"Qual quarto você acha que Daphne e Sir Teddy vão preferir?"
Hermione estava no corredor, parada entre duas portas. Ela passou as mãos agitadas pelas saias de seu novo vestido de seda verde.
"Será que nós os colocamos no Quarto Azul, cujas janelas têm vista para o parque? Ou eu lhes dou o quarto maior, ainda que tenha vista para o lado mais escuro da propriedade?"
Luna remexia nos cabelos de Hermione, de onde tirou um último papelote.
"Srta. Granger, se quer a minha opinião, acho que não deveria se incomodar com isso. Seja qual for o quarto que você escolher, ela vai encontrar algum defeito."
Hermione suspirou.
Era verdade.
Se o quarto tivesse uma porta para fechar e uma vela para ler, Phoebe ficaria contente. Mas Daphne era como a mãe delas – impossível de satisfazer.
"Vamos colocá-las neste aqui", ela disse, entrando no primeiro quarto. "Este é mesmo o melhor."
O Quarto Azul possuía janelas muito altas com uma vista generosa dos lindos jardins do Castelo Twill. Cercas vivas muito verdes. Roseiras de infinitas variedades. Pérgulas viçosas com trepadeiras em flor. E, acima de tudo, a paisagem ondulante de Kent no alto verão. Os campos eram do mesmo verde esmeralda que seu vestido novo, e o ar recendia a flores e grama amassada – como se o sol fosse um ímã pendurado no céu que extraía vida da terra.
Puxando tudo que fosse verde e fresco. Se alguma coisa conseguiria impressionar sua irmã, tinha que ser esse quarto. Essa vista. Esse castelo maravilhoso. Que agora pertencia, graças a algum capricho de seu tio, a Hermione.
O Castelo Twill era a chance de ela conseguir tudo o que sempre desejou! Independência, liberdade, segurança. Um futuro que já seria dela se Harry tivesse cooperado. Ela devia saber que não adiantava pedir. Harry Potter não era capaz de cooperação, da mesma maneira que leões não cooperam com zebras.
Não era da natureza dele.
Cada parte explosiva do corpo dele era constituída de rebeldia e desafio... trabalhada com musculação pesada. Dois pontos brancos distantes chamaram sua atenção. Duas carruagens, levantando poeira no caminho de cascalho.
"Elas chegaram!" Hermione avisou. "Oh, céus. Elas chegaram."
Ela atravessou o corredor às pressas em direção à escada principal, parando para espiar cada quarto no caminho.
Bom. Bom. Perfeito. Não exatamente perfeito.
Parando de súbito enquanto descia a escadaria, Hermione endireitou um quadro pendurado na parede. Então continuou descendo o mais rápido que ousava e atravessou correndo o hall de entrada até chegar à porta, já aberta.
Duas carruagens paravam junto à entrada. Criados começaram a sair do segundo veículo e a descarregar malas e baús. Um criado se apressou a abrir a porta da carruagem da família. Daphne surgiu primeiro, usando um vestido de viagem lavanda e um bolero com bordado combinando – o que havia de mais fino da moda naquele verão.
Hermione se adiantou, de braços esticados.
"Daphne, querida. Como foi a viag..."
Daphne fulminou os criados com o olhar.
"Sério, Hermione. Não me trate como qualquer uma. Eu tenho um título, agora."
Depois de quase um ano de casamento, Daphne continuava sendo... Daphne... Devido a todo o esforço que investiu na educação de Clio, a mãe delas não se dedicou o suficiente para moldar a segunda filha em outra coisa que não uma pirralha maluca por moda e caçadora de libertinos. Foi uma espécie de alívio quando Daphne fugiu com Sir Teddy Cambourne no ano anterior, somente dois meses depois de seu debute. Ele era um cavalheiro fútil e vaidoso, mas pelo menos possuía renda e era um baronete.
Sua irmã poderia ter se saído muito pior.
"Lady Cambourne." Hermione fez uma mesura formal. "Bem-vinda ao Castelo Twill. Estou encantada que você e Sir Teddy tenham vindo."
"Olá, docinho." Seu cunhado a cutucou informalmente no braço.
