Qual não foi a surpresa, então, de todos quando diversas crianças acusaram Elly Kedward de atraí-las para sua casa para retirar-lhes sangue? De fato, todas possuíam cortes minúsculos, quase invisíveis, mas precisamente feitos, e sempre nas mesmas regiões.
Kedward foi banida da vila sob acusação de feitiçaria. Isso ocorreu no mais rigoroso inverno que assombrou Blair. Não havia como uma pessoa sozinha sobreviver na perigosa floresta que cercava a cidade. Portanto, a "Bruxa de Blair", como ficara conhecida, fora dada como morta.
No ano seguinte, durante a festa em que comemoravam o morte de bruxa, todas as crianças que acusaram Elly desapareceram tão misteriosamente quanto morriam os demais denunciantes - estes, todos adultos.
Temendo uma praga, a população nunca mais ousou sequer pronunciar o nome da bruxa.
Nenhum outro evento extraordinário ocorreu desde então.
Até recentemente, quando chamei voc"
- Chega, nós já ouvimos da primeira vez, quando o velho falou. - Temari interrompeu Kankurou.
O jovem riu sarcástico.
- É engraçado... se ela era bruxa, porque não exterminou logo eles? - comentou para os irmãos.
- Bruxas não existem. - Gaara respondeu seco, como de costume.
Pararam. Haviam chegado ao seu destino: o cemitério de Blair.
- Vamos nos dividir. - o ruivo sentenciou.
- Hai! - os companheiros assentiram e desapareçam entre as lápides ancestrais do cemitério; a loira à direita e o ventríloquo na direção oposta.
Naruto - Cidade de Blair
Capítulo 2: Eu vejo gente morta.
- Então os moradores acham que a responsável pelo rapto dos corpos e das crianças é Elly Kedward? - Kakashi perguntou, a mão direita segurando o queixo enquanto a esquerda abrigava-se no bolso da calça. À menção do nome da Bruxa, um calafrio percorreu a espinha do pároco de Blair. O neto revirou os olhos. Ao contrário do ancião e do restante da população, não compartilhava das crendices nem do temor à feiticeira.
- S-s-s-sim. - respondeu entre um tirite e outro.
- Bobagem - Naruto respondeu, em meio a um sorriso tranquilizante - não acredite em tudo que dizem vovô.
O velho concordou em silêncio. Havia algo de reconfortante nas palavras do delinqüente.
- A questão é - o tutor dos jovens retomava a conversa - que, se preferem os serviços da Areia, não há nada que possamos fazer.
O trio de ninjas ia protestar contra a decisão do professor, e o padre, aliviado, ia murmurar um "Muito obrigado". Mas não tiverem tempo; porque o shinobi logo prosseguiu:
- Contudo, uma vez que os serviços tenham sido exigidos através de um contrato assinado por ambas as partes, o pagamento é inerente a isso.
- M-mas... vocês não fizeram NADA.
- Nós viemos preparados para esta missão, como consta nos itens três e quatro. A dispensa dos préstimos de Konoha não implica em não-pagamento.
- M-mas... vocês se atrasaram.
- As letras miúdas. - advertiu.
- Somos pobres... - apelou para a piedade do homem.
- As letras miúdas. - repetiu simplesmente.
O sacerdote ficou em silêncio. Sabia cada termo do contrato. O fato é que a cidade não possuía verba suficiente para gozar da assistência de dois times ninja. . Haveriam de buscar recursos nas regiões vizinhas e, além disso, ficariam em débito por longos meses. Provavelmente Blair não aguentaria essa situação.
- Se informarmos Konoha de que a missão agora é de Rank A, a remuneração pelo trabalho será aumentado generosamente.
O velho prostou ao chão, diante do time Kakashi. Sua visão embaçava a medida que os olhos marejavam. Definitivamente, aquele panorama levaria Blair à ruína.
- Não, por favor - ele suplicou - não façam isso por favor, eu imploro! Nós não temos condições para pagar por tanto. Só queremos a nossa paz de volta. Só queremos ver nossas crianças brincando despreocupados pelas ruas! Só queremos que nossos mortos possam descansar em paz! Só queremos nossa vida de volta! - nesse ponto, o discurso já havia se tornado uma lamúria suplicante. - Só queremos nossa vida de volta.
Sakura tentava conter as lágrimas que rolavam insistentes pela face e juntavam-se com as do senhor ao chão. Kakashi e Sasuke permaneciam indiferentes à cena. Naruto e o albino deixaram escapar um "Vovô..." aflito enquanto os olhos aguavam-se aos poucos.
