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Audácia
"Ela ousava amar de verdade… Ele estava decidido a duelar com o destino…"
Adaptação da obra de Candace Camp.
Disclaimer: Todos os personagens desta história (funga) não me pertencem. E, infelizmente, (limpa as lágrimas do canto dos olhos) Kishimoto-sensei não quis me dar nenhum deles de aniversário.
Capítulo 1.
1885
Uma carruagem em passo ágil surgiu na curva abaixo. Sakura, olhando do alto da rocha, cobriu os olhos com a mão para ver melhor. Era uma carruagem grande, negra e confortável, muito parecida com a do irmão. Entretanto, Shikamaru e Temari ainda deviam, com certeza, estar em Londres. Era o ponto alto da estação e Shikamaru raramente se recolhia ao campo, em Haruno, especialmente durante essa época.
Apesar disso, Sakura teve a impressão de vislumbrar uma mancha dourada na lateral, que vista àquela distância podia muito bem ser o brasão da família. De qualquer modo, dirigia-se ao castelo. O que mais havia nesta estrada além de Haruno? E quem mais viria numa carruagem a não ser o irmão? A não ser, é claro, pensou com um suspiro, que fosse alguém como a tia-avó Natsumi, para passar algumas semanas com a irmã. Tendo suportado a visita da irmã da avó há apenas dois meses, Sakura duvidava ser capaz de suportar outra temporada.
Recolheu os lápis de desenho e o bloco e desceu da rocha, assoviando para os cachorros. Sócrates, que perambulava procurando alguma travessura, voltou correndo, as orelhas esvoaçando comicamente. Pakkun, dormindo a sono solto numa rocha ao sol, simplesmente abriu um dos olhos, sem vontade de fazer o menor esforço até ver que sua dona estava indo para algum lugar.
- Venha logo, seu cachorro preguiçoso - Sakura disse ao seu pequeno spaniel. - Hora de ir para casa. Por que você não é como Kin? Está vendo? Ele já se levantou e está pronto para partir.
Kin balançou o rabo, orgulhoso com o elogio, e ela se inclinou acariciando-o e depois cocando atrás das orelhas de Pakkun. Nesse momento, Sócrates tocou-lhe a mão com a pata e enfiou a cabeça debaixo de seu braço para ser incluído no carinho.
- Sócrates, seu cachorro bobo - resmungou afetuosamente. - Se existe um cachorro menos merecedor de um nome...
Ele respondeu dando-lhe uma lambida na bochecha antes que ela pudesse se afastar.
- Vamos - disse levantando-se e pegando o bloco e a caixa de lápis. - Vamos ver quem é nosso convidado.
Começaram a descer a colina por um atalho. Como a estrada era sinuosa, sabia que chegaria logo depois da carruagem. Sócrates encabeçava o cortejo, o rabo peludo balançando, correndo na frente para voltar a cada poucos segundos e fazer contato com eles. Sakura continuou em passo lento por causa de Kin. Embora ele andasse direito com apenas três patas, não podia manter o passo rápido. Pakkun, no seu habitual estilo companheiro, permaneceu do outro lado de Sakura, distraindo-se de vez em quando com algum cheiro diferente.
Ao chegarem a Haruno, Sakura constatou ser realmente a carruagem de Shikamaru estacionada na porta da frente. Os criados ainda descarregavam baús da parte superior. Ela correu escadas acima e atravessou a porta da frente.
- Shikamaru?
Dirigiu-se à escadaria principal e parou quando um cachorro velho amarelo, o pêlo já mesclado de branco, aproximou-se para cumprimentá-la.
- Oi, meu velho amigo - disse, ajoelhando-se para afagá-lo. - Lamento termos saído sem você hoje. É que a estrada era muito longa e árdua para você.
A expressão dos olhos velhos era sábia e digna. Sakura passou o braço ao redor de seu pescoço e deu-lhe um abraço. Bunto era seu cachorro mais velho; tinha quase 15 anos e, para ser sincera, ainda ocupava o lugar de favorito em seu coração. Sempre lhe doía deixá-lo para trás. Entretanto, era também muito doloroso vê-lo tentar acompanhá-los, sempre ficando para trás e sem conseguir acompanhá-los se apressavam o passo.
Neste momento, um gato laranja esgueirou-se graciosamente pelo corrimão das escadas, pulou no ombro de Sakura e se enrascou com familiaridade em torno do seu pescoço. Sakura subiu as escadas, o grupo de animais seguindo-a, e percorreu o corredor até a sala de estar preferida da avó. Ao longo do caminho, outro gato juntou-se ao grupo, este um persa gordo cinzento com uma cara tão achatada que Shikamaru caçoava dizendo que ele parecia ter batido com o focinho na porta.
As duas ladies Bridbury, sua mãe e sua avó, encontravam-se na sala de estar: a mãe semi-inclinada num sofá e a avó sentada ereta perto da lareira. A mais idosa deixou escapar um deselegante mu¬xoxo diante da visão de Sakura rodeada pelos animais.
- Honestamente, Sakura, as pessoas vão começar a dizer que você é esquisita se persistir em andar por aí com esse jardim zoológico. - Ela ajustou o monóculo e olhou para Kin. - Principalmente quando alguns deles são tão... diferentes.
