Capítulo 1
— Tio Edward? O vovô acabou de ligar. Ele vai estar aqui na frente em um minuto para levá-lo à estação.
— Estou quase pronto. E você? Já arrumou a mala?
Alain balançou a cabeça.
— Está no hall de entrada. Queria ir com você — resmungou.
Edward também não gostava nada daquela situação. Quando seu sobrinho loirinho de 12 anos ficava triste, seus olhos azuis se tornavam expressivos e ele ficava parecido com seu falecido irmão mais velho, Jasper, e algo doloroso se contorcia dentro de Edward.
— Eu só vou ficar fora por duas semanas. Você vai passar férias ótimas com seus avós no lago Como — disse, tentando soar animado.
Alain não parecia corresponder. Seu sobrinho tinha se tornado tão melancólico na última semana que ele ficou preocupado.
— Quando eu voltar, ainda teremos metade do verão para acampar e pescar. Aproveite essas férias. Haverá muitos garotos da sua idade com quem você poderá brincar. Combinei com os pais do Luc para que eles o deixem passar uma parte das férias com você.
— Eu sei.
Nada do que Edward dizia fazia diferença. Os dois tinham sido inseparáveis no último ano. Edward esperara que a depressão do sobrinho fosse coisa do passado. Mas, quando soube que o tio ficaria fora por duas semanas, o clima mudou. Edward temia que a separação fizesse com que todo o progresso que Alain tivera regredisse.
Edward aceitara a guarda do sobrinho que perdera os pais em um acidente de carro um ano atrás. O amor que sentia por Alain fizera com que assumisse o papel de pai sem perceber.
Depois do funeral, Alain veio morar com Edward em sua casa em Caux, uma pequena vila no alto de uma montanha sobre o lago Genebra. Seus avós moravam perto deles, na cidade de Montreux, Suíça, onde o quartel-general de sua empresa, a Cullen Hotel Corporation, estava localizada.
Seria a primeira vez desde o funeral que eles ficariam separados por mais de uma noite. Alain não era o único a sentir o impacto dessa separação.
—Eu também vou sentir sua falta, meu rapaz.
A expressão de seu sobrinho fechou-se.
—Você tem mesmo que ir?
Edward detestava vê-lo frágil assim novamente.
— É isso, ou a cadeia.
— Eles não prenderiam você, não é mesmo?
— Creio que sim. Nem mesmo um Cullen pode escapar. Quando você faz 20 anos, é um dever de todo homem suíço. Lembre-se, não temos um exército, nós somos um exército.
— Você não odeia isso?
— Não, estou louco para encontrar alguns velhos amigos de escola.
— Eu acho que é uma bobagem. Nunca entramos em guerra. O que você faz enquanto está lá?
— Explodimos coisas, só de brincadeira.
Tinha esperado que seu comentário provocasse um sorriso, mas Alain estava muito triste para ver graça em alguma coisa. O menino olhou-o com uma expressão triste.
— Quer que eu busque a sua mala?
— Na verdade, estou levando minha mochila.
— Vou pegá-la.
— Obrigado. Ela está no armário grande do hall.
— Tudo bem. — Alain saiu do quarto. Ao voltar, segurava duas mochilas.
Edward olhou surpreso para a velha mochila verde-escura.
— Eu não via isso há anos.
Alain testou seu peso.
— É pesada.
Enquanto Edward começava a colocar roupas em sua mochila militar, observava Alain pelo canto dos olhos. O sobrinho começou a abrir os bolsos da outra mochila.
— Olha! Seus patins de hóquei e um disco! Está assinado pelo Wayne Gretzky! Não sabia que você o conhecia.
— Nem eu — Edward murmurou, surpreso.
— Tem um monte de lixo aqui. — Era o primeiro sinal de excitação que ouvira na voz de Alain naquela semana.
— Você sabe o que dizem por aí. O lixo de alguns pode ser a riqueza de outros.
— Posso ficar com ele?
O pedido não surpreendeu Edward. Seu sobrinho era fascinado por hóquei, apesar de os pais nunca o terem deixado jogar.
— Se quiser, é seu.
— Obrigado. Sabia que você tinha um monte de emblemas de todos os estados?
— Não me surpreende. Eu carregava de tudo nessa mochila nos tempos do hóquei. Por algum motivo, pensei que ela já tinha sido jogada fora há muito tempo.
Alain despejou o resto do conteúdo da mochila no meio da cama.
— Tem um bocado de dinheiro americano e canadense aqui. Como pode?
