1. Sonho Assustador

Charlie ainda não tinha voltado da delegacia e já passava das oito da noite. Hoje não era o melhor dia da semana. Eu odiava as quartas feiras e nunca tinha nada suficientemente bom para me distrair. Fui ate o banheiro e tomei um remédio para gripe, daqueles que te nocauteavam por umas boas oitos horas, não que eu estivesse gripada era só para eu conseguir dormir logo. Se eu ficasse muito tempo acordada eu iria relembrar coisas de Phoenix e eu tentava ao máximo me adaptar a vida provinciana de Forks. Coloquei o meu pijama e fui para meu quarto acomodando-me na minha cama. Fiquei deitada esperando o remédio fazer efeito, enquanto esperava minha mente vagava.

Não fazia muito tempo que eu tinha decidido vir morar em Forks — tinha apenas uma semana. Eu decidi vir uma semana antes da volta as aulas — depois do recesso de fim de ano — para me adaptar melhor e não estranhar tanto, apesar de querer ficar mais tempo com minha mãe.

Não aconteceram muitas coisas desde que cheguei. Charlie não passava muito tempo em casa — ele não estava acostumado a ter alguém morando com ele. Mas eu fazia o possível para deixar Charlie feliz. A felicidade dele era suficiente para mim.

Ainda me sentia estranha morando aqui com ele, nós não conversávamos muito e eu passava o dia inteiro sozinha. Não me sentia solitária, sempre gostei da minha própria bolha de pensamentos. Eu fazia o jantar todos os dias, porque descobri que Charlie não sabe cozinhar grande coisa além de ovos fritos e bacon. Ele não se incomodou em deixar que eu fizesse essa tarefa durante a minha estadia. Ele pareceu relutante quando sentiu o cheiro apimentado das enchiladas de frango que eu tinha feito no meu segundo sai aqui, mas relaxou quando sentiu o gosto e aos poucos passou a confiar nas minhas habilidades culinárias.

Não estava muito ansiosa para ir à escola. Como em toda cidade pequena, a escola não era lá essas coisas e era bom ter diplomacia em certos assuntos.

Minha mente continuou vagando por coisas sem sentindo, algumas vezes passava por alguma lembrança, não percebi quando dormi.

Não sei se eu estava sonhando, mas eu podia ouvir uma voz melodiosa falando, era um som tão musical, tão bonito. Eu não conseguia identificar o que a voz dizia. De repente como se eu soubesse que estava sendo observada eu abri meus olhos e vi uma figura parada perto da porta. O desconhecido deu um passo ficando de um modo que a claridade fraca do abajur podia tocá-lo. Fiquei impressionada com a sua beleza inumana, enquanto o instinto de qualquer outra pessoa seria sentir medo, já que ele era um desconhecido. Ele era esguio, magro, pouco musculoso, ele parecia ser jovem, tinha cabelos desgrenhados com uma cor desconhecida, um bronze, talvez. Sua pele era pálida, a pessoa mais pálida dessa cidade sem sol. Tinha olhos escuros, apesar da cor dos cabelos. Além disso, ele tinha olheiras - sombras arroxeadas, como machucados. Mas não deixava se ser menos belo.

— Isabella — pronunciou ele. Talvez fosse isso que ele estava falando quando me acordou. Ele se aproximou ficando bem perto da minha cama e abaixou-se, seu rosto ficando bem próximo do meu. Foi quando eu percebi que ainda estava deitada, completamente imóvel. Levantei a mão para tirar uma mecha do meu cabelo que tinha caído no meu olho e o olhar do meu desconhecido mudou, parecia que ele desejava alguma coisa, mas tinha mais alguma coisa ali, que estava desde que eu acordei. Seria frustração? Franzi o cenho. Ele tinha desejo pelo que? E mais, porque estava frustrado? Como se lesse meus pensamentos ele disse.

— Seu sangue é muito apetitoso. Eu nunca senti um tão atraente assim. Eu não sei o que fazer com você, eu não posso ouvir o que está pensando. — disse isso e suspirou e mais uma vez o desejo estava ali, um desejo cada vez mais presente no seu olhar.

