Segundo capítulo!

Agradeço as reviews de Prisma-san, Scarlett Mayfair e KkSs-Music in my heart-KkSs

E agradeço especialmente a Scarlett Mayfair. Tasha-chan, dômo arigatou pela betagem!


Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-jii!


Summary: A vida de um shinobi muitas vezes é marcada por feridas. Será o amor a forma mais eficiente de cicatrizá-las?
[NejixTen]

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Status: em andamento

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Boa leitura!


Capítulo II. Conclusão?

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Neji havia, sozinho, amarrado e arrastado três homens de Iwa como sacos de batatas – aqueles aos quais havia golpeado no coração, inclusive Tenten lhe perguntou diversas vezes se eles ainda estavam vivos - pergunta que ele passou a ignorar depois da terceira vez.

De volta ao lar e o Hyuuga logo foi reportar os detalhes da missão, deixando uma cansada e ainda surpresa Mitsashi na entrada do prédio da Hokage, sem coragem para subir a grande escadaria. Tenten suspirou, mesmo sabendo que Neji era um prodígio, ainda era difícil acreditar que ele tinha tanta força.

Esperava por ele, sentada num banquinho depositado na entrada do prédio, cuja utilidade ela só enxergara naquele momento de exaustão. Procurando descansar, pensava em como indagaria sobre o parecer de Tsunade. Não queria ter que brigar com o gênio de novo, não depois de ele ter salvado a ela e ao seu filho.

- Tenten – ouviu uma voz conhecida chamá-la, suavizando o seu semblante. – Soube que acabou de voltar de uma missão, isso que é disposição.

- Dômo! – o elogio era sempre bem-vindo, ainda mais naquele tom bem humorado e monótono de Shikamaru.

- E como anda o bebê? – com as mãos nos bolsos e batendo o pé freneticamente, notava-se que ele se esforçava para não acender um cigarro ali.

- Ah, ele anda bem inquieto... – suspirou, passando a mão em seu ventre, um hábito do qual achava que seria difícil se livrar. Estava preocupada com o seu filho, preocupada com a sua segurança - mesmo estando em casa.

Fitou o seu amigo, parecia que ele já estava no limite de sua abstinência.

- Vá fumar em algum lugar. – sugeriu, ainda que não concordasse com o vício.

- Não posso. Não é por você, é que... – virou a cabeça para outro lado, meio embaraçado. – Me obrigaram a parar.

- Ah... - naquele momento, porém, viu o shinobi que esperava descer as escadas, levantando-se para segui-lo. – Shikamaru, eu já vou. – dito isso, apressou os passos para acompanhar o Hyuuga.

Andou com Neji até chegar ao centro da vila, quando o puxou pelo braço.

- Pague alguma coisa para mim.

Vendo-o franzir o cenho, como se não estivesse entendendo, repetiu:

- Pague alguma coisa para mim. Ou vai deixar uma mulher grávida com desejo? – apelou, e o Hyuuga acabou cedendo.

Chegaram ao Ichiraku e, por mais incrível que pudesse parecer, nem Naruto e nem Chouji se encontravam lá. Sentaram-se e a Mitsashi fez questão de pedir o maior lámen que podia comer, enquanto que o Hyuuga não quis nada, seu organismo ainda estava sob o efeito da pílula de soldado.

Fitou-o de soslaio enquanto esperava pelo jantar, queria muito saber o que Tsunade havia dito, mas antes, queria amenizar o clima entre eles, principalmente depois dos últimos acontecimentos.

- Nee, Neji...

- Eu não havia sentido a presença de nenhum deles, até a hora em que você quase morreu. – afirmou em baixo tom, estava extremamente aborrecido com aquilo, mesmo quando falava tudo tão calmamente.

- Nós pisamos numa mina, isso acontece. – deu de ombros, pegando um palito para brincar. – Era um bom lugar, coincidiu de outros acharem isso também. Eles provavelmente sentiram a nossa presença antes e se ocultaram... – tentou tranquilizá-lo. – E... Arigatou. – Neji a fitou de soslaio, como se não soubesse do que se tratava. – Você nos salvou ontem...

- O lámen! – Ayane entregou a tigela extra-grande para Tenten e até mesmo a expressão de Neji melhorou. Aquele olhar brevemente surpreso fez a mestra das armas rir gostosamente.

- Dômo!

- Neji-san, não vai querer nada hoje? – a mulher atenciosa perguntou, recebendo uma negativa. – Bem, se quiserem mais alguma coisa... – retirou-se para a cozinha, deixando-os a sós novamente.

- Itadakimasu! – a kunoichi partiu os hashis e começou a comer.

