#Capitulo 1

How does she know that you really, really, truely love her?

07:56 pm

Hermione sorriu ao ouvir a porta se abrir: Harry era o único que possuía a chave de seu apartamento. Estava em uma batalha complexa entre o arroz e ela.

- Harry! Eu já te disse que o arroz não quer ter uma conversa amigável comigo? – resmungou e ouviu o riso sincero dele invadir sua mente e seu mundo obscureceu por alguns segundos.

Virou-se para encará-lo e encontrou-o com uma pequena caixa embrulhada em papel de seda vermelho, limpou as mãos no avental e andou até ele, a expressão duvidosa.

- Pra você. – disse tímido e ela olhou-o, confusa.

- É meu aniversário? – perguntou arqueando as sobrancelhas.

- Não, não é. – ele se balançou para frente e para trás. – Eu achei que não tivesse uma ainda. Abra. – ela sorriu e rasgou o papel.

Um porta-jóias colorido e delicado, o abriu e uma melodia vaga e bela preencheu o ambiente, dentro dele uma pequena bruxa dançava juntamente com um bruxo.

Hermione sorriu abertamente, normalmente aquele tipo de utensílio era trouxa e apenas uma bailarina girava devido aos imãs no fundo da caixa espelhada. Tinha certeza de que era raro e caro, certamente não fora encontrado por acaso.

- Eu... Não posso aceitar, Harry. – ele cruzou os braços.

- É claro que pode. – afirmou. – Encontrei no meu cofre, escondido sobre alguns galeões. Era da minha mãe. – Hermione colocou a mão na boca.

- Você não deveria dar a...? – ele interrompeu-a.

- Não, não deveria. Lily é pequena para tomar cuidado com isso. – sorriu-lhe. – Já encontrei para ela um colar de família que achei no banco, para seu aniversário. – ele esticou a mão e Hermione entregou a caixa, deu a volta e sentou no sofá, sendo seguido por ela. – Está vendo? – apontou para o espelho e tocou-o com a mão, letras vermelhas começaram a aparecer no espelho formando as palavras "James & Lily". Hermione sorriu encantada e sobressaltou-se quando outras letras formaram-se daquelas: "Harry & Hermione". Ele sorriu timidamente. – Eu não sei por que, mas está ai. E eu não vou usar isso. – deu uma risada. – Meu pai deu a minha mãe.

- Harry, isso é tão... tão... – ele viu lágrimas escorrem pelo rosto dela e passou o dedo, delicadamente para secá-las.

- Eu sei. – ele disse sinceramente e Hermione agradeceu por ele compreender seu olhar, palavras não seriam suficientes.


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He'll find a new way to show you, a little bit everyday

That's how you know, that's how you know!

He's your love...

11:03 am

Harry entrou na sala fechando a porta. O silêncio era quebrado pelo som de seus passos e não havia indícios de que poderia haver outra pessoa ali. Prateleiras abarrotadas de livros que iam até o teto, um sofá de três lugares, uma mesa de centro, a estante com TV e rádio.

- Hermione? – ele chamou, ouvindo o som do eco da sua voz como resposta.

Deu de ombros e largou-se no sofá, exausto. Tinha uma idéia vaga de que a amiga poderia estar no Ministério. Relaxou os ombros e arqueou as sobrancelhas ante a visão de Crookshanks dormindo de barriga para cima sobre a TV.

Era interessante, para não dizer perturbadora, a visão do gato laranja. Desviou os olhos do bicho e levantou-se, pronto para desaparatar, não sem antes conjurar uma rosa e deixar sobre a mesa de centro. Um gesto simples, porém eficaz em mostrar que ele esteve ali.

Respirou profundamente e andou até o gato, afagando a barriga dele. Se não fosse pela respiração irregular, diria que o animal havia morrido, já que não se mexeu ao receber o carinho de Harry. Soltou o ar e deu uma grande gargalhada ao ver a língua do gato pender para fora da boca e refletiu que Hermione deveria ter visto aquilo.

Balançando a cabeça, aparatou.


