Capitulo II
Eu morava em Baia desde os 15 anos, e levando em consideração que ela não era uma cidade muito grande – estava mais para uma vila, na verdade -, conhecia quase todo mundo. E sem duvidas eu nunca o vira por aqui.
Ele era alto, entre 1,95 e 2,00 cm de altura. Ombros largos. Cabelos castanhos-um tom mais claro do que os meus, que às vezes pareciam quase pretos- que chegavam poucos centímetros abaixo de seu queixo. Era um homem bonito, do tipo que te faz virar a cabeça no meio da rua e bater em um posto, ainda mais sobre a luz das velas, que deixavam sua pele com uma cor diferente e sedutora.
Mas sua beleza não importava agora. A única coisa que me impediu de começar a me debater e tentar correr para longe dele foram os seus olhos, mais especificadamente o que eles transmitiam.
Ha meses que eu vivia em completo estado de tensão, sem relaxar um só segundo. Acabei me acostumando com insultos e olhares zangados ou de desprezo. Mas ele me fazia sentir uma coisa estranha, apenas olhar por alguns segundos em seus olhos, fez meu corpo relaxar.
Percebendo que eu não iria mais gritar, ele retirou sua mão da minha boca, porem, uma delas permaneceu em meus ombros. Ele parecia analisar minhas roupas, envergonhada, tentei arrumar o que sobrava da minha blusa, mas foi trabalho em vão. Ela estava completamente inutilizável: rasgada ao meio e em algumas outras partes.
Sem dizer nada, ele retirou o sobretudo que usava e o passou para mim.
Fiquei o olhando sem fazer nada. Notando que eu não pegaria, ele suspirou.
''Vista isso, por favor'' Sua voz baixa era suave e tinha um leve sotaque russo. Tão diferente do que eu estava acostumada a ouvir.
Peguei o casaco e vesti. Estava quente e tinha um cheiro bom, lembrava a pos - barba. Isso ajudou a acalmar as poucas lagrimas que insistiam ainda em cair afundei mais ainda nele. Ele cobria todo o meu corpo, precisando ser dobradas as mangas. Mas não o fiz, estar completamente coberta me agradava.
Sem dizer nada novamente , me puxou para um dos bancos e nos sentou , ficando de frente para mim.
''Você esta bem?''Sua voz não passava de um sussurro, ele parecia com medo de me assustar.
Pensei um pouco antes de responder, então acenei afirmativamente com a cabeça.
''Quer me contar o que aconteceu?'' Suas mãos seguravam a minha e quando ele viu o pânico passar por meus olhos as apertou delicadamente. Acenei varias vezes que não, novamente com a cabeça. ''Tudo bem, falamos disso depois. ''Eu duvidava que fosse falar qualquer coisa sobre isso, mas não o contrariei. ''Pode me dizer o seu nome?'' Ele me parecia sincero, e imaginei que ele podia fazer apenas com o meu nome.
''Sou... '' Minha voz estava grossa. Limpei a garganta e tentei novamente. ''Sou Rose Ivashkov''
Suas sobrancelhas se uniram em confusão e seu olhar se tornou mais intenso , como se procurasse alguma coisa em meu rosto.
''Isso foi inesperado. ''Ele disse com uma voz estranha. Levantei meu olhar até seu rosto. Dessa vez eu] estava confusa.''Eu não sabia que Adrian tinha uma irmã.''
Tremi com a menção de seu nome. ''E não tem. Adrian não é meu irmão, é meu marido. ''
Sua sobrancelha direita arqueou enquanto ele puxava minha mão esquerda para cima, analisando o anel com uma grande pedra de diamantes em meu dedo.
Ele ficou olhando o anel até que desconfortável, puxei minha mão.
''Desculpe. ''Encolhi os ombros, o deixando saber que não tinha importância.
''Porque você não me fala o seu nome?'' Perguntei tentando tirar o meu casamento da linha de assunto.
Ele sorriu , como se soubesse exatamente o que eu estava fazendo , mas deixou passar.
''Me chamo Dimitri. Dimitri Belikov. ''E assim que ouvi seu nome, foi como se minha cabeça tivesse um estalo , fazendo com que lembranças de uma época mais feliz dominassem minha mente.
