Capítulo Dois

Samantha sentou-se na sua cama e olhou pela janela. Começava a escurecer mas ainda era cedo. Já tinha tudo preparado para mais uma noite sem conseguir dormir. Tinha três livros ao ladodo relógio despertador, um jarro com água, alguns dvd's e um pacote de pipocas. Já estava farta de passar as noites em claro, mas sempre que fechava os olhos aparecia-lhe nos sonhos um homem sem face que tentava matá-la. Ele não tinha face mas tinha uns olhos negros frios e crueis capazes de congelar o coração dela. Era essa a razão porque não dormia durante a noite havia muito tempo. Se fechava os olhos, ficava sem defesas algumas e tinha sempre a sensação que ele a ia atacar.

Sam estremeceu ao se lembrar disso e levantou-se rapidamente. Precisava se distrair ou iria acabar enlouquecendo com aquela história. Lembrou-se de Paul lhe dizendo que deveria arranjar um guarda-costas. De certeza que se sentiria mais segura mas sentir-se-ia ainda mais intimidada e sem privacidade alguma. Não que já não se sentisse vigiada vinte e quatro horas por dia, mas ter alguém perto dela, observando tudo o que ela fazia não lhe parecia ser muit confortável. A sua consciencia dizia-lhe deveria escolher a segurança ao conforto, mas ela não conseguia.

Desceu até a cozinha para preparar qualquer coisa para comer. Acabava de abrir o frigorifico quando o telefone tocou. Não se assustou. Paul tinha lhe dito que ligaria antes de ir para a arena onde ele lutaria naquele dia. Ela correu para o telefone e atendeu sorridente.

-Olá Paul!- ela disse.

A resposta que teve foi uma respiração longa e profunda quebrando um silêncio assustador. Instintivamente ela desligou o telefone. O coração dela estava disparado, as mãos tremiam-lhe e começava a a sentir as lágrimas chegarem aos olhos. Levou as mãos á cara e esfregou-a. Ele não lhe ligava havia dois dias. Só lhe havia ligado durante a festa da WWE.

O telefone tocou novamente. Desta vez ela ficou olhando para aquilo incerta se deveria atender. Encheu-se de corageme levantou o auscultador.

-O que queres?- ela quase gritou.

-Calma miuda!- a voz do seu amigo tranquilizou-a.

-Desculpa, é que ele ligou agora há pouco e estou nervosa.

-Ele ligou? Disse alguma coisa? Fez mais alguma ameaça?

-Não! Simplesmente limitou-se a respirar mas foi tão arrepiante. Senti como se ele estivesse me observando, uma sensação tão esquisita.

-Vou passar aí antes de voltar para o hotel. Estou preocupado, para dizer o minimo. Ainda pensei dizer-te para vires assistir ao meu combate mas sei que não gostas muito disto. Olha tenho que ir. Só liguei mesmo para ver como estavas. Calma. Tens a policia te rodeando a casa. Estás segura.

-Obrigada Paul. Bom combate.

-Obrigado!

O telefone desligou-se e ela pousou o auscultador. Paul tinha razão. Ela deveria deixar de estar sempre com a sensação de que ele a estava observando. Era tudo psicológico e era exactamente isso que ele queria. Que ela ficasse tão assustada ao ponto de imaginar coisas.

Subiu até ao quarto e decidiu tomar um banho.

Estava acabando de enrolar a toalha no corpo, quando o telefone tocou de novo. Ela ficou olhando para o pequeno aparelho petrificada. Mas por mais medo que tivesse nunca conseguia ficar sem atender. Sabia que o telefone iria ficar tocando e torturando.

-Sim!- ela disse, certa de que era ele.

Mais uma vez uma respiração longa e profunda.

-O que queres? Diz-me de uma vez!

-Quero-te!- ele articulou muito bem a palavra de uma maneira aterradora.

-Porquê? Quem és? Porque me fazes isto?

-Porque tu és linda. Eu sou a pessoa que mais te quer neste mundo. E faço isto porque és a minha obra prima.

Sam fechou os olhos tentando conter as lágrimas. Ele ficou respirando do outro lado do telefone. Ela sentiu o desespero tomar conta de si. Agarrou no jarrão com flores e atirou-o para a parede. Este partiu-se em bocados, deixando uma mancha de água na tinta branca. Do outro lado do telefone ela ouviu também algo partir-se.

-O que foi isso?- ela perguntou espontaneamnete.

-Não sabes? Foi o teu jarrão indo contra a parede...

Ela ficou sem palavras.

-Ou ainda não percebeste que eu estou sempre contigo? Estejas onde estiveres, eu estou lá. E podes até por o exercito vigiando a tua casa. Eu estarei sempre contigo.