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It's not enough to take the one you love for granted

05:21 am

Harry podia ouvir a água caindo, um som levemente incômodo para quem estava dormindo. Então a água parou e ele a escutou escovando os dentes. Estava certo de que logo o barulho pararia e parou. Porém o som do salto dela caminhando pelo pequeno apartamento era realmente incômodo.

Ele se remexeu no sofá, tampando a cabeça com o travesseiro. Hermione começou um barulho irritante com canecas e ele bufou, certo de que ela o ouviria e pararia com toda aquela bagunça.

- Que droga, Harry! – reclamou Hermione, irritada. – Fiz de tudo para você acordar sem precisar te chamar e você continua aí! - ele retirou o travesseiro da cara e abriu os olhos, sonolento, porém irritado.

- Hermione, hoje é DOMINGO! – gritou com ela e levantou, os cabelos mais desarrumados do que o normal. – Nós acordamos tarde no domingo! – informou irônico.

- Acontece que eu tenho uma surpresa. – sorriu e voltou a fazer o café. – Arrume-se.

- Que? Que surpresa? – Hermione olhou por cima do ombro, com aquela cara de quem não contaria nem sob tortura. Harry deu de ombros, rendendo-se a curiosidade, foi tomar banho.

Hermione não pode deixar de notar que ele demorara mais do que das outras vezes. Ela já comia torradas quando ele sentou-se à mesa. O fato era que ela era seu refúgio, já que sempre trabalhavam até tarde ali quando ele não queria ir para casa.

Comeu uma maçã, ansioso demais para ter fome. Ela resolvera comer devagar, deixando Harry mais curioso enquanto lançava olhares furtivos a melhor amiga, na espreita de que pudesse conseguir algo.

- Não vai avisar Ginny? – perguntou levantando-se.

- Ginny? – repetiu.

- Sua mulher, Harry. Faz uns dois dias que você não volta para casa. – ele encolheu os ombros.

- Vou pegar sua coruja. – avisou. – Então, onde eu digo que estamos indo? – perguntou sorrindo e Hermione olhou-o de canto, como se não passasse de um cisco.

Harry bufou e pegou um pergaminho, rabiscando qualquer coisa. Hermione pegava seu casaco e esticava a mão para Harry.

- Vamos aparatar. – desistindo de persuadi-la a contar aonde iriam, entrelaçou seus dedos e sentiu aquela sensação estranha de quando aparatavam, porém com um quê a mais ao sentir o toque da mão dela.

Harry abriu os olhos, surpreso. A estátua familiar daquelas três pessoas, uma mulher, um homem e um bebê.

- Hermione! – exclamou e ela lhe sorriu timidamente, o sol surgindo no horizonte. – Esqueci-me completamente!

- Eu tive uma grande culpa nisso, já que fiz você trabalhar até tarde. – deu um pequeno sorriso. – Queria vir cedo, menos gente, mais privacidade. – Harry a abraçou fortemente e depois se soltou, não largando a mão dela.

Caminharam pela pequena cidade, atravessando a capela e abrindo a portinhola do cemitério. Encontraram o túmulo e Hermione conjurou um buquê de flores, entregando a Harry. Ele colocou delicadamente em cima do túmulo e ficou em silêncio.

- Temos tempo. – sussurrou e soltou-se de Harry, que agradeceu com um sorriso sincero.

Começou a caminhar, olhando por cima do ombro o viu de joelhos e a cabeça baixa. Encontrou o túmulo de Ignoto e conjurou uma rosa, colocando em cima e com um toque da varinha limpando a poeira.

Caminhou lentamente até Harry e afagou seus cabelos, em um gesto carinhoso e único. Ele se ergueu e ela mais uma vez presenciou as lágrimas dele caindo, feliz por saber que confiava tanto nela a ponto de deixá-la vê-lo chorar.

Sem se conter, puxou-o e envolveu seu pescoço em um abraço, imediatamente correspondido. Hermione abraçou-o de lado e puseram-se a caminhar.

- Obrigado. – disse com a voz embargada e Hermione apertou sua cintura, assentindo. – Eu quero fazer algo antes de irmos embora.

Harry comprou uma casa no povoado e sem saber o que fazer com ela exatamente, apenas certo de que Ginny não deveria saber e Hermione concordou em não contar nada.

