Um Pequeno Conto de Fadas

Novos Problemas

As pálpebras tremularam, e Ginny abriu lentamente os olhos, deixando que a luz lhe machucasse as pupilas por alguns segundos. A primeira coisa que lembrou foi do ataque ao coche, e dos gritos, e se sentou rapidamente, assustada. O coração já palpitava forte contra o peito que subia e descia com rapidez.

O queixo caiu alguns centímetros ao ver que estava deitada em uma bela cama de casal, em um quarto bonito e fresco. As janelas deixavam uma boa quantidade de luz entrar. Na parede oposta, uma lareira crepitava suavemente, certamente atenuando o frio que deveria estar do lado de fora, por mais que um tímido e fraco sol brilhasse lá no alto.

Não havia ninguém no quarto. Ginny se levantou, receosa, e percebeu estar limpa e trajando apenas um suave e leve vestido de dormir. O chão, de pedra, frio e sóbrio, fez com que um arrepio percorresse toda a espinha da ruiva. Ela caminhou alguns passos, e olhou pela janela. Estava dentro do castelo que vira antes de desmaiar.

Lembrava-se de desmaiar, logo depois da exaustiva corrida em meio à escura floresta. Também podia ver a borda da floresta dali. As copas das árvores moviam-se graciosas ao sabor do vento invernal e não pareciam tão assustadoras desse jeito.

O som da porta se abrindo às suas costas fez com que Ginny se virasse sobressaltada. O que parecia ser um serviçal, esguio, pequeno e jovem, de feições simpáticas, sorriu.

"Finalmente acordada. Pensávamos que já havia desistido de viver." Ele disse, entrando no quarto e indo remexer na lareira, atiçando o fogo com uma fina barra de ferro com garra na ponta.

"Onde eu estou?" Perguntou Ginny, desconfortável com a presença masculina, estando os dois sozinhos no quarto. E ela estava apenas de vestido. Que vergonha, pensou, corando.

"Está no castelo do meu senhor, Draco Malfoy. Eu a encontrei há seis dias, desmaiada na borda da floresta." Disse o jovem, fitando-a atentamente, como se verificando que ela não fosse voltar a desmaiar no meio do quarto.

"Seis dias! Não é possível!" Exclamou, horrorizada. Os pais já deveriam tê-la dado como morta.

"Sim. Você ardeu em febre por cinco dias seguidos, e só ontem à tarde é que a febre regrediu. Você se lembra de como veio parar aqui?" Perguntou o rapaz, indo então até a cama para arrumá-la.

"Sim... Meu coche foi atacado, e minha ama mandou que eu fugisse. Eu corri o mais rápido que pude, até que não havia mais forças para nada." Explicou Ginny. "Diga-me, esta propriedade fica muito longe de Godric's Hollow?" Perguntou.

Godric's Hollow era o nome dados às terras de Harry Potter. E ela aguardou nervosa enquanto o jovem ponderava uma possível distância.

"É um caminho e tanto até lá." Disse o jovem. "Vou mandar alguém para banhá-la e arrumá-la, e então você pode descer para comer alguma coisa. Deve estar faminta."

No mesmo instante, o estômago de Ginny roncou, contorcendo-se teimosamente.

"Sim." Gemeu ela, levando as mãos ao estômago. O jovem fez uma referência e caminhou para a porta. "Espere! Hum, obrigada por me achar e ajudar. Eu lhe devo a minha vida." Falou, realmente agradecida, com um sorriso.

Os olhos azuis do jovem brilharam de satisfação.

"Não é de que, senhorita..."

"Weasley. Ginevra Weasley. E você? Qual o seu nome?" Perguntou.

"Dário. Mas pode me chamar de Dobby. É como meus amigos me chamam." Ele sorriu e saiu do quarto.

Gina caminhou até a cama e se sentou. Incrivelmente, ainda se sentia cansada. Mas estava mais calma, apesar da dor por ter perdido Helga. Ou talvez ela ainda estivesse viva. Poderia ter escapado! Ela rezava para tanto.

Acima de tudo, esperava que o dono do lugar, Draco Malfoy, pudesse ajudá-la, disponibilizando uma carruagem que a levasse ou para as terras do futuro marido, ou de volta para casa. Não sabia onde os pais estariam. Eles deveriam estar tão preocupados.

Chorou silenciosamente, e sentiu-se tola por isso. Estava segura agora. Logo estaria em casa.


Uma senhora apareceu para ajudá-la, e ela não foi tão comunicativa quanto Dário. Ou Dobby. Então Ginny também se manteve em silêncio, deixando que a outra a lavasse e vestisse, exatamente como Helga fizera ao longo dos dezessete anos de sua vida. O coração se contraiu, mas ela se manteve firme enquanto descia as escadas ao lado da senhora.

Caminharam por vários corredores. O lugar era limpo, bonito, arejado e agradável. Como qualquer castelo de um homem rico, dono de terras férteis. Provavelmente haveria alguma vila ali por perto. Sempre havia vilas perto dos castelos mais opulentos.

Chegaram à cozinha. Era espaçosa, e Dobby estava ali, conversando com outra senhora. Quando ele a viu, caminhou até ela, com um sorriso acolhedor no rosto.

"Aí está você, Srta. Weasley. Aqui, venha, cuidei para que preparassem alguma coisa para a senhorita." Ele a guiou até uma mesa de madeira a um canto.

Ginny devorou a comida. Carne, caldo, pão e frutas. Não se lembrava de comer alguma coisa tão deliciosa quanto aquela. De certo por jamais ter se sentido tão esfomeada tampouco.

