Para sempre com você

Lily POV

Remus foi tão bom comigo. Ele sempre foi. Ele é meu melhor amigo, sempre me ajuda. Eu pensava que Severus também era meu amigo, mas parece que ele não acha a mesma coisa. Quando ele me chamou de Sangue-Ruim, eu não acreditei. Ele me encarava com tanto nojo, com tanto desprezo, que nem parecia mais o Severus que eu conheço, parecia uma pessoa muito diferente, um seguidor de Voldemort.

Sirius, Remus (tenho que admitir) e James foram muito fofos querendo me defender, os três com as varinhas nas mãos. Naquela hora não me importei que eles matassem Severus, só não queria que fossem expulsos, por isso saí. Porque a verdade bateu em mim, eles seriam capazes de tudo para me proteger, pelo que parecia.

Não tinha ninguém na sala comunal, por isso me sentei em uma poltrona, me enrosquei em uma bolinha e comecei a chorar. Naquela hora eu queria alguém para me abraçar, alguém para ficar comigo e me dar uma força, alguém seria James Potter. Sim, admito que eu gosto dele, mas eu não quero dizer isso para ninguém porque senão ele ficaria muito mais arrogante do que já é.

Ouvi alguém chegar na sala comunal, mas nem me importei, continuei a chorar. Senti então que alguém me abraçava pelos ombros e me levava até o sofá para ter espaço para ela também. Olhei para a pessoa e vi que era Remus, isso me abalou e eu comecei a chorar em seu peito. Ouvi alguém subir ás escadas batendo pé, alguém seguindo a pessoa que acabou de sair, e eu acabei dormindo, cansada de tanto chorar.

Acordei aninhada em alguém, aninhada no peito de alguém. Olhei para cima e vi James Potter com a cabeça para trás, os óculos tortos, cochilando, os braços em volta de mim, como se aninhasse um filho, um amor, como se me protegesse. A sensação de aproveitar esse momento (tudo que eu queria) foi mais fraca que a razão e a surpresa:

-O que você está fazendo seu imbecil? – gritei

James abriu os olhos assustado e levou a mão para o seu bolso da calça (onde devia estar sua varinha), mas minha coxa estava ali. Ele me olhou assustado com seus olhos castanhos amendoados:

-Argh! – exclamei e me levantei, saí de seu colo. A parte toda de meu corpo que estava em contato com a dele, estava quente e formigando – O que você está pensando seu...

Antes de eu conseguir terminar, ouvi passos descendo a escada que levava ao dormitório masculino. Me virei para lá e vi Sirius descendo á frente com o cabelo todo amassado, Remus atrás dele, com o rosto meio assustado e Pedro atrás dos dois... não consegui ver sua cara, ele é meio baixinho:

-Oi para você também Lily – ouvi James resmungar do sofá

-Remus – não prestei atenção naquele imbecil – Explica isso agora.

Sirius saiu da frente de Remus dando graças a deus por não ser com ele, revelando a cara de Remus mais assustada que antes:

-Não precisa Moony – James se levantou e caminhou até a escada – Nada que você disser vai fazer ela parar de me chamar de imbecil ou idiota, ou até mesmo deixar de me odiar.

-E além disso – Sirius completou rindo, lá vem merda – ele já aproveitou o momento.

Enquanto Sirius gargalhava, Remus e James o encaravam com os olhos arregalados, e eu furiosa. Bufei e comecei a subir a escada até o dormitório feminino. Todos sabiam que não adiantava discutir ou brigar com os marotos, até os professores sabiam (mas faziam que não sabiam para não demonstrarem que depois de Dumbledore, esses três meninos, temos que tirar Pedro, dominam a escola, ainda mais no sétimo ano), e eu não era exceção á regra.

Me joguei em minha cama, olhava o céu azul pela janela do dormitório que ficava ao lado de minha cama. Agora, já me amaldiçoava por ter berrado e saído do colo de James. Eu me senti tão segura ali, era aonde eu sempre quis estar. Ele me abraçava carinhosamente, o rosto tão calmo enquanto dormia junto comigo. Isso só me fez pensar como seria beijá-lo. Sentir novamente seus braços em volta de mim, me apertando carinhosamente sobre seu corpo, o calor de seu corpo sob o meu. Tudo de bom acontecendo ao mesmo tempo.

Ouvi a porta se abrir e fechar. Me virei para o barulho e vi Joana Felix. Os cabelos louros platinados puxados em um rabo alto e os olhos azuis me olhavam cuidadosamente. Eu sentia o cheiro de Sirius daqui:

-Lily – ela perguntou se sentando em minha cama – Você está legal? Sirius acabou de me contar sobre Severus...

