A mente inquieta de Draco trabalhava furiosa e simultaneamente com as mãos, que redigiam uma carta diplomática ao Ministério dizendo a hora e a data de seu comparecimento. Tinha que elaborar sua defesa e decidir o que fazer com a sangue-ruim o quanto antes, senão acabaria se complicando mais do que já estava, o que não era pouco, pois agora seu sobrenome estava se tornando um fardo e dos bem pesados. A fortuna dos Malfoys estava sendo investigada e até concluírem (coisa que fariam questão de demorar mais que o necessário) Draco não poderia herdá-la, portanto estava limitado a herança da mãe por parte dos Blacks que não era tanta mas daria pra se manter por uns anos, enquanto provava a idoneidade de seus bens. Agora sobre as acusações... Fazer-se de vítima era uma opção, sempre dava certo; pena que já não era tão novo pra bancar o inocente, mas isso sem duvida seria uma de suas jogadas... Bendito Lucius nessa hora que lhe deixou pelo menos uma boa desculpa, que descanse em paz no inferno em que estiver... Sobre Dumbledore literalmente não teria que responder por sua morte, pois foi Snape quem a realizou, e não teria problema nenhum - já que soubera um pouco antes de sair da batalha, que este também havia morrido - em lhe depositar um pouco da responsabilidade sobre o facilita mento da invasão da escola, brilhante!! Quem iria desmenti-lo? O cadáver do professor é que não seria, então; menos outro problema pra pensar, ou melhor... Resolvido... Mas e se algo desse errado? Sonserinos não são conhecidos pela coragem, não podia ser preso, tinha que ter um trunfo...
-Vamos Granger, escolha logo? Draco a olhou pela primeira vez desde que entrou na cela e sua cara parecia realmente estar esperando uma resposta, eu não tenho o dia todo pra esperar sua vontade?
Hermione abriu e fechou a boca algumas vezes e quando conseguiu falar foi para perguntar indignada. - Você enlouqueceu?- Embora tensa, não desgrudava o olhos dele completamente perdida, estava lidando com um lunático.
-Você não achou... - a cara de incrédulo do loiro era a mais convincente do mundo - ... Que era uma convidada não é? Tsc tsc tsc, Granger eu não achei que você fosse tão burra? – a careta que a garota fez foi indecifrável, você vai morrer como os trouxas, pregada, enforcada, esquartejada; do jeito que escolher e eu só perguntei, por que depois de tantos dias, você tivesse preferencia quanto ao local; então... Escolha de uma vez?- A voz se tornando perigosamente séria.
-Eu não vou escolher porcaria nenhuma?- Gritou exasperada, se arrastando pra trás tentando fugir de Draco que se aproximava rapidamente.- Você esta doido! - Malfoy parecia um animal encurralando sua presa, abaixou velozmente segurando os braços de uma Hermione transtornada, tentando desesperadamente soltar-se, o que não se prolongou muito pois o loiro a prensou contra a parede de pedra e batendo sua cabeça com força deixou-a momentaneamente desorientada. Aproximando-se perigosamente da face molhada da garota sussurrou impaciente.
- Você vai morrer de qualquer jeito sangue ruim, então é melhor que seja por mim! Não tem lugar pra gente do seu tipo no novo mundo! Você é meu presente pro Lord das Trevas e ele logo estará aqui! – Draco a soltou e levantou-se, dando um pequeno espaço, sabia que tinha atingido o seu alvo.
Hermione tentava processar o que ouviu, dessa vez já não tinha tanta confiança na voz, ela saiu fraca e insegura.
- O que você disse Malfoy? O que foi que você disse? – olhava pra ele com o olhar desamparado esperando que tivesse entendido errado. - Draco com um sorriso de canto de boca estreitou os olhos e respondeu calmamente.
