Desculpem o período de ausência pessoas. Tive problemas com meu notebook antigo e minhas aulas começaram. Dai ja viu né... correria começou gnt, mas vamo q vamo!

Alecto Berkley: Yeah baby! Afrodite é delicinha nessa fic e Shion também! Mas o Shion só vai aparecer beeeem mais la na frente. Enquanto isso, aproveite todos eles... auhauhauhauhauaa marminiiiiiiina get ready to freak out!

Margarida: quero te causar mais comichões Sheiloca! Quero te dar motivos não só pra voltar a ler, mas pra voltar a escrever tb! Agora virou desafio! auhuahauhauhaua


Capítulo II

Cara, mas que ressaca dos infernos era aquela? Puta merda!

Há quanto tempo esse tipo de coisa não acontecia? Já nem lembrava mais. E pra ser bem sincero, estava surpreso consigo. Ah sim, quando se tratava de bebida, ele era um verdadeiro ás! Mas o que diabos tinha acontecido com ele na noite passada?

Talvez aquela tentativa de impressionar a bartender não tivesse dado muito certo. E a mistura que ele tinha feito estava lhe martelando a cabeça pra provar aquela teoria. Mas o que tinha acontecido mesmo?

Lembrava-se de ter saído de casa, montado na Ducati SuperSport vermelha e de ter saído pelas ruas da cidade. Precisava conversar com Afrodite sobre algumas áreas que ele e seus garotos iriam proteger. Sabia que o loiro estaria junto ao seu irmão numa reunião com Saga, então antes de encontrar com ele na Pandemonium, foi até aquela escola abandonada onde viviam seus garotos e onde era seu "centro de treinamento". Afinal de contas, não custava nada ver como estavam as coisas por lá.

Eles eram como Aquiles e seus mirmidões. Oito vampiros truculentos que viviam para o que faziam. Brigar e matar. Obedeciam somente à Aiolia. E ainda que o mesmo não morasse com eles, se deixasse uma ordem, ela era seguida rigidamente.

Saiu de lá quando recebeu uma mensagem de Afrodite lhe avisando que já podia falar com ele. Ficaram reunidos por mais ou menos uns quarenta minutos. Uma puta reunião chata. Blá-blá-blá inimigos, blá-blá-blá lobos, blá-blá-blá Conselho, blá-blá-blá disputas de poder, blá-blá-blá Saga, blá-blá-blá o caçador... Aquele papo lhe deu no saco. Mas ele não iria ficar ali. Aquele ambiente não tinha nada a ver com ele. Aquela batida eletrônica era lixo musical. Apenas mais um tipo de barulho irritante. E aquela coisa de veludo, filigranas e camafeus na decoração... Caralho, que coisa mais ridícula! Preferia o bom e velho alvo de dardos, a mesa de bilhar, a televisão passando qualquer jogo de qualquer esporte e o bom e velho som de uma guitarra clássica de fundo. Ah sim! Aquele bar de motoqueiros de sempre! Chegaria, cumprimentaria os amigos no estacionamento, entraria, cumprimentaria os amigos de dentro do bar, pediria uma cerveja bem gelada, jogaria um pouco de bilhar e de quebra, conseguiria uma boa transa. Estava louco por aquilo! Foi quando a viu.

Seus instintos logo se inflamaram e ele decidiu que o bar de motoqueiros que se lascasse. Iria ficar por ali a noite inteira. Os cabelos negros, lisos e longos, a pele branca, os olhos azuis escuros. Cara, ela era linda!

Aproximou-se do bar e percebeu que todos os lugares a frente do balcão estavam ocupados enquanto ela servia drinks e garrafas de cerveja. Alguém ia ter de sair dali. Se não fosse por boa vontade, seria por boa força de vontade dele! Aproximou-se mais e deu uma bela encarada num mauricinho que estava por ali. O idiota fingiu que não era com ele, mas logo percebeu que as coisas não ficariam boas se ele não caísse fora imediatamente. Aiolia então aproveitou o momento e sentou-se antes que outro imbecil o fizesse. Precisava conhecer aquela bartender. Na verdade, ela não lhe era estranha, mas não conseguia lembrar de onde a conhecia.

- Oi.

- Olá. O que vai querer?

"Você" – respondeu em pensamento - O que você me sugere?

- Hum... Acho que está no lugar errado, não?

- Como?

- Tá na cara que seu estilo não é o daqui.

- Uau. Você percebeu isso tão rápido!

- Eu vi quando entrou pra falar com Afrodite. Não só essa noite, mas outras também.

Então ela já o tinha visto ali e aquela era a primeira vez que a via? Onde diabos estava com a cabeça pra não tê-la visto antes?

- Você entra, conversa qualquer coisa com ele e sai quase imediatamente fazendo uma careta de desgosto pelo ambiente.

- Você é bem perceptiva e detalhista pelo jeito, não?

- Apenas uma boa observadora. Mas tudo bem. Não o culpo por isso. Às vezes nem eu aguento esse barulho todo. Então tudo bem se estiver no lugar errado e estiver esperando algo dele lá dentro. Às vezes ele faz isso mesmo.

- Você parece conhecê-lo bem.

- Ah sim... Muitos anos.

Aiolia sabia que apesar de estranho, Afrodite curtia mulheres e se perguntou se aquela bartender seria sua companheira ou algum caso. Afinal de contas o cara era discreto.

- Ele é um velho amigo da minha família.

Estranho. Bem estranho. Ele bem sabia que tipo de amigos Afrodite tinha. Aquela vampira não parecia nada ser desse tipo de "amigos". Mas as aparências enganavam bastante, não é mesmo? Era prova viva. Quantos já haviam se enganado com ele? Já havia perdido a conta.

- E então? – ele perguntou

- O que?

- O que me sugere?