— Segundo seus avós, antes do acidente jogando hóquei em Interlaken, participei de uma partida de exibição com meu time em Montreal, no Canadá. De pois da partida, os outros jogadores voltaram para casa de avião. Por algum motivo, eu queria passar pela experiência de viajar de navio, então embarquei no Queen Elizabeth II. Como ele partia de Nova York, eu devo ter passado alguns dias nele. O navio aportou em Southampton. De lá eu fui para Londres e peguei o vôo de volta para a Suíça, onde me encontrei com a equipe para treinar em Interlaken. Pelo menos, foi o que me disseram.
Seu sobrinho olhou para a pilha de objetos.
— Aqui tem um envelope com uma foto do Queen Elizabeth II. Você não se lembra de nada daquela viagem?
— Não. O choque fez com que eu perdesse essas memórias. Todas elas.
— Não consigo entender como você se esqueceu de uma viagem dessas.
— Nem eu, mas aconteceu. O médico me disse que o cérebro é como um quadro-negro gigantesco. O golpe do bastão de hóquei na minha cabeça apagou um pouco do que estava escrito. As duas semanas que antecederam o acidente e o mês depois dele se perderam para sempre.
— É tão estranho. Ei, você viu que uma garota deixou um bilhete em inglês para você no envelope?
Edward parou de dobrar as camisas.
— O que diz aí?
Alain leu, com seu melhor inglês.
— Meu amor, não me esquecerei da noite de ontem enquanto eu viver.
O menino levantou a cabeça.
— Uau, tio Edward!
Edward sorriu, mas, bem no fundo, não gostava de como aquilo soava.
— Devo perguntar se foi isso tudo o que ela escreveu?
— Ligue para mim assim que puder.
Alain continuou a leitura.
— Vou lhe encontrar onde você quiser, querido Edward
Seu sobrinho fitou-o, surpreso.
— Eu não sabia que alguém além da nossa família chamava você assim.
Edward teve que admitir que também estava surpreso. Fora batizado Edward Anthony Cullen. A não ser pelos familiares e um ou dois amigos mais íntimos, sempre lhe chamavam de Anthony. Ninguém mais o conhecia por Edward.
Edward foi uma contribuição romântica de sua mãe para o seu nome. Era constrangedor para ele na adolescência, então sempre o mantivera em segredo. Mesmo assim, revelara-o à estranha que escrevera o bilhete.
Sua curiosidade cresceu e disse:
— Estou quase com medo de perguntar se tem mais.
— E tem! — declarou Alain. — Você não precisava me fazer prometer usar seu anel amarrado em volta do meu pescoço. Você não sabe que nunca haverá ninguém para mim além de você?
Anel? Nunca usara anéis... A não ser por um — um anel que lhe fora presenteado pelo time de hóquei. Então foi assim que ele desaparecera?
— Nosso amor é eterno. Assim como você, vou contar os meses até nos casarmos. Com todo meu amor, Isabella.
Edward emudeceu.
Envolvera-se com diversas mulheres no passado com quem cogitara se casar. Mas, em cada um dos casos, algo indescritível sempre o impedia de se comprometer por completo.
Era quase ridículo imaginar que, aos 19 anos de idade, com apenas um ano de faculdade e uma carreira profissional no hóquei sobre o gelo pela frente, ele teria pedido uma moça em casamento. Não parecia com ele ser tão impulsivo e irresponsável. Não mesmo.
Entretanto, a ternura da estranha, e a menção ao anel e ao casamento — tudo o que ela dissera fazia com que acreditasse que aquela tinha sido uma relação bastante íntima, mesmo que breve.
O menino apertou os olhos.
— Você não se lembra dela nem um pouquinho?
Um calafrio percorria-o toda vez que era lembrado do período de sua vida que permaneceria para sempre um vazio total.
— Creio que não.
— Ela colocou o endereço no final. Internato Grand-Chene, Genebra. Edward sentiu o olhar do sobrinho, especulativo. — Ela deve ter se sentido horrível por você nunca ter ligado para ela.
Aquele tipo de observação, vinda de um menino de 12 anos, revelava o quão perspicaz Alain se tornara desde a morte dos pais. Mas, neste caso, Edward tinha que informá-lo de alguns fatos.
— Tenho certeza de que ela me esqueceu logo que desembarcou daquele navio. Nessa idade, você pensa que está apaixonada por qualquer pessoa por quem se sinta atraído.
Exceto pela menção do anel transformar em mentira o que estava dizendo a Alain. Não teria se desfeito dele a menos que...
