N/A: Bem, finalmente eu estou de volta com esse capítulo. Fim de ano é uma confusão para todo mundo que tem família grande, né? Ashsahusauh Tive que viajar, mas está tudo normal agora. Agora eu já posso voltar a escrever minhas fics com tranquilidade. Enfim, adorei que vocês tenham gostado dessa ideia um tanto diferente que surgiu na minha mente quando eu ganhei uma espada japonesa da minha madrinha. Lindo, não?
Mudei o título por causa dos capítulos futuros. Aproveitem a leitura.
Giovanna Evans Black – Você é minha leitora de todas as fanfics HAHAHA Mas aqui está o meu capítulo, espero que eu tenha sanado a sua curiosidade, que não é pouca ;D
Bet97 – Outra leitora fiel HAHAHA espero que você goste dos próximos capítulos, vão ser deliciosos (:
Lally Sads – Olha, uma nova leitora! Que bom que você tenha gostado da minha idéia. Te garanto que todas as minhas fanfics possuem esse quê de surpresa. É minha característica principal de escrita :D
Capítulo Dois...
Logo após chegarmos em King's Cross, minha mãe ficou extremamente distraída. Ela adorava analisar a arquitetura dos lugares que ia e, claro, ficava bem distante. São momentos em que é melhor deixá-la sozinha.
Meu pai a observava com um sorriso tranquilo enquanto eu olhava o meu bilhete da plataforma 9 ¾. Confesso que fiquei surpresa sobre como embarcamos nesse expresso de Hogwarts. Realmente, os bruxos europeus merecem a fama de esquisitos. Seria muito mais fácil se fôssemos para o colégio via pó de flu...
Mas como meu pai comentou, é uma de Hogwarts ir de trem. Já que Hogwarts possui mais de um milênio, como que eles faziam para que os estudantes fossem para lá? Não existia trem há mil anos. São dúvidas estranhas e que ninguém se dá o trabalho de respondê-las. Até naquele livro 'Hogwarts, Uma História', não fala disso.
Esquisito.
- Está preocupada? – Perguntou meu pai enquanto me analisava atentamente. As pessoas passavam encarando me encarando, juntamente com a minha mãe. Estávamos com quimonos formais de três camadas (A Inglaterra é muito fria e instável quando se relaciona suas chuvas e seu clima, então, o quimono de outono é a melhor opção para os dias chuvosos, como esse) e nossos obis estavam com as típicas almofadinhas atrás para contrapor o peso da seda.
Algumas pessoas encaravam, cochichavam e depois observavam de novo para ter certeza do que tinham visto. Que bom, virei um espetáculo à parte.
Eu suspirei enquanto sustentava o olhar do meu pai.
- Não sei, acho que sim – Respondi com um quê de ansiedade e logo mordi meu lábio inferior – Não sei se vou dar conta de esconder isso, Chichi-ue*...
- Mas você precisa levar para Dumbledore examinar, querida – Falou o meu pai com tranquilidade – Vai dar tudo certo. Mas não deixe que as pessoas fiquem curiosas em relação à isso, não os deixe chegar perto, está bem?
Eu assenti incerta.
- Mas o que eu vou fazer nesse meio tempo? Quero dizer, enquanto Dumbledore não der uma resposta, eu posso ser uma estudante normal? – Perguntei com a ansiedade explodindo em minha voz.
- Fique calma, afinal, Voldemort estará longe de você enquanto estiver em Hogwarts, então, pelo menos, não temos muitas preocupações que realmente mereçam horas e horas de incômodo – Respondeu com um auto-controle invejável.
Logo, eu sorri.
- Vamos logo, querida – Apressou a minha mãe, afobada – Você perderá o trem se demorar assim.
Meu pai assentiu.
- Sua mãe está certa, Lily, mas não podemos atravessar essa barreira com você – Explicou com uma certa preocupação no olhar – Há vários Comensais que possuem filhos em Hogwarts, não podemos ficar tão vulneráveis.
Eu assenti. Eu estava ficando preocupada à medida que meu pai me explicava sobre os Comensais da Morte. Nome ridículo, óbvio. Chega ser brega. Não sei quem inventa esses nomes, Voldemort, Comensais da Morte... Se for para dar medo, isso não está acontecendo.
Mas enfim, eu estava nervosa quando me despedi de meus pais e atravessei a barreira da plataforma 9 ¾ , vendo que todos no trem já estavam embarcando e eu ainda estava subindo naquele maria-fumaça vermelha enquanto um dos homens que trabalhavam na plataforma guardava o meu malão de Hogwarts.