- Vai mesmo ficar aqui, motoqueiro?

- Como sabe...?

- Já disse, sou bem observadora. Além do mais, sei bem quem você, Aiolia. Meu irmão já me preveniu.

- Seu irmão? Preveniu você sobre o que?

Então havia um filho da puta por ai espalhando coisas sobre ele? Ia adorar por as mãos nesse pescoço e esmagá-lo bem devagar!

- Você até pode estar querendo bebidas, mas eu sei qual o outro motivo que o fez parar aqui. Sinto muito, mas não vai conseguir nada comigo.

- Não custa nada tentar.

- Tente o quanto quiser. Não vai dar certo.

- Por que? Você tem um companheiro?

- Acho que isso não lhe diz respeito. Aqui. Uma cerveja pra você. Espero que seja do seu gosto.

- Hum... Arisca. Eu gosto disso, sabia? Gosto de desafios.

- Que bom pra você. Só não me irrite.

- Ou seu irmão vai me bater?

Saraya apenas o olhou sarcasticamente.

- Sabe moça, vou lhe dizer algo. Talvez você não acredite nisso, mas eu sim. Você e eu, vamos ficar juntos.

- Sonhar não custa nada, não é mesmo?

E assim ele havia passado a noite inteira tentando impressioná-la e saber mais dela. E assim ele tinha acabado com aquela ressaca miserável! E ainda tinha uma reunião do Conselho pra ir. Que maravilha! A cabeça estourando e ele estaria preso por umas boas horas dentro de uma sala falando sobre coisas que pouco lhe interessavam naquele momento. Era o jeito.

Aos trancos e barrancos se levantou da cama com o mundo girando ao seu redor. Foi até o banheiro, jogou uma água no rosto, vestiu qualquer coisa e saiu, caso contrário chegaria atrasado.

xXxXxXxXxXxXxXx

-Boa noite, Betsy.

- Oh senhora! Boa noite. Seja bem vinda. Por favor, fique à vontade. – disse a governanta ao abrir a porta para Amani.

- Obrigada meu bem. Já chegou mais alguém ou eu fui a primeira?

- O senhor Afrodite, o senhor Camus e o senhor Milo. O senhor Saga deve descer a qualquer momento. Ele passou o dia fechado em seu escritório hoje.

- Que bom pra ele. E você Betsy, como está? Espero que tenha gostado das coisas que lhe mandei a semana passada.

- Ah sim, senhora! Gostei muito! Eu e minha filha vamos aproveitar tudo. Não sei como agradecer!

- Não precisa agradecer Betsy, de verdade. Se eu pudesse tinha levado você pra trabalhar comigo na minha casa, mas você tinha mesmo que ser tão fiel ao Shion?

- Betsyyyy!

Neste mesmo momento a governanta recebeu um abraço de urso daqueles! Amani assistiu a cena com um sorriso divertido nos lábios.

- Oh, Aiolia! – o único a quem ela não chamava de "senhor" – Já lhe pedi que não fizesse isso!

- Você sabe que eu não resisto. – deu-lhe um beijo estalado na bochecha – Ei, Amani está tentando roubar você da gente de novo?

- Mão, eu já desisti. Ela pertence a este lugar.

- Que bom que você percebeu. Ei, Bets, pode me trazer algo para mal estar e uma aspirina? Minha cabeça tá me matando.

- Claro, volto num instante.

- Noite difícil?

- Mais ou menos.

- Acho que posso imaginar.

- Não, não pode. Fiz algo ontem que mesmo eu ainda não consigo entender.

- Sempre há uma primeira vez pra tudo.

- Isso é verdade. Você chegou há muito tempo?

- Não. Pouco antes de você. Estamos nós dois, Afrodite, Camus e Milo.

- Nossa, que mágico! Hey, vou atrás da Bets, depois falamos.

- Como queira.

Amani observou Aiolia se afastar. Um belo garoto com sua pele morena, seus cabelos castanhos claros, seu olhos verdes e sua montanha de músculos. Isso fazia dele também um belo predador. Já o tinha visto em ação e sabia que ele era um excelente exemplar da raça no que dizia respeito a ser um guerreiro. Ele lhe lembrava Tarik algumas vezes. Virou-se para p espelho que havia atrás de si e olhou para seu reflexo. Ali estava ela. O mesmo cabelo escuro, longo e ondulado de sempre. Os mesmos olhos cor de mel, a mesma pele morena, o mesmo corpo curvilíneo, porém agora um pouco mais trabalhado. Mas havia tanta coisa diferente. Suas roupas não eram mais as mesmas. Agora vestia seda e chiffon, salto alto, joias caras, andava de carro importado, tinha muito mais dinheiro do que havia imaginado um dia em sua vida. Pois é, até seus pensamentos haviam mudado. Às vezes ela quase não se reconhecia. Mas era obrigada a concordar com Farraj: suas vidas e seus costumes precisavam mudar para que eles pudessem seguir ali. Difícil, mas não impossível.

Aproveitando o momento, arrumou os cabelos e o vestido preto de gola alta e sem mangas que usava. Era bem justo e lhe marcava perfeitamente o corpo, porém, sempre que caminhava, o mesmo tendia a subir. Céus, como se sentia vazia diante de tudo aquilo! Melhor sair dali.

Caminhou até a sala de reuniões, que ficava aos fundos daquele enorme salão principal aberto. Ao entrar, encontrou Afrodite, Camus e Milo conversando.

- Ora, vejam quem chegou! Nossa notável empresária. – disse Afrodite.

- Boa noite a todos. – ela disse dirigindo-se à cadeira destinada a ela na mesa do Conselho. Camus não lhe respondeu – ah, sim. Ele a odiava também – e Milo cumprimentou-lhe como um aceno de mão, um belo sorriso e uma piscada de olho.