Sam jogou o telefone. As lágrimas escorriam pela sua cara. Saiu do quarto, correu pelas escadas, sem sequer se dar de conta que ainda estava de toalha, agarrou na chaves do carro e foi quando viu um vulto na sala de estar. O seu pânico aumentou e ela correu até a garagem o mais depressa que pôde. Meteu-se dentro do seu Mercedes preto e ligou-o. Quando saia da garagem viu novamente um vulto na janela da sala de estar. Estava iluminado pelo por do sol e ela só conseguiu ver parte do pescoço dele. A sua cara era apenas uma grande sombra, sem olhos nem nada mais. No pescoço ela conseguiu ver uns traços. Talvez uma tatuagem. Mas foi tão depressa que até podia ser a sombra da cortina.

Para onde ia ela? Onde se podia esconder? A única pessoa que lhe veio á mente foi Paul. Carregou no acelerador e dirigiu-se para a arena.

Randy Orton estava sentado olhando para o vazio. Aquela loura não lhe saía do pensamento. No dia antes não conseguira se concentrar no seu treino e hoje estava mais distante do que nunca.

-É melhor ver se acordas! Temos um grande combate hoje e quero-te a cem por cento.-Adam avisou o seu parceiro.

-E vou estar. Só preciso me distrair um pouco.

-Afinal o que tens? Desde a festa que andas assim!

-Não é nada.

Adam olhou-o desconfiado mas depois dirigiu a sua atenção para a sua namorada.

Randy continuou fazendo de tudo para tirar a tal de Sam da sua cabeça mas não havia maneira. Então decidiu dar uma volta, talvez espancar alguém a ver se se distraia.

Estava tão absorto que sentiu alguém chocar com ele. Era alguém pequeno, isso ele reparou. Ia se preparando para insultar e talvez até bater em alguém quando reparou nos olhos que o haviam atormentado nos dois últimos dias. Era Sam. Usava apenas um casaco comprido e tinha uma expressão assustada.

-Desculpe! Eu estava distraida. Preciso encontrar Paul... Triple H, quero dizer, depressa. É urgente!

-Passa-se alguma coisa? Pareces estar um pouco alterada...

A rapariga esfregou a cara. Tinha o cabelo molhado e ele reparou que estava descalça.

-Sim. Eu preciso ver o Paul... imediatamente.- estava ofegante, tinha lágrimas nos olhos e estava desesperada.

Randy sentiu um aperto na garganta. Ela parecia tão delicada e naquele momento parecia precisar tanto de alguém que a protegesse. Ele sentiu vontade de cola-la ao corpo dele e tirar aquela expressão de agonia da sua bela face.

-Vem! Eu levo-te para um quarto. Estás um pouco alterada. Vou ver se te arranjo alguma roupa... e uns sapatos.- ele disse notando que ela parecia estar apenas usando o casaco que por sinal estava encharcado.

Sam sentiu ele colocar a mão forte no seu ombro e de repente sentiu-se muito mais segura. Sentir-se tão perto daquele homem fê-la quase esquecer-se que estava sendo perseguida por um maniaco. Tinha vontade de se encostar a ele, deixa-lo abraçá-la.

Sacudiu esses pensamentos da cabeça. Estava tão necessitada de protecção e do sentimento de segurança que já tinha pensamentos parvos em relação a pessoas que ela nem conhecia.

-Agora fazes-te de bom samaritano, Randy?- a voz de Lita fê-los pararem os dois. Viraram-se para enfrentar a ruiva.- Mas vejam só se não é a amiga de Triple H. Pelos vistos também viraste para o lado do inimigo.

Randy inspirou fundo tentando não se deixar afectar pelo comentário.

-Não estou do lado do inimigo. Estou só levando a rapariga para... sabes que mais? Não é da tua conta o que vou fazer. Desaparece Lita.

-Sam!- a voz de Triple H soou no corredor. Sam virou-se logo mas não se afastou do seu protector.- O que fazes aqui? E com ele? O que estás fazendo com a Sam?- a última pergunta foi dirigida a Randy.

-Não fiques alteradinho, estava só tentando ajudar. Mas visto que já te encontramos, ela não precisa mais da minha ajuda. Toma, é tua!- Randy disse empurrando levemente Sam. Ela não percebi como é que aquele homem fora tão delicado há pouco e se mostrava tão rude naquele momento.

Randy estava com ciúmes. O aparecimento de Triple H tinha-o lembrado que a rapariga estava envolvida com o louro de alguma maneira e tinha se enchido de inveja. Esse sentimento tinha o feito querer afastar-se dela, pois ponha-o fraco.

Paul abraçou Sam e ela começou a chorar de novo. Esqueceu Randy, Lita e só se lembrou da sombra que havia visto na sua sala havia pouco tempo.

-O que se passou? O que fazes aqui?- Paul disse preocupado.

-Ele... ele estava lá... na minha casa. Eu vi-o... quero dizer, vi a sombra dele, vi o vulto dele andando na sala. Ele...estava tão perto...- soluçou. Ele abraçou-a com mais força.