Não demorou muito para Tenten se satisfazer com a comida, havia inclusive pedido demais. Olhou para o amigo que se encontrava com a típica expressão serena e indecifrável, tinha um assunto muito mais importante, a seu ver, a tratar com ele.

- Nee, Neji... Eu estava pensando... Bem, eu sei que é embaraçoso pedir isso, mas... – interrompeu-se ao notar que, como em raros casos, ele prestava atenção ao que ela dizia. – Eu...

- Quer que eu a vigie enquanto o pessoal de Iwa estiver por aqui?

- Não é isso – virou um pouco o rosto. – Eu não vou negar; não me sinto confortável com a situação, mas não é sobre isso que eu quero falar – suspirou. – Vamos? – disse, levantando-se e sacando o moedeiro do bolso, surpreendendo ao Hyuuga.

- Não era para eu pagar?

- Era só uma desculpa. - O que queria mesmo era passar um tempo com ele para ver se eles apaziguavam.

- Eu vou pagar, mesmo assim – anunciou, fazendo-a guardar a carteira. – Eu sou o único que não fez nada por vocês ainda... – sabia que todos os conhecidos procuravam mimar Tenten de vez em quando, e ele era o único que em seis meses de gestação dela nunca havia feito nenhum favor.

Ayane, que há pouco fora chamada, agradeceu aos dois e apenas os viu partir. Neji a acompanharia até sua casa como era de praxe quando mais novos.

Caminharam até chegarem à frente da pequena casa e Tenten parou, virando-se novamente para o Hyuuga.

- Neji... – não tinha coragem para pedir, mas não tinha todo o tempo do mundo para adiar aquela conversa. – Posso... Posso pegar o seu nome emprestado? Se for menino?

Hesitou um pouco ao ver a expressão surpresa dele, mas não desviou o olhar. Fitou-o até que ele deu uma resposta, e foi ela quem arregalou os olhos.

- Só se eu for o padrinho.

- Nani!?

- É uma troca justa – argumentou. Tenten o fitou ainda atônita.

- Bem... Se for para alguém ensinar besteira ao meu filho, que seja você... – brincou.

- É essa a visão que você tem de padrinhos? – indagou; a sobrancelha soerguida.

- Depois de ver Lee e Gai-sensei, Naruto e Jiraiya-sama...

- Não me iguale a eles – repreendeu, arrancando outro sorriso de Tenten.

Ela então tocou o seu ventre novamente, dessa vez, segurava-se inutilmente para não chorar de felicidade.

- Arigatou, Neji. – mesmo com a voz falha, era explícita a calma em seu interior. No fundo, desejava que seu filho fosse igual ao seu amigo, ao rapaz que desde cedo havia amado, ao homem que estava ao seu lado naquele segundo.

Neji a fitava, apreensivo. Nunca a havia visto chorar até o dia em que havia ido à sua casa interrogá-la sobre o ocorrido em Iwa, e mesmo sabendo que naquele momento ela não chorava de desespero, ainda ficava sem jeito ao vê-la derramar lágrimas.

- É a gravidez – justificou. O Hyuuga ainda a olhava um tanto cético. – Quando você engravidar alguém, você vai ver também! – praguejou, ainda que não gostasse da ideia.

Ao ver que ele não expressava reação nenhuma à brincadeira, apenas deu de ombros.

- Eu já vou, então – anunciou, acenando com a mão e entrando em sua casa.

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Logo na manhã seguinte já estava pronta, dessa vez os laços vermelhos acompanhavam os coques. Tenten esperava do lado de fora do escritório da Hokage - tentando de modo frustrado tricotar o que chamava de sapatinhos - até ser chamada. Adentrou o local e viu uma preocupação exacerbada nos olhos de Tsunade, algo que não via há tempos.

- Como sabe, a sua missão ainda não está completa, mas teremos que esperar até Neji conseguir mais informações daqueles desertores.

- Neji?

- Ele está desde a madrugada interrogando cada um dos três homens que trouxe para cá – para a Senju, era cansativo apenas imaginar alguém trabalhando durante a madrugada. Talvez, mesmo que preferisse morrer a admitir, a idade a estivesse atrapalhando.

Por uma fração de segundo, Tenten se recordou da conversa na noite anterior: "Quer que eu a vigie enquanto o pessoal de Iwa estiver por aqui?". Sem ao menos ela ter pedido, ele estava dando o seu jeito de vigiá-la ao ficar cara a cara com os prisioneiros.

- Tem alguma coisa que eu possa fazer agora? – não era de seu feitio só sentar e assistir, principalmente quando ela se sentia a mais envolvida no caso.

