Segundo e último capítulo da fanfic, galero. Eu sei que é curto, mas não pretendo alongar muito porque não tenho tanto tempo pra atualizar com frequência e sei que já demoro o suficiente. Espero que goste :)
Gordon, o capitão do Oceano Furioso, foi pendurado no mastro principal do Terror da Noite, onde cordas grossas e ásperas apertavam seus pulsos, prendendo sua circulação e deixando sua pele em carne viva. Estava nu e sua barriga em formato de barril estava marcada com cicatrizes de cortes de uma adaga afiada. Seu nariz estava quebrado e seus lábios estavam rachados e esbranquiçados, como dois vermes. O olho esquerdo estava sob uma espessa camada de sangue seco, onde o forte chute revestido de uma bota de couro que Demetria usava havia o atingido. Sangue escorria por suas pernas, vindo diretamente do meio de suas coxas. Era um eunuco agora.
O incêndio de Rubro Negro fora obra sua. Gordon fora burro o suficiente em gabar-se junto com seus marujos na taverna que ficava no Porto da Lula, a Donzela Devassa, que também era um bordel. Um dos marujos de Demetria, Lorath, que tinha cabelos tingidos de verde musgo e uma grande marca de nascença na testa, fora até a taverna a pedido de sua capitã em busca dos famosos camarões em uma cama de cebolas, alho, alecrim e vinho negro do sul do Bosque das Sementes. A cozinheira da Donzela Devassa fazia mágica com alimentos, transformando o local em um dos mais procurados do Porto da Lula por ter boa comida, vinho de qualidade e as melhores prostitutas do Mar de Safiras.
Enquanto Lorath esperava pela comida, avistou Gordon no fundo do bar, com seus quinze marujos ao redor e uma prostituta com longos cabelos castanhos e brincos de pena de pavão em seu colo. Foi a melhor coisa que já fiz na vida, Gabou-se Gordon, vinho escorrendo por sua barba mal feita, ver as lágrimas daquela puta e seu navio queimando foram tão gratificantes como ouro e mortes pela minha espada. A Baixada das Ameijoas era minha. Ela não devia ter tomado o que é meu. Uma mulher não deve se intrometer em negócios de homem, eu digo. Ela devia estar em casa cozinhando e parindo. Uma pena ela não entender isso e eu ter que fazê-la perder o que tanto amava. Mas se ela quiser um pouco de felicidade, eu poderia fodê-la. Tenho certeza que geme como uma cachorra no cio, aquela lá. E então ele explodiu em uma gargalhada, sendo acompanhado por seus marujos. A prostituta soltou um falso risinho contido. Ela avistou Lorath, reconhecendo-o como um dos marujos do Terror da Noite. Encararam-se por longos segundos, até que ela assentiu lentamente, estimulando Lorath a tomar uma providência. Ele sabia que aquela mulher seguraria Gordon o tempo que conseguisse para que pudesse comunicar sua capitã. Agradeceu-a com um aceno, correndo para fora da taverna e deixando os camarões para trás.
Quando chegou ao navio, estava ofegante e sem ar, mas não se abalou com isso. Correu para o corredor da cabine principal e bateu na porta de sua capitã fervorosamente. Sabia que não devia fazer isso, mas este era um caso de extrema urgência e cortesias era a última coisa que podia pensar no momento. Demetria abriu a porta de maneira rude e irritação estava estampada em seu rosto. Lorath vomitou as palavras antes que ela pudesse dizer alguma coisa:
—Gordon queimou Rubro Negro.
Lorath viu sua capitã paralisar, quase como se não tivesse entendido o que ele dissera. Resolveu ignorar os cabelos castanhos avermelhados desgrenhados e a marca roxa de dentes no pescoço de Demetria e esperou que ela dissesse alguma coisa, tentando recuperar a respiração. Foi só então que avistou Selena dentro da cabine, vestida apenas com uma camisa de linho vermelha que estava com os botões abertos pela metade. Ela tinha a mesma expressão que Demetria, mas Lorath preferiu desviar o olhar. Sabia que sua capitã não ficaria feliz se notasse que olhava Selena naquele estado de seminudez.
Quando Lorath percebeu o olhar de Demetria endurecer e esfriar como gelo das Colinas de Inverno, soube que Gordon pagaria da maneira extremamente cruel pelo o que havia feito.