- Não; simplesmente dirão que eles combinam perfeitamente comigo. Todo mundo já acha que sou esquisita, a senhora sabe. - Atravessou a sala e deu-lhe um beijo na bochecha como cumprimento e depois se virou para mãe. - Oi, mamãe. Como está se sentindo esta tarde?
- Nada bem - respondeu a mãe numa voz apagada. - Mas, afinal, já me acostumei. As pessoas aprendem a aceitar.
- Eu diria que você devia estar acostumada. - Tsunade, a avó de Sakura, comentou: - Você nunca está bem.
Hana, a mais jovem lady Haruno, assumiu um ar de mártir, sua usual expressão quando perto da sogra, e disse, orgulhosa:
- Sim. Não gozo de boa saúde. Mas, afinal, sempre foi assim com os Tsuni.
- Bando de fracos - pronunciou Tsunade com desprezo. -Graças a Deus os Haruno não sofrem desta fraqueza. Eu só tive um resfriado o inverno inteiro.
Hana lançou à sogra um olhar de piedade. Conhecia a condessa há quase 35 anos e ainda era incapaz de compreender por que a mulher se orgulhava tanto de sua condição robusta. Em sua opinião, uma mulher devia sofrer de alguma coisa a maior parte do tempo, caso contrário jamais receberia suficiente atenção dos membros masculinos da família.
Entretanto, Hana sabia ser inútil tentar fazer lady Haruno compreender outro ponto de vista além do seu, então se voltou para a filha.
- Você estava caminhando, querida? Devia se agasalhar. Pode pegar um resfriado. Sei que estamos em abril, mas o vento, você sabe, pode ser tão perigoso... Deveria usar um cachecol.
A avó revirou os olhos, mas Sakura simplesmente sorriu para a mãe e respondeu:
- Sem dúvida. A senhora tem razão, mamãe.
Beijou-a no rosto também e cumprimentou a Srta. Yuuhi, a apagada acompanhante da avó, sentada perto da lareira, tricotando. A Srta. Yuuhi respondeu com uma estranha inclinação de cabeça e continuou a tricotar. Sakura sentou-se entre a mãe e a avó.
- Shikamaru veio para casa? Vi a carruagem lá fora.
- Sim. E trouxe um jovem definitivamente peculiar com ele - respondeu Tsunade. - Um americano.
- Um americano? Nem tinha conhecimento de que Shikamaru conhecia alguém na América.
- Normalmente ninguém conhece - concordou Hana.
- Este é um dos motivos de ser estranha a chegada dele. Shikamaru disse ser um tal de Sr. Sabaku. Gaara no Sabaku. Pergunto a vocês, que tipo de nome é este? Soa como um plebeu, mas, afinal, suponho que todos os americanos sejam, não é? Parece um administrador, mas, quando comentei, Shikamaru negou. - O franzir de testa parecia indicar que ela suspeitava que ele mentira.
- Eu o achei bastante encabulado - mencionou Hana. Era raro que sua opinião sob qualquer assunto coincidisse com a da sogra, embora nunca discordasse diretamente. - E, claro, ele fala daquele jeito americano, mas, fora isso, parecia um cavalheiro.
- Sim, mas o que está fazendo aqui? Esta é a questão, Hana - comentou Tsunade, impaciente. - Não se ele é educado.
- Mas o que Shikamaru também está fazendo aqui? - perguntou Sakura. Ela, é claro, vivia em Haruno o ano todo já fazia quatro anos, desde o divórcio e o consequente escândalo. Mas Shikamaru e a esposa passavam a maior parte do tempo em Londres.
- Foi o que perguntei - garantiu Tsunade. - Mas ele não me respondeu. Disse que precisava falar primeiro com você. - Parecia insultada.
- Comigo? - Sakura ficou surpresa. Amava o irmão e lhe devia muito pelo que fizera por ela nos últimos anos. Tinham um relacionamento amigável. Mas não podia imaginar nada que ele quisesse discutir com ela antes de fazê-lo com a avó. Sakura tinha consciência de que sua posição na família era a de menor importância, exceção feita talvez à da Srta. Yuuhi.
- Sim. Aparentemente esse Sr. Sabaku vai participar da discussão também. Ele e Shikamaru retiraram-se para a biblioteca. Nunca fiquei tão surpresa. Entretanto, acredito que a geração atual é, com frequência, deselegante. - Suspirou.
Sakura a fitou.
- Sr. Sabaku? Mas por quê?
- Acabei de dizer. Não faço a menor idéia - respondeu a avó, ácida. - Eu não fui informada de nada por seu irmão. Melhor ir até a biblioteca e perguntar você mesma. Entretanto, por favor, suba até seu quarto e vista algo mais apresentável primeiro.
- Sim, vovó, claro. - Era inútil argumentar que se Shikamaru esperava por ela, sua avó deveria ter lhe dito antes. Levantou-se, dizendo: - Se me derem licença, vovó, mamãe.
- Claro, minha querida criança - respondeu a mãe, cheirando o lenço com perfume de lavanda, obviamente sofrendo outro de seus ataques de fraqueza. A avó acenou peremptória para Sakura.
- Sakura! - chamou Tsunade, quando ela alcançou a porta. - Pelo amor de Deus, deixe esses animais para trás. Não pode se encontrar com essa pessoa americana parecendo um guarda de zoológico.