- Soube que agora está investindo no meu ramo de negócios, é verdade? – perguntou Afrodite sentando-se mais a vontade e colocando os pés na mesa.

- Sim e não.

- O que quer dizer com isso?

- Que a minha proposta é bem diferente da sua. Não precisa ter medo. Não vou invadir seus negócios.

- Ah, não me preocupo. Mas fiquei interessado.

- Espere e verá.

- Mas que mulher misteriosa! – comentou Milo.

- Mas não pra pro seu bico. Aliás, acho que não é pro bico de nenhum de nós.

- Obrigada pelo elogio Afrodite. – ainda que ela soubesse que aquilo não era verdadeiramente um elogio vindo dele. Era apenas uma maneira de desmoralizá-la sem ofendê-la abertamente. Afrodite também não era seu maior fã, mas ele podia ser bem educado se lhe conviesse.

- Por Deus, será que Saga ainda vai demorar a descer? – perguntou um entediado Camus.

- Ora, ora, parece que estamos incomodando alguém... – disse Milo.

- Sabemos bem como tudo isso vai acabar. Ela vai falar alguma besteira como sempre, irritar Saga e não discutiremos nem a metade do que importa de verdade.

- Senhores, parece que temos um vidente na sala! – Amani disse e recebeu um olhar que se pudesse lhe fuzilar, tinha feito.

- Diga-me Camus, pode prever os números da loteria?

- Muito engraçado, Afrodite. – respondeu o outro.

- O que é engraçado? – perguntou Aiolia quando entrou na sala.

- O Camus com a cara azeda, fazendo previsões sobre a noite de hoje – respondeu Afrodite.

- Ei caras, - Aiolia falou usando um tom sério que nunca usava, junto a uma expressão fechada – não façam isso. Sério. Você deviam se envergonhar de estar zoando o Camus! Por que não o deixam em paz?

- Obrigado Aiolia.

- De nada amigo. É que eles não percebem o quão feio é ficar zombando do defeito dos outros! Você não tem culpa de ter essa cara feia e amarrada o tempo todo.

A sala toda explodiu em risos. Camus lançou o mesmo olhar que havia lançado a Amani antes.

-Ora, ora, então estão todos se divertindo esta noite. – Saga entrou e num piscar de olhos toda a diversão se foi e deu lugar à tensão e polidez. Exceto por ela.

- É. Estávamos até você chegar e acabar com toda a graça do momento. – Amani respondeu, sentando-se em sua cadeira e cruzando as pernas.

- E lá vamos nós... – Camus comentou baixinho.

- Eu não vou me aborrecer com você hoje, mulher. Meu humor não está dos melhores.

- Ah sim, querido, sabemos disso. Acho que você e Camus têm compartilhado do mesmo limão azedo – o comentário fez como que Aiolia e Milo dessem uma ele risada.

- Se não vai falar nada que seja importante, melhor ficar calada Amani.

Como que sabendo que os ânimos poderiam se inflamar, Afrodite resolveu acabar com aquela história.

- Onde está Aiolos?

- Não sei. O irmão dele é outro. E não estou nem ai se ele está atrasado ou não. Isso é problema dele, não meu.

- Por que quando Aiolos atrasa você não liga e se eu atraso um minuto que seja, você me dá um sermão?

- Ah, pelo amor de Deus, mulher! Você viram do que eu estava falando antes, quando vocês estavam fazendo chacota?

- Calma meu bem. Não precisa ficar tão nervosinho.

- Chega de palhaçada e vamos começar isso de uma vez por todas. Antes de qualquer coisa, Afrodite, alguma outra noticia do Conselho Aristocrático?

- Não. Nenhuma.

- Continue monitorando.

- Vou continuar.

- Enfim. Noite passada eu me reuni com Aiolos e Afrodite e eles não me trouxeram noticias muito boas. E quando não há noticias muito boas, vocês sabem que precisamos de medidas imediatas. É bem provável que a aristocracia esteja armando algo pois tem se reunido muito frequentemente, e eu não gosto disso. Estão todos empolgados com este maldito caçador misterioso. E este miserável está sendo uma pedra no meu sapato! Então vamos lá, o que diabos vocês também estão fazendo pra resolver este problema? Aiolia, vou lhe fazer a mesma pergunta que fiz ao seu irmão ontem a noite: onde estão seus garotos, que até agora mão conseguiram fazer nada? Afrodite, aproveite e me responda você também. Onde estão seus guardiões? Temos duas linhas de luta que trabalham exclusivamente para a defesa e vigilância da raça e nenhum das duas resulta em nada! Qual dos dois me responderá primeiro?

- Estou certo de que Aiolia lhe disse que não temos tantos guardiões vivos para cobrir tantas áreas da cidade.

- E por que não forma novos guardiões?

- Porque leva anos de treinamento para isso. Do jeito que estamos hoje, você acha mesmo que alguém vai querer se submeter a um treinamento tão longo e árduo? Além do mais, ontem mesmo, após sair daqui, me reuni com Aiolia para redividirmos as rondas de vigilância.

- É, e ele como sempre ficou com as áreas que mais convém. Ouça Saga, é o seguinte, eu e meu grupo já temos bastante trabalho estando próximo do território dos lobos. Também temos bastante trabalho com os caçadores Degenerados que aparecem. Estamos praticamente sendo babás de todos vocês, quando na verdade, somos guerreiros de linha de frente de combate. Mas até ai, tudo bem por há séculos não temos combates como antigamente. Mas estamos todos sobrecarregados! Vocês acham que é fácil lidar com aqueles cachorros fedorentos o tempo todo? Eles sempre estão querendo burlar as regras! Enquanto isso, as meninas de Afrodite desfilam pelas áreas nobres da cidade.

- Meus guardiões não são meninas! E nem desfilam por canto nenhum!

