Capitulo II
Tomando Decisões
Snape passara a noite observando Draco e a garota ao seu lado, presenciou quando eles começaram a se aproximar um do outro. Aos poucos a garota se aninhou nos braços do afilhado que a recebeu como se aquilo fosse uma rotina para ambos. A tênue luz azul que emanava dos dois ficou um pouco mais forte, fato que provocou um arremedo de sorriso nos lábios do professor de poções. Não sabia bem o que aquilo significava, mas, foi o suficiente para desfazer as rugas de preocupação e dormir algum tempo.
Dumbledore chegou cedo, e encontrou Snape andando de um lado para outro, denunciando que não havia dormido bem. Tinha milhões de perguntas e se preocupava com seu afilhado.
"Bom dia, Snape." – Dumbledore fez uma reverência rápida, retribuída pelo outro bruxo.
"Diretor."
"Devo acreditar que tem perguntas."
"Sim, Senhor. Podemos conversar?"
"Claro! Imagino o conteúdo da conversa Severus. Bem, o Sr. Malfoy fez o feitiço da alma gêmea, esse feitiço é muito antigo e não é usado há quase um século; ele implica um grande poder. Só um bruxo com grandes poderes poderia conjurar esse feitiço. Quero acreditar que o jovem Malfoy obteve ajuda, ou seus poderes são bem maiores do que imaginamos..." - olhou para Severus como se quisesse uma resposta, e Severus entendeu.
"Acredite Diretor, ele não tem amigos aqui, ninguém fala com ele além dos professores e duvido que haja entre nós alguém tão estúpido."
"Está bem. Concordo com você. Então estamos lidando com uma assinatura mágica poderosa. Do contrário a garota não tinha sido encontrada e o garoto estaria morto a essa hora. "
"E agora, o que acontece? A garota não parece nada bem. Eu a encontrei em Belfast, era um atentado. O clima ali não estava nada bom."
"Eles vão permanecer juntos alguns dias aqui até que o vínculo entre eles se torne mais forte, essa proximidade então é vital para ambos." Lançou um olhar para a cama e sorriu, a cena o agradou. O jovem aconchegava a garota em seus braços e pareciam apaixonados, porém a jovem estava muito pálida e tinha uma feição de dor em seu rosto.
Snape deu-lhe um olhar cansado e rendeu-se.
"Precisamos, antes de tudo, fazer um pequeno feitiço. Severus, acorde o Sr. Malfoy."
"Draco acorde. Draco! Vamos acorde!"
Malfoy acordou assustado e logo percebeu que não estava mais só. Algo estava diferente, estava mudado, inundado de sentimentos. Então percebeu sua companheira. A princípio assustou-se com a garota muito pálida em seus braços, que diabos ela estava fazendo ali? E ele a tinha em seus braços. No momento não lembrava de nada que pudesse explicar aquela presença. Dumbledore o tirou imediatamente dos seus devaneios.
"Sr. Malfoy?"
"Diretor? Tio Sev?"
"Lembra-se do que fez?" Perguntou o diretor calmamente.
Naquele momento lembrou do livro de feitiços, do carvalho, da lua, a dor...
"Sim, me lembro agora... quem é?" Perguntou um Draco assombrado e já sabendo a resposta.
"Sua alma gêmea. Você acordou uma Slib, seu irresponsável!" Disse Snape em tom de reprovação.
"Calma, Severus, não é hora de repreensões. Ele ainda é uma criança e como tal não pesa muito as conseqüências de certos atos."
"Slib? O que em nome de Merlin é isso?" Perguntou o loiro já irritado com a situação e com aquela garota que não acordava nunca.
"Slib é uma bruxa nascida trouxa com uma magia ínfima."
"Sangue-ru... – parou no meio da expressão. Não podia terminá-la, não podia acreditar. Ele, um puro sangue, com uma... a palavra não podia ser nem sequer pensada. O vínculo mágico que já existia entre os dois, cobrava com uma sensação dolorosa atos e pensamentos contrários..."
"Algum problema?"
"Não, senhor."
Mentiu o rapaz. Ninguém precisava saber o que se passava com ele, já sabiam demais para o seu gosto. No momento só queria acordar aquela infeliz... Novamente a sensação ruim tomou conta de suas entranhas, mas, ainda assim queria mandar a garota de volta de onde viera.
"Deve saber que temos que completar o feitiço, diante disso devo lhe dizer que se escolher abandoná-la ambos morrerão..."
Morrer? Ele se amaldiçova pelo azar que tivera. Agora não tinha saída. Mas, morrer não estava nos seus planos. E ainda mais por uma sangue-ru...A resposta de Draco foi instantânea.
"Hoje não é um bom dia para morrer..." - Disse, olhando para ela. Em seu intimo estava irado. Tanta gente para acordar, tinha que ser um mero aborto?
