Data da publicação: 16 de Maio de 2010

Título da história: Nem um dia

Autora: Contadora

Disclamer: Não possuo Bleach. Quem o faz é Tite Kubo.

Agradecimentos: A todos os membros da Team Yoruichi que conversam comigo no Chat e que me encorajaram a escrever essa história. Espero que gostem.

Letras: Itálico - pensamentos.

Capítulo 1

Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você

Em poucos instantes os pés de Soi a levam para uma longa varanda cheia de portas da Segunda Divisão. Com mais um shunpo, a chinesa vai até uma das portas e a abre, deixando à mostra seus aposentos: uma mesa de escritório na parede oposta, um futton enrolado num canto, uma cozinha está mais a frente, ao lado deste, um banheiro com a porta entreaberta, uma mesa de chá no meio, um sofá azul escuro na parede da porta e um armário de roupas ao lado do futton. Uma janela em cima do sofá ilumina o recinto com o luar.

-Pelo visto não vai dar tempo de treinar... – diz para si.

Soi entra no recinto fechando a porta em seguida. Vai até a janela e abre um pouco. Ao terminar, vai até a cozinha e bebe um pouco de água. Quando coloca o copo na pia, seus olhos ficam pensativos.

-Será que é uma boa ideia? – sussurra.

-Hum... Depende se você quer mesmo fazer isso. – fala uma voz masculina.

Os sentidos de Soi ficam aguçados. Ela olha em volta e percebe um gato preto sentado na porta de entrada da cozinha. Seu rabo está balançando e seus olhos amarelos olham diretamente para os de Soi.

-Yo-Yoruichi-sama! – guincha antes de sua face ficar colorida de vermelho.

-Já te disse sobre o que eu acho sobre esse 'sama'.

A chinesa abaixa a cabeça.

-B-bem eu não p-

-Claro que pode. – responde Yoruichi indo na direção da mulher.

Seus olhos amarelos se focam na sua ex-pupila. Com um shunpou, a gata fica em cima da bancada e a poucos centímetros da cabeça de Soi. Esta por sua vez simplesmente fica quieta enquanto permanece com a cabeça abaixada.

Hum..., pensa a ex-capitã com uma risada interna, Ela ainda fica envergonhada.

Soi lentamente levanta o olhar do chão, mas os olhos de Yoruichi ainda a observa. Novamente a chinesa produz um rubor na face.

-Kah! – solta um risada a gata ao notar o rubor mesmo só com o luar.

-O que devo a honra da visita Yoruichi-sama? – repete a pergunta envergonhada.

-Aff... Não muda mesmo. – diz se ajeitando na bancada. – Por onde começo...

Nisso Soi fica mais corajosa e levanta o olhar.

-Kisuke...

A capitã treme de desgosto ao ouvir o nome do homem.

-... Está muito ocupado com uns inventos novos e Tessai está arrumando a loja. Pensei em visitar a minha abelhinha no Soul Society. – pausa. – Daí eu vi sua janela aberta e entrei.

Soi está muda, absorvendo as informações.

'Quer dizer que ela só veio me visitar porque aquele homem esta ocupado... ', pensa Soifon.

Yoruichi percebe uma ponta de tristeza nos olhos de Soi e tenta mudar de assunto.

-Bom Soi, você deve investir em iluminação. Essa casa está muito escura. – diz o felino preto ao observar mais atentamente os aposentos de Soi. Esta por sua vez segue os movimentos da mulher mais velha.

-Eu estou aqui só de passagem.

-Ah... Vai onde? – pergunta a gata mantendo o seu caminho para a sala.

Soi fica pensativa.

-Vou visitar os meus pais Yoruichi-sama.

A gata pula no sofá de Soi e de lá olha para a chinesa.

-Então não há porque que eu fique aqui. – diz ficando sentada.

Soi vai até a sala. Seus passos fazem sons ocos pelo piso de madeira, indo até o sofá. Ao ficar perto deste, para de andar.

Claro que há! – fala rapidamente.

Yoruichi levanta uma sobrancelha. A mulher de tranças percebe o que fez e fica novamente envergonhada. Uma risada sai da boca do felino.

- Soi se você está de saída não tem porque eu ficar aqui. – diz categoricamente.

Soi reflete por um momento enquanto ela mexe com os dedos das mãos.

-Eu não demorar Yoruichi-sama. – fala timidamente. – Além disso, eu ainda tenho alguns minutos.

A gata olha para a chinesa e sorri.