- Então você está admitindo que eles não fazem nada realmente?

- Meus guardiões são bem mais competentes, organizados e melhores que as suas máquinas de guerra!

- CHEGA! Nenhum dos dois está sendo competente de verdade nesse momento! Esse maldito covarde que não mostra a cara está sendo muito melhor que vocês! E está me tirando a paciência!

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Enquanto os três discutiam sobre o Conselho Aristocrático, guardiões, vigilância e tudo mais, Amani apenas os observava. Sempre do mesmo jeito. Sempre a mesma discussão. Sempre um jogando a batata quente para o outro, Céus, será que eles não percebiam quanto tempo estavam perdendo? Estava apenas aguardando o momento certo de dizer algo. E ali estava ele.

- CHEGA! Nenhum dos dois está sendo competente de verdade nesse momento! Esse maldito covarde que não mostra a cara está sendo muito melhor que vocês! E está me tirando a paciência!

- E quanto a você Saga? – ela começou – O que você está fazendo para resolver este problema?

- Não se atreva, Amani.

- Ah, me atrevo sim. Esse tempo todo eu o vi cobrando de Aiolia e Afrodite que eles fizessem algo, mas e você? O que está fazendo? Sim, por que se os aristocratas estão se amotinando a culpa não é só dos dois, mas sua também. O que pretende fazer para contornar isso, estando você no comando? É muito fácil cobrar dos outros, não é?

- Esse assunto não lhe diz respeito. Melhor ficar na sua.

- Não vou ficar na minha porque esse assunto me diz respeito sim, pois como civil, eu posso ser afetada pela sua falta de compromisso conosco! Mas volto a você depois. Meu assunto agora é com eles dois. Quanto tempo mais vocês vão perder com essa discussão idiota? Afrodite, seus guardiões não são melhores que os guerreiros de Aiolia e nem seus guerreiros são melhores que os guardiões de Afrodite. São dois grupos bem diferentes, que fazem coisas diferentes! Pelo amor de Deus! E ao invés de discutirem isso, porque não unem os grupos e procuram aprender uns com os outros? E ao invés de duas linhas de luta competindo uma com a outra, teriam somente uma, mais forte e mais inteligente, já que os inimigos não se posicionam mais como as linhas de batalha de antigamente.

- Ah, por favor, mulher! Não diga besteiras! O que você acha que entende de estratégias de luta ou de guerra pra querer opinar sobre isso? – disse Camus olhando pra ela totalmente irritado.

- Muito mais do que você imagina. – olhar frio que ela lhe lançou chegou a lhe assustar.

- Como eu disse antes, Amani, é melhor você ficar na sua. Você não tem a menor ideia do que significa o termo "sangrar pela raça", tampouco carrega cicatrizes que possam provar isso. Não sabe empunhar uma arma ou dar um soco. Suas opiniões sobre este assunto são a mesma coisa que nada. Então elas não valem. Não servem. Então não nos faça perder tempo. Chega de passar vergonha, não acha?

- O único que passa vergonha aqui é você Saga. E pelo mesmo motivo que me acusa. Não abra a boca pra falar do que você não sabe. E você não sabe nada sobre a minha vida. É verdade que não carrego cicatrizes como vocÊs, mas sim, eu sei atirar e sei lutar. Meu irmão fez questão de me ensinar e sempre treinamos alguma coisa. Não, eu não tenho nem a metade da experiência de todos vocês juntos, mas você não deveria me menosprezar dessa maneira. Posso surpreendê-lo de uma maneira que você nem imagina e você não iria gostar nem um pouco disso. E antes de falar sobre o que eu sei ou não fazer, você deveria aprender a ser um bom regente. Tudo que acontece é culpa sua. Antes de jogar a culpa em um dos dois aqui, lembre-se disso. Um bom líder reconhece seu erro. E antes de corrigir os outros, ele corrige a si mesmo. Baixa um pouco a sua bola, meu bem. – Saga estava bufando de raiva e ia rebater cada palavra quando a viu se levantar e recolher a bolsa – Senhores, boa noite.

- Aonde diabos você pensa que vai?

- Embora. Você mesmo disse que minhas opiniões são o mesmo que nada, então não valem e nem servem. E já que você não quer perder tempo, eu também não quero. Então como meu "ponto" já está "marcado", hora de ir embora. Então, se me der licença, boa noite. – e ela saiu desfilando e arrumando os cabelos e o vestido.

- Volte aqui! Amani! – mas ela já tinha atravessado e fechado a porta – Cigana dos infernos!

- Eu avisei que ela faria isso. Você devia proibi-la de abrir a boca, já que não pode expulsá-la do Conselho – disse Camus

- Ela me irrita!

- Mas sabe – Aiolia começou – Eu concordo com o que ela disse.

- O que? Você está louco? – Camus perguntou.

- Definitivamente você ficou louco, Aiolia. – foi a vez de Afrodite dizer algo.

- Não. Não fiquei. E quer saber, se eu concordo com ela, isso significa que minha opinião também não vale nada, não é? Então to dando o fora!

xXxXxXxXxXxXxXx

Amani havia saído da sala de reuniões, mas ainda não havia ido embora.

Sentou-se aborrecida em um dos sofás da antessala de saco cheio daquilo tudo. Tudo que queria era ter ficado em casa, mas por ela e por Farraj, tinha de fazer aquilo. Aquela era uma promessa antiga que havia feito a Shion em troca dela e do irmão poderem ficar na cidade.

Antes de Shion ter passado o controle da cidade `Saga, o atual príncipe, e ter sumido por aí, as reuniões de Conselho eram tão mais fáceis. Ele podia até aborrecer-se com ela algumas vezes, mas jamais a desmoralizou perante os outros e nem permitia que alguém o fizesse. Política e gentileza andavam de mãos dadas com ele.

