Olá, será que tem alguém ai ainda?
É putaria que você quer?
Pois Tia Dame voltou! E claro, com KakaSaku
Hope u, enjoy! :)
Capítulo dedicado à Pimentiinha, que com sua volta motivou a minha! Espero que curta, nega!
Fetiche #2: Voyeurismo/Exibicionismo.
Visions
Ele era um observador.
Talvez por toda a maneira como sua vida tenha se desenvolvido, Kakashi sempre valorizou mais ações do que palavras. Falar, em sua concepção, era muito simples... leviano. Palavras ditas não ficam documentadas para serem contestadas posteriormente ou passam por qualquer controle de qualidade antes que sejam ditas, para que mentiras sejam separadas da realidade. Não que ações fossem sempre muito verdadeiras ou incorruptíveis. Ele havia perdido a ingenuidade de acreditar nisso há tempos. E era exatamente aí que ele sabia se distinguir dos demais.
O segredo estava nos detalhes. E o Hatake era muito bom em detalhes.
Não precisava conhece-lo profundamente para que soubesse que o Rokudaime era um leitor voraz. Não somente de Icha Icha (nisso ele era o melhor, diga-se de passagem), mas um leitor de pessoas. E observá-las muito atentamente era seu próprio controle de qualidade, ao qual palavras ditas não poderiam ser submetidas tão facilmente.
Observar era à prova de falhas, tinha certa certeza disso.
Seus olhos eram sua fonte de poder, afinal, ainda que não fosse mais detentor do sharingan, ele sempre seria o "ninja dos mil jutsus", e se engava redondamente quem acreditava que esse poder residia somente em um simples globo ocular. Ele estava sempre um passo à frente dos demais, e orgulhava-se disso.
Ler pessoas lhe era muito simples. Entretanto, entender a razão por detrás de determinadas atitudes, bem... Nisso ele não era muito bom, e a maioria das vezes ele não se importava com motivos.
A maioria.
O ar saiu com força pelas vias aéreas de Kakashi, assim como todas as certezas que tinha em sua vida pareciam acompanhar o conteúdo exalado. Ele odiava estar fora de sua zona de conforto, onde tudo parecia simples e ele sabia exatamente como agir antecipando o que aconteceria a seguir. E se tinha uma coisa que ele não estava naquele momento, era entendendo como ele havia chegado aonde estava. O que, sem dúvidas, não o colocava a frente de porra nenhuma.
"Seu orgulho é sua maior fraqueza, Kakashi."
E ele mantinha isso em mente desde que Minato havia lhe dito, em algum momento de sua conturbada infância. Há muito tempo ele havia deixado de lado sua arrogância. A morte de seu melhor amigo havia lhe dado uma dolorosa, porém valiosa lição sobre isso. Todavia, o Rokudaime acabara de perceber um novo significado para aquilo, demonstrando que ele sempre aprenderia com seu sensei. Porém aquela lição deixava um gosto amargo, e a carapuça lhe servia de tal maneira que ele sentiu vontade de rir.
Ele definitivamente era um excelente observador. Essa habilidade o ajudara em uma infinidade de situações, não tinha duvidas que era o motivo de ter sobrevivido por tantos anos, era a base de seu discernimento. Jamais imaginara que este talento também o levaria à perdição.
Observava todos a redor, era intrínseco a si fazê-lo.
Lembrava, por exemplo, que a Quinta tinha algumas unhas com esmalte descascado quando chegou afoita para atende-lo há aproximadamente duas semanas. Notara também como Pakkun pareceu preocupado quando fora invocado e se deparara com Kakashi sozinho e bastante ensanguentado a meio quilômetro dos portões de sua Vila. O cachorro colocara suas perninhas curtas para correr com um empenho que há muito não via, em direção a casa da Godaime.
Havia desmaiado antes que pudesse, de fato, explicar o que havia acontecido à sua antecessora, e quando acordara, ainda que nauseado e tonto, não demorou em reconhecer que se encontrava no apartamento de Sakura. O sol nascia de uma janela à sua esquerda e o cobertor que o cobria tinha um cabelo cor de rosa perto de seu rosto.
- Ele acordou, shishou! – ouviu uma voz facilmente reconhecível ecoando no fundo de seus ouvidos, e então dois pares de olhos aflitos e enormes apareceram em seu campo de visão, enchendo-o de perguntas antes mesmo que pudesse terminar de plissar os olhos para sorrir-lhes.
Mal sabia ele quanto desconforto a dona daquele fio de cabelo lhe traria nos próximos dias.
Após se alimentar - exigindo privacidade para tal, é claro-, o Rokudaime explicara pacientemente que no meio da missão diplomática que estava, fora abordado por um grupo particularmente talentoso de assassinos renegados no caminho de volta. Tsunade quis matá-lo e Sakura lançou-lhe um olhar carregado de incredulidade quando ele contara que sua escolta era composta de seus próprios bunshins disfarçados com henges.
Quer dizer, ele não ia sair do país do Fogo, outras pessoas o atrasariam (ou reclamariam de seus atrasos), e agora que era Hokage alguns insistiam reprovar sua leitura ao Icha Icha, seu companheiro mais fiel de viagens! Não era exatamente sua culpa não querer companhia em uma missão tão idiota como aquela era pra ser. E bem, mesmo com seu ritmo de treinamento muito diminuído, e não sendo mais um garoto, ele lidara muito bem com os malfeitores.
- As custas de uma fratura completa do seu braço, com lesão muscular importante – Sakura disparou, interrompendo o discurso do Hatake com uma entonação irritante de reprovação. – Fora a costela quebrada que perfurou seu pulmão, e as hemorragias incontroláveis pelo corpo quase todo! – terminou exaltada, recebendo uma revirada de olhos do ninja de cabelo acinzentado.
- Mas agora estou ótimo. – Ele respondeu, tentando se levantar e sendo empurrado para de volta ao sofá pela sua ex-aluna.
- Graças a mim e a Sakura, Kakashi! Você drenou quase que por completo nossos chakras por uma imbecilidade! – voicerou a ninja mais velha.
Ele respirou fundo sentindo a resignação tomá-lo por completo, e ouvira pacientemente o discurso sobre suas novas responsabilidades, como havia sido um completo idiota, entre outras infinitas coisas.
Coisas essas que acabou tendo de concordar. Caso o Conselho ficasse sabendo o que havia acontecido, Kakashi estava frito. Seria metralhado por todos os lados, poderia até ser afastado!
- E por isso parei a uma certa distância da Vila e pedi para Pakkun procurá-la em segredo, Godaime. – Ele elucidou, sabendo que aquilo seria um problema antes mesmo que elas sonhassem que ele estava em apuros.
