Nota: Olá, gente. Espero que o sábado de vocês esteja bem legal e só para melhorar vamos a mais um capítulo de DC. ;DD


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Dicionário de Cama

Por Fleur D'Hiver

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Conversas, Cupcakes e Momentos Desastrosos

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Parou em frente ao espelho deslizando a ponta dos dedos pela curva de sua cintura, até as coxas delgadas, fez o travejo até a parte interna delas, apertando-as de leve, para em seguida subir outra vez a mãos. Fazendo o contorno dos seios médios até parar nos mamilos, circundando-os com a ponta dos dedos. Sakura jogou os cabelos para o lado e fez diversas poses, observando cada mínimo detalhe de seu corpo em diferentes ângulos.

Nada.

Não havia mudança alguma, seu parecia igual ao que sempre viu. Seu corpo parecia perfeitamente normal. Nada cresceu, nada diminuiu. Fisicamente falando, ela ainda era a mesma Sakura Haruno de todos os dias. E não tinha como ser mais frustrante. Ao longo de dois anos, no mínimo, tinha ouvido suas amigas, lido em revistas e visto em filmes sobre as transformações que o corpo de uma mulher sofre ao ter a sua primeira vez.

Estava convicta que quando colocasse os pés para fora da cama depois daquela tarde com Sasuke tudo seria diferente, que surgiria uma nova versão de si mesma. Melhorada, aperfeiçoada. Uma Sakura 2.0. Uma mulher agora e não mais uma menina. No entanto nada disso era real e ela ainda era a mesma que colocou a cabeça no travesseiro noite passada.

Sem animo algum começou a vestir o uniforme da escola. Abotoo a blusa e ficou olhando para o próprio decote que continuava ínfimo perante ao de alguma das meninas com quem convivia. Droga, malditas mudanças que não vieram. Penteou os cabelos e respirou fundo. Não ia deixar que essas coisas a abatessem. Porque nada nesse mundo ia fazer com que ela recuasse. Seus planos já tinham começado agora era só manter a trilha para o desfecho desejado, com ou sem corpo 2.0.

O caminho em direção a escola não foi como de costume. Volta e meia Sakura se pegava observando as pessoas que passavam por ela. Esperando uma reação delas, esperando que elas a enxergassem em algum momento e talvez vissem uma luz fosforescente emanando de seu corpo. Dois quarteirões e só quem a fitou foi o tio da banca, desnecessário, totalmente desnecessário.

A caminhada a desanimou, mas ao fitar os portões da escola encheu-se outra vez de esperança. Seus pulmões encheram-se de ar e um sorriso presunçoso brincou em seus lábios. Ali estavam milhares de jovens preocupados com suas próprias inutilidades, seus mundos pequenos, deveres e fofocas. Enquanto ela tinha uma revelação bombástica, tinha feito algo muito maior do que fofocar sobre o namorado de uma outra pessoa ou sobre as roupas da aluna nova. Ela tinha dado o primeiro passo para vida e nenhum deles sabia.

Ao cruzar as portas da sala de aula, seus olhos esverdeados decaíram em cima de Sasuke. Sorriu de forma conspiratória, mas ele não correspondeu. Nem ao menos se incomodou com ela, a ignorou por completo.

Uchihas, existem apenas para serem belos estraga-prazeres. Nenhuma outra finalidade no universo conhecido.

Sakura não se importou com a indiferença, manteve o andar altivo sem se abalar, cruzou a sala sentando-se na cadeira ao lado de Sasuke, que parecia interessado em se fundir com o seu assento e resoluto em fingir não enxerga-la. Sasuke e suas esquisitices. Quem entende?

— E ai? Como está se sentindo hoje? — se virou para fita-lo. Enquanto aguardava ansiosamente por uma resposta mexia no chaveiro de sua mochila.

Ver Sakura caminhar até ele com aquele sorriso e aquele olhar o fez ter a certeza de que se dependesse dela teria um dia de cão. Ela não o deixaria esquecer o que tinham feito, ela nunca mais o deixaria em paz. Cruzou as mãos em frente ao rosto fitando intensamente o quadro negro a frente deles.

— Igual a como me sinto todos os dias. Obrigado por perguntar — ela suspirou irritado, mas ele não se mexeu.

— Sasuke, eu falo sério. — Sakura se remexeu em seu assento, observando se tinha alguém por perto prestando atenção na conversa deles. Como não tinha inclinou o corpo sobre o tampão da carteira, Sasuke não a fitava, mas podia sentir a respiração dela contra sua bochecha e o cheio de baunilha que ela exalava. — Como está se sentindo hoje? Depois de... você sabe — o tom era cheio de flexões que apenas um retardado não entenderia o que ela queria dizer, mas ele continuou fingindo-se de desentendido. Tudo pelo bem de sua sanidade mental.

