FORBIDDEN

Capítulo II – Nossa Realidade.

Os raios do sol nascendo chegam ao rosto de Aoi, penetrando por uma pequena fresta na janela. Desperta ainda sem muita noção de onde está ou do que aconteceu, bastante confuso e com uma grande dor de cabeça. Percebe estar em sua própria cama, vendo suas coisas sobre o criado mudo, mas instantaneamente nota que não está sozinho, sentindo uma mão delicada sobre seu peito. Volta o rosto devagar, ainda com muita dor e vê a face adormecida de Uruha a seu lado, tão próximo que pode sentir sua respiração. Tenta se levantar, mas o movimento o deixa zonzo, caindo de volta na cama.

- O que eu fiz? – Murmura ainda sem noção exata do que aconteceu, temendo que tenha se deixado levar.

Uruha ainda dorme, cansado pela noite anterior, porém o choque de algo pesado caindo ao seu lado contra o colchão, faz com que comece a despertar e lentamente vai abrindo os olhos, ouvindo um sussurro ao longe. Pisca repetidas vezes os orbes chocolate, focando então o moreno e se levanta rápido.

Ao perceber que o loiro desperta, um medo quase insano se apossa de Shiroyama. Teme suas próprias ações... Ainda sem conseguir se lembrar do que aconteceu, várias suposições enchem sua cabeça... Todas colocando em risco sua amizade.

- Yuu!! – Uruha fala o nome de Aoi, quase afobado, se sentando ao seu lado, se curvando ligeiramente sobre ele, deslizando os dedos pela face alva. - Você está bem? Como está se sentindo? Ainda está zonzo?

As perguntas saem uma atrás da outra devido a sua aflição e alívio ao mesmo tempo, um leve sorriso se desenhando em seus lábios... E Uruha o fita com quase adoração, sentindo uma felicidade indefinida apenas por ver aqueles orbes negros abertos, mirando-o.

O moreno se derrete ao ver o rosto bonito, um sorriso iluminando-o, e... Esquece de qualquer reserva quanto ao fato de estarem ali, juntos.

- Quer um remédio? – Uruha indaga, agora sorrindo, sua mão deslizando ao peito dele, fazendo um inocente carinho circular.

E esse movimento de Uruha alarma Aoi, pois o toque inocente em seu peito o arrepia involuntariamente. Quase nem ouve a pergunta que lhe é feita, puxando com rapidez o lençol para se cobrir, antes que o amigo perceba o efeito que esse afago produz.

Uruha, ao ver o movimento de Aoi, se pergunta se ele está com frio, e levando isso em consideração, puxa a coberta mais grossa, cobrindo-o até o peito, sorrindo de modo gentil, vendo que o outro parece confuso.

- Ahn... Eu... Estou com dor de cabeça... – Aoi tenta focar na noite anterior e esquecer a proximidade do loiro. – O que aconteceu?

- Eu vou pegar um remédio pra você. – Uruha fala, segurando na mão dele, sorrindo delicadamente. – Você brigou com quatro adolescentes ontem e conseguiu afastá-los. Eu ia me aproximando, mas... Um homem mais alto o atacou. Não está lembrado?

O loiro fala, erguendo a mão e mais uma vez, tocando o local atingido, temendo que algo de mais grave tenha acontecido e que o ferimento possa ter conseqüências. Verifica o curativo que fez sem muita habilidade, ainda preocupado demais. Sente-se incomodado, pois de alguma forma Aoi parece fugir de seu toque, se afastando instintivamente, colocando certa distância entre eles.

- Você pediu que eu te trouxesse pra casa... Fiz isso... E estou cuidando de você. - Fala ao moreno, fitando-o com carinho, sem se importar com seu próprio braço direito, já roxo devido à pegada de Kaoru, sangue seco podendo ser visto em sua face, uma vez que não cuidou de suas feridas.

Aoi se vira levemente de lado, enquanto Uruha lhe explica a razão de estar ali, grato pelo outro não ter percebido o motivo de ter se coberto. E conforme ele termina de contar o que houve, vai se lembrando aos poucos da noite anterior, do homem estranho que o atacou e...

"Eu o beijei quando acordei!" – Essa lembrança chega até ele como um raio, sentindo-se culpado diante do inocente amigo que nem imagina como esteve próximo de deixar escapar seu maior segredo.

- Vou pegar seu remédio. Já volto. – Uruha fala, se afastando dele, se levantando e indo em direção à cozinha. – Fica quietinho aí, ok?

O moreno observa-o saindo do quarto, todo cuidadoso, sem nem ter tratado dos próprios ferimentos. Deseja-o ardentemente, querendo estar em seu lugar, cuidando dele e fazendo com que sinta como o ama...

- Mas... Eu não posso... - Cobre seu rosto com o braço, tentando se focar na realidade mais uma vez.

ooOoo

Uruha vai até a cozinha, procurando a caixinha de remédio de Aoi, achando-a e separa o comprimido para a dor de cabeça, caminhando pelo cômodo, pegando algumas coisas na geladeira e voltando a pia. Prepara um suco, biscoitos, geléia e uma fruta, colocando em uma pequena bandeja e logo volta ao quarto, sorridente.

- Aqui está, Yuu! É bom que você coma algo antes de tomar o remédio. – Fala, deixando a bandeja na cômoda e indo até ele.

Ajuda-o a se sentar, colocando algumas almofadas nas costas dele, voltando rapidamente com a bandeja, acomodando-a sobre o colo do moreno, se sentando na cama, fitando-o em quase expectativa.

- Espero que esteja ao seu gosto! – Fala, ligeiramente tímido. Não é bom na cozinha, mas até que gosta de preparar as coisas.

- Obrigado, Uru... – Aoi sussurra, se acomodando, e começa a comer.

Uruha fica observando-o, em silêncio, a feição suave, distraída e levemente contemplativa. Olha-o com atenção, até que lentamente seus olhos miram a boca delineada, reparando em seus contornos, lembrando como aqueles lábios tocaram os seus, o gosto dele em sua boca e... Acaba desviando o olhar, mordendo o lábio inferior, querendo saber o porquê do beijo, confuso consigo mesmo, porque... Queria que aquele ato tivesse continuado e isso não tem muita lógica, não é? Afinal, ele gosta de Kaoru e... E... Aoi estava tão lindo quando envolveu os dedos longos em sua nuca, puxando-o...

"Eu... Eu não devo ficar pensando nisso..." – Se repreende sem muita convicção, ficando um pouco inquieto, se incomodando com aquele silêncio.

- Está... Está bom? - Indaga, só para ter o que falar.

- Ótimo! – Os cuidados de Uruha o comovem, mostrando todo o carinho que tem por ele... – Você me salvou... Podia ter ficado lá... Ferido.

- Eu jamais abandonaria você lá! – Afirma seriamente. – Você veio ao meu auxílio quando eu pedi... Nunca poderia deixá-lo naquele lugar, machucado.

Uruha silencia por um momento, apenas fitando-o. Vê-lo sendo atingido quase o matou... Nunca sentiu tanto desespero em sua vida, mesmo quando Kaoru o ameaçou... Aquela sensação ruim foi minúscula ante ao que o afligiu ao ver o moreno machucado, sangrando...

- Me desculpa... Por minha causa você se machucou. – Pede, sentindo-se culpado.

Aoi deseja tocá-lo, trazê-lo pra si, mas não pode... Não do jeito que quer e anseia, porque ambos são só... Amigos. Contém um suspiro e, o observando, percebe como seu braço está roxo...

- Me deixa ver esse braço. – Faz sinal para que o loiro sente ao seu lado na cama, colocando a bandeja no chão.

Ao ouvir o chamado Uruha tímida e lentamente se aproxima e se senta, estendendo o braço para que ele olhe. Mantém a cabeça baixa, sabendo que Aoi pode repreendê-lo por tê-lo avisado da primeira vez e não ter dado ouvidos, e não pode rebater porque... Yuu está certo!

As mãos fortes seguram o braço ferido com muito cuidado, revoltado com aquilo que o 'senhor perfeito' fez com alguém como Uruha, porém Aoi percebe que o loiro parece ficar constrangido com seu toque, provavelmente envergonhado por ter-se tornado uma vítima.

- Eu não fui ferido por sua culpa... E... – Toca seu rosto, fazendo-o levantá-lo. – Pára de achar que foi o responsável por tudo.

Uruha o fita, olhando-o ainda de forma tímida, recatada... Sentindo um misto de emoções indefinidas em seu coração, porém, se mantém em silêncio, sem saber o que dizer e se deve falar algo.

Quando o olhar de Uruha encontra o seu, Aoi nota que há algo estranho nos chocolate, fazendo-o se sentir mal. Acredita que o seu beijo o perturbou, mas que por amizade o loiro esconde isso dele.

- Eu que preciso me desculpar... – Fala, constrangido, tentando esconder como se sente.

- Por quê? – O loiro indaga baixinho, ainda o fitando. – Você não tem que se desculpar...

