Yaoi. Lemon. Humor. Non-sense. Drama.

Squall x Zell, Seifer x Irvine


Beta-reader: Ryeko-Dono


Dias molhados

Por Vovô (gosto de comer e dormir, não necessariamente nessa mesma ordem)


Capítulo 2

De manhã bem cedo Quistis andava decidida pelos corredores da Garden em direção ao escritório de Cid, que bocejava e esfregava suas olheiras.

- Eu preciso falar com o senhor.

-...Bom dia, minha filha. Que disposição, hein? Se eu tivesse a sua idade...

- Eu já sei quem indicar para aquela missão...

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Nida estava bem mais aliviado quando sua conversa com Squall terminou na noite anterior. Além de ter sobrevivido, ele se sentiu bem. O rapaz quase morreu de vergonha ao ter certeza de que Squall havia percebido seu segredo secreto tão bem guardado: que ele queria mais que uma amizade com Rinoa...

O líder dos SeeDs havia saído do quarto, e um trêmulo Nida o acompanhou. Quando o olhar azul se voltou para o oriental, este imaginou que sua vida estava prestes a chegar a um fim.

- Cuide bem dela.

Nida quase pensou em se desculpar, em dizer que não era nada daquilo, quando só depois de algum tempo percebeu o que havia acontecido.

- Como?

-... – Xingamentos silenciosos numa mente aborrecida. – Eu não me oponho, não tenho que me opor a nada na vida dela.

-...Sério?

Quase arrependimento. – É. – Squall deu as costas e foi embora sem mais uma palavra.

Pelo menos da parte do ex-namorado dela, ele não teria impedimentos. Então Nida andava com um sorriso tímido pelos corredores da Garden naquela manhã ensolarada quando algo o fez quase cair para trás. Esse algo era um loiro alto que anda como se fosse um trator.

O oriental recebeu um olhar verde que congelou seus passos e ele só conseguiu voltar a andar quando Seifer entrou na lanchonete.

Ele não era homem para a Rinoa, era o que o loiro pensava. Ela era tão especial, tão cheia de coragem e determinação. O que ela estava fazendo com um covarde como o Nida. Ainda bem que haviam interrompido o momento dos dois a sós. Seifer não estava agindo por sua vontade quando ele havia feito todas aquelas crueldades com Rinoa, ele nunca seria capaz disso. Ele a admirava demais. Quase que ele pensou em aprofundar o relacionamento com ela no passado. Se nada daquilo com a Ultimecia tivesse acontecido, era provável que acontecesse. Mas depois que o pesadelo de feiticeiras do futuro acabou, ele preferiu ver Rinoa e Squall juntos. Ele nunca interferiria teoricamente.

Seifer nunca foi bom com teorias.

Os pensamentos do loiro foram interrompidos por uma cena que ele sempre se satisfazia em presenciar. Sua expressão concentrada se iluminou com um sorriso zombeteiro. O último hot-dog havia acabado antes que um esbaforido Zell conseguisse tê-lo em suas mãos.

- Então, chicken, já pegou o que queria?

- Já venderam tudo... – disse Zell desapontado.

- Eu tô falando do Leonhart.

- !!! Ahhh... Quê??? – Desesperou-se Zell.

- Aquele fogo que você tem pelo senhor líder.

O mais novo se ruborizou visivelmente. – Eu... não... – E sua resposta foi quase um sussurro.

- Sabe... – Seifer passou um dos seus braços ao redor dos ombros de Zell e começou a caminhar pelos corredores. – Deixa eu ajudar você.

Zell foi quase arrastado pelo outro loiro. – Você? Me ajudando?? – perguntou o rapaz com incredulidade.

- Mas é claro. Eu não quero mais ver você salivando toda vez que vê o Leonhart desfilando pela Garden naquelas calças apertadas dele.

-...

- Olha, o Leonhart gosta de pica e parece que você tem uma, então é fácil.

- Você tá só me zuando!! Porque eu gosto dele e ele nem percebe...

- Por favor, Zell, num chora não.

- Vá se fuder! – disse o mais novo ao se desvencilhando do braço de Seifer e afastar.

- Eiiii! Vem cá, é sério! Eu tenho informações sobre ele! Informações secretas do seu interesse.

Zell não queria escutar, mas alguma parte esperançosa do seu coração apaixonado implorou para que ele esperasse. – Como você sabe que ele... gosta de... – As palavras saíram timidamente.

- Pica, rola, pau, cacete?

- É...

- Porque ele é gay.

-...Seu filho da puta.

- Mas ele é! Tá, tá, porque, sabe, ele gosta de homem... Tudo bem que você ainda não é um...

- Seifer...

- Porque nós transamos!

- Quê...? – perguntou Zell, com quase certeza de que ele havia escutado mal.

