Nova Escuridão

Ato II - Tsuki

- Venha comigo.

A voz grave havia pedido, mas ao seus ouvidos parecia que tinha ordenado. Isso sempre acontecia. O tom de voz de Sephiroth podia soar como um pedido, mas para ele, Vincent, sempre soaria como uma ordem. Era como um feitiço. Um feitiço que o impossibilitava de dizer não aquele homem de olhos verdes tão profundos quanto o oceano. Ele não gostava disso, o fazia sentir como se fosse um boneco nas mãos daquele antigo vampiro. Não conseguia imaginar quantos séculos os diferenciavam, o quanto Sephiroth era antigo, e temia por isso. Temia por estar sendo vítima dos poderes do outro vampiro, realmente como se fosse um boneco, um brinquedo com o qual ele se divertia. A sensação de não poder negar nada a Sephiroth apenas aumentava esse temor.

A incapacidade de negar o fizera acatar o pedido - ordem do vampiro mais velho. Agora, ambos se encontravam caminhando pelas ruas desertas. Suas peles eram tocadas pelo suave brilho da lua, que os acolhia no manto da noite como uma mãe acolhe seus filhos. A pele de Sephiroth, talvez pelo fato de ele ser mais velho, parecia feita de mármore e isso só aumentava sua beleza. A palidez de sua pele era refletida pele lua e acentuada por suas roupas negras. Seus longos cabelos prateados caiam por sua face de vez em quando, momentaneamente encobrindo seus olhos verdes e aumentando o ar de mistério que eles possuíam por natureza. Seus lábios finos e vermelhos estavam sempre esticados em um fino sorriso. Um sorriso que ele sabia, era falso. Nunca conseguira compreender Sephiroth, mas nada tirava de sua cabeça que tudo o que ele fazia era falso, interpretado. Como se o antigo vampiro fosse um ator que participava de uma intensa e eterna peça teatral.

Decidiu parar de observar Sephiroth antes que fosse totalmente tragado por pensamentos sobre o outro. Começou, então, a reparar no caminho que seguiam. Conforme caminhavam as ruas ficavam mais e mais escuras, não que fosse um problema para eles, podiam muito ver perfeitamente no escuro, mas era estranho. Parecia que quanto mais eles se aproximavam de seja - lá - onde - for que Sephiroth queria chegar, mais a escuridão os envolvia e os puxava para seus braços. Era uma sensação estranha, como estar sendo sufocado.

Reparou também que o caminho ficava menos asfaltado conforme eles andavam e as árvores e o mato, a natureza em si, ficava cada vez mais presente. Desejava saber para onde estavam indo. Não se atreveria a perguntar. Sabia que Sephiroth não responderia. Poderia não compreender aquele homem, mas o conhecia.

O tempo passou e seus olhos puderam distinguir um esboço na escuridão. Esboço do que parecia ser uma casa, não, uma mansão. Uma antiga mansão rodeada por um grande jardim e protegida por um alto portão de ferro que, por ter sido pintado de negro, se fundia a escuridão praticamente desaparecendo. Olhou de relance para Sephiroth. Em seu interior, querendo questionar que lugar era aquele.

- Minha casa. - Sephiroth respondeu ao mudo questionamento. - Venha.

E a mão branca como o mármore e fria como o gelo tocou a sua e o puxou enquanto que a outra mão afastava o portão para que pudessem entrar. Seus olhos passaram por todo aquele belo e mórbido local. As sombras dominavam completamente o jardim que, por sua vez, não possuía quase nenhum tipo de flor. Aliás, possuía apenas um tipo de flor: Flor de Lycoris. Sem que percebesse, um sorriso nasceu no canto de seus lábios. Mesmo depois de tantos anos, Sephiroth ainda gostava daquela flor. O jardim também possuía várias estátuas e árvores. Apesar de possuir um ar de morte, era muito bonito.

Sephiroth o guiou por um caminho feito de pedras até a entrada da mansão. A morada de Sephiroth era toda feita de pedra, a porta principal era feita de madeira. De cada lado da porta havia uma janela que tomava do o espaço da porta até o final da construção em largura e até a divisão com o segundo andar em altura. Embora fossem feitas de vidro, as janelas não permitiam nenhum tipo de visão. Parecia estar absolutamente escuro lá dentro.

