Parte 2: Não ter
Três semanas haviam se passado desde que InuYasha terminara com Kagome. Agora, ela voltava aos poucos a ser aquela garota alegre que sempre foi. Nas primeiras semanas, só se via uma garota triste, sorrindo forçadamente e com os olhos inchados. E não que ela já tivesse superado isso. Não. Ela ama InuYasha. E ainda sentia aquele enorme vazio em seu peito.
Era domingo. Sua mãe preparava o almoço. Seu pai assistia à televisão. Ela estava no seu quarto, olhando a janela.
Triiiim... Triiiiim...
- Eu atendo! – correu para o telefone – Alô? Ah, oi tia... Não, ela ta aqui sim. Espera só um pouquinho... MÃE!
Triiiim... Triiiiim...
- Eu pego! Alô? Quem? Oi Sr. Bankotsu, só um minutinho que vou passar pro meu pai. PAI!
Triiiim... Triiiiim...
- Eu ateeendooo! Alô? Quem gostaria? Só um minuto. MÃE!
Triiiim... Triiiiim...
- Peguei! Alô?! Oi vovô... O quê? Não, eu não to estou gripada... ta, vou passar pra ele. PAI!
Triiiim... Triiiiim...
- Ai, ai, se não for ele dessa vez eu desisto... Alô? – disse, desanimada.
- Kagome?
- Sango?
- Oi Gome!
- Oi, San...
- Nossa, que desanimo... achou que fosse ele, não é?
- Ah San... é, eu achei...
- Gome, você tem que superar isso. Esquece.
- Mas não é tão simples assim...
"Não é..."
o.O.o.O.o.O.o.O.o.O.o
- Mãe, vou dar uma volta, ta?
- Onde você vai, filha?
- Ah, vou por ai... nem sei.. – saiu, fechando a porta.
- Estou preocupada com a Kagome, querido... – disse a mãe de Kagome.
- Não podemos fazer nada além do que já fizemos, meu amor... Nada mais... – disse o pai, abraçando a mãe.
o.O.o.O.o.O.o.O.o.O.o
Andava pela rua. Era por volta de umas 16h, o tempo começava a fechar lentamente. Observava as pessoas andando na rua, se divertindo por simplesmente ser um domingo sem nada demais para fazer. Foi andando até parar na lanchonete que mais gostava. Era simples, num lugar aberto e cheio de mesas em volta. Ao lado direito, havia um piano branco, que ficava a disposição de quem quisesse tocar. Foi se aproximando dele. Olhou em volta, e não viu ninguém além dos funcionários da lanchonete. Sentou-se em frente ao piano, e começou a tocar.
O telefone chama sem parar
Existe um fio de esperança em mim
Ah! Se eu pudesse enfim saber
Quanto de mim ainda resta
Em você
Esse vazio vira fantasia
Deixando a noite, me roubando o dia
Pra quem não sabe o que fazer
Um sonho mais que interessa
Viver
Não ter, não ter
Um perfume que não se esquece
Não ter
O ruído do seu sorriso
Não ter
Essa hora tão mágica
Não ter
O carinho que eu preciso
Não ter, o seu ritmo sempre doce
Não ter, seu amor pra onde quer que eu fosse
Não ter, Minha vida é viver de você
Não ter, qualquer razão que eu pudesse...
Te reconquistar
E se alegrar com a minha companhia
Pra essa ilusão,enfim, poder dizer
Só uma vida não basta
Porque
Pra cada nuvem que o céu cobrir
Uma estrela nova vai surgir
Pra quem não sabe o que fazer
Um sonho mais que interessa
Viver!
Não ter, não ter, o seu ritmo sempre doce
Não ter, seu amor pra onde quer que eu fosse
Não ter, a minha vida é viver de você
Não ter, qualquer razão que eu pudesse...
Se por acaso um dia, assim sem querer, resolver
Voltar pra mim eu nunca ia te pôr de castigo
Todo esse tempo, sempre e sempre
Nunca em mim se apagou
O sonho verdadeiro de te ter aqui comigo
Pois essa minha vida assim, sem você
Vale o quê?
Se a cada passo, digo e faço o que eu nunca escondo
Só há motivo pra esse amor dizer que nunca mudou
È a idéia que ele vive, cresce, cada vez mais livre
Meu amor
Lembra de quando tudo começou
Em cada gesto a força da magia
Como um feitiço do tempo
Por quê??
Não ter, não ter
Um perfume que não se esquece
Não ter, o ruído do teu sorriso
Não ter, essa hora tão mágica
Não ter, o carinho que eu preciso
Não ter, o seu ritmo sempre doce
Não ter, seu amor pra onde quer que eu fosse
Não ter, minha vida é viver de você
Não ter, qualquer razão que eu pudesse...
Ouve aplausos. Quando olha em volta, umas 15 pessoas que passavam por ali haviam parado para escutá-la, e os funcionários também estavam ali. As pessoas sorriam para ela. Envergonhada, levantou-se.
- Er... Obrigada. – agradece, timidamente. Logo as pessoas se dispersam, e ali, no meio delas, surge um rosto familiar para a garota.
- I... Inu... Yasha?
o.O.o.O.o.O.o.O.o.O.o