— É só mais um dia como outro qualquer. Depois de um outro dia qualquer — a sua segunda oração soou falsa, ele sabia disso e ela também.

— Nem vem com essa. — o tom de Sakura ainda era sussurrante, mas tinha uma leve exasperação, uma afobação que o Uchiha quase achou graça. — Não vai me dizer que depois de ontem você não se sente diferente?

— Não. Não me sinto — o silêncio após sua resposta foi pesado, com uma tensão palpável, o olhar dela queimava na pele dele. Sasuke se virou a tempo de vê-la fazer uma careta de desagrado. — O que espera que eu responda?

Sakura o fitou por um tempo, sem saber o que realmente esperava que ele dissesse. Queria que dissesse alguma coisa, nem que fosse que estava tão frustrado quanto ela pelas coisas parecerem legal e por transar não parecer algo tão incrível e luminoso quanto pintavam. Ela não sentia nada especial, mas não podia negar que talvez tivesse algo de diferente no ar. Algo não palpável.

Eles tinham que ter mudado, não tinham?

Ela chegou a abrir a boca algumas vezes, mas nada disse e Sasuke cansou de esperar por uma resposta e voltou a olhar para frente.

— O que vocês tanto cochicham? — A atenção dos dois se voltou para o terceiro integrante do grupo. Sakura se voltou para a carteira ao seu lado esquerdo e Sasuke apenas inclinou a cabeça em direção ao amigo dando de ombros.

— Naruto! — Os dois rapazes se surpreenderam com a agitação repentina de Sakura — Como foram os estudos? — Sasuke percebeu a conotação provocativa e focou toda a sua atenção no Uzumaki aguardando uma resposta também, mas sem demonstrar sua curiosidade de maneira tão óbvia quanto a amiga.

Os ombros de Naruto caíram desanimados enquanto ele se jogava na carteira ao lado, largando a bolsa no encosto da mesa. Dando um suspiro cansado que deixou os outros dois surpresos com tal comportamento depressivo por parte da criatura mais agitada e animada que eles conheciam.

— Não entendi muita coisa, ou melhor não entendi quase nada. — ele passou as mãos pelos cabelos de forma exasperada. — Estou tão ferrado. Foi uma total perda de tempo. Prefiro quando você me explica, mas não conte a Hina, — Sasuke deu um sorriso mínimo, então era isso. Naruto não tinha jeito. — eu não quero magoa-la — o resto da conversa não o interessou mais, era apenas Sakura tentando indiretamente fazer com que o Uzumaki enxergasse as reais intenções da Hyuuga, mas isso dificilmente aconteceria. Naruto nunca foi de entender diretas, indiretas então estavam longe de seu radar.

Enquanto ouvia a amiga falar sobre as inclinações de Hinata, Sasuke não pode deixar de pensar em si mesmo e na tarde passada com Sakura. Havia mentido para ela, ele tinha sim sentido algo diferente, tinha sido inundado por uma sensação única e vibrante, os sons, os movimentos, principalmente ela ali. Ainda podia lembrar a cadencia do toque, a maciez da pele de Sakura, de ser tocado, beijado, abraçado. Mas então esse momento luminoso e fugaz se dissipou no instante em que a Haruno começou com seu maravilho e otimista discurso sobre eles estarem praticando para acertar com outros.

Afinal ninguém quer que a primeira vez com a pessoa que goste seja zoada e fodida. Mas a dele foi, segundo as próprias palavras dela. Além disso surgiu a perspectiva de ter que lidar com Sakura e outros. Como procederia? Tem como as coisas piorarem para o lado dele? Ele sempre soube que ela ficava esporadicamente com alguém. Mas agora era mais além... e sua cabeça parecia que ia explodir perante a perspectiva.

— Sakura, Sakura, Sakura! — a atenção dos três foi desviada para o furacão loiro que invadiu a sala deles — Você não sabe o que a Tenten está falando na aula de Sociologia? — Pronunciou-se Ino, toda animada, sentando na carteira em frente a de Sakura. Ambos os meninos reviram os olhos acomodando-se em suas carteiras e fazendo o possível para ignorar o momento de futilidade que veria a seguir.

Ino Yamanaka era a melhor amiga de Sakura que Naruto não via utilidade alguma em existir, afinal ela já tinha a ele e Sasuke. Para que mais? Para Sasuke era indiferente, contanto que Ino não cismasse em ficar grudada neles, ou melhor nele, odiava ter que passar as tardes e manhãs ao lado dela.