- As coisas não são tão simples. – E nesse momento, a provação de Kakashi estava se iniciando. – Você está convalescente, seus ferimentos foram muito graves e você precisa de supervisão médica contínua! – afirmou a mais velha, com sua costumeira convicção intimidadora. – Porém não poderá ir à enfermaria do Hospital, caso contrários todos saberão dessa merda que você fez.
Kakashi preferia estar morto enquanto ouvia o que ela dizia. Não deveria ter resistido a sua tentativa de assassinato.
- Precisa de ao menos duas semanas antes que seu corpo se recupere, mesmo com ajuda do chakra. Vamos forjar uma carta sua vinda da cidade vizinha, dizendo que decidira estender sua permanência devido a motivos pessoais. – Tsunade continuou, andando de um lado para o outro impacientemente enquanto aquele plano lhe surgia à mente. – Você vai ficar escondido aqui no apartamento de Sakura nas próximas semanas.
A rosada que, até então, concordava veementemente com tudo que sua shishou dizia precisou de alguns momentos para digerir aquela informação, ela suspeitava que seu queixo fosse cair ao chão a qualquer momento.
- O QUE?! – os membros do antigo time sete questionaram inconformados, ao mesmo tempo.
Mas não houve saída.
Tsunade estava convicta que aquela seria a melhor das soluções, afinal, eles já se conheciam de muitos anos, cansaram de dormir juntos em missões pelo mundo, Sakura era uma excelente médica para socorrer Kakashi em quaisquer complicações que ele tivesse ao longo desses dias, e seu novo apartamento era alto o suficiente para que ninguém conseguisse enxergar com facilidade o que acontecia em seu interior. Além de que, agora que não era mais Hokage, Tsunade havia assumido um importante papel dentro do hospital, sendo então diminuída a necessidade de Sakura enfornada dentro do lugar.
E a Godaime não muito tempo depois deixou-os sozinhos, após elucidar de maneira bem incisiva para os dois que ficaram, cada um dos motivos de seu plano ser o mais sensato a se seguir naquele momento.
Era um plano de redução de danos à prova de falhas. Ou era isso que ela pensava.
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Era verão em Konoha, e não à toa o país do fogo tinha aquele nome. O verão de Konoha era um dos mais quentes de todo o mundo ninja, perdendo, talvez, para Suna, que ficava no meio de um deserto onde não havia árvores para aumentar a umidade e amenizar o clima.
No entanto, nenhum calor no mundo justificaria as roupas curtíssima que Sakura usava dentro de casa. Quer dizer, não que ele estivesse reparando. Ou melhor, não que ele quisesse reparar, mas o apartamento era pequeno, e ele não aguentava mais ficar deitado no sofá em frente a uma estante sem televisão. Os primeiros dois dias passaram-se muito rapidamente, pois seu corpo realmente estava debilitado e ele tinha muito sono para colocar em dia. Porém, a esperança de que aquela experiência não seria assim tão torturante logo morrera.
Sakura mal deixava que ele se mexesse, alegando que o reparo feito com chakra em suas artérias não era tão forte como o fisiológico, e que ele precisava repousar o máximo, e todas aquelas coisas que médicos dizem para ameaçar seus pacientes de morte. Sorte dos pacientes não dividirem a casa com seus médicos, Kakashi pensou, após levar mais uma bronca da médica-nin, que dessa vez o observava pela porta da cozinha, enquanto cozinhava alguma coisa sem graça para que eles jantassem.
Kakashi odiava ficar internado, mas não demorou a perceber que odiava mais ainda ficar internado na casa de sua ex-aluna. Ela usava um top preto e um short vinho justo, com os cabelos rosados presos de maneira despojada, e pelo visto não tinha folga de seu olhar recriminador nem quando ela estava ocupada fazendo outra tarefa.
- Eu só preciso ir ao banheiro, Sakura. – Ele disse calmamente, após se levantar bem devagar e mesmo assim sentindo a surra que levou lembrando-o que cada um dos seus músculos exista, de maneira nada agradável.
- Ok, então, vá devagar e qualquer coisa me chame. – Ela respondeu, enquanto adentrava novamente para dentro da cozinha, sem que visse a revirada de olhos involuntária com que o Hatake lhe respondera.
E ao ver o aspecto hemático de sua urina, pela primeira vez em muitas horas Kakashi não quis fugir da casa de Sakura. Terminou o que tinha que fazer para se aliviar, e sem esperar mais chamou-a pela porta do banheiro, contanto que seu xixi estava com sangue, ouvindo um "merda" do outro cômodo em alto e bom som.
Sakura ajudou-o a se deitar no sofá que nos últimos dias fora sua cama, e Kakashi pode ver de perto como sua expressão parecia séria e concentrada ao pedir que ele retirasse a camiseta e abaixasse o short que usava. Um pouco hesitante, porém sem muita saída, ele o fez, tentando se distrair enquanto a garota emanava chakra pelas mãos, tocando-o na lateral do abdômen.
A casa de Sakura era pequena, mas tinha um certo charme, ele não podia negar. Não era muito decorada, mas dava sinais claros de que uma mulher jovem habitava ali. A cozinha ficava a leste, junto de uma pequena lavanderia – com uma porção de roupas íntimas penduradas, diga-se de passagem. A sala era espaçosa, e compunha grande parte da casa. Nela havia dois sofás e uma poltrona, além de uma mesa de centro e uma estante com alguns objetos decorativos e vários livros, principalmente sobre medicina.
O ninja podia sentir um certo calor dentro de si, na região em que Sakura estava emitindo seu chakra, quase que como um formigamento. Olhá-la tão de perto o deixava desconfortável, mesmo que ela não o olhasse de volta, completamente compenetrada no que fazia, mas a situação em si lhe parecia desconfortável o suficiente para que ele evitasse mandar seu olhar na direção do dela, e então ele continuava a analisar, pela centésima vez provavelmente, a casa que estava lhe abrigando.
Do lado oposto ao da cozinha, ficavam o banheiro e o quarto, um de frente para o outro, num pequeno corredor com um espelho na parede e um móvel que ele não sabia o nome, mas que continha um porta-retratos mostrando a garota de cabelos róseos e Ino Yamanaka, claramente mais novas do que atualmente, ambas muito sorridentes.
- Aqui está doendo? – Sakura perguntou, retirando-o de seus devaneios, e ele não teve certeza da pergunta, mantendo-se em silêncio, aguardando talvez que ela repetisse. – Kakashi-sensei, você está mentindo para mim e vem sentindo dores? – ela voltou a questioná-lo, apertando os olhos verdes de maneira que deveria ser ameaçadora, mas o ninja quase achou graça da sua tentativa de intimidação.