"Mas é claro que nós viríamos", disse Daphne. "Não podíamos deixar você ficar sozinha aqui enquanto espera pela volta de Lorde Potter. E depois que ele retornar, nós teremos um casamento para planejar."
Felizmente, nesse momento a irmã mais nova delas saiu da carruagem, salvando Hermione de ter que inventar uma resposta.
"Phoebe, querida. É tão bom ver você." Hermione queria abraçar a garota, mas Phoebe não gostava de abraços. Ela usava um livro grosso como escudo. "Você ficou tão alta este verão", Hermione disse. "E tão linda."
Aos 16 anos, Phoebe era esbelta e morena, com feições delicadas e olhos muito azuis, e estava se tornando um tipo de beleza. Levando-se apenas a beleza em conta, ela faria um sucesso enorme em sua primeira temporada.
Mas havia algo... diferente... em Phoebe. Sempre houve. Parecia estar acontecendo tanta coisa dentro da sua cabecinha extraordinária, que ela tinha dificuldade para se relacionar com as pessoas à sua volta.
"Nós teríamos chegado horas atrás se não fosse pelo congestionamento tenebroso em Charing Cross", Teddy disse. "E depois foram mais duas horas para atravessar a maldita ponte. Duas horas."
"Achei que o cheiro fosse me fazer enjoar", Daphne observou.
Phoebe consultou seu relógio de bolso.
"Nós avaliamos mal o horário de saída. Se tivéssemos saído vinte minutos antes, teríamos chegado cinquenta minutos mais cedo."
"Fico feliz que agora vocês estejam aqui", disse Hermione, conduzindo-os até a entrada em arcada. "Por favor, entrem, todos vocês."
Daphne a segurou.
"Eu entro primeiro, você sabe. Talvez você se torne uma marquesa dentro de um mês e talvez eu seja mais nova. Mas como sou casada e uma Lady, tenho preferência. Pelo menos por mais algumas semanas."
"Sim, é claro." Hermione lhe deu passagem.
A bocarra aberta do Castelo Twill engoliu todos eles e um espanto mudo comeu suas línguas. Mesmo quatrocentos anos antes, os pedreiros sabiam como fazer uma construção impressionante. O hall de entrada do castelo tinha um pé-direito da altura do edifício.
Uma escadaria grandiosa tomava parte do espaço, puxando o olhar para cima. E então, mais no alto, pinturas. Não das pequenas, mas com molduras douradas, que ocupavam cada centímetro disponível de parede.
Depois de algum tempo observando o espaço, Teddy assobiou baixo.
"Interessante, não é mesmo?", Daphne comentou. "Grandioso. Só que eu acho que seria melhor se não fosse tão... tão velho."
"É um castelo", Phoebe disse. "Como poderia não ser velho?"
Daphne beliscou o braço de Hermione em um gesto que parecia uma mistura de afeto e despeito.
"Mas um lar é o reflexo de sua dona. Você não devia deixar que o lugar mostrasse que está velho. Por exemplo, você poderia cobrir todas essas feias paredes de pedra com painéis novos de madeira. Ou com tecido francês. E depois nós poderíamos vestir você com seda nova."
Daphne passou os olhos por Hermione de um jeito que a fez sentir como se seu vestido novo estivesse sujo e esfarrapado.
Então ela estalou a língua em uma imitação assustadoramente precisa da mãe delas.
"Não se preocupe", ela disse, dando tapinhas nos ombros de Clio. "Nós temos algumas semanas para arrumar tudo isso. Não é mesmo, Teddy?"
"Ah, sim", ele concordou. "Vamos garantir que o marquês não fuja de novo."
Hermione sorriu e se virou para o outro lado. Em parte porque "sorrir e olhar para outra coisa" era o único jeito de lidar com seu cunhado, mas principalmente porque algo no caminho de cascalho chamou sua atenção.
Um cavaleiro solitário se aproximava em um cavalo escuro, levantando grandes nuvens de poeira enquanto se aproximava em disparada.
"Alguém mais veio com vocês de Londres?"
"Não", Teddy respondeu. "Será que é..."
Daphne se juntou a ela na entrada em arcada e apertou os olhos.
