Ragnarök

Capítulo I

O pelo marrom-escuro coberto de listras mais claras era macio debaixo de sua mão, suave; podia sentir o flanco do animal se erguer de forma ritmada a cada inspiração e baixar quando expirava. Eikthyrnir estava quase dormindo, a cabeça com majestosos chifres tão longos quanto seus braços apoiada em suas coxas, embalado pelo cantarolar da Kallraden, não parecendo incomodado pelo metal frio da armadura marrom-escuro e bege da Alma.

Brenna, com seus longos e ondulados cabelos negros de mechas prateadas espalhados por um dos ramos "menores" da raiz de Yggdrasil que penetrava no reino de Hell, procurava relaxar e descansar da desgastante viagem pelos Nove Mundos, colhendo informações, antes de partir para Eljudnir, se reportar para a deusa e Pathfaen.

Os olhos prateados que pareciam observar tudo, mesmo que um deles parecesse possuir uma sombra cobrindo-o, deslizavam pela desolação que parecia assolar o território, areia negra e rachada cobrindo-o até onde a vista podia alcançar, algumas almas perdidas e loucas caminhando a esmo, seus olhos opacos e perdidos. O ar era parado e de certa forma livre de cheiros.

Sentiu o ar começar a se movimentar, vento se formando, atingindo sua pele e fazendo alguns fios de cabelo se revolverem.

Alguém chegava. De qualquer outra forma, o ar em Hellheim não se movimentaria. Provavelmente Nidhög. Ele era maior que Hraesvelgr; as asas do dragão provocavam reações mais longe do que as da águia.

A uma vez Kallraden suspirou e empurrou delicadamente a cabeça do cervo que era quase um alce em questão de tamanho de seu colo; Eikthyrnir soltou um som que parecia um suspiro e se levantou num movimento fluído e elegante, balançando suavemente a cabeça. Algumas gotas de água se soltaram dos chifres e atingiram o metal da armadura.

No momento em que se erguia, prendendo o cabelo numa trança ao redor da cabeça antes de colocar o elmo marrom-escuro com chifres brancos e ramificados, avistou o dito dragão vermelho e preto se aproximar, um borrão confuso contra o céu cinzento e nebuloso. Nidhög pousou não muito distante, e só então Brenna e Eikthyrnir começaram a se mover, caminhando com passos calmos e desapressados.

Até verem Pathfaen saltar da sela e praticamente correr na direção deles, o tilintar das asas negras de sua armadura alcançando-os facilmente no ambiente vazio; nesse ponto, aceleraram os passos. Brenna chegou a ver uma mecha do cabelo azul escuro da uma vez Vardogl caída por cima do rosto levemente azulado, escapando do elmo vermelho com chifres prateados, e os dois pares de asas de libélula azuis batendo em volta de seu corpo, inquietas, querendo alçar voo. Aquilo não era típico da Líder das Almas, aquele... Desleixo.

Pensou consigo mesma que não devia se tratar de uma convocação de Hell. Se fosse o caso, teria sentido o cosmo da deusa chamando-a. Era outra coisa. Algo sério, que exigia que Pathfaen a buscasse pessoalmente.

- Ouviu algo de incomum em sua missão, Brenna? – Pathfaen parou diante dela e tirou o elmo, entregando-lhe. A Alma franziu as sobrancelhas negras, observando a sua superior refazer o coque, pegando a mecha rebelde de volta.

- Não. Apenas o de sempre... Freya dando seus banquetes e arranjando confusão com outros panteões por dormir com deuses casados... Odin chutando os gigantes de fogo de volta pra Muspelheim... Skadi impedindo os gigantes de gelo de arrumarem fora de Niflheim. Ela inclusive se ofereceu de novo para proteger nossas muralhas mais externas. – deu uma pausa, entregando o elmo quando Pathfaen estendeu a mão. – O que aconteceu?

- Loki está solto. Nesse momento, nossa deusa luta contra ele, e nos encarregou de uma missão muito específica. Algo previamente planejado. Temos de buscar os outros. – deslizou os olhos vermelhos pela terra negra. – Bom que Skadi se ofereceu para proteger as muralhas externas. Assim que possível mando uma mensagem, mas para evitar que saíam de Hellheim.