E Uruha sente uma necessidade tão grande de tocá-lo, de abraçá-lo que não consegue evitar... Deita-se levemente sobre ele, abraçando-o, seu rosto oculto na curva de seu pescoço, suas mãos apertando suavemente as costelas do moreno, ansiando não ser rejeitado em seu gesto, desejando apenas que ele o abrace de volta e afague seus cabelos. Não entende porque sente essa necessidade, mas ela o corrói por dentro. É carência? Não. Não pode ser... É algo mais, porém, não sabe definir em palavras a sensação que aflige seu coração neste momento. Pensa se o pedido de desculpas é por causa do beijo, mas... Não quer que ele se desculpe por isso!

Quando Aoi se preparava para explicar-se, Uruha o surpreendeu com este abraço, fazendo uma eletricidade quase incontrolável passar por seu corpo. Sabe que se esboçar qualquer reação, não poderá deter a avalanche emocional que tenta conter... Então se mantém imóvel, respirando fundo.

Pergunta-se da razão dessa ação do loiro, mas pensa na carência que deve estar perturbando-o e como talvez precise desse contato para deixar de se sentir tão mal com a situação que viveu, por isso precisa reagir, fazê-lo perceber que tem seu carinho. Enlaça-o também, afagando seus cabelos, perturbado pelo contato tão próximo, mas entregando-se à delícia desse momento... Mesmo que isso resulte em uma luta contra si mesmo, contra seu próprio corpo, encarando-o como seu melhor amigo que precisa de uma demonstração de afeto, de um abraço que faça dissipar toda aquela frustração. E assim se mantém focado... Lembrando sempre que está junto de alguém que sente apenas amizade por si e que está... Frágil e ferido... Que precisa demais dele... E não pode falhar.

No momento em que aqueles braços envolvem seu corpo em um abraço carinhoso, retribuindo o seu, Uruha suspira deliciado, sua respiração indo de encontro ao pescoço de Aoi, enquanto todo seu corpo relaxa rapidamente de uma maneira que quase o assusta... Quase, porque ali, nos braços dele, se sente plenamente... Seguro.

- Você é maravilhoso, Yuu! - As palavras saem de sua boca sem que possa, ou mesmo queira evitar, um doce sorriso desenhado em seus lábios.

Os olhos de Uruha se mantém fechados, sua respiração calma e suave ainda tocando a pele clara. Está tão bom ali, sentindo aqueles carinhos... Quase ronrona quando ele afaga seus cabelos, fazendo uma sensação gostosa se dissipar por seu corpo, quente, aconchegante... Tão deliciosa!

Cada palavra e cada gesto vindo dele perturbam o tênue equilíbrio que o moreno criou para sobreviver, trabalhando e sendo o amigo de alguém que tanto ama. Sente-se estremecer, mas não consegue conter a necessidade de acariciá-lo, de senti-lo tão aninhado em seu peito. Então se perde em seus cabelos, deliciando-se em como estes afagos o fazem soltar leves gemidos, como um gatinho. E então percebe que os olhos brilhantes se abrem e o rosto dele se ergue, o fitando.

- Yuu... - Sussurra o nome dele, olhando-o profundamente, de um modo perdido, mas ainda assim lânguido.

Os orbes chocolate descem para aqueles lábios e sua ação é instantânea... Aproxima-se, fechando os olhos, sem pensar em nada, apenas tocando os lábios dele... Primeiro de forma suave, mas logo os tomando com uma ânsia desesperada.

Aoi não tem como reagir a tempo, surpreso com o que vê naqueles olhos... Por mais que tema enganar-se, confundindo as coisas, não consegue se conter, entregando-se também a esse beijo, deixando-se levar...

Quando os lábios de Yuu se abrem, Kouyou não pode apenas manter os lábios juntos. Invade a boca deliciosa, provando o sabor dele, brincando com sua língua, provocando-o... Entregando-se cada vez mais ao beijo, arrepiando-se quando é correspondido na mesma intensidade, se perdendo naquele ato...

- Uhmmmm... – Geme dentro da boca de Aoi, enlevado, abandonando aqueles lábios apenas quando o ar falta em seus pulmões, afastando-se minimamente, suas testas encostadas, enquanto sua respiração se choca contra a dele.

Não sabe o que dizer... Na verdade não sabe nem mesmo como ou porque fez isso, apenas tem a certeza de que precisava daquele beijo, daquele gosto em sua boca. Afasta-se devagar, olhando-o longamente, a face corada, os lábios avermelhados entreabertos puxando o ar de forma entrecortada, os chocolates ligeiramente escurecidos, as pupilas dilatadas... E Uruha só consegue fitar Aoi... Ou melhor, dentro daqueles orbes negros.

- Yuu, eu... – Como falar com ele? Se explicar?

- ...! – Aoi apenas o fita, ainda sem conseguir pensar nada.

- Desculpa, mas... Parecia tão... Certo... – Sussurra, não mais olhando nos olhos de Aoi, sentindo tanta coisa ao mesmo tempo que não sabe definir. Só não quer que ele pense que está sendo usado.

- Não precisa se desculpar... – Por mais que deseje pensar que esse beijo represente o que Uruha sente por ele, está ciente que a dor e a carência o levaram a isso e não pode culpá-lo... Ele mesmo o confundiu com aquele primeiro beijo... – Eu entendo...

Ele se levanta com dificuldade, dando-lhe as costas, tentando disfarçar como isso o afeta, apesar de compreender.

Uruha ouve aquelas palavras tão compreensivas, no entanto, Aoi se afasta, se levantando, ficando de costas para ele e isso o alarma. Não o quer longe... Não o quer distante de si de jeito nenhum. E essa ação apenas sinaliza que o outro não gostou do que fez, o deixando aflito. Teme como nunca ter sido mal interpretado... E se o amigo achar que essa foi a reação de alguém carente em busca de um estepe para se reerguer?

- Yuu, eu não te beijei porque o Kaoru... Porque o Kaoru fez aquilo. – Diz, de cabeça baixa, tentando colocar em palavras o que sente. – Você me beijou e... Eu... Gostei. De verdade.

'Eu... Gostei'... Essas palavras ecoam pela mente, ainda atordoada pela pancada, tentando registrar toda a dimensão do que realmente significam. E se apenas forem aquilo que parecem? Se for assim...

"Kouyou... Gosta de mim. Não... Não é isso!" - Fica remoendo aquilo, temendo acreditar. E por mais que sua vontade seja voltar-se e tomá-lo nos braços, senta na cama, ainda tonto, levando as mãos ao rosto.

Uruha o observa sentar no colchão macio e abaixa a cabeça, sentindo-se mal por deixá-lo assim. O que Aoi está pensando dele agora? Será que está... Se sentindo tão mal assim devido a sua declaração? Talvez o ache... Promíscuo.

- Yuu... Eu não estou brincando com você. Não estou... Te usando. – Fala baixinho, sem fitá-lo. – O seu beijo apenas...

As palavras do loiro o fazem levantar a cabeça. De forma alguma pensa estar sendo usado, apenas que a carência de Uruha pode o estar iludindo. Que a primeira demonstração de carinho que recebe pode estar confundindo seu coração tão ferido, depois de ter sido agredido de forma tão vil por alguém que ama. Mas ainda assim permanece na mesma posição, não sabendo como reagir...

Takashima não sabe se explicar. Namorava Kaoru há meses, era fascinado pelo modo como ele agia... Seu jeito responsável, dedicado ao trabalho, o lado brincalhão, carinhoso, doce... Ele era como Aoi e... Pára um instante, alarmado com a comparação que acaba de fazer, se levantando em seguida.

- Eu... Vou tomar um banho. – Diz aflito, desesperado para sair dali, abandonando o quarto do moreno rapidamente, não dando tempo a ele de responder qualquer coisa, seguindo para o banheiro que fica dentro daquele mesmo cômodo, fechando a porta e se recostando a ela.

"O... O que foi isso que eu pensei?" – Pergunta a si mesmo em pensamento, desnorteado.

O coração de Uruha bate descompassadamente. O que foi aquilo que passou por sua cabeça? Mas, o que mais o assusta é ver como tais pensamentos são verdadeiros. Analisando bem agora, as qualidades que tanto admirava em Kaoru eram, nada mais nada menos, que o que mais gostava em Aoi. Em todos aqueles pontos eles eram parecidos, exceto que Kaoru demonstrava um lado violento e...

"Não. Eu não procurei o Aoi no Kaoru... Não pode ser isso." – Pensa, ficando cada vez mais perturbado.

Antes que pudesse conversar com Uruha, Aoi o vê saindo às pressas do quarto, batendo a porta do banheiro. E isso lhe causa uma impressão ruim, temendo mais uma vez estar confundido o rapaz com suas atitudes mal disfarçadas. Anda até a porta, encostando-se a ela, não ouvindo o ruído do chuveiro. Sabe muito bem que Kouyou está ali se refugiando, como costuma fazer, tendo dificuldade de enfrentar aquilo que o amedronta. E ele, Yuu, que deveria ajudá-lo, apenas piorou tudo...

- Kou-chan... - Não sabe mais o que dizer, ficando apenas de pé, com a testa encostada na porta.

Ao ouvir a voz de Aoi do outro lado da porta, o loiro estremece, sendo trazido abruptamente à realidade. Está ali no apartamento do amigo, que está do lado de fora do banheiro, sem dizer que tem que olhá-lo depois de tê-lo beijado da forma que fez...

- Eu... Eu só vou tomar um banho e já saio. – Diz rapidamente.