- Granger! – suspirou fazendo-se de pesaroso - o mundo como você conheceu não existe mais, desde que o Potter perdeu a guerra pro Lord, todos os sangues-ruins estão sendo eliminados, junto com os traidores de sangue; você será a próxima, não tem como evitar. – Draco terminou de falar como se realmente sentisse muito, o que deixou a garota furiosa e num súbito ato de desespero gritou.
- Mentiroso, você está mentindo! Você é falso, uma cobra asquerosa que só está falando essas coisas pra me machucar. - Draco riu.
- Ah! Garota sonsa! Porque eu mentiria pra você? O que eu ganharia com isso? – Ele falava como se explicasse pra uma criança de cinco anos - Você não achou estranho que ninguém estivesse te procurando? Não sobrou ninguém Granger! Eu só não acabei com sua vida ainda porque sei que o Lord gostará de fazer isso pessoalmente, e só por isso que estou tratando de você que, aliás – olhou-a de cima a baixo detendo-se rapidamente na parte descoberta da barriga, mas não deixando transparecer nenhum interesse - precisa ficar um pouco mais "apresentável" – Fez uma cara de nojo e se afastou ainda com o sorrisinho debochado, saiu.
Ao mesmo tempo em que lutava pra não acreditar nas palavras do loiro, era perspicaz demais pra não aceitar que elas faziam sentido, se Harry tivesse vencido, por que Malfoy estaria livre e vivendo normalmente já que era um comensal... Se bem que ele poderia estar escondido! Mas ele não parece um fugitivo, sempre limpo e arrumado, saudável... Se coração quebrasse com certeza o seu estaria despedaçado e doía, doía muito. Ficou sentada um longo tempo pensando em que momento tudo deu tão errado e inconscientemente mantinha-se afastada das paredes, não que tivesse medo de morrer, mas não gostaria que fosse de modo tão sádico.
Draco por sua vez estava feliz, tudo estava saindo como imaginara, mentiria descaradamente para atordoar a sangue ruim, depois lançaria um Confundos e ela pouco se lembraria do que lhe aconteceu, se algo desse errado em seu julgamento o bom e misericordioso Malfoy entregaria a garota doente que ele salvou da guerra extremamente ferida, e que ele mesmo cuidara pra que sarasse e voltasse pra casa... Daria certo, por experiência aprendeu que seres humanos tendem a se apegar aos bons momentos e deletar os de dor quando sobre forte pressão, e que quando confundidos, quase nunca se lembravam dos agressores. Já tinha feito a mesma coisa com um trouxa e ele ficara tão desorientado que, antes de morrer; sorria toda vez que via Draco e o chamava de anjo, somente porque ele era o único a lhe dar água de vez enquando, obrigado claro... Daria certo sim, e Granger ficaria do seu lado e quem sabe, até o defenderia.
Abriu os olhos rapidamente mesmo não lembrando de tê-los fechado, mas se lembrava de um barulho seco ao seu lado, olhando em volta soltou um gritinho abafado e sentou-se bruscamente, ainda assustada com os dois enormes olhos saltados que a encaravam. Passou a mão pelo rosto tentando clarear a visão e se deparou com um elfo doméstico, que imediatamente se curvou pedindo desculpas por tê-la assustado. Em outra época a garota ficaria comovida e pediria para ele não se incomodar, mas agora pouco se importava, estava triste demais. O elfo levantou-se, e disse calmamente.
- Meu Senhor mandou levá-la ao andar superior para limpá-la senhorita. - Hermione olhou intrigada, mas nada respondeu e tão pouco fez menção de segui-lo, continuou onde estava, impassível. - Senhorita, quer que Cody repita? – o elfo perguntou com simplicidade.
- Eu entendi perfeitamente Cody, só estou avaliando se quero ou não obedecer.- Os dois permaneceram parados e quietos enquanto Hermione se decidia. Se fosse estaria entrando no jogo de Malfoy, mas também teria a chance de confirmar se o que ele dissera sobre o fim da guerra era verdade, os ganhos eram infinitamente maiores que as perdas, optou por ir.