"Então a acorde, com cuidado, ela deve estar assustada. Olhe nos olhos dela e deixe que ela ouça o som de sua voz. Está pronto?"
"Não."
"Então a desperte, mas sem bruxaria."
Malfoy, tocou seu rosto e sussurrou alguma coisa que os dois bruxos não entenderam. A garota acordou assustada nos braços de Malfoy e logo quis se afastar, mas parou quando seus olhos se encontraram com os olhos de Draco. A íris prateada a paralisou. Estava muito fraca para reagir a tudo aquilo. Estaria morta? Aquilo era a outra vida? Olhava ao redor, nunca havia estado em um lugar parecido, tochas iluminavam o ambiente, que era um misto de austero e luxuoso. Mas, seus olhos logo voltaram aos de Draco, ela não podia resistir a eles. Duas poças incandescentes de mercúrio que fazia com que tudo desaparecesse da sua visão...
"Shiii, calma, está tudo bem.".
"Dói..." – foi tudo que consegui dizer.
"Agüente firme". Disse Draco friamente.
"Sr. Malfoy, pode se levantar?"
"Sim, Senhor"
Malfoy se sentia bem, um pouco fraco, mas se levantou com facilidade, sentindo um leve puxão no vínculo. Eles já estavam ligados por um laço mágico, por isso Malfoy sentia a presença da garota com certa intensidade.
"Ajude-a" Ordenou Snape indicando com a cabeça o que ele deveria fazer.
Draco, a contragosto, deu a volta e estendeu a mão sinalizando que deveria levantar, mas estava fraca demais. Num movimento rápido, a tomou nos braços. Ela gemeu...
"Agüente firme! Isso é satisfatório, diretor?" – olhou para Dumbledore com um ar de irritação.
"Sim, agora pergunte o nome dela."
Draco olhou nos olhos da garota em seus braços e perguntou:
"Hey qual é o seu nome?"
"A-Angel..."
"Termine o feitiço, Sr. Malfoy."
Draco a encarou e disse solenemente:
"O sol sempre derrete o gelo,
A água inunda o abismo,
Mas haverá luz para aquela
Que é dona das batidas do meu coração…
Nada de ruim irá te acontecer enquanto eu viver..."
As palavras vieram a seus lábios naturalmente, era como se soubesse o que deveria dizer, e quando dizer.
Dumbledore fez um feitiço silencioso e lançou para Snape um olhar indecifrável.
"Pronto, Sr. Malfoy, pode colocá-la na cama."
Draco obedeceu, não conseguia quebrar o contato que fizera com os olhos dela, percebendo um pedido mudo de socorro.
"Ela não está bem."
Nesse momento madame Pomfrey entra nos aposentos com um frasco de poção nas mãos, fazendo uma leve reverência aos bruxos presentes.
"Professor Snape, Diretor"
"Papoula."
"Sr. Malfoy, quero que tome essa poção, vai precisar."
"Não quero dormir!"
Afirmou o loiro, que não pretendia voltar para a cama com uma estranha. Queria respostas e distância dela. Mas ao mesmo tempo olhava para a garota, agora desacordada e não sabia o que sentia, além da repulsa é claro!
"Eu sei. Ela está morrendo..."
"Como? Já fiz o voto, eu a aceito! Não pretendo morrer. Quem sabe poderemos reverter esse feitiço..."
O loiro naquele momento faria qualquer coisa para nunca mais ver aquele Anjo. Anjo? Anjo não, ele só estava confuso com as palavras, o nome da garota é Angel. Não queria que ela morresse também, mas, preferia manda-la de volta, afinal o feitiço tinha se enganado quanto a sua alma gêmea. Sua cabeça doía. Seus pensamentos estavam revoltos em busca de uma solução.
"Não é isso, antes do seu feitiço ela levou um tiro, arma trouxa, mas quando estava morrendo o seu feitiço a atingiu, dando-lhe um pouco mais de tempo. Então ela só está viva por conta do vínculo mágico que os une agora. Sua magia é que a mantém viva nesse momento. Eu terei que mantê-la ao seu lado para o vínculo se fortalecer, e preparar o Senhor para poder iniciar o tratamento na senhorita..."
"Angel, o nome dela é Angel. Me dá isso!" – Malfoy estava impaciente, abriu o frasco e esvaziou em um gole. Sentindo o vínculo enfraquecido, voltou para a cama. Encarou rudemente todos e disse:
"Isso é tudo, diretor?"
Todos se retiraram, percebendo a irritação de Malfoy. Assim que se viu sozinho, olhou o rosto de Angel. Estava atordoado, tinha uma completa trouxa, estranha, em sua cama. Nem sua cama era, e não conseguia expulsá-la ou sumir dali. Ao contrário, no momento em que voltou para a cama sentiu–se bem ao seu lado. Sentir-se bem a seu lado? Como? Por fim, o cansaço tomou conta dele, e dormiu, sonhando como há muito tempo não sonhava...
oOo
Acordou assustado. Tinha Angel aninhada em seus braços. Era estranho como eles se escorregavam um para o outro. Angel debatia-se e falava coisas desconexas. Sussurrou-lhe um "tudo bem". Ela acalmou-se, abriu os olhos e encontrou aquela íris prateada que a enfeitiçava. Finalmente, falou:
"Dói".