- Kak- Haruno queria interceder, mas o sensei fez um sinal para a aluna não interferisse.
Hatake agachou-se até que seu rosto se encontrasse à altura da cabeça grisalha do vigário. Sua frieza logo converteu-se em um sorriso amigável.
- Proponho um trato. Extracontratual.
O idoso lentamente ergueu a cara inchada pelo choro que ainda borrava sua visão.
- Se conseguirmos pegar O ou A responsável por esses crimes hediondos, antes da Areia, pagará nossos serviços. Se não conseguirmos, não nos deve nada. Combinado? - estendeu a mão ao pároco.
- E... e... a missão... dirão que é nível A?
O líder do grupo estranhou a pergunta. Olhou acima do homem, para o altar saturado de imagens de santos feitas artesanalmente, como se esperasse uma explicação. Coçava a cabeça esperando algum sinal. Como as pinturas sagradas nada disseram, resolveu perguntar, olhando novamente para o prostado. Um sorriso ainda mais amigável se fazia presente.
- Missão Rank A? Nós viemos aqui para uma Missão Nível D.
Todos entenderam que a Folha nunca saberia sobre a mudança na classificação da missão. Sem escolha, o velho apertou a mão do Copy Ninja, selando o acordo. O albino praguejou, mas rapidamente foi censurado pelo olhar severo do avô ("Das escolhas, a melhor para a cidade.
- YATTAAAAAAAAAAAAAAA! - Uzumaki comemorou em pulos. Haruno enxugava os olhos ougados. Uchiha sorriu discreto.
Os três radiavam, às suas maneiras próprias, de orgulho pelo sensei que tinham.
Um ninja de valor. Uma pessoa justa. Alguém humano.
Esse era Hatake Kakashi.
Para uma cidade pequena, Blair possuía um vasto cemitério. Distante dela, ficava próximo à floresta da Lenda, perto o suficiente para a copa das mais altas e retorcidas árvores desta roçarem, por cima das grades de delimitação, a pedra fria de meia dúzia de monumentos mortuários. Basicamente, ele resumia-se a uma vastidão de tumbas entrecortadas por grama rasteira ou montículos de arbustos, centrado na casa do zelador, uma modesta estrutura de madeira e tijolos arcaicos.
O Artífice de Marionetes deparou-se com o que um dia fora um túmulo. Hoje, era pouco mais que um lamaçal profundo e largo, com seu hálito putrefato maculando o ambiente campestre ao redor. Não havia nada digno de nota no local. Exceto por um maltrapilho pedaço de pano preso em uma farpa de lápide. Quem sabe, um dia, tivesse sido parte de um elegante traje, mas com certeza não o era agora; o atual estado em que se encontrava tornava impossível a identificação correta do tipo de tecido e outras características originais do pano.
Diversas explicações poderiam ser creditadas ao talho. Provavelmente era o pedaço da veste de algum curioso. Talvez fosse do cadáver roubado, mas Kankurou duvidava que as roupas de qualidade duvidosa dos aldeões durassem um século (sim, a laje tumular próxima ao lodaçal informava que o corpo fora enterrado há cem anos atrás). Havia ainda uma terceira possibilidade, absurda o suficiente para uma pessoa em sã consciência descartar sem pestanejar: o pano faria parte de alguma peça do vestuário de Elly Kedward que teria voltado a Blair após anos de reclusão e estaria raptando falecidos e crianças.
O shinobi decidiu não forçar o pensamento a formular explicações infundadas, pelo menos não sozinho, e avançou pela terra dos mortos, à procura da próxima cova violada.
A Senhora dos Ventos não esperava aquilo. Realmente não esperava. Não havia acontecido nada parecido em sua incursão pelas outras tumbas.
- Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao, aquela maldita! A-que-la mal-di-ta!
Uma senhora baixa e de volumosa barriga queixava-se diante ao túmulo do marido. Jogava bolas de lama para o alto - o que ocasionalmente acabava por atingi-la e sujá-la de lodo - entre um gole de saquê que trazia a tiracolo e o maldizer à feiticeira legendária.
- A senhora está atrapalhando as investigações.
- Minha querida, encontre e destrua aquela maldita mulher que roubou o Men, meu marido! - sorveu uma dose maior da bebida ao falar do falecido.
- Estou tentando, mas a senhora está atrapalhando.