Na manhã de ir ao ministério Draco estava inquieto, ingeriu somente líquido no café , pois a ansiedade e a ressaca o deixaram um pouco enjoado. Não estava inseguro, mesmo com a idiotice da noite anterior, onde estava com a cabeça? Essa mesma que agora latejava só de pensar, seguiria como planejado... Porém agora não adiantaria somente confundir a sangue ruim, teria que apagar uma parte de sua memória também, arriscado mas necessário. Aparatou.
Noite anterior...
O que você pensa que está fazendo?- Hermione gritou com raiva empurrando a mão dele.
O que parece que é? Imbecil ... – Draco segurou seus braços com força e derrubou-a no sofá.
Depois de três horas, uns quatro cigarros e mais ou menos cinco garrafas de firewisky Draco levantou-se impaciente e irritado com a demora do maldito elfo, deu-lhe uma tarefa tão simples e nem isso esses incompetentes conseguiam cumprir. Fez uma nota mental de castigá-lo outra hora. O elfo aparatou na sala, um pouco afastado do loiro e após a longa reverencia anunciou trêmulo.- Meu Senhor, Cody fez tudo exatamente como ordenou; a garota está na sala de livros.
Enquanto subia pelos corredores de paredes úmidas, tentava captar qualquer ruído ou movimento ao seu redor, mas não ouviu nem viu ninguém. Continuou caminhando até chegarem a uma porta simples, onde parado o elfo somente indicou que entrasse; gesto que a deixou desconfiada." O que tinha lá que ele não poderia entrar?" Mesmo assim prosseguiu; deparando-se com um luxuoso banheiro, visivelmente maior que sua cela.
A morena não exitou, aproximou-se da enorme banheira de mármore branco com adornos dourados e testou a temperatura da água, que intensionalmente estava preparada pra ela, quente e coberta por espuma perfumada; sorriu! "Porque não aproveitar talvez seu último prazer?" Despiu os trapos que a cobriam e deixou-se invadir por aquele momento perfeito.
-Você não vai me tocar seu nojento, só depois de morta!- Retrucou a garota furiosa, levantando-se de um pulo do sofá e parando atrás do mesmo.
-Morta não tem graça, Granger; pois não posso apreciar seus gritos!- Com um aceno brusco da varinha, o sofá voou despedaçando um vaso contra a parede e com um segundo movimento cordas saíram da mesma enlaçando os braços de Hermione e fazendo-a desequilibrar-se e cair.
Draco sabia que não deveria ir até a sala de livros, deveria deixá-la relaxada, confortável pra depois de um tempo atormentá-la, ela tinha que sentir prazer pra ter o que lembrar quando ele a enfeitiçasse, e ler era algo que a sangue-ruim amava. Mas não estava conseguindo; o álcool que já tinha consumido em demasia o estava atordoando, uma vontade insana de vê-la, andou de um lado ao outro por algumas vezes até se convencer que pelo bem de seu plano tinha que pelo menos conferir se a sala a estava agradando.
Há tempos essa sensação de bem estar não era sentido no corpo cansado da castanha, Hermione se sentia quase feliz tamanho era o alivio nos músculos causado pelo banho relaxante que tomou e teria sido ainda mais agradável se a cada minuto que permanecia na água um único pensamento não lhe atormentasse tanto. "O que ele ganha com tudo isso". Assim que deixou a banheira sentiu um pouco de frio e procurou imediatamente uma toalha que estava impecavelmente limpa e dobrada sobre o mármore liso do lavabo, e junto encontrou também um vestido simples de alças finas e tecido liso que se a cor não fosse marinho escuro mais pareceria uma camisola de dormir. Vestiu-se, calçou a sandália baixa de tiras que estava com as roupas e encaminhou-se para a porta, encontrando o elfo parado e a aguardando. Seguiram por um corredor diferente, extremamente iluminado e bem decorado e só quando atravessaram uma ampla sala é que a morena teve a confirmação que queria, estava na Mansão de Malfoy. Era até curioso de se ver, todos os quadros na sala eram de pessoas tão brancas e loiras que pareciam sem cor, todas com semblantes sérios, a olhando com reprovação e murmurando palavras desconexas. Telas desbotadas em molduras caras. Ficou aliviada quando saíram de lá e adentraram por uma enorme porta escura trabalhada, os olhos de Hermione brilharam ao esquadrinhar o local e se deparar com uma ampla biblioteca, sentiu-se na escola novamente e esqueceu por um momento que era uma prisioneira. O cheiro, o ambiente, a iluminação baixa; tudo a agradava ali e sentando numa poltrona larga nem sequer notou a saída do elfo, estava hipnotizada.