Brenna engoliu em seco e olhou de esguelha para Eikthyrnir. O cervo baixou a cabeça num aceno solene, antes que sua voz mental alcançasse ambas as Almas.

"Tempo curto, Uma-Vez-Vardogl?"

- Tempo curto, Eikthyrnir... Tempo muito curto... – foi a única coisa dita antes que a Alma de Nidhög lhes desse as costas e voltasse a montar no dragão.

Brenna suspirou, e num pulo montou o cervo em pelo. Nidhög alçou voo, e Eikthyrnir começou a correr à sombra do dragão, seguindo-o, Brenna encolhida contra seu pescoço.


O lobo, que era do tamanho de um touro, coberto de pelos da cor da lua, manchados de terra e sangue, estava deitado à beira do ringue improvisado, a cabeça apoiada nas patas e uma expressão que podia ser descrita como tédio nos olhos. Pudera, só podia observar a luta, e não participar.

Um tédio, de fato.

E os gigantes de gelo berrando suas apostas ao redor não ajudavam. Aquilo lhe dava dor de cabeça.

Era bom que Thyre estivesse com dor de cabeça também. Duas vezes pior que a sua. Não o deixava participar da luta e, ainda por cima, o fazia aturar tais bestas de vozes possantes.

- To sentindo seu ânimo, Hati! – a mulher lutando contra o gigante de gelo berrou, se abaixando para desviar de um soco e, ao mesmo tempo, correr com os braços estendidos; agarrou a cintura do gigante, erguendo-o e correndo até alcançar a muralha, ignorando os socos, chutes e temperatura congelante do ser. Ignorando o sangue escorrendo por sua pele, misturado à terra e gelo, quase como rios através da pele pálida.

No instante que soltou o gigante, sentiu seus braços moles, como se prestes a se soltarem dos ombros; percebeu as pernas do gigante tremerem, embora não sabia do quê. E pouco importava, também.

Ignorou a sensação, e com os olhos de um azul cristalino brilhando com fúria e animação pela luta, adrenalina correndo em suas veias e deixando seus sentidos ainda mais apurados.

Quando agarrou as longas tranças brancas do gigante para puxar sua cabeça para baixo, fazendo-o cair por causa das pernas já bambas, e começou a batê-la contra a muralha de Hellheim, sem o ser tentar resistir, a vontade de uivar subiu por sua garganta, irresistível e súbita.

Que Hati sentisse essa vontade também. Ele podia não estar lutando fisicamente, e entendia a raiva e tédio dele, mas aquela era a sua revanche, não a dele, mas era uma vitória de ambos; sem a selvageria, olfato e força noturna emprestada dele, sem os treinos constantes, não estaria vencendo o gigante idiota.

Sorriu com os dentes, parecendo mais um animal selvagem que qualquer outra coisa, o lábio cortado abrindo de novo, mais sangue escorrendo por seu queixo. Abriu a boca para uivar, parando de bater a cabeça do gigante inconsciente – era preciso muito mais para matar um gigante de gelo – e sentiu que Hati também estava pronto para uivar.

Até que um rugido muito mais intenso e que ela conhecia muito bem interrompeu seu momento de triunfo.

Pathfaen. Tinha de ser ela.

Os gigantes de gelo se afastaram, e Nidhög pousou diante dela. Num segundo Hati estava ao seu lado; o filho de Fenrir que engoliria a lua cheirou no meio dos cabelos dourados, mas emaranhados e sujos, encontrando um corte no couro cabeludo de onde escorria sangue profusamente.

- Vai precisar de pontos. – declarou, antes de se endireitar e sentar ao lado da Alma.

Thyre limitou-se a resmungar, agora um pouco intrigada por sentir o cheiro de lavanda típico de Brenna. Geralmente Pathfaen vinha lhe encher o saco sozinha.

A "Líder" das Almas parou diante dela, a antes Kallraden ao lado. A uma vez humana sentiu um arrepio; Brenna raramente possuía uma expressão tão compenetrada. E Pathfaen, bem... Desde que a conhecia que não via seu rosto demonstrar tanta... Raiva. Sabia que a antes Vardogl era um poço de mau-humor interno, mas ela fazia bem em demonstrá-lo apenas com suas maldições.