Saga no entanto, era o oposto de tudo. Ainda que com o passar do tempo alguns membros tivessem mudado suas atitudes para com ela, aquele ali parece que não mudaria nunca, mesmo que houvesse a coisa do sexo entre eles. Sim, porque no fim das contas, sexo era apena sexo.

Merda.

Precisava ir embora dali.

Estava prestes a levantar quando Aiolia apareceu ali.

- Hey, você ainda está aqui? Achei que já estivesse longe.

- Na verdade, eu já estava de saída. Mas e você? O que está fazendo aqui fora?

- Ahm... eu também saí da reunião.

-Sério? Por que?

- Porque eu concordei com tudo que você disse.

- Que ótima desculpa para sair e dar um jeito na sua ressaca.

- Não usei isso como desculpa. Eu realmente concordo com você.

- O que? – sua expressão foi de extrema surpresa e logo depois de descrença – Ah, claro. Muito engraçado Aiolia.

- Não, eu falo sério. Eu realmente concordo com o que você disse.

- Isso... Ahn... eu... não sei nem o que dizer. Obrigada. Eu acho. – ela respondeu, mas ainda sem acreditar muito. Então Aiolia sentou-se no sofá também de frente para ela.

- Acho que deve ser estranho para você ouvir isso, não é? Está acostumada a ninguém te dar ouvidos no Conselho. Eu fui um que fez muito isso, mas sabe, ultimamente suas opiniões tem me feito refletir e ver que você tem razão.

- Isso me deixa surpresa de verdade.

- Estamos perdendo muito tempo com essas coisas pequenas.

- Exatamente como eu disse. Há também outros fatores, mas esse é o principal.

- Onde você aprendeu a ter esse tipo de visão?

- Meu irmão. Ele já foi um guerreiro como vocês. Infelizmente hoje ele não pode mais lutar porque sofreu um dano permanente no braço da espada, então não tem mais tanta força e agilidade como antes. Mas tem uma excelente mira e me ensina o que pode. Posso não ter cicatrizes de guerra, mas, como disse lá dentro, não sou uma total inútil e posso muito bem surpreender vocês.

- Da maneira que você pensa, eu não duvido nenhum pouco que isso possa acontecer.

Amani sorriu com aquela afirmação. Parecia ser sincera. Talvez pudesse dar um pouco mais de abertura a ele, pelo menos para ver até onde aquilo poderia chegar já que era ainda algo muito suspeito.

- Ei, eu te devo desculpas. Pelo menos de minha parte.

- Tudo bem. Desculpas aceitas.

- Admiro sua coragem de enfrentar Saga daquele jeito. A cara que ele faz é ótima. Me diverte durante horas.

- Você é bem corajoso para algumas outras coisas Aiolia, porque não o enfrenta também? Eu sei que existem coisas que não lhe agradam, muito antes de você concordar comigo em algo.

- É. Realmente existem coisas que me deixam puto. Como o fato de ele a maioria das vezes culpa a mim e a minha equipe pelas merdas que acontecem. Não somos os únicos nessa merda de cidade que não fazem as coisas direito. E na verdade, não é que não façamos direito. Apenas estamos sobrecarregados.

- Você e seus rapazes têm muito trabalho no território de vocês, eu sei.

- Sabe? Como? Ah, claro. Esqueci. Eu não sou muito bem relacionado por ai, então logicamente que as pessoas falam de mim. Não tenho uma fama muito boa.

- Entendo você sobre ser uma pária social.

- Eu acho que não. Sem ofensas.

- Ah, não ofende, mas devo dizer que está achando errado.

- Não posso acreditar.

- Apesar de todo dinheiro na minha conta bancárias, eu sou apenas uma civil, mas os aristocratas confundem esse fato com ter uma linhagem importante. Então sei de muitas coisas sobre muita gente, já que eles não tem freio na língua. Então de alguma maneira ele descobrem que sou e BUM, eu viro uma pária social. Ao menos, eles continuam engordando minhas contas bancárias já que continuam frequentando meus estabelecimentos. Não sabem que são meus.

Ambos riram daquela afirmação final.

- É duro lidar com tudo isso algumas vezes, mas sabe, eu não ligo muito. Não mais. No fim das contas, sempre vou ser culpado de toda essa merda.

- Mas isso não é justo. Por esse motivo eu digo a você que enfrente o Saga.

- Não posso fazer isso. Eu e meu irmão devemos muito a ele. Mas você pode, então por favor, - Aiolia uniu as mãos na frente do corpo rogando a Amani – Continue! Você não faz ideia do quanto me diverte!

O riso maior agora foi dela. Um riso de divertimento, longo, límpido. Bem na hora em que Saga abriu a porta da sala de reuniões.

- O que você dois fazem aqui? – perguntou irritado.

- Merda. – disseram os dois em uníssono.

- Saíram da reunião para ficar batendo papo aqui fora? Eu não posso acreditar nisso!

- É melhor eu ir embora. – disse Aiolia levantando-se do sofá – Tenho ronda daqui a pouco.

- É, eu também vou. Boa sorte em fazer a ronda tomado pela ressaca.

- Obrigado.

- Amani. Na minha sala. Agora! E não finja que não me ouviu – Saga exigiu e retornou ao interior da sala.

- Oh, oh. Parece que estou encrencada.

- Boa sorte com isso.

- Obrigada. Parece que vou precisar mesmo.

- Ei. Foi bom conversar com você. Espero que possamos fazer isso outras vezes.

- Ahn... Claro. A qualquer momento.

- Eu gosto da maneira que você pensa.

