Disclaimer:

Essa é uma história original (minha!). Por favor, não copie.

Essa história também está sendo postada no canal em Inglês; Se desejar traduzir para algum outro idioma, checar comigo primeiro.

Obrigada e boa leitura.

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CAPÍTULO 2

Miaynore:

O barulho de espadas se chocando acordou Miaynore naquela manhã.

"Foi minha imaginação?"

Novamente ela ouviu o barulho do metal se chocando com força, seguido de alguns aplausos e murmúrios impressionados. Mia se desvencilhou dos lençóis macios e levantou a contra gosto, porém curiosa, de sua cama confortável. Com cuidado para não acordar Ziny, sua meia-irmã a quem amava de todo coração, ela se esgueirou pelo quarto felinamente para olhar pela janela.

O quarto das irmãs tinha uma visão privilegiada. É claro que sendo filhas de um importante general do exército, elas não precisavam dividir um quarto. A casa de seu pai tinha câmaras suficientes para acomodar toda a vila se fosse preciso. Elas queriam dividir o quarto. Depois de anos vivendo de maneira solitária, elas se encontraram.

Seus olhos alcançaram o pátio, no qual o General usualmente se encontrava treinando ou palestrando para jovens elfos. Mais a frente, a escadaria refinada de mármore branco polido que levava à cidade do vale onde viviam, podia ver o mercado, os músicos, os artesãos e ao horizonte, cachoeiras profundas que vinham de dentro da densa floresta que cercava e protegia a cidade do mundo exterior. Não importava se era alvorecer ou pôr do sol, a visão sempre a deixava embevecida.

Naquela manhã, seu pai - ou o General, como ele mesmo preferia - estava mais uma vez demonstrando técnicas com a espada. Ela sorriu de canto.

"Exibido." Ela sussurrou sorrindo.

Uma pequena platéia de jovens soldados e transeuntes assistia o embate. Dessa vez um novo jovem que Miaynore nunca havia visto era o rival. Ele parecia bom. Mas seu pai era melhor. Óbvio. Provavelmente um elfo ainda muito jov… Ele fez um suave movimento para a direita, quase imperceptível, quando seu pai investiu com a espada. Miaynore quase pode ver seu pai perdendo o equilíbrio e caindo no chão diante de todos. Saltou à frente com as mãos espalmadas na janela e o rosto quase encostado ao vidro com a respiração presa no peito. E aí… Algo aconteceu. O jovem elfo olhou para cima. Diretamente para ela. Com um pequeno sorriso travesso, ele voltou a atenção para o General e deslizou de volta à posição inicial tomando o golpe. Ele foi ao chão. Seu pai havia vencido. Tudo durou apenas um milésimo de segundo, mas não parecia. Mia não entendeu.

"Mas… O que foi aquilo?"

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Aelamin:

Aquele era o dia. Iria provar ao General que podia vencê-lo e receber a promoção que há tanto tempo almejava. Aquela aposta estava ganha.

Noite anterior:

Em um salão aberto cercado apenas por altas colunas de mármore, bebendo vinho suave à luz da lua em uma mesa decorada com muitas frutas e pães, servidos em finas e delicadas travessas de ouro e prata com entalhos minuciosos de pedras preciosas, estavam o General e Aelamin.

"Aelamin, meu garoto, eu tenho você como um filho. Você sabe. Tenho treinado você pessoalmente desde que provou ter potencial suficiente para empunhar uma espada. Mas cá entre nós... Não é um adulto ainda. Não vou colocar uma criança à frente de um exército."

"General Rowraek, eu não sou uma criança. Eu sei disso. O senhor sabe disso. Não há ninguém em nosso exército mais capaz para a função do que eu. Até mesmo os outros generais reconhecem isso."

"Ninguém? Tem certeza disso?"

"Mas é claro. Teste-me."

O General coçou o queixo enquanto pensava. Olhou para frente e disse sem nunca desviar o olhar. "Você sabe o que há de mais importante nessa vida, filho?"

Aelamin o olhou confuso. "Perdão?"

