Capítulo 2

O escritório de Draco, na empresa Malfoy, era amplo e arejado. As paredes do cômodo, do piso até altura de aproximadamente um metro, eram recobertas por carvalho escuro, em faixas verticais, onde estavam entalhados repetidas figuras do brasão da família. De onde terminava o detalhe em madeira até o teto, as paredes eram pintadas de verde claro, cor que representava a família Malfoy.

Na parede do fundo, havia uma grande janela também trabalhada em carvalho escuro, a qual proporcionava visão da entrada da empresa. De frente para a janela, ficava a mesa de Draco, feita da mesma madeira nobre, mas de um tom levemente mais claro. No canto esquerdo da mesa, alguns livros de contabilidade e administração de empresas estavam empilhados, mantidos em pé por suportes com a forma da letra "M".

Em uma das paredes laterais, uma lareira iluminava e aquecia o ambiente, acompanhada de pequenas poltronas pretas em couro, posicionadas à sua frente. Na lateral oposta, estava pendurada uma grande pintura da entrada da Mansão Malfoy.

Naquela manhã, assim que chegou à empresa, Nicolau entregara a Draco o balanço das contas do mês passado. Conforme esperado, tinham fechado no vermelho mais uma vez. Infelizmente, prejuízo estava se tornando um resultado recorrente.

Precisava urgentemente de soluções. Contudo, nesse momento, necessitava com mais urgência ainda de explicações satisfatórias para apresentar ao seu pai. Passou a mão pelos cabelos. Isso não seria nada fácil.

- Draco, aqui estão as planilhas referentes ao faturamento da empresa no mês passado! Prejuízo de novo! – dizia Lucius enquanto adentrava abruptamente ao escritório de Draco. Seu pai sempre foi um admirador de cenas de drama, fazendo questão de também protagonizá-las.

- Bom dia para você também, pai. Nicolau já entregou minha cópia mais cedo. – o rapaz tentava disfarçar, vez que não queria parecer fraco na frente de seu pai, porém, verdade seja dita, estava preocupado com a situação financeira da empresa e, consequentemente, da família.

- Não tem mais nada a dizer? A empresa precisando de lucro para refazer seu nome e você, herdeiro dos negócios da família, está preocupado com poções!

- Que merda, pai! De novo com essa história? Já te disse que não sou administrador! Inclusive você pode medir as minhas qualidades profissionais ao analisar essas planilhas e o desempenho da empresa! Você não precisa esfregar o fracasso na minha cara, pois ainda sei como analisar números! – dizendo isso, jogou seu peso para trás, inclinando-se na cadeira do escritório, enquanto afrouxava o nó da gravata. Seu pai sabia ser sufocante.

- Você não se interessa nenhum pouco pelo futuro da nossa família! - a essa altura da acalorada discussão, o patriarca já estava dando murros na mesa e apontando o dedo para Draco.

- Como não? Estou investindo na única coisa que realmente me destaco! Você sabe que sou um excelente preparador de poções! Se não me qualificar, quem vai me contratar? – disse entredentes, também apontando o dedo indicador para o pai.

Como esse velho tem o disparate de me acusar de não me importar com a família? Voltei a estudar e vou me casar com Pansy! Se isso não é sacrifício, não sei o que pode ser!

Lucius, dando as costas para Draco, começou a massagear as têmporas e respirar rapidamente.

- Vou repetir para você: a nossa situação, querido filho, – enfatizando ironicamente as duas últimas palavras – é extremamente grave e exige pulso firme!

- Também vou repetir para você, papai, – respondeu, devolvendo a ironia – contrate um administrador competente para gerir os negócios da família!

Sem dar a oportunidade para resposta, Draco, bruscamente, levantou-se da cadeira, apertou o nó de sua gravata, ajeitou seu terno azul marinho sob medida e deixou a sala sem dirigir o olhar ou a palavra a seu pai.

Saindo da empresa, em que era proibida a aparatação, pôde deslocar-se diretamente para a faculdade. Apesar de faltar certo tempo até sua primeira aula começar, era o suficiente para dissipar sua raiva e colocar sua cabeça no lugar.

