"Enquanto isso, no dia anterior, no meio da tarde...".
-Mesmo assim, é para este lado! – Fala um Alto Elfo da Lua exaltado para sua companheira de viajem. – Eu estudei todos os mapas da nossa grande biblioteca! Tenho certeza absoluta que tínhamos que ter virado naquela outra trilha!
-Poupe-me Syllin! Quem é a patrulheira aqui? Eu conheço essa floresta desde muito antes de você nascer. Então cale essa boca e apenas me siga. – A Elfa da Floresta parecia bem irritada ao ter que lidar com um estudioso bem mais novo que ela.
-Mas estou a dizer! Tenho certeza que nos mapas aquela era a entrada certa!
-E eu estou falando para calar essa matraca de dizer merda! Eu nunca me perco em uma floresta, se eu falo você segue, simples assim. Agora cala essa boca que está tirando minha concentração. – Ela fala a ultima parte de forma bem ríspida.
-Você é quem deveria me ouvir, eu sou o inteligente aqui. – Syllin fala bem baixinho, mas não com o intuito da elfa não ouvir, porém ela não se importou e nem respondeu. Na verdade ela o segurou pelo pulso e puxou-o para um arbusto se afastando um pouco da trilha. – Mas o que...
-Quieto! – ele prontamente obedece ao visualizar suas feições – Vou subir naquela árvore, você fica aqui e quieto. – Enquanto fala ela faz gestos com a mão, apontando primeiro para uma árvore a uns 3 metros distantes e depois apontando para baixo e franzindo a testa na ultima parte.
-Mas o que está a ocorrer? – O elfo pergunta sem entender nada.
-A floresta. Ela reagiu a alguma coisa. E se ela reagiu, há coisa hostil por perto. – Ela mal termina de falar e sai correndo e pula no tronco escalando os 3 metros suficientes para ficar encima de um galho grosso.
Olhando para todos os lados possíveis e ampliando seu foco de visão com os dedos indicador e polegar em uma circunferência, primeiro avista uma pequena caravana que tinha consciência de que havia partido um pouco depois deles da cidade élfica a:
- 1, 2, 3,..., 18, 19, 20 caminhadas. Agora... – ela novamente procura outras criaturas e: - Uhm... Goblinoides... 1, 2, 3, 4, 5? Não... Seis? Não... Cinco caminhadas mesmo. Agora... quantos? Uhmmm... 12? – Ela fica um pouco surpresa pela quantidade e percebe logo de cara que a causa dos berros dos pássaros e balançar das folhas das árvores é o pequeno grupo de goblinoides. – Então vocês querem aprontar uhm... – Ela os observa por mais alguns segundos e vê que uma parte do grupo começa a correr rápido para a esquerda e os outros estão correndo normalmente para frente, para a direção dela. Ela conhecendo bem os globins como conhece já sabe que eles querem fazer uma emboscada. Ela desce da árvore com uma cambalhota bem feita e corre para Syllin
-Vamos. Tem um pouco de diversão mais a frente. – Ela fala com um sorris um tanto macabro no rosto, percebe o elfo.
-O que vossa senhorita encontrou? – pergunta de forma sarcástica fazendo gestos exagerados.
-Goblins. Seis pra ser exata. E estão vindo para cá, então é melhor parar com as gracinhas e ver se esse arco aí não é só enfeite. – Ela fala retribuindo com um sorriso sarcástico e virando logo em seguida. – Vamos fazer metade de uma corrida normal e subir em árvores um pouco distantes uma da outra. Eles estão a cinco caminhadas.
-Não entendo esse seu tipo de medida. – Fala o estudioso confuso.
-A cada 9 metros uma caminhada e uma corrida 18 metros, são bem simples, mas não tenho uma fita métrica nos meus olhos então é passivo de erro. Agora vamos? – Ela responde com pressa.
-Sim. – Eles começam a caminhar, mas como sempre, ela fica um pouco na frente dele – Isso não é mais ou menos o deslocamento normal de um elfo em poucos segundos?
-Alto elfo, não um elfo da floresta, você deveria saber. – Ela começa a subir a árvore.
-Eu sei. Só que pensei que já iria me entender. Ah! Consigo vê-los!