Todos os marujos do Terror da Noite e Rubro Negroforam até a Donzela Devassa, com espadas e armas. Lorath mantinha um chicote que Demetria havia saqueado dentre os tesouros do palácio de Lorde Krass, nas ricas terras férteis de Niccolo, no litoral do Mar Bravo, que apesar do nome, tinha águas calmas e cristalinas. O chicote era feito do melhor e mais duro couro de búfalo, com uma ponta de prata cheia de ganchos afiados. O cabo era feito de ouro esculpido em um formato obsceno de mulher nua com olhos de rubi. Sua capitã tão gentilmente havia lhe presenteado com o chicote, assim como para os outros marujos com diversos presentes. Ela os deixava escolher, dizendo que era uma forma de agradecê-los por seu apoio.
Entraram na taverna na hora mais escura, quando a noite era negra como azeviche. Quando entraram, todos que estavam presentes arregalaram os olhos, engasgando com seus vinhos ou comidas. Gordon os avistou e Lorath pôde ver o medo em seus olhos. A mesma prostituta com brincos de pena de pavão fora expulsa de seu colo. Ela trocou um olhar cúmplice com Lorath e caminhou até ele.
—Ele terá o que merece? – Ela perguntou. Tinha uma voz tão suave e doce quanto bolos de mel.
Lorath olhou para as duas capitãs, que caminhavam em direção a Gordon com passos lentos e felinos.
—Ele terá.
—E eu? – Alisou seu cabelo verde, que chegava a altura dos ombros – Terei o que mereço?
—Tratarei disso. Mantenha todas as garotas da casa no andar de cima, junto com quem mais trabalha aqui, tranque a porta e beba um forte vinho. Reze, se precisar. Não sei no que crê, mas a Sereia é justa e bondosa. Reze para ela se lhe aprouver.
Ele viu a prostituta assentir e pegar todas as pessoas inocentes e leva-las para o andar de cima. Os demais clientes haviam sido colocados para fora da taverna, com o máximo de gentileza que um marujo de navio pirata é capaz. Os marujos de Gordon tentaram proteger seu capitão, mas quinze homens contra sessenta era um número injusto e rapidamente toda a tripulação do Oceano Furioso estava no chão, com gargantas cortadas ou lâminas atravessadas em órgãos vitais.
Gordon também estava no chão, com uma poça de sangue naquilo que deveria ser seu olho. Demetria havia o chutado e agora Selena abria sua camisa, deixando seu corpo gordo quanto o de um porco parcialmente à mostra. A adaga de aço dourado e cabo de marfim passeava lentamente por sua pele, fazendo-o urrar de dor, mas não era capaz de se mexer e tampouco era estúpido o suficiente para fazê-lo, já que todos os marujos estavam a seu redor, gargalhando de sua dor.
Os minutos seguintes foram como um borrão. Gordon era espancado e humilhado. Os marujos, incluindo Lorath, achavam graça e riam desesperadamente da situação, mas as capitãs pareciam possessas demais para abrir um sorriso e agora estavam sentadas no bar, tomando o vinho negro do sul do Bosque das Sementes. Mas elas gargalharam quando viram o terror nos olhos de Gordon quando Rickard, o velho e cruel marujo do Rubro Negro, abaixar os calções de Gordon e encostar a ponta da espada em seu membro viril.
—Soube o que disse da minha capitã – Rickard disse entre seus dentes cinzentos, sua voz rouca e perigosa – Poderia fodê-la, certo? Mas então eu lhe pergunto: Como é que um eunuco pode foder?
O grito que saiu da garganta de Gordon quando foi passado na espada era algo terrível e desesperador, um som vindo do inferno, mas fez com que todos rissem ainda mais.
Agora ele estava ali, pendurado da maneira mais humilhante possível. Sua figura nua e molestada era feia de se ver, mas trazia tanta satisfação que nenhum dos piratas podiam afastar os olhos. Lorath sorriu quando viu a marca dos ganchos de seu chicote nas costas de Gordon.
—Como está à vista aí de cima, poderoso capitão? – A voz de Demetria era divertida e cínica.
Gordon, que mal parecia vivo, abriu o único olho que podia ser aberto, mesmo que estivesse gordo e preto como uma ameixa.
—Eu vou foder você até te rasgar em duas e então vou fazer o mesmo com a putinha do navio queimado – Sua voz era extremamente fraca, mas a fúria continuava ali.