O vampiro mais velho abriu a porta surpreendendo-o com a visão de dentro da mansão. De fora, não se conseguia ter nenhuma imagem de dentro, tinha-se a impressão de que só havia escuridão ali, mas de dentro... Dentro da mansão estava tudo iluminado! Velas estavam esparramadas pelo saguão de entrada, colocadas em mesas sobre pequenos pratos ou em candelabros. As janelas davam uma perfeita e bela visão do jardim e do céu noturno. Era tão...surreal essa diferença de visões.

O saguão de entrada da mansão tinha o chão revestido com carpete vermelho bordado com desenhos tribais em preto. As paredes eram decoradas com quadros de paisagens noturnas. O fato de toda a construção ser feita de pura pedra dava a ela um ar imponente, poderoso, belo. Na direção da porta estava uma escada que se estendia e se abria em dois corredores que davam acesso ao andar superior. Abaixo dos corredores havia dois sofás, cada um embaixo de um corredor. E, para sua imensa surpresa, em cada sofá havia dois rapazes.

No sofá da sua esquerda os dois rapazes estavam sentados lado a lado. Um moreno e outro loiro. O moreno estava sentado com as costas retas, uma mão sobre as pernas cruzadas. A outra mão se encontrava no ombro do rapaz loiro ao seu lado que, por sua vez, apoiava o rosto em seu peito e as mãos em suas pernas. Ambos possuíam olhos azuis. Ambos estavam vestidos de negro.

No sofá a sua direita os dois rapazes também estavam lado a lado. Um, de pele morena, estava sentado com as costas retas, pernas e braços cruzados, seus olhos ocultos por óculos escuros. Ao lado deste estava o outro rapaz. Este, de cabelos vermelhos e olhos verdes, estava sentado no encosto do sofá, seus pés apoiados no assento. Um braço descansava sobre sua perna enquanto o outro servia de apoio no encosto do sofá, mas estava oculto já que estava logo atrás do outro rapaz.

Os quatro rapazes o encaravam. O moreno, o loiro e o ruivo sorriam levemente. O outro mantinha uma expressão séria.

- Estes são meus filhos. - a voz de Sephiroth ecoou pelo saguão. Apontou para o loiro e o moreno: - Estes são Cloud e Zack. - ambos fizeram um leve cumprimento com um movimento da cabeça. Sephiroth apontou para os outros dois rapazes: - Estes são Rude e Reno. - os dois fizeram o mesmo tipo de cumprimento.

- Seus filhos? - perguntou confuso encarando o outro vampiro.

- Sim, meus filhos. - Sephiroth respondeu com a voz calma enquanto voltava o olhar para si - Assim como você.

- Você quer dizer que, assim como fez comigo, vocês os transformou?

- Sim. - a mesma voz calma.

- Por quê? - não sabia o por que, mas sua voz soara como uma súplica.

- Porque, às vezes, o desejo de um se torna o desejo de dois.

Não compreendeu a resposta de Sephiroth. O que ele queria dizer com aquilo? Desviou seu olhar das íris verdes para os quatro rapazes. E então pôde notar detalhes que deixara escapara em sua primeira observação. A mão de Zack, que permanecia apoiada em suas pernas cruzadas, estava entrelaçada com as mãos de Cloud. A mão que servia de apoio para Reno não estava apoiada no encosto do sofá, na verdade estava apoiada levemente no ombro de Rude.

- Eles estão juntos. - a voz sussurrada de Sephiroth atingiu seus ouvidos e um arrepio correu por sua coluna. - Um é a companhia do outro. Assim como eu quero que você seja a minha companhia.

Não respondeu, mas seu olhar vermelho foi de encontro ao olhar verde de Sephiroth. Reparara agora que o vampiro apoiara as mãos em seu ombro quando se aproximara para fazer o comentário. Perguntas surgiram em sua mente. Ser a companhia eterna de Sephiroth era uma coisa boa ou ruim? Mais importante: ele queria ser a companhia eterna de Sephiroth? Olhou no fundo dos olhos verdes e encontrou sua resposta. Ah, ele queria! E como queria! Seu maior desejo, o desejo que ficara trancado em seu coração durante todo esse tempo era apenas esse: passar a eternidade ao lado daquele vampiro incompreensível. Mesmo que isso custasse toda a sua sanidade...