Mais um segredo.


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You've got to show her you need her

07:26 pm

- ... E nós precisamos que todos os doze bruxos concordem em assinar o mandado para revistar a casa de Malfoy... - Harry vinha comentando com Hermione, sendo interrompido por Ginny.

- Vão tentar entrar na casa de Draco de novo? - indagou distraída, parando de escrever ao notar as caras surpresas e indignadas de Harry e Hermione. - Olá, Hermione. Vai ficar para jantar? - desconversou.

- Se não for incômodo... - Harry deu aquele olhar de "pare-de-falar-já" e Hermione calou-se.

- É claro que ela vai ficar para jantar! - cruzou os braços e Ginny torceu o nariz. - Desde quando você o chama de Draco? - ambos, Hermione e Harry, lançaram um olhar frustrado.

- Eu... Não tinha idéia de que você ficaria nervoso por algo desde tipo! - defendeu-se e engoliu em seco. - Você faz tempestade em copo d'água, Harry! Por Merlim, me deixe trabalhar. - voltou a atenção para a folha de pergaminho, mas ele permanecia impassível.

- Escute aqui... - Hermione o puxou pelo braço e Harry deixou-se vencer, sendo levado até o escritório. Ela fechou a porta e se sentou. - Isso não vai ficar assim! Eu vou... Eu... - ele pausou ao ver a expressão resignada de Hermione. - Ora! Pare de me olhar assim!

- Assim como? - perguntou satisfeita.

- Como se eu estivesse errado! - Hermione riu e arqueou uma das sobrancelhas.

- Então, faz quanto tempo que vocês... Você sabe. - Harry olhou intrigado. - Não fazem aquilo...? - Harry poderia ser extremamente lerdo ás vezes. - Sexo.

- Ah... - ele corou. - Não sei...

- Não sabe? - repetiu curiosa.

- Não me lembro. - revirou os olhos e se sentou na poltrona.

- Então isso quer dizer que faz tempo... - disse segurando o riso.

- Espero que ninguém avise o Malfoy desta vez. Da última ele ficou sabendo e não encontramos nada lá. - mudou de assunto e Hermione riu gostosamente.

- Você não vai fugir do assunto, Harry! - respondeu resoluta e ele balançou a cabeça, cansado.

- Nós andamos meio sem tempo... É isso. - disse encarando o teto.

- Nem mesmo você acredita nisto! - ele a encarou. - Peça férias.

- Eu não preciso de férias. - cruzou os braços, decidido.

- Você não quer férias! - exclamou e ouviram uma batida na porta.

- O jantar está na mesa. - disse Ginny receosa e então ouviram os passos do salto dela, afastando-se da porta.

- Você acha que ela ouviu? - perguntou Harry.

- Não... Definitivamente não. - balançou veemente a cabeça. - Vamos comer.

- Espere um pouco. - disse enterrando o rosto nas mãos. - Eu te disse que não queria passar em casa.

- Você disse que tinha que pegar alguns papéis aqui! - defendeu-se carrancuda.

- Eu poderia ter aparatado e desaparatado. - deu de ombros. – Ginny nem perceberia.

- Ela estava esperando você para o jantar, Harry! - levantou-se e foi até a prateleira examinar os livros.

- Você acha mesmo que ela estava me esperando? - disse sarcástico, levantando o rosto. Hermione encolheu os ombros e Harry se levantou, indicando com a cabeça a porta. - Vamos jantar.

Entraram na sala de jantar, Ginny ocupava seu lugar. Hermione sentou-se defronte a ruiva e Harry ocupou sua cadeira na ponta da mesa. A comida foi servida por um mordomo, já que Hermione desaprovava o uso de elfos-domésticos e Harry atendera seu pedido de não ter nenhum deles em casa.

Era interessante o fato de a opinião de Hermione ser a única a qual ele realmente se importava. O que fazia diariamente Ginny se reduzir a pó a presença da melhor amiga de seu marido.

Balançou a cabeça, espantando pensamentos indevidos. A ruiva relaxou os ombros, de fato era mais bonita e era ela que carregava uma aliança de Harry no dedo.