Como o pai era cabeça-dura! Ele não apenas desprezava a falta de habilidade do filho para gerenciar a empresa, como também acreditava piamente que o casamento com Pansy salvaria os negócios da família. Seu pai não conhecia a morena como ele. Ela era esperta demais para aplicar dinheiro em um negócio falido.

Na época em que se opunha ao casamento, Draco deixou bem claro para seus pais que Pansy, agora à frente da empresa têxtil da família Parkinson, não investiria em um negócio que há sucessivos meses vinha apresentando prejuízo. Contudo, eles negavam veementemente a derrocada da empresa Malfoy – a qual passou de pai para filho, de geração em geração –, resolvendo, dessa forma, usar a obsessão de Pansy por Draco em benefícios deles. Desde então, pressionaram o loiro para se casar.

Draco era satisfeito com seu relacionamento com Pansy: ela lhe dava dinheiro, status e sexo oral. Na verdade, não se imaginava acompanhado durante tanto tempo de outra – e pela mesma – mulher que não ela. Apenas não queria se casar, em especial tão jovem e por pressão de seus pais. No entanto, depois de ter se acostumado à ideia – o que mais poderia fazer? – e pelo fato de a mulher ter prontamente aceitado – quando se ajoelhou e mostrou o anel, ela chorou. Nunca tinha visto Pansy derramar uma lágrima até então –, conformou-se.

Então, dentro de alguns meses seria um homem casado. Riu debochado de sua situação.

Após a tomada de tal decisão, Draco ponderou que sua melhor chance de ter um futuro profissional adequado aos seus padrões de vida seria trabalhar na empresa da sua futura esposa. Tinha consciência que a família dela faria jogo duro, porque sabiam que Malfoy dependia desse casamento. Eles o pressionariam e ele tinha de estar preparado para enfrentar qualquer desafio.

Não era preocupado com essa coisa ridícula de sucesso profissional. Somente queria seu cofre em Gringotes abarrotado. Como estava considerável tempo distante do mercado, precisava se atualizar, por esse motivo se matriculou na especialização em poções, curso em que se graduou. Não estava exatamente feliz por ter de voltar a estudar, mas como Draco sempre foi um aluno aplicado, frutos logo seriam colhidos. Seu pai fazia drama à toa, sua decisão era bem lógica e simples de ser entendida.

Engoliu em seco em face de tantas complicações e pormenores. Precisava de uma bebida.

Merda! Aqui é uma porra de faculdade, não vendem firewhisky! Vou ter de me contentar com um café. Que fase, Draco Lucius Malfoy!

Voltando a si, rumou para a lanchonete. De repente, ao longe, percebeu uma figura interessante sentada num banco próximo às salas de aula, devorando uns pedaços de papel. Uma estudante desesperada com uma prova próxima, com certeza.

Continuou se aproximando.

Merlin, você só pode estar me sacaneando!

Estacou. Gargalhou com gosto. Ela estava tão entretida com seus papéis que não o notou.

Reparou que os cabelos enrolados dela estavam um pouco mais compridos e repicados. Não conseguiu visualizar o rosto dela, porém, aparentemente, estava mais bonita. A figura dela como um todo pelo menos estava mais harmoniosa.

Trajava um vestido tomara-que-caia com estampas discretas de flores e uma sandália nude de salto alto. Em uma breve olhada, notou que conservava um estilo clássico, talvez um pouco mais ousada.

Ao passar por ela, viu que ela o notou e esboçou uma cara de choque misturado com uma pitada de desprezo. Foi obrigado a segurar o riso, senão sua falsa indiferença seria denunciada.

As aulas tinham se tornado interessantes a partir daquele momento. Mal esperava pela oportunidade de provocá-la.

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Lábios bem preenchidos. Cachos marrons. Pele branca. Olhos castanhos. Corpo esguio. Seios pequenos e delicados. Pernas sensuais.

Esses eram os pensamentos que ocupavam os pensamentos de Draco desde aquela tarde na biblioteca. Na biblioteca, isso não poderia ser mais "Granger".