Demetria riu tão sonoramente que Lorath pensou que talvez estivesse embriagada.
—E como poderia fazer isso? Seu pau é como a cauda de um lagarto? Cresce a cada vez que é cortado? – Todo o convés riu, até mesmo Selena, que parecia ter a vida de volta aos olhos. Riram ainda mais quando um abutre tentou bicar o olho ferido de Gordon, que guinchou e praguejou, mandando o bicho embora, mas havia mais uma dezena deles voando sobre o navio, apenas esperando a oportunidade de se banquetear.
Cansado de olhar a figura grotesca de Gordon, Lorath caminhou até Demetria.
—Capitã – Ele a chamou, com profundo respeito em sua voz – Poderia dar uma palavra?
—Sim, Lorath, realmente queria falar com você. Eu e Capitã Selena, na verdade – A capitã do Rubro Negro assentiu – Vamos à sala de reuniões, sim? Estaremos mais à vontade lá.
A sala de reuniões era ampla e luxuosa. Ficava no corredor ao lado da cabine principal e era revestido de ébano escuro, veludo magenta e peças de ouro. Demetria encheu três taças de prata com vinho perolado, feito de maçãs, uvas brancas e camomila, do leste do Bosque das Sementes. O vinho era doce e muito forte, mas era um dos melhores que alguma vez já tocara sua língua.
—Tenho que agradecê-lo, Lorath – Selena começou depois de um longo gole de vinho. Tinha a expressão séria, porém sincera – Foi de grande ajuda o que fez. Punimos o destruidor do meu navio, graças a você. Foi esperto e bravo, estarei eternamente grata.
—Não fiz nada demais, capitã – Respondeu subidamente acanhado, estranhando a timidez que sentia – Tudo o que fiz foi contar o que meus ouvidos escutaram. A estupidez de Gordon fez todo o serviço.
—Agradeço-o mesmo assim. Trouxe justiça até mim, Lorath, creio que deva ser recompensado.
—E será – Demetria disse, com um sorriso satisfeito em seus lábios – Vamos, meu valente Lorath, o que quer como recompensa? Ouro? Prata? Uma arma valiosa? Uma mulher? Diga-me e será seu.
—Não quero nada, capitã – Respondeu sinceramente – Apenas cumpri me dever. Sou juramentado ao Terror da Noite e sei que minha capitã tem grande afeição pela Capitã Gomez. Apenas fiz o que deveria ser feito.
—Confunde-me, marujo – Demetria franziu o cenho – Disse que queria falar comigo. O que mais poderia ser senão pedir algo em troca?
—Quero pedir algo em troca, na verdade. Mas não para mim.
—Para quem, então?
—Uma mulher.
—Esta mulher tem nome?
—Provavelmente, mas não sei qual.
—Conte-me – Ela apoiou as costas no encosto da grande cadeira que mais parecia um trono.
—Uma prostituta, na verdade. Ela estava com Gordon quando ouvi a conversa. Ela me ajudou, bem sei. Manteve-o no mesmo lugar até que voltássemos. Se não fosse por ela, Gordon certamente não estaria mais na Donzela Devassa quando chegássemos lá.
—E o que pretende dar a ela? – Selena perguntou, curiosidade brilhando em seus olhos.
—Não sei.
—Não sabe? – Demetria indagou desconfiada.
—Sei… Mas não tenho certeza se é prudente.
—Quando se trata de uma mulher, nada é prudente. Mas vamos lá, conte-nos.
—Pensei… Pensei que ela talvez p-pudesse morar aqui. No navio, eu digo. Viajar conosco. Creio que ela seja de alguma utilidade. Deve saber limpar ou cozinhar – Disse nervoso, com medo da reação que receberia.
—Esta moça é uma prostituta, Lorath. Tem consciência disso, eu espero.
—Sim, eu tenho.
—Ela pode muito bem ser uma ladra.
—Bem sei.
—Está apaixonado por ela, Lorath? – A pergunta veio de Selena.
—N-Não. Apenas sou grato.
—Digo que está mentindo – Demetria disse com um sorriso – Mas não o julgo. Somos piratas, mentir é uma de nossas virtudes.
—Se essa mulher realmente morar aqui, o que fará se a vê-la nos lençóis de qualquer outro marujo?
