Um avanço! Cap2 x]
Enjoy =*
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Fuuka estava animada. Sussurros sobre a nova professora de Combate ecoavam pelos corredores como se eles tivessem vida! As únicas que sabiam sobre a verdadeira identidade de Natsuki e Yafusa eram Yuna e Shizuma.
- Dizem que ela é novinha. – comentou Maya enquanto patrulhava o leste da escola.
- Ara! – exclamou Ahn animada. – Carne fresca!
- Ahn! – veio quatro vozes distintas a reprimindo.
- O quê? – perguntou inocente. Sua área era o Oeste, exatamente onde o campo de combate era.
- Nada. – Era Sarah – As alunas estão todas no campo, Ahn?
- Estão sim, mas nada da professora novinha e fofinha ainda...
- AHN! – veio novamente as vozes ecoando pelo GEM.
GEM é um dispositivo em forma de um delicado brinco. Era o que permitia o contato de uma com a outra e também o acesso aos seus poderes de Otome.
- Ora, ora... – de onde Ahn estava era possível ver claramente os alunos.
Garotas de um lado, garotos do outro. Podia ver Mai conversando com Akane, Kazuya, Tate e Takeda; Via também Haruka gritando com outras crianças; E também sua Shizuru conversando com Reito e sendo espiada por Tomoe...
- Crianças... – sorriu.
Observou ao redor um pouco mais e quando decidiu sair, uma pessoa lhe chamou a atenção.
- Ora, ora, quem temos aqui...
Natsuki vestia sua usual roupa: calças um pouco largas e negras, e uma blusa de mangas compridas também negra com fivelas espalhadas pelo corpo e mangas e para fechar o conjunto simples e sombrio, um coturno de cano longo.
Yafusa ia logo atrás dela carregando alguns pesados equipamentos. Não estava gostando muito disso também. Crianças... Somente crianças.
Natsuki respirou fundo. Estava nervosa. Olhou os alunos que retribuíam seu olhar.
- Bom dia. – expirou – Meu nome é Kruguer Natsuki e esse é o meu marido e ajudante Kruguer Yafusa. Nós iremos substituir a meister Shizuma Viola por um curto tempo.
- Espero que nos tornemos amigos. – disse Yafusa com um sorriso.
- Vamos começar a aula então.
- Ahn, sensei? – era Yumemya Arika, uma garota de olhos azuis e longos cabelos castanhos presos numa trança. – Normalmente, no primeiro dia de aula, os professores falam um pouco de si mesmos para nós.
- Sério? Desculpem-nos! – disse Yafusa surpreso. – O que desejam saber sobre nós?
Natsuki só olhou para seu parceiro. O que diabos ele estava planejando?!
- Você são mesmo casados? – perguntou um rapaz.
- Sim, temos 2 anos e 5 meses de casados.
- Tem filhos?
Natsuki corou.
- Ainda não, mas não demoramos, certo, amor? – e piscou para a caçadora.
- Como podemos chamas vocês?
- Podem me chamar de Yafusa, como quiserem, mas é melhor chamarem Natsuki formalmente afinal ela é a professora.
- Kruguer-sensei, vocês não são muito novos para darem aula? – perguntou uma garota com cara de sabe tudo, cabelos esverdeados e corte moderno, um tipo de chanel.
Yafusa abriu a boca para responder, mas Natsuki foi mais rápida. Não gostara do jeito da menina.
- Qual o seu nome?
- Tomoe Marguerite.
- Bem, Marguerite-san, aparência não é tudo.
- Acho que só vamos saber quando ver vocês lutando.
Ela sorriu. Como gostava que seus oponentes a julgassem pela aparência! A vitória sempre ficava mais doce.
- Gostaria então de me ajudar a demonstrar para os seus amigos?
Ela descruzou os braços.
- Eu sou a melhor aluna da escola, depois de Shizuru-oneesama.
Natsuki revirou os olhos e se virou para a classe. Se fosse rápida o suficiente, conseguiria ensinar a Tomoe uma bela lição e ninguém seria capaz de vê-la.
- Depois continuamos com as perguntas. Agora vamos a aula.
- Viola-sensei parou em técnicas de defesa. – comentou uma loira com cara de leão.
- Esqueçam, técnicas de defesa são fáceis e ela terminara de explicá-las quando voltar. Eu vou ensinar para vocês algo que com certeza nunca sequer ouviram falar. Chama-se ashanty.