Uruha se desencosta da porta e começa a abrir a blusa rapidamente, a despindo, o movimento fazendo-o soltar um gemido de dor, em tom razoável, praguejando em seguida. Retira a calça e a boxer, deixando tudo jogado em um canto do banheiro, entrando debaixo da ducha e a abrindo, arrepiando-se, até se acostumar com a água morna.

Aoi decide ficar ali, esperando-o, sabendo que ele terá que sair. Ouve o gemido preocupante, sabendo que devem existir outros ferimentos, que o ataque que sofreu apenas fez Uruha esquecer. O ruído do chuveiro vem logo em seguida, ecoando pelo banheiro fechado, aumentando a aflição da espera.

Uruha ainda não acredita no que acaba de perceber, mas... Pensando bem, é até lógico, no entanto, ainda digere tal informação, enquanto o sabor daquele beijo ainda permanece em sua boca, lembrando-o... Fazendo-o pensar mais e mais. Sempre gostou da companhia de Aoi, do modo brincalhão dele, do lado sério... E é lindo demais vê-lo tocar guitarra e principalmente violão. Ele é perfeito! Gosta da atenção que Yuu lhe dá, adora quando jogam videogame juntos, quando vão ao karaokê... Sentia tanta falta dessas pequenas coisas enquanto namorava Kaoru. Claro que o advogado ocupava sua mente, levando-o para sair, falando como deveria agir e tudo mais, sendo carinhoso e gentil, mas...

"Aoi ficou irritado quando eu falei do Kaoru, mesmo antes dele me... Bater." - Pensa, intrigado, enquanto esfrega delicadamente o corpo.

Sua feição muda quando lava os locais feridos, braço, rosto e ombro, só então se dando conta de que há um corte no mesmo. Não é fundo, mas está doendo agora. Lava a cabeça, enxaguando logo em seguida, findando o banho.

Kouyou sabe que não pode ficar ali para sempre, e com isso em mente, procura uma toalha, somente então se dando conta de que não há nenhuma e pragueja mais uma vez por ter sido precipitado, mas... Precisa sair do banheiro. Passa a mão no corpo e nos cabelos, balançando a cabeça para tirar o máximo de água possível, saindo do box, pegando uma yukata branca do moreno, que rapidamente se gruda a sua pele quando a veste. Passa o perfume dele e penteia os cabelos.

"Espero que ele não esteja na porta." - Pensa, se voltando para a mesma, tocando a maçaneta, abrindo-a lentamente. Parte de si quer que ele não esteja ali, a sua espera, enquanto outra deseja vê-lo ao abrir aquela porta... E que Aoi o abrace assim que sair.

Quando a porta se abre a respiração de Aoi pára, maravilhado com a visão do loiro vestido daquela forma, a yukata colada ao corpo úmido, praticamente transparente, os cabelos molhados caindo sobre seus ombros. Fica ali paralisado, olhando, praticamente impedindo-o de passar.

Uruha sente um frio na barriga quando se depara com Aoi... E esquece como respirar, ficando imóvel em frente ao moreno, sem nada dizer, seus olhos nos dele. Entreabre os lábios a fim de falar algo, mas as palavras não saem, porque no fundo, o loiro não sabe o que dizer.

- Yuu... - Sussurra depois de alguns instantes, desviando ligeiramente o olhar, mordendo o lábio inferior devido à timidez e à ansiedade, uma gama de emoções indefinidas inundando seu ser.

Aoi permanece em silêncio, apenas o fitando.

- Peguei sua yukata porque... Eu não tinha o que vestir. - Fala em tom baixo, ainda sem fitá-lo, seus dedos passando nervosamente de leve na borda do tecido branco próximo ao peito, o coração batendo mais forte, a respiração ofegante.

Yuu permanece calado. Por mais que não queira transparecer, aquela visão quase sobrenatural o perturba. Não consegue tirar os olhos da criatura tão sedutora e inocente, corada pela timidez de ver-se praticamente nua diante dele... E apenas por muita força de vontade Aoi não o agarra ali mesmo, cobrindo-o de beijos e fazendo-o sentir toda a intensidade de seus sentimentos.

Uruha sente arrepios subindo por sua coluna, pois Aoi parece arrancar, apenas com o olhar, a yukata que usa e perceber isso faz com que um frio baile em seu estômago e uma ansiedade se apodere de seu ser. Permanece em silêncio, apenas observando-o, o doce rubor de sua face ainda evidente e sente uma excitação diferente enquanto os olhos negros dele se prendem no tecido transparente que cobre sua pele.

- Não faz mal... Eu devia ter... – O moreno fala sem despregar os olhos das transparências, que tornam o traje ainda mais sensual. – Quer uma roupa emprestada?

- Hum... É... Sim... – Uruha responde sem realmente se dar conta do que fala.

O loiro morde mais uma vez o lábio inferior enquanto o observa, ainda sentindo aquela eletricidade percorrer seu corpo, estranhamente mais tranqüilo por perceber como se enganou todo esse tempo... E descobrir quem sempre procurou todos esses meses é uma descoberta que o fascina.

Shiroyama usa aquele 'pedido' como a deixa pra sair de perto de Uruha, sabendo que mais alguns instantes diante dele e nenhuma razão poderá contê-lo. Busca desesperadamente por algo em seu guarda-roupa, mas não encontra nada que possa servir no rapaz mais alto. Ao voltar-se, ainda aflito para vesti-lo o mais rápido possível, se depara com ele, logo atrás de si.

- Yuu... Sabe quais qualidades dele que mais me chamaram a atenção? – Indaga, olhando-o de forma intensa.

- Do que... De quem... O que... – Aoi não consegue nem formular a pergunta, pois nem imagina do que ele está falando... E aquela proximidade o alarma.

- Eu estive pensando e... Percebi uma coisa, mas... Eu não sei se devo falar... – Sussurra o loiro.

- ...?! – Aoi sente que está fraquejando e deseja afoitamente que o amigo mantenha distância, assim seria mais fácil resistir, mas ele insiste em ficar ali, tão perto...

Uruha sorri ao ver como Aoi está confuso. Coloca as mãos para trás, entrelaçando os dedos, o movimento fazendo a yukata abrir mais um pouco e o loiro, por um momento, desvia o olhar, aquela eletricidade deixando-o ansioso... Mais do que deve.

- Eu estava pensando em quando conheci o Kaoru e... – Morde o lábio inferior, o nervosismo se apoderando dele. – Eu sempre o comparava com você... Em como eram trabalhadores, educados, gentis, bonitos...

- O... O quê? – Aoi pisca, ainda tentando entender o significado daquelas palavras.

Uruha dá um sorriso triste por um momento. Ter-se enganado dessa forma apenas o fez perder um tempo precioso em que poderia estar com a pessoa a quem realmente desejava.

- Mas você é ainda mais doce... E protetor. E nunca me machucaria. – Lamenta os momentos horríveis que suportou ao lado de Kaoru por acreditar que o amava.

Aoi sente o coração falhar uma batida. Por um instante lhe parece que o loiro o está provocando, instigando-o a agir, mas sabe que isto é o que deseja, então fica pensando essas coisas, no significado daquelas palavras... E conforme o loiro vai falando de como Kaoru e ele são tão parecidos, de como... Uruha pareceu procurá-lo no namorado...? Seria isso? Seu sangue parece gelar e sua mente roda. Diz pra si mesmo que está se enganando e...

Os olhos de Uruha se voltam para os de Aoi, mergulhando dentro dele, uma coragem indefinida se apoderando de si e o loiro decide confirmar se tudo o que pensou no banheiro era real.

- Me beija de novo. – Diz ofegante.

E essas palavras... Aoi caminha resoluto na direção dele, vendo-o recuar, talvez por temer o fato de ter excedido seus limites, mas não se importa, continuando até que o encurrala na parede, percebendo o receio bem como a ansiedade nos olhos de Uruha, aproximando-se cada vez mais do amigo e, decidido, segura os pulsos do loiro com as mãos fortes e gentis, sentindo que este não esboça qualquer reação, tomando então sua boca com ansiedade, invadindo-a com a língua atrevida, encostando seu corpo no dele, prensando-o, sentindo-se excitado com a pele que toca deliciosamente.

- Uhhmmmm... - O gemido que sai dos lábios de Uruha quando a língua de Aoi invade sua boca é sensual e lânguido.

Arrepia-se todo ao tê-lo colado a si e isso apenas aumenta a eletricidade em seu corpo, movendo-se como se quisesse fugir, mas na verdade quer que ele se acomode melhor.

- Ahmm... Aoi... – O loiro ofega quando têm seus lábios abandonados, a face corada, o corpo ligeiramente trêmulo e visivelmente arrepiado. O beijo de Aoi é intenso, quente, sensual... E ainda assim doce! Sente tanta coisa dentro de si que não pode definir em palavras, apenas pode afirmar que Kaoru jamais despertou nem metade dessas sensações e emoções nele e nunca nessa intensidade.

- Kou... – A voz de Aoi sai rouca e sente que não pode mais se controlar.

- Ah, Yuu... Não quero que você me ache leviano, mas... – Fita aquela boca carnuda, um novo arrepio percorrendo sua coluna e ele fala num misto de revolta e deleite. – Droga, Aoi! Como... Como você pode me fazer sentir tudo isso?