Levantei instintivamente da cama e olhei para a porta e lá estava ele me impedindo. Meu Deus! Como ele chegou ali tão rápido? "Eu não sei o que fazer com você, eu não posso ouvir o que está pensando." A voz dele ecoou na minha cabeça. Como assim 'eu não posso ouvir o que está pensando'? Minha cabeça fervilhava de pensamentos.Sem pensar muito corri para a janela e pulei caí no jardim. A altura era uma pouco maior da que eu imaginava. Fiquei com alguns machucados, nada de muito novo. Eu me machuco sempre.

Notei que a viatura de Charlie não estava ali. Porque ele ainda não tinha chego? Charlie nunca chegava em casa depois das dez da noite. E pela escuridão da rua, deduzi que já era bem tarde. Perguntando-me o motivo de Charlie ainda não ter chego, ouvi o meu nome se pronunciado... Eu conhecia aquela voz. Olhei para trás apenas para confirmar e lá estava o garoto desconhecido parado na porta da frente da minha casa com aquele olhar de desejo. Comecei a correr pelo bosque que ficava perto da minha casa.

Eu corria pela floresta sem olhar para trás com medo de saber se ele estava me alcançando. Decidi me permitir dar uma checada, só para saber se eu ainda teria mais algum tempo de vida. Com uma olhada rápida percebi que não tinha ninguém atrás de mim. Quase suspirei de alivio. Quase. Quando voltei o meu rosto para frete de novo, ele estava encostado numa arvore a uns três metros de mim. Parei onde estava. Em choque. Logo ele começou caminhar lentamente para mim. Meus músculos estavam congelados. Eu não conseguia nem gritar por socorro. Percebi que uma sombra aparecia atrás dele e se aproximava. Andava um pouco mais rápido que o desconhecido de cabelos cor de bronze. Quando finalmente pude ver seu rosto meu queixo caiu, metaforicamente, é claro. Ele era jovem, era loiro e muito mais bonito do que qualquer estrela de cinema que eu já tenha visto. No entanto, ele era pálido e parecia cansado, com círculos embaixo dos olhos. O mais estranho era que ele e o garoto dos cabelos com de bronze eram tão diferentes e tão parecidos. Os mesmos olhos escuros, a mesma pela branca, os mesmos hematomas arroxeados.

— Edward — disse o loiro, pousando suas mãos nos ombros do garoto.

Edward, então esse era o nome dele. Nome estranho e pouco popular, eu pensei. Os tipos de nomes que avós tinham. Mas talvez fosse moda aqui — nomes de cidade pequena.

Edward relaxou ao suave toque do homem loiro. Observei que suas bocas se movimentavam, mas nenhum som era ouvido por mim. Vi Edward abaixar sua cabeça, num sinal de vergonha. Por um momento me perguntei do que ele sentia vergonha. Era uma sensação estranha, eu me sentia conectada a esse Edward. Eu senti medo, quando vi aquele desejo estranho em seus olhos. Mas quando o vi abaixar a cabeça envergonhado senti vontade de abraçá-lo, conforta-lo e perguntar do que ele se envergonhava. E como se nunca tivessem aparecido, eles sumiram. Olhei para todos os lados e não vi nenhum dos dois em lugar nenhum foi quando uma claridade forte cegou meus olhos e os fechei com força e os abri novamente meio sonolenta e percebi que estava na minha cama. Tudo não passava de um sonho. Olhei para a minha janela e vi a neblina densa e a chuva que caia do céu. Demorei mais um tempo na cama, mas não consegui ficar muito tempo. Cheguei perto da janela. A viatura de Charlie não estava ali.

Não sei por quanto tempo eu fiquei olhando para o bosque que invadia o quintal da casa, acho que eu esperava encontrar algum indicio do meu sonho de ontem. É Forks estava realmente me deixando louca — no sentido literal do termo. Com esse pensamento peguei a minha nécessaire e fui fazer a minha higiene matinal.