— Quer dizer que você só estava fingindo querer casar com ela?
Edward soltou um grunhido de frustração.
— Alain, não tenho idéia do que realmente aconteceu, ou do que dissemos um para o outro. Às vezes, as pessoas fantasiam situações porque gostariam que elas fossem verdade. Isso foi há anos. O fato é que, aos 19 anos, eu vivia para o hóquei, não para garotas.
— Mamãe e papai apaixonaram-se quando tinham 19 anos — Alain insistia.
— Eles eram uma exceção porque a atração que sentiam tornou-se um amor duradouro. Há uma grande diferença entre isso e hormônios. Você sabe o que são?
— Sim. Hormônios são um problema, como quando você tem um filho sem ter idade o bastante para ser um bom pai ou mãe.
— Exatamente. Seus pais ensinaram-lhe bem. Nunca se esqueça disso.
— Posso fazer outra pergunta?
— Claro.
— Você ama a Tania?
— Sua avó pediu que você me perguntasse isso?
— Sim.
A honestidade de Alain era a qualidade que Edward admirava mais no sobrinho.
— Imaginei.
— Ela disse que Tania é sua recepcionista há muito tempo, e que um dia você vai descobrir que ela é quem você sempre amou.
— Talvez sua avó esteja certa, mas ainda não aconteceu.
— Fico feliz — disse Alain, parecendo aliviado. Edward sabia que o sobrinho tinha dificuldade de dividi-lo com qualquer outra pessoa.
— Pro seu governo, sempre fiz questão de não namorar empregados, Alain. Se algum dia você decidir entrar para o ramo de hotelaria comigo e com seu avô, você vai entender porque é necessário separar nosso trabalho do prazer. Quando a mulher certa aparecer, saberei e farei algo a respeito disso.
— Talvez essa Isabella fosse a mulher certa, e é por isso que você nunca conseguiu amar ninguém mais, apesar de não se lembrar dela.
— Isso é algo que nunca saberei. Agora, ela já deve estar casada e ter um monte de filhos — murmurou Edward, querendo mudar de assunto.
O comentário de Alain não deveria tê-lo incomodado, mas o fato era que, apesar de já terem se passado 12 anos, aquelas seis semanas ainda assombravam-no.
Ouviu a buzina, trazendo-o de volta ao presente com um solavanco. A cabeça da governanta surgiu na porta do quarto.
— Quer que peça ao seu pai que entre e espere?
— Não, Simone, obrigado. Já estou descendo.
— Está bem.
Um último par de meias grossas enfiadas no bolso de cima da mochila e ele estava pronto.
— Parece que seu avô está ficando impaciente. Vamos.
— Vamos.
Alain pôs tudo de volta na mochila que ganhara. Os dois saíram do quarto e desceram as escadas até o hall de entrada. O menino pegou a pasta e atravessou a porta da frente, para colocá-la no porta-malas. Edward veio em seguida.
— Finalmente! — disse o pai de Edward quando ele chegou com sua mochila.
— Desculpe fazê-lo esperar, papai, mas Alain e eu tínhamos uns assuntos de homem para homem para discutir.
Os olhos azuis de seu pai brilharam ao olhar o neto.
— Nesse caso, está tudo bem.
Edward fechou a tampa do porta-malas e entraram todos no carro.
O velho Cullen amaciou o motor antes de encarar a estrada íngreme e sinuosa que levava até Montreux. À distância, as águas cintilantes do lago Leman refletiam um azul pálido. Era uma paisagem que Edward adorava e da qual nunca se cansava.
Logo chegaram à estação. Edward levantou-se do banco traseiro e retirou a mochila do porta-malas. Inclinou-se para dentro da janela do carona para beijar o sobrinho.
— Ligarei todas as noites para saber como você está.
Com os olhos cheios d'água, Alain agarrou-lhe em volta do pescoço. O garoto estava sofrendo. Edward podia sentir.
Em um minuto, seu irmão e sua cunhada estavam vivos. No outro, haviam partido. Ainda tinha dificuldades para acreditar, então imaginava a dor de Alain por saber que nunca mais veria os pais.
Mas Edward podia ver que naquele momento o maior problema do sobrinho era o medo de que seu tio também não retornasse.
— Quando eu voltar, vamos acampar. O que você acha?
Alain simplesmente balançou a cabeça.
Enquanto se abraçavam, o pai de Edward enviou-lhe uma mensagem silenciosa dizendo que faria o possível para animar o menino. Criá-lo tornara-se um assunto de família, apesar de todos saberem que o menino se apegara a Edward.