"Ah, não. Pode ser Harry Potter?"
Sim. Só podia ser Harry Potter. Ele sempre foi um cavaleiro magnífico. Ele e os cavalos pareciam ter algum tipo de comunicação animal. Uma comunhão de naturezas bestiais. Como se demonstrasse isso, ele fez sua montaria parar junto à entrada sem gritar nem puxar as rédeas, mas apenas usando um toque firme do joelho para que o animal estancasse.
Com uma palavra calmante para o cavalo, Harry desmontou com um movimento fluido. Botas imensas bateram no solo. Sua calça de montaria era de camurça. Todas as calças de montaria masculinas eram de camurça, mas Hermione podia apostar que aquela camurça estava mais esticada sobre as coxas daquele homem do que esteve no próprio animal de onde foi tirada.
O casaco dele balançava contra o vento. Usava apenas luvas de montaria pretas, e sem chapéu. Revelando as ondas de cabelo espesso e moreno. Uma rajada de vento lhe emprestava um ar desgrenhado e libertino. Ele era o pecado em forma humana.
Não era de admirar que fosse chamado de Filho do Diabo.
"Bom Deus!", Daphne exclamou. "Você acha que ele faz de propósito?"
Hermione ficou feliz por saber que ela não era a única afetada.
"Não acho que ele faria de propósito por nossa causa. Acho que é apenas o jeito dele."
"Imagino que você não o estivesse esperando."
"Não."
Mas talvez ela devesse estar.
"Ah, não. Parece que ele veio com intenção de ficar."
Quando a poeira baixou, elas puderam ver que uma carruagem seguia Harry pelo caminho. Os estábulos do castelo ficariam abarrotados naquela noite.
"Você não pode fazê-lo ir embora?", Daphne perguntou. "Ele é tão bruto e sem classe."
"Continua sendo o filho de um marquês."
"Você sabe do que estou falando. Ele não se comporta mais como um. Se é que já se comportou um dia."
"Sim, bem. Toda família tem suas peculiaridades." Hermione bateu no ombro da irmã. "Eu vou recebê-lo. Luna e a governanta vão mostrar o seu quarto e o de Phoebe, para que possam se acomodar."
Quando Clio saiu para recebê-lo, a silhueta de Rafe foi ficando cada vez maior em seu campo de visão. E ela sentiu que ficava cada vez mais corada.
Ele a cumprimentou com um aceno de cabeça.
"Que surpresa", ela disse. "E estou vendo que trouxe amigos."
Um homem emergiu da carruagem – um sujeito esguio com um sobretudo escuro, parecendo ter o comportamento jovial e tranquilo que uma pessoa precisaria ter para ser amiga de Harry.
Do interior da carruagem, ele pegou o buldogue mais atarracado, feio e velho que Hermione já tinha visto.
Nossa.
Que pobre coisinha mais velha.
Até suas rugas tinham rugas. Assim que foi colocado no chão, o cachorro fez uma poça de urina no caminho.
"Este é Ellingworth", Harry o apresentou enquanto retirava as luvas de montaria.
"Boa tarde, Sr. Ellingworth." Hermione fez uma mesura.
Harry sacudiu a cabeça.
"Ellingworth é o cachorro."
"Você tem um cachorro?"
"Não. Piers tem um cachorro." Ele olhou para ela como se Hermione tivesse a obrigação de saber isso. Mas ela não sabia.
Que engraçado.
Hermione não conseguia se lembrar de Piers ter mencionado possuir um cachorro. Nenhum além dos cães de caça que o zelador dele criava em Oakhaven.
"É um suvenir do tempo dele em Oxford", Harry explicou. "Existe alguma história por trás do animal. É um mascote ou foi uma peça que pregaram... As duas coisas, talvez. De qualquer modo, o cachorro está vivendo comigo. Ele tem 14 anos. Precisa de uma dieta especial e cuidados contínuos. O veterinário escreveu tudo para mim." Ele enfiou a mão no bolso e entregou algumas anotações para Hermione.
Três páginas inteiras de anotações.
"Bem", ela disse. "Agora que eu sei que Ellingworth é o cachorro, que tal me apresentar ao seu amigo?"