Conforme antevisto por Draco, às aulas somaram-se trabalhos em equipes. No primeiro e segundo trabalhos, o grupo foi definido por sorteio. O terceiro, a ser desenvolvido durante todo o semestre, ficava a critério dos alunos. Para o último convidou Granger para ser sua parceira. Draco era prático: ela facilitaria muito sua vida com toda a inteligência e perfeccionismo, além de que, verdade seja dita, não lhe restou outra opção – há um bom tempo as pessoas não se estapeavam mais para ter cinco minutos com um Malfoy. Como vantagem, teria poucas preocupações com essa atividade extra-classe e ainda teria o bônus de atormentar Granger.

Draco estava apreciando as aulas. Com suas habilidades em poções não estava encontrando dificuldades em se destacar no curso. Atrás de Hermione, é claro. Acaso seus pais soubessem que estava sendo superado por uma sangue-ruim, ficariam possessos.

Para o rapaz, isso não passava de uma hipocrisia. Não lhe agradava a mistura de mundos diferentes, porque simplesmente não combinavam. Uma pessoa pobre jamais estaria apta de conviver em sociedade. Quem dissesse o contrário, era um grande mentiroso. Não era preconceito, porque não tem a ver com sangue, mas com influências. E, ultimamente, a família Malfoy não estava em bons lençóis para ficar criticando.

- Malfoy, – ela o abordara no fim de uma das aulas – sexta-feira, à tarde, antes das aulas começarem, na biblioteca.

- Encontro, Granger? Não sabia que era tão direta assim. Gostei. Eu levo poção anticoncepcional ou você? – disse, enquanto a analisava detalhadamente de cima a baixo.

- Seria bom que levasse os resumos dos textos que dividimos, para que seja mais rápido. Assim, apenas juntamos as partes. – sem esperar por uma resposta, virou as costas para ele e saiu caminhando pelo corredor, na direção oposta.

No dia e horário combinados, Hermione chegou à biblioteca e escolheu uma mesa de estudos localizada mais aos fundos do aposentado. O burburinho dos estudantes conversando sempre atrapalhava sua concentração. Em seus planos, essa reunião seria muito rápida, pegaria os resumos do Malfoy, debateriam alguns pontos controvertidos e o dispensaria. Assim, poderia voltar a estudar em paz.

Com algum tempo de atraso, Draco chegou à biblioteca. Novamente, estava de roupa social, porém não tão formal dessa vez: calça cáqui e camisa branca. O rapaz tinha bom gosto para se vestir, não era daquele tipo de homem que só sabia combinar calça jeans com camiseta ou camisa básica.

- Bom, vamos lá, Granger! Vamos resolver isso logo, porque não tenho a tarde toda. – disse, enquanto checava o horário em um relógio no pulso esquerdo. – a morena esboçou uma cara de desprezo.

Finalmente, iniciaram os estudos.

Não demorou muito para que Draco quedasse disperso. As coisas que a morena diziam já não faziam mais tanto sentido. Entrementes, deixou-se envolver em seus próprios pensamentos.

Quando será que ela vai terminar o sermão? Por que ela não pode simplesmente ser como as pessoas normais e fazer o trabalho meia-boca?

Riu de si mesmo. Granger não aceitaria nada menos que o melhor. Em nada na vida, isso estava gravado em cada pedaço do seu ser.

- Qual a graça, Malfoy? Contei alguma piada, por acaso?

- Foi mal, Granger. Divaguei. Retorne ao que estava falando. – a morena revirou os olhos – Tique taque, tique taque, o tempo está correndo contra você. Já disse que não posso permanecer aqui a tarde inteira, tenho que voltar à empresa ainda antes de as aulas começarem.

Não adiantou em nada a interrupção dela. Devaneios de novo.

Granger. Um completo enigma. Que será que tem feito da vida? Será que namora aquele pobretão do Weasley? Mantém ainda contato com o Santo Potter?

Ela tem cara de quem não transa há milênios. Não é possível ser tão brava assim a todo tempo!

Passou os olhos pelo rosto de Hermione, absorvendo cada detalhe.