- Sim, vovó. Talvez deva deixar os cachorros aqui.
A avó ergueu uma única sobrancelha diante do atrevimento e acenou para que saísse da sala.
Sakura atravessou a longa galeria que se estendia diante da casa e entrou na ala oeste, onde ficavam os quartos. Encontrou sua empregada, Ino, esperando por ela no quarto. Ino já estendera na cama um dos melhores vestidos de Sakura, de veludo verde-escuro, e um par de calçados combinando aos pés da cama.
Sakura não se surpreendeu com o fato de sua empregada particular estar ciente de que ela deveria reunir-se ao irmão e ao convidado. Na verdade, não ficaria surpresa se Ino soubesse o motivo de Shikamaru ter ido a Haruno. Não havia nada tão ligeiro ou tão eficiente quanto os boatos dos criados.
Ino, uma mulher da mesma idade de Sakura, de olhos azuis risonhos, fartos cabelos louros e de corpo cheio, saltou da cadeira quando Sakura entrou e correu para ela, estalando a língua em sinal de reprovação.
- Onde esteve? Parece que metade do campo está colado em sua saia. Esteve fora pintando de novo, hein?
- Sim. Preciso confessar que estava. - sakura olhou para a saia, um pouco surpresa de descobrir que vários carrapichos e alguns gravetos, bem como poeira e pedaços de grama seca estavam pendurados na barra do vestido. - Esperava encontrar algumas flores já desabrochadas, mas só encontrei liquens nas rochas.
- Bem, se não são flores, são passarinhos ou algum tipo de arbusto, ou sei lá o quê. - Ino sacudiu a cabeça. - Milady, vou lhe dizer a verdade. Não posso imaginar o que a senhora vê nessas florzinhas, crescendo entre as fendas e que parecem mais mato do que qualquer outra coisa.
- Elas me intrigam... tão secretas e escondidas. É como encontrar um prêmio quando se vislumbra algo único. E são adoráveis. Simples e delicadas. Além do mais, assim tenho algo para fazer.
- Bem, vender seus desenhos para jornais e revistas faz sentido, para ganhar algum dinheirinho.
- Sim. - Sakura adorava flores, arbustos e pássaros tanto quanto gostava de desenhar a lápis ou aquarela, mas era bom conseguir vender alguns desenhos vez por outra para periódicos e livros. Assim ganhava um dinheiro para os alfinetes, o que a poupava de depender de Shikamaru para absolutamente tudo. Ela perdera sua herança, é claro, ao deixar Sai; o dote que levara para o casamento permanecera com ele. Ela não se arrependia da perda; nunca se arrependeria. Mas era duro ter de viver da gentileza de outrem, mesmo do irmão.
Ino desabotoara a fileira de minúsculos botões nas costas do vestido de Sakura e a ajudava a tirar a roupa enquanto falava.
Agora entregou o vestido verde para Sakura, ainda tagarelando satisfeita. Ino sempre se permitia mais liberdades do que a típica empregada. Começara a trabalhar como criada particular de Sakura quando ambas eram adolescentes e desde o início as duas sempre foram próximas. Ino acompanhara Sakura quando ela se casou com lorde Sai há alguns anos e o laço entre elas foi forjado em aço durante a dura prova daqueles anos. Fora Ino quem ajudara Sakura a reunir coragem para deixar Sai e depois a acompanhara quando ela fugiu de casa no meio da noite. Por sua corajosa lealdade, Sakura gostava de Ino quase como se fosse uma irmã. Desde o divórcio, suas outras amigas, mesmo as íntimas como sua prima Cee-Cee, haviam se afastado. Ino era agora a única confidente de Sakura, sua mais preciosa amiga, e só a insistência de Ino a fazia continuar a servir Sakura como criada particular. Sakura tinha pedido a ela que permanecesse em Haruno como sua acompanhante. Ino declinara da oferta.
- Uma dama de companhia? Não, isso é só para mulheres oriundas de boa família. Além do mais, não poderia me satisfazer com isso, poderia? Preciso de algo para fazer e não ficar bordando. Também gosto de ganhar meu próprio dinheiro e de não viver graças à caridade de alguém. E como escravidão, eu acho, como se vender, apenas para se gabar de ser refinada. Mas não sou refinada, nunca serei. Melhor suar e ter minha independência.
- Você viu o ianque que chegou com Sua Graça? - Ino perguntou agora, ajoelhando-se e começando a amarrar os sapatos de Sakura.
- Não, não vi. E você?
- Ah, vi. Eu trouxe algumas das malas dele. Só para ver como ele era, a senhora sabe, e talvez ter uma idéia de quem ele era. - Ela riu. - Quando as levei para o quarto dele, ele já estava lá, e tinha tirado a camisa. Pareceu um bocado surpreso ao me ver. Bati e ele me mandou entrar, mas acho que estava esperando um dos lacaios. Juugo e Suigetsu estavam carregando os baús. Ele ficou de boca aberta e vermelho. Depois começou a colocar a camisa as pressas. Ele a deixara cair no chão e precisou pegá-la, e enfiou o braço na manga errada e não conseguia vestir-se. Continuou tentando e se contorcendo, aquele braço pendurado esvoaçando como um pássaro doido. Quase caí na risada. Acho que pude dar uma olhada melhor do que esperava nele. - Sakura não pôde evitar o sorriso.