Draco parou ante a porta da biblioteca com o corpo fervendo, não deveria ter bebido a ultima garrafa, mas não tinha volta. Entrou sorrateiramente indo em direção a garota que estava de costas pra porta, aparentemente distraída com um velho livro; mais grosso que um tijolo. Estreitou os olhos e riu pelo nariz; velhos hábitos não mudam, mas algumas coisas modificam e se ele talvez não estivesse alcoolizado sentiria nojo dos pensamentos que o invadiam agora. O cheiro de banho que exalava da morena o estava enlouquecendo. Olhava-a de cima e o contorno dos seios sob o tecido sedoso do vestido tirou-lhe o resto da razão, desceu a mão pelo pescoço liso, engolindo a saliva com dificuldade; mas parando instantes antes de atingir o alvo, pois o susto fez Hermione além de derrubar o livro, levantar-se imediatamente.
-Oras sua sangue ruim, quem você pensa que é pra me evitar?- Draco falava quase cuspindo as palavras e aproximando-se, agachou ao lado dela sem desgrudar os olhos dos seios que subiam e desciam descontroladamente, pegou a varinha e murmurou um feitiço que fez com que as mãos atadas da garota fossem forçadas acima da cabeça, o que a deixou completamente vulnerável.
-Não se atreva encostar-se em mim Malfoy!- ela tentava desesperadamente soltar-se, mas nada quebraria o feitiço senão quem o lançou e isso jamais aconteceria, pelo menos por enquanto. Draco apontou a varinha para as alças do vestido cortando-as, as lágrimas nos olhos da castanha rolaram.
-Aposto como preferiria que eu te matasse agora não é Granger? – ele falou lentamente umedecendo os lábios com a ponta da língua enquanto deslizava a palma das mãos pelos bicos dos seios, por cima do vestido. Ela sentia o cheiro de álcool que ele exalava e isso formava um bolo no seu estômago, logo vomitaria.
-Você acabou de me matar! – falou quase num sussurro, mais pra si do que pra ele, e virando o rosto pro lado oposto começou a soluçar quando sentiu um puxão, que rasgou seu vestido em duas partes, estava perdida. Malfoy estava alucinado com a visão que tinha; linda! Tocava a pele nua e imaculada quase como um ritual, deslizando os dedos pelo contorno dos seios hipnotizado. Já não ouvia nada ao redor, somente sentia e queria mais, queria prová-la e o fez, brutalmente. Apertou os dois seios ao mesmo tempo e mordeu com força um deles, marcando sua pele sem piedade e em seguida os lambeu, sugando como criança tentando matar sua fome absurda. Draco estava possuído! E se a garota antes chorava de angustia, asco, raiva... Agora chorava também de dor, ele desceu a boca pelo ventre lambendo e em seguida mordendo sua cintura, deixando outro machucado; estava gostando tanto de feri-la, a pele era tão gostosa e macia, o cheiro tão inebriante e o gosto... Adocicado do pecado!