-Bem... Parece que você tem um pouco de prática nesses olhos apesar de tudo. – ela calmamente arruma seu arco com uma flecha, enquanto olha para os goblins escolhendo sua presa, porém quando vai lançar sua flecha em um alvo ele é abatido por outra flecha bem no coração e no meio do movimento ela teve que mudar de objetivo, errando em seguida. – Mas que porra! – Ela fica surpresa e olha para o mago, enfurecida.
-E parece que você está enferrujada. – Ele solta uma gargalhada e atinge bem no alvo que a patrulheira deveria atingir com o tiro que errou. –E bum! – Ele fala olhando para a elfa.
-Você fica com os da direita, direita! Entendeu? Ou quer que eu desenhe? – Fala ainda enfurecida pelas brincadeiras.
Depois da surpresa de verem um aliado ser abatido, uma nova flecha passa e outro cai em seguida, fazendo com que os goblins não fiquem parados para morrer. Eles olharam para frente e conseguiram enxergar seus inimigos e correram em sua direção, mas tendo o cuidado de pelo menos pegar uma cobertura. Como foram os dois do meio a serem abatidos, eles se separaram dois para cada lado. Enquanto um da direita e outro da esquerda conseguiram esconderem-se em troncos grossos e tiveram seus corpos totalmente cobertos, o outro da esquerda só conseguiu cobrir metade do corpo e o da direita deixou um pedaço da cabeça e tronco desprotegidos.
Com uma facilidade assombrosa o estudioso conseguiu acertar bem na cabeça do goblin, enquanto a elfa acertou o coração do outro, mas mesmo levando certo tempo para agir, os goblins tinham sua desculpa, seus arcos não tinham distância útil de tão longe e já sofriam a desvantagem do terreno alto para seus inimigos. O golbin da direita grita para o outro em goblin: "Tiro de teste! Tiro de teste!". Para a infelicidade deles goblinoides são exatamente uma das raças humanoides que a patrulheira adora caçar e, portanto, entende o idioma goblin. De toda forma, o primeiro tiro passou bem longe, bem abaixo de onde jazia e deu um sorriso por isso, porém seu sorriso de quem sabia o que eles tramavam não durou muito, pois o goblin restante acertou o tiro na coxa da patrulheira quase a fazendo cair do galho, mas ela tinha muita maestria e fazia isso por muitos anos e não caiu. Parecendo que haviam sincronizado, os dois elfos quase ao mesmo tempo lançaram seus tiros em resposta, os pequeninos não tinham mais a vantagem de cobertura, eram alvos fáceis, e eles não desperdiçaram a chance e cada um acertou bem na testa deles.
-EI! Você está bem? – Perguntou Syllin bem preocupado.
-Sim, estou. Isso não foi muita coisa. Aposto que você não teria tanta resistência. – Ela da uma risada. – AAArght! – Urrando de dor ela retira a flecha e tampa a ferida com a mão esquerda que já não está segurando o arco. – Malditos goblins! Vamos, não quero encontrar com o resto deles. – Ela diz e logo em seguida, com a mão direita se pendura no galho e salta para o chão, amortecendo a queda com a perna boa.
-Tem mais? – Pergunta o elfo fazendo o mesmo movimento.
-Claro! Nos seus livros não tinha nada falando que os goblins fazem armadilhas em bando? É só contar. – Ela se aproxima dos corpos mancando um pouco.
-Se me lembro bem... – Ele coloca a mão direita no cabelo negro parecendo que está sensualizando.
-Syllin! Quer parar de tentar sensualizar e me ajuda a catar algumas flechas e talvez algo de dinheiro! – Diz ela já vasculhando um corpo goblin e logo depois arrancando um pedaço da vestimenta do morto para fazer uma bandagem.
-Bryn... Eu não estou sensualizando estou pensando. Existe uma grande diferença, entende? – Diz ele calmamente, como se estivesse ensinando um aluno, mas ela apenas o olha com cara de: "Ainda tá parado por quê?". – Certo... – Ele começa a pegar flechas e eventualmente achar umas peças de cobre, prata e platina. – Uau! Até que eles têm bastante. Mas se formos dividir não dá certo... uhm... eu não ligo muito para essas peças, elas não compram conhecimento. Por falar nisso, se metade está aqui, então os outros vão emboscar alguém né? O que você viu mais? – Pergunta ele dando a maior parte das moedas para a elfa que já estava de pé colocando as flechas que faltavam em sua aljava.
-Você não é o inteligente? Pensa! O que saiu depois de nós? – Ela aceita as moedas e as guarda, mas não deixa de olhá-lo em desafio.