- Não, doutora. Não sinto nada. – Ele respondeu somente, e ela resmungou alguma coisa, descendo a mão mais gelada que ele para a parte anterior de sua barriga, resultando num arrepio involuntário. – Quando tive algo te falei, não precisa duvidar de mim. – completou, esperando que suas palavras fossem distração suficiente para que ela não percebesse como seu músculo abdominal repuxou-se com seu toque.
- Yare. Preciso saber se o sangramento veio dos rins ou da bexiga... – Sakura disse mais para ela mesma do que para ele, com as mãos na altura do umbigo masculino, e Kakashi ficou imaginando onde diabos ficava a bexiga e se ela desceria com aquele calor todo muito mais para baixo.
- Eu já estou bem, Sakura... – ele respondeu-a, tentando se levantar e recebendo um olhar reprovador da médica-nin em seguida. Uma sensação conhecida sua começava a tomar força e invadir a sua pelve, diante do toque suave das mãos levemente geladas da moça ajoelhada ao seu lado.
- Pare de ser teimoso, eu já vou terminar... – disse de maneira contundente, colocando um pouco mais de força no toque sobre seu abdômen, agora abaixo da cicatriz umbilical masculina, e Kakashi não teve muita saída a não ser respirar fundo e tentar mandar seus pensamentos para muito longe daquele top preto que ela vestia.
Ele não podia ficar excitado com uma médica curando seus ferimentos, podia? Principalmente se essa médica era Sakura. Não havia nenhuma maldade no toque dela, ela estava tentando curá-lo e seria muita grosseria de sua parte permitir que seu corpo reagisse daquela forma tão animalesca.
- Sakura, algo está queimando.
- Eu sei. – Ela respondeu vagamente, sem parecer prestar muita atenção, com o olhar perdido em algum ponto de sua barriga. – É normal sentir um certo formigamento nesse tipo de procedimento...
- Eu quero dizer na cozinha. – respondeu-a e ela no mesmo instante arregalou os olhos verdes em surpresa.
- Meus bolinhos! – exclamou exasperada, correndo em direção a cozinha no segundo seguinte.
Kakashi sentiu a tensão que tomava conta de si diminuir proporcionalmente a medida que ela se afastava. O Hatake não sabia se agradecia mais a Kami por aquela pequena sessão de tortura ter finalizado ou se por terem que pedir comida fora, uma vez que os bolinhos que ela preparava estavam completamente queimados àquela altura.
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Observá-la compunha uma parte importante de seus dias de reclusão no pequeno apartamento. Já havia decorado toda a parte inanimada da casa, a ordem dos livros na prateleira e até contado quantos arranhões havia na pequena mesa de centro. A única coisa que sobrara para distrair sua mente era a presença feminina.
Sakura raramente saia, com medo de algo acontecesse ou, mais provavelmente, que ele escapulisse de seu clausuro na sua ausência. Surpreendeu-se com uma série de detalhes a respeito da convivência diária com a garota. Ela havia se tornado muito menos tagarela do que quando adolescente. Não parecia se importar com o silêncio que pairava entre eles, e Kakashi se sentia muito satisfeito nesse aspecto. Ele estava acostumado a ser sozinho, e conversar o tempo inteiro sobre o que quer que fosse era cansativo demais para ele.
Era muito claro também que ela não tinha muita aptidão com os afazeres domésticos. Não que ele fosse mal-agradecido e ficasse reclamando das refeições preparadas por ela, mas ficava bastante contente quando ela sugeria pedir comida por estar no meio do estudo de algum assunto daqueles que ela estudava. E por sinal, ela estudava grande parte do seu tempo, talvez pelo ócio que a função de vigiá-lo 24 horas por dia trazia, mas ainda assim ela parecia muito empolgada estudando. Enquanto lia o livro escolhido, escrevia num bloco de anotações, e reagia com expressões faciais o tempo inteiro. Surpresa, entendimento, descontentamento, revirada de olhos... parecia estar em uma conversa constante com o livro. Prendia e soltava o cabelo, mordia a ponta do lápis ou alguma pele solta de um dos dedos da mão, remexia-se na poltrona e hora ou outra soltava um muxoxo consigo mesma, era quase como se ele não estivesse presente na maioria do tempo. Kakashi disfarçava sua observação mantendo o Icha Icha aberto, e sempre que ela dava sinais de que olharia em sua direção, ele dissimulava displicentemente sua análise.
Tentava não se lembrar da sensação que ela causara ao tocar-lhe o abdômen, nem reparar nas calcinhas penduradas na lavanderia ou nas roupas de verão, para não dizer outra coisa, que a moça insistia em vestir todos os dias. Não que houvesse mal em achá-la atraente de alguma forma, ele sabia que ela tinha se tornado uma mulher bonita.
Não se recordava de Sakura citar, porém algumas coisas o faziam acreditar que ele tinha sido espancado também na cabeça.
Um trauma craniano muito grave.
Quer dizer, ele não deveria ver maldade quando Sakura ia tomar banho e deixava a porta do banheiro entre aberta, certo? Estava calor, e ela não deveria querer umidade em excesso no seu banheiro. Ele não deveria imaginar que ela passava no meio da noite pela sala em direção a cozinha usando somente uma daquelas calcinhas minúsculas que ele via pendurada, não é? Eram provavelmente sonhos, e bem, ele deveria estar dormindo àquela hora da noite e estava escuro demais para que ele pudesse ter certeza absoluta do que via.
- Oe, sensei... – ela o chamou, sorrindo de maneira animada, e ele se recriminou mentalmente por estar pensando sobre isso. Novamente.
Era patético que ele erotizasse as atitudes de Sakura quando ele era um intruso dentro de sua casa, e ela, seguindo ordens, cuidava de si com a maior boa vontade. Ela só se sentia à vontade o suficiente na presença dele, e ele deveria se envergonhar de seus pensamentos para com a garota que, além de tudo, era Sakura.
Aquela Sakura.
Sua aluna do time sete. Sentia nojo de si mesmo por inventar maldade naquelas situações.
- Eu estava pensando... – ela continuou, vendo que ele não diria nada nem tiraria os olhos de seu livro idiota. - Eu tenho uma proposta para te fazer!
Kakashi sentiu o estomago revirar e não soube o porquê. Engoliu a seco, e virou uma página do livro, fingindo estar lendo. Aliás, talvez a raiz desse seu problema recente com Sakura fosse esse maldito livro. Tinha apanhado na cabeça e agora as besteiras que lia ali estavam mexendo com seus pensamentos. E hormônios.
- Diga, então. – respondeu impassível, no seu tom casual de sempre.
- Tem algo que quero saber, e quero trocar essa informação por outra. – respondeu ainda animada, e Kakashi estreitou os olhos levemente em curiosidade.
