Sonhos, paixões e desejos.

By Sheyla Snape

Capítulo 2 –

Apesar do tom sério e questionador que o professor tomou assim que ficaram sozinhos na improvisada sala a beira do lago, eles sentiram que o assunto era importante e exigiria toda a atenção possível e impossível, já que ultimamente suas mentes se dispersavam com uma facilidade irritante. Mas ao contrario de uma bronca que os três jovens esperavam, Horácio Slughorn apenas se desmanchou em elogios sem fim antes de chegar verdadeiramente ao ponto que queria: explorar seus alunos o máximo que conseguisse.

- Eu pedi para que os senhores ficassem por uma única razão. Infelizmente terei que fazer uma viagem muito importante na semana que se inicia e gostaria de contar com a ajuda de vocês três para conduzir uma pesquisa muito importante e que, assim como a minha viagem, não pode ser adiada.

Um sentimento de alivio e medo arrebatou-os simultaneamente. Severo e Remo estavam aliviados por não terem sido flagrados em seus devaneios mais que inapropriados enquanto Lílian aparentemente ficara um tanto temerosa com a notícia. "Isso só pode ser um pesadelo, ele não pode estar falando sério!"

- Eu preciso de ajuda nessa pesquisa e não pude pensar em auxiliares mais qualificados que vocês. – fez uma pausa sorrindo. – Vocês têm habilidades especiais, além é claro, de talento na pratica de poções. O Sr. Lupin eu sei que é um excepcional pesquisador e capaz de estabelecer parâmetros entre os diversos dados de qualquer pesquisa que realize, já Sr. Snape, não preciso dizer, possui um dom nato para preparar e manipular as mais diversas poções e seus ingredientes. Por fim, Srta Evans, a senhorita possui muito de ambas as habilidades e servirá de elo nesta equipe – o homem sorriu entusiasmado para seus alunos, sem perceber, contudo, o espanto nos rostos. – é claro que... os senhores podem recusar o meu convite... Mas! – os jovens se assustaram - Deixem-me tentá-los com algumas das vantagens acadêmicas e financeiras, é claro, que os esperam caso aceitem participar deste projeto.

O silêncio caiu sobre eles durante vários minutos – uma apreensão tomou conta dos três estudantes. Eles sabiam que as implicações não se resumiam apenas ao fato de trabalharem juntos e provavelmente sozinhos por muito tempo. Os dois rapazes não sabiam, mas tal pensamento também preocupava a jovem Lílian Evans, ela não os temia, mas sim a si mesma e aos pensamentos que a importunavam com certa freqüência.

Havia também a responsabilidade, sem falar na chance de impulsionar suas carreiras desde já, e esta era, definitivamente, uma oportunidade que não poderia ser jogada fora.

Depois de mais algum tempo, um a um eles acenaram positivamente, aceitando o pedido de seu professor que, feliz, iniciou imediatamente as explicações sobre o projeto em que trabalhariam e as funções de cada um. Ele os ajudaria a principio, mas o cronograma a ser seguido era complexo e extenso, portanto, durante a viagem do professor eles precisariam trabalhar mais e com máxima atenção. Não havia margem para falhas ou tudo estaria perdido.

A primeira reunião sem a presença de Slughord foi feita na biblioteca, Snape permanecera no laboratório de poções localizado nas masmorras enquanto Remo e Lílian aventuravam-se na Sessão Restrita em busca de respostas sobre as reações adversas de alguns dos ingredientes que utilizariam a seguir. Lílian notara um olhar maroto em seu companheiro de casa, bem como o tom mais aborrecido que de costume na voz de Snape ao mencionar que não precisava da ajuda deles em nada.

A verdade era que o estômago dela congelara ao constatar que passaria as próximas horas sozinha com Remo Lupin... E isso não era nada bom! Ou seria...?

"Merlin..., me dê forças para resistir!"