- Vá cuidar do gigante, Brenna. Depois cure todos os ferimentos de Thyre. – Brenna balançou a cabeça em afirmativa e avançou para o gigante de gelo desacordado.

O silêncio ao redor era quase palpável, e aquilo deixava a Alma de Hati inquieta; silêncio nunca se dera bem com ela, ainda mais depois de domar o lobo gigante. Aquilo fazia seu nariz se concentrar mais nos cheiros, e a maioria era ruim. Não gostava.

Mas não fosse isso, não teria sentido o cheiro de suor frio em Pathfaen e Brenna. E ambas raramente suavam: eram calmas demais para isso.

- Vista sua Anima, Thyre. Temos de ir.

Não deixou Pathfaen lhe dar as costas e voltar para Nidhög.

- Não sigo ordens suas, esqueceu? Sigo ordens de Hell.

Pathfaen fez jus ao seu posto, para raiva da Alma: se aproximou mais rápido do que imaginava ser capaz e agarrou a gola de sua blusa, puxando-a até que seus narizes se tocavam e ela podia ver cada diferente tom de vermelho nos olhos da uma vez Vardogl.

- Hell está mantendo Loki ocupado. Temos de sair de Hellheim e realizar o plano emergencial dela. – os olhos de Pathfaen se semicerraram, e Thyre estremeceu de raiva. Tentara vencer a "Líder" das Almas incontáveis vezes antes, mas ainda não fora capaz disso. O pior era saber que a outra só aceitava lutar justamente por se preocupar com ela e entender sua necessidade de resolver tudo na porrada. Aquilo a irritava.

E agora ali, olhando nos olhos de Pathfaen de tão perto, sentindo a raiva borbulhar dentro da Alma de Nidhög, sentiu mais raiva ainda por descobrir que ela se continha. Como ela aproveitaria as lutas completamente agora se a outra não dava tudo de si como ela?

- Apenas dessa vez, Pathfaen... Lidere o caminho. – falou arreganhando os dentes, e Pathfaen a soltou.

Esperou apenas dois minutos, o tempo de Brenna invocar água e retirar o grosso do sangue e terra e usar um relativamente complexo feitiço de cura para acender seu cosmo e vestir sua Anima negra e cor de lua. Durante esse tempo, percebeu a "Líder" das Almas falar com os gigantes de gelo. Quando terminou, eles começavam a sair de forma organizada, mas apressada, pelo portão que permitia a ligação de Hellheim com o resto de Niflheim.

Nidhög alçou voo e Eikthyrnir começou a correr em sua sombra. Thyre suspirou, correndo ao lado de Hati e pulando com graça para o dorso do lobo. Sem dificuldade alguma ele alcançou o cervo, e logo os gigantes de gelo atravessando o portão ficaram para trás.

- Hati... – a voz de Brenna os alcançou acima do barulho do vento em suas orelhas. – Não sentiu Loki? Ele é seu avô, afinal...

O lobo apenas riu com um tom que Thyre associou a desespero, sentindo o ânimo dele.

Hati também não sabia a razão de não sentir Loki.


- De novo, Jorg? – os olhos puxados que eram praticamente violetas encaravam a alma do homem pendurada de cabeça para baixo com um tom frio; a voz era calma, mas ainda carregava algo de ameaça.

A dita alma, Jorg, fez uma careta e desviou o olhar dela. A Alma balançou a cabeça em negativa e algo de descrença, dando as costas e atravessando o portal atrás do homem, penetrando no gigantesco salão de Naströnd. Acima de sua cabeça, o teto era a parte mais central da primeira raiz de Yggdrasil. Dela e das paredes de mármore negro pendiam correntes e ganchos, onde os mortos mais impertinentes eram punidos. O chão era forrado de serpentes gigantes, das mais diversas formas e cores. Lindas, na opinião da Alma.

Por entre elas caminhavam tanto alguns dos subordinados menores de Hell, vigiando e punindo os mortos, como os mortos que se limitavam a chamar o mínimo de atenção possível para não serem os próximos nos ganchos e correntes.

- Ei, você. Niall, certo? – chamou o guarda mais próximo dela. O homem fez uma reverência ao se aproximar.