Pele branca, nariz fino e reto, e pequenas pintas nas bochechas. Olhos castanhos e lábios bem preenchidos. Nunca havia reparado nela a tão pouca distância, mas me parece que a única novidade é que ela adquiriu traços de mulher. Perdeu um pouco daquele ar de menina ingênua do colégio.

Quanto ao corpo... Bom, a partir daí, Draco se perdeu completamente. Caso perguntassem aonde estavam, ele não saberia responder. Mergulhou intensamente na atmosfera Granger.

Em relação ao corpo, - olhar sedutor dirigido diretamente aos olhos castanhos – é um completo espetáculo. Ombros estreitos e braços finos faziam o contorno de sua pessoa. Seus peitos são pequenos, mas bem desenhados.

Salivou. Estava quase despindo a camisa roxa da mulher com o olhar.

O decote poderia ser um pouquinho mais profundo, né?

Se fosse dessa maneira, ela acabaria com você, seu idiota. Nocaute. Você não conseguiria mais se concentrar em nada.

O olhar dele era intenso e prendeu por completo o dela. Hermione enrubesceu, porém ele não notou. Estava concentrado demais em outras partes dela.

Cintura fina. Quadris não muito largos, bem proporcionais aos ombros - os olhos dele reiniciaram a trajetória pelo corpo dela.

Pernas não muito longas nem muito grossas. Diria que eram muito sensuais. E que bunda hein, Granger! Quem diria que ficaria gostosa assim! – agora, seu olhar quase arrancava sua saia preta.

É, Malfoy! Está com tesão pela Granger. Isso, no mínimo, vai ser divertido.

- Malfoy, quando resolver parar de me encarar e quiser voltar aos estudos, estou à sua disposição. – disse a morena, visivelmente abalada.

- Estudos? É só isso que ocupa esses seus miolos? Você é uma mulher, sou um homem. É normal que sintamos desejo um pelo outro. Poderíamos aproveitar nosso tempo de uma forma bem mais produtiva! – nesse momento, um sorriso cafajeste se expande no rosto dele.

- Você anda cheirando poções demais, Malfoy! Está é uma reunião profissional e você insiste em me provocar como se fôssemos adolescentes! Além do mais não sinto nenhum desejo por você, então pode parar de se gabar!

- Você não pode falar do que nunca experimentou, Hermione Granger!

Dito isso, puxou a cadeira mais próxima à dela. Suavemente, - afinal, não queria assustá-la – passou o polegar direito pelo contorno do rosto da morena, alisando com muito cuidado sua pele macia. Em seguida, levou a mão aos cabelos dela e experimentou a textura. Eram macios. Começou, assim, a desenhar a forma dos cachos mecha por mecha.

A mulher, até então absorta, voltou a si e fez menção de recuar ao toque de Draco. Este com muita destreza, pressionou levemente a palma de sua mão esquerda nos cabelos da morena em direção contrária em que o corpo dela se movia, impedindo-a de se afastar.

- Shhhhh, Granger! Apenas aproveite o momento! Não lute contra isso!

Ela não respondeu, mas também não se afastou. Então, ele reiniciou suas carícias, agora desenhando os contornos do rosto feminino. Delicadamente, passou seus dedos ao redor dos olhos. Quando elas os fechou, pôde fazer uma leve massagem nas pálpebras. Desceu para o nariz e alisou as bochechas agora rubras.

Levou o polegar direito ao lábio superior acompanhando toda sua extensão. Em seguida refez o movimento, mas na direção contrária, descendo para o lábio inferior logo após. Acariciou-o sem pressa. A respiração da garota tornou-se pesada. Draco sentiu que ele mesmo arfava.

Impulsionado pelo seu desejo, pressionou a boca feminina, para que se entreabrisse, gesto que fora prontamente atendido pela morena. Avançando o dedo, sentiu a saliva quente na face interior do lábio dela.

Ela estava completamente entregue ao momento e aquilo o deixou louco.

Com fúria, tomou os lábios dela nos seus, invadindo por completo a boca de Hermione num beijo lento e sensual. A mão direita dele acariciou suavemente a nuca dela, fazendo pequenos círculos com o polegar, ao mesmo tempo em que a esquerda se posicionava na fina cintura, pressionando-a através da mesa de estudos.