- Pobre homem. Aposto que você não fez nada para deixá-lo à vontade.
- Claro que fiz. Fiz uma reverência e perguntei se gostaria que eu desfizesse as malas, tentando agir como se não houvesse nada errado. Mas ele continuou pedindo desculpas para mim. -Ela sacudiu a cabeça, divertida.
- Bem, ele é americano. Talvez não esteja acostumado com castelos, criados e coisas afins.
- Acho que ele não está acostumado com garotas - retrucou Ino. - Ele assumiu um ar sério e ficou tão ereto que poderia quebrar caso tentasse se curvar. E veste-se simplesmente. Não estava malvestido, apenas... tão sisudo. Todas as outras garotas o acharam bonito demais. Eu só o achei comum, mas tem gente que gosta desse tipo que passa a vida fechado. Prefiro homens com alguma carne e músculos. - Ela sorriu. - Para ter algo para apertar, a senhora sabe.
Sakura balançou a cabeça, simulando desespero. Ino era uma namoradeira inveterada e Sakura tinha certeza de que ela devia ter deixado mais de um pobre coração masculino apaixonado. Mas ? ela gostava de falar como se fosse mais assanhada do que era para entretê-la, deduziu Sakura.
- Você descobriu o motivo de ele estar aqui? - perguntou quando Ino acabou de amarrar os sapatos e levantou-se para dar uma olhada crítica no efeito geral.
- Não. Como o criado de Sua Graça não abriu a boca, também não deve saber. Só sei que Suigetsu deu uma espiada numa das malas e encontrou um monte de papéis com aparência importante dentro.
- Um administrador, talvez. Ou um homem de negócios. Eu me pergunto o que isso tem a ver com Shikamaru – murmurou Sakura. - E mais ainda, o que isso pode ter a ver comigo? Bem, suponho que o único modo de descobrir é ir até lá.
Mas Ino não a deixaria sair até ter-lhe arrumado o cabelo um pouco, prendendo as mechas soltas durante a caminhada.
- Pronto, agora a senhora está linda.
Sakura mal olhou sua imagem no espelho. Fazia muitos anos que não se preocupava com a aparência. Tudo que lhe importava era ter a aparência limpa e comum. A última era uma tarefa difícil para uma mulher com os cabelos da cor de quartzo-rosa, descobrira, mas ao longo dos anos encontrara uma forma de passar despercebida. Usava cores mortas, roupas simples e o cabelo sempre preso num simples coque baixo. Nunca usava jóias, à exceção de um camafeu no pescoço. Mesmo as mãos não tinham ornamentos, as unhas eram cortadas curtas e não usava anéis.
Caminhou até a biblioteca e bateu de leve na porta. Shikamaru respondeu, convidando-a a entrar. Quando o fez, Shikamaru pôs-se de pé, assim como o homem sentado na poltrona à sua frente. Sakura lançou um olhar rápido e curioso para o homem, notando que ele era, como Ino dissera, não feio, mas talvez um pouco rígido.
- Sakura! - Shikamaru sorriu e se aproximou para dar-lhe um leve beijo no rosto. - Você parece estar com boa saúde.
- E você também. Esta é uma agradável surpresa.
- Não tão agradável para vovó, acredito. - Shikamaru sorriu. - Pensei que ela ia me comer vivo por ter chegado sem avisar.
- Temari veio com você? - perguntou quando o irmão a conduziu até as poltronas.
- Não. Não podia esperar que Temari deixasse Londres durante a estação. - Ele parou diante do convidado. - Sakura, gostaria de apresentá-la ao Sr. Sabaku.
O homem em questão acenou austeramente e trocaram cumprimentos. Quase imediatamente Sabaku pediu desculpas dizendo ter certeza de que o conde gostaria de conversar sozinho com a irmã. Sakura esperou educadamente até o jovem deixar a sala e voltou-se a seguir para o irmão, erguendo as sobrancelhas.
- Shikamaru... o que está acontecendo? O que está fazendo aqui no meio da estação? E quem é esse jovem?
- Um americano. Assistente de outro americano cujo nome não sei - acrescentou sombrio.
- Mas o que isso tem a ver comigo? Vovó disse que você queria me ver.
- Tem muito a ver com você. Bem, com todos nós, mas é você quem... - Parou e suspirou. - Desculpe. Estou embaralhando tudo. Tenho andado em tal estado recentemente... É incrível que eu possa fazer algum sentido. Aqui, sente-se e começarei tudo de novo.