Dei um gorjeta gorda para o homem, que parecia ser trouxa, e entrei no expresso de Hogwarts. Por sorte, havia muita fumaça na plataforma, vinda da maria-fumaça que começava a se aquecer para a viagem. Com sorte, ninguém reparou que eu não era dali.
Muitos já usavam aquele uniforme branco, preto e cinza. Não me interessou. Logo, eu segui a entrada da plataforma e andei pelos corredores.
Todos que estava ali me encaravam como se eu fosse de outro mundo. Na verdade eu era de outro lugar, não de outro mundo, mas enfim, as caretas, cochichos e olhares não me incomodaram. Nunca fui muito curiosa quando o assunto é a vida dos outros, não me interessa saber o que eles pensam ou que eles fazem.
Se eles resolvem matar alguém, não me interessa.
Se eles resolvem ridicularizar alguém, não me interessa.
Se eles resolvem excluir alguém, também não me interessa.
Poucas coisas me interessam, então eu não vou gastar o meu precioso tempo me preocupando com o que as pessoas pensam. É um assunto meio inútil, não?
Também não me importo com que as pessoas fazem, desde que não me afete direta ou indiretamente. Principalmente adolescentes, com seus hormônios pululantes e com sede de atenção. É extremamente patético. Não tenho outras palavras para definir as atitudes desse povo que continuava me encarando enquanto eu procuro um lugar vazio para me sentar.
Aquele lugar estava mesmo lotado. Eu estava atraindo muitos cochichos de pessoas estranhas, ao meu ver, com roupas mais estranhas ainda. Muitas garotas mais novas que eu possuíam uma saia tão curta que dava para ver, praticamente, seu útero descascando para descer o sangue da menstruação. Elas se sentavam e cruzavam a perna, o que me soou bastante vulgar.
Mas não estou aqui para julgar o que é vulgar ou não. Isso não me interessa. Se a pessoa quer ser desse jeito, problema dela. Eu aceito esses olhares preconceituosos e arrogantes para cima de mim, mas não aceito quando a pessoa questiona o meu modo de ser. Por mim, tanto faz. Não me interessa o que as outras pessoas fazem ou deixam de fazer, contanto que não me atinjam direta ou indiretamente.
Se você quer ser vulgar, problema seu. Não tenho nada a ver com isso.
E foi com esse pensamento que eu segui toda a parte interna da maria-fumaça que já estava em sua velocidade máxima. Mas ainda assim eu não encontrava nenhum lugar para ficar e não me convidavam para sentar, então eu fui procurando.
Percebi que esses bruxos ingleses são muito esquisitos, quero dizer, isso é óbvio, mas eles não são nem um pouco amigáveis ou mesmo acolhedores. Eles só ficam me olhando, cochichando e , provavelmente, me ridicularizando.
Por mim, tanto faz. Há quem me chame de fria, mas tanto faz. Não tenho muito interesse em saber as razões dessas pessoas quando me chamam assim. E não faz o menor sentido tentar mudar o julgamento de uma pessoa ignorante, então não estou dando o trabalho de compreender o que eu fiz de errado.
Prefiro deixar a pessoa sozinha com seus próprios pensamentos.
E sim, de certa forma, eu sou um tanto desinteressada com as pessoas. Ou seja, uma certa frieza. Mas faço isso no campo inimigo, quando estou no meu campo de origem, sou totalmente diferente embora minha guarda continue alta. Eu estou aqui para averiguar os fatos.
Para examinar Hogwarts, sendo a melhor definição. Não tenho tempo para lidar com adolestezinhos cheios de hormônios e com uma vontade transar com a professora mais gostosa da escola. E nem com líderes de torcida egocêntricas e vulgares.
Estou apenas fazendo o meu trabalho enquanto me disfarço de estudante. Bem, é a minha carreira que começou desde cedo, não? Todo diplomata importante tem que saber onde está pisando, ou seja, todo diplomata importante precisa de um informante e um espião dentro da sociedade que lhe interessa.
Não poderia ser minha mãe, afinal, ela não não era bruxa e não poderia viver na mesma sociedade bruxa que meu pai tendo o passe livre que uma bruxa pode ter tranquilamente. Então meu pai não teve dúvidas em me colocar como sua própria informante da sociedade do bruxa do Japão, da China, Índia, Indonédia, Tailândia, Coréia do Sul, Austrália e, agora, Inglaterra.