- Quer mesmo saber? – O efeito de cada toque e do beijo é evidente no corpo do loiro, levando Aoi a avançar ainda mais, colocando sua perna entre as dele, aproximando-se mais.

- Yuu... – Uruha ofega quando sente a coxa de Aoi entre as suas, pressionando suavemente seu membro, dissipando correntes elétricas por seu corpo, deixando-o sem ar.

Os lábios de Aoi deixam a boca carnuda e descem pelo pescoço, ouvindo deliciado os gemidos que provoca. Seus dedos passeiam pelos cabelos loiros, adentrando pela yukata que cai de sobre o ombro, chegando às costas, descendo pela coluna delicadamente, passando por baixo da faixa, chegando até suas nádegas, arrepiando Uruha por inteiro... E cada reação que arranca dele aumenta seu desejo.

A face de Uruha fica mais corada devido à vergonha e excitação que se alastra por todo o seu ser por causa do que Aoi o faz sentir. Arqueia quando os dedos de moreno deslizam por suas costas, gemendo e se arrepiando ainda mais, sua yukata praticamente aberta, a mão dele apertando suas nádegas, a coxa pressionando mais seu membro, atiçando-o...

- Yu-Yuu... Não... Não faz assim... – Fala manhosamente, mordendo o lábio inferior, fechando os olhos, sua expressão mostrando o prazer que sente devido ao toque daquelas mãos em sua pele nua, bem como o contato do corpo dele com o seu.

- O que você está sentindo, Kouyou? – Diz isso com os lábios colados aos dele. – Conta pra mim...

- Quente... Você me deixa tão... – Não tem coragem de concluir a frase, mas provavelmente Aoi já deve ter percebido o quão excitado está. – Você me faz sentir tantas coisas... Eu... Nem sei explicar... Mas... Eu gosto... Do que você desperta em mim...

Sua resposta tira toda a razão que possa ainda estar contendo o moreno, que desata a faixa e a tira da sua cintura, fazendo a yukata cair completamente no chão, vendo Uruha reagir de forma linda, corando ainda mais, as bochechas vermelhas como se estivessem em fogo, evidentemente acanhado com a maneira gulosa como é observado, mas ao mesmo tempo parecendo enlevado. E sem pensar duas vezes, Aoi o beija ainda mais intensamente, pelo pescoço, peito, chegando aos mamilos já eriçados, tomando-os entre seus lábios sem pudor.

- Aaaahhhhh... – O loiro geme alto, tentando focar a mente, inutilmente, arqueando o corpo, suas mãos voando aos cabelos negros de Aoi, segurando com força, mas sem machucar, ofegante. Seu membro pulsa contra a coxa dele e Uruha se remexe, perdido naquelas deliciosas sensações...

- Você sempre me deixou louco... – Aoi já está totalmente ensandecido. – Eu te amo... Há tempo demais...

Após dizer aquilo que guardara por tanto tempo, Aoi pára tudo e encara os olhos de Uruha, buscando neles a reação, o eco de seus próprios sentimentos.

Ao ouvir a declaração do moreno, o coração de Uruha falha uma batida. Seus chocolates se fixam nos negros de Aoi, uma onda quente, suave e ao mesmo tempo intensa se dissipa por seu peito e um doce sorriso se desenha em seus lábios cheios. Delicadamente, acaricia a face dele, apaixonadamente e sem demora dá um cálido selinho naquela boca maravilhosa.

- Yuu... Eu tenho medo... Medo de que você não acredite, mas... Vendo o apoio que você sempre me dá... Como você foi me socorrer e me protegeu... Bem... – Lambe-lhe os lábios demoradamente, fitando-o nos olhos de forma intensa. – Vendo o que eu gostava no Kaoru... Humm... Só posso concluir que eu... Procurava você... Nele.

Aoi se vê perdido na beleza desse momento, as palavras doces trazendo-lhe uma paz que pensou nunca conhecer... E guiado pelos olhos que o observam cheios de ternura, seu coração se enche de toda a gama de sentimentos que por tanto tempo guardou apenas para si. Tudo explode, nítido no beijo que se segue, tomando-lhe mais uma vez a boca, mas agora repleto de amor... Puro e verdadeiro.

- Uhmm... – O beijo de Aoi faz Uruha tremer dos pés a cabeça, o coração batendo rápido, a excitação aumentando desmedidamente.

E com um cuidado extremo o moreno deita o corpo delicado sobre a cama, admirando cada centímetro da pele branca, tocando-o com as pontas dos dedos, sentindo o calor, sorrindo com o arrepio que provoca. Os olhos chocolate não deixam os seus, mais uma vez estremecendo e se arrepiando mais quando seus dedos deslizam por sua cútis, fazendo a respiração do loiro acelerar.

Longe de tomá-lo apenas para satisfazer seu desejo, Aoi quer conhecê-lo, mapear o corpo com que sempre sonhou... Ama Kouyou e seu jeito quase infantil de encarar a vida, mas também ama a sensualidade de Uruha... Pois os dois são o loiro que tem ali, sobre a cama, completamente entregue.

- Yuu... Não faz assim... – Pede manhoso, os músculos de seu abdômen se contraindo devido ao toque, sua pele mais arrepiada... E a forma como ele o olha... Leva a mão à boca e morde a falange do dedo indicador, fechando os olhos, arqueando de leve.

- Humm... – E vê-lo daquela forma só atiça Aoi ainda mais...

- Me... Me toca... – Sussurra o pedido, ficando ainda mais corado, mordendo com mais força o indicador.

Guiando-se pelos pedidos sensuais da voz rouca de desejo, Aoi move as pernas deliciosas do loiro, dobrando e afastando-as para recebê-lo... Sente a ansiedade nos movimentos de seu amado, tímido, mas tão excitado quanto ele, abrindo-se ainda mais. Morde com suavidade a parte interna da coxa grossa, provocando-lhe leves gemidos, olhando fixamente para seu rosto quando se coloca entre elas.

- Aahhhh... Aoooooiii... – Arqueia na cama quando sente os dentes na parte interna de sua coxa, estremecendo...

O moreno chega ao pênis que parece chamá-lo, atraí-lo para a armadilha da qual não pode mais escapar. Toca-o inicialmente com leves beijos e lambidas, sentindo como o corpo delicado arqueia, reagindo prazerosamente a isso. E desses movimentos iniciais parte para os mais intensos, lambendo e sugando, até que o tem totalmente em sua boca.

- Uhhmmmmm... Yuu... – Leva os dedos aos cabelos dele, segurando enquanto sente os beijos e lambidas em seu membro, que pulsa cada vez mais de desejo, gemendo sempre mais, principalmente ao ser engolido por inteiro por ele, o que causa sensações intensas em si.

- Hummm... Você é delicioso... Kou-chan... – Diz devagar, não querendo parar o que faz, ansiando tê-lo bem ali, prisioneiro do prazer que os une. – O que mais quer? Estou aqui por você... Sou seu escravo...

Os orbes chocolate se abrem e fitam o moreno, as pupilas dilatadas, a respiração ofegante, ouvindo o elogio e a pergunta enrouquecida que apenas o faz morder o lábio inferior e se arrepiar todo. Seu olhar, sensual e erótico, se torna terno e um sorriso doce se desenha em seus lábios.

- Eu quero saber... Como é ser amado de verdade, Yuu... – Sussurra languidamente. – Faz amor comigo...

Aoi reage imediatamente ao pedido, colocando-se sobre ele, voltando a tomar seus lábios em um profundo beijo. O desejo de Uruha também é o seu, pois sonha em ser amado, em ver-se correspondido em seus sentimentos, sentir-se especial. Suas mãos percorrem aquele corpo que anseia por ele, sentindo a respiração ofegante, como a sua... E tudo o que deseja é se perder nele.

Uruha corresponde ao beijo quente do moreno, abraçando-o com delicadeza, mas ainda assim demonstrando a intensidade do que sente, se deliciando ao ter as mãos dele passeando por seu corpo, dissipando ainda mais prazer por todo o seu ser, fazendo-o suspirar e se remexer, extasiado.

O moreno estica discretamente a mão para o criado-mudo, abrindo com habilidade a gaveta e tirando dela um lubrificante que tem ali... Que usou muitas vezes, mas diferentes dessa, pois eram apenas sexo e mais nada. Afasta este pensamento da cabeça e se levanta, pois ainda está vestido com a calça de malha com que dorme. Despe-se então sem pressa, deixando que Uruha o veja, que o devore com os olhos.

- Ah, Yuu... – Uruha suspira o nome dele, lambendo os lábios lentamente, vislumbrando com encanto o corpo de Aoi sendo desnudado diante dos seus olhos... Os braços fortes, o abdômen perfeito, os ombros largos... O pênis rijo... Grande... E mais uma vez lambe os lábios, deliciado, vendo-o lubrificar a própria ereção, querendo tê-lo perto de si, tocando-o... Possuindo-o.

- Vou ser gentil... Quero que seja especial. – Fala quase em um sussurro.

- Ah, Yuu... Você é perfeito! Lindo demais! – Diz encantado, abrindo os braços e as pernas, chamando-o. – Vem... Eu quero sentir você.