"Este é o Rona..."
"Ronald Bílius Weasley", o homem interveio. "Escudeiro." Ele se curvou sobre a mão de Hermione e a levou aos lábios. "Ao seu serviço."
"Encantada." Na verdade, ela não tinha muita certeza. Nem sobre esse Sr. Weasley, nem sobre Harry.
Enquanto o Sr. Weasley prendia o cachorro em uma guia e o levava para andar nas margens gramadas do caminho, ela foi atrás de algumas respostas.
"Devo imaginar que você apenas passou para assinar os documentos?"
"Claro que não. Como nós conversamos, estou aqui para planejar o casamento."
Ela congelou.
"Ah, não."
"Ah, sim."
Nada de pânico, disse para si mesma.
Ainda não.
"Pensei que você estivesse em treinamento", ela comentou. "Nada de distrações."
"Eu posso treinar aqui em Kent. O ar do campo é benéfico para a saúde. E você pode ajudar a manter as distrações em um nível mínimo, colaborando com os planos de casamento. Piers quer que você tenha tudo com que sempre sonhou para seu grande dia."
"Então eu devo acreditar que isso é ideia do Piers?"
"Poderia muito bem ser." Ele deu de ombros. "Até ele voltar, eu tenho o peso integral da fortuna e do título dele ao meu dispor."
Agora, ela disse para si mesma. Agora é hora de entrar em pânico.
"Harry, eu não posso fazer esse seu joguinho. Não esta semana. Minhas irmãs e meu cunhado acabaram de chegar."
"Excelente. São três convidados para o casamento que não precisaremos avisar."
Ela enrolou os papéis em suas mãos.
"Você sabe muito bem que não vai haver casamento."
"E você já deu essa notícia para sua família?" Ele olhou para o castelo.
"Não", ela foi forçada a admitir. "Ainda não."
"Ah. Então você ainda não se decidiu."
"Eu estou decidida. E você é muito constrangedor. Chegando como uma tempestade em seu cavalo preto, todo dramático e inesperado. Exigindo planejar uma grande cerimônia e me trazendo listas."
"Eu trago todo tipo de problema, você me conhece. Mas eu também conheço você." Ela ficou sem fôlego.
Então Hermione se lembrou de que aquilo que parecia flerte era, com frequência, apenas arrogância masculina.
"Você não me conhece tanto quanto acha, Harry Potter."
"Mas eu a conheço o bastante para saber que você não vai me mandar embora."
Harry a observou cuidadosamente. Isso não era nenhum sacrifício, observá-la com cuidado. Mas ele tinha uma razão extra nesse dia.
Hermione talvez ainda não tivesse tomado sua decisão final quanto ao casamento, mas estava claro que ela não queria mais dois convidados em sua casa... Mais três convidados, se fossem contar Ellingworth.
Ele pegou a guia com Ron e agachou-se ao lado do cachorro. O animal era tão velho que não escutava mais nada, mas Hermione não sabia disso.
"Não se preocupe, Ellingworth." Ele coçou o cachorro atrás da orelha. "A Srta. Granger é um modelo de bons modos e generosidade. Ela não jogaria um cachorro velho e indefeso no frio." Olhou de lado para Hermione. "Ou jogaria?"
"Humpf", ela resmungou. "Eu pensei que campeões jogassem limpo."
"Nós não estamos em um ringue de boxe. Não que eu possa ver."
Depois de pensar por um instante, ele decidiu arriscar.
"Esse vestido é novo?"
"Eu..." Ela cruzou os braços, depois descruzou. "Eu não acho que isso importe."
Ah, mas importava. Ele sabia que essas coisas importavam. Harry podia não saber nada sobre planejar casamentos, mas sabia uma coisa ou duas – ou doze – sobre mulheres. Era disso que Hermione precisava.
Um pouco de atenção.
Admiração.
Ela foi deixada esperando tanto tempo que estava se sentindo indesejada. Que bobagem. Era só olhar para ela. Qualquer homem que não desejasse aquela mulher era um idiota. Piers não era idiota.
Infelizmente, Harry também não era.
"Essa cor lhe cai bem", ele disse.