A Yamanaka era o protótipo de garota que ele não gostava muito de ter por perto. Líderes de torcida que babavam por todo mundo que usasse uma camisa de algum time desportivo da escola. Ele não tinha nenhum problema com os gostos dela, mas elas gostavam mais da camisa que dele.

— O que? — Perguntou Sakura cheia de curiosidade.

— Que passou a tarde com o Neji... — os suspiros quase mataram os rapazes. Sasuke fingia não ouvir, mas sua expressão de desagrado era óbvia, Naruto não fazia questão de esconder a careta e a carranca. — Fazendo aquilo. É oficial, eles estão saindo.

— Não! — Sakura jogou o corpo para trás escorando as costas no encosto de maneira melodramática. — O Neji? Mas ele é gato demais para ter uma namorada. Deveriam tomba-lo como patrimônio da humanidade, ninguém pode ter para si. Ponto! — Ino apenas concordou com a cabeça, soltando um longo suspiro. Naruto olhava de uma para outra, abismado demais com aquela cena que estava presenciando. — Além do que, convenhamos, Tenten? Ela é muito chata e agora vai ficar se achando por causa disso.

— O que esse cara tem demais? É o cabelo? Eu acho meio ensebado. — a expressão de Sakura se fechou ao fitar Naruto e Ino apenas o olhou com desprezo. Já Sasuke dava risadinhas em seu canto.

— Quem te chamou na conversa mesmo? — Naruto mostrou o dedo do medo, mas foi completamente ignorado por Ino que passava as mãos pelos longos cabelos loiros. Por um breve momento a atenção dela caiu em Sasuke, sorriu de forma provocativa e piscou para o garoto que apenas tapou o rosto com a mão, abaixando a cabeça. — Como eu ia dizendo antes de ser interrompida... ela já está um saco completo. Queria que você lá na minha classe, porque eu estou prestes a arrancar aqueles coques ridículos dela com as minhas unhas afiadíssimas. — ambas deram uma risadinha até Naruto grunhir mais uma vez.

— Agora você faz parte dessa aula? Esqueceram de me contar isso, Ino.

— Cruzes! Passo longe de Álgebra avançada. — E levantou da carteira ajeitando o seu uniforme. — E para ser sincera não sei o que você faz aqui. — Naruto gritou vários impropérios para a ela, mas Ino já estava longe demais para se importar com o que ele dizia

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— O que está acontecendo entre você e a Sakura? — Perguntou Naruto abruptamente no meio da corrida que eles faziam. Sasuke virou a cabeça para ele com uma das sobrancelhas arqueadas, sem entender o porquê daquele assunto ter surgido entre eles. O Uzumaki deu ombros perante a expressão do amigo e continuou a falar. — Sei lá, vocês estavam esquisitos demais essa manhã. Você parecia afim de fugir e ela mandando sinais desconexos. 'Tá rolando alguma coisa? Ou melhor se rolasse você me contaria, né? — Era incrível Naruto ter percebido isso e não se tocar que Hinata é afim dele desde a quinta série. O mundo era realmente um lugar esquisito.

— Não a nada, Naruto — passou a barra da camisa na testa secando o suor, como queria tirar aquele estupido uniforme, ou melhor como queria não estar torrando debaixo daquele sol com o Uzumaki ocupando o lugar de Sakura no quesito perturbação. — Sakura só está... sei lá, mais estranha que o normal.

— Cinco minutos rapazes, vamos para as abdominais logo depois — bradou o treinador. Alguns dos garotos do time, jogaram-se na grama fofa, mas Naruto e Sasuke foram para perto do galão de Gatorade.

— Sabe... — Naruto parou observando seu copo com a bebida alaranjada, enquanto Sasuke enchia o seu. — Não entendo porque vocês ainda estão separados. Poderiam namorar. — O Uchiha engasgou com a sua própria bebida.

— O que? — Limpou o rosto na manga da blusa fitando-o bastante surpreso pela ideia.

— É, por que você ainda não pediu a Sakura em namoro? Isso não faz sentido. — Sasuke fitava o amigo sem ter o que dizer, olhou em volta para ver se mais ninguém estava ligado naquela conversa mais que absurda.

— De novo: o que?

— A, por favor, quem não sabe que você é afim dela? — Sasuke olhou em volta estendendo ambos os braços para mostrar o espaço em volta deles. — 'tá, 'tá... Você é bom em esconder as coisas, mas não engana a mim, nem a sua mãe. Sempre que ela fala que quer a casa cheia de netos dá uma olhada significativa para a Sakura e suspira, depois olha para você. — O Uchiha observava Naruto se perguntando porque era amigo daquela criatura. Por que ainda perdia seu tempo com ele? — Quando até sua mãe já se tocou que você está arriado então significa que alguma atitude tem que ser tomada.