O chamado dele é como um imã, fazendo o moreno deitar-se novamente sobre seu corpo, desta vez sua ereção roçando na dele, choques elétricos percorrendo toda a sua pele... Esse roçar arrancando gemidos baixos, deliciando-se em como o loiro arqueia e estremece de leve. Toma seus lábios em um beijo e Uruha corresponde, envolvendo seus ombros, se perdendo naquele calor.

Aoi o deseja demais, mas sabe que não pode ter pressa, precisa fazer dessa experiência, única na vida de ambos. Com cuidado, sem separar-se do beijo, desce os dedos lubrificados, passando-os de leve na sua entrada, percebendo como apenas esse leve toque o perturba e isso o delicia.

- Uhmmmm... – Uruha geme de forma abafada ao sentir os dedos lubrificados e frios, seu corpo se contrai e se remexe, inquieto devido às correntes elétricas que o toque lhe provoca. Segura o corpo quente de Aoi ainda mais firme, inconscientemente temendo que possa perdê-lo.

Decidido a fazer com que seja um momento de prazer, com o mínimo de dor, Aoi penetra-o devagar com um dos dedos e brinca com ele, em um entra e sai moroso e suave, com delicadeza, sorrindo com a reação do loiro.

- Aahmmm... Aoi... – Uruha se contorce todo, sentindo seu interior sendo invadido, causando sensações fortes e deleitosas em seu ser.

Aoi sorri, e um segundo dedo se segue, da mesma forma, divertindo-se com os movimentos involuntários que provoca no interior de Uruha. Logo são três, deliciando-se com as reações e com os gemidos mais intensos que suas ações produzem.

Os lábios de Kouyou se mantém abertos em concha, deixando que gemidos longos e entrecortados escapem, arqueando mais cada vez que um dedo é colocado dentro de si, tocando profundamente, mas de forma tão cuidadosa que o emociona, que aquece seu coração. Ele se mexe e puxa os lençóis... Não há dor, sente apenas um ligeiro incômodo no começo, mas agora só há... Prazer!

- Ahmmm... Aoi... Isso... Isso é tão gostoso! – Sussurra enrouquecido, fitando o moreno, lambendo os lábios que estão secos, fitando-o com luxúria e carinho.

- Meu amor... Vou te possuir... Agora... – Sua voz soa sensual, quase obscena, enquanto retira os dedos. Coloca-se melhor entre suas pernas, encaixando-se em seu quadril perfeitamente, apesar da diferença de tamanho.

- Uhmm... Sim... Me possua... – Uruha praticamente geme as palavras.

Aoi encosta seu membro em seu objetivo antes de entrar, roçando por alguns segundos sua ponta, tirando suspiros ainda mais intensos do seu loiro, para depois penetrá-lo sem qualquer aviso.

- Aaaaahhhhhhh... – Um gemido alto, quase um grito abandona os lábios lindos de Uruha quando se sente penetrado, deleitando Aoi.

O moreno procura ser o mais gentil possível, indo devagar, sem qualquer pressa, explorando em seu rosto as demonstrações da intensidade do prazer e também da pouca dor que Uruha sente. E aos poucos vai 'escorregando' para dentro dele, a delícia do momento o enlouquecendo.

- Uhmmm... – Seus olhos estão fechados, sentindo-o mais e mais fundo em seu interior.

- Uru... Você é o meu amor... Ahhhhhh... – Fecha os olhos a fim de aproveitar cada instante. – Vou te fazer sentir como... Hummmm... Nunca antes...

- Ahm... Si-Sim... Faz... Me faz sentir como deve ser... – Pede, abrindo os olhos, fitando-o languidamente, vendo Aoi fazer o mesmo, seus dedos deslizando por sua face. – Me mostra como é fazer amor de verdade...

Percebendo a importância desse ato, como se torna 'fazer amor', coisa que ele mesmo jamais fez, Aoi sente-se ainda mais excitado. Sente-se um virgem iniciante, levemente trêmulo, nervoso com a necessidade de fazer tudo certo... Tudo tem de ser especial para ambos... E aqueles olhos lindos o observando, quentes e inocentes, o transtornam como nada já o fez. Inicia um ritmo cadenciado, mas suave, fazendo o outro se acostumar a sua presença em seu interior. Lento e firme, segurando os gemidos, temendo que estes o descontrolem de vez.

Uruha tenta manter os olhos abertos, fitando Aoi, enquanto este inicia sua cadência lânguida, firme e profunda, tocando-o por completo, saindo lentamente para em seguida se aprofundar dentro de si, causando contrações deliciosas demais para que consiga continuar com seus orbes descerrados. Ele os fecha, afundando a cabeça no travesseiro quando seu ponto sensível é tocado levemente, estremecendo com os espasmos que isso lhe causa.

- Ahmmmm... – Uruha vira a cabeça para o lado esquerdo, os olhos fechados, a face expressando todo o prazer que os movimentos lhe causam.

- Hummm... É bom demais... Você é tão quente... – Aoi diz suavemente em seu ouvido, enquanto toma sua orelha entre os dentes.

- Uhmmmmmm... Yuuuuuu... – Seu gemido sai arrastado ao ouvir a voz sedutora e ter a orelha mordiscada daquele jeito excitante.

Um gemido mais alto sai dos lábios de Uruha, que firma as unhas nas costas de Aoi, arranhando-o de leve, quando novamente sente aquele ponto ser tocado. Suas pernas se abrem mais para ele e em seguida, o loiro as ergue, envolvendo a cintura do moreno, apertando-o entre suas coxas roliças, meneando o quadril circularmente de encontro às lentas investidas feitas pelo outro.

- Uhmm... Mais... Vem, Yuu... Deixa eu te sentir. – Geme arrastadamente no ouvido dele, lambendo-lhe o lóbulo, querendo mais... Mais velocidade... Mais força... – Está tão gostoso!

Mas o peso desse momento se abate sobre Aoi. Teme decepcioná-lo, perdendo talvez na comparação com Kaoru, pois agora ele e o advogado competem... E o outro é muito mais alto, provavelmente mais 'bem dotado' e habilidoso. Nunca se sentiu tão inseguro durante o sexo, pois dessa vez teme perder Uruha e isso já é motivo suficiente para tremer. Mantém o ritmo, tentando imprimir mais força, fechando os olhos, mas ainda assim alucinando que o loiro vai considerá-lo inferior e isso o desconcentra um pouco.

- Eu... Não... – Quer dizer o que sente, mas como colocar isso em palavras?

Uruha geme baixinho, sentindo aquelas deliciosas correntes elétricas percorrerem seu corpo devido aos movimentos de Aoi, que acelera ligeiramente, roçando de um jeito tão gostoso em seu ponto sensível que ele, definitivamente, não quer que o moreno pare. Sentir o seu calor, sua respiração, seu cheiro o alucina e aumenta perigosamente seu prazer. Tem consciência de que ainda estão indo lentamente, porém a intensidade das sensações e emoções que permeiam seu ser são tão fortes que o surpreendem.

"Então fazer amor é assim?" – Uruha pensa, deixando outro gemido escapar.

O moreno o abraça forte, mantendo o ritmo, mas perdendo aquele ímpeto de antes, com a imagem do idiota engomadinho rindo dele não lhe saindo da cabeça.

- Yuu... – Morde o lábio inferior, apenas entreabrindo os olhos, sentindo a respiração de Aoi contra seu pescoço fazendo-o sentir arrepios deliciosos.

"Sou um idiota... Ou não?" – Shiroyama pensa, refugiando-se ainda mais na curva de seu ombro. – "Em alguns minutos ele vai perceber que o outro era muito melhor."

- Uhhhmmmm... Você é tão bom! – Geme as palavras no ouvido dele, com a respiração ofegante, apertando as pernas com mais força na cintura dele, molhando os lábios.

Aoi estremece, cada palavra se chocando com sua insegurança, fruto de tanto tempo desejando alguém que considerava proibido, inatingível, o efeito de acreditar não ser correspondido agora o faz pensar que...

- Você... Uhm... É tão... Ahh... Faz eu me sentir tão... Quente... – Os olhos chocolates se mantém fechados, seus sussurros sendo depositados no ouvido dele. – Eu nunca... Nunca me senti assim... Uhmmm... É tão bom! Isso é fazer amor? É assim que nos sentimos... Quando... Ahmm... Quando fazemos amor?

"Sou um idiota sim... Isso é hora de pensar essas coisas?!" – Mais uma onda de prazer de ambos interrompe o pensamento do moreno.

Continua no abraço, mas agora seguro e firme, pois tem certeza que Kaoru é um otário por não ter feito o loiro sentir como é especial.

- Ahm... Sim... Isso é fazer amor, Kou... – Sussurra no ouvido dele, sem perceber.

Uruha se sente perdido, seu corpo inteiro quente, sendo bombardeado por sensações fortes... E elas são causadas por movimentos brandos e firmes. E tudo o que pode pensar é que, se nesse ritmo está sentindo dessa forma, se Aoi acelerar, se for apenas um pouco mais forte, ele acabará se derretendo no meio daquele calor proporcionado pelo outro.