Pressionando com mais força a boca na dela, impôs completamente seu ritmo, numa dança envolvente de línguas. Ela alisou a face dele com as costas de sua mão direita e colocou sua mão esquerda na nuca do rapaz.

Como num passe de mágica, o mundo ao redor se perdeu completamente. Pouco se importavam se estavam em uma biblioteca ou se poderiam ser surpreendidos a qualquer instante.

As bocas se apartaram por alguns segundos, enquanto um se apoiava na testa no outro, no intervalo de tempo em que ambos recuperavam o fôlego. Quando os olhos dela por fim se abriram, ao invés de castanhos estavam negros de desejo. O peito dele começou a subir e descer ainda com mais rapidez.

Em um movimento repentino, o loiro se levantou da cadeira, puxando-a pela mão:

- Vamos sair daqui! – o olhar dele era desesperado! - instintivamente, ela puxou de volta para si a mão segurada por ele, só não se soltando do aperto porque ele não permitiu.

- Não posso, Malfoy! Você não pode! Está noivo! – disse, impondo um tom mais agudo na palavra "noivo".

- Olha, Granger, eu e Pansy não temos um relacionamento baseado em fidelidade. Somos leais um ao outro, o que é diferente. Se você me disser que não quer sair daqui comigo, porque esse beijo não significou nada para você, não acredito, mas respeitarei. Apenas não use os outros como uma desculpa para ser covarde!

Em desafio, olhos castanhos encararam-no. Com uma ferocidade maior do que a esperada, Hermione afastou ruidosamente a cadeira, alisou sua saia, ajeitou seus cabelos e seguiu o loiro pelos corredores.

Ele tinha que admitir: Hermione tinha atitude.

No fim do corredor da turma de especialização em Transfiguração, encontraram uma sala vazia. Draco puxou a morena para dentro, trancou a sala e lançou um feitiço silenciador. Quando se voltou para ela, esta estava encostada na mesa do professor, encarando-o com olhos profundos.

Sem qualquer aviso, disparou na direção dela, atirando seu corpo sobre o pequeno corpo feminino. Sua boca procurava a dela com intensa fome. O beijo, inicialmente lento, adquiriu velocidade e as mãos começaram a descobrirem os corpos um do outro.

As longas mãos masculinas desceram pela lateral do corpo dela, da altura dos seios até a dos joelhos. E, em seu caminho de volta, estacionaram nos seios, massageando-os devagar. O ritmo e a pressão imposta sobre eles foram aumentando tanto que a garota não conseguiu mais se segurar e soltou um gemido rouco – combustível para ele.

As mãos do loiro desceram para os quadris de Hermione. Com as mãos espalmadas, apertou-a pelas nádegas contra seu corpo, fazendo com que ela gemesse mais uma vez.

Percebendo-se excitado, puxou ainda mais o corpo dela junto do dele. As mãos dela, que até então estavam presas ao redor do pescoço, foram descendo pelas costas dele, arranhando-as comedidamente. Após, levou suas mãos às costas dele por dentro da camiseta, acariciando-as em toda sua extensão. Então, foi a vez dele de gemer.

- Granger, você está me deixando louco! – disse com a respiração descompassada.

Sem cortar o beijo, voltou a apertar os seios e, então, começou a desabotoar a camisa dela, desnudando por completo seu tronco. Ela vestia um sutiã de renda preto. Parou de beijá-la para admirá-la: realmente gostou da visão de seus pequenos - mas muito bem desenhados - seios alvos em contraste com a lingerie preta.

Levou seus polegares por debaixo do sutiã, encontrando uma pequena brecha entre o tecido e a pele macia, e teceu círculos ao redor dos mamilos. O corpo dela pendeu para trás, fazendo com que a mesa do professor se arrastasse com um forte barulho. Pela boca entreaberta passavam débeis gemidos.

Então, ela também desabotoou a camisa dele, atirando-a, logo em seguida, ao chão. Percorreu todo o peito liso distribuindo beijos molhados. Retirou o sutiã dela e o arremessou longe, desvelando seus seios miúdos e empinados. O interior de suas calças estava ficando verdadeiramente apertado para o tanto que estava excitado.