Caminhou até o outro lado do carro e beijou o pai na bochecha.
— Ligue-me se as coisas piorarem — sussurrou.
Virou-se e caminhou calmamente até a entrada da estação de trem. Além de seu coração estar partido por ter que deixar o sobrinho, velhos demônios foram ressuscitados pelo bilhete que Alain encontrara na mochila.
Com o passar dos anos, Edward aprendera a controlar bem a sensação de pânico por não conseguir se lembrar daquele período da sua vida.
Por alguma razão desconhecida, essa nova evidência de um passado com uma garota — aparentemente, coisas íntimas que aconteceram e das quais ele não tinha conhecimento — deixava-o desconfortável. Podia sentir uma daquelas malditas dores de cabeça chegando.
— Alain?
— Sim, vovó?
Vou até o jardim terminar de limpar as ervas-daninhas. Queria acabar antes de irmos para o lago Como de manhã. Você quer me ajudar?
— Vou descer em alguns minutos — respondia-lhe do topo da escada.
— Está bem.
Assim que o som dos passos de sua avó desapareceu, correu até o quarto de solteiro de seu pai. Sempre ficava lá quando ia passar a noite com os avós.
Havia um telefone no criado-mudo. Correu até ele e pegou o fone, ia ligar para o celular de Ben, o assistente de seu tio.
— Boa tarde, Alain. O que posso fazer por você?
— Preciso da sua ajuda, mas você não pode falar com o tio Edward sobre isso.
— Será nosso segredo, desde que não seja ilegal, imoral ou perigoso.
— Ben...
— Estou brincando com você. Diga.
— Tudo bem. Estou tentando fazer com que meu tio se lembre do que ele esqueceu por causa do acidente. Ele fica preocupado com isso de vez em quando.
— Eu sei — murmurou Ben. — Não posso culpá-lo. Deve ter sido assustador acordar em um hospital estranho, sem se lembrar de nada do que aconteceu, e ser obrigado a aceitar isso. Admiro-o muito por sua coragem.
— Eu também. Foi por isso que liguei. Encontrei o endereço de uma pessoa que esteve com ele pouco antes de ser acertado por aquele bastão de hóquei.
— Está brincando?
— Não, não estou brincando.
O menino contou a Ben sobre o que encontrara na mochila.
— Gostaria de falar com ela, mas preciso que você me consiga algumas informações primeiro.
— Um romance a bordo de um navio, hein? Parece-me intrigante. Farei o que puder.
— Ótimo. O nome dela é Isabella Swan. — Alain soletrou o nome para ele. — Acho que ela é canadense ou americana. De qual quer forma, ela deve ter sido estudante. O endereço diz Internato Grand-Chene, Genebra. Você acha que dá para ligar para a escola e descobrir de onde ela é?
— Creio que eles não vão me dar tal informação sem um bom motivo.
— Você pode dizer a verdade, que você está tentan do ajudar o tio Edward a recuperar a memória.
— Isso deve funcionar. Sabe de uma coisa, Alain? Você tem o senso prático do seu tio. Espere um pouco enquanto vejo o que posso descobrir.
— Tudo bem.
Alain sentou na beirada da cama e esperou. Pare ceu uma eternidade até que Ben retornasse ao telefone.
— A secretária disse que a aluna em questão era de Concord, New Hampshire, nos Estados Unidos. Liguei para a telefonista e consegui o número de telefone da família dela. É diferente do que consta no registro original da escola. Você tem uma caneta?
— Tenho.
— Vou lhe dar códigos de DDI e DDD também.
— Obrigado, Ben!
— De nada. Conte-me o que descobrir.
— Certo.
Desligou, planejando ligar para o número à noite. Até então, já seria final de tarde na Costa Leste. Com sorte, os pais de Isabella Swan estariam em casa.
Logo que chegou à porta para descer e ajudar a avó, o telefone tocou novamente. Correu pelo quarto para alcançá-lo, pensando que poderia ser Ben ligando porque esquecera de dizer algo.
— Alô?
— Alain?
— Tio Edward. — Um sentimento de culpa invadiu-lhe o corpo. Pensei que não poderia me ligar até de noite.
— Decidi fazer uma surpresa e avisar que cheguei bem.
— Fico feliz.
— Você está bem?
— Sim.
— O que você tem feito?
As bochechas de Alain enrubesceram.
— A caminho de casa depois da estação, o vovô me levou a uma exposição de barcos. E você? Quando é que você vai começar a chutar o balde?
