como somos tão apressados, certo? - ele não estava falando com sarcasmo. Sendo um vampiro há tanto tempo, quatro anos lhe parecia um período muito curto para qualquer relacionamento. Claro que como humano a história era outra.
- Katherine...
- Não! - Klaus e Caroline olharam para a porta ao mesmo tempo, ouvindo os passos da mulher na escada. - Eu tenho que ver se ela está bem, Elijah! Klaus tem um temperamento horrível e ela estava em pânico! Pelo que sei ele pode muito bem tê-la matado!
A loira sentiu-se um pouco aliviada ao ver Katherine abrir a porta sem pensar duas vezes. Não eram amigas, longe disso, já que no outro mundo quem a matara fora a própria. Porém, nesse lugar estranho a morena parecia ser uma boa amiga.
- Ótimo - suspirou Katherine.
Elijah ergueu as sobrancelhas para ela. - Viu? Eu te disse, Nik não faria nada.
A mulher virou-se para olhá-lo, parecendo ter esquecido sua plateia. - Sei, sei... E você era virgem quando me conheceu - ela revirou os olhos. O mais velho Mikaelson corou até a raiz dos cabelos, mas respondeu sem gaguejar: - Eu era!
Alguns minutos mais tarde Katherine e Elijah foram embora, não sem antes a mulher ameaçar Klaus de morte, caso tocasse em Caroline, e de deixar claro que alguém viria ver se estavam bem em poucas horas.
E, enfim, estavam sós.
- Eu... Umm... Vou dar uma olhada na casa - falou Care timidamente, subindo as escadas. A casa deles tinha três quartos e não era luxuosa como Caroline esperaria de uma casa Mikaelson.
Não é a casa dele, é nossa casa, pensou a loira.
A suíte deles; um quarto de hóspedes, no final do corredor; outro, de frente para o de hóspedes, estava cheio de caixas e mais caixas. Aparentemente, tinham se mudado há pouco tempo.
Era bonita, pintada em cores pastéis e exatamente como ela imaginara que sua casa seria. Gostaria de saber mais sobre aquele mundo, onde tudo parecia tão utópico.
Caroline corou quando viu uma foto dos dois, abraçados e sorrindo, sobre o criado-mudo de sua suíte. Ela parecia feliz, Niklaus não parecia mal-humorado ou mau - na realidade, parecia irradiar alegria.
Um celular começou a tocar histericamente.
Ela sabia só pelo toque, "Cannibal by Ke$ha", de que o celular tinha que ser dela. Procurou até encontrá-lo no meio das cobertas, que ainda estavam todas emaranhadas.
- Nossa, você levou uma vida para atender esse maldito celular! - essa era a voz de Rebekah, irritada.
- Eu... Er... Desculpe, manhã difícil - gaguejou Caroline, sem saber se era ou não amiga da garota. Nesse mundo ela parecia ser amiga das mais estranhas pessoas.
- Ah, eu sei. Kat disse que vocês tiveram uma crise histérica hoje de manhã... Ela estava um pouco puta da vida com meu irmão, mas não entendi o porquê - Caroline ergueu as sobrancelhas, Katherine podia ser uma boa amiga, mas com certeza também era uma fofoqueira de primeira. Rebekah falava muito rápido. - Você já está vindo?! - ela questionou, impaciente.
- Vindo? - a jovem estava confusa.
- Sim! - exclamou Bekah - Poxa, Care, você tem que comprar uma agenda, viu? Hoje o Kol vai voltar para Mistic Falls, finalmente! - explicou, como se isso já deixasse tudo muito claro.
- Aaaah! Claro! - Caroline não conseguiu impedir que um pouco de sarcasmo escorresse para suas palavras. Tivera uma manhã exaustiva e não estava com humor para ouvir os gritos de Rebekah.
- Olha, fiquem descentes, ok? Eu e o Stefan vamos passar por aí daqui uns quinze minutos... - ela suspirou. Caroline ouviu uma voz masculina ao fundo. - Humm... Melhor eu ir. Não se atrasem, isso é muito importante para Kol.
Caroline suspirou, já estava começando a ficar cansada de brincar de casinha feliz com todas aquelas pessoas que, vinte e quatro horas antes, eram seus inimigos mortais.
- Ok, vou avisar o Klaus...
- E pare de chamá-lo assim! Isso me dá arrepios... - foi a última frase de Rebekah antes de desligar.
Caroline não sabia como era suposto que ela chamasse seu noivo e pior inimigo. Amor? Não, isso a deixava irritada, afinal, ele a chamava assim. Nik? Parecia provável que fosse a esse apelido que Bekah se referisse, porém não mudava o fato de que somente a família dele o chamava assim. E ela não era e nem queria ser parte dessa família.
Desceu as escadas cuidadosamente. Embora gostasse de ser humana, detestava o fato de que perdera todos os poderes vampiros, como a audição. Não conseguia ouvir Klaus e isso lhe dava arrepios, pois não sabia o que ele estava ou não fazendo.
