Capítulo II – Primeira Vez

POV Milo

Vi Camus sair correndo do escritório do Mestre Shion após sem dispensado, eu fiquei lá olhando do Mestre Chifrudo pensando em como Camus devia estar revoltado comigo. Eu precisava fazer algo para aliviar a minha barra com ele.

– Mestre...

– Eu já não te mandei ir embora, Milo?

Ele respondeu frio, com certeza estava muito mais bravo comigo do que com Camus. O Kibon Jr. era o queridinho dos professores e dos cavaleiros, nunca fazia nada de errado a não ser quando estava comigo. Quantas vezes eu não ouvi o quanto era má influência para ele. O fato é que eu pouco me importava com a opinião alheia, só ligava mesmo para o meu iceberg.

Mestre, eu sei que o senhor me mandou embora. – Eu fiz força para ser o mais educado possível. – Mas realmente preciso conversar com o senhor. É verdade que ele não fez nada, quem jogou o pó de mico fui eu!

– Essa história novamente! Ele estava lá, ao seu lado, rindo da situação e escondido atrás do parapeito da janela. Quando eu gritei, ele correu junto com você e sumiu da minha vista. Pode ter certeza que quem não faz nada não age dessa maneira.

Eu te dou a minha palavra! Ele parou para ver o que estava acontecendo, eu juro! E como o senhor gritou o nome dos dois e saiu correndo, o melhor a fazer era correr, porque naquele estado o senhor não ouviria ninguém.

Shion cruzou os braços e me olhou incrédulo. Ele não acreditava no que eu falava, mas eu sabia que estava ao menos plantando uma semente de dúvida naquela cabeça chifruda. Quem sabe eu não conseguiria alguma coisa.

– Ouça aqui, Milo, nobre da sua parte querer defender seu amigo. Ao mesmo tempo, Camus com você faz coisas que eu realmente duvido que ele seja capaz. Mas agora, sendo verdade ou não o que você disse, ambos já receberam suas punições, não tenho o que fazer. Da próxima vez ele aprende a evitar sua companhia.

Ele falou virando de costas para mim e olhando seus livros como quem encerra a conversa, mas eu não iria desistir. Não enquanto não conseguisse ao menos alguma coisa para deixar meu picolé de limão azedo feliz.

– Mas...

– Você ainda está aqui Milo?

Dessa vez ele perguntou um pouco irritado, eu obviamente me retraí, meu traseiro estava doendo muito e eu tinha medo de apanhar mais se o irritasse com discussões. Mas pelo Camus, aquele risco valia a pena.

– Mestre, por favor, pensando na possibilidade do que eu te digo ser verdade, será que não dá para dar uma chance a Camus de não perder nota na avaliação geral? Ele estuda tanto e se preocupa tanto com isso.

– Então deveria ter pensado nisso antes de bancar a criança de cinco anos de idade.

– Mas não foi ele!

Eu aumentei o tom de voz sem querer, ele fez uma careta e olhou para a cane. Eu recuei dando um passo para trás preocupado. Mas Shion, acima de tudo, era justo. Ele sabia que se eu estava insistindo é porque tinha algo verdadeiro ali. Ele suspirou fundo e disse:

– Olha, Milo, o castigo já foi dado. Ambos vão perder a pontuação. Porém... Eu posso dar uma segunda chance para que recuperem os pontos perdidos.

Eu sorri, olhando para o chifrudo como quem queria abraça-lo. Ele retribuiu o sorriso, mas logo começou a falar novamente. Era incrível como aquele cara gostava de tagarelar.

– Vocês terão que entregar uma monografia de cada matéria, ou seja, de todas as oito matérias. Isso valerá metade da nota que perderam, mínimo de cinquenta folhas para cada trabalho. Para a outra metade da nota, farão uma prova de cada matéria da monografia que entregarão.

Eu engoli em seco, eu jamais faria aquela porcaria toda, preferia ficar sem nota. Mas ao menos Camus poderia fazer e recuperar sua média perfeita que ele tanto prezava. Mas acho que Shion leu meus pensamentos, porque ele logo falou.

– MAS, os trabalhos serão entreguem em conjunto e só recuperarão as notas se ambos conseguirem passar nos exames.

– O que?

– Isso mesmo. – Shion sorriu – Quem sabe assim Camus não faz você estudar uma vez na vida.

Eu queria xingá-lo, mas minha anatomia castigada não me deixava. Bom, ao menos eu tinha algo bom pra falar para Camus. Agradeci ao chifrudo e sai de sua sala em direção à casa de Camus.