- Nós transamos, tivemos uma sessão de sexo selvagem no meio do Centro de Treinamento numa noite de feriado!

Zell estava assustado demais para dizer alguma coisa.

- É, é verdade – disse Seifer abaixando o tom de voz.


O silêncio era tão perturbador que Seifer estava quase começando a se sentir incomodado.

- Não fique aí parado de boca aberta se não pretende fazer uso disso.

- Mas... Como...

- Ah, colocando pra dentro e mexendo.

- Não, digo... ahn... vocês dois...

- Foi apenas uma... er... foi há muito... nem há tanto tempo assim... Bom, não estamos mais juntos, estou atrás do Irvine, então eu deixo o Squall pra você.

- Não pode ser verdade...

- Olha... é só... pegar ele de jeito e ser feliz. Até que ele chupa bem, eu tenho que admitir isso – disse Seifer antes de sair andando quando achou que viu um chapéu de cowboy se movendo em algum corredor próximo.

E Zell caminhou de volta para a lanchonete com muitas perguntas enlouquecendo a sua concentração. Aquilo estava com jeito de mais uma daquelas brincadeiras de mau-gosto do Seifer. Não tinha como ser verdade, mas...

E se fosse?

xxx

Irvine estava debruçado sobre o parapeito de uma abertura das paredes de um dos corredores, com sua costumeira roupa de cowboy e o olhar mirando algum lugar distante.

Seifer se aproximou e se reclinou sobre o parapeito, apoiando o corpo com os antebraços, numa posição contrária a de Kinneas, a um corpo de distância. Ele manteve seu olhar em um ponto sem importância no meio do corredor, parecendo para algum desavisado, que não havia parado por causa do outro SeeD. Sim, Seifer se tornara um SeeD, quase enlouquecendo Quistis, Squall e Cid, na verdade, Cid não, porque o diretor não se desesperava, a não ser que estivessem tentando matar sua mulher, na verdade, nem se ele mesmo tivesse mandado matar a mulher que ama, enfim...

- Conseguiu acordar tão cedo? Você estava quase caindo ontem à noite – disse Seifer num tom casual.

- Hoje é dia de treino.

- Ah, vejo que está treinando muito agora – ironizou o loiro, deslizando seu olhar de relance para o cowboy concentrado.

- Treinamento das novatas aspirantes a SeeD.

Seifer franziu o cenho, virou a cabeça e olhou brevemente para trás. Uma porção de adolescentes estavam se exercitando numa quadra a alguns metros de distância. – Mais um pouco seria pedofilia, Kinneas.

- Ahahhahahahah, 14 anos parece ser uma boa idade.

Seifer voltou a encarar o corredor e bocejou. Por que Irvine tinha que ser tão sexy e tão...interessado em menininhas. – Não me diga que você colocava uma saia no senhor líder.

Irvine virou de lado e encarou Seifer com um olhar interrogativo.

- Alguma surpresa, cowboy? – O loiro abriu um sorriso escarninho.

- E você não fazia isso? – perguntou Irvine num tom casual.

Seifer engasgou com a pergunta inesperada e encarou o mais novo com um olhar questionador. – Não.

Irvine apenas sorriu. Um sorriso despreocupado. Um largo sorriso, lindo. Debochado e despreocupadamente atraente.

Um olhar aborrecido encontrou o sorriso. – Você acha que pode brincar comigo?

- É você que quer alguma coisa comigo. – O cowboy encarou desafiadoramente o loiro.

- Humph. – Seifer desviou o olhar novamente, mas levou sua mão direita à corrente que pendia do pescoço de Irvine e enrolou os aros em volta dos dedos. – Só porque eu levei um irresponsável que não sabe beber para o quarto dele?

- Ahahhahah e me deixou lá!

- Queria que eu me aproveitasse de você? – Os dedos do loiro roçavam a pele descoberta do peito de Irvine.

- Sala da diretoria às 10 horas.

Os dois rapazes se viraram ao escutar a voz de uma pessoa muito conhecida.

- Mas, Leonhart, não estamos praticando nenhuma atividade sexual explícita no corredor. – Seifer continuou brincando com a corrente de Irvine. – E você não é um inspetor para mandar a gente para a diretoria.

- E aí, Squall – disse Irvine em um tom quase sério.

- Nós temos uma nova missão.

- Você tem o meu número, não precisa me perseguir pelos corredores, Leonhart, tudo isso é ciúmes?

- Eu não tenho nada a ver com a sua vida.

A sinceridade despreocupada fez o loiro abaixar o olhar por um breve e incômodo segundo.

- Quem vai para a missão? – perguntou Irvine.

- Você, Seifer, eu... Vocês viram o Zell?

- Procurando por você na lanchonete – respondeu o loiro.