-Está tudo bem, brigada Joana – mas aí enruguei a testa – Você estava com Sirius?

Ela riu. Ela é a segunda pessoa (eu sou a primeira) que concorda que Sirius é o maior galinha do mundo, e que seria perda de tempo ficar com ele. Mas olhando melhor para ela, seu rabo de cavalo estava meio bagunçado, com alguns fios de cabelo arrepiados, sua blusa estava meio amassada, e conhecendo ela, não deixaria a blusa amassada, assim, sem nada. Ela me olhou com uma cara de desculpas:

-Ai Lily – ela riu ainda mais, enquanto eu me sentava na cama e ria com ela – Tem que me mandar agora para Azkaban! Eu fiquei com ele. Sei que ele é um galinha, mas é difícil resistir.

-Não é não – devolvi rindo – Eu sempre resisti!

-Sim – ela respondeu – Porque você está apaixonada pelo outro galinha, o Sr. James Potter!

Eu parei e a olhei, meus olhos arregalados. Ela me olhou com descrença:

-Ah Lily! Não venha me dizer que não sente nada por ele! Já é um saco você não admitir para mim, sua melhor amiga, mas você mentir sobre o que você sente para a pessoa que a conhece desde sempre e sabe (assim como Sirius e Remus) que as briguinhas de vocês dois, sempre você que começa, quer dizer que se amam, já é fogo. Sirius me contou sobre sua dormida no colo de James.

Ela riu maliciosamente enquanto meus olhos se arregalaram de surpresa e minha boca formava um "o" perfeito:

-Aquilo... Eu estava dormindo quando... Eu não queria... – gaguejei,mas aí parti para cima dela – Pensei que você e Sirius não tivessem conversado.

-Bem – ela explicou sorrindo – No meio de alguns beijos, ele falou comigo.

-Nossa – eu ri – você deve ser importante, porque Sirius nunca conversa com a pessoa quando os dois estão ficando. Só praticamente a come.

-Lily pare de ser tão má – ela riu dando um tapa em meu braço – ele é super querido, e beija muito bem.

-Só pode – brinquei de novo – Ele fica com três meninas todos os dias, cuidado hein?

-Certo sua chata – ela disse me puxando da cama – Vamos sair daqui. Eu já estou virando claustrofóbica aqui dentro. Com esse dia lindo você vem se enfornar aqui! Ainda bem que não foi na biblioteca.

Segui ela, nós duas rindo. Quando chegamos na sala comunal, James estava sentado no sofá ao lado de Sirius, que parecia muito relaxado e contente, e de Remus, que lia, como sempre. Pedro não estava á vista, devia ter ido dormir ou comer.

Joana passou pelos três rindo e deu uma rápida piscada para Sirius, que sorriu maliciosamente, eu já ergui o queixo, fechei a cara, e passei pelos três sem vê-los, dois traidores e um arrogante. Quando já estávamos passando pelo buraco no retrato, ouço alguém me chamar, e me viro. James Potter corre até mim, parando em minha frente, deixando centímetros entre nós. Meu coração pula quando aqueles olhos amendoados me olham com ternura. Mas continuo com o queixo erguido:

-Lily – ele falou naquela voz mansa,cauteloso – no próximo fim de semana tem uma ida para Hogsmeade, queria saber, não quer ir no Três Vassouras comigo? Depois podemos, sei lá, caminhar.

Olhei para ele, uma parte martelante, que pulava em meu cérebro, dizia que "Sim, sim, sim!", a outra, a que eu estava usando agora, dizia não:

-Não – falei firme. Vi seu olhar ficar magoado, o brilho em seus olhos amendoados fugir. Senti o olhar incrédulo de Joana em minhas costas – Sinto muito. Mas não, muito obrigada.

Me virei, deixando-o para trás e o buraco do quadro se fechar. Sou uma puta mesmo. Joana correu até meu lado:

-Lily! – ela gritou ao meu lado – Você é o que? Só pode ser burra! Ele estava tão fofo te convidando para ir com ele para Hogsmeade e você me rejeita? Só pode ser louca!

-Ou sã da consciência – eu disse ainda olhando para frente

-Lily, James Potter te ama e você ama ele também! E não vem dizer que não!

-Joana – eu parei e a olhei – eu vou pensar certo? Agora para de encher!

-Certo – ela murmurou – Vou parar, mas é bom que você aceite, Lily.