Capítulo 2: Vida Solitária e Vazia
Uma semana se passou, e sei muita coisa mais sobre Raio de Luz do que quando encerrei este relatório na última terça-feira. Ela trabalha com Jóias na loja Kiubi, no centro da cidade, e tem aparência muito elegante e profissional como a maioria de suas companheiras de trabalho ali. Conscienciosa, ela dá a cada freguês delicada atenção, porém há uma ira em seu íntimo. Sua conversa com as companheiras de trabalho é engenhosa e inteligente, mas muitas vezes cínica.
Ela está abalada no próprio âmago de seu ser, como muitos dos terrestres, mas continua vivendo impelida pelos resquícios da magnífica elasticidade com a qual o Príncipe dotou o homem no princípio. Raio de Luz força suas dúvidas e temores para os recessos mais remotos de sua mente, onde, infelizmente, são reprimidos.
Às vezes até mesmo a irritação é perceptível em seu amor pelas filhas porque ela precisa ser para elas tanto mãe quanto pai. Ela inveja o que interpreta ser a existência despreocupada das meninas. Elas não são logicamente, despreocupadas. A amargura entre seus pais fluiu sobre elas, até sua que sua espontaneidade deu lugar a uma aceitação confusa e dolorosa da vida. Estou começando a perceber que meu relatório não poderá ser a simples narração da história de Raio de Luz, pois a vida dos terrestres é tão entrelaçada que terei, necessariamente, de incluir outros em meu estudo, mas apenas o necessário para registrar todas as facetas da experiência de Raio de Luz.
Dói-me quando ela é áspera com as crianças. Elas parecem tão indefesas, embora a pequenina seja determinada e mantenha sua posição resolutamente.
Quem me dera poder colocar Raio de Luz em contato com o Príncipe! Isto, contudo, é obra do Amigo da Terra e , embora Sua presença esteja sempre próxima, ela não sente qualquer necessidade de Sua ajuda. È frustante estar limitado a observar apenas. Adquiri novo respeito pela obra dos Anjos Relatores. Que tristeza eles devem ter experimentado no decorrer dos anos, ao ver milhões de indivíduos esgotarem seus dias sem qualquer interesse na preocupação do Céu por eles, apenas para morrer temerosos e solitários. Mas este não pode ser o destino de Raio de Luz. Por toda a cidade em que ela vive há seguidores do Príncipe. Certamente um deles a procurará e lhe falará sobre Ele.
È noite de sábado. Por alguma razão os terrestres experimentam um tipo de loucura aos sábados à noite. Mesmo os mais dóceis deles saem para jantar ou se acomodam junto à televisão em seus lares com vasilhas de pipoca. Mas os irrequietos. Oh, céus! A que não recorrem para disfarçar sua solidão! As cidades ficam cheias de coisas vis. Raio de Luz está dançando numa discoteca com seu amigo, um homem ainda jovem que ela conhece desde a infância. Um homem bastante decente, se levarmos tudo em consideração. Ele a leva para dançar e tenta preencher-lhe os vazios da vida com sua amizade. Eu os observo agora, o melhor que posso através da nuvem de fumaça. Ela parece uma folha de outono em seu vestido vermelho serpenteante e suas faces rubras de agitação. Tanto ela quanto seu amigo, a quem ela chama de Houjo, estão envolvidos no frenesi da dança, uma combinação quase hipnótica de luz, som e movimento, completamente diferente da Terra de Paz onde vivo. Às vezes, nos sábados à noite, perco qualquer esperança de que os homens algum dia encontrem o Príncipe... temo que ao voltar para levá-los ao lar, descubra que ninguém está esperando por Ele. Mas, naturalmente, isto não irá ocorrer. Apenas estou desanimado porque às vezes parece que o Planeta Terra está inflamado com sua própria destruição.
Mais tarde, no carro, eles conversam. Raio de Luz e Houjo. O rubor da excitação passou, e ela está pálida e cansada, quase como se seu vestido vermelho estivesse consumindo sua delicadeza, como labaredas chamuscando uma rosa de papel.
Raio de Luz: Como é que temos de partir cedo? Gostaria de dançar para sempre.
Houjo: Por quê?