Pode estar tramando um jeito de te matar, sem ser preso por violência doméstica.
- Umm... Kla... Err... Nik... - ela gaguejou ao vê-lo sentado na sala, o queixo apoiado no punho, pensativo.
- Caroline? - ele ergueu os olhos verdes para ela.
- Rebekah ligou... Nós temos que ficar prontos, ela vai estar aqui em quinze minutos para nos buscar...
- Buscar para o quê? - a voz de Klaus não era gentil ou sedosa, mas também não era grossa como um rosnar. Na realidade era fria, aguda... Cortava mais fundo do que a voz rouca sedutora, e assustava mais do que o rosnar descontrolado.
- Kol... Kol está voltando para Mistic Falls... Eu não sei! - Ela suspirou, baixando os olhos - Não me faça perguntas, ok? Estou tão perdida quanto você. Só... Só fique pronto e vamos jogar esse jogo.
Ela esperou enquanto Niklaus se vestia, procurou por uma bolsa e arrumou o cabelo. Não era apenas por que estava em um estranho Mundo Alternativo, que tinha de estar desarrumada.
Finalmente Stefan parou o carro junto ao meio fio da casa deles. Caroline teve um pequeno problema com as chaves, mas Klaus as tomou de sua mão, com um rosnar impaciente, e fechou a porta com facilidade. Ela gostaria de saber como ele sabia qual era a chave certa.
Rebekah sorriu e acenou para o irmão e a cunhada. - Hey vocês! Não se atrasaram, que bom! - falou, sorrindo de orelha a orelha. Caroline revirou os olhos, sentando-se no banco traseiro e baixando a cabeça. Precisava pensar.
Aquele mundo estranho era, na realidade, o menor de seus problemas. Ali era humana e, aparentemente, feliz. O problema, o grande obstáculo, era de que estava presa naquele lindo mundinho colorido com um psicopata sádico.
Um psicopata que, poucas horas antes, tinha cravado as presas em sua jugular. Tinha sorvido de seu sangue como se fosse água e passado os braços ao redor de seu corpo como se ela nada mais fosse do que uma boneca de plástico.
O que eu sinto por você nada mais é do que um sentimento sujo, doentio... Assim como você.
Klaus estava certo, ela odiava admitir, mas ele estava certo. Tinha se enfiado em baixo de uma pilha de sorrisos falsos e de uma falsa atitude positiva, mas ele podia vê-la e isso a assustava.
Não era nenhuma estripadora, como Stefan, mas tinha de admitir que a fome a devorava dia e noite. E o medo... O medo lhe corroía por dentro. O medo que sentira ao tirar uma vida: Ser um monstro.
E então seu pai tinha tentado consertá-la e ela queria, ela queria tanto que ele pudesse, mas não podia e isso revirava seu estômago. Sabia que não era nada mais do que um monstro.
Sua própria mãe não conseguia olhar direito em seus olhos. Liz se esforçava, Caroline sabia disso, mas isso não mudava que podia ver a repulsa sob o amor que sua mãe falsificava.
Ninguém sabia como era difícil... Como era difícil acordar todo dia sabendo que não seria amada, que seria sempre a segunda, a terceira melhor. Após Elena, após Bonnie... Às vezes, após todo mundo.
Seu próprio pai não a queria. E não era nem porque ela era um monstro. Não era porque era uma vampira - mesmo porque, ele não a quisera antes. Stefan a rejeitara, Liz a repudiava, Damon abusara dela, Matt a usara, Tyler... Ela não sabia o que Tyler estava fazendo ainda.
E Klaus... Klaus a destruíra. Por que ele vira tudo o que ela escondia, ele brincara com os sentimentos dela e então jogara em sua cara: Tudo que qualquer pessoa poderia sentir por ela sempre seria asco.
- Stefan, pare o carro - ela ordenou, colocando uma mão sobre a boca e engolindo em seco.
- O quê...?
- Pare o carro! - dessa vez Rebekah foi mais rápida e o homem pisou imediatamente no freio, bem a tempo de Caroline abrir a porta e vomitar.
Sentiu o gosto de sangue em sua boca, o gosto de veneno. Sentiu Klaus sobre ela, dentro dela. Seus dedos se arrastando com força sob sua pele e seus lábios em seu pescoço, sugando toda sua vida...
E ela queria, queria que ele a matasse a acabasse logo com aquela existência decadente que ela estava levando até então.
- Ei, shh... Pronto... Pronto. Você está melhor? - era a voz de Rebekah, claro que era.
Caroline engoliu em seco e concordou, fechando a porta.
- O que aconteceu, Care? Você está doente? - questionou Stefan. Ele não olhava para ela, mas sim para Klaus, fritando-o com os olhos.
- Não... Eu... Eu só devo ter comido algo estragado. Já estou melhor - ela mentiu. Não podia dizer que estava vomitando porque tinha nojo de si mesma, porque tinha nojo do homem perto dela e porque tinha náuseas só de pensar que estivera tão perto da liberdade, da morte, mas que acabara ali: presa.