E caía mesmo. O verde combinava perfeitamente com o castanho do seu cabelo, e a seda moldava as curvas generosas dela como um sonho. O tipo de sonho que ele não deveria ter. Ele se ergueu, deixando seu olhar passear pelo corpo dela uma última vez, dos pés à cabeça. Quando seus olhos se encontraram, o rubor nas faces dela tinha adquirido a tonalidade de morangos maduros.
Ele abriu um pequeno sorriso.
O rosto de Hermione Granger tinha mais tons de rosa que uma loja de tecidos. Toda vez que Harry pensava já ter visto todos, ele conseguia provocar um novo. Imagine só provocá-la na cama... Não, seu idiota. Não imagine nada disso.
Mas, de qualquer modo, seus pensamentos estavam sempre três passos adiante de seu bom senso. A imagem surgiu na cabeça dele, tão espontânea quanto vívida.
Hermione, ofegante e nua. Debaixo dele. Despida de todas as suas boas maneiras e inibições. Implorando que conhecesse cada um de seus tons de rosa secretos.
Harry piscou várias vezes.
Então pegou essa imagem mental e a arquivou como "impossibilidade agradável", bem ao lado de "carruagem voadora" e "fonte de cerveja". Ele continuou olhando apenas para os olhos dela.
"Vamos mandar tirar nossas coisas, então."
"Eu não disse sim."
"Você não disse não."
Ela não tinha dito. Os dois sabiam disso. Não importava o quanto ela não gostasse de Rafe, não importava o quanto ela queria que ele fosse embora... A consciência de Hermione não lhe permitiria colocá-lo para fora.
Ela soltou um pequeno suspiro de rendição que o agitou mais do que devia.
"Vou pedir aos criados que preparem mais dois quartos", ela disse.
Ele aquiesceu.
"Vamos entrar assim que eu guardar minha montaria."
"Nós temos cavalariços para fazer isso", ela observou. "Tive a sorte de a equipe do meu tio continuar comigo."
"Sempre guardo meu cavalo eu mesmo." Harry levou o animal até a garagem de carruagens para uma boa escovada. Sempre que ele vinha de uma cavalgada vigorosa – ou corrida vigorosa, luta vigorosa –, precisava de uma atividade assim para se acalmar.
Toda aquela energia não se dissipava sozinha. E nessa noite também precisava de uma conversa em particular com certa pessoa. Alguém que declarou que seu nome era Weasley.
"O que diabos foi aquilo?", ele perguntou, assim que Hermione estava longe o bastante para não ouvir. "Nós concordamos que você passaria por meu criado pessoal."
"Bem, isso foi antes de eu ver este lugar! Nossa, dê uma boa olhada."
"Eu já olhei."
O castelo era impressionante, Harry era obrigado a admitir. Mas já tinha visto melhores. Ele foi criado em um castelo mais refinado.
"Eu quero um quarto de verdade nessa coisa", disse Ron, gesticulando para o edifício de pedra. "Não, quero minha própria torre. E com certeza não quero ser seu criado. Alojado embaixo das escadas, fazendo minhas refeições na área de serviço com as arrumadeiras. Não que eu não aprecie uma jovem arrumadeira de vez em quando. Ou, já que tocamos no assunto, um criado bem formado."
Assim era o Ronald... Trepava com qualquer coisa.
"Que igualitário da sua parte, Bilius Weasley", Harry disse.
"Escudeiro. Não esqueça do escudeiro."
Oh, Harry queria muito esquecer o escudeiro.
"A irmã da Srta. Whitmore está aqui. Trata-se de Lady Cambourne. E o marido também veio, Sir Teddy Cambourne."
"E daí?", Ron perguntou. "Eu sei que tenta de verdade se esquecer disso, mas você é Lorde Harry Potter. Não tenho dificuldade para falar com você."
"É diferente. Não uso mais esse título. Eu me afastei disso tudo há muitos anos."
"E agora está voltando para isso. Não pode ser difícil."
É mais difícil do que você possa imaginar .
Diabos, Harry estava preocupado que se sentiria um impostor, e ele tinha sido criado em propriedades grandiosas como aquela.