- Não se atrasem – disse o moreno ao se encaminhar ao local citado.

- Nada contra saias, mas eu prefiro o Squall nessas calças apertadas – disse Irvine depois de observar o rapaz se distanciar.

- Mas são difíceis de tirar.

- Ainda mais com os cintos.

- E vamos ficar aqui falando do nosso líder insensível.

- Ele até que é bem sensível em algumas partes.

-...Eu vou embora.

- Isso é uma ameaça? – perguntou Irvine, num tom zombeteiro.

- Continua olhando para as ninfetinhas.

- Elas já foram...

- Essa sua lerdeza tá me fazendo acreditar que o Zell vai pegar o Squall antes da gente se pegar.

- Como assim?

- Chicken ama alguém e se você me perguntar quem, eu dou um murro em você.

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Zell olhava para Squall e desviava o olhar, olhava e desviava, olhava e desviava no trajeto para o terceiro andar.

- Algum problema, Zell? – perguntou Squall quando eles entraram no elevador.

- Não... Er... Sim... digo, não...

Squall preferiu ignorar os pensamentos que discutiam em sua cabeça. Zell sempre agia meio estranho perto dele mesmo...

Quando eles chegaram ao terceiro andar, a secretária avisou que o diretor já estava aguardando a presença deles, então o moreno não fez muita cerimônia ao entrar. Cid estava em pé, olhando para a janela e tranqüilamente coçando a parte traseira sentadora do seu corpo.

Zell já ia dar a tossidinha para avisar a presença dos SeeDs, mas Squall se pronunciou primeiro.

- Já estamos aqui para obter informações da missão.

- Ahhhhhhh! - Pulou o diretor com o susto e tirou a mão da bunda. – Ahhh... já?

-... – Squall direcionou um dos seus famosos olhares frios. – Já.

- Mas não estão todos aqui... – disse Cid na defensiva.

- Eu avisei, caralho, que aquela porra daquela área secreta fica cheia mesmo de manhã.

- E eu lá ia saber? Eu não estudava aqui!

- Huh uhh – tossiu o diretor para avisar que estava na sua própria sala.

- E aí, Cid? – perguntou Seifer ao senhor antes de continuar. – Cara, eu sempre fugia escondido nessas aulas. Era tão difícil arranjar lugar lá, quase tinha que pegar senha! As coisas não mudam!

- Não era mais fácil ir pra um quarto? – perguntou Zell, intrometendo-se na conversa.

- Foi o que eu disse, Chicken, mas o cowboy veio com as ideias de que queria conhecer a tal área secreta...

Mortificado, Cid fez um esforço para falar. – Acho que agora já é uma boa hora para explicar a missão...

- E por que não fez isso antes? – perguntou Seifer.

-...- Foi só o que Cid conseguiu responder.

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Quistis havia aparecido de manhã bem cedo no escritório, alegando que os quatro rapazes eram ideais para a missão.

- Eu não sei, querida, eu não acho que devemos aceitar essa missão. E mesmo que aceitemos, não precisaria ter tantos SeeDs a cumprindo.

A verdade era que depois da paz trazida pela derrota da Ultimecia, os conflitos haviam diminuído consideravelmente, ainda mais com o novo governo de Galbadia fora de ações para dominar Timber e outras cidades. As missões para as quais os SeeDs estavam sendo contratados, eram "casos menores". Brigas de parentes, dividas de jogos, suspeitas de adultério... A repercussão das atividades dos SeeDs despertaram um desejo maior da população endinheirada de ter essa força a seus serviços. Era moda nas rodas de ricaços as histórias sobre as missões. Não era salvar o mundo, mas trazia dinheiro para a Garden.

- Os garotos estão ficando agitados em não serem mandados para fazer alguma coisa.

- Mas você acha que eles aceitariam trabalhar nessas missões?

- Por ordens, eles teriam de aceitar.

- Quistis!

- Eles estão me deixando louca...! – disse a loira baixinho ao lembrar dos amigos embriagados fazendo bagunça no seu quarto.

- Como disse...?

- Eu? Não disse nada. Disse que eles se sentiriam bem sendo úteis.

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Era um escritório enorme, decorado com uma mobília cara e sóbria. Pintura e objetos antigos quase se aglomeravam pelo aposento. Atrás de uma luxuosa escrivaninha, estava um senhor, em pé; cabelos bem grisalhos, com predominância de fios brancos, intercalados de grossos fios negros. Fiske era o seu nome.

Os jovens SeeDs estavam no local há algum tempo e Squall já havia anunciado com seu jeito todo especial que o grupo havia chegado.

- Eu tenho mais o que fazer – disse Seifer, irritado com a demora.

O homem continuou de costas, fumando seu charuto.