- O que é?
- Onde Naruto está treinando para ser o próximo Hokage? Sinto falta dele, queria enviar uma carta ou...
- Não posso dizer. – cortou-a, voltando a olhar para seu livro.
- Mas... – Sakura abriu e fechou a boca algumas vezes, claramente chateada por ter sido cortada tão de repente. – É por isso que é uma troca! Eu digo algo que você queira saber e você me conta onde ele está. – Ela voltou a explicar, agora já sem tanta animação. – Deve ter algo que eu sei que você queira saber também...
- Nada. – Kakashi respondeu seco, sem visualizar a cara de inconformada que Sakura dirigiu para ele.
Ele não podia falar, ela sabia disso. Era um assunto que não competia a ele dizer, visto que era um segredo da Vila e não algo de si. O que mais ela esperava que ele fizesse? Perguntasse algo de sua intimidade, e se tornassem cúmplices de segredos? Ou então que ele perguntasse se ela realmente anda pelada a noite pela casa? Por que ela usa calcinhas tão pequenas e as deixa a mostra na lavanderia?
Sentia o olhar de ódio de Sakura queimando-o, mas não ousou olhá-la para ter certeza. Ela se levantou e caminhou com passos pesados em direção ao quarto, e ele se sentiu aliviado pelo curto diálogo ter terminado. Não muito tempo depois ouvira o barulho do chuveiro sendo ligado.
Se ele se sentasse, poderia facilmente avistar a porta do banheiro, assim como a do quarto, e assim saberia se ela deixara a porta aberta novamente.
O que importava se ela tivesse deixado, afinal? Não era como se fosse um convite, e ele não deveria bisbilhotá-la em sua intimidade. Não se ele fosse uma pessoa decente. E ele queria ser decente. Porém, algo em si parecia remoê-lo de curiosidade para olhar na direção do banheiro. Uma inquietação que ele não conseguia controlar o consumia para saber. E então sem pensar muito mais ele se sentou - odiando-se, é verdade-, mas se sentindo sem escapatória.
Estava completamente aberta.
Ela não havia sequer diminuído a abertura como as demais vezes, e Kakashi sentiu vontade de se esbofetear por ter olhado. Ele podia ver um bom pedaço da pia e sentir o cheiro agradável feminino que tomava o apartamento como todas as vezes que ela entrava no chuveiro. Ele não conseguia deixar de se perguntar o motivo dela ter deixado a maldita porta aberta, sentindo-se enjoado, imaginando se ele estava alucinando.
Seu coração batia forte em seu peito, ele podia senti-lo lembrando-o que estava vivo a cada batida. E se ele a visse nua? Já havia visto dezenas, quiçá centenas, de mulheres nuas, e poucas vezes havia sentido tanto furor por aquilo. Não era grande coisa, não é mesmo?
Talvez se ele desse uma pequena espiada e matasse aquela curiosidade maldita, a ansiedade toda passasse e ele pudesse se sentir melhor. Ela não poderia culpá-lo por aquilo, poderia? Ela tinha deixado a porta escancarada. E Kakashi precisava ir na cozinha tomar água, e por acaso, no percurso, bateria os olhos no banheiro e acidentalmente a veria no banho. E se ela não estivesse contente, que fechasse a porta.
Respirou fundo sentindo-se um tolo pelo coração disparado e rumou a cozinha. O gelado da água lhe trouxe um certo alivio para sensação esquisita e indefinida que ele tinha dentro de si. Questionou sua sanidade ao menos três vezes antes de decidir por fim olhar, e quando o fez, sentiu seu estomago indo a Lua e voltando numa fração de segundos. Ele estava tão distraído com seus pensamentos e luta interna que não percebera quando o chuveiro fora desligado.
Sakura não estava dentro do banheiro mais e sim no curto caminho que separava a porta do banheiro da de seu quarto.
Nua. Completamente.
Com uma toalha verde enrolada no cabelo molhado e o corpo despido parcialmente seco. No outro segundo tinha desaparecido pela porta de seu quarto, como se aquele momento nunca tivesse acontecido. Fora o tempo de uma passada e meia, não como se corresse ou tivesse medo de ser vista, mas uma passada casual.
Ou seu estado neurológico estava seriamente comprometido ou o de Sakura.
A imagem do corpo feminino despido pairava na frente de seus olhos, e ele não achava que esqueceria facilmente. Ou sequer pretendia esquecer. A pele era alva por toda sua extensão e estava arrepiada pelo contato com a água gelada do chuveiro, com uma cicatriz de tamanho médio na coxa direita que maculava a região, mas não havia nenhuma feiura naquele detalhe. Seus pelos pubianos estavam aparados, mas Kakashi poderia jurar de que eram tão rosados quanto seu cabelo. A barriga lisa, condizente com o esperado de alguém que depende do seu condicionamento físico para sobreviver. Os seios de tamanho médio, em perfeita sintonia com o resto do conjunto, com mamilos claros e enrijecidos. Alguns fios de cabelo cor de rosa molhados aderidos a pele do pescoço esguio, fugitivos do enlace da toalha verde.
Kakashi não tinha certeza de que aquilo havia acontecido. Poderia estar sonhando, ou tendo uma alucinação, até mesmo em coma após a surra que levara, estando sua mente confusa a criar uma história da qual ele precisava urgentemente acordar.
Tentou juntar provas para si mesmo de que poderia estar acontecendo qualquer coisa, menos que aquela fosse a realidade. Por que ela faria aquilo, afinal? Não fazia o menor sentido. Não conseguia pensar direito, e uma maldita ereção tinha se instalado em sua pelve, não ajudando em absolutamente nada.
Enquanto analisava detalhes dos últimos dias procurando por brechas que o fizesse perceber que não se tratava de um sonho, Sakura saiu de seu quarto calmamente, secando os cabelos com a toalha verde. Dessa vez vestida com um short ninja e uma camiseta preta.
- O que acha de pedirmos comida hoje? – ela perguntou em tom casual, ainda esfregando os cabelos molhados na toalha.
Kami-sama, o que estava acontecendo ali?
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Depois daquele dia Kakashi passara a ter certa dificuldade para dormir. Não conseguia parar de lembrar de Sakura saindo nua do banheiro, e tudo que aquilo poderia querer dizer ou acarretar. A kunoichi agia da maneira que sempre agiu, e continuara com seus banhos de porta entre aberta, roupas curtas e calcinhas sensuais no varal. O Rokudaime se sentia doente, mas em nada tinha a ver com a razão a qual o colocara naquela situação, que beirava o cárcere privado.
