-Não sei o que faço pra você entender!
-Se você se preocupa comigo, me deixe ir!
-Não posso!
-Eu não sou uma boneca, eu tenho minha vida, você tem que me deixar ir. – eu disse com raiva, e me afastei dele. – como eu posso saber que você não vai me matar? Eu nem te conheço.
Ele tentou falar alguma coisa, mas desistiu, eu suspirei cansada.
-Bella? – ele começou.
-Por favor, pelo menos me deixe quieta.
Virei novamente e fechei os olhos, demorei pra dormir aquela noite, eu estava com raiva. Dormi muito pouco, toda hora eu acordava incomodada. Quando o dia clareou eu o olhei e lê estava no mesmo lugar, parado como uma pedra, me olhando, uma estatua quase perfeita. Ainda estava com raiva dele, e o ignorei enquanto ele me olhava, peguei umas frutas e sentei do lado de fora, fiquei algum tempo pensando em um modo de fugir, mas ele sempre me achava, e eu não imaginava o que ele poderia fazer se me pegasse fugindo de novo. Resolvi esperar outra chance de ficar sozinha e tentaria fugir novamente. Pro meu azar ele passou o dia todo lá. A noite eu mantive distancia dele, eu não sabia porque sentia aquela confusão, mas uma parte de mim queria ficar ali com ele, mas a maior parte de mim queria minha casa, meus amigos até sentia falta do colégio.
Não dormi direito de novo, tive alguns pesadelos e acordei assustada. Quando levantei ele não estava, percebi quase que quase sempre de manhã ou a noite ele saia. Resolvi aproveitar a oportunidade pra fugir, dessa vez pelo outro lado da floresta, andei devagar no começo para não me perder, mas estava sentindo tanta coisa que quis correr para ver se a brisa aliava um pouco, pra ver se me ajudava a me acalmar.
Aquela floresta era tão linda, tinha varias flores, e o perfume era tão bom, tinha vários pássaros cantando, imaginei que cena romântica poderia ser vivida ali, e sem querer Edward veio ao meu pensamento, imaginei ele como ser humano, imaginei a cor de seus olhos, o toque de sua pele quente, imaginei ele sorrindo e fazendo gracinhas como um garoto normal, com amigos, família. E me imaginei ao seu lado, indo tomar sorvete juntos, indo ao parque, imaginei como seria bom ter ele comigo. De repente senti falta do ar protetor que ele tinha, senti falta de seus cuidados, senti um arrependimento por ter exagerado com ele, afinal TODOS ESTAVAM MESMO BEM. Meu pai nem ligava pra mim, e nem me procurava antes das férias. E meu medo por Edward foi se tornando pouco, afinal se ele fosse realmente fazer alguma coisa comigo já teria feito, e ao contrario ele estava cuidando de mim por vontade própria, mesmo eu irritando e provocando ele. Arrependi-me de ter fugido, e de não tentar entender.
Ele pelo menos se importava comigo. Parei de correr, imaginando que ele viria atrás de mim. Mas não veio, acho que de tanto pedir ele me deixou. Tentei voltar correndo pelo mesmo lugar, mas meu senso de coordenação não é um dos melhores. Parei e sentei pra ver se pensava melhor. "Ele deve ouvir bem, ele tem que ouvir bem. É minha única saída". Antes que escurecesse de verdade o gritei varias vezes.
-Edward! – gritei mais uma vez o mais alto que pude – Edward! – levantei novamente e voltei a andar, pra ver se achava a casa. – EDWARD! EDWARD! – eu gritei mais alto ainda. Continue gritando e andando, até que tropecei em uma raiz de arvore e torci o pé e cai. Xinguei em pensamento quando tentei levantar e não consegui. Gritei mais vezes, mas quando escureceu de verdade eu estava perdendo as esperanças de Edward me achar. Mesmo assim queria continuar gritando, mesmo sabendo que ele já teria escutado se estivesse por perto.
-Edward! – eu ainda gritei por um tempo. Mas desisti, abracei meus joelhos, e uma lagrima escapou dos meus olhos, senti medo de ficar ali sozinha, de nunca mais vê-lo, de não conseguir sair dali. Não enxerguei quando ele chegou e me puxou do chão me abraçando. E me levantando do chão.
-Não me culpe por vir te procurar – ele pediu – Bella, eu não quero te ver assim... Triste. Não quis te irritar, não sei o que esta acontecendo comigo, nunca me senti assim deis de quando te vi quero ter você por perto, não gosto de te ver mal, só quero estar perto de você e sentir seu coração bater, nunca quis te magoar. Amanhã eu vou te levar de volta, e estou com uma sensação de perda ruim, mas não quero te ver chorar de novo. Só fique comigo essa noite, por favor! – ele disse me fazendo chorar, mas de emoção, eu percebi que não sabia ao certo o que era mais meu estomago estava infestado de borboletas, ninguém nunca tinha me dito aquilo, e eu também nunca tinha me sentido assim. Ele colocou a mão no meu rosto e secou minhas lagrimas, de forma que eu pudesse vê-lo.