POV Camus

Eu estava deitado de bruços na minha cama com um livro aberto, estudando para a prova de física de amanhã. Mas era difícil me concentrar, eu sentia tanta raiva que sentia vontade de chorar e esmurrar a parede, mas jamais demonstraria meus sentimentos e agiria como um fraco.

Não sei como uma surra podia doer tanto como aquelas que Shion dava, o que o me dava mais raiva era o olhar dele tão desapontado comigo. Se eu pudesse colocar minhas mãos naquele escorpiano de uma figa...

TOC TOC

Eu ouvi uma batida na porta, quem poderia ser naquele horário? Logo a maçaneta se abriu e apareceu Milo sorrindo do outro lado da porta. Eu não gosto de brigas, mas quando dei por mim já o estava segurando pelo colarinho da sua camisa.

– Calma, calma, amigo... – Milo se divertia com a minha cara, falando comigo como se fala com um cachorro.

– Ora seu! – Eu o joguei no chão sem qualquer cuidado.

– Camus, me perdoa, eu... – Ele disse se levantando do chão e batendo na sua roupa para limpá-la. Se tinha algo que aquele sujeito é, é vaidoso e preocupado com a aparência.

– Milo, saia daqui. SAIA DAQUI AGORA SE VOCÊ SABE O QUE É BOM PARA VOCÊ!

– Camus, por favor, me escute, eu conversei com Shion...

– EU NÃO ESTOU NEM UM POUCO PREOCUPADO COM O QUE VOCÊ FAZ OU COM QUEM VOCÊ CONVERSA. SAIA DAQUI AGORA ANTES QUE EU RESOLVA QUEBRA A SUA CARA!

Milo revirou os olhos, cruzou os braços e se encostou numa parede me olhando. Era difícil interpretar suas caras, nesse ponto do nosso relacionamento, eu nunca sabia o que ele estava pensando.

– Camus, será que dá para você me ouvir, POR FAVOR?

Ele parecia falar sério, como quem tinha algo importante a dizer. Eu estava cansado de discutir, tudo que queria era ficar quieto no meu canto com meu traseiro para cima e mais nada. Queria ficar recluso, tentando esquecer a vergonha de levar uma surra do grande mestre com a minha idade.

– Fala logo Milo, e depois saia daqui.

Eu cuspi a resposta, indignado. Ele espirou fundo, passando uma das mãos naqueles cabelos compridos com leves cachos nas pontas. Ele era lindo, mesmo com raiva eu admirava sua beleza, mesmo com vontade de mata-lo eu o queria em meus braços.

– Bom, Camyu, eu conversei com o Shion depois que você saiu. Eu repeti o que você já havia dito, que apenas eu havia sido responsável pelo que aconteceu. Ele não me deu ouvidos, mas consegui convencê-lo a algo que acredito que o deixará feliz.

Olhei incrédulo para ele, se Shion não tinha acreditado na versão verdadeira dos fatos, o que ele podia ter conseguido de bom?

– Ele deu uma chance para que possamos recuperar a nota que ele tirou de nossa média geral.

Eu tive que me segurar para não sorrir, aquilo era o que havia de mais importante para mim. Eu levaria mais cem surras sem pestanejar para não prejudicar minhas notas, faria qualquer coisa. Continuei olhando para Milo, tentando não demonstrar nenhum sentimento, ele não merecia agradecimento algum.

– Mas teremos que fazer uma monografia de cada matéria com uma penca de folhas cada uma, além de fazer uma prova para cada trabalho entregue. Dá pra acreditar?

Eu escutei aquilo e comecei a fazer as contas, era muito pouco tempo para trabalho demais. Não daria tempo se eu não parasse de desperdiçar cada segundo. Eu precisava começar naquele segundo e tinha que tirar aquele escorpiano besta que não ia aproveitar a oportunidade do meu caminho.

– EU TENHO MUITA COISA PARA FAZER! Como já sei que você não vai fazer nada, por favor saia daqui! Me ajude sumindo da minha vida, já que a culpa de tudo isso é sua. Não vai fazer, não me atrapalhe.

– Er... – Milo sorriu sorrateiramente para mim, aquilo me preocupou. – Esqueci de te falar um detalhe, gelinho...

Eu olhei para a cara daquele escorpiano extremamente preocupado. O que ele estava aprontando?

– Temos que fazer o trabalho juntos e, se eu não recuperar minhas notas nas provas, você também não recupera as suas. Regras do chifrudo!