—Não sei – Lorath respondeu depois de alguns segundos – De qualquer maneira, não disse nada a ela. Achei mais sensato pedir permissão antes de dar a ela qualquer esperança.
—Corre o risco de ouvir algo negativo.
—Sei disso.
—Pois bem – Demetria bebeu seu vinho em um gole só, batendo a taça na mesa logo em seguida – Tem minha permissão para trazê-la. Mas fique ciente que, se ela mostrar que não merece minha gentileza e hospitalidade, servirá de oferenda à Sereia.
—Eu compreendo.
—Ótimo, busque sua mulher.
Lorath agradeceu com um aceno e, quando estava prestes a alcançar a maçaneta, a voz de Selena o chamando o fez virar para elas.
—Ainda acho que merece uma recompensa. Tome isso – Jogou um saco de moedas de ouro em sua direção. Era gordo e pesado – E isto também, para sua prostituta – Um colar foi lançado em sua direção. Era grande e chamativo, com esmeraldas e ônix.
Lorath sorriu e, com rapidez, voltou ao Donzela Devassa, disposto a cumprir sua promessa.
Demetria observava Selena ajoelhada na frente da magnífica estátua da Sereia. O marfim era tão branco que reluzia à luz do Sol. O rosto fora esculpido de forma delicada. Seus cabelos eram longos e, mesmo esculpida em material duro, pareciam macios e sedosos. Tinha uma coroa de conchas feitas de lápis-lazúli e sua longa cauda fora pintada com extrato de uma rara flor verde, com detalhes em tinta de ouro. Selena tinha a cabeça abaixada e pedia o perdão da Mãe, assim como a agradecia.
—Agradeço-lhe, Mãe, por sua justiça e bondade. Trouxe-me o culpado de um ato tão horrendo perante os olhos da pirataria e agradeço-lhe por me dar sabedoria e guiar meus passos. Imploro-lhe perdão, Deusa dos Mares, porque a blasfemei e a ofendi. Sua filha foi ingrata e ímpia, mas prostro-me a seus pés e peço sua misericórdia. Sou das profundezas, de sua fortaleza. Porque o mar é grande e denso, raivoso e cheio de terrores – A voz de Selena, por mais baixa que fosse, chegava aos ouvidos de Demetria. Embora a Pedra da Sereia estivesse cheia e piratas não fossem as criaturas mais silenciosas, respeitavam fervorosamente sua deusa, mantendo a calmaria para preservar a paz.
Antes de se levantar, Selena depositou logo abaixo da cauda, um pequeno porta-joias do saque que fizera na Corte dos Anjos, um lugar tão longe e formoso que mais parecia fora da realidade. O porta-joias era feito de prata polida e pequenas flores de ametista rosa e lilás. Acendeu uma vela simples ao lado de sua singela oferenda.
Caminharam lado a lado para fora da Pedra da Sereia, observando a movimentação do Porto da Lula. Uma prostituta dava prazer com a boca em um beco a um pirata que nenhuma das duas pôde reconhecer. Uma velha corcunda de seios murchos vendia ostras com limão e sal em um carrinho de mão. Um homem bêbado estava desmaiado enquanto outros homens vasculhavam seus bolsos.
—Isso tem cheiro de peixe, vinho e merda – Selena comentou – Amo isso.
—É a nossa casa – Demetria sorriu.
Quando passaram pelo Salmão Dourado, de casco púrpuro e mastros tão reluzentes como ouro, foram abordadas por Capitão Hook.
—Capitã Gomez, Capitã Lovato – Saudou, com o sorriso charmoso de dentes brancos em meio a sua barba escura – Soube o que houve. Todo o porto sabe, na verdade. Gordon entregou Rubro Negro às chamas.
—Sim, ele fez – Selena respondeu.
—Tenho quase certeza que o vi lamentando a perda de seu navio no dia que tudo aconteceu, capitã.
—Tenha certeza, ele fez isso – Demetria afirmou – Disse o quanto sentia e como o navio era belo.