Estava em um conflito consigo mesmo que nunca havia enfrentado antes. Questionava sua sanidade, sua decência, sua ética... Ao mesmo tempo que tentava se justificar para sua consciência, se sentia horrível por acreditar que estava abusando de Sakura de alguma maneira, ou ao menos de sua imagem.
Tsunade veio visita-lo, e ele depositou todas as suas esperanças de que ela o libertaria daquela tortura assistida que os últimos dias tinham sido. Ela, porém, disse que seus órgãos ainda estavam frágeis, e que o fato dele ser o Hokage não tornava as reações de cura dentro de seu corpo mais aceleradas. Três dias, ela disse e Kakashi sentiu que poderia chorar de desespero.
- Ora, sensei, fazendo essa cara a Shishou vai pensar que estou te torturando! – Sakura brincou, as mulheres riram e ele se limitou a forçar um sorriso.
- Da próxima vez ande com uma escolta de verdade. – Tsunade alfinetou-o, e ele se questionou o quão estranho seria se ele dissesse que gostaria da escolta para manter Sakura longe dele.
A Godaime fora embora quando já era noite, e não muito tempo depois Sakura apareceu pela porta de seu quarto desejando boa noite e dizendo para chamá-la caso se sentisse mal, assim como todas as noites anteriores.
E mantendo também o padrão, ele não conseguia pegar no sono. Remexia-se no sofá de momento em momento, aproveitando que seu corpo agora doía muito menos do que antes. Estava em um estágio pré-sonho, nem completamente acordado, nem completamente dormindo quando um som o despertara por completo. E mais uma vez ouvira, pedindo a Kami com todas suas forças que estivesse muito errado e pudesse dormir em paz, pelo menos naquela noite.
Fechara os olhos com força, se concentrando procurando ouvir novamente para ter certeza. E ouvira. E de novo, e de novo.
Um gemido feminino e necessitado vinha do quarto da kunoichi, que assim como a do banheiro, mantinha a porta de seu quarto entre aberta. Não era muito alto, mas era alto o suficiente para impedi-lo de dormir e, claro o suficiente para mobilizar uma grande quantidade de sangue para sua pelve.
Ela podia estar sonhando. Ela podia estar com alguém dentro do quarto - apesar de ele não sentir nenhuma outra presença no cômodo. Ela podia estar... se masturbando. Sua única certeza é que ela estava gemendo, e parecia estar aumentando a intensidade da coisa.
Ficara alguns momentos indeciso antes de decidir levantar-se para checá-la. Não que ela parecesse estar sofrendo, muito pelo contrário, mas para afastar qualquer possibilidade de ser um gemido de dor, ele lentamente se aproximara da porta do quarto. A cama ficava bem de frente para a abertura da porta, e a janela aberta para entrada de vento permitia com que a luz da Lua entrasse, e ele pudesse enxergá-la com certa facilidade.
Prendera a respiração sem saber exatamente o porque enquanto percebia a maneira como o corpo feminino se remexia sobre os lençóis claros bagunçados. Suas pernas estavam bem abertas, permitindo com facilidade o acesso da mão pequena a sua intimidade, que em um movimento ritmado e sem muita delicadeza, esfregava todo seu sexo molhado, até que dois de seus dedos sumissem por completo dentro de sua abertura, fazendo o caminho inverso até sua pube novamente.
Kakashi estava paralisado, e sentia sua respiração se alterando sem que ele pudesse controlar enquanto seus olhos permaneciam estáticos e atentos na cena a sua frente. O quadril subia de encontro a seus dedos delicados em perfeita sintonia, e quando isso acontecia, o gemido sôfrego da garota escapava por seus lábios entre abertos. Ele sabia que deveria recuar, que não podia ficar assistindo, mas a cena era tão tentadora que ele não conseguia se mexer. Desceu a mão masculina de encontro a sua ereção, sentindo-a latejar de desejo e não pode evitar de friccionar a região, sentindo suas pernas fraquejarem pelo prazer.
A mão da garota que não estava estimulando seu sexo apertava um de seus seios com força, enquanto seu tórax subia e descia com respirações rápidas alternadas com gemidos cada hora mais intensos. Os olhos verdes escondidos pelas pálpebras apertadas pela expressão do prazer e os lábios entre abertos lhe soavam como um convite tão forte que ele não sabia de onde vinha a força que ainda o mantinha longe do corpo feminino.
Quando sua perna decidira se mexer sem seu comando em direção aquela cena tão tentadora, Sakura abrira os olhos, olhando em sua direção, e o Rokudaime sentira um frio na espinha tão forte que se assemelhava a sensação da morte lhe cumprimentando. Não tinha certeza de que podia ser visto pela fresta da porta, já que o local onde estava era mais escuro que o quarto da garota, mas a maneira como ela fixara seus orbes nos dele não deixava muita dúvida de que ela conhecia sua presença a observá-la. Havia muito desejo disperso dentro da imensidão verde. O coração masculino batia tão rapidamente que ela certamente podia ouvi-lo.
Kakashi poderia jurar que viu-a sorrindo para ele, se sua mente não estivesse tão confusa e tendenciosa a pregar-lhe peças ultimamente. Arqueara as costas e aumentara a frequência de suas investidas contra seus dedos de uma maneira que Kakashi conhecia muito bem. Ela estava perto do ápice.
Céus, ela parecia uma miragem. Deliciosamente perfeita. Tão perfeita que ele não ousaria intrometer-se naquela cena e estragá-la acrescentando sua anatomia masculina e bruta no meio daquilo.
O tesão que sentira ao assisti-la daquela maneira... escondido, camuflado entre as sombras, era enlouquecedor de tão forte. Quase gemera junto com ela ao assisti-la gozar sozinha, independente. Quando o corpo feminino parara de se mexer e repousara sobre a cama com a respiração errática, ele rapidamente voltou ao controle de seus movimentos e dirigiu-se ao banheiro.
Em uma fração de segundos já estava com seu membro rígido entre os dedos, sem que a visão de Sakura saísse de seus pensamentos, massageando-o com empenho, em movimentos de vai-e-vem aliviando seu desejo pungente. Não demorara para também atingir o orgasmo, deixando gemidos roucos escaparem de sua garganta conforme o ritmo de sua respiração e seu coração tentavam voltar ao normal.
Junto com seu gozo, fora invadido pela culpa. Ele não deveria espioná-la, muito menos tocar-se pensando nela. Onde ele poderia estar com a cabeça? No meio das pernas dela, um pensamento inoportuno soou no fundo de sua mente e ele se repreendera. Sentindo-se sujo e muito, mas muito, satisfeito decidira entrar no banho, esperando que a água gelada levasse consigo o suor, o tesão e, especialmente, o peso da culpa.