Então, faz parte da minha vida (e da minha profissão) ser extremamente fria com relação às outras pessoas que aparecem em minha vida. Como minha vida sempre moldada nessa situação, minha personalidade também se formou enquanto eu tentava tirar informações de outros.
Por mais que eu não seja, nunca, uma pessoa discreta, eu sou a menos suspeita para que eles apontem o dedo e julguem com a certeza de sua própria consciência. Uma vez me falaram que eu gero uma certa inquietação em suas mentes, um aviso até. Isso possibilita a minha livre entrada do mundo bruxo.
Toda pessoa tem seu segredo profundo.
Eu tenho um segredo. Meus pais também o tem.
E esse é um dos motivos principais para que Voldemort, aquele idiota com o nome estranho, fique atrás de meu pai, que agora teve que me acionar para pesquisar em Hogwarts sobre o passado desse idiota do nome estranho.
Mas é claro que não estamos agindo dessa com forma com a idealização de um mundo melhor.
Poupe-me. Eu não daria certo nesse meu trabalho se eu fosse uma pessoa com ideais de um mundo melhor ou coisa do tipo. Tenho minhas dúvidas, claro, todo mundo tem. Também tenho compaixão, não sou uma pessoa fria e sem sentimentos. Tenho meus conflitos e meus medos.
Mas prefiro lidar com animais do que com pessoas. Os animais lindos, inocentes e instintivos, principalmente os cachorros. Sempre tive uma paixão imensa com animais, sempre os protegi daquelas crianças cruéis que os maltratam e ainda ficam se vangloriando.
Teve uma vez, na Índia, que eu vi três crianças bruxas torturando um bode com pequenas facas. Aquilo me deixou possessa, ainda mais que eu estava fazendo meu trabalho na hora. Quando eu notei os berros do bode, eu não quis saber mais dessas crianças.
Não, não as matei. Mas tive uma vontade imensa de matá-las.
Apenas fiz com que eles sentissem a dor do bode neles mesmos.
Uma mão lava a outra, não?
Eu apenas enfeiticei as facas e... bem, os machuquei. Tá certo que eu decepei o dedo do menino mais velho, mas foi meio que sem querer. Meio.
Assim, eles fugiram e deixaram o bode lá, ainda sofrendo com o sangue escorrendo. Usei tudo que eu tinha no momento para salvar o bode, e o salvei. Hoje, um ano depois, eu lembro que quando saí de casa hoje, meu bode Ashram estava deitado em cima de minha cama enquanto dormia profundamente.
Como eu disse anteriormente, eu não sou uma menina normal.
Posso ler os sentimentos das pessoas quando toco na pele delas. Claro que eu tenho que estar pressionando a minha pele na de outra pessoa para ler seus sentimentos. Isso não acontece com todas as pessoas, mas em sua maioria, acontece bastante. E é por isso que eu só ando de luvas e só as tiro para examinar a alma de uma pessoa. Eu só faço isso se eu quiser, quero dizer, eu posso muito bem abraçar minha mãe e não sentir seus sentimentos.
É uma escolha minha quando eu resolvo usar isso.
Mas mesmo assim, eu ainda prefiro usar luvas mesmo estando no verão. Não me importo se me chamarem de esquisita, como estão me chamando agora no expresso de Hogwarts enquanto eu procuro um lugar vazio, mas realmente, eu sou uma aberração se você pensar no meu lado.
Sou uma espiã para um diplomata importante. Não é nada normal.
E prefiro continuar assim. Normalidade demais acaba sendo um tédio para quem assiste ou convive. Não dispenso o meu grau de insanidade por uma gota de normalidade. As pessoas melhores são as que não tem juízo algum, como eu descobri depois de muitos anos de espionagem.
E esse é um dos motivos que eu não posso me envolver afetivamente com ninguém. É extremamente arriscado para mim. Eu não faço isso por obrigação do meu pai, não mesmo. Eu que dei a ideia, eu que me ofereci para fazer esse trabalho complicado. De início, meu pai foi contra. Mas depois que ele notou que estava dando muito certo, chegamos em um acordo viável em que ele fica cheio de orgulho de mim quando eu chego com uma nova informação sobre a pessoa que estávamos querendo.
E nesse momento, Dumbledore havia contratado o meu pai. Então, a minha tarefa inicial era reconhecer os filhos dos Comensais da Morte (que nome patético) e estudar a árvore genealógica deles, espionando.