"Perguntei se você sabe o que há de mais importante nessa vida." Repetiu Rowraek ainda encarando o nada à sua frente.

"Para mim o mais importante é provar o meu valor."

Rowraek sorriu de canto, meneou a cabeça de lado e relanceou os olhos para Aelamin.

"Nós somos elfos, garoto. Você terá muito tempo para provar o seu valor. Fique sossegado e não tenha tanta pressa em morrer, porque não vai acontecer em um futuro próximo. Não enquanto eu estiver aqui." Ele pôs a mão no ombro de Aelamin num gesto amigável, quase protetor, após um leve aperto, ele se levantou. "Boa noite, garoto."

"Que tal uma aposta?" Disparou Aelamin numa última tentativa. "Uma aposta?" Rowraek se virou e arqueou uma sobrancelha. "Um duelo de espadas. Se eu vencer, o senhor me manda para o fronte. Se eu perder, o senhor faz como quiser e eu nunca mais vou contestá-lo." Aelamin olhava para seu mentor com expectativa. Rowraek suspirou. "Ele não vai desistir…"

"Está bem. Amanhã, ao raiar do dia, no meu pátio. Sem desculpas." E saiu em direção de sua casa.

Quando Aelamin chegou ao pátio, o General já o aguardava. Com a cara fechada e compenetrado ele não disse nada.

"Bom dia, Gener…" Rowraek investiu sem esperar que Aelamin terminasse de falar. Por pouco, muito pouco, conseguiu sacar a espada e desviar do golpe, senão teria a lateral da coxa esquerda sangrando muito agora…

"Direto ao assunto, huh?" Recomeçou Aelamin enquanto o General o rodeava, como um predador cercando a presa. Os olhos inescrutáveis, o semblante pesado. "Muito bem. Vamos lá, General! Vou provar que estou pronto."

Rowraek investiu novamente. Golpes duros, pesados e precisos. Movendo-se muito rápido. Quase rápido demais para Aelamin acompanhar. Centenas de anos de experiência em duelos e campos de batalha, contra uma centena de anos de treinamento. Aquele era o mesmo general que o treinara por todos esses anos? Não reconhecia aqueles padrões de movimentos. Nunca havia visto aqueles golpes antes. Aelamin estava atordoado, mas não iria admitir. Nunca!

Os dois continuaram por mais algum tempo. A manhã se instaurando e com ela, outros elfos começaram a sair de suas casas para seus afazeres. Alguns deles se aglomerando para assistir o show. Era sempre um espetáculo ver o general ensinar uma lição ao mais jovens.

Aelamin estava ficando cansado. Já o general parecia que não havia feito nada nas últimas horas. Continuava calado, de cara fechada, sem dizer absolutamente nada e o pior de tudo, não parecia nem perto de começar a ficar cansado. Aelamin exalou o ar pesadamente e desviou os olhos para cima. Ele avistou uma silhueta. Uma silhueta feminina. Aquele era o quarto de Zinynore, mas aquela não era Ziny. Os cabelos negros, curtos, a pele pálida, lábios vermelhos, mãos delicadas espalmadas na janela. Ela olhava diretamente para ele. Quem era ela? Ele a viu sorrir enquanto voltava os olhos "De que cor serão?" na direção do general.

"O GENERAL!"

O jovem elfo voltou sua atenção a tempo de ver o general preparando-se para um novo ataque. Ele já havia feito aquilo antes. Aelamin sorriu internamente e apenas deu um discreto passo para a direita. Era o suficiente para vencer! Foi quando percebeu um movimento acontecer acima de sua visão. A moça parecia preocupada. Quase como se quisesse gritar alguma coisa para parar o general.

"Ela percebeu? Como?"

Ela olhou novamente para Aelamin quase em desespero. Foi quando ele se lembrou do público ao redor. Ele sorriu para ela. O General não podia perder. Não ali. Ele voltou à sua posição para tomar golpe e foi ao chão com a espada rolando para longe de sua mão.

O General sorriu.