CAPÍTULO I

~ 1º Dia ~

Eu nunca tinha ficado tão nervosa para ir à escola como estava hoje. Passara mais de uma hora escolhendo a roupa e mal conseguira comer no café da manhã. E tudo isso porque hoje era o dia que eu mandaria a primeira mensagem para Edward. Já tinha tudo pronto, o sonho que tivera já estava escrito num papel guardado cuidadosamente dentro do meu livro de Romeu & Julieta e a primeira parte da mensagem já estava digitada no celular comprado só para isso.

Aquele seria o único dia que mandaria duas mensagens. A primeira seria para testar se estava com o número certo – não queria correr o risco de mandar a mensagem para o telefone da pessoa errada. E a segunda seria o começo do sonho.

Cheguei à escola tremendo mais que tudo, quase batendo no carro de Tyler quando fui estacionar e mal respondia aos cumprimentos dos meus colegas de classe. Quando vi o Volvo estacionado a alguns metros de onde estava, quase vomitei de tanto nervosismo.

As primeiras aulas foram um inferno. Não conseguia prestar atenção em nada que os professores falavam e tinha sido repreendida por não ouvir quando o professor de Inglês fez uma pergunta.

Tinha decidido mandar a mensagem na hora do almoço, assim poderia me certificar que estava com o número certo e ainda ver a sua reação quando recebesse o torpedo.

Quando o sinal da última aula antes do almoço tocou, eu fiquei tentada a correr para o banheiro e só sair de lá quando a escola estivesse vazia, mas respirei fundo e me dirigi para a cafeteria, comprando apenas um refrigerante porque não estava em condições de comer nada.

Assim que comecei a andar para a mesa com Jessica, Ângela, Mike, Lauren, Tyler e Erik, eu o vi sentado na sua mesa de sempre, num canto da cafeteria, como sempre sozinho e com uma bandeja intocada a sua frente; seu olhar perdido contemplando o bosque que havia ao redor da escola.

Mais uma vez respirei fundo, bebi um gole pequeno da Soda e peguei o celular novo da mochila, abrindo a pasta de rascunhos.

"Posso te contar algo?"

Antes que perdesse a coragem, apertei no botão para enviar e cravei meus olhos nele, mantendo o celular apertado entre as mãos.

Por alguns segundos intermináveis nada aconteceu. Cheguei realmente a pensar que o número estava errado quando então ele se mexeu, seu cenho franzido, saindo da sua usual paralisia física e mexeu no casaco, tirando um celular de lá.

Bingo! O número estava certo.

Ele leu a mensagem rapidamente, mas não demonstrou nenhuma reação. Apenas voltou a guardar o celular no bolso e voltou a contemplar a paisagem, mais uma vez perdido em pensamentos.

Abri a pasta de rascunhos novamente e selecionei a segunda e última mensagem do dia. Sorri internamente quando apareceu o aviso "Mensagem Enviada". Era hora de começar a brincadeira.

"Ele era lindo. Seu corpo musculoso e pálido parecia reluzir sob os fracos raios do sol. A garota nunca tinha visto nada mais belo. E mesmo sabendo ser uma mulher sem atrativos, o homem a sua frente parecia encantado com a visão. O que mais a deixava surpresa era o fato de não se sentir envergonhada por estar nua no meio de uma clareira, em frente ao homem também nu."

Prendi a respiração enquanto esperava os intermináveis segundos mais uma vez e senti um calor muito forte no meu rosto. Sabia que estava corada até a raiz dos cabelos. Não sei o que me deu em fazer tamanha loucura, mas agora não tinha mais volta.

Mais uma vez observei ele tirar o celular do bolso e seu cenho franziu novamente enquanto ele lia a mensagem e seu olhar continuou cravado no pequeno aparelho como se ele estivesse relendo o texto várias vezes.

Então, para meu completo choque, ele ergueu o rosto e percorreu a cafeteria com o olhar, como se tivesse certeza que a mensagem tinha sido enviada por alguém ali dentro.

Rapidamente abaixei os olhos para a minha lata de refrigerante e guardei o celular dentro da mochila. Discretamente, voltei a erguer os olhos, com medo de que ele continuasse a procurar a autora da mensagem, mas Edward já tinha voltado a olhar para fora da cafeteria como se nada tivesse acontecido.

Confesso que fiquei um pouco decepcionada com sua atitude. Tudo bem que não esperava que ele ficasse de pé no meio da cafeteria e exigisse em alto e bom tom saber quem tinha enviado aquilo, mas ele ter se desinteressado tão rápido realmente me chateou.

A única aula que tínhamos juntos era a de Educação Física, a última aula do dia. Pensei seriamente em cabular indo para a enfermaria e alegando estar com dor de cabeça ou então simplesmente entrar no meu carro e dirigir para casa, mas ele poderia estranhar a minha ausência.

Isso na minha imaginação fértil, é claro. Edward sequer sabia que eu existia, quanto mais seria capaz de perceber que a aluna mais desastrada da aula não estava presente.

De cabeça baixa fui até o vestiário e troquei a minha roupa pelo uniforme, demorando mais que o normal para conseguir achar o lado certo da blusa.

Quando cheguei à quadra, Edward já estava lá jogando basquete com o time dos meninos enquanto as meninas ficavam do outro lado da quadra jogando vôlei. Graças a minha distração que estava ainda mais acentuada hoje, levei duas boladas na cabeça e esbarrei com Jessica ao tentar defender uma bola. Levei gritos das meninas do meu time e do time adversário e agradeci silenciosamente aos deuses dos sinais escolares quando a aula acabou.

Quando finalmente cheguei ao meu carro no estacionamento, depois de trocar de roupa, o Volvo prateado de Edward não estava mais. Dirigi devagar para casa, perdida em pensamentos e me obrigando a não desistir agora. Já tinha começado e iria até o fim.