A velha se jogou no túmulo, na vã esperança de conseguir tocar em qualquer coisa que sobrara de Men.
- O Men me faz muita falta! Especialmente a noite - engolfou mais uma dose do saquê - só de lembrar... já sinto um calor subir aqui por baixo e vai subindo até... até... - espiralava a mão até o céu, querendo mostrar que ele a levava as alturas.
- ... tudo que a senhora precisa é homem mesmo.
A idosa não resistiu ao ouvir a garota dizer o nome de seu ex-companheiro e afogou-se em grossas lágrimas. Temari revirou os olhos.
- A senhora está atrapalhando as investigações. - sua voz começava a se perder em irritação.
- Por favor... - dizia entre um soluço e outro - destrua qualquer coisa que se interpor entre você e a maldita.
- Não me dê sugestões, eu posso acabar gostando de alguma... - pensando seriamente em usar o leque para soprar a senhora para longe. Muito longe. Muito longe mesmo.
- Querida eu... - foi beber, mas a cachaça havia acabado. - AQUELA MALDITA BRUXA! ELA ACABOU COM A MINHA BEBIDA!
A jovem revirou os olhos novamente. Achava que velhas loucas só existiam em grandes cidades.
- BRUXAAAAAAAAAAAAAAAA - gritava para o espaço ao redor - NÃO VAI CONSEGUIR ACABAR COMIGOOOOOOOOOOOO!
A velha apoiou-se na lápide e saiu cambaleando pelo cemitério. Iria em casa buscar mais birita. Não antes de deixar um aviso para a kunoichi.
- Cuide para que ninguém pegue a lama do meu marido. Eu conto com você!
Temari revirou os olhos outra vez.
"O Men me faz falta, o Men me faz faaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalta" - cantava enquanto saía do lugar.
Livre, enfim, a ninja costeou o lugar onde há pouco a idosa reclamava.
- Não acredito - estava emocionada com o que via - EU NÃO ACREDITO! - sua voz alcançava tons mais altos - NÃO HÁ NADA AQUI! ESSA DROGA DE VELHA SÓ ME ATRASOU! - cerrou os punhos para conter a raiva.
O Filho do Deserto afrontou-se com um cenário que pouco mudava de uma zona-alvo para outra: outro túmulo depredado, sem pegadas ou qualquer outro rastro do autor de ato tão infame. Esse era o quarto que visitava. Não conseguira descobrir nada nos anteriores. Desesperançoso, olhou cuidadoso para a última morada de Lusky Winchest. Milimetricamente.
Kankurou e Temari surgiram ao seu lado após algum tempo depois de finalizar a inspeção. Porém, ele continuava a fitar a lápide de Lusky Winchest.
- Nada. - respondeu a pergunta que nenhum dos dois tinha feito.
A loira cruzou os braços, irritada, enquanto o outro fez um muxoxo.
- Eu consegui um pedaço de pano. - mostrou.
O mais novo e a garota apenas especularam teorias que já tinham passado pela cabeça do Controlador de Bonecos. Guardaram o tecido, talvez fosse útil no futuro. Contudo, em uma análise fria e pessoal, cada um concluiu que a visita ao lugar fora algo próximo ao inútil. Ou não.
- Há quanto tempo? - o ruivo perguntou.
- Hum? - Kankurou estranhou a pergunta. Depois, pôs-se a pensar. - Um século.
- Os meus também. - a garota colocou a mão na cintura. Havia entendido o que Gaara queria dizer.
- Exatamente. Todos as tumbas saqueadas eram de cem anos atrás.
- Cem anos atrás? Isso quer dizer que... - o mais velho indicava.
Sabaku desviou o olhar do que um dia fora a sepultura de Lusky para fixá-lo nos companheiros. Então, falou:
- Quer dizer que temos uma bruxa a solta.
N.A.:
Esqueci de avisar que este fic surgiu como resposta a um desafio de um site de fics que freqüento.
O desafio era "Sasuke, sakura, naruto e Kakashivãoparar numa estranha cidade chamada blair, mais a cidade esta deserta.Oque pode acontecer quando eles tem que enfrentar?"
No entanto, esta fic cresceu mais do que eu planejava de modo que acabou por fugir um pouco, ou muito, da proposta original.
Queriapedir que, independente de quando leu esta fic, me mandasse uma review (comentário), mesmo que seja um simples "eu li o seu fanfic".
Grato.
Naruto é de o nome que não lembro Kishimoto.