- Sim, Alma de Grafvollud?

- Jorg tentou fugir de novo. Está numa das armadilhas da entrada. Pendure ele nos ganchos por um ano a mais que o normal. – Niall fez outra reverência e chamou outros dois guardas para ajuda-lo com a alma rebelde.

Soltou um suspiro, vendo os guardas sumirem pelo portal, e então ouviu um chamado muito diferente da voz humana. A língua das serpentes, sinuosa e com algo de poesia.

- Jiahn. – virou-se de costas e sorriu para Grafvollud, admirando as escamas negras e brilhantes como obsidiana e o capelo que esbanjava prata, assim como o elmo de sua armadura; em ambas, o capelo prateado era o único foco de cor em meio ao negro.

- Está tudo bem? – O sorriso morreu ao ver a seriedade nos olhos verde-esmeralda da serpente. Sua Anima era sua contraparte na calmaria e seriedade; Grafvollud era um poço de bom-humor e risos, mesmo que apenas entre as outras serpentes e as Animas capazes de entender sua linguagem. Ele detestava falar línguas humanas, de fato.

- As sentinelas. Parece que Pathfaen se aproxima. Montada em Nidhög. Parece que Hati e Eikthyrnir também estão vindo.

Jiahn franziu as sobrancelhas lilases muito levemente, antes de seu rosto voltar para a frieza. Acenou para Grafvollud acompanha-la, e com a serpente deslizando ao seu lado, saiu de Naströnd para receber as Almas que se aproximava.

Pathfaen terminava de desmontar Nidhög quando Jiahn finalmente saiu do salão para o céu nebuloso que cobria Hellheim. Thyre e Brenna permaneceram montadas, aguardando.

- Bom que você está em Naströnd, Jiahn. Precisava mesmo falar com os subordinados, mas estava difícil... Parece que ninguém fica no próprio território cumprindo suas obrigações... – A uma vez humana rosnou, mas nada fez que indicasse intenção de iniciar uma briga com Pathfaen.

Então era algo ainda mais sério do que imaginava. Thyre nunca deixava as indiretas de Pathfaen sobre seu comportamento passarem sem briga.

A Alma de Nidhög entrou em Naströnd, deixando-as sozinhas. Jiahn encarou Grafvollud, e a preocupação nos olhos serpentinos a inquietou.

- Pronto. Agora posso relaxar quanto à segurança das outras almas em Hellheim. – Pathfaen saiu, batendo as mãos como que para livrá-las da poeira, e cruzou os braços, encarando-os. – Loki está em Eljudnir, Jiahn. Hell está atrasando-o, mas enquanto isso temos de cumprir o plano emergencial que ela montou séculos atrás. Conto mais quando reunirmos os outros. – ela estava prestes a avançar na direção de Nidhög, quando parou e olhou novamente para a Alma e para Grafvollud, pensativa por um instante. – Vá com Brenna, Jiahn. Grafvollud, espere-nos no portão principal e já comece a preparar um círculo de transporte para o Templo de Odin em Midgard. Precisamos economizar tempo.

Jiahn fez uma careta, mas acatou a ordem, assim como sua Anima. Deslizou os dedos sobre a cabeça da serpente gigante e acenou a cabeça. Grafvollud começou a deslizar pela terra arenosa, enquanto a Alma saltou para o dorso de Eikthyrnir e envolveu a cintura da sua companheira uma vez Kallraden.

O dragão alçou voo, e como antes o cervo e o lobo correram em seu rastro.

A Alma de Grafvollud apenas pensava consigo mesma qual seria o plano de emergência que sua deusa montara.


Prata e castanho-claro se mesclavam em círculos e linhas infinitos em sua armadura. Isso fazia a Alma praticamente sumir, sentada aos pés de Yggdrasil, a majestosa raiz do nono mundo entrando e saindo de Hellheim ao ondular pelas muralhas negras.

De fato, alguém nas proximidades que não possuísse uma visão incrivelmente boa só a perceberia através do olfato. Não por causa do cheiro dela, de baunilha, morango e leite condensado; esses cheiros estavam ocultos pelo forte cheiro de tinta e giz que rodeava o local, além de um cheiro diferente, indescritível, que fazia os pelos se arrepiarem como se eletricidade o percorresse.