— Por favor, sua mãe acha que você é inteligente. Mães e suas visões bobas, é só isso o que você vê.

— Eu sou muito inteligente, fique você sabendo. Só tenho preguiça as vezes — esbravejou o Uzumaki erguendo o dedo indicador e cutucando o peito do amigo com força. — Eu sei que você gosta dela, então para de babaquice e assume!

— Desculpa mãe substituta. — revidou Sasuke com uma nota falsa de lamento na voz. — Você quer netos também?

— Claro, eu ia amar pestinhas de cabelo rosa. — respondeu na mesma hora, caindo na gargalhada logo em seguida ao ver as bochechas rubras que Sasuke tentava esconder.

— Você só fala merda. Não sou afim da Sakura, Naruto. E de qualquer maneira eu tenho certeza que ela é afim de outra pessoa — terminou de tomar sua bebida, jogando o copo no lixo ao lado do banco. Naruto não estava mais gargalhando apenas fitava as ações e expressões do amigo, tentando decifrar aquela postura apática.

— Por que acha isso? — Deu de ombros, esticando um dos braços. Arrancar algo de Sasuke as vezes era um exercício penoso. — Sabe quem é?

— Não e nem estou afim de descobrir. Não quero ter esse tipo de conversa com ela — Esticou o braço, flexionando as pernas. —, imagina se ela resolve se sentar comigo para falar de sua paixonite.

— É, você vai morrer de ciúmes caso ela faça isso. — Sasuke o fulminou com seu olhar mais fulminante.

— Vai se foder, vai. — Esbravejou, se afastando de Naruto e tomando lugar na fila que o treinador começava a montar para as flexões

— Hey, mocinho não fale assim com sua mãe.

Depois de flexões, arremessos, mais corrida, revezamento e chutes, Gai finalmente resolveu dar o treino por encerrado. Esgotados os garotos foram direto tomar uma boa chuveirada. Naruto ainda tentou voltar ao tópico Sakura, mas Sasuke repeliu todas as investidas no assunto e por fim ele desistiu. Quando Sasuke não queria colaborar não tinha como arrancar nada dele.

Ao saírem do vestiário depararam-se com Sakura escorada na parede há alguns metros da entrada do local. Naruto fitou o amigo, Sasuke parecia normal, mas dava para ver a tensão começar a surgir enquanto ele fingia a todo custo não se importar com Sakura a espera deles. Caminharam sem pressa alguma em direção a ela que não moveu um musculo se quer até os rapazes estarem a apenas dez passos dela.

— E aí? Como foi a aula de frufru? — Perguntou Naruto, fazendo-a revirar os olhos. Puxou de dentro da sua bolsa duas sacolinhas transparentes com alguns cupcakes.

— Preparei lanchinho na aula de frufru. — Jogou uma para cada.

— Já disse o quanto eu gosto de você fazendo essa parada de Economia Doméstica? Apesar de não entender porque você faz — já estava com o primeiro cupcake na boca enquanto Sasuke ainda abria o seu pacote sem pressa alguma.

— Já disse que é interessante para caso eu vá morar sozinha na faculdade, a professora ensina umas coisas bem praticas. Voltei a fazer aqueles biscoitos de menta. Quer que eu traga para você também da minha fabulosa aula de frufru? — Ao ouvi-la falar sobre os odiosos biscoitos, Naruto quase engasgou, tendo uma pequena ânsia de vomito.

— Não, obrigada. Mamãe disse que tenho alergia a menta — Sakura voltou a sorrir, não era para menos que Naruto agisse daquela forma. Sua primeira experiência culinária tinha sido um desastre e seu amigo/cobaia tinha sofrido muito ao comer aqueles biscoitos carbonizados.

— E aí? Como foi o treino?

— Você não quer mesmo saber como é um monte de garotos soados correndo em volta do campo.

— Depende, eles tiram a blusa em algum momento? — Naruto parou de caminhar encarando sua amiga com assombro. — Se tiram, eu vou querer saber com direito a detalhes sórdidos.

— Sakura! Estou chocado com você. — Disse Naruto tomando a frente e lambendo a cobertura de seu bolinho.

— Espero que não se importe com o fato deles terem amaçado e tudo mais. — Sorriu fitando o Uchiha que pela primeira vez desde que tinha aparecido parou para olha-la. Deu de ombros olhando para o estado deles.

— Obrigado. Estão gostosos de qualquer forma, parabéns — disse erguendo o saco em sua mão. — Se bem que piores não tinha como ficar.