Horas depois a tentação estava logo a sua frente... de cabeça baixa, concentrado em um livro volumoso e nas anotações que fazia. Lílian mal conteve um suspiro ao perceber as mãos dele movendo-se rapidamente sobre o pergaminho. Remo Lupin não era o que a maioria das garotas de Hogwarts chamaria de atraente, mas tinha, sim, o seu charme. O jeito sempre gentil de tratar a todos, era meigo e amigo, não importando qual situação estivesse presente. Era verdade que pairava sobre ele uma maldição terrível, e esse fardo o consumia dia após dia... ele tinha todos os motivos do mundo para ser uma pessoa amarga e violenta, bastando seguir os instintos da criatura maligna em que se transformava todo mês, mas, ainda assim, Remo Lupin era gentil e amável.

Lílian se perguntava o quanto do brilho que via no fundo dos olhos castanho-claros pertencia ao seu amigo Remo e o quanto era parte do lobo dentro dele. Por vezes ela flagrou um tom mais intenso naquele brilho, devorando-a, desejando-a mais do que qualquer olhar que ela sonhara em ver e estremecia entre deliciada e assustada com as próprias reações que tinha diante da constatação. "Se ao menos ele demonstrasse algo mais, tomasse uma iniciativa!" Ela vira esse brilho no dia em que o professor Slughorn os convidou para trabalhar e várias vezes nos dias em que trabalhavam juntos, incluindo há poucos minutos atrás, quando ela desceu de uma escada com um livro nas mãos e notou que ele a observava muito atentamente, e ela sabia que a relutância dele em encará-la agora era mais que concentração na leitura. "O que aconteceria Remo, se eu por acaso escorregasse lá de cima, hein?"

Se ele não tomava uma iniciativa, então ela tomaria.

Levantou-se da mesa informando-o que devolveria um livro ouvindo em seguida um sussurro advertindo-a sobre o balanço da escada. Ela sorriu... contava exatamente com ele para tirar sua pequena dúvida.

E não demorou nada...

Segundos depois ele ouvia um pequeno pedido de ajuda, levantava-se da cadeira e corria na direção dela apenas para chegar no instante seguinte e amparar a queda de sua amiga.

"Funcionou!" Esse foi o pensamento que ela teve ao falsear o pé no degrau da escada, mas não esperava verdadeiramente desequilibrar-se e cair. Também não esperava ser acompanhada na queda por quase metade dos livros da prateleira, que atingiram ela e Remo logo abaixo.

- Lílian, você está bem? Eu avisei pra tomar cuidado com a escada ela...

- Ai, meu tornozelo... Acho que torci! – ele a tinha nos braços.

- Eu avisei pra tomar cuidado, deixe-me ver se está quebrado. – levou-a de volta a mesa e sentou-a numa delas. – Terei que tirar o seu sapato, mas vou tentar não te machucar mais ainda.

Lílian gemeu de dor ao sentir o sapato ser retirado.

- Isso não está nada bom, melhor levar você até a enfermaria!

- Como se não consigo nem pisar no chão?

Lupin a olhou, algo daquele brilho surgindo no fundo dos olhos dele.

- Posso tentar uma coisa? – a voz dele soou baixa e ela não conseguiu evitar um arrepio.

- Apenas faça parar de doer, por favor!

Lentamente as mãos dele, as mesmas que ela admirara há pouco, começaram a massagear o tornozelo dela. O toque quente e suave procurava desfazer a dor e tensão do local, porém outra tensão tornava-se mais evidente e difícil de controlar.

Os olhos dele brilharam num tom intenso de âmbar e Lílian teve a certeza que não era apenas Remo Lupin que estava ali. O arrepio e a excitação que percorreu seu corpo certamente chegaram aos seus olhos, pois ele sorriu-lhe um sorriso tão malicioso que a fez tremer.

Mas mãos agora não se importavam com seu tornozelo... apenas subiam a pele da perna, chegando até a coxa enquanto ele erguia o próprio corpo e ficava de pé.

Remo não retirou das mãos nas coxas dela, nem disse palavra alguma. Apenas a encarava com o olhar intenso, algo nele ainda parecia pedir permissão a ela.

E esta veio...