Seu tio riu. Apesar de Edward e seu pai serem completamente diferentes, eles soavam muito parecidos ao telefone.
— Esta semana vamos começar pelo treinamento de alpinismo. A melhor parte só virá na segunda metade do treinamento.
— Gostaria que você não tivesse que ir a lugar algum.
— Bem, estou aqui agora, e não vai acabar tão cedo. Quando vocês irão para o lago Como?
— Vovô disse que iremos amanhã cedo.
— Você procurou saber quando os pais do Luc o levará?
— Ele me ligou agora a pouco e disse que chegará depois de amanhã.
— Então, você não vai ter que esperar muito. Será divertido ter seu melhor amigo por perto.
— Acho que sim. Espero que você não tenha dores de cabeça enquanto estiver por aí.
— Não tenho nenhuma há vários meses. — Seu tio estava mentindo.
— Que bom.
— Quer saber? Você se preocupa demais, e eu amo você por isso.
Os olhos de Alain brilharam.
— Também amo você. Por favor, não se machuque escalando.
— Eu ia dizer a mesma coisa para você. Quando você e o Luc forem remar, prometa-me que vão usar coletes salva-vidas. Às vezes, o vento muda de repente. Tive um amigo que morreu naquele lago durante uma tempestade porque não estava usando o colete.
— Prometo.
— Como estão seus avós?
— Bem. Estou indo lá fora ajudá-los com o jardim.
— Estou certo de que eles adorarão o seu esforço e a sua companhia. Ligarei à noite depois da caminhada noturna deles e falarei com todos vocês.
— Tudo bem. Até logo.
Obrigada pela carona, sra. Pearsoll. Natalie Swan retirou a bolsa do porta-malas.
— De nada! Ligue para mim mais tarde, Nat — disse Kendra Pearsoll da janela.
— Vou ligar.
Natalie correu até a varanda da casa em estilo Georgiano e pôs-se em frente à porta com a chave.
— Vovó? — chamou. — Cheguei.
Correu para dentro da cozinha. Sua avó deixara um bilhete na geladeira preso por um dos ímãs que Natalie lhe dera de aniversário.
Largou a bolsa e encheu um copo de leite. Enquanto tomava o leite, leu o bilhete da avó.
— Natalie, estou na vizinha, vendo o novo netinho da sra. Bleylock. Vejo que seu treino de hóquei demorou mais que de costume. Venha ver como ele é fofo. Com amor, Vovó.
Pegou uma maçã e foi em direção à porta da frente. Se não se apressasse, sua mãe chegaria antes que ela pudesse dar uma espiada no novo bebê.
Estava no meio da sala de jantar quando ouviu o telefone tocar. Provavelmente era sua mãe, que devia estar saindo do trabalho e queria que soubesse que estava indo buscá-la. Refez o caminho de volta à cozinha e pegou o fone.
— Alô? — disse, soltando um pouco de ar.
— Alô. É da residência dos Swan?
Quem quer que fosse o garoto do outro lado da linha, parecia ser estrangeiro.
— Sim. Quem é?
— Meu nome é Alain. Procuro Isabella Swan.
— É a minha mãe.
— Oh. Ela está?
— Não. Tem certeza de que é o número certo?
— A sua mãe já estudou em Genebra, na Suíça?
Natalie piscou.
— Já.
— Ela já viajou no Queen Elizabeth II?
A menção ao navio causou um frio no estômago de Natalie.
— Sim.
— Então é ela.
Sua mão passou pelo longo rabo-de-cavalo castanho-escuro.
— Como você sabe tudo isso da minha mãe?
— Por acaso eu descobri que ela estava no mesmo navio que o meu tio.
Natalie prendeu a respiração.
— Qual era o nome dele?
— Edward Cullen.
Natalie tentou segurar o soluço que saiu de sua boca, mas já era tarde. Seus olhos de repente encheram-se de lágrimas. Sentiu que iria sufocar com a dor... e a euforia.
Secando as lágrimas das bochechas, disse,
— Se seu tio quer falar com ela, por que ele mesmo não liga para ela?
— Sou eu que quero falar com ela. Ele não sabe que estou ligando.
A respiração de Natalie travou.
— Por que você quer falar com ela?
— Preciso dizer-lhe por que ela nunca mais soube dele depois que eles chegaram na Suíça.
O coração de Natalie batia tão forte que ela se sentiu mal.
— Isso foi há muito tempo. Acho que minha mãe nem vai se lembrar dele.
