Sirius permaneceu sentado na posição em que Marrie o havia deixado durante quinze minutos. Remus veio resgatá-lo de seu estado vegetativo chamando o amigo para presenciar uma memorável briga entre Lílian Evans e Pontas.

Quando Sirius e Remo atravessaram uma pequena multidão, encontraram o amigo no meio de uma roda parado em frente à ruiva.

As pessoas se aglomeravam em volta dos dois, acostumadas aos shows nada básicos que eles costumavam dar. A face de Lílian estava tão vermelha quanto seus longos cabelos, ao contrário de Tiago Potter, que estava sorrindo serenamente.

"Você me ama, não precisa fazer todo esse teatro Lily, eu sei. Você sabe"

"Você é retardado Potter, totalmente retardado!"

"Amor, a verdade está na sua cara, seus olhos não mentem!"

"Potter, olhe bem nos meus olhos.Eles estão falando a verdade agora. Eles estão dizendo que minhas mãos vão te estrangular se você não parar com essa gracinha! Olhe em volta- ela fez um gesto indicando o círculo que havia se formado em torno deles- olhe o showzinho que você está criando".

"Na verdade, quem está criando showzinho é você meu amor-ele sorria mais- já que quem está gritando que vai me enforcar, é VO-CÊ".

"Potter, eu juro para você, você vai ter uma morte lenta e dolorosa. Bem dolorosa."

Sirius e Remo tiveram que interferir, ou Tiago realmente teria uma morte lenta e dolorosa. A ruiva falava sério,eles tinham certeza.

Tentaram encontrar Pedro para que ele ajudasse a retirar Pontas da "zona de perigo mortal", mas ele estava aparentemente mais interessado na quantidade de coxinhas de frango expostas na mesa que estava no canto direito do salão.

Os amigos riram ao perceberem que Pedro em sua boca quantas coxinhas suas mãos conseguissem pegar, e ainda guardava algumas em seus bolsos.

"Que pobreza Remo- disse Sirius debochando- guardar no bolso?"

O maroto gargalhou e acenou com a cabeça concordando com o comentário que foi feito.

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Tirar Pontas de perto de sua ruiva explosiva (que na verdade não era e não seria SUA) era uma tarefa difícil.

Assim que perceberam o olhar penetrante que a garota lançou ao amigo, Sirius e Remo aproximaram-se mais dos dois na tentativa de salvar a pele de Potter.

À princípio, Remo tentou conversar com o amigo, alertando-o que para o bem de sua saúde física e mental, ele deveria se afastar rapidamente de perto de sua amada.Obviamente ele não conseguiu. Tiago ficava lá, com aquela cara de babaca cheio de si , soltando convites e declarações para Lílian.

Então Sirius teve que interferir.Casos extremos pedem medidas extremas.

Com sua força e corpo torneado graças á muitos treinos incessantes de quadribol, ele puxou o amigo para fora daquele campo de batalha e o levou para um local ao lado.

Tiago permanecia com aquela cara de babaca e com um sorriso maroto em seus lábios.

"Qual seu problema Pontas? Você bebeu?" Ele gritou alto o suficiente para que todos conseguissem ouvir

"Você sabe Almofadinhas, aquela velha historia... ela se faz de difícil, eu continuo no jogo."

"Mas dessa vez meu caro amigo, não há jogos, não há se fazer de difícil, ela não quer Pontas."

"Você não entende não é mesmo?Vocês todos não entendem. Ela me ama, vocês verão no final".

Sirius estava cansado, essa discussão ficaria para outro dia.

"Okay, agora, eu estou cansado. Nós vamos embora, certo?"

"Certo, acho que a Lily não vai querer continuar nossa agradável conversa hoje mesmo. Onde está o Remo?"

Sirius apontou para um canto onde o amigo beijava uma garota.

"E Pedro?"

"Comendo." Sirius disse sem emoção.

"Vamos lá, arrastá-lo para o dormitório."

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"Chega de comer Pedro" Tiago riu.

"Esperem, só mais uma coxinha e.."

Ele não conseguiu terminar sua frase, três marotos o arrastaram para fora do salão, em direção ao dormitório grifinório.

Pedro caminhava sob protesto, reclamando a todo o momento que não havia terminado de comer e ainda estava com fome enquanto os outros o mandavam calar a boca.

"A senha por favor" Disse a mulher gorda

"Pergaminho massarocado" Disse Remo.

"Que tipo de pessoa cria uma senha assim?" Protestou Sirius.

"Boa pergunta."

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Sirius se deitou, tentando finalmente dormir. Era tarde e Tiago roncava na cama à sua direita. Pedro estava desmaiado em uma cama próxima e Remo parecia estar tendo um sono um pouco perturbado.

Ele se revirou um pouco nos lençóis, tentando encontrar a posição certa para que o sono chegasse. Não chegou.

Abriu seu livro-enciclopédia sobre os times mais famosos de quadribol, passou os olhos sobre metade das páginas... e nada de sono.

Arrumou todas as roupas que havia deixado jogadas durante a semana,e nada.

Quarenta minutos haviam se passado desde que resolvera se deitar, e como o sono não vinha, decidiu voltar à sua rotina de passeio pelo castelo.

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Passou pela cozinha,pegou algumas bombas de chocolate e sentou-se em uma das mesinhas que ficavam ali na cozinha. Ele realmente precisava dar um jeito de dormir, ou o resultado seria terrível. Aquelas bombas de chocolate o faziam esquecer por alguns instantes de todos os seus problemas, de sua família que se colocava contra seus ideais, de todas as brigas com sua mãe sobre qual seria o caminho certo a seguir, de todos os gritos que era obrigado a ouvir.

"Mais uma bomba de chocolate, senhor Sirius?" Perguntou um elfo com seus pequenos olhinhos de amêndoas brilhando

"Não Teod, muito obrigado. Estou satisfeito" Ele respondeu com um olhar caridoso sobre ele.

O garoto saiu da cozinha e foi seguindo um caminho diferente essa noite, embora conhecesse todas os cantos daquele castelo. Colocando a mão em seu bolso percebeu que o mapa estava em na parte de trás de sua calça jeans.

Abriu-o com cuidado.

"Prometo solenemente não fazer nada de bom" disse apontando sua varinha.

O pergaminho vazio deu lugar a um mapa detalhado do castelo, e apenas alguns pontinhos começavam a se locomover nos corredores.

"Filch,é claro." começou examinando.

"Sonserinos detestáveis" disse com nojo.

Tornou a olhar para o mapa e algo o chamou a atenção. Muito próximo do pontinho que ele representava no mapa, se deslocava bem atrás dele.

Ele olhou novamente para o mapa, tentando se lembrar a quem pertencia aquele sobrenome.

"Guiverné? Quem será?" Indagou curioso.

O pontinho chegava cada vez mais perto, e Sirius começou a pensar que seria perigoso permanecer ali. Se ao menos tivesse a capa consigo naquela noite...

Seus olhos iam do mapa para o corredor, repetidamente.

Os passos começavam a ficar próximos e antes que Sirius percebesse, a pessoa estava às suas costas.Estava ferrado, como poderia ter sido tão vulnerável assim? A insônia não o deixava pensar? O que ele estava fazendo ali? Sabia que deveria ter pedido alguma das poções para dormir para madame Pomfrey,embora relutasse muito em pedir ajuda.

"Sirius Sirius Black? A essa hora fora da cama?Isso não me parece nada bom" Disse-lhe uma voz familiar às suas costas.