"Escute", Harry exclamou. "Você é filho de uma lavadeira e de um taverneiro; ganha a vida organizando lutas ilegais, e acabou de se inserir no meio de uma classe de pessoas tão acima do seu mundo habitual que é como se elas estivessem andando nas nuvens enquanto você se arrasta aqui embaixo. Como você pretende fazer isso dar certo?"
"Relaxe. Você me conhece. Eu me dou bem com todo o mundo e, além disso, estou de chapéu novo."
Harry olhou para o chapéu de castor que Ron rodava no dedo.
"Esse chapéu é meu", Harry observou.
"Durante os jantares e coisas assim, vou observar o que você faz."
Que plano maravilhoso.
Harry mal guardava alguma noção de etiqueta.
"E tem também a minha arma secreta." Com um olhar para cada lado, Ronald puxou um objeto de metal do bolso. "Peguei esta belezinha em uma loja de penhores."
"Um monóculo", Harry disse após olhar para o objeto. "Sério?"
"Estou lhe dizendo, essas coisas gritam alta sociedade. Você deveria arrumar um, Harry. Estou falando sério. Alguém menciona um assunto difícil? Monóculo. Alguém faz uma pergunta que você não sabe responder? Monóculo."
"Você acredita mesmo que um monóculo idiota é tudo de que precisa para se misturar com a aristocracia?"
Ronald ergueu a lente e olhou para Harry através dela.
Solenemente.
O idiota até que podia ter acertado naquilo.
"Apenas não exagere", Harry avisou.
"Oh, eu não vou exagerar. Lembre-se, eu sou seu segundo. Estou sempre no canto do seu ringue."
Mas eles não estavam em uma luta de boxe. Aquilo era algo muito mais perigoso. Como visita no Castelo Twill, Harry estaria fora do seu ambiente.
E quando estava fora do seu ambiente, ele ficava agitado. E, quando agitado, sua natureza impulsiva e imprudente vinha à tona.
As pessoas se machucavam.
Ele precisaria tomar cuidado.
"Então, quando o planejador de casamentos vai chegar?", Harry perguntou.
Ronald permaneceu em silêncio, o que era estranho.
"Você contratou os serviços de um planejador de casamentos, não é?"
"Claro que contratei. O nome dele é Ronal Bilius Weasley, Escudeiro."
Harry soltou um palavrão.
"Não acredito nisso."
"Onde é que eu iria arrumar um planejador de casamentos?" Bruno levantou as mãos em um gesto de defesa. "Nem tenho certeza de que isso existe. Mas não importa. Tudo vai ficar perfeito. Você vai ver."
"Eu duvido muito. Você sabe menos sobre planejar casamentos do que eu."
"Não, não. Isso não é verdade." Os olhos de Ronald assumiram aquele brilho forte, empolgado, que ao longo dos anos Harry tinha aprendido a reconhecer.
E temer.
"Pense bem, Harry. Sou treinador e promotor de lutas. É o que faço o tempo todo. Eu encontro duas pessoas que combinam. Faço a divulgação. Atraio multidões desesperadas para ver essas pessoas no mesmo lugar. E, acima de tudo, eu sei como fazer a cabeça de um lutador", ele encostou a ponta do dedo indicador no meio da testa de Harry, "entrar no ringue muito antes do dia da luta."
"Ronald."
"Sim?"
"Tire seu dedo da minha cabeça ou irei quebrá-lo", Harry o alertou.
Ronald obedeceu e deu tapinhas nos ombros de Harry.
"Esse é o espírito combativo", disse.
Harry escovou o cavalo com vigor.
"Isso nunca vai funcionar. Vai ser um desastre."
"Vai funcionar, sim. Eu prometo. Nós iremos envolvê-la em seda. Submergi-la em flores e bolos decorados, até ela ficar inebriada com a empolgação nupcial. Até ela conseguir se ver, em pensamento, claro como o dia, deslizando pela nave da igreja em direção ao altar. Sou o seu homem, Harry. Ninguém é melhor do que mim para criar expectativa e espetáculo."
"Melhor do que eu", Harry o corrigiu.
Ron arqueou uma sobrancelha e levantou o monóculo.