—Que os demônios o carreguem – Hook riu com desdém, seus olhos azuis brilhando – Ele não se esqueceria dos problemas que tiveram antes, Capitã Gomez. Ele queria Collins, a Baixada das Ameijoas. Ele adora ameijoas. Já jantou em meu navio uma vez. Comeu dezenas de ameijoas na manteiga, quase não deixou para o resto de nós. Não me surpreende, devo dizer. Gordo como é, era de se esperar. Mas sabe, Capitã Gomez, posso dizer que Gordon tinha grande inveja. Todos sabem que você é melhor saqueadora que ele. Não só no Porto da Lula, mas no norte e no sul, no leste e no oeste. Já saqueou grandes e ricas cidades enquanto ele só era capaz de chegar perto de vilarejos e ilhas feitas de pedras. Nada tem há pegar desses lugares a não serem ovelhas e bolotas amargas. Collins era a primeira grande cidade que ele poderia saquear, mas ficou possesso quando chegou à frente. Muito me surpreende que tenha um navio tão bom quanto Oceano Furioso. Dizem que o conseguiu ao fazer um pacto com espíritos malignos da floresta, mas boatos são boatos, por mais convincentes que possam parecer. O fato de ser uma mulher também conta para seu ódio. Gordon acha que mulheres só servem para bordar e foder, com o perdão da palavra.
—Sabemos disso e amaldiçoo-me por ter sido tão burra, mas ele teve a consequência de seus atos – Hook assentiu quando Selena terminou de falar.
—Certamente. Queimar um navio? Pela misericórdia da Mãe, isso é hediondo.
—Ele paga pelo o que fez agora.
—Ah, eu vi a arte que a Capitã Lovato fez em seu bonito Terror da Noite. Não posso dizer que é uma arte agradável aos olhos, mas trás satisfação a alma. Talvez possa deixa-lo lá, capitã, para espantar os demônios em sua próxima viajem, tenho certeza que se assustarão com tal visão – Ele riu, sendo acompanhado pelas duas mulheres.
—Parece-me uma ótima ideia, Capitão Hook.
—Devo dizer-lhe, entretanto, capitã: Nada do que fará será suficiente para que ele pague por completo. A Sereia abomina a depredação de um navio de forma intensa. Quando acontece de irmão para irmão, não há nem palavras para descrever.
—Estou ciente, mas faremos o possível para sermos cruéis e duras.
—E em relação a seu navio, Capitã Gomez? Já tem outro?
—Sim. Oceano Furioso será meu. É um bom navio, resistente e grande o suficiente para aconchegar meus homens de maneira confortável. Mas eu o reformarei. Alguns pedreiros e construtores virão dentro de alguns dias para reforças as estruturas e reformar conforme meu agrado.
—E qual seria o nome do novo navio, se me permite perguntar?
—Ira das Chamas, em lembrança ao Rubro Negro.
—É um bom nome, trará temor aos homens de todos os cantos.
—Esta é a intensão – Selena sorriu.
—Certo, minhas lindas capitãs, creio que já tomei demais de seu tempo. Sei que têm muito que fazer e peço-lhes perdão por isso. Apenas queria demonstrar minhas congratulações por tanta atitude de ferro. É assim que um pirata deve agir.
—Agradeço, Capitão Hook.
—Só espero que seja sincero. Da última vez que acreditados em palavras bondosas, tivemos um navio incendiado.
Hook sorriu.
—Garanto-lhes que mostro minha mais sincera honestidade. Sabem que tenho apreço por vocês, doces capitãs. Ajudaram-me em tempos difíceis, quando quase todos os meus marujos foram passados na espada. Tenho eterna gratidão. Acreditem no que digo, eu lhes imploro. Quando este homem está esta sob a presença de duas tão belas mulheres que já me foram tão amigas, mentiras não chegam a minha boca.
—Acredito em suas palavras, capitão. Limpe suas lágrimas e pare de nos implorar amor, é patético – Demetria brincou, fazendo-o rir.
—Deixo-as ir neste momento. Parto ao alvorecer, ainda tenho negócios a tratar.
—Tenha uma boa sorte, capitão – Selena desejou.
—Esteja sob a proteção da Sereia – Profetizou Demetria.
—Estarei, a Mãe nunca falha – Sorriu e caminhou no sentido contrário, até o Salmão Dourado, sua longa capa de couro esvoaçando com o vento.
Quando a porta da cabine principal do Terror da Noite foi fechada, Demetria foi prensada na madeira, tendo seu maxilar beijado por Selena.
—Ele é forte, tenho que dizer – Selena admitiu – Já está perto do anoitecer e ele ainda está vivo.