Mas eu não poderia dar muito na cara. Eu não poderia ir direto para o covil das cobras e fingir ser amiga de todos eles, não. Isso seria muito arriscado. A melhor jogada seria fingir estar totalmente alheia à eles, em um casa diferente da deles, e segui-los silenciosamente, estudando-os. Eu teria que mostrar a minha face japonesa para enganar todos eles.
A tradicional aluna japonesa que é educada e estudiosa, sendo exótica de certa forma. É um clichê incrível pois funciona em 98% dos casos em que eu o aplico. Ninguém aposta que uma garota de 17 anos vinda de um Japão tradicional seja uma ameaça, muito pelo contrário, geralmente me consideram frágil quando eu assumo essa face.
Pensando em meus motivos de estar indo para Hogwarts, eu encontrei uma cabine no expresso de Hogwarts que estava praticamente vazia, exceto por dois meninos que jogavam xadrez de bruxo enquanto zoavam um ao outro.
Resolvi observá-los através do vidro da cabine do trem.
O que estava ganhando tinha um cabelo castanho-claro, que eram lisos e um pouco compridos, seus olhos também eram castanho, mas um castanho escuro. Observei seu corpo branco e suas roupas que não combinavam uma com a outra. Suas cicatrizes no pescoço, pulso e testa já o denunciavam. Eu reconheço um Lobisomem quando vejo um, afinal, eu já lidei muito com eles quando eu estava na Austrália. Nada que realmente me assusta, é só aprender a lidar com ele.
O que estava perdendo tinha uma cabelo preto arrepiado, parecendo que não tinha penteado essa manhã. Sei cabelo não é maior do que o do Lobisomem, mas continuava tendo um comprimento maior. Usava óculos redondos com aros de prata e seus olhos me lembravam avelãs. Eram um tom castanho-esverdeado raro, mas concentrados no xadrez de bruxo. Parecia ser mais alto e mais fortes do que o Lobisomem.
Bem, achei interessante me sentar com eles. Ainda mais sendo um Lobisomem.
Respirei fundo, ajeitando o meu quimono pesado de três camadas e bati delicadamente no vidro daquela cabine. Os dois tomaram um leve susto e ficaram me olhando de onde estavam sentados. O Lobisomem se sentava de frente para o de óculos.
Eu abri a porta da cabine, aparecendo dentro do cabine.
Os dois me observaram atentamente e eu sentia os olhares deles subindo e descendo em meu quimono, meu obi e até a minha katana (espada) Tsurugi pendendo em meu obi. Eles estavam surpresos e confusos com o que viam. Eu adorava despertar essa sensação nas pessoas.
- Olá, eu posso me sentar com vocês? – Perguntei educadamente enquanto os dois ainda me analisavam – As pessoas daqui não foram muito gentis comigo.
Meu cabelo estava preso em um coque elaborado de gueixa, deixando o meu pente ornamental de jade e pérolas no alto do meu cabelo ruivo. Também estava com aquela maquiagem oriental clássica, o delineador preto e pesado com o batom vermelho-fogo.
O Lobisomem se levantou e abriu a porta para que eu entrasse.
- Entre, parece que você é nova aqui – Eu assenti enquanto me sentava do lado do rapaz de óculos e o Lobisomem retomava o seu assento – Eu sou o Monitor-Chefe e é o meu dever ajudá-la nesses momentos.
Eu sorri gentilmente. Ele parecia ser uma gracinha de menino, sendo muito certinho. Realmente, eu era uma exceção entre muitos Lobisomens adultos que eu conheci na Austrália. Esse Lobisomem daqui de Hogwarts parecia ser... um exemplo. E isso era interessante.
- Meu nome é Lily Evans e venho de Kyoto, Japão – Me apresentei formalmente, deixando claro que eu tinha educação e gentileza. Mas realmente, de tanto me apresentar desse jeito, eu acabei me tornando uma pessoa mais formal do que o necessário – Realmente, eu não conheço ninguém aqui.
O de óculos, que ainda me observava pensativo, resolveu se apresentar também. Ele parecia um pouco distante... quem sabe? Pode ser que ele sentiu a minha aura. Animagos são assim. Também os reconheço , assim como os Lobisomens, de longe.
- Sou James Potter e esse é o meu amigo pomposo, Remo Lupin, somos todos das Grifinória e estamos no sétimo anos – Se apresentou com um sorriso de boas-vindas – Estamos esperando o nosso amigo, que foi comprar algo para a gente comer, ele se chama Sirius Black e também é da Grifinória e do sétimo ano.