Cheiro de magia.

- Hmmm... Coloco Eihwaz (1) aqui de novo... Sowelo (2) no centro... Hmmm... É, acho que está ok. Hora de testar. – antes que pudesse canalizar a energia mágica através do círculo de proteção que fazia, ouviu um bater de asas característico. Abriu um sorriso e se levantou, olhando para o céu com seus olhos castanhos, de um tom similar ao de noz-moscada.

Uma águia gigantesca, branca e castanho-claro, tão grande quanto um búfalo, se aproximava rapidamente; destacava-se contra o céu nebuloso. Ficou feliz em vê-lo de volta de sua viagem ao topo de Yggdrasil, verificando o estado dos galhos e folhas.

Hraesvelgr pousou próximo ao círculo do feitiço, e inclinou a cabeça, os olhos dourados parecendo intrigados.

- Tem certeza dessa composição, Agatha? Pathfaen nunca usou Sowelo em círculos de proteção.. – A Alma girou os olhos.

- Eu não sou Pathfaen. Além disso, ela raramente inova nos encantos e feitiços que planeja. Alguém tem de fazer isso por ela. – afastou-se um pouco, e sinalizou para sua Anima fazer o mesmo.

Esfregou as mãos de forma animada, respirou fundo, e então conduziu a energia mágica através de seu corpo focando-a no círculo de proteção. O cheiro indescritível que arrepiava os cabelos como eletricidade se intensificou, então uma espécie de luz violeta se formou em cúpula sobre o círculo. Agatha interrompeu o fluxo que ia para o círculo e redirecionou-o para suas mãos, desenhando runas no ar com as pontas dos dedos rapidamente, e então um raio atingiu o escudo violeta.

Uma rachadura surgiu no escudo, mas menos de dois segundo depois ela sumiu.

Hraesvelgr balançou a cabeça com uma espécie de sorriso no bico.

- Você conseguiu. Um círculo de proteção que se regenera sozinho.

Agatha não pode responder; sentiu um vento se formar à suas costas, e soube que era Nidhög se aproximando.

Engoliu em seco, imaginando se era alguma missão chegando para ela, e com um fluxo intenso de magia na direção do círculo, o escudo se desfez como poeira ao vento.

O dragão vermelho e negro pousou pouco depois próximo de sua posição, e Agatha sentiu vontade de se esconder atrás de Hraesvelgr ao ver Thyre montada em Hati. Por Hell, o que Thyre fazia ali?

Pathfaen praticamente correu em sua direção, mas passou direto por ela e parou ao lado do círculo, analisando-o cuidadosamente.

- Funcionou?

- Sim. Ele... Se regenera sozinho. – Agatha engoliu em seco de novo. Pathfaen era terrível em inovar nos encantos e círculos, mas mesmo assim era muito boa em encontrar falhas. Teve medo do que ela falaria quando as sobrancelhas se franziram.

- Aquela linha ali... – apontou para o lado norte, onde uma linha ondulada envolvia a parte de cima de uma runa. – Provavelmente deixa o escudo mais fraco, apesar de se regenerar sozinho. Quando der, teste o círculo sem ela, com um feitiço mais forte que o que você usou.

- Quando der...? – o queixo caiu de leve.

Não era missão para ela. Thyre, Brenna e Jiahn estavam ali. Pelo menos não uma missão só pra ela. Missão em conjunto? Mas então onde estava Grafvollud? E porque Pathfaen também estava ali com Nidhög?

Hell. Algo acontecera com Hell.

- O que aconteceu com nossa deusa? – a líder das Almas a encarou por dois segundos, antes de suspirar.

- Loki aconteceu. Hell está atrasando-o, enquanto saímos de Hellheim e realizamos o plano emergencial dela. – Pathfaen esfregou o rosto, e Agatha sentiu compaixão pela mulher. Os olhos vermelhos exibiam cansaço e as mãos tremiam levemente. Ela estava preocupada com Hell, e tensa de manter os ânimos baixos de Thyre. E voar, por mais libertador que fosse para ela, Agatha, era desgastante para a outra Alma, já que ela precisava se preocupar em ficar firme em Nidhög.