—Ele está, mas não por muito tempo. O filho da puta está quase drenado de seu sangue e rezo para que suas feridas infeccionem e criem vermes que comam a vida que ainda lhe resta. Caso isso não aconteça, os abutres farão isso por eles.
—Assim espero – Selena alcançou os lábios de Demetria, beijando-a profundamente enquanto enfiava seus dedos nos cabelos castanhos avermelhados.
Selena agarrou-a pela cintura e puxou-a para cama, deixando-a deitada por cima de seu corpo. Adentrou a camisa de linho de profundo tom azul, correndo seus dedos pela pele macia e convidativa. Sua língua se encontrava com a de Demetria de maneira doce, mas desesperada e tudo o que queria era sentir seu gosto. Gosto da sua pele, da sua boca, de sua excitação. Quando uma de suas mãos escorregou para sua bunda, Demetria a parou.
—O que foi, Demi? – Selena perguntou levemente irritada.
Demi sorriu maliciosamente, beijando seu queixo e mordendo seu lábio inferior. Seu sorriso se alargou quando ouviu o gemido de Selena.
—Minha vez de te fazer gemer – Ela ronronou em seu ouvido e Selena deixou-se levar.
Desceu uma trilha úmida de beijos por seu pescoço, suas mãos nas golas da camisa de seda escarlate, abrindo os botões dourados de maneira lenta. Quando terminou, Selena usava apenas calças pretas e botas de couro avermelhadas. Seus seios estavam à mostra, e Demi logo tratou de acaricia-los com os lábios, levando um dos mamilos a boca e provocando-o com sua língua, tornando-o rijo e ansioso. Quando se deu por satisfeita, fez o mesmo com o outro mamilo, sendo tomada pela satisfação que os gemidos de Selena lhe proporcionavam.
O calor que sentia tornava-se quase insuportável. Arrancou a camisa de qualquer jeito, jogando-a em um canto qualquer da cabine. Beijou os lábios de Selena enquanto sua mão acariciava suas coxas ainda cobertas pelo tecido grosso da calça. Afastou-se e sorriu quando Selena soltou um muxoxo de insatisfação. Sua boca explorou toda a extensão da barriga lisa, sentindo a textura da pele macia sob seus lábios. Tirou as botas de couro que usava e depois a calça, rindo com a pressa que a morena tinha.
Quando viu, Selena estava completamente nua. As bochechas ruborizadas, os lábios vermelhos como se tivesse acabado de tomar uma taça de vinho tinto, os cabelos castanhos esparramavam-se pelas fronhas brancas. Sua respiração estava rápida e sua pele estava úmida pela fina camada de suor e pela saliva dos beijos de Demi.
Demetria sorriu.
—Alguém já lhe disse que é uma mulher incrivelmente linda, Capitão Gomez? – Passou o dedo indicador pelo vale de seus seios, chegando até o umbigo e contornando-o.
Selena se arrepiou e se contorceu levemente.
—Um par de vezes. Nem sempre com palavras formosas, mas fazem questão de me deixarem ciente sobre minha beleza. Alguns dizem que sou bonita ao falarem que querem me foder. O que, a propósito, é o que você deve fazer agora.
O riso de Demi ecoou pelo quarto de maneira rouca e lasciva. Posou um rápido beijo em seus lábios e desceu pelo corpo de Selena, posicionando no meio de suas pernas. Roçou seus lábios nas coxas de maneira lenta e provocativa, logo em seguida passando a língua por sua virilha. Selena soltou um gemido estrangulado e ansioso, sua coluna se arqueando.
Não querendo tortura-la mais e cedendo a seu próprio desejo de prova-la, Demi deu um suave beijo sobre o clitóris de Selena, que estava inchado e pulsante. Ela gemeu sob si, num pedido sem palavras para que continuasse e assim ela o fez. Lambeu toda sua extensão repetidas vezes, do clitóris a entrada. As coxas de Selena se fechavam ao redor de seu rosto e Demi tinha que lutar para manter suas pernas abertas, mas nem por isso parou ou diminuiu a ferocidade de suas carícias.
Dois de seus dedos encontraram o caminho para sua entrada, invadindo-a sem pudor algum, arrancando um gemido alto e desesperado. Começou a movimentar os dedos rapidamente, para frente e para trás, curvando-os quando estavam fundos o suficiente para alcançar o ponto que faria Selena enlouquecer.