-AH! Mas não devemos...
-Você está atrasado lembra? Só damos uma mãozinha já que estávamos de passagem e limpamos um pouco o nosso quintal. Pode-se dizer desse jeito... Vamos antes que seu pai queira me explodir por dentro. Quer dizer, eu acho que ele já quer isso faz muito tempo. – Ela solta um pequeno riso apreensivo. Ele acena com a cabeça e logo pergunta pensativo:
-E por onde a caravana tá indo?
-Pelo mesmo lugar que eu falei pra irmos se é o que pensa. Onde você queria virar é uma trilha que virou perigosa, mas não temos tempo pra ficar discutindo essas coisas.
-Certo. Bem... Desculpa.
-Pare de charminho e essas desculpas sem sentido. Só cala a boca e vamos rápido. Temos que chegar logo em Neverwinter.
A dupla se vira e pode-se observar como a beleza élfica está sempre presente. O macho, um elfo alto com pele pálida, comum nos altos elfos da lua, e com longos cabelos negros como a noite, penteados por de traz das orelhas com mechas rebeldes que caem pelos lados do rosto. Um rosto belo, sua feição séria combinando perfeitamente com todo seu rosto, suas sobrancelhas finas e longas dão o ar de seriedade, seus olhos cinzas traz a sensualidade para seu rosto e sua tatuagem cinza claro no centro da testa, uma obra prima, sem ela não teria como identifica-lo. A fêmea, uma elfa cor mantiz cobreada com olhos de sorriso travesso cor avelã que dá a ela toda a sensualidade que precisa para encantar qualquer macho, tem, além disso, uma beleza simples, seus longos cabelos verdes presos em um alto rabo de cavalo e sua roupa de couro parece fazer as folhas desenhadas nela se tornarem vivas.
Depois de se aprontarem por inteiro, finalmente seguem seu caminho.
"Enquanto isso, no mesmo dia, no meio da noite...".
-VAAAAAAAAAAAAAAAMOS! PRECISO DE AJUDA AQUI! –Eu ouvia o grito de um anão com uma barba grisalha em frente a um companheiro anão ferido enquanto atacava um orc.
-JÁ ESTOU INDO PAI! – em anão: - "Por vontade Sharindlar um terremoto virá para que vidas sejam salvas" – Assim que minhas palavras são ditas um terremoto aparece assustando alguns orcs mas não os ferindo, dando-me tempo suficiente de chegar perto de meu pai e pegar o anão inconsciente e carregá-lo para longe – LUTE COM TUDO!
-SIM! POR MORADIN! AAAAAAAAH! – O anão grisalho se lança contra o inimigo atacando com uma chuva de golpes.
Era uma guerra e em guerras há feridos. É só isso que importa para Kristryd Hylar. Uma anã da linhagem nobre de seu clã, mas ao invés de um soldado comum, ela se preocupa com a vida dos caídos. Ela, uma anã loira e com uma cara muito séria, de quem vive uma guerra, o que é muita verdade, há séculos seu clã, seu povo, sua raça, os anões do escudo lutam em uma guerra que parece nunca ter fim, principalmente contra orcs. Contudo, há outros inimigos que tentam e as vezes conseguem invadir suas cidades. Para ela, o mais importante é manter todos os aliados vivos e, se for preciso, empunhar seu martelo de guerra e seu escudo para fazer seus inimigos temerem o poder de quem luta pela vida de seus amados. Mesmo nos tempos de paz se alimentava de seu sonho de se aventurar, com as incríveis histórias de aventuras traçadas por seu pai, porém sua honra e dever para com seu povo falam mais alto. –"Não importa quanto essa merda dure, eu, um dia irei conhecer o mundo." – Ela sempre fala para si mesma isso antes de mais uma vez vestir sua armadura.
-"Que Sharindlar lhe conceda mais tempo ao nosso lado. Estabilizar!" – Eu profetizo em anão segurando meu relicário e tocando outro anão caído. Logo percebo que ele voltou a respirar normalmente, mas ainda se encontra inconsciente, então o carrego desviando e correndo e pulando e empurrando qualquer inimigo, objeto ou aliado que interponha em meu caminho. Mirabar estava um caos novamente, dessa vez orcs e goblinoides atacando a cidade, era um cenário como de qualquer guerra, os membros de outras raças que existia na cidade lutando junto conosco, anões, e dos reforços também anão, tudo para proteger novamente a fortaleza.