Zell já estava brincando com algumas esculturas e Irvine apreciava a coleção de armas de fogo.

- Se o senhor, não precisa dos nossos serviços, é melhor que nos retiremos – disse Squall pela última vez.

- Paciência, é isso que falta na juventude de hoje. – O senhor finalmente se pronunciou com sua voz grave.

- Falta do que fazer, é o problema dos velhos de hoje – retrucou Seifer, já virando para ir embora.

O homem virou-se e todos puderam ver as grossas sobrancelhas que permaneciam quase inteiramente em sua cor escura original, o largo bigode e o rosto coberto por espessas cicatrizes.

- Já trabalhei muito nesta vida. Agora é minha hora de aproveitar o tempo.

- E desperdiçar o nosso – comentou Seifer.

Sem se importar com as palavras que escutou, o homem continuou. – Essa cicatriz, por exemplo. – Dois dedos pressionaram um traço que começava em uma das faces e terminava quase no pescoço. – Fruto do meu trabalho.

- O senhor era lutador? – perguntou Zell, interessando-se pelo assunto.

Seifer deu uma risada de descaso.

- Digamos que eu lutei muito nesta vida. Essa cicatriz e as outras foram causadas pelo Grande Temeroso.

- Imagina se fosse o Grande Corajoso, ia ser um estrago muito maior! – falou Irvine, bem-humorado.

- Essa juventude não sabe de nada mesmo... Grande Temeroso é um...

- Um peixe de Balamb – completou Seifer. – Mas que história de pescador é essa que está querendo contar?

- Você não é tão ignorante quanto eu achei a principio, você esconde muita coisa, meu jovem.

- E devo aceitar isso como um elogio??

- Eu... – O homem sentou-se na sua larga poltrona e começou a alisar um gato branco que havia subido em seu colo. – Vivi na pobreza toda a minha infância. Prometi a mim mesmo que não deixaria filho meu sofrer o mesmo. Eu pescava todo dia pequenos peixes e vendendo perto do porto. Sempre sonhei em pegar o raro Temeroso, aquele grande peixe que fugia dos homens nas águas profundas e só era visto perto da costa em situações inesperadas. Então eu...

- Você encurtou a história pra dizer logo o que vamos fazer.

- Eu rezei.

-... – disse Squall.

- Rezei para que...

- Esse martírio acabasse – Seifer suspirou exasperado. – Vamos, homem, pisa no acelerador!

- Percebi que minha reza atraia os peixes quase até a margem. Você tem que ver que momento único é o pôr-do-sol em Balamb, cercado pelos peixes. Era como se fosse uma luta, primeiro nos cumprimentávamos e depois eu partia para o ataque com meu arpão. Mas eu não pescava indiscriminadamente, eu respeitava os períodos de procriação. E com aqueles peixes raros, que só eu conseguia pescar, eu pude juntar dinheiro para abrir meu primeiro negócio. E não parei mais de trabalhar e ganhar dinheiro, tudo para que... – O homem bateu o punho com força na superfície polida da mesa, fazendo Zell acordar do cochilo em um sofá. – Para aqueles ingratos dos meus filhos usassem o dinheiro para farrear e se envolverem em uma série de negócios sujos... Do que valeram meus anos de trabalho honesto...

- Mal, hein, cara – disse Irvine.

- Mas agora eles vão ter uma lição. Vocês vão dar uma boa lição a eles... – disse o homem com os olhos quase ardendo em chamas.

- Você quer que a gente mate os seus filhos?? – perguntou Zell, apreensivo.

Uma alta risada ressoou pelo aposento. – É claro... – O homem continuou, após parar de rir. – Claro que não. Só quero que vocês deem um susto nos meus meninos.

- Que tipo de "susto" – perguntou Squall. – Para ser mais específico.

- Ah, uns puxões de orelha, eu quero que vocês destruam os negócios deles. Podem até dar umas surras em meu nome, mas nada de muitas fraturas. Não quero ver meus filhos desfigurados, como vou reconhecer eles quando eu fizer minha visita quando estiverem internados no hospital? – Sorriu o homem.

- Já terminou? – perguntou Seifer.

- As demais informações para o trabalho de vocês será entregue quando saírem. Agora... – Levantou-se o senhor, com um olhar amistoso no rosto coberto de cicatrizes. – Querem tomar alguma coisa comigo?

- Lógico! – respondeu Irvine prontamente.

-...- Squall olhou de um jeito especial para o cowboy.

- Não, não podemos – corrigiu Irvine.

- É uma pena, tenho tanta bebida aqui.

- Se quiser podemos levar algumas garrafas para livrar você de tanta bebida – propôs Seifer com sinceridade.

- Seifer... – Squall olhou para o loiro.

- Não me olhe assim, você sabe que eu não resisto...

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Continua...

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