Eles se sentaram nas poltronas de couro, um diante do outro, e Shikamaru, respirando fundo, deu início à história:
- Começou... ah, não tenho certeza! Acho que um ano ou dois atrás. Alguém comprou parte das minhas ações nas minas de estanho. Precisávamos consertar a casa na cidade e de algum modo Temari e eu parecíamos ter uma quantidade absurda de gastos, e também, de qualquer modo, vendi boa parte das ações. Diria cerca de dez por cento da mina. Depois, no último ano, vendi outro lote das ações da mina, não tanto dessa vez. Na ocasião, Gimna chamou minha atenção para o fato de que alguém tinha comprado outras ações da mina. Você sabe, tia Tsuki era dona de uma parte e depois houve uma partilha entre seus filhos quando ela morreu, e todos venderam suas ações. Houve várias vendas como essa. Achei estranho Gimna não querer que eu vendesse mais, porém não vi nenhum mal nisso. Não era a mesma pessoa para quem eu vendera o primeiro lote, ou assim eu acreditava, e nossos primos tinham vendido para outras empresas e pessoas. Então, vendi outro lote, quase dez por cento de novo. Bem, há três ou quatro semanas Gimna recebeu uma carta. Uma empresa nos Estados Unidos alegava ser proprietária da maioria da mina. Acabamos descobrindo que Jiraya... amigo de vovô, você se lembra dele, não é?... vendera a essa empresa sua cota de quinze por cento. E a Sharingan... este é o nome da empresa americana... era dona também de cada uma das ações vendidas ao longo dos anos, incluindo as duas vezes que vendi.
Sakura o fitou por um momento, assimilando a informação. Finalmente, disse:
- Você quer dizer que essa empresa americana na verdade controla nossa mina?
Shikamaru assentiu, parecendo infeliz.
- Lamento, Sakura. Não sei o que aconteceu. Até mesmo Gimna ficou surpreso. Ele sabia que havia alguma movimentação, mas não que tudo estava sendo comprado pela mesma empresa.
- E isso é tão ruim? Quero dizer, compreendo que você esteja ganhando menos dinheiro do que antes, mas isso teria acontecido mesmo que pessoas diferentes tivessem comprado de você.
- Sim, mas Sharingan agora controla as decisões. E eu não. A empresa pode fazer o que bem entender com a mina.
- Entendo. Então, se eles tomarem decisões erradas, você será afetado.
- Todos seremos afetados.
Sakura tinha consciência de que isso era verdade. Era completamente dependente do irmão, e também sua mãe e sua avó. Toda a fortuna pertencente aos Haruno passara para Shikamaru.
- Claro. Mas é tão grave? Não podemos presumir que eles tomarão decisões erradas, podemos?
- De acordo com a carta, eles pretendem fechar a mina. - Sakura ficou boquiaberta.
- O quê? Você não pode estar falando sério!- Ele acenou vigorosamente.
- Estou. Também a princípio não pude acreditar. Mas esta semana o Sr. Sabaku apareceu em Londres. Tenho tido reuniões com ele, Gimna e meu administrador. Não podia ser pior. E... Ah, céus, Sakura, este americano praticamente é dono de mim!
- O Sr. Sabaku? - A voz de Sakura aumentou de tom com descrença. - Mas ele parece tão doce...
- Não, ele não. Embora não seja tão doce quando você discute negócios com ele. Mas estou falando sobre a empresa que comprou a mina. É de propriedade de um americano. Não sei quem. Não encontrei o homem. O Sr. Sabaku é apenas seu representante, e se recusa a dizer quem é o dono.
- Mas, Shikamaru, isso não faz o menor sentido. Por que alguém compraria uma mina apenas para fechá-la?
- Não sei! Foi isso o que argumentei. Sabaku disse que a mina simplesmente não estava produzindo o suficiente. Ele me mostrou todos os dados demonstrando como a produção diminuíra ao longo dos últimos anos. E claro que sim. Foi precisamente este o motivo de todo mundo estar interessado em vender para a Sharingan. Ele continuou a falar e a falar sobre como nós tiramos tudo da mina sem investir nada. Falou sobre todos os melhoramentos que precisaram ser feitos para tornar a mina novamente lucrativa, embora não tivéssemos usado o lucro para isso. Simplesmente pegamos os lucros e gastamos. Você não pode imaginar como foi humilhante ter que ficar sentado e ouvi-lo declarar como fui tolo, tudo naquele jeito quieto e delicado. É claro, Gimna tinha me dito a mesma coisa várias vezes, mas nunca segui seus conselhos. Você me conhece. Nunca tive cabeça para negócios. Presumi que Gimna estava apenas reclamando. Além disso, estávamos sempre desesperados por dinheiro. Você sabe como tem sido conosco. O dinheiro de Temari não foi suficiente para nos salvar, e depois... - Ele parou, ficando ruborizado. - Bem, isto é, você sabe, nós simplesmente não tínhamos dinheiro.
- Eu sei. - Sakura baixou o olhar para as mãos no colo. Ela sabia o que ele estava pensando, mas evitara dizer. Sakura era a razão de eles não terem dinheiro. Quando deixou Sai, ele deixara de ajudar os Haruno, e, assim sendo, arruinara sua família. Era crédito de Shikamaru nunca ter lhe criticado. Ele nunca nem mesmo tentara convencê-la a voltar para Sai.
- De qualquer modo, Sabaku disse que eles tinham considerado fazer alguns melhoramentos, investindo na mina para obter lucros. Mas concluíram que não tinham bastante contatos, foi a palavra usada, para fazer tamanho investimento.
- O que ele quis dizer?