Uma cidade inundada em chamas e sangue, era tudo que dava para ver, odiava essa guerra sem fim, mas pelo meu povo iria aguentar. Infelizmente não era tão poderosa como queria ser, mesmo se fosse, não conseguiria curar a todos, mesmo poderes divinos se esgotam e junto, quem os usa. Seu trabalho não termina até todos que estiverem feridos estejam seguros, para isso, corro de um lado para o outro, não me importando com os inimigos. Que a infantaria os mate! Contudo isso já durava horas. Não sabia muito bem até quando aguentaria sem me exaustar. Salto desviando de um machado voador, esquivo de uma magia estranha. –"Mais um pouco! Preciso aguentar mais um pouco." – Resmungo procurando mais gente para ajudar.
-HYFUS! ATRÁS! –Grito para um humano lutando contra dois orcs, quer dizer, três. –YYYAAAAAAAAHHHH! - Melhor dizendo, dois. Um crânio de orc a menos.
-Obrigado Kris. Se nã...
-Não me chame assim e lute não fale! – Menos um tronco de orc. Menos dois goblins –MOOOOOOOORRRE! SAIA DA NOSSA CIDADE! – Um orc decapitado, outro amassado.
-Até que você luta bem... – Disse o maldito com um tom elegante, um pouco inapropriado para a situação, porém não havia mais inimigos ao alcance.
-KRIIIIIIIIIIIIIISSSS! – Novamente o anão velhote me chama no meio de fogo e sangue.
-Tenho que ir. Não morra idiota.
-Com prazer, RUUAAAAH! – Menos outro orc e minha vida salva. Aparentemente tinha baixado minha guarda.
Novamente em corrida, outro corpo no caminho. Anão decapitado, sem chances de ajuda. Uma espada na altura da garganta, com olhos arregalados, uma defesa de martelo e... goblin ferido na têmpora. Mais magia, mais fogo. Uma pedra grande caindo por cima, desviei para o lado com a queda amortecida pelo escudo, levantei e corri.
-Cheguei pai. O que há? – Estava totalmente pronta e em guarda. O velho maldito dá uma gargalhada para minha surpresa.
-Não se preocupe pequena. Siga teu sonho. – Ele aponta para um orc fugindo e com isso observo ao redor e vários inimigos estavam em mesmo estado. – Esse é seu. Mate-o e prossiga. Salve quem precisar e prossiga. – O velho continua a olhar para frente – Eu acho que você não tem muito tempo... Do lado daquela pedra eu deixei uma mochila. Deixe seu avô comigo. Você já é adulta, pode se cuidar. Agora vá e viva suas próprias aventuras! – O velho dá mais uma gargalhada, mas dessa vez muito mais histérica. E eu corro de novo, só que para um novo amanhã.
-Então eu corri atrás dele até um pouco depois da floresta e atirei um virote e ele morreu. Depois... Bem... Ousei pedir algo egoísta aos bons deuses Moradin e Sharindlar. Depois encontrei mais um orc. Foi uma boa luta.- Falava para o meio-orc a meu lado.
Estava caminhando pela floresta em direção à trilha que vai para Longsaddle, quando me deparo com um orc. O que faz não era muito importante, já que partiu para cima gritando assim que teve minha visão. O orc brandia seu machado grande tentando cortar logo minha cabeça, uma abaixada rápida e um golpe que fiz um pouco mal, mas acertou o braço, aparentemente sentiu dor, pois deu um urro. Em seguida consegui um bom golpe, mas ele amorteceu o maior impacto com a arma, porém a pancada foi forte o suficiente para deixar um pouco deformado o outro braço. Por puro reflexo um levantamento do escudo evita um corte no ombro, um ataque do martelo mirando o tronco deixa minha guarda baixa e um urro de dor sai imediatamente quando um corte grande no ombro direito é feito, mesmo com a dor pulsante um arco com a arma é o suficiente para acertar bem na cabeça e o orc ser jogado para longe. Caio de joelho na neve. –"Que Sharindlar ofereça a cura para todas as feridas." – Uma luz divina fecha minha ferida e a dor passa. No chão, a alguns metros um orc. Para certificar sua morte, uma martelada amassa seu crânio no gelo.