Eu assenti.
- Eu também vou ser do sétimo ano – Comentei pensativa. James Potter e Remo Lupin sentiram que eu não sou qualquer uma, pensei enquanto os dois guardavam o xadrez de bruxo. Definitivamente, eles sentiram que algo não encaixa quando olham para mim. É bom não provocá-los – Mas ainda vou ser selecionada para uma casa.
- Evans... Eu conheço esse nome de algum lugar – Comentou Remo Lupin com uma expressão pensativa – Você não é a filha daquele diplomata que virou a mão direita de Dumbledore?
Sim, eles sabiam que havia algo errado. Essa informação só era para os membros da Ordem da Fênix e eu me lembro do nome 'Potter' no meio deles. Então, para quê o teatro que eles estavam fazendo?
Nisso, um rapaz de cabelo longo e preto, com olhos vítreos e um porte elegatíssimo entrou na cabine. Ele parecia ser mais alto e mais forte do que o James Potter. Definitivamente, era um Don Juan típico da Europa. Ele andava como se estivesse desfilando e seu nariz era um pouco, ou não, empinado, sendo um sinal de arrogância.
Ele entregou algumas balas e chocolates para James Potter e Remo Lupin e comentou algumas coisas de algumas meninas de alguns lugares que eu não tinha interesse nenhum de perguntar, reconhecer ou saber. Por mim, tanto faz quem ele resolve enfiar seu...
Ele se sentou do lado do Lobisomem e aí, de frente pra mim, percebeu que eu estava olhando para ele.
- Quem é você? – Perguntou sem rodeios. Sim, definitivamente ele era arrogante e egocêntrico, mas isso só aumentava sua beleza que me lembrava o porte de um cavalo de hipismo – Nunca te vi por aqui.
- Lily Evans, Sirius Black – Apresentou o Lobisomem com categoria – Ela é a filha daquele diplomata.
Sirius Black me examinou longamente com aqueles seus olhos vítreos. Ele parecia avaliar minhas roupas e o meu grau de, supondo, insanidade. Ele não pareceu tão desconfiado quanto o Potter e tão gentil quanto o Lupin. Ele parecia me avaliar como fêmea, ou seja, com aquela pergunta 'será que eu posso pegar?'
É tão bom ter esse meu dom de analisar os sentimentos das pessoas. Muitas vezes, eu só farejo o sentimento e nem preciso pegar na pessoa. Só que eu aprendi isso com muitos e muitos anos de práticas.
E esse Sirius Black também era um Animago.
- Vocês falam como se já me conhecessem – Comentei inocentemente, mas procurando ver se eles deixariam escapar algo. Seria importante nesse momento. Os três balançaram negativamente a cabeça, surpresos. Ou seja, realmente, eu já me conheciam. Mas será que sabiam o porquê de eu estar indo para Hogwarts?
- Não, não mesmo... – Começou um apressado Sirius Black.
- ... é que apareceu nos jornais... – Continuou James Potter.
- ... e nós só deduzimos. – Terminou Remo Lupin.
Era claro que eles eram amigos. Melhores amigos. Um Lobisomem com dois Animagos só quer dizer uma coisa: os melhores amigos o ajudavam com a tranformação na Lua Cheia. Interessantíssimo.
Eu sorri satisfeita, farejando o cheiro do medo de serem descobertos.
Eles pareciam tensos. Acho que estavam sentindo que falaram demais. E realmente, eles foram muito descuidados, não podem ser desse jeito já que pertencem àquela Ordem...
- Sim, claro... – Começou calmamente, com um tom de voz baixo - ... Na Ordem da Fênix todos sabem de tudo, não é?
Remo Lupin engoliu em seco.
- Não comente com ninguém sobre a Ordem da Fênix, afinal, estamos em tempo de guerra e pode ser perigoso para nós – Pediu educadamente.
James Potter assentiu.
- Inclusive você e essa sua roupa bizarra – Completou com um certo grau de gozação.
Arqueei minhas sobrancelhas enquanto o observava pensativa.
- Algum problema comigo? – Perguntei tranquilamente. Eu já estava acostumada com esse tipo de reação.
Sirius Black começou a rir.
- De onde que uma criatura bizarra como você surgiu? – Perguntou com uma falta de educação misturada com seu egocêntrismo. Jovens são assim.