Os olhos dele acenderam, assim com os dela, no instante em que Lílian tocou as mãos dele e o estimulou a continuar subindo... erguendo sua saia enquanto acariciava suas coxas, abrindo-as... posicionando-se entre elas ao mesmo tempo em que ela o puxava pra mais perto...

Ele parou a centímetros da boca dela, desceu mais as mãos e a puxou firmemente.

- Não me provoque demais Lílian, você não sabe do que sou capaz! – a voz rouca dele tinha um tom de sensualidade que ela nunca vira associada a Remo Lupin antes.

- Então prove Remo, prove do que é capaz!

Com um pequeno rosnado ele tomou-lhe a boca. Num beijo possessivo, profundo, mas ainda assim com um quê da suave delicadeza do Remo que ela conhecia tão bem. A língua dele procurava pela dela, gemeram ao primeiro toque macio e úmido, as mãos exploravam e tomavam cada pedaço do copo dela que estava ao alcance. Ele estava faminto, ela podia sentir pela evidente ereção que tão insistentemente ele roçava nela. Aquilo a deixou louca.

Eles estavam completamente colados, os sentidos alertas e no limite das sensações. Havia uma força em torno deles, tão forte e poderosa que seria palpável, e talvez realmente fosse, pois alguns livros numa prateleira um tanto próxima foram ao chão. Despertando-os. Seja por azar ou pura sorte, eles também conseguiram ouvir o estalar dos saltos da bibliotecária no piso de madeira. Ela certamente ouvira o estrondo dos seus preciosos livros desabando das prateleiras e se aproximava a passos largos para descobrir quem estava profanando seu santuário.

Como se tivessem sido tomados por um choque, Remo e Lílian se afastaram. Imediatamente arrumando as vestes e cabelos já desarrumados, rezando internamente para que o horror daquela bagunça de livros espalhados enfurecesse Madame Pince a ponto de não perceber o que mais acontecera ali.

Foi exatamente o que aconteceu. A bibliotecária quase teve uma síncope ao ver seus preciosos volumes que tão meticulosamente ela cuidava espalhados pelo chão, completamente em desordem e tratou, sem grandes perguntas a não ser a de como aquela bagunça acontecera, de expulsá-los o quanto antes.

Felizmente a maior parte da pesquisa da noite havia sido terminada, restando apenas levá-la até as masmorras onde Snape trabalhava.

Lupin a olhou insistentemente, mas não havia a mesma intenção de alguns minutos atrás, ele parecia querer... desculpar-se.

"Ah Remo, não faça isso, por favor!"

- Lílian eu... eu não sei o que dizer, eu... – a voz dele era completamente diferente do tom firme que ela ouvira. O seu amigo Remo Lupin estava de volta. Novamente controlado e cavalheiro como sempre fora.

- Remo, não há o que desculpar! – ela levou a mão ao rosto dele. – Eu queria, você queria... foi só um beijo! "E que beijo!!" – ela não pode evitar o pensamento.

- Não era eu Lílian, era o lobo! E ele tem que ficar preso, eu tenho que controla-lo senão... – ela escorregou os dedos para os lábios dele, silenciando-o.

- Não aconteceu nada de mais, Remo! Relaxe! Vá para a torre da Grifinória, eu mesma levo isso lá em baixo para o Snape.

- Mas e o seu pé?

- No caminho eu passo na enfermaria, ok? Vai, você está cansado e a lua está próxima, pode deixar comigo.

Com um sorriso verdadeiramente cansado ele se afastou dela... Ainda era possível ver o brilho nos olhos dele, querendo sair, saltar para o mundo, mas Remo o sufocava com todas as forças e era consumido por isso.

Suspirando Lílian testou a firmeza de seu pé torcido e começou sua caminhada até as masmorras.

Continua...

N.A: E mais uma vez fico no continua. rsrsrs... Beijos pra BastetAzazis e pra Gabrielle, muito obrigada pelos comentarios meninas. E pra quem não comentou, por favor, comente, sim?? Faça uma autora feliz! XD