"Vamos entrar", Harry disse depois de pendurar a sela e a brida nos ganchos. Juntos, eles saíram dos estábulos e foram na direção do castelo. A alguns passos da porta, parou. "Mais uma coisa. Não beije a mão dela."
"Ela não pareceu se importar", Ron respondeu.
Harry se virou para encará-lo e o agarrou pela camisa.
"Não beije a mão dela." Ron levantou as duas mãos em um gesto de rendição.
"Tudo bem. Eu não beijo mais a mão dela."
"Nunca. Mais." Quando achou que sua mensagem tinha sido assimilada, Harry o soltou.
"Você gosta dessa garota?", Ron perguntou enquanto ajeitava o colete.
"Ela não é uma garota. É uma mulher. Que logo vai se tornar uma lady. E não, eu não gosto dela."
"Ótimo", disse Ron. "Porque isso seria estranho. Já que ela está comprometida com seu irmão e tal."
"Acredite em mim, eu não me esqueci disso. Essa é a razão pela qual estamos aqui."
"Eu sei que você tem uma queda por esse tipo de mulher, de cabelos castanhos e peitos grandes. Mas normalmente você não gosta quando elas são tão saudáveis", Ron observou. "Nem tão... qual é a palavra?"
"Comprometidas. Ela está comprometida."
Piers iria se casar com Hermione. Essa era a verdade com que todos cresceram. O casamento fazia todo sentido. Era o que os pais dos dois sempre quiseram. Era o que Piers sempre quis. E era o que Hermione queria, mesmo que tivesse esquecido disso no momento.
E era o que Harry também queria. O que ele precisava.
"Isso não é um problema", Harry disse. "Para ela eu sou um bruto grosseiro, quase analfabeto, com poucas qualidades. Quanto a ela... é tão inocente e reprimida que provavelmente toma banho de chemise e se troca no escuro. O que eu faria com uma mulher dessas?"
Tudo. Ele faria de tudo com uma mulher dessas. Duas vezes.
"Eu não vou tocar nela", ele insistiu. "Ela não é minha. E nunca será."
"Muito bem." Ron revirou os olhos e tirou poeira do chapéu.
"Ainda bem que não temos aí anos de desejo reprimido. Que bom que resolvemos isso."
Eu sei que eu falei que só ia atualizar a fanfic depois de acabar Romance com o duque mas, não consegui resistir depois de ver todas as reviews maravilhosas que foram postadas! Muito muito obrigada, meus amores, e juro que vou tentar atualizar o mais rápido possível as duas fanfic!
Didi Granger: rsrsrs também acho que 8 anos é um pouco demais mas se não fosse por isso nosso casal favorito não poderia ficar junto não é? Muita coisa ainda vai acontecer e espero que você continue a acompanhar, bjoos e até a próxima :D
Guest: Você não sabe o quanto eu fico feliz em saber que estás amando! E espero, com todo meu coração, que continue assim! E até que essa att veio rápida não? E posso te garantir que muitas confusões ainda vão acontecer! Bjoos :D
Mia Malfoy: Que bom que gostasse! Fico muito feliz em saber disso e espero que continue assim - postei rápido não? Bjoos, florzinha 3
BEA: Será que vai rolar casamento ou não? HAHAHAHA Vamos ver, espero que continue acompanhando para saber, flor. Bjoos 3
Ju: Muito muito muito obrigada pelos elogios incríveis! E como foi pedido atualização nesse final de semana... tá vendo nem demorei muito e espero sinceramente que tenha gostado! Bjoos, flor e até a próxima :D
Mary Potter: Sinceramente, eu acho que HH é o meu casal favorito de todos os tempos hahahaha pena que tia Jô não viu isso, mas, tento me contentar com as fanfic mesmo. Tá vendo que nem demorei com essa atualização? Estou melhorando! E espero que tenhas gostado, florzinha. Bjoos 3
Kely Lopes: Eu também adoro romances de época! Sou completamente doida e sou louca por essa trilogia de Tessa Dare, então super recomendo. Espero que tenha gostado da atualização, querida. Bjoos!
Anataly: Primeira review da fanfic! Muito obrigada, querida e espero sinceramente que continue gostando. Bjoos 3