Eu não me contive, bati forte na tábua de madeira da minha escrivaninha. O que Shion tinha na cabeça em me obrigar a ficar com Milo, ele mesmo já tinha falado mais de uma vez que ele era uma má influência para mim. Na certa queria que eu obrigasse Milo a estudar.

Respirei fundo, eu precisava me acalmar. Eu tinha duas opções muito claras, a primeira era não aproveitar a chance de recuperar minhas notas e passar de ano com médias mais baixas do que eu merecia, e a segunda era ter que conviver com Milo e fazê-lo estudar sem me atrapalhar.

Ele me olhava risonho, eu queria esganá-lo. Bom, eu precisava ao menos tentar recuperar minhas notas, não podia deixar essa oportunidade escapar por entre meus dedos. Falando em dedos, ah, eu não podia acreditar, eu senti Milo se esfregando em mim de novo.

Eu não sabia da onde saia tanto fogo, mas naquele momento eu não queria saber de nada. Só queria conseguir me formar com todas as notas perfeitas, afinal, eu queria ingressar na melhor e mais disputada faculdade da Grécia.

– Milo, me solte – Eu disse o afastando.

– Que foi?

– Presta bem atenção em mim. NÓS VAMOS CONSEGUIR ESSAS NOTAS.

Milo olhou para mim rindo como um bobo.

– Camus, só tem um jeito de EU conseguir passar nessas provas.

– Sim, estudando.

– Não, seu besta... Colando de você! E você faz as monografias e coloca o meu nome.

– Você ficou louco? Você acha que é possível colar num prova aplicada pelo Shion?

– Ah... Claro que dá!

– Ele tem poderes psíquicos, seu tonto! Aí, com certeza, nós não vamos só apanhar novamente, como vamos ser reprovados.

Milo revirou os olhos, ele sabia que eu estava certo.

– Camus, eu odeio estudar, apesar de gostar muito de você.

Eu me virei para a parede, ainda estava magoado com tudo que havia acontecido.

– Você não gosta de ninguém além de si próprio.

Ele se aproximou de mim e me virou para si, foi quando ele me olhou como quem queria me dizer algo, seu olhar era imbuído de sentimentos de ternura, eu acho. Ele não disse nada, acho eu não conseguiu exteriorizar o que estava pensando. Apenas sentou-se em minha cama, sem antes deixar escapar um gemido pelo contato com suas nádegas castigadas.

– Posso tentar estudar, mas não prometo muita coisa.

– Eu te garanto que EU VOU RECUPERAR MINHA NOTA, nem que para isso eu precise esfolar você vivo.

Ele abriu os olhos e me olhou risonho, ele gostava quando eu o ameaçava, acho que essa relação "gato-rato" passou a integrar nossa rotina. Na cabeça de Milo com certeza era um joguinho com o qual se divertir.

– Vamos ver o que você consegue, picolé – Ele disse me puxando para a minha cama.

– Por que você não me deixa em paz? – Eu fui para perto dele, me deixando ser tomado por aqueles braços atrevidos que tanto apalpavam. Meu membro ficou rijo só de sentí-lo perto de mim novamente.

– Nós nunca chegamos a acabar o que começamos, Camyu... – Ele conseguiu fazer com que eu me deitasse por completo na cama, ao lado dele.

– Você sempre apronta algo, é difícil ter tempo para qualquer coisa se estamos sempre fugindo de alguém.

– E, para o seu conhecimento, eu não me importo apenas comigo... – Ele fez uma pausa, era nítido que estava tentando falar algo que era bem difícil para ele. – Na verdade, eu penso em você o tempo todo.

– Eu sou só um jogo para você Milo... A vida é um jogo para você!

Ele parou de discutir. Mas era nítido que não concordava com o que eu havia falado, sem dúvida alguma.

POV Milo

Camus não entendia o quanto eu era desesperado por ele, o quando eu fazia qualquer coisa para poder ficar em sua companhia, o quando eu sonhava com seus toques. Falando em toques, nossos corpos já estavam entrelaçados, ambos sem camisa.

Milo desenhava com seus dedos meus músculos, seus toques era sempre leves e rudes, uma combinação perfeita que fazia com ele, invariavelmente, dominasse a situação sempre. Por mais que eu tentasse, seu corpo respirava domínio e eu acabava me sujeitando aos seus desejos.

Camus puxou meu cinto e o jogou no chão, abrindo minha calça em seguida e depois tirou sua calça, ambos estávamos apenas de cueca abraçados em sua cama. Nossa respiração foi ficando mais ofegante até nos aproximarmos num beijo sedento.