"Calma, vamos ajudar você".
Instintivamente, apertou-a contra si, e ouviu um gemido abafado. Soltou-a, se perguntando por que estava tão preocupado com ela. Como queria que aquilo fosse apenas um pesadelo ruim, então acordaria como todas as manhãs, tomaria seu café e marcharia para o laboratório de Severus. Nunca pensou que aquela atividade tediosa lhe pareceria tão atraente naquele momento.
"Onde... estou?"
"Vou explicar tudo quando estiver bem."
"Seu nome...?"
"Draco Malfoy."
"Meu Dragão." Angel delirava um pouco por causa da febre e não conseguia sequer pensar no que acontecia com ela e de quem eram aqueles olhos estranhos que sempre estavam ali quando abria os seus.
Voltou à inconsciência. Draco sentiu um arrepio com a possessividade da garota. Era um sentimento quente que nunca tinha experimentado. Olhou longamente para ela, e percebeu que ainda estava muito pálida. Tocou-lhe o rosto. Havia sinais de dor. Vencido pelo sono, voltou a dormir.
Acordou com as primeiras luzes da manhã. Sentia-se bem. Levantou-se e foi até o banheiro. Pretendia tomar um longo banho. Escolher suas vestes preferidas e sair daquele quarto. Despiu-se. Entrou na banheira e percebeu que estava cada vez mais cansado. Resolveu sair antes que morresse afogado. Com todos os seus planos frustrados, encontrou algumas vestes por ali, nem se importou se eram para ele ou não. Vestiu-se. Mal teve tempo de abrir a porta do banheiro. O silêncio e a escuridão tomou conta dele. Desabou no chão.
Abriu os olhos, já estava na cama ao lado de Angel novamente, já não sentia aquele cansaço. O que poderia ter acontecido? Como desmaiou se ele estava bem quando levantou? Cheio de duvidas encontrou os três bruxos atentos aos seus movimentos.
"Como se sente criança?". Madame Pomfrey perguntou-lhe com um ar preocupado.
"Estou...bem. Não compreendo o que aconteceu..."
"Sr. Malfoy precisa entender que deve permanecer perto da Srat. Angel para fortalecer o vínculo mágico existente entre vocês, só entao poderão se afastar sem que isso cause maiores incomodos para ambos."
A explicação foi acompanhada pelos bruxos presentes, Severus e Dumbledore que concordaram com Madame Pomfrey e também o adivertiram. Draco rolou os olhos mais um vez e respirou fundo. Tudo aquilo não poderia ficar pior do que já estava. Então simplesmente ouviu tudo entediado. Madame Pomfrey por fim comunicou-lhe suas intenções naquela hora.
"Sr. Malfoy, depois de muito discutir, decidimos tentar um tratamento não muito ortodoxo nessa criança. Ela está morrendo, o elo não se fortalece, ela está muito fraca, perdeu muito sangue. E antes que o sr comece a sentir os efeitos que a condição dela deve lhe proporcionar em breve, vou extrair a bala da maneira trouxa, mas ela precisa de uma transfusão de sangue. Seu sangue, para ser mais exata."
Draco deu de ombros.
"É a única maneira?"
"Creio que sim."
"Está bem, vamos logo com isso."
Madame Pomfrey levou um tempo que pareceu longo demais para todos na sala.
Lentamente, o sangue de Draco adentrava nas veias da garota, que parecia ganhar tons de vida novamente. Seu rosto já esboçava um tom mais saudável.
Madame Pomfrey abria caminho com os objetos trouxas. Usava pouca ou quase nenhuma magia, o procedimento mágico poderia ser repelido por ela. Então a magia era usada com muita cautela naquele ambiente que fora devidamente lacrado para que a magia de Hogwarts não interferisse na poderosa magia que a identificou. Uma grande quantidade de objetos e remédios trouxas estavam por perto, Draco nunca vira nada parecido, não gostou muito quando a agulha entrou em seu braço. Trouxas! Por Merlin como eram atrasados e medievais! Olhou uma ultima vez para Angel e Madame Pomfrey puxou um biombo escondendo a garota de seus olhos.
A bala estava alojada perigosamente perto do coração. Quando avistou o projétil, com um meneio de varinha terminou a exploração.
"Evanesco!"
Olá !
Duas reviews!
fico feliz em acertar o assunto! Seus comentários são importantes! Adorei... Dryade, espero que continue gostando. Ainda tem muita história pela frente...
Jinhos da Belle
