- Innocent Tragedy -

Disclaimer:

D.A.: Os personagens e elementos da CLAMP não me pertencem. Esta fanfic não possui fins lucrativos.

Censura: Possui cenas de shounen-ai (nem tanto neste capitulo), e linguagem adulta, portanto, imprópria para menores de 14 anos.

Betado por: Dri-chan;

Resumo:

Tudo leva a crer que ele é o culpado. Mas se isso fosse verdade, porque ele teria um olhar tão corajoso? (Kurogane x Fay) (Yaoi)

Segundo Capítulo: O Mais Novo Aliado…

- Presumo que ele esteja bem. – perguntou uma voz calma e gentil.

Kurogane abriu os olhos devagar. Estava deitado em uma cama macia. Sentado ao seu lado encontrava-se um jovem rapaz, de cabelos loiros e olhos incrivelmente azuis.

A primeira vista, Kurogane imaginou que aquele rapaz era um anjo, que o protegia do perigo. Sua pele era branca como o mármore, e os fios dourados se fundiam com a luz do sol de tal maneira que chegava a incomodar, de tão belos. Porém, ele despertou do transe quando outra voz disse:

- Sim… Olhe! Ele acabou de acordar. – disse a enfermeira, satisfeita. – Vou deixá-los a sós por alguns instantes. – e saiu do quarto.

- Quem é você? – perguntou Kurogane, sentindo o corpo fraco e uma forte sede.

- Meu nome é Fay D. Flowright, mas, por favor, chame-me apenas de Fay. Eu sou advogado e psiquiatra, trabalho aqui na cidade atualmente.

O sobrenome do loiro não era estranho ao moreno, mas Kurogane ainda não sabia o que estava acontecendo. Notando a confusão deste, Fay caminha até a mesa-de-cabeceira, e enche um copo com água, servindo-o a Kurogane.

- Eu estava visitando um dos meus clientes na cadeia ontem, quando soube que havia um prisioneiro na solitária. – tomou o copo vazio das mãos do moreno, e tornou a enchê-lo novamente. – Como em todas as vezes fui levantar a ficha do acusado, no caso, você. E descobri felizmente, o que tinham feito.

- Como assim felizmente?! – indagou o moreno, entregando-lhe novamente o copo vazio.

- Como advogado, é meu dever prestar serviços a um acusado. Mas seu caso é extremamente fácil de resolver. – explicou-lhe o loiro, com um sorriso na face alva.

- E como seria?

- Olhe nos meus olhos e responda-me: foi realmente você que cometeu aqueles homicídios?

Por um breve instante, Kurogane vacilou em responder a pergunta. Sua cabeça ainda doía, e seu corpo estava despertando aos poucos da dormência. Porém, quando os orbes azuis de Fay refletiram o brilho avermelhado dos seus ele disse:

- Não.

Fay sorriu.

- Porque então, deixou acusarem-no injustamente, e, além disso, prendê-lo?

- Eu não sei… - confessou ele, sinceramente. – Só segui o que a minha mente e meu coração estavam me dizendo naquela hora.

- Certo. – murmurou o loiro, caminhando até a janela, sendo acompanhado pelos olhos de Kurogane. – Geralmente, nosso coração e nossa mente, nos dizem para agirmos corretamente. Ou seja, contarmos a verdadeira situação.

Naquele instante, ao ver a expressão no rosto de Fay, a primeira impressão que Kurogane teve a respeito do loiro foi desfeita. Ele não era um anjo, recém saído de uma de suas esculturas. Era um demônio, que estava tentando extrair o mínimo para incriminá-lo novamente.

- Porque está me perguntando isso?! Ah, já sei! Você deve ser um policial, que a mando daquele delegado, está tentando me incriminar!

- Está ficando…

BLAM!

A porta foi aberta com um estrondo, surpreendendo os dois. Por ela, entraram Tomoyo, Lantis e a enfermeira, que parecia extremamente chocada.

- Mano?! – perguntou Tomoyo, postando-se ao lado do irmão e acariciando-lhe a face. – Está tudo bem com você?

- Sim, Tomoyo. Porque ela está aqui, Lantis? – perguntou ao moreno, ignorando a preocupação da garota ao seu lado.

- Ela me obrigou a vir, Kurogane. – responde Lantis, tentando argumentar. – Eu estava de folga e…

- Kurogane! – exclama a garota, furiosa. – O que te deu na cabeça pra fazer isso?!

- Não é da sua conta, Tomoyo! Você não deveria estar se preocupar com isso, não é um assunto pra ser discutido com uma criança como você!

