Falsa Alegria
Descrição: Ela pensava como seria encará-lo de novo. Ele pensava em seu bem estar. Ela temia por ele, em frente à uma guerra. HitsuHina
Disclaimer: Bleach, infelizmente, não me pertence... mas o Shiro-chan, ainda vai ser propriedade só minha. Vocês vão ver.
Legenda: "fala dos personagens" - "pensamentos"
Nota da autora: Essa fic se passa depois dos capítulos 224 e 238 do mangá. Se você ainda não viu e não gosta de spoilers (mesmo que estejam bem fracos), melhor fechar a janela e esperar pela continuação no anime.
o.o.o
Capítulo 2 - A lua
"Não!"
A primeira coisa que Hinamori fez ao acordar, foi levantar-se bruscamente do futon. Escondeu o rosto com as mãos trêmulas, pensando na última coisa que se lembrava. Ele. Algumas lágrimas escorreram de seu rosto, silenciosas. Refletiu sobre o que fez, ficando triste em ver que ninguém acreditava em sua teoria.
"Aizen-taichou...Hitsugaya-kun..."
Ajoelhou-se sobre as cobertas, abraçando a si mesma. Estava confusa, não sabia o que fazer. Demoraria até poder comunicar-se com o amigo novamente, já que não tinha permissão de fazer contato com a cidade de Karakura toda hora que quisesse.
Olhou pela janela do aposento, fitando a lua. Estava tão bela que Momo ficou hipnotizada. Levantou-se apoiando o seu corpo nas grades da mesma. Uma expressão séria se tomou em sua face e ela correu para fora dali. Não sabia para onde iria, mas sentiu vontade de fugir.
Enquanto corria, viu os prédios das divisões banhados pela lua, passando lentamente conforme corria. Seu abdômen doía, mas não ligava. Não notou mais nada, nem mesmo a ausência de Tobiume ao seu lado. Continuou correndo, parando apenas quando chegou ao jardim, vendo as árvores floridas, em um tom belo, contrastando com a noite.
Seus olhos brilharam, lembrando-se de sua infância. Melancias, brincadeiras bobas, as árvores floridas do templo... Tinha saudade de tudo aquilo. Por que havia se tornado uma shinigami mesmo? Ah sim. Queria proteger os outros, até mesmo seu amiguinho rabugento que vivia lhe dizendo como era uma boba.
Seu objetivo sempre fora prova-lo do contrário até o dia que conheceu o Capitão da quinta divisão. O pequeno Shiro-chan já não existia mais, apenas Aizen. Ficara tão cega com aquilo que começou a visitar menos o garoto, compenetrada em tornar-se uma ótima shinigami.
Ah, como parecia tola... Todo aquele conto de fadas sumiu no dia em que a ilusão de Aizen controlou toda a Soul Society. O rosa de sua vida, de repente, tornara-se tão negro quanto seu kimono.
Hinamori baixou a cabeça, fitando o chão. Suspirava, sem saber o que fazer. Estava feliz que Hitsugaya estivesse despreocupado com o ato injusto que cometera, inclusive a mandando descansar. Mas não enganava seu coração, com toda a tristeza que ele estava preenchido. Talvez não houvesse realmente uma felicidade ali, somente medo.
Ela sentia medo de não ser realmente perdoada, de ver seu melhor amigo matando o homem que tanto admirava. Não era justo. Ela não agüentaria, definitivamente. Levantou o rosto e fitou a lua, sentindo uma sensação nova, como se não fosse a única a fitá-la.
"Está realmente bela a lua hoje, não?"
Hinamori deu um verdadeiro salto ao ouvir a voz de Unohana tão perto, em um tom gentil e ao mesmo tempo autoritário. A fitou com o rosto ainda confuso, não percebendo que fugira. A mão da Capitã veio até sua face, para em seguida a tenente não sentir mais seu corpo, sendo levada de volta ao quarto.
"Eu senti sua energia, Hinamori-san. Está fraca demais para escondê-la."
"Unohana-taichou..."
"Peço que fique em seu quarto, ainda não está muito bem."
"Tá..."