Hermione ainda se contorcia tentando se esquivar, mas seus movimentos estavam limitados, pois era contida pela mão pesada dele, hora na cintura hora pelo tórax, sempre com exagerada força. Mas foi quando sentiu algo invadindo seu sexo que se descontrolou e começou a gritar... Draco queria mais, mas não queria terminar ainda, não tinha provado tudo que podia; levou uma das mãos até o sexo da garota e a sentiu quente, seu sangue ferveu e o cegou, enlouquecendo-o. Introduziu dois dedos de uma vez sem aviso, sem delicadeza, com força... mexia e estocava com violência, ritmado, agressivo; como se quisesse entrar pelo corpo à dentro, forçando, rompendo-a. Hermione gritou várias vezes pra que ele parasse, porém ele só diminuiu quando sentiu um líquido viscoso lambuzar seus dedos, e com um sorriso vitorioso nos lábios ergueu o corpo deslizando até chegar ao ouvido dela, que estava molhada de suor e lágrimas, os olhos fechados com força e uma expressão de dor na face.
-Juro que não achei que se excitaria tanto a ponto de gozar, Granger. Se é de dor que você gosta, deveria ter me dito antes?- Retirou a mão de dentro dela e deslizando o dedo pela barriga clara, olhou o caminho que traçava, e o que viu não foi um líquido viscoso e transparente nos dedos, esse era bem vermelho e vivo. Olhou para a morena meio atordoado. "Será que a tinha machucado? Não fez nada que já não tivesse feito antes?" Não era possível, e num segundo sua mente clareou, sorriu mais abertamente.
-Você era virgem, sangue ruim? Virgem?- Incrédulo, balançou negativamente a cabeça. Nem isso aquele imbecil do cabeça de fogo conseguiu fazer??
Hermione deu um soluço mais alto e Draco percebeu a crueldade da cena. Pegou a varinha e limpou a mão, depois soltou os braços da menina que automaticamente, levou as mãos à face, dobrando os joelhos, e arrastando-os para junto do corpo. Virou de lado como um bebê, e chorou ainda mais alto.
Draco afastou-se! A confusão que estava sua mente não o deixava raciocinar, nunca pensou em machucá-la desse jeito, não era um estuprador; mas ela parecia estar gostando! Viu quando ela gritou seu nome várias vezes, lera seus lábios, que merda havia acontecido ali?
Não que esperasse uma grande audiência, na verdade esperava sim, pelo menos algo digno de um Malfoy, e não ficar esperando numa sala pôr quase quarenta minutos, como se não tivesse nada mais importante pra fazer. Estava impaciente e evitando a todo custo lembrar dos últimos acontecimentos, não podia se distrair... Após mais uns vinte longos minutos um homem que Draco concluiu ser o novo ministro, adentrou calmamente a sala. Cumprimentou-o educadamente, gesto que foi prontamente retribuído pelo loiro, com um aperto tradicional de mãos. Indicou que sentassem no centro da sala em poltronas amplas, situação que Draco estava achando amistosa demais. Estalou os dedos e numa mesinha situada entre as poltronas, apareceram duas xícaras de café e uma garrafa com um líquido âmbarado, que o loiro desconhecia. Serviu-se e começou a falar.
-Senhor Malfoy, posso te chamar somente de Malfoy?- o loiro respondeu com um aceno afirmativo - Espero que compreenda, que não achei necessário num primeiro momento, uma audiência formal. Nada do que disser ou "decidir" sairá dessa sala, portanto gostaria que considerasse esse nosso encontro como uma conversa amigável. - pigarreou e continuou - Veja que sua situação não é das melhores, recai sobre você acusações gravíssimas somadas a um histórico familiar duvidoso e ainda...
-Desculpe interrompe-lo ministro, mas creio que posso perfeitamente me defender de todas as acusações. – O loiro respondeu ríspido, mexendo-se incomodamente na poltrona, endireitando a postura.