Precisava deixar claro que estava ali para ajuda-la no que fosse necessário. Mas como? Dependendo de como se expressasse, Thyre a atormentaria mais um pouco.

- Preciso que vá para o portão principal com Hraesvelgr, Agatha. Grafvollud já está lá. Quero que trabalhem juntos para montar o círculo de transporta para o Templo de Odin em Midgard. O círculo tem de suportar todas as Almas e suas Animas. – Pathfaen se virou para a águia gigante. – Algo assim vai precisar de muita energia mágica, Hraesvelgr. Você é o único capaz de conduzir tanta coisa sem fritar seu cérebro. Você que vai ativar o círculo. Antes disso, cuide da segurança. Por enquanto não achamos lacaios de Loki, mas nunca se sabe.

- E os guardas? – Hraesvelgr perguntou, os olhos semicerrados. A Alma de Nidhög não precisou responder; Agatha foi mais rápida.

- Você os encarregou de arrebanharem as almas para o Salão Invernal, não é?

- Sim. As almas vão ficar mais seguras lá. – Pathfaen confirmou. – Agora vão. Encontro-os mais tarde. – não esperou uma resposta, correndo e saltando para o dorso de Nidhög.

Agatha viu as Almas se afastarem, agradecida que Thyre permanecera em silêncio. A Alma de Hati devia estar tão preocupada com Hell quanto ela própria, para deixar suas provocações costumeiras de lado.

Suspirou, apagando o círculo de proteção e então correndo atrás de seu elmo com penas prateadas e castanho-claro se erguendo ao redor da abertura do rosto e o colocou sobre os longos cabelos castanho-claro, presos numa trança francesa. Hraesvelgr já voava no alto, esperando por ela.

A Alma inspirou de forma assustada. Muita coisa dependia dela agora e de sua capacidade com a magia. Teria a ajuda de Grafvollud, é claro, mas ainda assim era uma novata nos caminhos da magia. Promissora, mas novata.

Não podia deixar que a confiança que Pathfaen depositara nela fosse desperdiçada. Com esse pensamento, se impulsionou para cima e começou a voar ao lado de sua Anima até o portão principal.


1 - Eihwaz (Éiuaz) - O teixo; Posição normal: Proteção, final de um ciclo e começo de uma nova vida. Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

2 - Sowelo (Souelú) - O Sol; Posição normal: Auto-realização, regeneração, sucesso e vitória. Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

www . templodeavalon modules / mastop_publish /?tac=As_Runas_Sagradas (tirem os espaços e pronto :D)


Pois bem.

Ainda temos vagas para cinco Almas. Já decidi alguns pares além do meu, mas não vou revela-los. Oh, não, é surpresa xD


As Animas livres são:

Garm

Gullinbursti

Svadilfari

Ratatosk

Skoll

Não vou me repetir em informações sobre as Animas e as fichas. Tem tudo muito bem explicadinho no prólogo :3


Então, vamos falar de quem são as Almas que aparecem nesse capítulo? :D

Brenna – Margarida

Thyre – AsianKung-fuGeneration

Jiahn – Lyta White

Agatha – AsianKung-fuGeneration

Mas duas da Asian?

Ué, vocês não enviam fichas. Ela envia xD Tem vaga sobrando ainda, então, trabalho com o que tenho. Mesmo que ambas já me atiçaram quando o que escrever xD


Acho que é isso. :D

Espero que tenham gostado do capítulo e que enviem fichas, por favor. Não quero entupir essa aqui de fichas minhas. "E porque não fecha já?" Porque eu PRECISO de dez Almas. A história não funciona sem dez Almas D:

Enfim.

Beijos

Tenshi Aburame


PS: O Jorg que aparece na parte da Jiahn é uma referência ao personagem "Honório Jorg Ancrath" da Trilogia dos Espinhos/Broken Empire Trilogy, de Mark Lawrence. Tava escrevendo e pensei "Por que não colocar o nome do melhor anti-herói/vilão que já vi em uma alma que esta em Naströnd por causa de crimes indizíveis?" Quem leu um dos livros da trilogia SABE que Jorg não é uma flor que se cheire.