Eu suspirei enquanto o Lobisomem abaixava a cabeça. Ele estava corado, provavelmente pelo que Sirius Black acabou de soltar. Pelo menos um ali era racional e educado. Esse Potter e esse Black nem parecem ser de uma organização secreta que visa destruir o Voldemort ( de novo, que nome idiota).
Eu sorri abertamente, assustando-o.
- Kyoto, Japão – Respondi como se ele não tivesse me ofendido – É um lugar lindo e muito tradicional.
James Potter assentiu.
- Ok, seu pai resolveu vir pra cá... mas não é perigoso para você e sua mãe? – Perguntou com uma dose extra de curiosidade. E ele estava certo, qualquer pessoa com uma mente que se preze irá pensar nisso. Se eu não fosse importante, meu pai me deixaria em Kyoto juntamente com a minha mãe para que ficássemos seguras e longes dessa guerra.
Eu dei de ombros como se não tivesse uma pergunta subjetiva no que ele falou.
- Eu e minha mãe ficaríamos muito preocupadas – Respondi gentilmente – A propósito, a Ordem da Fênix é uma organização confiável?
Eu tinha que estudar o meu terreno com essas perguntas ingênuas. E os três caíram na minha armadilha como patinhos.
- Sim, eu confio em todo mundo que está lá – Respondeu James Potter com uma dose forte e extra de idealista por um mundo melhor. Oh-oh... isso estava me cheirando idealismo de juventude – E como o seu pai se tornou o braço direito de Dumbledore também confiamos nele e em sua família.
Sirius Black assentiu juntamente com o Lobisomem, que ainda estava com vergonha do que Sirius Black me perguntou. Pelo menos ele é um gentil e um Lobisomem, ou seja, ele compreende quando eu falo de vidas duplas, que é o que eu realmente tenho. E sempre tive.
Eu dei um sorriso gentil e tirei a luva da minha mão esquerda.
Os três me olharam com curiosidade.
- Penso que a informação já vazou na Ordem, não? – Perguntei olhando para minha mão e analisando a situação. Odeio quando surgem essas organizações secretas que todo mundo tem que ficar sabendo de algo de todo mundo. É tão indiscreto e eu não posso fazer o meu trabalho direito. Bem que eu deveria ter pedido para o meu pai não comentar nada de mim.
Os três assentiram com convicção.
- Nós ficamos sabendo que uma garota de roupas japonesas iria aparecer em Hogwarts e que possui coisas estranhas nela – Explicou vulgarmente um Sirius Black sério. Parece que aquela era mesmo a sua personalidade. Mesmo tendo um porte elegante, ele parecia ser vulgar no que falava. Não sei. Não o conheço direito a ponto de fazer um pré-julgamento.
Eu assenti com um sorriso.
Malditos filhos-da-puta! Eu avisei para a Ordem não repassar que eu estaria vindo para Hogwarts! Será que nessa Inglaterra não se pode manter segredo para que algo dê certo?
Mas que merda. Vou ter que ficar de olho nesses três o tempo todo.
E, bem, uma chantagem cairia bem para não deixá-los, mesmo com esse idealismo da juventude, à ponto de não contar o meu segredo para os outro alunos. Não me envergonho em usar esse tipo de artifício, simplesmente o que me interesse são os resultados e não os meios.
- Então... – Comecei com um sorriso gentil - ... espero que vocês saibam a importância de guardar segredo sobre tudo que eu faço nesse colégio.
Sirius Black arqueou suas sobrancelhas.
- 'tudo que você faz'...? – Repetiu incrédulo – Afinal, o que você veio fazer aqui?
Eu sorri novamente enquanto James Potter se arrepiava todo.
Eu consegui farejá-lo.
- Bem, nada muito interessante... – Comecei como se estivesse falando da chuva que caía lá fora - ... para dois Animagos e um Lobisomem.
Os três arregalaram os olhos.
- Mas...? Como...? – Perguntou um Remo Lupin desesperado enquanto suas pupilas dilatavam – O quê...?
Eu dei de ombros. Agora sim eu tinha a total atenção deles.
- Eu leio o que vocês sentem sem tocá-los – Respondi enquanto levantava minha mãe sem a luva para eles observarem – Se eu tocá-los, poderá ser perigoso. Eu posso fazê-los enlouquecer, perderem a memória ou apenas influenciarem seus corações. Então, porque é mesmo que vocês acham que eu estou indo para Hogwarts?