A enfermeira se interpôs, colocando a bandeja com o almoço na cama, dizendo que Kurogane precisava se alimentar. Tomoyo, tomando o talher da mão da mulher, dizia que ela mesma daria comida a Kurogane, e que a mulher queria se aproveitar da incapacidade de seu irmão, devido à sua beleza.

Enquanto todos discutiam absortos, Fay ouviu o celular tocando. O atendeu rapidamente:

- Sim. – murmurou. – Tudo está saindo conforme o combinado. Tomarei o caso o mais rápido possível…

- Quem é aquele cara loiro? – perguntou Lantis, apontando Fay com a cabeça.

- Um tal de "Flowrido". – respondeu o moreno com azedume, após ter aceitado uma porção de purê de batatas. – Disse que é advogado e psiquiatra, mas eu estou ligado na dele.

- Estranho… - murmurou Lantis. – Eu nunca o vi por aqui antes.

- Tem certeza?! – indagou Kurogane, parando a mão da irmã a caminho de sua boca. – Eu estava crente que ele era um policial a mando daquele delegado de merda!

- Sim. Nesse distrito só há cinco policiais. Eu, Geo, Eagle e mais dois veteranos, que nos cobrem nas folgas. Se ele te oferecer ajuda é bom aceitar, Kurogane. Nem sei como foi liberado pra vir ao hospital…

- Meu irmão não fez nada de errado, Lantis! – reclama Tomoyo, empurrando mais comida na boca do irmão. – Por favor, vamos parar de falar sobre isso?

Um tanto quanto apressado, o loiro saiu do aposento, murmurando um breve "até logo" a todos. Tomoyo terminou de alimentar Kurogane, que exigia saber se ela continuava indo à escola, e também onde estava dormindo.

- A Sra. Yuuko me recebeu muito bem! – responde a menina, entregando a bandeja vazia à enfermeira, que bufou contrariada. – O que não acho certo é o Lantis no meu pé vinte e quatro horas por dia!

A face pálida do policial ganhou uma coloração avermelhada ao ouvir o comentário, e ele pigarreou, demonstrando desconforto. Kurogane riu, e pôs a mão no topo da cabeça da irmã, bagunçando seus cabelos carinhosamente.

- O horário de visitas terminou. – anunciou a enfermeira, que voltara à sala, carregando uma muda de roupas limpas e um cobertor. – Querem fazer o favor de se retirar?

- O que pensa que está dizendo, sua oferecida?! – exclama Tomoyo, contrariada. – Pensa que vou deixar você trocar meu irmão?! Eu sei como é! Uma simples troca de roupas pra vocês, torna-se um passatempo divertidíssimo! Ainda mais sendo um homem lindo, como meu irmão!

A mulher olhou espantada pra garota à sua frente, antes de dizer, constrangida:

- Seu irmão tem condições de se trocar sozinho! E saiba que nem trocar a roupa dele eu iria! Isto aqui – e mostrou as roupas. -, são para os idosos da geriatria.

Um clima de constrangimento formou-se no ambiente. Tomoyo beijou a face do irmão e saiu, puxando Lantis pela mão.

- Desculpe pela minha irmãzinha… - disse Kurogane, tentando consertar as coisas.

- Sem problemas. – respondeu a enfermeira, sorrindo. – Ela parece se preocupar muito com você.

- Acho que eu é que me preocupo demais com ela. – brincou o moreno.

Ela contornou o aposento, e depositou o cobertor em cima de uma cadeira.

- Quer mais alguma coisa?

- Não, muito obrigado.

- Certo. Tente descansar um pouco, você ainda precisa de repouso. E pelo menos aqui, você tem uma cama pra dormir.

E, com um último aceno, saiu do aposento, deixando Kurogane sozinho. Este, por sua vez, levantou-se da cama e caminhou até a janela, de onde avistou Tomoyo e Lantis na calçada, esperando um ônibus, ou um táxi passar.

De repente, sua atenção foi atraída para o sol, que começava a se esconder atrás dos prédios, ali no centro da cidade. E sem mais, nem menos, a imagem do loiro tomou conta de seus pensamentos. Ele saíra sem dar explicações, nem a Kurogane, nem a ninguém. Estranho.

"No fim, eu devia estar certo", pensou ele, tirando a camiseta, e voltando a deitar-se na cama, olhando despreocupadamente para o teto.