- Obrigada. De novo.

xXxXxXxXxXxXxXx

Estava furioso e andava de um lado para o outro na sala, como um leão preso na jaula. Aquela porcaria de reunião já não tinha sido fácil e agora, aquilo. Abrir a porta e encontrar Amani e Aiolia, os dois desertores daquela noite conversando alegremente do lado de fora. E ela rindo. Um sorriso largo e aberto, de maneira que ele conseguia ver suas presas mesmo de longe. Cigana maldita. Se ela achava que ia bagunçar as coisas daquele jeito, estava completamente enganada e provaria aquilo a ela!

- Sabe, se não tomar cuidado pode abrir um buraco no chão dessa maneira.

Ah sim. Quando ele se virou, ali estava ela. Recostada na porta, os braços cruzados na frente do corpo. Os cabelos ondulados estavam soltos e formavam uma moldura em seu rosto. Os olhos cor de mel estavam com aquela expressão de uma felina caçadora. Brilhantes. Merda.

- Será que você pode me dizer de uma vez por todas qual o seu problema?

- Eu não tenho problema nenhum, querido. Pelo contrário. Você que parece ter problemas comigo. Logo, é você que tem que me dizer alguma coisa. – ela respondeu desencostando da porta, atravessando o salão num desfile quase hipnótico para ele, passando pelo seu lado e parando na cabeceira oposta da mesa. – E então? O que você quer comigo?

- Por que você faz essas coisas? Por que tem de ser tão irritante? Por que não pode apenas ficar calada e nos poupar de tanta bobagem?

- Porque eu faço parte do Conselho e esse é meu dever. Você não pode me proibir disso. Não pode me proibir de falar. Então é melhor não perder seu tempo com isso. Alguma outra argumentação? – como ele não lhe respondeu, ela continuou, vendo-o retirar o terno e afrouxar a gravata – Ótimo. Por que eu preciso falar com você.

- Você precisa falar comigo? Você? É sério isso?

- Sim. É sério.

- Vai reclamar do que agora?

- Não vou reclamar.

- O que é, então?

- Ahn... Isso, entre você e eu – ela fez o gesto indicando a ambos com a mão – precisa acabar.

- O que seria "isso"? – Saga repetiu o mesmo gesto enquanto se aproximava dela.

- Você sabe. Você e eu...

- Não faço a menor ideia do que está falando.

Ah droga! Ele tinha começado o jogo. Aproximava-se dela como um felino caçador, avaliando-a, sentindo seu cheiro, medindo-a dos pés a cabeça, imaginando o que faria com ela. Maldito fosse. Ele sabia que aquele tipo de coisa a excitava e ela lutava contra si mesma naquele momento para não se deixar levar por aquilo.

- Sabe sim. E está fazendo isso nesse exato momento. Não banque o predador essa noite. Não... vai funcionar.

- Continuo sem saber do que está falando.

- Sexo! Estou falando de sexo! – quando ela aumentou o volume da voz ele parou no lugar e ela aproveitou para se afastar dele. – Isso... precisa parar.

- E por que? – aqueles olhos azuis continuavam brilhando e lhe analisando.

- Porque sim. Não é nada agradável ver você me... – mas ela foi interrompida quando sentiu o corpo dele colado ao seu, em suas costas. Sua voz grave e ao mesmo tempo rouca pelo desejo lhe falando ao pé do ouvido, enquanto o braço forte e musculoso lhe envolvia a cintura.

- Você tem certeza disso? Porque eu definitivamente acho que não tem. Posso sentir seu cheiro. Posso farejar e sentir o gosto do seu desejo. Não faça joguinhos comigo. Você sabe que não precisa disso.

- Não... estou fazendo... fazendo joguinhos. – a ponta do nariz de Saga deslizava pela maciez da pele do pescoço dela, captando o cheiro do perfume forte e adocicado.

- Então me responda se tem certeza de que quer mesmo por um ponto final nisso. – Saga apertou mais o braço ao redor da cintura dela e a puxou para mais perto de si, de maneira que ela pudesse sentir o quão excitado estava. – Você quer? Porque acho que tenho algo bem aqui que vai fazê-la mudar de ideia. Pode sentir?

É claro que ela podia sentir a grande e grossa ereção presa dentro das calças dele. Principalmente porque ele havia levado sua mão direto até ali. Jogo baixo. Jogo sujo. E ficava ainda mais sujo – e excitante – porque ele suspirava de prazer ao pé de seu ouvido enquanto mexia a mão dela por cima do tecido. Maldito seja!

Ela ia resistir.

Ele não ia conseguir derrubar suas defesas

Ela ia resistir.

Ela ia resistir.

Ela ia...

Merda.

Virando-se dentro daquele abraço Amani definitivamente não resistiu e afundou ambas as mãos nos longos cabelos negros de Saga e puxou-o para um beijo cheio de desejo, luxúria e claro, fome. De ambos.

- Viu só? – ele disse entre seus lábios – Eu disse.

- Cala a boca.

Enquanto os lábios encarregavam-se dos beijos, as mãos de Amani, ágeis, já haviam desfeito o nó da gravata por inteiro, aberto os botões da camisa e agora puxavam-na para fora. As mãos de Saga tratavam de puxar o vestido dela para cima, para ter mais pele exposta e poder deslizar suas mãos, mas estava tendo dificuldades, pois o mesmo era em justo e não iria subir muito mais.

- Mas que inferno! – ele estava prestes a usar da força quando ela o interrompeu.

- Não ouse rasgar meu vestido!

- Que seja!

Num movimento forte e rápido, Saga virou-a de costas para procurar o zíper. Uma vez achada a peça, ele tratou de agir rápido e num instante Amani estava completamente despida.

Completamente cheio de desejo, ele puxou o ar pelos dentes e sentiu sua ereção pulsar forte ainda presa dentro das calças diante do que tinha na sua frente: nua. Totalmente nua.

- Olhe só você. Aposto que está pronta pra mim.