-Algumas moedas ele tinha. Não muitas. Mas não importa. Era apenas um orc. E você enfrentou três lobos... – Ela fala um pouco pensativa de sua conquista. E ele dá um pequeno riso.
-Não se preocupe com pouca coisa. A batalha é o meu forte e o seu é o apoio a quem vai para a batalha. Minha mãe sempre dizia: "Explore os pontos fortes e aproveite as brechas. Ninguém é bom em tudo. Pequenos detalhes diferem quem vive e quem morre." – Diz o meio-orc com alguma sabedoria no olhar. Os dois caminham lado a lado pela planície em direção à floresta de Neverwinter.
-E o que aconteceu com sua mãe Krusk? Tem haver com sua saída da tribo?
-Acertou no alvo. Ela está... – Ele procura as palavras certas - Com Mielikki em alguma floresta. Mesmo gostando do que faço, orcs são... orcs.
-Entendo. E de que raça era?
-Humana, era uma caçadora e patrulhava junto aos elfos da floresta. – Ele aponta logo para frente indicando qual floresta. – Mas isso é passado. Tivemos um encontro um tanto incomum e já estamos falando do passado... – Krusk dá uma gargalhada alta, não se importando do fato da anã nunca rir, pelo que soube nesse tempo que estiveram juntos ela não riu uma única vez, mas para ele isso pouco importava.
-Entendo. Rezarei por ela. – Ela olha para ele – Você ainda não se provou ser um amigo, porém é um pouco como eu, isso já basta para uma companhia. – Ela sorri amigavelmente – Não me leve a mal, só nasci, cresci e vivi em uma guerra. Isso pode mudar uma pessoa. –O brutamonte apenas concorda com um aceno, mesmo que tenha uma gigante diferença na altura, desde que se conheceram o respeito e polidez é mútuo.
Algumas horas atrás...
Caminhando pela floresta, já chegando bem perto do final dela e com o sol em seu pico o meio-orc percebe pelo canto do olho uma presença e olha para sua esquerda. Surpreendentemente uma anã estava caminhando tranquilamente até parar subitamente e olhar em sua direção.
Para ela uma surpresa ver um orc vestido daquele jeito, nunca imaginou que algum teria a paciência e cuidado para fazer tal belo manto. E ainda mais para sua surpresa, ele não a atacou, apenas ficou a encarando pelo mesmo tempo que ela o encarava. Alguns segundos depois...
-Você não vai querer lutar orc? – Ela pergunta com uma voz um pouco cansada daquela rotina.
-Não tenho interesse em uma luta desnecessária. Já fiz muito disso por uma vida inteira. – Krusk fala com uma voz grossa e com muito sotaque do idioma orc em sua fala.
-Primeira vez que vejo um orc que não é movido totalmente pela sede de sangue. – fala ela com uma voz meio pensativa, mas nenhum dos dois desviou o olhar ou se mexeu.
-Não sou um orc, sou meio-orc.
-Perdão, você não me parece muito diferente, ainda mais com essa altura e composição física. – diz ela um pouco arrependida de seu julgamento precipitado.
-Contudo é minha primeira vez vendo uma anã sozinha em uma floresta. Não me leve a mal, mas já matei alguns bons guerreiros anões e nenhum deles estava sozinho na floresta.
-Estou seguindo meu sonho de infância. Ser uma aventureira. Não se preocupe com isso, já matei muito mais do que você bem antes de sua mãe lhe dar a luz. Apenas ossos do ofício.
-Exato. Apenas ossos do ofício. Eu procuro o meu... Mas acho que uma aventura não cairia de todo mal.
-Se você não vai me atacar então... Qual seu destino?
-Neverwinter. E o seu?
-O mesmo. Atrevo-me a convidá-lo a se juntar a mim.
-Um convite fora do comum de fato. Mas está aceito. – Ele é o primeiro a se mover, mas como se estivessem de frente a um espelho os dois se movem identicamente um para direção do outro e quando se encontram dão um cumprimento de aperto de antebraço, como guerreiros os fazem em respeito a seus companheiros. Ela da um leve sorriso amigável.
-Vamos? Neverwinter ainda está a muitos dias de viajem.
-Sim, se queremos uma aventura já estamos em uma, porém acredito que teremos uma maior emoção na cidade. – Então os dois se separam de seu cumprimento e caminham lado a lado jogando conversa fora.
"Enquanto isso há muitos dias depois... eu acho que era isso que eu deveria dizer...".