— Nossa, obrigada pelo incentivo, Sasuke. Muito delicado da sua parte.

— Estamos aí para isso.

O caminho para casa transcorreu de forma tranquila. Como acontecia todos os dias entre aqueles três. Provocações corriqueiras, piadas bobas, as vezes algumas infames e claro comentários sobre a roupa da professora de geografia. Professora essa que Naruto dizia ser doida para pegar todo mundo dentro daquela classe.

— Pare de defende-la. Não é um novo estilo de vida que ela está adotando. Ela quer alguém da nossa sala, só as terças que ela aparece sem sutiã. Muita coincidência.

— E por que precisa ser um aluno e alguém da nossa sala? E se for alguém que ela encontra toda terça? E se for um ritual, dia de folga do sutiã? Você não sabe — enquanto revirava os olhos Naruto enfiou mais um quitute na boca, estava com parte do rosto sujo de cobertura.

— Cansei de falar sobre isso com você. Obrigado pelos cupcakes, ficaram muito bons.

— Fico feliz que tenha gostado. — Sakura limpou o canto da boca dele antes de entregar um pequeno cupcake em uma caixinha transparente. — Hinata, me ajudou a fazê-los, mas esse é especialmente para você. Tem até uma raposinha em cima, ou o que deveria ser uma. — Fitou o desenho alaranjado que a amiga tinha feito, ficara fofo, mas dificilmente dava para distinguir o formato do corpo.

— Obrigado. — Pegou a caixinha, começando a atravessar para o outro lado da rua. — Amanhã eu falo com ela. Até mais pessoal. — Sakura estendeu a mão acenando para o amigo, Sasuke nem seu deu ao trabalho, continuou seu caminho e a ela logo se juntou a ele.

Não houve muito dialogo depois que Naruto tomou o seu próprio rumo, na verdade não houve dialogo algum. Sakura caminhava despreocupada fitando as casas que todos os dias eles observavam. Gostava de imaginar o que as pessoas estariam fazendo naquele exato momento no aconchego de seus lares.

Sasuke mantinha sua vista sempre voltada para frente, fazendo o possível para ignorar a presença da amiga, mas foi só ele começar a virar na esquina de sua rua para que Sakura o forçasse a notar sua presença.

— O que é? — Perguntou ríspido ao vê-la se enfiar bem na sua frente.

— Sua mãe está em casa, não está? — Sasuke a analisou com atenção antes de responder aquela pergunta, sabia muito bem que Sakura não dava ponto sem nó e que ela queria algo com aquele questionamento, já até presumia o que.

— Acredito que sim. — Sua resposta foi direta sem demonstrar interesse nas maquinações dela, era a melhor forma de escapar. Sasuke deu um passo para a direita e mais outro, no entanto não houve escapatória.

— A minha não, minha casa está vazia, Sasuke. — ele entendeu a situação, já esperava por algo do gênero, porém continuou a fingir que nada daquilo lhe era relevante.

— Que bom para você. Ou não, tem algum problema em ficar sozinha? — Tentou retomar seu caminho, mas Sakura o segurou pelo braço.

— Sasuke! Por que você está se comportando como um imbecil?

— Só estou tentando ir para a minha casa.

Grr... Sasuke! — suspirou irritada, cruzando os braços em frente ao corpo, mantendo o seu olhar bastante raivoso para cima dele. — Pare de fingir que não sabe do que estou falando.

— Pare de falar sobre isso então.

— Não! Nós temos um combinado. Caramba, todas as vezes vai ter que ser assim? Eu vou ter que convence-lo? Isso é desgastante demais, por acaso você não curtiu, não curti garotas? É isso? Beleza então, eu paro. — A pergunta dela o pegou de surpresa, a fitou enraivecido pela pergunta idiota que ela tinha feito, mas Sakura estava ocupada demais esbravejando com ele para se importar com a raiva dele — Não me olhe assim, é a única opção plausível.

— Porque não chama outra pessoa? É uma opção também — Sua frase foi ignorada com tamanha veemência que ele quase cogitou ela não ter lhe ouvido.

— Tem uma menina oferecendo a você a oportunidade de sexo casual sem nada em troca e você está recusando. Eu não sei o que pensar, se me oferecessem, eu topava... — Fechou os olhos e respirou fundo. Agora até mesmo a sua opção sexual era colocado em pauta. Onde ele tinha se metido?

— Por acaso eu pareci homossexual ontem? Estava claro que eu realmente não queria te tocar?

— Não, mas...

— Então, pronto! Eu não sou gay, eu só... — ele parou de falar, encarando os grandes olhos verdes de Sakura.