Hinamori, de volta ao seu quarto, fitou a carta amassada ao canto. A pegou, abraçando-a, tentando ter certeza de que tudo era apenas um sonho, inutilmente. Perdera a conta de quantas vezes fizera aquilo, todas originando uma raiva de si mesma.
Porém, daquela vez foi diferente. Hinamori soltou o papel, pisando sobre o mesmo. Sentou-se em seu futon, fechando os olhos. Pensava em Aizen, e em Hitsugaya. Não sabia em qual lado confiar, mesmo que a verdade teimasse em gritar em sua mente.
o.o.o
Um Capitão andava silenciosamente pelas sombras dos prédios. O caminho que seguia era um costumeiro, apesar da hora da noite. Viu Unohana mais ao longe, utilizando o Shunpo para chegar até ela. Esta, não ficou surpresa nem nada, apenas sorriu como de costume.
"Ela acordou mesmo?"
"Sim, e já fugiu do quarto."
Hitsugaya arregalou os olhos, pronto para sair correndo pela Soul Society inteira à procura da tenente. Unohana riu, atraindo a atenção do mesmo.
"Mas já conseguimos regatá-la, agora ela está no quarto sem problemas."
"Mesmo? Hinamori tem um pequeno vício em fugir dos lugares que a colocam."
"Não se preocupe, dessa vez é verdade."
O taichou se acalmou, fitando-a como sempre. Fez um pequeno sinal com a cabeça e seguiu seu caminho, rumo ao quarto de Hinamori. Passos lentos, já que ele não tinha pressa. Apenas esperava conversar como queria, daquela vez.
o.o.o
Hinamori estava na mesma posição há minutos. Apenas piscava, com um pressentimento estranho. Levou a mão ao peito, como se tentasse acalmar-se. Em vão. Aquele silêncio todo a matava, aquele quarto parecia sufocante como nunca fora.
Olhou novamente para a lua na janela, admirando seu brilho. Ela era livre, estava solta sem empecilhos para seguir seu rumo, escolhendo acompanhar sempre o planeta com seu brilho. Porém, o mesmo somente existia porque também havia o sol. Aquele que a iluminava, que realmente a dava um propósito maior.
"Seria eu... a lua?" - Ela se perguntou.
Momo olhou novamente para a carta do ex-taichou. Seu coração se apertou de novo, como uma ferida incurável. Talvez o fosse, realmente, por mais que tentasse aceitar os fatos. Ah, era tudo tão difícil.
Quebrando o contato visual com qualquer coisa, ao fechar os olhos, a shinigami se lembrou, com dor, o momento em que acordara, sedada, mal sentindo seus dedos. Ouvira a notícia do próprio Yamamoto, porém não expressando nada, devido ao calmante. Apenas as silenciosas lágrimas de um rosto congelado eram a prova de todo o seu sofrimento. Apenas o desgaste de seu corpo mostrava como não se importara com mais nada depois daquilo. Até se lembrar dele.
"Se eu sou a lua... quem é o meu sol?"
Ainda com a mão no peito, uma imagem se formou em sua cabeça. Aizen, sorrindo como sempre, estava sendo rodeado pela mesma, que o admirava sorridente. Assim que se afastava, encontrava um pequeno garoto de cabelos brancos, que sempre arrancava um sorriso mais sincero de seu rosto.
Hinamori sorriu, inconscientemente.
Levantou o olhar, determinada, no mesmo instante em que a porta se abriu, levemente.
Continua...
Oh, o penúltimo capítulo foi feito!
Espero que não esteja tão ruim, o escrevi quando passava por um redemoinho de emoções, então uma parte pode fazer uma pessoa sorrir e em outra deixa-la pensando até perder os miolos. Cruel da minha parte, eu sei.
Essa 'filosofia' da lua me veio como um baque na cabeça, e eu não resisti. Sinceramente, me parecia muito com a situação da Hinamori, pelo menos ao meu ver. (pirralha, tá usando vocabulário muito pra frente pra você.)
Agradeço à Marih-chann, Dayu Oura e Hakeru-chan pelas review. Adorei mesmo n.n
O próximo sai em breve. (to começando a escrever, mas preciso pensar com calma e menos melancolia, caramba.)
Até mais. ;)