— Se ela casou com seu pai, então acho que meu tio estava certo.
— O que você quer dizer com isso?
— Ele disse que ela o esqueceria no instante em que desembarcasse do navio. Vou desligar.
— Não, espere! — gritou. Com a boca seca, disse:
— O que você iria dizer para minha mãe? Eu quero saber.
— No clube de hóquei, meu tio foi atingido na cabeça com um bastão de hóquei e entrou em coma.
— Em coma...
— Você sabe. Quando você dorme e nunca acorda?
— Sei o que quer dizer.
Um medo percorreu todo o corpo dela.
— E ele está bem agora?
— Está. Mas, quando ele despertou um mês depois do acidente, não conseguia se lembrar de nada.
— Você quer dizer que ele teve amnésia?
— Sim. Seis semanas da vida dele foram apagadas de sua mente. Ele nunca se lembrou de ter jogado no Canadá, ou mesmo de sua viagem de volta à Suíça. Essas memórias se perderam para sempre.
— Você está brincando...
— É verdade. Você pode ligar para o Hospital Belle-Vue, em Lausanne. É para onde pacientes com lesões sérias na cabeça são levados. Meu tio ficou um mês lá! Desde então, ele ficou confuso porque não se lembra de nada da viagem de navio. Às vezes, ele fica tão angustiado que tem fortes dores de cabeça. Estava pensando que, se sua mãe pudesse ligar para ele para contar o que aconteceu durante a viagem de navio, isto o faria se sentir muito melhor.
— Como você soube que ela estava no navio com ele?
— Estava vasculhando uma mochila velha no armário dele e encontrei um bilhete que ela escreveu para ele no convés do navio. Ela colocou seu endereço na Suíça no rodapé. A secretária da escola disse que ela era de New Hampshire. Foi assim que consegui o número de telefone.
— Oh, meu Deus... Ouça, Alain, me dê o seu núme ro. Direi à minha mãe que você quer falar com ela.
— Tudo bem. Tenho dois números. Posso falar?
— Pode. — Ela se aproximou do balcão da cozinha para pegar o bloco e o lápis da avó.
Passou-lhe as informações. Enquanto Natalie anotava os números, podia ouvir a mãe buzinar na frente da casa.
— Estarei no segundo número por duas semanas a partir de amanhã. Depois, voltarei para este aqui.
— Certo.
— Diga para ela me ligar exatamente neste mesmo horário.
— Direi. Agora, tenho que ir. Tchau, Alain.
— Tchau.
Ela desligou o telefone e foi chamar a avó na casa dos Bleylocks para avisar que estava indo para casa com a mãe. E correu para o carro onde sua mãe a aguardava.
— Oi, querida!
— Oi, mãe. — Natalie inclinou-se sobre o banco da frente para beijar-lhe a bochecha.
— Antes de eu sair do escritório, o Jacob ligou — disse, manobrando o carro. — Ele vai nos levar para jantar esta noite no Brazilian Grill, então teremos que nos apressar para ficarmos prontas a tempo. Sexta-feira à noite é dia de filas longas. Se chegarmos lá cedo, haverá tempo para um filme depois.
— Não quero ir.
Sua mãe dirigiu-lhe um olhar ansioso.
— Você parece assustada. O que houve, querida? Não está se sentindo bem?
— Meu estômago está meio mal. — Era verdade.
— Bem, não vou deixar você sozinha pegando uma gripe. Tem um novo vírus se espalhando por aí. — Esticou a mão para tocar a testa da menina.
— Você está quente. Está começando. Vou ligar para o Jacob e cancelar.
— Não faça isso ainda, mãe. Não estou doente do jeito que você pensa, mas eu preciso falar com você em particular antes de irmos a qualquer lugar.
Em alguns minutos, chegaram em casa. Correu para dentro. Sua mãe seguiu-a com a bolsa que havia esquecido.
A preocupação nos olhos da mãe tornaram-nos mais escuros, realçando os cabelos castanhos que a deixavam mais bonita do que todas as mães de suas amigas.
Quando Natalie conheceu Jacob, ouviu-o dizer à sua mãe como ela era deslumbrante. Até o pai de Kendra dissera a Natalie:
— Sua mãe é de parar o trânsito.
Edward Cullen deve ter pensado o mesmo também. Ele a pedira em casamento 12 anos atrás. Mas, por causa do acidente...
Capítulo 1 postado!
Gente, muito obrigada pelas reviews! Fico feliz que estejam gostando *-*
Eu vo postar de novo até sexta-feira.
Bjs, até lá!