Não houve escapatória não tinha muito o que fazer. Em menos de dez minutos eles estava cruzando a soleira da casa de Sakura. Sasuke já estava familiarizado com todos os cantos daquela residência, mas após ouvir o click da porta se fechando sentiu-se como se estivesse entrando naquele lugar pela primeira vez.

Lembrava-se claramente a primeira vez que colocou os pés naquela casa. Ele mal tinha feito seis anos quando Itachi o carregou até lá para visitar o irmão mais velho de Sakura, Sasori. Não se importou muito com o fato de estar sendo carregado para a casa de estranhos. Adorava ficar com o seu irmão, mas ao chegar na residência sua irá infantil veio à tona. Itachi não tinha contado que teria que passar a tarde inteira fazendo o que mais detestava no mundo: brincar com uma garota.

Foi o seu primeiro contato com Sakura, depois daquela tarde os encontros se repetiram e algumas vezes ele quem foi o visitado. No ano seguinte ela acabou ficando na mesma turma que ele e desde então eles não se desgrudaram mais. A primeira garota a mostrar a ele que as meninas poderiam ser legais também e na verdade não fazia nem sentido elas não serem. Gostavam de brincar de praticamente tudo que ele brincava também. A vida era uma caixinha de surpresas levando em consideração seu atual estado.

No entanto curiosamente ele estava lá, sentindo-se como na primeira vez, para fazer a mesma coisa, brincar com uma garota, mas dessa vez não havia o asco obtuso e infantil, apenas um desconforto pela maneira como tudo vinha acontecendo, mas estava muito longe de desgostar de fato de tal situação.

Diferente de sua casa que tinha uma estrutura mais clássica, a de Sakura era aberta, arejada. Despojada como o seu irmão costumava chamar, alguns móveis eram em tons de branco a marfim com outros moveis e objetos fazendo contraste com cores chamativas e vibrantes. Haviam quadros de pinturas abstrata, aparelhos de aço inoxidável, as janelas eram grandes e a maioria com vista para a maravilhosa piscina e jardim aos fundos da casa.

— Quer alguma coisa para beber ou comer? — negou com um aceno. Subiram as escadas com pressa.

Ao entrar no quarto Sakura deixou a porta aberta, ele entrou de forma cautelosa, a primeira coisa a se observar quando entrava no quarto dela era a varanda bem em frente a porta que dava para ver a praia algumas ruas mais à frente. A varanda do quarto de Sakura era enorme e dava a impressão de que o quarto era bem maior do que na realidade era.

O quarto era claro, o chão era de um piso tão branco e polido que quase reluzia. Tinha mais de um tapete, todos em cantos estratégico, um em forma de estrela em frente a porta do closet, um bem fofo ao lado direito da cama e um colorido abaixo da mesinha que ficava em frente a varanda. Os moveis eram brancos e a parede onde a cama ficava escorada era na cor verde grama que cegava seus olhos, não fazia ideia de como sua amiga poderia gostar daquela cor vibrante e como dormia, mas enfim.

Aproximou-se da cama, era o toque clássico do quarto de Sakura, ela não tinha dossel, mas a estrutura era de ferro branco retorcido em vários caminhos como um tribal. Sentou-se na beirada, largando a bolsa sobre o colchão que foi pega na mesma hora pela Haruno e posta sobre o baú embutido em banco aos pés da cama.

Sakura sentou-se ao lado de Sasuke e os dois passaram um tempo observando as diversas fotografias que tinha em um grande mural feito pela garota na parede em frente a eles. O Uchiha conseguiu ver algumas fotos suas, com ela e Naruto, outras só com ela. Ele tinha aquelas fotos também? Não lembrava. Tinha outras é claro, mas tinha uma ali de um evento da escola que ele não conseguia recordar de possuir.

— Hum... eu queria, bem, eu queria vê-lo. — a voz dela o despertou fazendo-o se virar para ela que não o fitava e sim sua calça, com as bochechas coradas. Suspirou, também corado e começou a desabotoar a calça, mas foi parado por Sakura, ergueu uma das sobrancelhas buscando uma resposta para ter sido interrompido — Deixa que eu faço.

Sasuke engoliu em saco e fitou as mãos delicadas de Sakura terminarem de descer o zíper de sua calça e com uma calma e gentileza que ele não teria ela puxou a peça para baixo, sem retira-la, ficou presa no meio das coxas dele. Desviou o olhar, mas pode ouvir a respiração alterada dela, parecia estar se preparando para uma maratona e não para arriar uma cueca. Sentiu a leve brisa em sua parte intima assim que a peça foi arriada e tudo no quarto se tornou silencioso, nem mesmo a respiração dela ouvia mais.