Passou a língua por toda a pele suave do seio direito e depois, pelo esquerdo. Deixando o melhor em último lugar, concentrou-se nos mamilos: atiçava-os com sua língua molhada, entremeando com leves mordidas. Hermione sentou-se na mesa e enganchou as penas ao redor da cintura do rapaz, ao passo que arqueava seu corpo para trás totalmente rendida.

Massageando os joelhos, foi subindo suas mãos pelas coxas da morena até alcançar sua intimidade. Por cima da calcinha rendada, com seu dedo médio tecia movimento circulares. Ela, por sua vez, estava com os nós dos dedos brancos de tanto apertar o tampo da mesa.

Movida pelo desejo, ela desafivelou a calça dele, afastando por um breve instante os corpos, para que a vestimenta fosse ao chão. Provocando-o, moveu suas mãos sobre a ereção, fazendo com que ele cerasse os olhos. Em movimento contínuo, retirou a cueca box preta dele o principiou a fazer movimentos para cima e para baixo em seu membro.

O corpo de Draco vacilou e teve de se apoiar na mesa.

Quando conseguiu se recompor minimamente, enfiou as mãos por debaixo da saia e puxou a calcinha preta, jogando em cima de uma carteira da primeira fileira. Então, Hermione desceu da mesa e virou de costas para que ele a ajudasse descer o zíper da saia. Feito isso, baixou a saia e fez uma leve pressão com suas mãos nas costas da morena, para que debruçasse seu peito sobre o tampo da mesa.

A visão de Hermione nua, debruçada sobre a mesa com a bunda empinada para o alto deixou-o sem palavras. Era uma mulher muito bonita e deixava-o absurdamente excitado.

Não podendo mais se conter, levou as mãos nas nádegas e puxou o corpo dela contra seu membro, penetrando-a. Com suavidade, foi investindo até que estivesse completamente dentro dela. Por diversas vezes, escorregava suas mãos nas costas da morena, levando-as até os seios, dando a ela verdadeiro prazer

A velocidade das estocadas foi sendo sutilmente aumentada, ao passo que ambos deliravam.

Depois de um tempo, Draco virou o corpo da morena de frente para si, sentando-a novamente na mesa. Hermione enlaçou o corpo dele com suas pernas e reiniciarama dança erótica. Levou o indicador direito na intimidade dela, provocando-a enquanto penetrava. Ela agarrava-se às costas dele com toda sua força.

De repente, Hermione sentiu todo seu corpo quente e tremulando de prazer: atingiu o clímax. Draco, dessa forma, permitiu-se liberar dentro dela. Os dois estavam, então, completos.

Deitou a cabeça sobre o peito arfante dela, enquanto se recompunha. Ela acariciava os fios loiros de sua cabeleira.

- Droga, Malfoy! Perdemos o primeiro tempo de aulas! – disse, provocando-o com um sorriso no rosto.

- Valeu a pena, Granger! – deu à morena uma piscadela.

- Só nos seus sonhos! – ambos riram satisfeitos.

Desde então, vê-la e meter-se entre suas pernas tornou-se uma necessidade. Estavam viciados um pelo outro.

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Ao aceitar o trabalho em grupo com Malfoy, sabia que teria de fazer tudo sozinha, ele apenas assinaria o nome e ganharia uma boa nota. Na verdade, Hermione tinha consciência que com qualquer outra pessoa seria da mesma forma. Por conhecer Malfoy ponderou que poderia lidar melhor com ele em comparação a um desconhecido. Aceitou a proposta por acreditar que estaria em vantagem. Ademais, já não eram adolescentes, estava mais do que em tempo de superar os traumas do passado.

Hoje, achava engraçado quando ressaltam a ingenuidade das crianças. Com base em suas memórias, as mesmas crianças poderiam ser bem cruéis. Felizmente, tudo isso era passado e agora poderia colocar apropriadamente Draco em seu lugar, se eventualmente se excedesse.