- Descubra você mesmo. – ela enroscou um dos braços no pescoço dele, puxando-o para um beijo e levou a mão masculina, que antes a prendia pela cintura até o ponto no meio de suas pernas. Ao fazer isso, seus seios empinaram-se e Saga chiou entre seus lábios. Ela estava muito mais do que pronta pra ele.

- Céus, você está perfeita assim.

Ele afastou-se dela por um instante apenas para remover o resto de roupa. Amani sentiu falta daquele contato, mas não foi por muito tempo, porque quando menos esperou estava com a cara grudada na mesa e sentindo o peso do corpo dele sobre o seu.

- Você adora me deixar louco assim, não é? Faz de propósito.

- Você gosta disso que eu sei.

- Ah sim, adoro. – enquanto respondia a ela, ele movimentava o quadril de modo que a ponta de sua ereção roçava-lhe a entrada e lhe estimulava. – Você é perfeita.

- Você não precisa massagear meu ego, Saga. Deixe que eu mesma faço isso.

- Não estou massageando seu ego, cigana. Estou massageando o meu. – e massageando outra coisa também. Aquele ponto sensível. E ela estava adorando aquilo. Remexia-se por baixo dele e apertava as pernas na tentativa de aumentar aquela fricção. Mas não podia deixar aquela discussão acabar.

- Mesmo? E como acha que massageia seu ego desse jeito?

- Porque só eu como você assim, do jeito que você gosta. – e como pra provar o que tinha dito, ele arremeteu-se dentro dela, num movimento lento, porém intenso.

Amani gemeu alto de prazer.

Droga. Ele estava certo e sabia daquilo. E isso se confirmava cada vez mais a cada movimento que ele fazia, entrando e saindo dela, segurando-a pelos quadris, ouvindo seus gemidos prazerosos.

Tudo bem. Ela estava totalmente desarmada de argumentos e entregue a ele. Podia dizer então que aquele discurso de acabar com aquela "atividade extracurricular" entre eles era sim um joguinho, só pra que sua moral não ficar tão abalada assim.

O fato era que, aquela coisa entre eles, era forte. Não era a primeira vez que um deles tentava dar um ponto final naquela história e não tinha sucesso. Mas o nível em que se aquela coisa toda se encontrava, já estava ficando preocupante.

Saga arremetia forte dentro dela e já quase podia sentir o orgasmo chegando. Estava louco de tanto prazer! Droga. Ela era perfeita! Quando estava transando com ela não conseguia pensar em mais nada a não ser no que faziam juntos naquele momento, na maneira como ela respondia suas investidas, na intensidade dos gemidos, no cheiro dela, na maciez da pele, dos cabelos, dos lábios. Ele se encaixava perfeitamente nela.

- Me morda. – ela pediu entre gemidos.

- O que?

- Me morda! Eu... eu estou quase... gozando!

Prontamente ele atendeu ao pedido, puxando-a para cima pelos cabelos e cravando suas presas no pescoço macio.

Amani gritou. De dor e prazer. Havia atingido o orgasmo no momento exato em que sentiu a mordida dele, mas Saga ainda se movimentava dentro dela e ela sabia que ele também não aguentaria mais tanto tempo. Então para provoca-lo mais ainda, ela rebolava e apertava as pernas ao redor de seu membro.

Ela o ouvia gemer e sentia que ele lhe puxava mais para si enquanto bebia direto de seu pescoço. Estava completamente louco. E Amani adorava aquilo. Saber que o tinha sob seu controle daquele jeito era ótimo. Ela sabia que ele se sentia da mesma maneira, mas ambos também sabiam que aquilo era temporário. Era só enquanto o sexo rolava. Não que os dois fossem fãs de querer assumir o controle de algo, mas ao fim de tudo, uma sensação de ausência de algo os acometia.

Quando Saga gozou, suas presas finalizaram o contato com a pele macia para que ele pudesse aliviar o grito que havia em sua garganta. Estava tão entorpecido que suas pernas fraquejaram e ele foi ao chão, levando Amani consigo.

O sangue dela o deixava assim. Era como uma droga líquida que ele poderia muito bem se viciar. Forte, doce e espesso, tão bom quanto um vinho de excelente qualidade, revigorante. Ninguém mais tinha um sangue como aquele. Nem mesmo a mais pura aristocrata de quem ele já tinha bebido há dois séculos.

Amani era diferente e ele sabia disso. Em todos os sentidos.

- Mas que diabos, Saga!

- Venha aqui. Me deixe lamber seu pescoço e fechar as feridas.

Como ela não obedeceu prontamente, ele puxou seu braço e a derrubou por cima dele novamente e lhe lambeu as feridas causadas pela mordida.

- Mas que porra!

- Não seja teimosa.

- Eu não estava sendo, seu idiota. – ainda por cima dele, ela lhe bateu no ombro enquanto tentava se levantar, o que estava difícil no momento, já que o braço dele a prendia contra si.

- Cuidado com a boca.

- Ou o que? Vai cortar fora minha língua?

- Não. Mas acho que vou trazê-la pra dentro da minha boca pra brincar com a minha, o que acha? – ela apenas riu – Ou talvez, eu devesse estar dentro de você de novo.

Num brusco movimento ele estava por cima dela novamente, ajeitando-se entre suas pernas, com a ereção dura e pesada roçando aquele centro quente e úmido mais uma vez. Aquela visão que tinha abaixo de si... O rosto levemente corado pelo esforço anterior, as gotículas de suor que escorriam dele, os olhos absurdamente brilhantes de desejo, os lábios entreabertos, os cabelos esparramados... Céus, ela era linda mesmo. Tão perfeita. Tão maravilhosa. Uma pena que a relação deles seria somente aquilo. Sexo. Nada além disso.