Ela estava fazendo de propósito? Ela queria ser vista por ele? Será que isso fazia dele menos culpado? Se ela estava provocando-o, estava tudo bem ele ceder ou deveria resistir pela posição em que se encontraram durante todas suas vidas?
Ele não sabia a resposta de nenhuma daquelas perguntas, todavia, por mais que tentasse negar, estava muito ansioso para ceder novamente e assisti-la se tremendo de prazer mais uma vez.
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- Ninguém veio visitá-lo. – Sakura disse, como se já estivessem conversando há horas e aquela frase fizesse parte do diálogo. Kakashi não disse nada, apenas continuou deitado olhando seu livro, fingindo que a garota não existia. Não sabia como olhá-la depois do que acontecera na noite anterior. – Sabe, eu não me importo se alguém que você confie vier vê-lo. – completou, saindo da poltrona mais afastada e sentando-se no sofá ao lado do seu.
- Não tenho ninguém. – respondeu simplesmente, torcendo para finalizar qualquer contato com ela.
- Não mesmo, sensei? Nenhuma garota para esquentar suas noites de inverno? – ela perguntou e riu levemente depois. – Parece solitário demais, até para você...
Onde ela queria chegar com aquela conversa? Sua vontade era se levantar e pressioná-la contra aquele sofá até que ela admitisse abertamente que vinha se empenhando para enlouquece-lo, e então ele a puxaria pelos cabelos e...
- Ninguém. – mentiu, sem tirar os olhos do livro.
Sua relação com Icha Icha era o mais perto que Kakashi tinha chegado da monogamia em anos, mas discutir sua vida sexual com Sakura estava muito longe de seus planos para aquela manhã. Além de que, suas aventuras haviam diminuído consideravelmente desde que se tornara Hokage e era o centro das atenções de muitas fofocas da Vila.
- Você está dizendo isso por que quer trazer alguém aqui, Sakura? – ele voltou a falar, antes que ela tivesse algo a dizer sobre sua solidão. Não teve certeza do motivo de ter perguntado aquilo. Era a primeira vez que trocavam um olhar depois da noite anterior.
Talvez ela deixasse a porta entre aberta estando com alguém em seu quarto, e talvez ele gostasse de assisti-la em uma performance a dois...
- Oh, não... – respondera, parecendo levemente encabulada. – Eu estou com Sasuke, você sabe... Na verdade nunca sei quando ele vai estar na Vila.
Isso explicava muita coisa. Seus dedos hábeis para a alcançar própria satisfação, por exemplo. Além de que o duvidava que o Uchiha pudesse ser um bom amante, sendo tão frio e distante. Dificilmente conseguiria satisfazê-la como ela merecia.
- Parece solitário demais. – Ele rebatera, utilizando suas palavras contra ela mesma.
Os orbes verdes se arregalaram levemente com alguma surpresa pelas palavras dele, e em seguida, a garota soltou uma risada irônica.
- Parece que somos iguais, Hokage-sama... – ela disse, se levantando em direção ao quarto. – Ou talvez só desejemos a mesma coisa. – completou e sumiu pela porta do quarto, deixando um Kakashi ainda mais confuso para trás.
Eles eram iguais, afinal? Para descobrir a resposta a essa pergunta, ele primeiro deveria descobrir o que ele desejava. Sakura parecia saber muito melhor que ele. Ele iria embora no dia seguinte, mas se perguntava se poderia viver o resto de sua vida como antes após quatorze dias dividindo apartamento, e por volta de quatorze mil questionamentos não respondidos em sua mente, agora assombrada pela garota de cabelos cor de rosa.
Assombrada especialmente pela dúvida do que aconteceria naquela noite, quando as luzes fossem apagadas e portas ficassem entreabertas.
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Ele não tinha dormido nada. Ao contrário de Sakura, que acordara de ótimo humor e havia dormido a noite toda. Talvez ele tivesse ido checá-la três ou quatro vezes, mas não vinha ao caso. Ela despertara praticamente com o raiar do dia, e Kakashi lamentara não ter podido fugir do apartamento deixando um bilhete de agradecimento pelos cuidados.
Ele não sabia como proceder. Simplesmente arrumava suas coisas, dobrava os lençóis e o cobertores emprestados e dizia que estava indo? Ou deveria perguntar se podia mesmo partir? Talvez ele pudesse esperar até de tarde, ou até que ela falasse algo. Mas não queria incomodá-la mais, que outro motivo ela teria para acordar de tão bom humor se não fosse sua partida?
Por Kami, ele estava enlouquecendo de tanta insegurança. Mal conseguia se reconhecer. Não conseguia entender os malditos motivos que levavam a garota a ter atitudes tão estranhas, ao mesmo tempo que não tinha certeza se tudo aquilo realmente estava acontecendo.
Talvez fosse sensato da parte dele questioná-la sobre possíveis alucinações, sem obviamente dizer seu conteúdo para a médica-nin. Sem saber muito bem como agir, começara a arrumar a bagunça que fizera no decorrer das duas semanas acampando na casa da kunoichi.
- Parece que você está livre de mim... – ela disse, sentando-se no sofá ao lado do que havia sido sua cama.
- Estou, é? – respondeu sem muita firmeza, sabendo em seu âmago que na verdade não se livraria dela em seus pensamentos com tanta facilidade. Mas não deveria dizer isso para ela, obviamente.
- Parece que é o que você mais deseja desde que chegou aqui. – A garota disse em tom de reclamação, revirando os olhos verdes com certo desdém.
- Você não é tão boa observadora quanto pensa que é. – ele rebateu, dobrando mais devagar do que poderia o cobertor, para que sua tarefa não terminasse e ele não tivesse que encará-la.
- E você é? – questionou-o com ar de atrevimento, e o copy-nin se perguntou do que aquela conversa realmente se tratava. Eles jogariam aberto, então?
- Não sou?
- Não. Não enxerga um palmo na frente de seus olhos, Kakashi. – Ela disse carregada de desafio na voz, encarando-o com uma intensidade que fazia seu estômago revirar.
Naquele momento tudo lhe parecia tão claro, que ele se sentia um fantoche no jogo armado pela garota. Tinha caído como um coelho indefeso na armadilha armada pelo lobo. Era irônico que Sakura fosse o lobo e ele o coelho, e as coisas acontecessem de tal maneira que o pobre coelho sentia culpa pela situação criada pelo lobo.
Ela estava conseguindo-o tirá-lo do sério.
- Ou talvez eu finja não enxergar. – Provocou-a.
Nada a irritaria mais do que a rejeição, ele sabia. Por mais que esse não fosse nem de longe seu motivo, já que somente agora ele percebia a natureza do jogo em que estava imerso até o ultimo foi de cabelo, ele não daria o braço a torcer e admitiria ter medo daquela situação com ela. Medo de enxergá-la como a mulher que ela havia se tornado e do que isso podia acarretar em seus sentimentos.