Ao longe Randy assistia à cena. Amaldiçoava-se por se deixar afectar pelo que via. Não conhecia a rapariga de lado nenhum mas ela afectava-o, atraía-o, fazio o sentir-se fraco e ao mesmo tempo tão forte. Ele queria poder abraçá-la, beijá-la, protegê-la mas não sabia porquê. Ela era uma estranha, uma desconhecida que ainda por cima tinha alguma coisa com um dos seus maiores inimigos. Ele tinha que tirar aquela miuda da cabeça.

Sam foi conduzida por Paul para uma sala branca com um televisor e um sofá. Ele arranjou um t-shirt e uma saia de uma das Divas para ela vestir.

-Estás mais calma?- perguntou depois de ela se trocar.

-Um pouco mas... não tenho coragem de voltar para casa. Estou aterrorizada de medo. Nem pareço eu. Eu nunca fui cobarde mas estou apavorada.

-É normal numa situação destas. Tens um psicopata atrás de ti.

Alguém bateu á porta e abriu-a.

-Olá Sam!- disse o parceiro de Paul, Michael.-Desculpa interromper mas temos um combate daqui a pouco Paul e o Sr. McMahon quer falar com a Sam. As notícias aqui correm depressa.

Sam olhou para o seu amigo e depois para o homem de cabelos longos que estava na porta. Levantou-se e saiu. Foi conduzida até a sala do general manager interino da Raw. Vince estava na porta falando com Coach quando ela chegou.

-Samantha Speno! Que prazer em ver-te por cá!

-Boa noite Sr. McMahon.- Sam comprimentou o velho amigo do seu pai. Ela nunca gostara muito daquele homem mas, como o Sr. Speno sempre dizia, é bom manter uma boa relação com pessoas importantes.

Vince fez sinal coma mão para Coach desaparecer e foi o que o homem fez.

-Devo dizer que foi uma surpresa ver-te por aqui. Sei que partilhas com o teu pai a aversão ao wrestling.

-Vim ver...

-O Triple H! Eu imaginei. Andam circulando rumores que tu e ele são um casal.

-Não somos! Ele é apenas um grande amigo, mais como um tio para mim. Além disso sei que ele está se separando da sua filha e seria incapaz de tamanho desrespeito. Dou-me muito bem com Stephanie.

-Eu sei. Também sei que quem começou o boato não gosta muito de ti, talvez porque tu, sem intenção, deste-lhe um banho de champanhe. Mas não é para falar disso que te chamei aqui. Quero dizer, não inteiramente. O teu pai disse-me que andas com um problema em mãos... Mas não era necessário ele me dizer. É de conhecimento público que tens um homem te perseguindo. E eu quero ajudar.

Sam levantou a sobrancelha, desconfiada.

-Não percebo.

-Sam, querida! É o seguinte. Eu preciso de uma cara nova neste programa. Preciso de alguém bonito mas com requinte. Preciso de chamar mais a atenção, mas sem ser para combater. Além disso, visto que Lita voltou e está do lado dos Rated RKO, preciso de uma beleza no lado dos DX mas não quero uma qualquer, preciso de carne fresca...

-Mas eu não sei combater. Eu detesto lutas...

-Não quero que combatas. Preciso apenas de uma linda rapariga lá. Tu eras ideal, visto que a Lita nutre um certo desprezo por ti. Além do mais, tu és uma da smulheres mais bonitas da América.

-Desculpe mas não...

-Já viste o tamanho dos wrestlers? Achas que no meio de tamanha força bruta alguém se atreveria a te importunar? Eu podia dizer a todos os meus lutadores que não deixassem nenhum estranho se aproximar de ti. E a única coisa que tinhas que fazer era mostrar essa tua carinha linda e esse teu corpo elegante.- Vince sorriu. Ele tinha tocado no ponto que queria. Duvidava que ela fosse recusar. Sabia que ela tinha ali chegado completamente apavorada.

-Eu tenho o meu trabalho.

-Tu consegues trabalho em qualquer lado. Podes ir trabalhando nas cidades que visitarmos. Eu sei e tu sabes que isto é muito bom para os dois.

Sam não queria admitir, mas era uma boa proposta. No entanto ela não gostava daquele negócio violento. O trabalho dela era amoda não brigas. Só que ela tinha que deixar de pensar no que gostava e pensar mais na sua segurança. Estava na altura de ela deixar de sentir confortável para poder respirar em paz.

-Eu aceito a sua proposta.- ela disse por fim. Vince sorriu satisfeito.

-Vou começar a tratar da papelada. Próxima semana terás a tua estreia como nova Diva da WWE.

Sam não tinha a certeza se tinha feito a coisa certa mas pelo menos ali estaria segura.

N/A: Obrigado Mari Cena pela review. Acho que respondi á tua pergunta no capítulo e espero que gostes.