Não poderia estar mais enganada. Ele, além de dominar os pensamentos, agora dominava o corpo dela. Da mesma forma que não conseguia resistir às investidas dele, também não estava conseguindo evitar pensar nele, de desejar estar ao lado dele.

Quando ele a tomou pela primeira vez, Hermione ficou totalmente fora de controle. Não conseguiu se impor ou afastá-lo. Ela não se entregava assim a homens que ela mal conhecia, os quais poderiam não tratá-la do jeito que ela esperava. Com ele, ao contrário do que todas as evidências indicavam, sentiu-se confortável, sentiu que seu desejo tomava as rédeas de seu ser. Deixou-se levar e perder-se em Draco Malfoy.

A fisionomia do rapaz não havia mudado muito, foi um menino bonito e se tornou um homem bonito. Suas feições eram bem delicadas, a barba rala conferia a ele um ar ainda de menino, mesmo que suas expressões indicassem tratar-se de um homem mais maduro.

Tinha estatura mediana e seu corpo, apesar de magro, era bem desenhado. Os braços, em especial, eram bem musculosos e os ombros eram proporcionalmente largos. Seu conjunto físico era de encher os olhos. Não era à toa que as meninas, e agora mulheres, faziam de tudo por uma noite com Malfoy.

E não é à toa que ele se gaba tanto! – pensava a morena, enquanto revirava os olhos.

Sua pele era tão branca quanto o mármore, tanto que, mesmo quando se bronzeava um pouco, ainda permanecia muito branco. Hermione gostava da pele dele quando estava queimada do sol, fazendo com que o loiro dos seus cabelos, cílios e barba ficassem mais destacados.

Os olhos eram de um tom único: cinza. Draco tinha um quê de mistério: era muito mais profundo do que a figura de herdeiro mimado que apresentava a todos. Bastava observá-lo um pouco quando estava sozinho, em algum canto, e se chegaria facilmente à conclusão que ele tem muito mais conteúdo do que deixa transparecer. As íris cinza davam um toque de classe a todo esse mistério em forma de pessoa.

Quando estudava concentrado, permitia revelar um pouco de seu lado tão profundamente encoberto. Era um aluno aplicado, tinha certeza que a educação dele tinha sido deveras rígida – para um Malfoy, nada menos que o melhor. Nos momentos em que estava absorto nos livros descia todas as barreiras, despia a capa Malfoy e permitia-se ser apenas Draco, um homem comum e acessível. Hermione aprendeu a admirar e a apreciar a companhia desse rapaz que dava o ar da graça de vez em quando.

Foi numa dessas ocasiões que o chamou pelo nome pela primeira vez. Ele não percebeu – ou fingiu não perceber -, mas a deixou transtornada. Chegou a conclusão que estava apaixonada por ele. E, se ele não correspondia exatamente com o mesmo sentimento, era algo bem próximo, porque a tratava de forma gentil, algumas vezes até carinhosa.

Só sabia que esse era um terreno muito delicado para os dois, como se caminhassem em um campo minado. Cada passo deveria ser dado com o maior cuidado – especialmente porque ele tinha uma noiva.

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Depois de um longo dia de trabalho e um jantar exaustivo na companhia de seus pais, Draco se retirou ao seu quarto com a finalidade de estudar o livro-caixa da empresa, tentando, por mais uma vez, reduzir as despesas desta. Porém, isso foi apenas um pretexto. Precisava de um tempo para refletir sobre sua situação com Granger. Encontrava-se preocupado, afinal nunca se sentiu desesperado assim pela companhia de uma pessoa.

De fato, nunca havia reparado em outras características numa mulher quem não fossem os desenhos de seu corpo e detalhes ligados a sexo. Caso se atentasse a comportamentos era porque lhe interessava ou seria beneficiário imediato. Assim como estava atento aos atributos da personalidade de Pansy, vez que dela dependeria seu futuro profissional.

Naquilo que dizia respeito à Hermione, no entanto, sua lógica não funcionava bem. Saber que ela sempre comprava sanduíche natural de peito de frango e suco natural de laranja, nos intervalos das aulas da pós-graduação, não servia para nada. Ou saber que quando ela estava ansiosa, mordia com força o lábio inferior, da mesma não melhorava em nada sua vida. Estava usando sua memória útil para arquivar pequenos detalhes de Hermione.