Sakura molhou os lábios, queria não se sentir infantil da forma como estava se sentindo. Já tinha visto alguns em filmes e bem, já tinha visto aquele em especial, mas era diferente tê-lo ali a sua disposição e mole era relativamente diferente. Tocou a ponta dos dedos na pele macia percorrendo-o por toda a sua extensão, Sasuke remexeu-se e ela parou, tentando ver o que tinha causado, mas ele ainda evitava voltar-se para ela.

— Se eu quisesse masturba-lo você deixaria? — Sasuke fechou os olhos e comprimiu os lábios, voltando sua cabeça para o teto deu de ombros. Ele já estava sentindo a coisa, se alterar...

Sakura se ajeitou sobre a cama, virando-se de lado e parando de frente a lateral do corpo de Sasuke, mordeu o lábio inferior, respirando fundo. Tocou a base do membro dele com uma das mãos, tomando-o entre os seus dedos. Deslizou a palma de sua mão por toda a sua extensão, acariciando-o, sentindo-o, descobrindo-o.

Sakura arfou ao vê-lo gradativamente mudar de forma, as mãos de Sasuke afundaram na cama, ele chegou o tronco para trás, apoiando o peso do corpo em seus braços, enquanto as mãos de Sakura mantinham os movimentos lentos e tortuosos que ele tentava não ver, não associar. Porque a imagem teria um poder destruidor, talvez ele gozasse na hora.

Ela passou a ponta dos dedos pela glande que começava a surgir e Sasuke grunhiu, arquejando. Cruzou as pernas, algo dentro dela também parecia se aquecer todas as vezes que o tocava, todas as vezes que ele reagia, todas as vezes que o ouvia suprimir um gemido que era causado por ela.

— Sasuke, você já foi chupado? — Parou de toca-lo e o garoto voltou a fita-la, não a respondeu com palavras apenas balançou a cabeça em negação. — Hum... você sabe que eu gosto de morder e se sei lá... eu mordesse? — ele não sabia que ela gostava de morder, mas de qualquer forma... Sasuke parou para olhar o seu amiguinho...

— Acho que não tem problema, se morder apenas a pele em volta. Não sei... ele, não seria bom você morder, quer dizer... por que?

— Nada — ela deu de ombros, mordiscando o lábio inferior — Então, eu posso... bem, você sabe... — Sasuke apenas balançou a cabeça sem esconder o embaraço. — Certo.

Sakura se ajoelhou entre as pernas dele, apoiou as palmas das mãos nos joelhos de Sasuke e aproximou o rosto, mas antes que chegasse perto o suficiente para fazer qualquer coisa começou a rir, afugentou a vontade balançando a cabeça. Afastou-se e tentou uma nova aproximação, mas logo a vontade de rir retornou

— Qual a graça? — Perguntou o Uchiha ainda mais embaraçado, ele queria se cobrir. Aquilo não estava acontecendo.

— Nenhuma, eu acho que só estou nervosa... e ele ficou grande... tipo, se a gente pensar bem parece uma minhoca inchada. — Instintivamente Sakura levou uma das mãos a boca, voltando a dar risadas.

— Sério, Sakura? Uma minhoca? — Respondeu com uma leve nota de irritação, já estava prestes a se levantar e acabar com aquela palhaçada, mas seu braço foi segurado pela garota.

— Desculpa, eu não falei por mal, eu não falo mais isso, juro. — ambos ficaram quietos, ele não ameaçou se levantar e ela soltou-lhe o braço, preparando-se para o que ia fazer.

Ao tê-lo a centímetros de seus lábios, sentiu-se receosa. Sem acreditar no que estava prestes a fazer. Ino disse que era tão fácil quanto chupar um picolé, só que era feito de carne e não queimava a língua e o céu da boca. Fechou os olhos reunindo o máximo de coragem possível, passou os lábios pela glande, sentindo sua textura suave. Sasuke remexeu-se e a garota entendeu tal gesto como um incentivo, aos poucos foi abrindo a boca e engolindo-o até onde sentiu-se à vontade.

Não tinha como descrever a sensação de desconforto quase sufocante, retirou-o de uma vez, respirou e voltou a repetir os mesmos movimentos. Apertou-o entre seus lábios e voltou a subir à cabeça, não parecia ser difícil, tentou repetir mais uma vez e então sentiu o Uchiha estremecer e urrar.

— Ai! Droga, Sakura. — O corpo da garota foi empurrado para trás, não tinha força, ele só queria afasta-la dele por alguma razão. — Não arraste os dentes, isso dói.

— Mas... mas. — Sentiu as bochechas queimarem. — Você disse que eu podia morder.