- Não sei. Perguntei, mas ele não respondeu. Em vez disso, tirou um monte de papéis, notas e escrituras. Ele tinha a escritura deste pedaço de terra vendido por vovô para Kiminu antes de morrer, bem como do chalé de caça que vendi há dois anos. Eu vendi para um inglês, mas aparentemente ele era apenas um procurador comprando o chalé para outra pessoa, um americano. No ano passado, Kiminu também vendeu seu terreno para o mesmo homem.
- O mesmo que é dono da mina? Mas, Shikamaru, quem é esse homem? Por que está comprando tantas de nossas propriedades?
- Aparentemente, está obcecado pela nobreza inglesa. E a única alternativa que me vem à cabeça. É tudo tão bizarro! Ele deve ser excessivamente rico e suponho que esteja tentando... comprar sua entrada na sociedade. Não tenho certeza de seus motivos. Sabaku não quer explicar, de fato. É bastante educado, mas não se consegue tirar nada dele que não queira dizer. Acredite, tentei durante todo o percurso de Londres até aqui. Mas ele simplesmente começava a falar da paisagem ou fazer perguntas sobre a propriedade.
- Mas por que esse homem escolheu comprar as suas coisas? E como fechar a mina e comprar propriedades na Inglaterra pode fazê-lo ser aceito na sociedade?
- Só posso imaginar que os Haruno devem ter sido uma escolha óbvia: possuímos títulos e necessitamos desesperadamente de dinheiro. Além disso, não mencionei a principal exigência.
Ele parou e espiou a irmã um pouco desconfortável. Sakura o fitou.
- E qual é?
- Uma mulher em idade de casar na família.
Sakura congelou, fitando o irmão, muda. Sentia como se todo o ar tivesse ficado preso nos pulmões.
Quando nada disse, Shikamaru prosseguiu, apressado:
- Aparentemente, este é o plano. Ele quer casar com alguém da nobreza inglesa. Presumo que deva se dar conta de que não importa quanta terra possa comprar ou quanto dinheiro possa ter, jamais seria aceito. Então, quer se casar com a filha ou com a irmã de um conde ou de um visconde ou... - Ele se interrompeu, soando infeliz, lançando um olhar para o rosto abatido de Sakura.
- Sinto muito, Sakura. Você não sabe o quanto lamento que ele tenha escolhido entrar em nossa família.
- Ah, ele escolheu bem, não há dúvida - disse Sakura, amarga. - Uma família com uma filha tão desonrada que não podiam esperar por um melhor casamento para ela. Uma filha que estariam felizes em sacrificar por algum dinheiro.
Ela ergueu-se de supetão e começou a andar de um lado para o outro, agitada, as mãos largadas ao lado do corpo.
- Não vou fazer isso, Shikamaru. Não pode me pedir isso. Nosso avô já me sacrificou uma vez por dinheiro para a família. Você não pode me pedir para fazê-lo uma segunda vez!
Shikamaru se levantou e aproximou-se dela, fazendo menção de tocar-lhe os ombros. Ela afastou-se e ele suspirou.
- Eu gostaria que houvesse outra maneira, Sakura. Falei com Sabaku até a exaustão. Implorei, discuti e argumentei o quanto era injusto. Ele pediu desculpas, ficou ruborizado e parecia sinceramente infeliz, mas não desistiu. Não é ele quem toma as decisões. Está apenas representando outra pessoa.
- Por que você devia pedir, implorar e argumentar? - Sakura voltou-se para encará-lo, os olhos faiscando de raiva e com um resquício de medo. - Simplesmente porque ele é dono de uma terra que já foi nossa não significa que possa nos obrigar a nos submeter a seus desejos. Eles vão fechar a mina, de um jeito ou de outro. Ah, espere. Claro, entendo. Por isso ele falou sobre o fechamento da mina. Vai fechá-la caso eu não me case com ele. É isso?
Shikamaru acenou afirmativamente, incapaz de encarar Sakura.
- E se você se casar com ele, fará as melhorias para que a mina dê lucro.
- Ah, entendo. - A voz de Sakura era amarga. - Está com a faca e o queijo na mão. Então, se eu não concordar em me casar com esse... esse tirano, a família não apenas deixa de receber o dinheiro que recebemos agora, mas perdemos o valor adicional a que teríamos direito. Bem, ele certamente se empenhou em me colocar numa posição insustentável.
Shikamaru gemeu, virando-se e enfiando as mãos nos cabelos.
- Isso não é o pior. Ele comprou minhas notas promissórias também.
- Que notas?
- Praticamente todas por mim assinadas. Notas promissórias pessoais, todas as hipotecas da propriedade... praticamente cada centavo que pedi emprestado nos últimos dez anos. Devo tudo a ele agora! Se ele decidir cobrá-las, estarei arruinado. Não teria como pagar. Ele pode ficar com metade de nossa terra. Meu Deus, Sakura, não sei o que fazer!
- Shikamaru! - Sakura o fitou, abalada. - Que tipo de homem faria isso? Arbitrariamente escolher uma família, pessoas que nunca encontrou, num país totalmente diferente, e infligir-lhes tamanho dano? Dobrá-los a seu desejo por todos os meios, por bem ou por mal?
- De todas as pessoas, você devia saber que existem homens assim - explodiu Shikamaru.
- Minha Nossa Senhora, você tem razão. - Sakura passou a mão, subitamente trêmula, no rosto. - Sem dúvida, Sai teria feito o mesmo se não pertencesse à sociedade.