- É uma técnica antiga e tida como esquecida! Privilegia o combate corpo a corpo, mas também ensina ótimas técnicas de luta a distância!
- Certo, como você sabe? E qual o seu nome?
- Meu nome Irina Woods – ajustou os óculos – E eu leio muito.
- E você me dá medo.
-Natsuki! - repreendeu Yafusa.
- Que foi?! É verdade!
Ele suspirou.
- Bom, ashanty é um técnica um pouco complicada, mas com treino e dedicação tenho certeza de que todos aprenderão muito bem. E qualquer coisa eu e Natsuki estamos a disposição.
- Fale isso por você! – ouviu Natsuki resmungar mentalmente.
Soltou um riso e mandou os alunos formarem duplas. Tomoe foi para frente com Natsuki, as duas se encararam e Yafusa teve medo do que poderia acontecer.
- Vamos começar.
A Caçadora demonstrou com a aluna alguns movimentos básicos de ataque corpo a corpo, claro que machucando o orgulho de Tomoe quando se desviava dos ataques dela e a jogava ao chão. Sentia com certo orgulho os olhares de ódio que lhe era enviado, tinha vontade de rir na verdade, mas se controlava.
- Você é a professora! Não pode 'não' gostar de um aluno, você tem que ser imparcial.
- Há, sou professora temporária, nunca disse que eu era santa, porque só "santos" são capazes de gostar de todo mundo.
-Natsuki!
- E sou uma caçadora, gostar de pessoas não está nas exigências da profissão!
Yafusa suspirou e ajudou uma dupla a ajustar a posição. Não tinha como mudar a mente de Natsuki, simplesmente não tinha. Era a mesma coisa que convencer um lobo a largar carne e comer alface!
Tomoe caiu novamente e levantou respirando pesado e fuzilando Natsuki com o olhar, a "professora" só sorria maliciosamente.
- Ajuste sua postura, se continuar assim vai continuar a cair.
Tomoe sabia muito bem que não importa a postura que ficasse, Natsuki a derrubaria de todo o jeito.
- Kruguer-sensei. – Uma voz suave interrompeu Natsuki de continuar a "punir" Tomoe.
- Quê? – Respondeu, mas não virou para a origem da voz.
- Tomoe ainda é muito nova para ficar treinando assim, peço permissão para participar da demonstração de movimentos ao invés dela.
Todos pararam o treinamento e até Yafusa parou o que fazia para observar o que acontecia. Ele sentiu um arrepio ao olhar a garota.
Os olhos de Tomoe brilharam. Shizuru, sua Shizuru, estava tentando salvá-la daquela professora cruel! Podia haver uma demonstração de amor maior?!
Natsuki parou de encarar Tomoe e se virou para a dona da voz. A primeira coisa que notou foram os olhos vermelhos calmos e quase inexpressivos que a olhavam com quase censura. Logo, todo o rosto delicado e perfeito foi se formando em sua linha de visão. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo.
- E você seria? – perguntou num fio de voz.
- Fujino Shizuru.
- Ah sim. – Lembrou-se que Shizuma comentara sobre a sobrinha que pertencia a melhor sala de Fuuka.
Olhou para Tomoe.
- Droga! Ainda queria ensinar uma lição a essa...
- NATSUKI! – veio o grito de Yafusa.
Tampou os ouvidos de dor pelo grito furioso do parceiro.
- Sensei?
- Ah, tanto faz... Leva ela e continue os movimentos, está terrível ainda. YAFUSA! Aqui! Agora!
Shizuru olhou confusa para a professora. Embora tivesse dito para os outros que iria até lá para tentar impedir que Tomoe continuasse a se humilhar, na verdade tinha ido por que estranhamente queria muito lutar contra a nova professora, ainda mais quando a vira na noite passada conversando com sua tia.
Yafusa tinha o rosto fechado, mas ao passar por Shizuru abrira um grande sorriso.
- Voltem para o treino, sim? Ah sim, peço que veja se Marguerite-san está bem, Natsuki esquece que Otomes são diferentes de soldados. – disse a última palavra com raiva.
As otomes assentiram e se retiraram, mas não antes de Shizuru olhar para a professora novamente e seus olhares se cruzarem.
- O que diabos estava pensando? – sussurrou Yafusa com raiva.
- Ah, não venha me encher! Ela mereceu!
- Mereceu? Você a estava treinando como se fosse uma caçadora, Natsuki. Eles não são treinados para sofrerem golpes tão rápidos. E tenho certeza de que ela não viu a maioria dos golpes que você desferiu, se tivesse se descuidado poderia tê-la matado!