Mas ele não queria aceitar aquilo, afinal, sendo, ou não, Fay poderia ter sido o único a poder tirá-lo daquela situação. Com a mente um pouco confusa, o moreno fechou os olhos e deixou que os pensamentos se ordenassem por si mesmos, enquanto adormecia aos poucos.

OoOooOooOoO

Uma brisa fria roçou nos cabelos e no rosto do moreno, fazendo-o acordar, procurando calor no cobertor aos pés de sua cama. Percebeu que não se encontrava sozinho.

Parado, na janela, estava Fay, com os cabelos loiros balançando graciosamente ao receberem a brisa que vinha da rua.

- Poderia fechar a janela? – pediu Kurogane. – Pelo visto você voltou.

- Desculpe-me. – disse o loiro, fechando a janela e mergulhando o quarto em trevas.

Procurou o interruptor, mas antes que seus dedos longos e finos tocassem-no, foram envolvidos por uma mão firme e grande.

- Deixe assim. – era Kurogane. – Pode confiar em mim, sem olhar em meus olhos?

- Talvez. – respondeu Fay, com uma expressão curiosa no rosto.

Com os olhos acostumados com a escuridão, ele caminhou até a cama, onde sentou-se, sendo acompanhado por Kurogane. Que ao sentar ao seu lado, roçou o braço no seu, causando-lhe um arrepio involuntário.

- Não fui em quem matei aquelas garotas. Eu menti, temendo que outro inocente pudesse ser pego no meu lugar.

- Mas… assim você também impossibilitaria a policia de encontrar o verdadeiro culpado.

- Eu sei disso. Mas preferi correr o risco, ainda mais que, todas as provas estavam contra mim.

- Que eu saiba as únicas "provas" contra você, era que ninguém tinha te visto nos supostos horários do crime… e também que, todos os corpos encontrados, estavam a três quilômetros de sua casa. Isso não é prova pra se prender ninguém…

Nesse momento Kurogane procurou a mão de Fay no escuro, e levou-a até seu peito. O loiro estava surpreso com o gesto, tão surpreso que colocou a outra mão em cima da do moreno.

- Minha mãe dizia que nosso coração nunca mente, por mais que de nossas bocas saiam acusações falsas.

- Eu… concordo. – afirmou o loiro, sentindo o palpitar forte do coração de Kurogane, sob seus dedos macios.

- Então, escute-me. Eu confio em você. Preciso de você. Por favor, ajude-me…

Tum Tum…

Silêncio.

Tum Tum…

Fay retirou a mão do peito de Kurogane e procurou o interruptor. Quando o ligou encontrou um Kurogane ansioso, e com uma expressão totalmente diferente da última vez em que conversaram. Seu tronco nu era magnificamente belo. Os músculos, divinamente esculpidos, se movimentavam conforme sua respiração.

- Tudo bem. – disse o loiro sorrindo. – Não precisava tanto, mas… eu ajudarei você, de qualquer forma. Estou aqui com um documento, que te dá o direito de permanecer em liberdade provisória até o primeiro julgamento. Só não poderá sair dos limites da cidade. E até lá, teremos muito trabalho pela frente.

- Obrigado.

- Não me agradeça. Estou fazendo isso porque alguém… Bem, é meu trabalho.

Com um sorriso constrangido na face, o loiro estende a mão, que é logo apertada por Kurogane, que também sorri, em resposta.

- Vai estar tudo bem… agora que estamos juntos nessa…

Gustavo P. Melo

Nota do autor:

Mais um capítulo dessa fanfic! Eu pensei que demoraria mais para publicá-lo, já que eu não estava com muitas idéias sobre o que colocar neste segundo capítulo. Felizmente, eu pude escrevê-lo. E foi em recorde… uma noite!

Eu sei que algumas pessoas não devem estar curtindo muito o temperamento e as atitudes do Kurogane, mas entendam, nem sempre nós copiamos inteiramente do original! (P)

Como devem ter percebido, também, há um casal "diferente" nesta fanfic, que se for possível, tentarei explorar nos próximos capítulos. Estou falando, claro, de Tomoyo e Lantis. Não sei por que tive essa idéia, mas está feito. Não quero mudar isso!

Cada vez mais fica difícil escrever, já que os mistérios ao invés de ser solucionados, tendem a ficar ainda mais complicados, mas prometo que não farei vocês pensarem muito. Se notarem nos mínimos (e poucos), detalhes notarão o que está realmente se passando.

Deixa eu terminar por aqui, senão minha BETA-READER fica louca consertando tanta coisa… Espero receber Reviews. (um, dois, ou dez…)

Jaa o/