Foi de maneira repentina, mas Selena atingiu seu orgasmo de maneira violenta. Ondas de prazer percorrendo todo seu corpo, fazendo com que sua respiração se tornasse mais difícil e seus olhos pesassem. Demi saiu de dentro dela, posando um último beijo em sua virilha. Ela escalou o corpo de Selena, que tentava estabilizar o ar em seus pulmões. Beijou seus lábios docemente e saiu da cama, indo até o canto da cabine para buscar algum vinho.
—Está tudo bem, capitã? – Perguntou com um sorriso, enchendo uma taça de cristal com vinho de uvas rosadas e cevada.
Selena abriu os olhos lentamente e lambeu os lábios.
—Estou ótima, agradeço sua preocupação – A resposta veio cheia de sarcasmo – Estarei melhor se me der uma dessas – Apontou para a taça.
—Como quiser – Demetria logo tratou de encher outra taça. Levou até Selena bebericando de seu próprio vinho, observando o corpo esguio e bonito esparramado pela cama.
Sentou-se ao seu lado. O silencio se fez, mas nenhuma estava incomodada. Os vinhos rapidamente acabaram. Largaram as taças em qualquer lugar do chão perto da cama e aconchegaram-se uma na outra. Selena completamente nua e Demetria ainda usando calças e botas. Um beijo foi posado sobre a garganta de Demi, fazendo-a ronronar e seus sentidos começarem a anuviar. O vinho começava a pegar sua consciência, assim como o cansaço de tantos acontecimentos nos últimos dias.
—Cumpri minha promessa, Selena? – Demi perguntou em voz baixa.
—Promessa?
—Prometi que a salvaria. Fui capaz de cumpri-la?
—E alguma vez Demetria Lovato, capitã do Terror da Noite, já deixou de cumprir uma promessa?
—O que fiz para salvá-la? Lorath descobriu quem incendiou Rubro Negro. O foi que fiz?
—Você vem me salvando desde que tudo acontece. Apoiou-me. Foi paciente comigo. Ouviu-me chorar e lamentar. Deixou com que eu e meus homens comêssemos de seu pão e bebêssemos de seu vinho. Deu-nos abrigo e conforto. E agora me ajuda a punir Gordon, que tão cruelmente queimou meu navio, pendurando-o em seu próprio, com sangue saindo de seu corpo. Somos próximas, todos sabem, mas esta luta nunca foi sua e podia muito bem dizer o quanto sentia muito e virar as costas, embarcando em seu navio enquanto eu e meus marujos dormiríamos ao relento. Mas não o fez. Tomou este problema como o seu próprio e nunca me deixou cair. Se o que fez não foi salvar-me, não sei do que chamar.
Demetria nada respondeu. Permaneceu calada, digerindo as palavras que ouvira. Os olhos agora estavam abertos e de repente o sono havia ido embora para um lugar muito distante.
—Eu só… Não podia deixa-la – Demi finalmente disse – Não podia deixa-la pelo porto, sem um rumo a seguir, sem sua honra e sua dignidade. Jamais o faria. Prometi que a salvaria, mas temia não conseguir cumprir. Palavras são vento.
—Você cumpriu, Demi. Desde o começo, quando você nem tinha me prometido. Já havia cumprido. Tenho outro navio agora, Ira das Chamas, um nome irônico para um navio que desliza pelas águas, bem sei. Mas me faz lembrar o trágico final que o antigo navio levou e Hook está certo, é um nome que trará temor aos homens, mais ainda quando souberem o que houve com Gordon. E esse temor só é real por sua causa, que o construiu tanto quanto eu, talvez mais. Sou muito grata por tudo o que fez e gostaria de lhe dar algo em troca.
—Já o faz – Olhou em seus olhos.
—Como?
—Está aqui, comigo, na minha cama. Há poucos minutos gemia o prazer que eu proporcionava. Bebe e reza comigo. É mais do que poderia pedir.
Selena sorriu e beijou Demi com toda a paixão que tinha dentro de si.
Demetria estava convencida de que sua promessa havia sido cumprida.
E o fim. Espero que tenham gostado, porque eu simplesmente adorei escrever essa short-fic.
Agradeço a todos que favoritaram, seguiram o comentaram a fanfic.
E, novamente, agradeço a N., pela belíssima cena de sexo ^^
Até uma próxima e pfvr, deixe um review se puder :)