- Eu tenho um ótimo controle sobre minhas habilidades. E sinceramente, Yafusa, estamos numa guerra! Essas crianças não fazem idéias do que vão enfrentar e quando sairmos daqui, você acha que vão parar de atacar? Não, pessoas vão continuar morrendo por demônios, então não me venha com essa de pegar leve! Ashanti pode salvar a vida deles e de outras pessoas.
- Eu sei. Mas você estava sendo pessoal com ela...
- Ah, eu tenho 18 anos. Não tenho idade para dar aula, então é mais do que normal que eu não goste de alguém e queira me vingar, certo?
- Natsuki...
- E não grite daquele jeito mais. Doeu!
- Desculpe.
- O que eles estão falando? – sussurrou um aluno para o outro.
- Não sei. – outro respondeu.
Os dois, para não se entregarem, conversavam numa língua desconhecida para os oriundos de WindBloom e regiões que não tinham noção de línguas dos países "das trevas" como eram chamados lugares que não tinha vínculos políticos e/ou econômicos com WindBloom.
Shizuru somente olhava para os dois professores discutindo. Estranhamente não ligava de não entender o que era dito, seus olhos só se preocupavam em observá-los, melhor, observá-la. A professora era diferente de tudo que Shizuru já vira e possivelmente diferente do que ela jamais verá. Natsuki era impulsiva e livre, fazia e falava como bem entendia, como era egoísta! Ao mesmo tempo que a professora lhe despertava um fascínio imenso, lhe despertava também um ódio imenso.
Kruguer era egoísta de uma forma que ela jamais poderia ser.
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O treino prosseguiu tranquilamente depois disso. Yafusa fez questão de observar o treino de Shizuru e Tomoe, olhando com censura para Natsuki sempre.
O sinal soou e os alunos, estranhamente exaustos, foram para o vestiário.
- Que bando de fracotes. Como esperam lutar contra demônios assim?! - resmungava Natsuki os olhando.
- Algo do Soul Eater? – perguntou Yafusa acenando para algumas garotas.
- Não, você?
- Suspeitas.
- Aquela Marguerite, tem algo. Não sei o quê, mas tem.
- Você só não gosta dela.
- Mesmo assim...
- Não, não é mesmo assim. Se duvidássemos de todas as pessoas que você não gostasse tenho certeza de que quase todos seres humanos seriam demônios!
Ela suspirou.
- E não são?
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O assunto no vestiário eram os novos professores. Coisas como: "Eles são lindos!", "Kruguer-sensei é mais exigente que Viola-sensei!", "Estou todo doendo!", " Quero a minha mãe!" preenchiam ambos vestiários.
Tomoe falava mal Natsuki de todos os possíveis nomes. E Shizuru.... Bem, a melhor otome estava entre concordar com os xingamentos e se revoltar com eles. Ainda não sabia se gostava de Natsuki ou a odiava.
Terminou de se trocar e saiu do vestiário, ignorando os olhares. Não se sentia bem, desde que levantara, estava se sentindo como se não fosse desse mundo, como se fosse uma mera espectadora. E esse sentimento... Ah, tudo se misturava no seu peito e só tinha vontade de arrancar seu coração e jogá-lo ao vento!
- Eu estou de olho em você, Kruguer-sensei.
Era Miyu Gleer. A "otome de gelo". E ela encarava Natsuki com um imenso ódio, mas Miyu era conhecida justamente por não demonstrar sentimento algum. Olhava tudo com imensa curiosidade.
Miyu se virou e começou a voltar para o prédio.
- Gleer! – a otome parou diante do grito da professora. – Só me aguarde.
A otome prosseguiu.
Natsuki trincou os dentes. Que ótimo! Não só tinha que lidar com esses pirralhos idiotas, como agora lidar com Miyu.
- Natsuki... – se virou para Yafusa, mas ao invés de encontrar com calmos olhos do parceiro, encontrou dois orbes vermelhos que a olhavam com intensidade e duvidas.
- Sensei...
- Ela ouviu! Droga! – praguejou – Eu mereço!
- Fu-Fujino...
Yafusa engoliu seco.
Natsuki sentia seu coração disparar.
E Shizuru... Bem, Shizuru não sabia bem o que sentia. Duvida, admiração ou ódio? Mas uma coisa ela não tinha duvidas: Gostava e muito de se ver refletida nos olhos de Natsuki – só ela!