Desde seu último relacionamento, há 200 anos ele não queria se envolver com mais ninguém que não fosse pra beber de seu sangue e poder aliviar-se. Essas coisas, definitivamente, não eram pra ele. Guerreiros não se apaixonavam por outra coisa que não suas armas, sua luta, seu propósito. Amani não era uma guerreira. Era só uma civil com sorte suficiente em ser podre de rica, mas parecia acompanhar aquele mesmo pensamento.

Não sabia nada da vida dela, mas achava que ela nunca havia tido um parceiro fixo. Ou que nunca havia se apaixonado por alguém. Dada a maneira que se comportava e as coisas que sabia fazer na cama, com certeza havia passado pela mão de vários outros antes dele. E provavelmente continuava passando. Não que ele achasse que ela fosse uma vadia. Pelo contrário. A vida era dela e ela fazia o que quisesse. Abria as pernas pra quem quisesse. Ainda que em certo ponto isso o incomodasse. Não gostava de pensar na ideia de outro tentando fazer melhor que ele, ainda que ninguém soubesse daquela relação entre eles.

O fato era que, ela também não queria aprofundar aquela relação assim como ele. Mesmo que algumas outras vezes já tivessem tentado acabar – ele por receio e ela, ele nem sabia porque – não conseguiam. Era um jogo divertido, viciante, prazeroso, perigoso.

- Vai ficar me olhando com essa cara de bobo ou vai fazer o que tem que fazer? – a voz dela lhe tirou daquele devaneio.

Com um sorriso sarcástico e um só movimento ele estava dentro dela de novo e Amani gemeu alto de prazer. Ah sim. O jogo aquela vez teria um ritmo diferente pelo jeito. Ótimo. Odiava jogos repetidos.

Merda, mal tinham começado e ela já sentia vontade de gozar outra vez. Maldito fosse ele. Estava completamente certo quando disse que só ele a comia do jeito que ela gostava. A prova estava ali, prestes a chegar. E conhecendo-o como ela a conhecia, se ele percebesse isso, faria aquela sensação e o final dela vir de novo, e de novo, e de novo... E era o que gostava daquela relação entre eles. Conheciam-se bem o suficiente para saber o que lhes aprazia e ninguém cobrava nada de ninguém.

- Droga! Quero você no meu pescoço, cigana.

- Será que pode parar de me chamar assim?

Momentaneamente ele parou de se movimentar.

- Isso incomoda você?

- Bom, sim. Eu não sou cigana. E se eu fosse, já teria matado você por usar essa palavra num tom pejorativo.

- Não achei que isso a incomodasse.

- Não incomoda. Só o tom com que usa ela.

- Desculpe por isso então.

- Ora, ora, um milagre acaba de acontecer. Você me pedindo desculpas por algo!

- Cala a boca – ele disse já entre os lábios dela, voltando a bombeá-la com força. – e morda meu pescoço.

Claramente ela não obedeceu de novo e ele pediu novamente pontuando cada palavra com uma estocada. Era exatamente o que ela queria.

- Morda. Meu. Pescoço! – mas tudo o que ele obteve foram gemidos entre risadas – Está fazendo de propósito, não é? Maldita.

- Cale essa maldita boca, me leve pro sofá e me deixe montar em você. Ai sim você me tem no seu pescoço.

Saga prontamente atendeu aquele pedido, só porque precisava quase que desesperadamente que ela estivesse ali, mordendo-o, sugando-o, bebendo-o. Merda. Aquilo era extremamente delicioso e ele queria gozar novamente sentindo as presas dela em si.

E assim o fez.

Quando tudo terminou, ele ainda a manteve ali, montada nele, envolta em seus braços e lambendo seu pescoço para fechar as feridas recém-abertas. Afundou uma das mãos no cabelo macio e acariciou os fios.

- Seu cheiro é uma delícia, mulher.

- O seu também.

- Eu poderia me viciar nele.

- E eu também, no seu.

- Mas eu não vou fazer isso.

- E nem eu.

- Isso é bom.

- Sim. É excelente.

Sem avisar Amani se levantou do colo dele, deixando à mostra o membro já flácido de Saga. Foi até sua bolsa, checou o celular para ver se haviam mensagens novas ou alguma chamada e abaixou-se para pegar seu vestido.

- Aonde pensa que vai?

- Para minha casa. O sol vai nascer daqui a pouco.

- Você sabe que essa casa tem vários quartos, não sabe?

- Sim, sei.

- Então por que não fica aqui?

- Porque essa não é a minha casa. Além do mais, todos os outros membros do Conselho, com a exceção de Aiolia, moram aqui nesse complexo, independente da vida que tenham. Não acha que seria estranho para eles me encontrar aqui na noite seguinte, com a mesma roupa dessa noite, sendo que eu saí da reunião antes deles e por uma porta diferente da que eles costumam usar?

- E daí? Isso não é problema deles.

- Mas é nosso. Você não quer expor isso pra ninguém, lembra? E eu também não quero. É só sexo, Saga. Nada mais. Mas é algo privado. Só nosso. Se nem meu irmão sabe – mentiu – não quero que outros saibam. Agora chega desse assunto e me ajude a fechar meu vestido.

Ele não se mexeu. Permaneceu na mesma posição em que estava: recostado no sofá, braços abertos e apoiados no encosto e as pernas também abertas, revelando seu membro duro e ereto mais uma vez. Os olhos azuis estavam olhando direto para os olhos cor de mel.

- Você vai cuidar disso aí sozinho assim como eu vou ter de dar um jeito sozinha no meu vestido. Sinto muito querido. Não vamos passar essa manhã juntos.

- Sem problema. – a única coisa que mudou de posição foi um braço. Para ir direto à orgulhosa ereção. Para cima e para baixo. Para cima e para baixo. Cima e baixo.

Continua...