Comiam em silêncio onde o único som ouvido era o de talheres batendo de vez em quando. Hermione tomou um gole de cerveja amanteigada e pigarreou.

- Fiquei sabendo que você recebeu um convite para jogar no Holyhead Harpias. - comentou Hermione ingenuamente tentando quebrar o clima pesado, porém Harry engasgou tomando cerveja e Hermione deu tapinhas em suas costas.

Ginny parecia extremamente sem graça.

- É, recebi. - foi curta e se remexeu inquieta, abandonando os talheres. - Se vocês não se importam... - disse levantando da mesa, Harry agarrou seu pulso.

- Não seja indelicada, nós ainda estamos jantando! - sibilou e desprendeu-se dele, irritada, sua face corada.

- Aposto que Hermione não vai se importar. - disse lançando um olhar significativo à morena. Hermione encolheu os ombros. - Ótimo. Boa noite. - e saiu pisando firme, o salto ecoando pela sala.

Hermione não precisava perguntar o porquê da razão de Harry ter engasgado, conhecia-o tão bem, senão melhor que ele próprio. Era óbvio que Ginny ocultara de Harry aquela informação e o fato de Hermione estar por dentro do assunto o deixara mais perplexo do que se estivesse escutado por outra pessoa.

- Você consegue ouvir? - perguntou Harry sarcástico, olhando fixo para o ponto onde Ginny estivera antes.

- O que? - indagou confusa.

- Os olhos dela gritam me culpando por tê-la prendido aos pés do fogão. - deu de ombros.

- Porque você não me disse que a situação estava tão crítica? - perguntou encarando-o. Harry desviou os olhos, sentindo-se culpado.

- Situação crítica? Eu pensei que estávamos bem. Fazia tempo que não brigávamos. - Hermione sustentou o olhar. - Quero dizer, nós nem nos falávamos mais direito.

- Quando isso começou? - indagou. Harry pensou ter ouvido alguém fungando.

- Aqui não é o melhor lugar para conversarmos. - respondeu duro.

- Se você insiste... - disse descansando os talheres.

- Insisto. - encerrou a conversa, desanimado.


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He's your love

08:48 pm

Harry e Hermione aparataram na sala do apartamento dela. Harry largou-se no sofá e ela sentou-se ao seu lado, bocejando.

- Início do ano letivo de Hogwarts. – informou o moreno, visivelmente descontraído.

- O que aconteceu? – perguntou Hermione, lembrando-se vagamente.

- Começou na noite anterior...

- Flashback

- Eu tenho que sair e talvez não volte até amanhã. – disse Harry, ajeitando a pequena mala. - Hermione se ofereceu para levá-los.

- Você vai trocar os seus filhos por uma missão? – perguntou Ginny, impassível.

- Nós já conversamos sobre isso. É o meu trabalho, quando você me conheceu eu já era assim, não vou mudar. – retrucou.

- Você tinha que derrotar Voldemort. Ele foi derrotado e você continua me trocando, trocando seus filhos, por um monte de missões idiotas! – Harry tentou ignorar o insulto e cerrou os punhos, mantendo toda a raiva nas juntas brancas. – Hermione trabalha no MESMO departamento que você e nem por isso vai deixar de levar as crianças ao expresso!

- Eu já lhe expliquei! Hermione é o intelecto, MEU intelecto. Eu já lhe disse mil vezes que ela... – Harry foi interrompido pela voz esganiçada de Ginny.

- Ela diz o que, como e onde atacar. – repetiu maldosa. – Você nem mesmo é um berrador e eu escuto isto sempre!

- E você é tão teimosa que não é capaz de compreender comigo dizendo uma única vez! – retrucou irado. – Eu tenho que ficar repetindo e repetindo!

- Você deveria dar atenção a sua família! – acusou-o e Harry se virou, bufando.

- Você está insinuando que eu não dou atenção suficiente a vocês? – Ginny bateu a cabeça contra o vidro da janela e Harry ignorou o ato.

- Por que Hermione tem que levá-los? Eu POSSO levá-los! São MEUS filhos! - Harry deu de ombros. – Sempre Hermione!