-Certo. – diz ajeitando seu corpo no sofá. - Então, como vai?

-Vou bem...

-Soi.

-Ãh?

-Você pode iluminar a sala?

Soi olha sem entender.

-Como?

-Você não vai sair agora. Então, por favor acenda a luz.

Soi então levanta e vai até um canto da sala e acende as luzes. Quando ela vira, uma muito nua Yoruichi surge.

-Y-Y-YORUICHI! – grita assustada enquanto um pouco de sangue sai de seu nariz. Ela leva uma mão para tentar estancar o mesmo. Um tom de vermelho toma conta do rosto da chinesa.

-HÁ! – ri Yoruichi. – Agora ISSO sim é engraçado. – e dá um sorriso brincalhão.

Soi lança um olhar de poucos amigos para ela e depois ela se vira de costas.

-Ora, Soi. Não vai me dizer que a sua reação não foi engraçado. – cruza os braços.

-Vista uma roupa! – exaspera quando suas tentativas de estancar o sangue se transformam em ações vãs.

-Ai, como você é chata.

-Vista suas roupas. Elas estão no meu armário. – e aponta para o objeto.

Por causa do aumento das visitas de Yoruichi, Soifon acostumou-se a guardar no seu armário uma muda extra de roupas da mulher.

Feito o movimento de Soi, Yoruichi segue com passos curtos até o armário e de lá começa a se vestir.

-Só você mesmo. – e coloca a sua blusa laranja.

Soi continua imóvel e virada de costas para a mulher mais velha.

-Tsc tsc... Perdeu sua chance de me ver nua... – brinca.

A mente de Soi imagina a cena dita por Yoruichi e fica ainda mais corada. Outra rodada de sangue sai do seu nariz.

-Acabou? – pergunta a chinesa.

-Espera. Quase. – pausa. – Mas me diz, por que você vai visitar seus pais?

-Saudades.

-Mas você sempre me disse que seus pais não eram muito amigáveis com você. – diz.

-Isso foi há muito tempo.

-Agora você está certa. Muito tempo... – pausa.

Soi fica pensativa. 'Faz muito tempo mesmo Yoruichi-sama.', pensa.

-Pronto. Pode virar.

Ao ouvir isso, a mulher de tranças de vira e vê a outra sentada no seu sofá vestindo suas roupas típicas e com os cabelos soltos. Os olhos dourados da segunda olham para o cinzento da primeira.

-Vai ficar parada ai quieta? – brinca.

Soi fica desconcertada.

-N-não! Bom... – pausa. – Como vai você Yoruichi-sama?

-Vou bem obrigada. – e mexe nobremente seus cabelos, prendendo-os num rabo-de-cavalo. – Falando em coisa boa, você tem um belo sofá aqui, hein Abelha. – e aperta a espuma do objeto.

-...

-Vai fazer o quê depois que for visitar seus pais?

Soi chega mais próximo do sofá e senta.

-Bom... – pausa. – Depois eu pretendo voltar pra cá e descansar.

-Ah sim. Pois então é isso que você estava pensando se seria uma boa idéia? Visitá-los? – indaga.

-Sim, claro!

Nisso Soi olha para o relógio que está em cima da mesa.

-Já são Nove horas! – espantada.

Yoruichi olha para o relógio também.

-É o que parece abelhinha.

-Yoruichi-sama, agora tenho que ir. – e se levanta.

-Claro. – e se levanta pronta para ir embora também.

-A senhora pode esperar aqui mesmo Yoruichi-sama. – e faz uma reverência. - Continuaremos a nossa conversa depois que eu voltar.

-Vou esperar você voltar Soi. Mas vê se para com essa formalidade. Isso me dá nos nervos.

-Certo, Yoruichi-sama. – faz uma pequena reverência e vai até a porta, abrindo-a. Com um shunpou desaparece dali.

- Tsc tsc... Nunca aprende... – e vai até a porta aberta pela Comandante. Seus olhos se fixam no breu da noite, na direção tomada por Soi. Ela percebe que o caminho tomado foi o oposto da casa dos Fon.

-Essa não é a direção... – diz intrigada. Yoruichi se vira para a casa da Soi.

-Sigo ou não sigo? – indaga-se. – Hum.... – Cruza os braços.

Ela olha para a porta aberta, vai até a maçaneta e empurra a porta para si, fechando. Depois olha por onde Soi foi e fecha os olhos, sentindo a Reiatsu da mesma.

-Sigo. – e some pela escuridão da noite, seguindo Soi com um Shunpou. – Por que mentes?