Nossas pernas enroscadas levavam nossos membros a se tocarem cada vez mais, até que as cuecas passaram a ser um grande incômodo. As tiramos, sendo que nossas caras de dor não disfarçavam a situação constrangedora.

Eu soltei uma risadinha para o meu picolé, que se revoltou com a minha atitude.

– Você acha graça não é? – Ele disse ficando por cima de mim e falando baixinho e perigosamente ao meu ouvido. – Pois saiba que a dor que eu estou sentindo não é nada justa, já a sua...

Camus falava, aquela voz me dava medo e tesão ao mesmo tempo, ele conseguia fazer com que eu me sentisse em situação de risco e luxúria. Enquanto me encarava, ele pegou em meu traseiro e apertou sem nenhuma compaixão, me virando de costas em baixo dele.

– Você mereceu cada uma dessas marcas, eu não mereci nenhuma. – Ele disse ainda no meu ouvido, baixinho, segurando forte meu traseiro com uma mão que apertava meu machucado. – Eu devia devolver em você cada um das varadas injustas que levei por sua culpa.

Ele dizia me dando beijos curtos no pescoço e nas costas, e eu ficava cada vez mais excitado. Camus me dava medo, me dava tesão, me despertava desejos que eu nunca havia sentido. Quando ele me machucava eu sentia dor e prazer numa mistura inebriante.

– E por que não devolve?

Eu disse numa voz provocante, ele me encarou sério e desceu a boca até minhas nádegas. Ficou parado por algum tempo, aquela ansiedade de não saber o que ele faria me dominou, pensei que ele me lamberia lá...

Mas fui interrompido por uma forte mordida bem em cima das marcas deixadas pela cane, eu gritei forte e tentei abafar minha voz com o travesseiro. Camus, longe de estar satisfeito, veio até meu ouvido novamente, dessa vez com um dedo em minhas nádegas acariciando meu ânus.

– Não me provoque... Não me provoque...

Ele enfiou um dedo com força, sem me preparar, eu fechei os olhos sentindo dor e uma ereção incontrolável surgiu. Eu queria ele dentro de mim, eu precisava.

– Camus, por favor...

Ele soltou um "sssshh", fazendo menção ao fato de que queria que eu ficasse calado.

– Isso é um castigo, o meu castigo, se controle.

Eu fechei os olhos, ficando ainda mais excitado com aquelas palavras. Ele enfiou dois dedos ainda mais fundo no meu ânus e os tirou rapidamente, me acertando duas fortes palmadas. Eu, assustado, gritei e olhei para trás.

Ele, então, puxou meu cabelo e começou a falar no meu ouvido novamente.

– Se você gosta de mim como diz, se você me quer, va ter que aprender a seguir as minhas regras.

Eu queria concordar, queria apenas deixa que ele comandasse as coisas e me fizesse gozar, mas minha personalidade impedi isso. Eu gostava de provoca-lo, de tirá-lo do sério.

– Se não vai acontecer o que, hein gelinho?

Ele sorriu traiçoeiro e puxou ainda mais os meus cabelos, apertando minhas nádegas e afundando os dedos dentro de mim.

– Você vai aprender com o tempo... Vai aprender.

Eu estava excitado demais com aquela situação, e era nítido que ele também. Eu não consegui me aguentar e levei minha mão até o meu pênis para me masturbar. Ele também precisava do meu corpo, era claro, nós não aguentávamos mais.

Camus me virou d quatro na cama e ordenou que eu ficasse parado. Eu precisava tanto dele dentro de mim que fiquei quieto esperando, ele encostou seu pênis em mim e com a mão abriu um pouco minhas nádegas e enfiou o pau pelo meu orifício virgem até então.

Ele enfiou fundo, com algumas estocadas que faziam barulho. Aquilo doeu, ele batendo com o corpo no meu traseiro tão castigado doía e ele parecia notar, forçando ainda mais o corpo contra o meu.

Eu estava no ápice do prazer, eu nunca tinha sentido nada como aquilo, nada. Camus era exatamente aquilo que eu procurei por toda a minha vida. Camus também gemia comigo, apesar de ambos tentarmos conter o barulho por medo de algum tutor passar próximo ao local.

Gozamos juntos, ele dentro de mim e eu com a minha mão no meu mebro e a dele apertando meu saco deliciosamente.

Caímos exaustos, de lado, na cama dele. Nossa primeira vez que foi tão rápida, mas inesquecível.