- Não pá-para... Continua... Você é tão gostoso! – Mordisca-lhe a orelha, sugando-a, ondulando o quadril contra o dele, gemendo com o prazer que este movimento proporciona. – Mais... Mais... Quero mais...

Todas essas palavras e gemidos ecoam na mente de Aoi, como se expulsassem aos chutes Kaoru dali, tomando posse de sua consciência e o arrastando para as sensações maravilhosas de estar com Uruha... E o desejo de seu amor é uma ordem. Arremete-se com mais intensidade e em um ritmo mais acelerado, já sem qualquer idiotice racional, deixando que sua libido o comande. Sente cada entrada mais forte e a reação interna do corpo sob o dele, sem tirar os olhos daquele rosto deliciosamente perdido em sensações.

- Aaahmmmmmm... – Uruha geme alto, arqueando as costas, estremecendo de prazer com as investidas rápidas e profundas de Aoi. Segura nos ombros dele, retirando uma das mãos e a levando aos lençóis, repuxando-o, sua pele se arrepiando a cada instante que seu ponto sensível é atingido com precisão.

- Ahm... Isso... – Aoi lambe os lábios, ensandecido com a reação de Uruha.

- Ahm... Ahmm... Y-Yuu... Assim eu... – Uruha se retorce, apertando-o vez ou outra, repuxando os lençóis, bem como os cabelos negros, mas não com força para machucar. Tenta se ancorar na realidade, sabendo que, se Aoi continuar a se mover daquele jeito... A roçar o abdômen em seu membro, ele não resistirá por muito tempo.

Com dificuldade o moreno segura seu orgasmo, quer manter-se assim, dentro dele, pelo maior tempo que consiga. Vai assim entrando cada vez mais, até que sente que está por completo em seu interior, passando insistentemente pelo segundo ponto de resistência, que vai relaxando, o corpo pulsando e segurando seu membro, como se também não desejasse que saia.

- Ahhhhhhhhh... Kouyou... – Já não consegue controlar seus próprios gemidos. – Não quero terminar... Quero ficar a noite inteira dentro de você.

O loiro já não consegue segurar os gemidos, que saem cada vez mais altos e entrecortados, seu corpo arquejante estremecendo e ele volta a abraçar o amado, os dedos da mão direita entrelaçados nos fios negros... Tenta a todo custo se segurar, evitar o gozo que parece vir em velocidade cada vez mais rápida, pois quer permanecer naquele limiar de êxtase por mais tempo, mesmo sabendo que é impossível!

- Aahmm... Ahhmm... Eu... Eu também não! - Fala entre gemidos, a respiração ofegante, se contorcendo nos braços dele, seus olhos fechados. - Então... Uhmmm... Faz... Faz amor comigo a noite toda!

Quando Aoi o abraça com mais intensidade, envolvendo sua cintura, deixando-o colado ao seu corpo, Uruha geme de modo mais arrastado, estremecendo quando o abdômen passa a imprensar e roçar com mais força em seu membro, causando espasmos mais intensos... E deixa um choramingo lânguido abandonar seus lábios ao perceber-se próximo do fim, seu baixo-ventre formigando, os músculos se tencionando daquele modo delicioso...

- Amor... Goza pra mim... – Aoi diz com uma voz arrastada, próximo de seus lábios.

- Aaaahhhhhmmmm... Yuuuuuuuu... - Geme, chegando ao limite, seus lábios sendo tomados no instante em que atinge o clímax, seu corpo todo se retesando e se contraindo em espasmos sucessivos, massageando o pênis em seu interior, apertando Aoi com suas pernas e braços, arqueando e se contorcendo sob ele. - Uhhhmmmmmmmmmmmm...

Esses movimentos enlouquecem Shiroyama de vez, dando estocadas muito mais fortes, sentindo uma injeção de entusiasmo, sabendo apenas que não quer parar. A sensação do sêmen entre eles apenas o motiva a continuar, aprofundando o beijo e a penetração, mantendo o seu roçar sobre o pênis do loiro... Deliciando-se ao ver o efeito que isso produz.

- Uhmm... Huummmmmm... – Uruha geme dentro do beijo, o corpo todo tremendo devido ao prazer alcançado, abandonando aqueles lábios quando não tem mais fôlego para continuá-lo. Respira descompassadamente, seu corpo ainda sofrendo os espasmos do orgasmo, se remexendo, ainda sentindo Aoi penetrá-lo, prolongando aquela sensação.

- Quero te ver enlouquecido... – Aoi teme gozar nesse momento, se segurando o máximo que pode. - Mas eu não... Não posso terminar...

Aoi então pára por alguns instantes, agarrando-se a ele, concentrado na respiração ofegante, no coração disparado, nos estremecimentos, nos gemidos, ou seja, em tudo em Uruha... Transformando-o no centro de seu mundo e de sua existência neste momento.

- Huummm... – O loiro entreabre os olhos, ouvindo os sussurros dele, percebendo que pára de se mover, permanecendo fundo dentro dele, enquanto o segura com força.

Uruha ainda está ofegante, a face corada, os lábios entreabertos em busca de ar, as pupilas mais escuras devido à dilatação causada pela excitação do momento. E ele tenta recuperar o fôlego, fitando-o, ainda confuso por Aoi ter parado, sabendo que ainda não chegou ao orgasmo...

- Yu-Yuu? - Chama em um sussurro trêmulo e rouco, confuso, querendo entender a atitude dele, mas ainda entorpecido demais para pensar com clareza.

A face confusa de Uruha o fascina, entendendo que o loiro jamais esteve com alguém que o desejasse tanto a ponto de prolongar o prazer dessa forma. Nada diz, apenas sorri, levando uma de suas mãos aos cabelos macios, querendo transmitir-lhe segurança quanto ao seu ato. Encara-o fixamente por longos momentos, penetrando profundamente naqueles olhos lindos, buscando a alma que apenas quem ama consegue enxergar.

Uruha vê o sorriso lindo de Aoi, tão amoroso, gentil, doce e ainda assim extremamente sensual. Tenta entender o motivo dele se manter parado, entreabrindo os lábios a fim de perguntar o que houve, desejando que ele chegue ao orgasmo. Milhares de coisas passam por sua cabeça e quando cogita a idéia de se mover, fazendo o que for necessário para que o moreno sinta o mesmo que sentiu, o percebe se mover...

- Yuu... - Sussurra quando ele começa a sair, preocupando-se.

Não entende a ação dele, olhando o moreno de forma ainda mais perdida e intrigada, ficando sem ação. Por mais que não queira questiona-se sobre si mesmo, pensando se fez algo que o tivesse feito desistir. Então o sente penetrar profundamente, com uma força que ainda não usara, tocando sua próstata já sensível de uma vez e o choque de prazer e surpresa que isso causa é tão intenso, que Uruha não consegue impedir-se de gritar, cerrando as pálpebras instantaneamente.

- Aaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh... - Arqueia completamente na cama, uma onda forte de calor e correntes elétricas percorrendo seu corpo numa velocidade tão intensa e deliciosa que o deixa sem fôlego.

Os movimentos de Aoi continuam fortes, tocando sempre seu ponto de prazer, causando fortes tremores em seu corpo, irradiando fogo por suas veias, excitando-o tão rapidamente como jamais pensou ser capaz, deixando-o ensandecido com as sensações e emoções que se desencadeiam por seu corpo, agarrando-se a ele de forma quase... Quase desesperada, gemendo... Gritando enrouquecido...

- AOI!! - Uruha grita, não sabendo o quê... Como Yuu está fazendo isso com ele... Mas esse pensamento é apenas um vislumbre de consciência, pois seu corpo apenas reage, se contorcendo sob o mais velho, seus músculos se tencionando devido às estocadas fortes em sua próstata...

E seu movimento se torna tão intenso e profundo que Aoi já não consegue mais se controlar. Perde a noção, sua visão ficando turva, temendo que o imenso prazer o faça desmaiar mais uma vez.

- Não... Preciso agüentar... – Desespera-se, no limiar entre a total insanidade e o prazer puro. E antes que possa impedir, o gozo vem intenso e quente, invadindo Uruha e trazendo-o ao clímax total.

- AHHHHHH... – O gemido represado de Aoi sai em um grito, tão intenso quanto o prazer que sente.

- Uhmmmmm... – O loiro geme, arranhando as costas dele quando se sente preenchido pelo gozo do moreno, novamente caindo naquele abismo de êxtase, poucas gotículas saindo de seu membro rijo, molhando mais os abdomens de ambos, relaxando aos poucos, seu corpo ainda entorpecido demais.

Aoi deixa-se cair ao lado do loiro, tonto demais, a beira da inconsciência, tentando focar e se manter acordado. Não quer assustar Uruha, mas segura em sua mão com tanta força que o ouve gemer e...

- Hummm... – Uruha geme, sentindo o aperto em sua mão, tentando abrir os olhos para fitá-lo.

- Kouyou... – Aoi sente que falar é difícil, já meio inconsciente, tremendo de frio. Quer pedir ajuda ao amante, mas as palavras não saem.

Uruha, ao ouvir seu nome sendo chamado de modo estranho, fita o outro, vendo que Aoi parece... Pálido. Vira para ele, tocando seu rosto, percebendo que o moreno sua frio... E se preocupa.