- Só esperar... – respondeu, para o desânimo da Mitsashi. – Enquanto isso, por que não vai até o hospital ver como o seu filho está? – sugeriu num tom maternal, ainda que aparentasse certo cansaço.

- Dômo – com uma breve reverência saiu da sala, caminhando rumo à temível escadaria.

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Olhava para o teto sem vida do consultório, deitada enquanto Ino passava a mão sobre o seu ventre, examinando-a e ao seu filho também. Apesar de procurar tomar o máximo de cuidado possível com a vida que carregava dentro de si, a verdade era que ela odiava fazer exames; primeiro porque eram demorados, e depois porque sempre que ia ao consultório, levava um sermão de brinde da kunoichi que a atendia no momento.

Suspirou, já estava a vinte minutos naquele mesmo ciclo de exames. A Yamanaka, por mais que não admitisse, era insegura quando fazia exames, e era exatamente esse o motivo da demora - ela queria ser meticulosa ao extremo.

- Pronto! – e antes que a mestra das armas pudesse dar o seu suspiro de alívio, começou: - O bebê está perfeitamente bem, apesar das loucuras da mãe. Onde, quando e com quem você viu que deve sair em missão durante o período de gestação, hein?! – aumentou o tom de voz, já não era a Yamanaka-sensei quem falava, era Ino.

- Tsunade-sama em pessoa me mandou para a missão, se quer saber – retrucou, o que sabia ser um erro, pois não conseguiria manter uma discussão com uma médica.

- Você insistiu; eu fiquei sabendo. E ela só a mandou em missão porque o Neji estava com você! - A Mitsashi deu de ombros. Havia perdido a discussão, outra vez.

- Agora, ojou-san, trate de ficar em repouso e tomar muita água. E nada de sair de Konoha, está me entendendo?!

- Hai... – Ino conseguia ser quase tão explosiva quanto a falecida Sakura, a diferença era que a sua voz era no mínimo três vezes mais estridente quando gritava. – Ah, Ino...

- Fale... – pôs as mãos na cintura, demonstrando "condescendência".

- Você consegue ver o sexo do meu filho?

- Eu examino vocês pelo seu fluxo de chakra. Eu vejo se há alguma coisa fora do comum ou desalinhada entre vocês, mas eu não consigo diferenciar o sexo – explicou. Tenten bufou. – Eu não tenho culpa se eu não posso enxergar através do seu ventre. - Se aquilo não havia sido uma indireta bem direta, Tenten não sabia o que havia sido.

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Na tarde daquele mesmo dia, encontravam-se Hyuuga, Mitsashi, Nara, Yamanaka e Morino no escritório da Hokage, juntamente com ela e Shizune, todos apreensivos com o assunto da reunião.

- Morino Ibiki! Yamanaka Inoichi! Hyuuga Neji! O que vocês descobriram nas sessões de interrogatório?

- Segundo a informação que extraímos, Hyuuga Neji tinha razão sobre a sua teoria, Godaime – Yamanaka respondeu, chamando a atenção de todos para si. – Eles estão com um plano de invasão e só estão esperando mordermos a isca para nos atacar.

- "Morder a isca" seria darmos apoio a um dos lados, suponho.

- Se nós ajudarmos os nukenins, a elite de Iwa terá um motivo para nos atacar. Se ajudarmos a elite de Iwa, os desertores nos atacarão, e Iwa tecnicamente não será culpada – Shikamaru explicou naquele jeito monótono. – Fora que se não tomarmos um partido, eles continuarão a vir em massa, e isso poderá causar uma guerra no País do Fogo.

A Hokage franziu o cenho, irritada por ser colocada contra a parede, e mesmo que não defendesse um sistema mais rígido e violento como Danzou o faria, não era a favor de deixar Konoha ser feita de trouxa na mão de outra vila.

- Por enquanto, tudo o que podemos fazer é sermos cautelosos. Vamos deixá-los "caçarem" aqui, portanto, que dêem uma lista com os nomes dos desertores e com os nomes dos caçadores.

– Isso é loucura – era a primeira vez que Neji se expressava daquela forma numa reunião. - Você daria a eles exatamente o que eles querem.

- Nós não podemos nos interferir, seria como pisar numa mina - Morino explicou, em sua habitual frieza.

- Ceder o nosso território ao inimigo continua sendo um jogo muito arriscado – Neji argumentou; arrancando um suspiro de Shikamaru.

- Godaime... - o Nara pediu, fazendo-a assentir.

- Todos dispensados! Exceto Hyuuga Neji e Nara Shikamaru!