- x -

Vendo que Vincent parecia ceder, pegou em sua mão e o guiou pela escada até chegarem ao segundo andar. Caminharam pelo corredor da direita indo em direção ao quarto. Durante todo o trajeto seus olhos não abandonaram a figura do jovem vampiro nem por um segundo. A beleza do outro o hipnotizava. Seus cabelos lisos e negros como a escuridão caiam por seus ombros com elegância e sobre seus olhos com charme dando as íris vermelhas uma ar de luxúria e pecado. A pele pálida destacada pelas roupas negras brilhava com o toque das velhas espalhadas pelo caminho. O fogo das mesmas velas era refletido nos olhos vermelhos dando a impressão que eram feitos de algum líquido vermelho, líquido que, na sua opinião, seria sangue. Sangue, luxúria e pecado. Ah, como ele adorava aqueles olhos! Ainda mais quando os mesmos encaravam seus próprios olhos de maneira tão direta e sincera. Aquele jovem vampiro era um poço de transparência, quase como se ainda fosse humano. Talvez tenha sido essa capacidade de se manter humano que o fazia admirar tanto Vincent. Porque o que o atraíra naquele jovem com certeza foram os olhos...

Abriu a porta, guiou o moreno para dentro e a fechou, trancando-a, embora soubesse que ninguém ousaria incomodá-lo. Olhou para Vincent. O moreno observava todo o quarto. Sorriu ao ver que os olhos vermelhos se arregalaram levemente ao ver o caixão depositado no chão e encostado na parede ao fundo do quarto. Silenciosamente se aproximou colocando suas mãos sobre o peito forte. Os olhos vermelhos voltaram instantaneamente para si. Deslizou suas mãos do peito para o abdômen e deste para a cintura, onde segurou firmemente. Olhou nos olhos vermelhos, aproximou seu rosto do rosto do outro, deixando seus lábios tocarem levemente os lábios alheios quando sussurrou:

- Fique comigo.

Com um movimento firme puxou Vincent pela cintura enquanto tomava a boca alheia para si com fome. Sorriu em meio ao beijo ao sentir as mãos do moreno agarrarem seus ombros. Subiu suas mãos da cintura para as costas de Vincent enquanto aproveitava a retribuição deste ao seu beijo. Desceu suas mãos novamente, dessa vez parando-as na base da coluna do moreno. Quebrou o beijo e sorriu. Um sorriso malicioso. Segurou Vincent firmemente contra si e o guiou até o caixão no fundo do quarto caindo dentro dele abraçado com o jovem vampiro.

- Fique comigo.

Pediu novamente enquanto beijava a orelha do rapaz deitado abaixo de si. Sorte que seu caixão era grande o suficiente para caberem os dois sem nenhum tipo de problema. Ouviu o moreno suspirar e voltou seu olhar para ele. Vincent tinha fechado os olhos. Sorriu sentindo as mãos do moreno em sua cintura. Entendeu o sinal de entrega. Ainda sorrindo, o beijou com fome e luxúria decidido a ter o rapaz para si durante toda a noite.

- x -

No saguão da mansão quatro rapazes conversavam calmamente.

- Então aquele é Vincent Valentine? - perguntou o moreno.

- Deve ser. Vincent Valentine é o único que Sephiroth deseja. - respondeu o ruivo.

- Espero que ele não atrapalhe os planos de Sephiroth. - comentou o loiro.

- Ele não irá. - respondeu o moreno dando um beijo nos cabelos loiros do jovem em seu colo. - Sephiroth não deixará.

O loiro suspirou. O olhar dos quatro caiu sobre o lua que brilhava cheia e bela no manto azul do céu.

- x -

Notas da Autora: Etto...acho que deu pra reparar mas a primeira parte do capítulo foi pelo ponto de vista do Vincent e a segunda pelo ponto de vista do Sephiroth. Se não deu para entender me avisem que no próximo capítulo eu coloco indicações de mudança de Pov, ok? ^^"

Mas e aí, o que acharam? Tá bom? Tá ruim? Deixem reviews! 8D

Ah, só pra avisar: a participação do Cloud, do Zack, do Reno e do Rude será bem pequena na fic, tá? Ela será realmente centrada na relação Vincent x Sephiroth.

Tsuki = Lua

No próximo capítulo: O início da relação entre Sephiroth e Vincent. (ou seja, o capítulo vai ser no estilo "flashback")

Nee...deixem reviews! Críticas e sugestões são sempre bem vindas, obrigada! E que que custa hein? Deixar um reviewzinho para uma autora baka que nem eu?! Lembre-se: faz bem ao coração! Ao meu e ao seu! 8D

Ja nee yo Minna-san!

Lavi Black