Aoi não vê mais nada, perdendo-se no vazio novamente, o tremor tomando conta de seu corpo.

- Yuu? – O loiro chama, vendo os olhos dele se fechando, o corpo tremendo e se alarma.

Rapidamente, Uruha o abraça, puxando a coberta, envolvendo o corpo dele, seus braços percorrendo as costas do moreno, querendo aquecê-lo, reanimá-lo. Teme se afastar e algo acontecer.

- Yuu... Acorda... Abre os olhos pra mim. – Sussurra baixinho no ouvido dele, abraçando-o forte, acariciando-lhe o dorso, em dúvida se vai a cozinha pegar água, álcool, seja lá o que for pra acordá-lo ou se fica ali com ele.

Aoi fica perdido neste estado por algum tempo, sempre ouvindo ao longe a voz doce de Uruha chamando seu nome. Luta para voltar, ansiando pelos braços aconchegantes e protetores do seu amado... Batalha contra as trevas da inconsciência e, ao abrir os olhos, vê diante de si o rosto lindo e preocupado, irradiando o sentimento que dividem.

- Oi... – Sua voz sai fraca, ainda sentindo-se um pouco tonto.

- Não faz isso... Não faz mais isso comigo! – Uruha sussurra, abraçando-o forte, fazendo a cabeça de Aoi se apoiar em seu ombro, seus dedos da mão esquerda acariciando os fios negros enquanto os da direita deslizam pelas costas em uma carícia contínua.

- Eu quase... Morri de susto... – Fala baixo, dengoso, distribuindo beijinhos na face dele, quase chorando devido à apreensão.

- Me perdoa... – O moreno o abraça também, aninhando-se entre seus braços, beijando seu peito. – Foi emoção demais...

A voz de Aoi acalma Uruha, suspirando aliviado, sorrindo para ele, ouvindo-o dizer que foi muita emoção... Mas não quer que ele desmaie, mesmo que seja devido a sensações intensas.

- Eu te amo tanto! Se algo acontecesse com você... – Uruha não consegue mais falar nada... As emoções sendo fortes demais para suportar, as palavras saindo sem que ele nem sequer note.

E ouvir que o loiro o ama... Poderia morrer agora que estaria feliz. Aoi o puxa para si, invertendo a posição e deitando-o sobre a cama, debruçando-se sobre ele, colocando sua boca bem próxima de seu rosto.

- Te amar me manteve vivo... Me inspirou... Me fez levantar da cama todas as manhãs só pra te ver. – Toca seus lábios com delicadeza. – E por você eu morreria...

Uruha sorri lindamente ao moreno, sentindo o toque dos lábios dele nos seus, suspirando com a sensação gostosa que isso lhe traz, lambendo os lábios de Aoi suavemente, acariciando seu rosto.

- Nem pense... Em morrer por mim! – Fala, olhando dentro dos orbes negros. – Prefiro que você fique comigo... Assim... Juntinho... Fazendo amor.

Uruha salpica beijinhos na face do moreno, segurando seu rosto e beijando-o de verdade, lentamente, transmitindo com este ato todos os sentimentos que permeiam seu coração, apertando-o de leve, se afastando apenas quando o ar falta em seus pulmões, fitando-o mais uma vez.

- Yuu... Eu sempre achei que gostava do Kaoru, que estava apaixonado por ele, mas... – Desliza os dedos pela face dele. – Vendo você vindo em meu socorro... Cuidando de mim... Me protegendo... Me beijando... Tudo isso me fez ver algo que eu não tinha percebido antes.

Kouyou suspira ao pensar em tudo que suportou por pensar que amava o advogado, como deixou de lado todo seu amor próprio para agradar aquele homem que nunca mereceu um pingo de seu amor.

- Eu percebi que amo você... De verdade. – Sorri ao encarar os olhos negros.

Mesmo ainda ferido, essas palavras são fogo nas veias de Aoi, que o agarra forte, calando-o com um beijo profundo, desejando amá-lo o quanto conseguir, o quanto seu corpo agüentar. Nunca sentiu nada como isso, repleto de tudo que sonhou viver... Ao lado de Kouyou Takashima.

Uruha estremece, se remexendo no abraço forte de Aoi, seu corpo se arrepiando com o prazer que aquele ato lhe causa. A sensação é tão intensa, mesmo quando o gesto é simples... E tudo o que pensa é como pôde ser tão cego durante todo esse tempo.

- Seja meu... Agora... – Aoi diz entre beijos. – E todos os dias... Daqui pra frente...

- Uhmmm... Yuu... – Uruha ofega, sentindo os beijos... E aquilo é delicioso! – Sim... Sou seu... Todo seu... Agora e sempre!

Uruha o beija intensamente, abrindo suas pernas, acomodando Aoi melhor entre elas, as mãos deslizando pelas costas dele, os dedos da mão direita subindo e acariciando com cuidado a cabeça do moreno, suspirando de prazer com aquele contato.

- Serei seu, Yuu... Seu companheiro, namorado... Amante... Tudo o que você quiser! – Sussurra no ouvido do moreno, feliz em apenas tê-lo consigo, sabendo que aquilo é o certo... Ele e Aoi, e apenas isso!

ooOoo

Uruha mantém-se afastado do microondas, sem saber se a droga da pipoca não vai explodir. Comprou esse pacotinho no mercado, no setor de importados, e pretende servir essa iguaria americana na sessão de filmes dessa noite.

O fim das férias até o deixou mais animado... O trabalho sempre lhe faz bem. Mas cada dia fica mais difícil levantar, acordando um dia na sua casa, no outro na de Aoi. Sabe que essa sessão de filmes será curta, se é que vão conseguir assistir um filme inteiro... No último mês qualquer coisa é motivo para os dois estarem se agarrando, em todos os cantos do apartamento.

"Somos dois doidos..." – Sorri ao pensar no moreno. – "Mas como não ser? É bom demais..."

Abre o microondas com cuidado, tirando o pacote estufado de dentro dele e despejando seu conteúdo em uma tigela. O cheiro amanteigado é muito bom, fazendo-o apreciar a coisa, roubando uma quentinha e colocando na boca.

- Humm... Até que é gostoso! – Rouba mais uma e vai levando-a para a sala, junto com um pack de latinhas de coca-cola.

Ouve então a campainha, depositando depressa sua carga na mesa, diante da TV, e andando até a porta.

- Esqueceu a chave de no... – Diz enquanto abre a porta, mas fica estático ao se deparar com Kaoru. – Você?!

- Sim... Sou eu... – Kaoru fala com o seu mais bonito sorriso. – Dei um tempo... E pensei muito no que fiz...

- Ah é?! – O loiro não deseja em absoluto conversar com ele. – Pensou em como me humilhou... Me maltratou...

- Eu não estava bem naquele dia... – Sua expressão de arrependimento é bem convincente. - Me desculpa.

Na verdade, Kaoru esperara esse tempo para que Uruha sentisse sua falta e corresse para os seus braços. A atitude de pouco caso e até de raiva o surpreende.

- Ok, ok... Se isso te deixa feliz. – Uruha segura com tanta força a porta que quase crava as unhas nela. – Mas agora que se desculpou... Pode ir.

- Por quê? – Kaoru não gosta do tom de enfrentamento em sua voz. – Está esperando aquele seu...

- Não te interessa! – Algo dentro dele se contrai, temendo esse homem. – Agora... Sai daqui!

Uruha tenta fechar a porta, mas a mão forte de Kaoru o impede, empurrando-a, jogando o loiro contra a parede do corredor de entrada. O homem, mais alto e mais forte, o segura pelo pescoço, levando-o assim até a sala, jogando sobre o sofá.

- Então você está mesmo com aquele nojento?! – O ódio é claro em seus olhos. – Eu devia ter batido mais forte nele...

- O quê?! – Uruha tenta levantar, ainda desnorteado. – Foi você, seu...

Mas antes que ele possa continuar, Kaoru salta sobre ele, jogando-o contra as almofadas, colocando-se sobre seu corpo, impedindo qualquer reação.

- Não... Sai... – Uruha tenta empurrá-lo, mas o homem impede todos os seus movimentos. – Me deixa...

- Só porque você é famoso... – Coloca a mão sobre sua boca e o cala. – Não pensa que vai me fazer de bobo.

Kaoru sente-se traído e enganado, o sentimento de posse cegando sua razão. Sim... Pois desde que o conhecera Uruha se tornara uma obsessão, precisando sempre diminuí-lo para que mesmo sendo tão bem sucedido nunca o deixasse. Mas agora, diante da possibilidade de perdê-lo para outro... Qualquer sanidade que tivesse com relação a ele desaparece.

- Se você não é meu... – Leva sua outra mão ao pescoço alvo do guitarrista. – Não vai ser de mais ninguém.

- SAI DE CIMA DELE. – A voz de Aoi soa imperativa em toda a sala.

Kaoru olha para ele cheio de desprezo, levantando-se devagar, deixando um assustado Uruha ainda sobre o sofá. Seus olhos encaram o rapaz moreno a sua frente, desejando vingança por ter sido enganado, traído e... Por essa sua expressão superior.

- Dessa vez você não vai me pegar de surpresa. – Kaoru fala em um rosnado. – Sou faixa preta de karatê... Vou terminar aquilo que comecei naquela noite.