Isso não estava funcionando bem e estava tirando seu sono.

Quando transou com ela pela primeira vez, não pensou em nada – menos ainda nas consequências. Apenas seguiu seus instintos, porque cada poro do seu corpo ansiava por tê-la. Continuar a encontrar-se com a morena foi um desdobramento natural de algo que surpreende e se mostra bom. Iria casar-se mesmo e, até lá, queria aproveitar a vida intensamente.

Os problemas se iniciaram quando começou a reparar nos trejeitos de Granger, quando se pegou tentando agradá-la ou quando ficou devastado por uma discussão que teve com a morena. Descobriu que gostava de provocá-la para vê-la viva, mas enxergar por entre seus olhos castanhos mágoa era por deveras desconfortável.

Acreditava que estava perdido, uma vez que nunca vivenciou nenhuma situação parecida com outras garotas ou mesmo com Pansy. Quando esteve com outras mulheres, apenas se encontravam para transar e depois cada um seguia com sua vida. Nas vezes em que havia conversa, era sobre assuntos práticos relacionados a sexo. Contudo, na esmagadora maioria das vezes, eram apenas o silêncio e os gemidos. Não chegou a se envolver com ninguém.

Obrigatoriamente, encontrava Hermione nas aulas de especialização e mantinham contato, às vezes pessoalmente, às vezes por correio, para tratar do trabalho em grupo. Foram descobrindo certas afinidades que os aproximaram, fazendo com que escolhessem estar perto, sentando próximo um do outro nas aulas, ou comendo alguma besteira na lanchonete, durante os intervalos.

Inconscientemente, Hermione foi uma escolha. A sua escolha.

Antes do manterem relações sexuais não havia muito tempo para conversarem, pois sempre estavam desesperados para ter um ao outro. Depois, porém, sempre tagarelavam sobre o ocorrido ou algo trivial. Não pensava, era espontâneo e foi se desenvolvendo dessa maneira torta e confusa.

O Draco de antes preferia a forma como o relacionamento com Pansy se desenrolava. Sempre foram muito honestos acerca de seus desejos físicos, tornando-os satisfeitos nesse aspecto. Não lhes agradavam muito os mimos, não formavam um casal grudento e grudado. Não faziam questão de participar ativamente um da vida da outro, ao contrário, levavam suas vidas de maneira bem independente. Porém, encontravam-se com frequência para compartilhar momentos. Momentos que eram completamente deles, em que eram completamente um do outro.

O loiro não negava que os momentos com Pansy eram bem intensos. O sexo com ela era enlouquecedor: todos os desejos tinham a obrigação de se transformarem em realidade. Desde as primeiras vezes juntos, nunca existiu ir devagar ou com calma. Desde sempre tudo fora pesado. Draco gostava disso, afinal sexo era para liberar seu lado animal.

Já com Hermione beirava à delicadeza. O sexo era muito bom, porém mais lento e mais profundo. A mulher gostava de ser conquistada e ele, surpreendentemente, estava apreciando conquistá-la. Soube que estava apaixonado nesse momento.

Apaixonado. Sentia-se um completo de idiota. Pior: gostava de se sentir um completo idiota na companhia de Hermione.

A mente racional de Draco sabia identificar todos os sintomas. Não se julgava incapaz de amar ou de receber tal tipo de afeto, apenas nunca havia se imaginado nessa posição. Sua lógica recomendava que o melhor jeito de encarar situação seria vivendo-a em toda sua plenitude. Não queria arrependimentos.

E o futuro? Sobre este apenas sabia que a veria amanhã, na aula. De resto, era honrar os compromissos assumidos. Contentou-se em viver um dia por vez.

Bufou. Como essa impotência era frustrante! Esses pensamentos pareciam corroer seu cérebro!

Arremessou as planilhas em cima de uma mesa, em seu quarto. Caminhou até o banheiro, abriu o armário e pegou uma poção sem sonhos. Virou o frasco de uma vez. Sem sonhos com ela essa noite.

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