- Não. Eu não deveria ter dito isso. - Shikamaru virou-se para encará-la. - Esse homem não é necessariamente como Sai.
- Alguém que brande uma clava desse jeito sobre sua cabeça? Alguém tão cruel? Tão sem sentimentos? O que mais poderia ser?
- Não significa que ele seria o mesmo tipo de marido. Que ele iria... iria...
- Me bater? - Sakura completou quando Shikamaru não pôde pronunciar a palavra. - Tornar minha vida insuportável? Claro que sim. Você acha que um homem desses iria tolerar a discordância da esposa? Ou refrear-se de descontar em mim sua raiva? Shikamaru... - Sakura sentiu o pânico crescer. - Quando busquei sua ajuda, você prometeu que eu nunca mais teria que me casar. Você prometeu!
- Meu Deus. Por favor, Sakura, não vou forçá-la. Não poderia forçá-la, de qualquer maneira.
- Eu dependo de você.
- Você acha que eu a abandonaria, caso se recusasse a se casar com ele? É esse tipo de homem que você acha que sou?
- Não. - Sakura suspirou. - Acho você um homem muito bom. Gentil.
Era esta constatação que a fazia odiar ser forçada a recusar. Shikamaru tinha sido gentil e leal. Quando fugiu de Sai, ele a recebera e lhe dera apoio e proteção. Tinha certeza de que Sai pressionara Shikamaru, mas ele não cedera. Não a abandonara. Havia ficado a seu lado durante a horrenda sordidez do divórcio, enfrentando rumores e boatos nocivos, os detestáveis e malditos testemunhos. Ele também atravessara um calvário durante o período sofrendo o desprezo de alguns de seus pares e os comentários da maioria deles. Ainda assim, ele a apoiara, tanto emocional quanto financeiramente. Ainda o fazia. Ela vivia na casa dele, na terra dele, comia na sua mesa. Ele mesmo lhe trazia novidades e fofocas de Londres periodicamente, para animar-lhe os dias. Ele lhe permitira curar-se e nunca pedira nada em troca. Na verdade, ela não sabia como poderia pagá-lo... até o momento.
Se ela se casasse com aquele homem, um bastardo repulsivo, coercivo, então retribuiria plenamente tudo que Shikamaru fizera por ela. Ele lhe salvara a vida, apesar da perda de dinheiro e da vergonha enfrentadas. Agora, ela lhe daria o dinheiro que ele necessitava tão desesperadamente e salvaria seu nome do estigma da falência. O preço? O resto de sua vida.
- Não posso. Ah, Shikamaru não posso - gemeu, odiando-se pela covardia.
- Não vou lhe pedir que se case com ele. Quero apenas que considere. Por favor, não pode fazer isso? Não poderia encontrá-lo e ver com os próprios olhos como ele é? Você não sabe se ele é um homem como Sai. Nem todos os homens são assim, mesmo um tão brutal. Ele tem interesse num acordo de negócios. Talvez seja o suficiente para satisfazê-lo. Pode ficar muito contente em estar ligado aos Harunos e não pedir nada além. Talvez vocês possam viver em casas separadas. Você poderia continuar aqui, por exemplo, e ele poderia viver em Londres - ou até mesmo voltar para os Estados Unidos.
Sakura retorcia as mãos. Sentia-se dilacerada. Como poderia recusar algo a Shikamaru depois de tudo que fizera por ela? Por outro lado, a simples idéia de voltar a se casar lhe causava arrepios.
- Lamento - disse em voz baixa. - Eu quero ajudá-lo. Honestamente. Mas estou tão assustada... Sei que você me julga uma covarde. Sem dúvida, sou. Mas, Shikamaru, não há outra alternativa?
- Não conheço nenhuma - respondeu de modo perturbador. - Você acha que eu a procuraria com esta proposta se houvesse outra alternativa? Tenho consciência do que estou pedindo, de como estou sendo egoísta.
- Não diga isso. Você não é egoísta. Eu é que sou... recusando-me a ajudar você, depois de tudo que fez por mim. Sei que sou a única razão de você estar em tamanho apuro. Se não tivesse deixado Sai...
Ele balançou a cabeça.
- Não. Não se culpe. Gerações de Haruno contribuíram para esta trapalhada em que nos encontramos... e eu sou um deles. Não investi dinheiro algum nas minas ou nas propriedades. Não agi com a moderação apropriada. Não; fiz exatamente o que queria e gastei quando bem entendia. Fui tolo ao extremo. Agora simplesmente terei que pagar o preço.
A resignação do irmão dilacerou o coração de Sakura. Ela o amava profundamente e lhe devia muito. Por que o que lhe pedia precisava exigir tanto sacrifício? Ela não podia, simplesmente não podia, voltar a se casar.
Sakura passou o resto do dia no quarto, perdida em pensamentos, mas não conseguia encontrar uma solução que não representasse um sacrifício para ela ou para Shikamaru. Pensou no homem desconhecido forçando sua decisão sobre ela e o odiou com todas as forças.