- Ahhhh... Então foi você... – Aoi destila sarcasmo. – Algo assim só podia vir de alguém violento e baixo... Que ataca pelas costas. Claro... Não tem coragem para me enfrentar como homem...

- Seu... Seu... – O advogado perde de vez a razão. – Você vai engolir tudo isso...

E como Aoi previa, Kaoru avança contra ele, expressão similar a de um animal selvagem. Tenta acertar-lhe o pescoço com um golpe de karatê, mas lutar numa academia e na realidade é bem diferente. O guitarrista se esquiva e seu ataque cai no vazio.

Não há qualquer sinal nítido de raiva em Shiroyama, apenas aquele olhar, que Uruha conhece muito bem. E essa visão faz o loiro se levantar, mantendo-se fora da briga, mas preocupado com o resultado.

Apesar de ser menor, a sanha de Aoi em acabar com o sujeito que estava sobre Uruha, com a mão em sua garganta, é algo que lhe dá a força que faz a diferença entre eles. E com esse sentimento ele aproveita a confusão que reina na mente do advogado ao errar o golpe e o acerta no estômago.

- Você não aprende mesmo... Te acertei assim da última vez. – Há uma profunda frieza em sua voz. – E isso é pelo olho roxo do Kouyou... Ah é... Ele nunca te falou pra chamá-lo assim!

Quando o homem se curva, os braços sobre o abdômen, Aoi o segura pelos cabelos e acerta seu rosto com o joelho. Esse ataque o leva ao chão, gemendo de dor, o sangue escorrendo de seu nariz.

- E esse... – A frieza dele congelaria a Sibéria. – É por ter agarrado o braço dele com tanta força, quase ao ponto de quebrar.

E enquanto Kaoru rola no chão, sangue e dor demonstrando sua agonia física, o guitarrista sorri satisfeito, mas Uruha percebe em seus olhos que isto é apenas o começo, e tal constatação o preocupa. Aoi avança e o acerta nos genitais com um chute, o grito do homem caído ecoando pelo apartamento.

- Yuu! – Uruha o segura pelo braço, vendo os olhos negros se voltarem para ele. – Não faz isso... Por... Favor...

- Não... Kouyou... Caras como ele precisam aprender... – Aoi o afasta de si, tirando-o de perto do homem caído. – Que não podem tratar as pessoas assim... Que nós dois não somos mais vítimas.

O loiro sabe que ele está certo, mas lhe dói ver Kaoru caído e gemendo. Afinal, por mais calhorda que este foi, eles tiveram seus bons momentos, quando o advogado o foi afetuoso e gentil, mas também se preocupa com Aoi, pois não quer que algo como uma denúncia seja feita contra ele, e sabe que seu ex poderia fazer algo assim...

Kaoru tenta se levantar, mas Aoi o segura pelo colarinho antes que consiga se erguer e começa a estapeá-lo, chegando a sentir a mão doer, mas essa sensação não o incomoda. Sabe que precisa deixar claro para esse maluco obcecado que deve se afastar de Uruha para sempre.

- E os tapas... – Puxa o rosto de Kaoru para que o encare. – São iguais aos que você deu nele... Sei lá quantas vezes...

E ainda o segurando assim decide acabar com isso de uma vez e pô-lo para fora, mas dessa vez sua partida não será pacífica como antes. Arrasta-o pelo apartamento, saindo pela porta escancarada, alguns vizinhos já no corredor. Uruha os segue de perto, apreensivo.

Aoi não parece nervoso, de forma alguma, há sim uma frieza e determinação em seus atos que confundem Kaoru e surpreendem o loiro, que jamais o viu se alterar assim. Arrasta o advogado aos tropeções, começando a descer pelas escadas, batendo-o na parede.

- Yuu... Vai pelo elevador... – Uruha deseja que isso termine o mais rápido possível. – São doze andares!

- Essa droga de elevador do seu prédio demora demais! – Ele responde sem paciência. – E o Kaoru vai adorar ir pelas escadas, não é?

Assim eles vão descendo, com o homem mais alto tropeçando à medida que descem, caindo de joelhos, mas ainda assim sendo arrastado, batendo nos degraus, no corrimão, em meio a gemidos, gritos e palavrões. Mas Aoi não se abala em momento algum, segurando-o forte e dando-lhe tapas quando tenta reagir.

Takashima o acompanha de perto, evitando falar para não irritá-lo, mas de certa forma sente-se feliz por vê-lo assim tão protetor. E vendo-o fazer Kaoru beijar o chão algumas vezes, reprime um sorriso que lhe vem ao rosto inconscientemente. Não pode negar que sente uma ponta de prazer ao ver o homem que o agrediu sendo tratado da mesma forma.

Ao finalmente chegarem ao térreo do prédio, chamam a atenção do porteiro, que fica sem ação diante da visão de um homem tão grande sendo arrastado pelo amigo do músico famoso que mora ali. Na verdade, olha para Uruha com um olhar interrogativo, recebendo apenas um sorrisinho sem graça como resposta.

O guitarrista se aproxima da porta e joga Kaoru para fora, no meio da rua molhada pela chuva da tarde. Observa-o rolar pelo asfalto, sujando seu terno caro e soltando imprecações. Levanta-se, reagindo à humilhação com uma expressão de ódio.

- Eu vou acabar com você! – Fala com dificuldade, levando a mão à boca, percebendo que quebrou alguns dentes. – Te odeio... E vou me vingar!

- Não... Você não vai fazer nada! – A voz de Aoi não se abala com suas ameaças. – É a porcaria de um advogado e sabe muito bem o que é uma medida cautelar.

- Eu... Sei... – Kaoru arregala os olhos surpreso. – Mas vocês não...

- É bom não arriscar sua carreira... – Diz sem qualquer hesitação. – Mas se quiser... Posso te mostrar que temos uma excelente equipe de advogados a nossa disposição.

- Não foi a última vez que me viram. – O homem fala com raiva, olhando de Aoi para Uruha.

Aoi sai do prédio, andando na direção dele, fazendo-o recuar.

- Não volte ou... – O moreno não está brincando. – Vai viver uns tempos com gente da sua laia na cadeia... E eles vão te tratar como fez com o Uruha.

Decide que não quer mais perder tempo com alguém como ele, passando provocativamente o braço por sobre o ombro do loiro, apesar de ainda encarar Kaoru.

- Vamos, Kou-chan. Parece que eu vi uma tigela de pipocas e coca-cola nos esperando. – Fala casualmente, como se nada tivesse acontecido.

Puxa o loiro para si, abraçando-o, ambos voltando ao prédio e caminhando na direção do elevador. Ao entrarem no apartamento finalmente Aoi respira, encostando-se à porta que acaba de fechar. Sente como se toda a energia despendida nesse seu ato o tivesse drenado. Suas pernas fraquejam, mas não cai, percebendo então que o braço de Uruha o ampara e o ajuda a chegar ao sofá, onde se joga exausto.

- Nunca ninguém tinha feito algo assim... – O loiro, ainda de pé, tenta controlar sua respiração ofegante e seu coração disparado. – Apenas por mim!

- Esquece isso. – Aoi estende os braços chamando-o. – Vem aqui... Quero te abraçar.

O loiro o obedece com presteza, sentando ao seu lado e aconchegando-se em seu peito. Ali está seguro, amado... Completo. Passa a mão para dentro de sua camisa, tocando sua pele, erguendo o rosto, encontrando os olhos negros que o encaram.

- Te amo demais... E... – Aoi sorri com carinho. – Vê-lo machucando você me deixou doido.

- Ahhhh... Fala de novo... – Um brilho inocente, quase infantil surge em seu rosto.

- O que? – O moreno se faz de desentendido. – Que fiquei doido?

Uruha lhe dá uma tapinha no braço, tentando fazer uma expressão de indignado.

- Não! – Diz, aproximando-se de seu rosto. – Você sabe...

- Ok... Te... Amo... Demais... – Arrebata-o em um profundo beijo ao ver o seu sorriso.

E as mãos de ambos se tornam mais ousadas, as línguas travessas brincando, a excitação aumentando mais depressa do que podiam prever.

- Acho que a pipoca fica pra outra hora... – Aoi afirma entre beijos, sabendo que dessa vez os dois têm uma longa noite pela frente.

FIM

ooOoo

Como foi bom escrever essa fic, principalmente a cena final. Foi ótimo ver o Kaoru apanhar e ser humilhado. E ficou um gosto de que deveria ter uma continuação... O que vocês acham?

Continuo a agradecer a minhas amigas e betas Yume Vy e Samantha Tiger Blackthorne, que me apoiaram e incentivaram na confecção desse capítulo. Que nossos tempos ruins sejam afastados como foi o Kaoru e daqui pra frente comecemos a escrever mais e mais, pois eu sei que vocês duas também estão com muita dificuldade de fazer isso.

Agradeço de coração a Meline, Lady Bogard, Shiroyama Gabi-chan e Neko Lolita por seus reviews, pois esses sempre nos incentivam a continuar, mas nunca esquecendo das pessoas que lêem, mas por algum motivo não podem deixar seu comentário. Um beijo a todos.

Espero que gostem e COMENTEM!!

06 de Outubro de 2008

07:03 PM

Lady Anúbis