Vendo que só se encontravam eles no recinto, a sannin se levantou e foi em direção à janela, observando o tempo fechar e anunciar chuva.

- Já havíamos conversado sobre esse caso antes de vocês chegarem para a reunião, e há uma parte dele que eu gostaria que você cumprisse – anunciou. O Hyuuga prestava atenção enquanto não tirava os olhos dela, sério. – Mas não posso delegar uma missão desse nível a alguém que vai se deixar levar pelo impulso! – virou-se em direção aos mais novos, fitando a cada um deles - principalmente ao Hyuuga.

- Eu posso cumpri-la – respondeu, arrancando um suspiro de Tsunade.

- Eu espero que possa mesmo. Shikamaru!

- Hai! – era a vez de explicar o que deveria ser feito. – Um jogo não é feito só de defesa, então, nós também iremos atacar. Quando conseguirmos atrair um bom número de soldados de Iwagakure, causaremos um tumulto interno na vila. Assim, eles ficarão confusos quanto à procedência e será fácil dar um fim neles...

- O que exatamente você deverá fazer é matar o filho do Tsuchikage – fitou o jounin com o olhar firme, e viu que o olhar dele não oscilou ao ouvir aquilo.

- Segundo a sua teoria, o Tsuchikage só tem o título na vila, mas é o filho dele quem comanda tudo, não é? – Nara continuou, recebendo um aceno de cabeça em resposta. – Então, se acabarmos com ele, a vila ficará praticamente sem ninguém no comando.

- Mas para que não busquem vingança contra Konoha, você não deverá deixar nenhuma testemunha no ato! Konoha não será envolvida nisso.

- Vá sem o hitaiate e procure ocultar a sua identidade – Shikamaru recomendou e o Hyuuga assentiu novamente.

- Isso trará um pouco de segurança à nossa vila, e à Tenten também – era manipulador da parte dela dizer aquilo, mas ao contrário de Uchiha Sasuke, Hyuuga Neji tinha ao que se prender em Konoha, alguém querido por ele, que o faria realizar aquela missão do modo mais cuidadoso possível, e precisava deixar isso claro a ele. – Agora vá! E não diga nada sobre o que conversamos para ela.

Com um último aceno, o Hyuuga saiu.

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Naquela noite, acabou acompanhando Tenten até a pequena casa novamente, haviam esperado a chuva passar enquanto a kunoichi comia dez espetinhos de dango. Ela fitava o céu ainda nublado, mas já havia notado que dessa vez era ele quem queria dizer alguma coisa, talvez algo sobre o que Tsunade havia dito.

- Nee, Neji... – a kunoichi começou, parando no mesmo lugar em que haviam se despedido na noite anterior. – Eu não quero que fique preocupado comigo – afirmou, tirando dele um olhar sério. – Você é um excelente shinobi... – parou. Há alguns meses, nem cogitava a ideia de poder elogiá-lo. – O importante – recomeçou – é que eu não quero que o que houve comigo...

- Não me subestime – aquela afirmação a fez olhar para ele um tanto quanto aturdida. – Eu não pude impedir que isso acontecesse a você, e isso ainda me irrita – começou, olhando para o lado. – Mas eu não vou me afundar.

- Neji...

- Eu não vou me afundar, porque eu preciso cuidar de vocês – prosseguiu, dessa vez olhando para os orbes castanhos.

Era a segunda vez que ele a fazia chorar de emoção.

- Baka! Olha só o que você fez! – brigou, limpando os olhos. – Au! – com o grito, o gênio se aproximou dela, preocupado. – Ele está chutando, olhe. – pegou a mão fria do rapaz e a encostou em sua barriga, d'onde Neji pôde sentir o chute também.

Sorriu ao perceber que o Hyuuga estava sem jeito, ainda que interessado nos movimentos de seu filho. Ele então tirou a mão de sua barriga e ela pôs a sua no lugar.

- Bem, agora eu acho melhor entrar... – levantou a mão para se despedir dele, mas quando se virou para entrar, sentiu a mão fria segurar o seu pulso.

- Case comigo.


Glossário:

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Dômo: abreviando "Dômo arigatou", que seria "muito obrigado".

Arigatou: obrigado.

Itadakimasu: expressão como "obrigada pela comida", usada pelos japoneses antes de começarem a comer.

Nani: "o que".

Hitaiate: a bandana usada pelos shinobis.


Tsutzuki...

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Minna-san, dômo arigatou por estarem acompanhando, eu fico muitíssimo feliz!

Espero que o próximo capítulo não demore tanto, enfim...

Para qualquer pergunta, qualquer comentário, sugestão,... Reviews!! \o\