Os olhos verdes nublaram-se ao ouvir aquilo, e ele podia ver como a raiva tomava conta de cada célula da kunoichi à sua frente.
- Pois se não é cego, só pode ser estúpido. – Cuspira as palavras com fúria, levantando-se e caminhando rapidamente em direção a seu quarto.
A fraqueza estranha que Kakashi sentia em suas pernas não o impedira de ir atrás da garota, tomando-a pelo antebraço ao passarem pela porta, e obrigando-a a olhar em seus olhos.
- Então você admite o que tem feito? – ele questionara, sem saber exatamente o que estava acontecendo, mas com ciência de que a situação tinha escapado completamente de seu controle, e de tudo que planejara.
Ele precisava que ela admitisse toda aquela provocação, ou nunca mais teria paz em seus dias.
- Admita você como não consegue desgrudar os olhos de mim! – ela respondeu, e ele sentiu como se fosse atingido com um soco. Ela estava muito mais consciente de cada faceta daquela situação do que ele imaginara.
Sakura era o lobo. Ele era o coelho.
- Não posso... – admitiu com a voz baixa, mirando os olhos verdes repletos de determinação tão de perto que se sentia intimidado pela força contida neles.
- Eu errei, nós não somos iguais. – Ela disse, lhe sorrindo com desdém. - Você é covarde.
Ela estava certa. Ele tinha medo. Medo de ter entendido tudo errado, medo de magoá-la e desrespeitá-la. Medo de tocá-la e não conseguir parar. Medo do que aconteceria depois. Medo.
- Você me acovarda, Sakura. – Confessou, vendo a maneira como os olhos verdes se arregalaram diante da surpresa pelas suas palavras.
Ele estava sendo tão verdadeiro que mal podia se reconhecer. Não sabia de onde exatamente tinham saído aquelas palavras e de onde vinha a motivação para falar-lhe tão abertamente, mas já era tarde demais. Talvez estivesse contagiado pela força que ela lhe transmitia.
Era intrínseco ao coelho ser capturado pelo lobo, não havia mais motivos para que fugisse e negasse seu destino. E por isso não pode resistir de tocar-lhe os lábios com a ponta dos dedos, nem a impediu quando ela abaixou sua máscara e juntou seus lábios num beijo cálido.
Ela se afastou, procurando uma resposta em seus olhos e ele não perdera tempo em colar seus lábios novamente, mas dessa vez pedindo passagem para que sua língua fosse ao encontro da dela. Pressionou o corpo pequeno contra a porta, envolvendo sua cintura fina sem muita delicadeza, enquanto as mãos femininas exploravam sua nuca e lhe puxavam pelo cabelo para mais perto.
A necessidade de beijá-la lhe parecia mais forte do que a de respirar, e ele se perguntara como havia tido forças para não o fazer antes. Sua língua era macia e quente, e parecia querer consumi-lo por completo, até que não houvesse mais distinção entre seus corpos, e ele estava disposto a ajudá-la nesse serviço.
Enfiou uma mão por debaixo da camiseta que cobria seu tórax, e enlouquecera ainda mais ao notar que ela não usava sutiã. Tocou-lhe o seio com desejo, sentindo-a gemer de prazer dentro de sua boca. Arrepiou-se quando a boca faminta se dirigiu ao pescoço masculino, distribuindo beijos impetuosos alternados com mordidas suaves. As mãos de Kakashi passeavam pelo corpo da garota, como se tomassem o que era seu por direito, sem nenhuma timidez. Suspendeu-a pelas coxas, pressionando sua ereção contra a pelve feminina, arrancando um gemido necessitado da kunoichi.
Soltou-a com delicadeza sobre a cama ainda arrumada da garota, tirando a própria camiseta e assistindo com deleite enquanto ela fazia o mesmo com a sua própria. Agora podia ver com detalhes a anatomia feminina desnuda, e mal podia acreditar no que via.
- Sakura... – chamou-a com tom de alerta, enquanto a garota o puxava para cima dela novamente e ele não teve forças para impedir mais um beijo necessitado. – O que você está fazendo comigo?
- Tudo que tenho vontade. – respondeu faceira, pressionando o short e a cueca que ele vestia para baixo, sem nenhuma cerimônia.
Seus olhos verdes brilharam e sua boca encheu-se de água ao contemplar sua esplendorosa ereção, puxando o corpo masculino para deitar-se na cama logo em seguida. Kakashi fechara os olhos com força e deixara escapar um gemido rouco ao sentir o íntimo contato de seu sexo com a boca de Sakura, quente e aveludada. Céus, aquilo era surreal de tão delicioso, ele mal acreditava naquela situação, a visão de Sakura chupando seu pau só poderia ser um sonho, e ele mataria com requintes de crueldade quem ousasse acordá-lo. Ela alternava as chupadas vigorosas com beijos e lambidas em toda extensão de seu membro, e Kakashi sabia que se permitisse que ela continuasse não resistiria muito mais.
Com maestria, puxou-a para si beijando-lhe a boca com vontade, e em seguida deitou-a de costas para ele, pressionando seu sexo rígido contra o glúteo feminino, e apoiando seu queixo no pescoço dela. Acariciou seus mamilos até que ficassem completamente intumescidos, e apertou-lhe os seios com desejo enquanto beijava o pescoço esguio e ouvia-a gemendo de tesão. Com uma calma perturbadora, desceu a mão pelo abdome feminino, sentindo-o repuxar em arrepios até finalmente alcançar seu sexo molhado. Com pressa, ela logo arrancara seu short e calcinha, e rapidamente abrira as pernas permitindo o livre acesso dos dedos masculinos a sua intimidade já encharcada, gemendo alto quando ele começara a friccionar a região em movimentos circulares.
- É assim que você gosta, não é, Sakura-chan? – questionou com a voz baixa e a boca colada na orelha feminina, introduzindo um dedo em sua vagina, e em seguida voltando a pressionar a região de seu clitóris, recebendo um gemido lânguido como resposta. Era o momento dele se vingar. – Sim, eu vi você se tremendo todinha enquanto se tocava... – continuou ele, enfiando agora dois dedos com força, alternando com massagem vigorosa sobre o ponto feminino de maior prazer.
Sakura não conseguia mais parar de gemer, enquanto rebolava o quadril contra a ereção em sua bunda, deliciando-se com as penetrações potentes dos dedos de Kakashi em seu sexo molhado.
- Sensei... – ela chamou necessitada e o membro de Kakashi reagiu pulsando àquilo. – Me fode... agora... – implorou, agarrando-se aos cabelos masculinos atrás de si.