"Obrigada, Dobby. Estava ótimo." Sorriu.

Dobby fez uma nova reverência.

"Dobby... Será que eu poderia falar com o Sr. Malfoy? Gostaria de solicitar alguma ajuda. Tenho certeza que meu pai ficará grato em recompensá-lo se ele disponibilizar alguma meio para que eu volte para casa..." Disse, um pouco incerta. Não sabia se estava sendo insolente demais por já requisitar falar com o dono do lugar.

"Não terá problema, Srta. Weasley. Ele aparecerá daqui a pouco para o almoço. Servi-a antes pois supus que estivesse realmente fraca e esfomeada, do contrário, deixaria que almoçasse com o Sr. Malfoy. Ele esteve bem interessado no seu estado de saúde durante os dias em que esteve febril." Falou Dobby, e Ginny sorriu. Ele era um tanto tagarelava; adorável, contudo.

"Está tudo bem, Dobby. Eu estava precisando mesmo comer algo antes de fazer qualquer outra coisa." Disse, já sentindo-se mais revitalizada.

Dobby assentiu, feliz em ser útil.


Depois de passar algum tempo na cozinha, conversando e aprendendo como certas comidas eram feitas, coisa que nunca se sentira curiosa em saber, Dobby avisou que Malfoy acabara de se sentar à mesa da sala de refeições e, questionado, aceitara conversar com sua hóspede.

Ginny saiu da cozinha, acompanhando o novo amigo, com o coração pulando no peito. Não sabia bem por que, mas estava extremamente nervosa com a idéia de se encontrar com um homem. Ela nunca estivera sozinha com um antes, a exceção de Dobby – nem Arthur, nem os irmãos ficavam sozinhos com ela; Helga sempre estava junto nessas ocasiões -, e muito menos precisara conversar com um que não fosse da família.

Quando entrou no ambiente onde havia uma mesa já ricamente posta, decorada com inúmeras janelas grandes e bonitas, sentiu as bochechas corarem e as mãos tremerem.

Um homem de cabelos loiros platinados curtos, com uma franja displicente, porte rígido e austero, aparentemente alto, com lábios finos e incríveis olhos azuis acinzentados penetrantes encarou-a, sentado à ponta da mesa. Ele se levantou e caminhou até ela, parada ao lado de Dobby. Imitou o jovem, e fez também uma suave reverência, cuidando para que ele não reparasse no quanto tremia.

Ele era belo demais, e deveria ter também a mesma idade de seu prometido marido. Trinta e quatro anos. No entanto, o ar em torno dele se mesclava em algo entre jovial e maduro; rígido e descontraído; suave e frio. Ela não conseguiria defini-lo.

"Encantado, senhorita." Ele disse, pegando a mão de Ginevra e a levantando até os lábios, sem desgrudar os olhos cinzentos do rosto corado dela.

"Encantada, Sr. Malfoy." Ela retribuiu, num fio de voz, torcendo para que ele não percebesse o quão tensa e nervosa ela estava. Não queria parecer como uma menininha boba e tímida na frente dele, apesar de ser exatamente assim que se sentia.

"Por favor, sente-se. Deseja comer alguma coisa?" Ele a guiou até a cadeira mais perto da dele, puxando-a para que ela se sentasse.

Ginny sentou e sorriu timidamente.

"Não, eu já comi há pouco." Falou, observando-o pelo canto do olho enquanto ele voltava a se sentar à ponta da mesa.

"Hum. Uma pena, mas mesmo assim terei a companhia de tão bela dama à mesa." Ele sorriu de lado, fitando Ginny intensamente, e ela corou ainda mais, abaixando o olhar e torcendo as mãos. Era tão constrangedor. Resolveu ir logo ao assunto.

"Senhor Malfoy..."

"Draco." Ele a corrigiu, e ela olhou-o irrequieta. Aquele homem a deixava extremamente nervosa.

"Draco. Eu gostaria de solicitar algum meio de transporte para voltar para casa. Meu coche foi atacado enquanto eu era levada para Godric's Hollow..." Começou.

"Godric's Hollow? Ele perguntou, com um toque de curiosidade e perspicácia na voz. "Ouvi dizer que haveria um casamento por lá..."

"O meu!" Ginny exclamou, animada. Então ele conhecia o lugar! Talvez até mesmo conhecesse seu futuro marido. "Eu preciso voltar, devem estar preocupados comigo."

"Então você é a noiva de Harry Potter?" Ele perguntou, erguendo as sobrancelhas.

"Sim, sou eu! Ginevra Weasley." Ginny sorriu. Ela estava certa! Ele poderia avisar Harry de que ela estava bem e logo estaria casada, como já deveria estar há cinco dias.

Draco riu, soltando o ar pelo nariz, como se aquilo o divertisse horrores. Ginny sentiu-se desconfortável, mas mesmo assim decidiu perguntar.

"Você o conhece? Pode me ajudar?" Perguntou, ansiosa, inclinando-se um pouco na direção dele. Draco olhou-a e sorriu enviesado.

"Sim, conheço-o, minha querida Ginevra. Harry Potter é meu inimigo." Ele falou, com naturalidade, sem deixar de sorrir sarcasticamente.

Ginny afundou na cadeira, e tapou a boca com uma mão.


Nota da autora: Bem, é, não consegui esperar até domingo. Já tenho até o capítulo 5 pronto, e o sexto é o último. Tenho esse problema, se tenho capítulo pronto, acabo postando logo de uma vez. Ainda mais que tive um retorno maior do que eu esperava no último capítulo. Obrigada e,

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