Esperava que a mãe e a avó a visitassem, que a avó fizesse um discurso comprido até convencê-la a aceitar o casamento, e que a mãe suspirasse, se lamentasse e gemesse. Entretanto, nenhuma delas apareceu em seu quarto, o que só podia significar, pensou Sakura, que Shikamaru não lhes revelara o dilema. Sua gentileza em não contar com o apoio delas para convencê-la a mudar de idéia só fez Sakura se sentir mais mesquinha e mais egoísta por não lhe prestar ajuda.
Na manhã seguinte, Shikamaru foi a seu quarto, parecendo nervoso. Fechou a porta e começou a falar, depois parou, pigarreou e recomeçou.
- Ah, o Sr. Sabaku mandou um telegrama para Londres a noite passada. É, bem, parece que o chefe dele está em Londres. Eu achava que ele ainda estivesse nos Estados Unidos, mas na verdade estava simplesmente deixando o Sr. Sabaku cuidar dos... dos... acordos.
- Do trabalho sujo - corrigiu Sakura.
- Sim, imagino que sim. Mas isso é um bom augúrio, acho. - Shikamaru animou-se. - Não entende? Se ele fosse realmente grosseiro, sem sentimentos, não se importaria com o que pensamos a seu respeito. Acho que o fato de não querer negociar diretamente é sinal de que deseja ter um relacionamento amigável conosco. Não acha?
- Pode ser. Mas sabemos que não é ele quem dá as cartas. O pobre Sr. Sabaku não passa de um fantoche.
- Bem, de qualquer modo, isso não interessa. O importante é que o Sr. Sabaku informou o chefe de nossa decisão e o homem mandou um telegrama informando ter tomado um trem a noite passada para York, onde alugará um fiacre para o resto da jornada. Parece que ele está a caminho para nos visitar.
- O quê? - O medo apertou o estômago de Sakura. Ela não queria ter que encarar esse homem grosseirão.
- O Sr. Sabaku disse que seu chefe quer fazer o pedido em pessoa.
- Você quer dizer que ele quer insistir e me forçar a aceitar? - Sakura colocou a mão no estômago, como se pudesse controlar o tumulto. - Oh, Shikamaru, não posso. Por favor, não me peça para encará-lo.
- Eu... Bem, precisamos. Não há nada a fazer. Não entende? Talvez, ao encontrá-lo, você descubra que ele não é tão mau. Pode até mesmo gostar dele.
- Shikamaru!
- Está bem, está bem. Provavelmente, você não gostará. Mas pelo menos poderemos defender nosso caso pessoalmente. Podemos convencê-lo do absurdo de tudo e fazê-lo desistir da idéia. Com certeza, ele não pode querer uma esposa relutante.
- Não posso encará-lo.
- Estarei a seu lado. Não será tão ruim.
Sakura suspeitava de que seria terrível. Entretanto, Shikamaru estava certo ao dizer que havia pouco a fazer. Recusava-se a se esconder no quarto como um coelho assustado durante o tempo em que ele permanecesse na casa. Ela tivera coragem para escapar de Sai e jurara nunca mais deixar um homem aterrorizá-la. E isso incluía deixar que a transformasse numa prisioneira no quarto.
Ele só chegou à noite, depois da ceia. O Sr. Sabaku ocupara seu posto do lado de fora da casa, andando de um lado para o outro e fumando uma cigarrilha. Sakura sentou-se com a avó e Shikamaru na sala de estar formal, uma sala grande e elegantemente mobiliada escolhida na esperança de intimidar, de alguma forma, o homem. Hana, a mãe de Sakura, havia se retirado para o quarto com um livro depois da ceia, dizendo que a espera havia estraçalhado seus nervos.
De repente, ouviu-se o som de passos no hall do lado de fora e o Sr. Sabaku entrou no aposento com o rosto levemente ruborizado e a habitual impassividade substituída pela agitação. Ele finalmente chegou.
Neste momento, um homem de cabelos negros atravessou a porta. Os olhos escuros percorreram o aposento observando cada uma das pessoas até se fixarem em Sakura. Ela simplesmente ficou parada, fitando-o, o coração descompassado. Apertou a mão no peito; de repente, parecia terrivelmente difícil respirar. Não pode ser...
Quero apresentar-lhes meu chefe - disse Gaara com orgulho - e presidente da Sharingan Incorporated, o Sr. Sasuke Uchiha.
Os olhos de Sakura reviraram e ela caiu lentamente no chão.
Continua...
Oi minhas lindas!
Fiquei super feliz com a aceitação de vocês quanto a essa história. O começo, como a Striks previu,era bem clichê, ele enrriquece e volta, não atrás de vingança, mas por querê-la. (este foi seu erro amour! :P)
Mãããããs não achem que o clichê continuará, afinal, o que Sai fez de tão mau para a Sakura a ponto dela fugir? Ou melhor, o que ele fazia? Infelizmente ele será o grande vilão da história, e por favor, as Sailovers, não me condenem, tem um motivo muito plausível para isso.
Preparem-se para ficar aterrorizadas e perplexas com o que a pobre sofreu e a parte mais complicada será como o Sasuke reagirá a tudo isso.
Agora vou responder as reviews anônimas, as outras estão por MP:
Lara R: Fico feliz que tenha gostado. Espero que este capítulo tenha agradado-a.
Lembrem-se: Reviews movem montanhas, ou melhor, capítulos.
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Beeijos.