-Eu não... Eu... – não consegui falar.
-Por favor, espera até amanhã! – ele disse de vagar com a voz triste – Por favor, me deixe se despedir de você. Ele não estava entendendo, eu não queria mais voltar, queria estar ali com ele. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa ele me pegou no colo e me levou de volta para a casa. Deixou-me no cobertor, e saiu de perto de mim, ficou distante, pensativo. Eu pensei no que dizer, fiz varias frases mentalmente mais nenhuma me pareceu a certa a ser dita.
-Edward! – me aproximei.
-Sim! – ele me olhou.
-Eu... Não... Não quero... Não quero voltar! – disse eu pausadamente.
-Não quer voltar? – ele ficou surpreso.
-Não eu... Que quero ficar... Aqui... Com você.
-Você ter certeza... Quer dizer... É sério?
-Uhum! – eu disse balançando a cabeça positivamente.
-Então você não... Não ta mais com raiva? – ele me analisou.
-Não! – eu sorri.
-Ah Bella! – ele me abraçou tirando meus pés do chão.
-Ah! – arfei enquanto ele me apertava, ele é tão forte que nem percebeu que estava me sufocando. Mesmo sem ar agarrei o pescoço dele e retribui o abraço.
-Você não sabe como isso me deixou feliz! – ele rodou pela sala.
-A mim também! Mas Edward eu to ficando sem ar. – eu ri e ele me acompanhou folgando os braços. Sua risada era tão gostosa de ouvir, era melodiosa. Ele me pos de pé, de frente pra ele, mas com os braços ainda envoltos da minha cintura.
-Desculpe! – ele sorrio – mas quanto mais te abraço mais quero te abraçar. – ele beijou minha bochecha demoradamente, suspirei, queria mais que um simples beijo na bochecha, mas me contentei em esperar ele ter a iniciativa. Fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha também, depois sorri. Sem querer meu queixo bateu de frio.
-Eu acho melhor você usar o cobertor que eu trouxe!
-Não quero dormir! – choraminguei.
Ele me puxou para perto da lareira, sentou e me enrolou no cobertor, eu me sentei ao seu lado e encostei a cabeça em seu peito.
-Mas você precisa dormir, eu reparei que você não anda dormindo bem.
-Você não dorme não? – perguntei.
-Não! – ele riu.
-O que?
-Eu acho que você não assiste muitos filmes sobre vampiros.
-Na verdade um único filme que eu assisti sobre vampiros ele dormia em um caixão.
-Ah!
-Então me diz como era viver antigamente? – eu disse depois de um tempo.
-A era normal.
-Como normal? – eu perguntei curiosa.
-É a mesma coisa que conta os livros, normal!
-A, mas ler é diferente do que alguém que viveu na época te contar. Me conta vai.
-As coisas eram diferentes, as roupas eram diferentes, tinha muitas guerras, muitos recrutas no exército, e as pestes e doenças eram mais fortes e mais comuns. – ele me olhou.
-E a parte boa? – eu disse e ele rio.
-Bem, acho que as pessoas eram diferentes, talvez mais românticas, os namoros eram diferentes. Era difícil manter a família, mas o bom era que as crises financeiras passavam rápido.
-E tinha muitos vampiros?
-Antes de me transformar eu nem imaginava que existia, mas depois ate me assustei com a quantidade.
-E como é ver os anos se passarem? Tipo as coisas mudarem?
-Você é muito curiosa!
-Nem tanto – sorri – vai me contar mais?
-A sei lá, é estranho, não convivi com as pessoas no começo, só depois de muitos anos.
-Mas e a sua família?
-Já chega de perguntas né? – mesmo brincando senti uma ponta triste em sua voz.
-Ah! Me desculpa. – eu disse.
-Então só pra lembrar você não gosta do colégio não é? – ele mudou de assunto.
-Não, nunca gostei.
-Então estuda lá obrigada?
-É! – suspirei.
-E onde você morava antes de ir pra lá?
-Em Forks!
-Já estive por lá antes.
-Sério? – perguntei surpresa.
-Uhum, mas foi rápido.
-Ah! – murmurei desanimada.
-O que foi?
-Não é que eu pensei que nós poderíamos nos conhecer antes. – eu disse.
-Teria sido mais fácil, talvez se você se fosse menos teimosa.
-Eu não sou teimosa! – dei um tapa de leve no seu braço.
-É sim – ele me abraçou.
-Só você acha.
Agente ficou em silencio, ele mantinha o braço no meu ombro e eu com a cabeça no seu peito.
-Edward? – eu disse.
-Sim.
-Você ér... Já teve... Muitas namoradas? – eu perguntei envergonhada e ele pareceu se assustar com minha pergunta.
-Não! E você? – ele disse devagar.
-Não! – eu corei – Você já namorou alguma vampira? – eu perguntei e ele rio – O que é? – eu disse.
-Nada não, mas porque você quer saber?
-Por nada só pra saber mesmo!
-Não! – ele beijou minha cabeça - Bella?
-Oi? – eu o olhei.
-Posso tentar uma coisa?
-Sim, o que?