- Faça como quiser. – deu as costas, saindo pela porta.

- Volte aqui! Eu estou falando com você! – exclamou correndo até a porta.

- Eu não estou falando com você. – disse simplesmente, olhando assustado para a face de James que o encarava. – Olá, James. – disse sem graça.

- Oi. – respondeu assustado e surpreso. – Você vai viajar?

- Sim, talvez eu chegue a tempo de levá-los a Hogwarts. – respondeu beijando a testa do filho, James o retribuiu com uma careta.

- Fim do flashback

- Você sabe o que acontece depois. – Hermione recordou-se do episódio. Harry chegou ao Expresso e Ginny havia se atrasado, no dia seguinte acontecera o episódio da separação de Ron e Hermione.

- Não foi lá algo tão grande assim... – tentou amenizar e Harry encarou-a, incrédulo.

- Oh, claro. Retirando o fato de que tivemos que ir por chave de portal. Só não foi pior porque Ginny não foi com um carro que voa, ou Albus teria repetido com maestria algo que eu e Ron fizemos no segundo ano, mas ao contrário de nós que aterrissamos no Salgueiro Lutador, Abus teria ido direto para o Salão Principal! – estampava um sorriso cínico. – Oh, sim. E vale reforçar o fato de que eles não estavam sendo impedidos por um elfo e, sim, porque a mãe deles não teve a responsabilidade de levá-los a tempo de pegar o trem. – debochou Harry, franzindo o cenho. - Mione...

- Tudo bem... – disse desvendando o olhar dele. – Você pode ficar por aqui hoje.

- Foi sempre assim... – disse num murmúrio, como se falasse consigo mesmo. Mas Hermione ouviu.

- O que, Harry? O que foi sempre assim? – perguntou curiosa.

- Esses ciúmes... Que a Ginny tem de você. – ele encerrou o assunto, porém Hermione não pode deixar de dar um leve, mas significante sorriso.

Harry largou os pergaminhos em cima da mesa e os dois puseram-se a estudá-los. Já era tarde e ele apoiou a mão no queixo por um momento, deixando-se observar Hermione. O cabelo preso, as sobrancelhas erguidas e a testa franzida lhe davam um ar de concentração que só ela possuía. Mordia o lábio inferior enquanto rabiscava sem parar um pergaminho.

Ele suspirou e Hermione ergueu o olhar, curiosa. Harry era-lhe único com aqueles óculos redondos, o cabelo indomável e a cicatriz que lhe trazia certo charme e descontração. Conhecia aquele sorriso tão bem que lágrimas invadiram seus olhos e velhas recordações dos anos em Hogwarts nunca pareceram tão vivas.

Harry levantou-se preocupado ao mesmo tempo em que ela levantava e abria os braços para ele. Ele sabia que estava com a mesma sensação que ela – a de nostalgia. Sentiu-se leve ao saber que ela ainda acompanhava seus pensamentos e podia desvendar seu olhar.

Era felicidade. Algo que não cabia no peito, que lhe apertava e faziam os pêlos de sua nuca arrepiarem-se. Um dia chegou a crer que demorou tempo demais para enxergar Ginny, porém percebeu, talvez tarde demais, que demorara muito mais tempo para enxergar Hermione.

Soltaram-se delicadamente e decidiram que estava na hora de irem se deitar. Harry ficou com o sofá e Hermione foi para o quarto, com culpa. Dois tipos de culpa diferentes que se encontravam em algum ponto daquele emaranhado de fios que era sua vida.

Culpa por afastar mais ainda Harry de Ginny, mesmo sabendo que ele a afastava por conta própria. Culpa por ter feito a escolha errada e ter se deixado levar por ilusões infantis, mesmo sabendo que ela era infantil. Culpa por ter que deixar Harry dormir no sofá e não poder oferecer um pedaço de sua cama, mesmo sabendo que aquilo seria perverso.


Nota da Thá: oown, obrigada as meninas gathas (Monique, butterflypotter, Bela Evans Potter e Brenda!) que deixaram review e super-desculpas pela demora xD capitulo novo e panz, espero que gostem. Beijos!