- Admita que você fez de propósito. – Ele ordenou, aumentando a velocidade de suas incursões ao interior feminino, sentindo como ela apertava seus dedos com seu interior. – Admita que você é uma cachorra.
- Eu fiz... eu queria você, eu quero você, Kakashi. – ela disse entre gemidos, com a respiração ofegante e impulsionando cada vez com mais vontade sua bunda desnuda contra o membro masculino.
Ao ouvir o que desejava e ter certeza de que não havia perdido o juízo, não completamente, posicionara sua ereção na abertura feminina e a invadira sem mais delongas, arrancando um gemido alto de Sakura e deliciando-se ao senti-la por dentro tão quente e molhada. Estocara-a com vontade sem deixar de friccionar seu clitóris em nenhum momento, e Sakura percebeu que preferiria morrer a ter que parar de transar com Kakashi.
- Que bucetinha gostosa, Sakura-chan... – ele dissera, e em seguida puxou-a para cima de si, de maneira que o tronco dela se apoiasse sobre o dele, e ele pudesse usufruir da frente do corpo feminino com as duas mãos enquanto penetrava-a incessantemente.
Era como se ele tivesse por todos os lugares, tocando-a por inteiro enquanto preenchia seu interior com seu pau enorme e tão duro. Se alguma vez transar havia sido tão enlouquecedor ela não se lembrava e o prazer de ter Kakashi possuindo-a daquela maneira era tão intenso que não demorara para sentir seu corpo fundir como metal em brasa enquanto gozava, consumindo grande parte de suas forças e fazendo-a diminuir a velocidade com que quicava sobre o membro do copy-nin, sentindo o calor e o cansaço vencendo-a.
Percebendo isso repleto de satisfação, Kakashi soltara um riso rouco e pretencioso, e em seguida rolara seus corpos de maneira que Sakura ficasse de quatro na cama e ele pudesse investir contra ela sem nenhuma restrição.
- Da próxima vez que você for brincar sozinha, em quem você vai pensar, Sakura-chan? – ele perguntou, e Sakura não tinha duvidas sobre o que responder. Ele roçou a cabeça de seu membro ainda muito duro contra a nádega redonda e pressionou-o contra vulva inchada, apenas provocando-a, sem penetrá-la, aguardando a resposta dela, que juntava forças e procurava o ar para respondê-lo.
- Kakashi-sensei, em você... – ela respondera ofegando, e ele então a penetrara sem aviso como prêmio para sua resposta correta. Sakura gemera tão alto que provavelmente todos os vizinhos deveriam ter ouvido, mas eles não se importavam com mais nada que não fosse eles dois naquele momento.
A Haruno empinava o quadril o quanto podia, sentindo-o tocando seu interior em locais completamente diferentes de antes e o prazer era tão intenso que ela se perguntava se aguentaria. Kakashi a segurava pelo quadril com força, puxando-a para si para ir mais fundo a cada estocada dentro dela. Quando sentiu o interior de Sakura apertando-o com força novamente e os gemidos femininos voltavam a ficar mais intensos e necessitados, indicando que ela estava tendo mais um orgasmo, Kakashi soube que não aguentaria muito mais, seu ápice também estava perto e ele sabia exatamente como queria terminar aquilo.
Desinvadiu-a, segurando o próprio membro com as mãos e massageando-o com vigor.
- Eu quero ver de novo, Sakura. Quero ver você se masturbando... Agora. – ele mandou, e mesmo surpresa ela jamais deixaria de obedecer. Jogou o corpo cansado contra a cama, deitando-se e rapidamente dirigindo seus dedos de encontro a seu sexo molhado, masturbando-se enquanto assistia o mais velho fazer o mesmo em frente a si, observando-a muito atentamente, tomado pelo tesão e com o corpo esculpido todo suado.
Kakashi logo permitiu que seu ápice chegasse enquanto a assistia, derramando seu gozo sobre o corpo feminino que possuíra com tanta vontade, marcando definitivamente o território que conquistara. Ou melhor, que se rendera completamente a sua conquista e seduzira seu conquistador. Por que apesar de conquistador, Kakashi sabia que era o coelho de sua loba.
Deitou-se exausto, porém tão satisfeito como jamais tinha se sentido, puxando a garota para aninhar-se em seu peito e acalmarem suas respirações e corações juntos.
- O que faremos agora? – ele perguntou algum tempo depois, sentindo o peso de suas decisões lhe esbofetear. Não havia uma resposta certa para aquela pergunta, mas ele tinha ciência de que faria qualquer coisa que Sakura achasse melhor.
Ela apoiou-se sobre o tórax masculino, tocando seu rosto desnudo com delicadeza, como se analisasse rigorosamente cada detalhe que compunha sua face.
- Não faço ideia, nunca achei que você fosse se interessar por mim... – ela falou baixinho, e ele sorriu por ela ser tão boba a ponto de não perceber o caos que tinha originado em sua mente nos últimos dias.
- Não acredito que você não percebeu como mexeu comigo... – ele repreendeu-a, acariciando seu rosto.
- Kakashi, eu desfilei pelada por dias na sua frente... – ela retrucou inconformada. – Achei que você fosse gay!
- Calada, sua tampinha. – respondeu-a, sentindo-se um tolo. – Como eu ia saber que você estava tentando meu seduzir? Achei que tivesse tendo alucinações devido a surra que levei... – continuou, e ela riu-se da vergonha dele.
- Nós não somos iguais, sensei... – Sakura disse voltando a ficar séria, e ele sentira o coração apertar. – Nós somos complementares.
E ele soube que aquela era a resposta dela para o que fariam a seguir, ela não precisava explicar mais, para ele estava tão claro como o dia.
Sakura precisava ser vista, precisava que alguém a enxergasse e aplacasse sua solidão. E Kakashi era aquele que enxergava além do que todos viam, não tinha ninguém que duvidasse da sua habilidade de enxergar e entender uma batalha ou situação. Quem tinha olhos melhor do que o Rokudaime, afinal? Qualquer observador precisava de algo para avaliar, caso contrário não teria utilidade.
E era assim que seria, então. Sakura precisava ser vista, e Kakashi a enxergaria como ninguém mais seria capaz.
Bom, não ficou lá essas coisas, mas como estou muito tempo sem escrever, achei que valia a pena voltar e trazer para vocês verem se ainda tenho algum talento rs.
Perdoem os erros ortográficos, espero que tenham se divertido como eu me diverti escrevendo. Ah, recomendo a música homônima à fic de uma bandinha ai chamada Maroon 5 hahaha me inspirou bastante...
Reviews? Fetiches? Críticas? Aceito qualquer coisa!
Beijos no coração!
Dame ;))