-Posso imaginar que sim, embora duvide que sua reputação também saia ilesa, afinal você foi um comensal. - O homem beirando seus cinqüenta e poucos anos, magro, alto e de cabelos levemente grisalhos acentuando o ar sério, porém paternal; falava calmamente. - Antes de continuarmos a falar sobre esses problemas, vamos conversar sobre um assunto de interesse para ambos. – o ministro indicou a bebida mas Draco recusou com um aceno de cabeça, estava interessado aonde tudo isso chegaria. - Como imagino que saiba, Lucius sempre fôra um homem muito generoso, e suas doações à saúde e educação, alimentaram em muito sua influência, o que para um homem de negócios como ele sempre foi fundamental, não sei se estou sendo claro Malfoy?
-Muitíssimo claro. – o loiro o olhava desconfiado. - Prossiga!
-Então, seu pai e eu compartilhávamos de idéias semelhantes e por isso e outras, sempre nos demos bem. Agora me sinto curioso em descobrir como é esse novo Malfoy, que assume o lugar do pai? Um homem de negócios?
Draco entendia perfeitamente a duplicidade de cada palavra que saía da boca do ministro, estava profundamente satisfeito com a ironia da situação, segurava-se pra não rir da sua sorte. Não importa que lado vença uma guerra, o lado bom ou o ruim; tanto faz, pois no final das contas, o dinheiro e o poder sempre falarão mais alto.
-Espero que compreenda ministro que sou tão ou mais generoso que Lucius, mas o embargo de minha herança me impossibilita de contribuir com o que quer se seja. Ficaria imensamente satisfeito em "ajudar", mas minha situação como o senhor mesmo disse, é delicada.- Draco media as palavras e tentava não demonstrar sarcasmo na voz, não era bom irritar um suposto aliado.
- Agora que estamos nos entendendo, creio que não teremos dificuldades em acelerar e positivar as investigações sobre sua herança. – O homem piscou e sorriu convicto.
-Que satisfação ouvir isso. - sorriu sinceramente. - E sobre as acusações?
-Infelizmente não tenho poder para isentá-lo do julgamento. Harry Potter com toda influência que exerce no mundo bruxo criou uma espécie de obsessão em perseguir e punir toda e qualquer pessoa que supostamente foi aliado de Voldemort, e não tem como negar que os Malfoys são os primeiros da lista. – o ministro falava sobre Harry com certo desgosto na voz. -Não pense meu jovem que sou um corrupto que vive de vantagens para beneficiar-se, pois se assim fosse, hoje não seria Ministro da Magia. Acontece que muitos não entendem os sacrifícios que alguns de nós fazemos por um bem maior. – completou com um ar meio cansado e disperso, após uns segundos retomou o diálogo mais decidido. - Mas creio que não tenha com o que se preocupar, tudo será "ajeitado" pra que seja absolvido. Você só precisa apresentar uma defesa justificando seus atos e continuar com a mesma "atenção" que seu pai dedicava a seus interesses. – o homem finalizou com um sorrisinho dissimulado e satisfeito pro loiro.
-Ministro! - Malfoy apontou pra garrafa no centro da mesa, gesto que foi entendido prontamente pelo homem que serviu o copo do loiro. - Agora que estamos de acordo com nossos interesses, pra quando será o julgamento? - Draco estava cordial agora, afinal aliados são sempre bem vindos, mas mantendo uma certa "distância", aliados não são amigos e é sempre bom deixar isso claro.
-Tentarei adiar o máximo que puder, talvez um mês! Potter está desesperado pra interrogar os antigos comensais. Acredito que toda sua obsessão tenha a ver com o desaparecimento daquela garota nascida trouxa, acho que se chama Granger – concluiu pensativo – aquela que estava sempre com ele e o filho de Artur Wesley.
Ouvir o nome de Granger fez um frio subir pela espinha do loiro, sentiu a garganta queimar com a bebida, que por sinal era horrível. Apressou-se em afastar o turbilhão de pensamentos que invadiam sua mente, disfarçou o incômodo e encerrou a "visita" dizendo que ainda tinha alguns assuntos a resolver...
Precisava arrumar sua burrada.
Continua...
A você, leitor, cabe julgar se essa fic é digna ou não de um review.