— Morder a pele em volta e não arrancar um pedaço para guardar de suvenir. — Corou e abaixou a cabeça, concordando de forma silenciosa.

Voltou a afastar as mãos dele e a se posicionar entre as pernas do rapaz. Repetiu os gestos de outrora, mas certificando-se de não raspar os dentes em parte alguma. Ouviu o arqueja dessa vez de prazer, mas não podia perder a concentração, ou perdia o compasso, o movimento, a respiração. Não era a coisa mais confortável e legal a se fazer. Engasgou algumas vezes e chegou a pensar que vomitaria, mas sempre que isso acontecia parava abruptamente, normalizando a respiração até retornar a sua atividade mais uma vez.

Sasuke parecia completamente alheio a tudo que ocorria, alheio as engasgadas, alheio as tosses e tudo mais. Estava tão bom para ele, poderia dizer que nunca tinha sentido algo tão maravilhoso quanto aquilo. Talvez só estar dentro de Sakura era tão bom quanto e à medida que sua excitação se expandia, mais essa ideia se fixava em sua mente. A pressão em seu membro foi tanta que em um determinado momento ele estremeceu e não pode suportar mais:

— Sakura!

Não deu tempo de afasta-la. Ela sufocou e tossiu um pouco, se levantando para limpar a boca e uma parte do queixo.

— Desculpa, eu não queria... eu meio que viajei. — Sakura se limpava e virou para ele abanando a cabeça.

— Não esquenta, quer dizer isso é normal, não é?

Sasuke levantou da cama e a puxou pela mão, ela se virou já estava com a boca e rosto limpos, mas não era isso que ele queria ver, a beijou com suavidade puxando-a para junto de si e ela se deixou guiar pela caricia suave. Ao esbarrar com as pernas na borda da cama, Sasuke a soltou, levando Sakura não apenas a se sentar, mas a deitar. Os beijos retornaram e Sakura não notou o percurso que a mão dele fazia, um embrulho na boca do estomago surgiu ao ser surpreendida pelo toque manso dos dedos de Sasuke, deslizando os dedos pela extensão de seus lábios vaginais. O susto foi tanto que fechou as pernas por puro reflexo. Ele puxou a mão, erguendo parte do tronco.

— O que está fazendo ai embaixo?

— Acho que está na minha vez de ver você... — com gentileza o garoto voltou a abrir as pernas dela, dessa vez ele quem se ajoelhou perante ela. Sakura abriu a boca para protestar, estava tão constrangida, não tinha onde enfiar a cara. Sasuke puxou a calcinha dela e os dedos dele deslizando pela sua área mais intima a entorpecia de uma tal forma que ela não conseguia nem ao menos formar uma frase coerente.

Estava tão nervosa que não conseguia assimilar o toque dele as diversas sensações que a invadiam. Levou as mãos ao rosto tapando-o. Todo o seu corpo parecia queimar, um dos dedos deles deslizou para dentro de si, ela arqueou, estremecendo.

Levantou o rosto minimamente, vendo o rosto de Sasuke enfiado no meio de suas pernas. Não. Não. Não. Não! Abriu a boca para manda-lo parar, mas apenas gemidos escaparam pelos seus lábios. Tapou-a sentindo suas bochechas queimarem, mordeu o lábio com força assim que outro espasmo a invadiu, sentiu algo úmido deslizar pela sua vulva. Ao senti-lo prender seu clitóris entre os lábios quase gritou, não fazia ideia o que era que estava acontecendo com ela. Uma quentura, uma afobação, uma vibração que subia do seu baixo ventre e tomava conta de si. Arqueou o ventre, todo o ar de seus pulmões se esvaindo. O calor subia do pescoço ao rosto, desabotoo-o a blusa e mais uma vez ouviu aquele som tão indistinto escapar por entre seus lábios.

— Ah... Sas... ah...

— Cheguei. — Um grito no andar de baixo os despertou. Sasuke parou o que fazia, erguendo a cabeça alerta, Sakura pareceu levar um tempo para assimilar, mas ao ouvir a porta bater, pulou da cama.

— Droga! Sasori chegou!

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Nota: Sasori atrapalhando o momento sublime da irmã, ai gente. Coitada, coitados kkkkkkkkkkkk

Momentos de vergonha alheio passado pelos dois. Sakura usando os dentes onde não pode, coitado do Sasuke ;DDD

Espero que vocês tenham gostado. Muito obrigada pelo comentários e pelo carinho e não deixem de me contar o que acharam. Mais tarde eu estarei postando um mini calendário no meu perfil então não deixem de dar uma olhada também ;D

Até, pessoal;*

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