Raio de Luz: Porque quando estou dançando, especialmente se tomei alguns drinks, posso esquecer. Não me preocupo com as meninas. Não me preocupo com Inuyasha. Não me lembro de todas aquelas "madames" exigentes da classe média que vão à loja. Esqueço quão assustador fica o apartamento depois que as garotas vão para cama à noite. Esqueço quanto medo tenho dos anos pela frente. E se eu ficar doente e não puder pagar o aluguel? E se as meninas se transformarem em adolescentes selvagens e eu não puder controlá-las? E se eu jamais puder amar de novo? Ou ninguém nunca me amar? Vê por que eu gosto de dançar, Houjo?
Houjo: Você sabe que não deixarei que nada lhe aconteça.
Raio de Luz: Suponho que você vai ficar solteiro a vida toda só para o caso de eu machucar o dedão.(Ela ri forçadamente.)
Houjo: (sorrindo): Estarei aqui amanhã e depois de amanhã. Já não é o suficiente por agora?
Raio de Luz: Vejo os anos se desenrolando bem à minha frente, monótonos e vazios.(Seu cigarro brilha na escuridão.) E então a morte. Tenho medo da morte. Houjo. Mais medo até do que da vida.
Houjo: Estas são idéias muito distantes para uma mulher jovem, Meg. Você precisa repousar. Por isso eu a trouxe mais cedo para casa. Quando você se levantar amanhã, vai ver que a morte se manterá agastada.
Houjo: Pois sim! Às vezes ela vai para o trabalho comigo. Mas... esqueça! Obrigada por tudo. No próximo sábado à noite arranje uma garota sem problemas que não esteja atolada na autocompaixão. Se não fosse tão irônico, partindo de mim, eu até chegaria a sugerir que você se casasse!
Houjo(pensativo): Já considerei isto.
(Ele a acompanha até a porta do apartamento, promete telefonar, e leva a babá para casa. Raio de Luz apaga as luzes, veste o roupão, e fica assentada por longo tempo olhando para cidade iluminada. O cinzeiro já está cheio quando ela finalmente puxa a cortina da janela e vai para a cama.)
Tenho pensado muito sobre o ex-marido de Raio de Luz. Hoje ele veio levar as meninas para dar uma volta. Felizes elas se atiraram em seus braços com um entusiasmo que eu ainda não havia visto nelas. Deduzi que ele não pode ser de todo mau. Na realidade ainda estou para descobrir um terrestre que seja de todo mau.
Um homem baixo e de aparência atlética, ele estava um pouco desambientado em seu papel de visitante. Ele teve um bate-papo leve com as crianças enquanto elas colocavam o casaco, tentando mesmo incluir Raio de Luz na conversa, mas ela não quis saber de nada. Às vezes penso que escolhi um nome muito impróprio para ela, mas de fato ela tem razão de estar magoada, e sua mágoa se manifesta em feroz hostilidade. Depois que ele saiu, ela se precipitou num ataque de limpeza onde a casa não precisava de nenhuma. Sendo uma dona-de-casa meticulosa, ela tem pouco em que descarregar suas frustações quando é preciso. Notei, quando ela esfregava o ladrilho do banheiro, que as lágrimas lhe corriam pelas faces, embora ela não fizesse nenhum ruído.
Agora ele as trouxe de volta, suas filhas, despenteadas e coradas, após uma volta de canoa no Rio Fuji. Uma jovem mulher, que presumo ser sua nova esposa, espera do lado de fora, no carro. Estou certo que ele pode ver que Raio de Luz esteve chorando, embora ela mal reconheça sua presença. Keiko e Satiko estão transbordantes com as aventuras do dia, mas Raio de Luz as enxota para o banho. Inuyasha tenha quebrar sua resistência.
Inuyasha: Não podemos ser amigos, Kagome, pelo menos por causa das meninas?
Raio de Luz: Sua preocupação me admira. Faz um mês que você não as vê.
Inuyasha: Nem sempre é fácil. KiKyou muitas vezes faz planos para os fins-de-semana em que duas garotinhas simplesmente não se encaixam.
Raio de Luz: Aposto que sim!
Inuyasha: Outras pessoas se divorciam e continuam sendo amigas. Por que você tem de ser tão difícil? Sei que a pensão não é muito, mas é o melhor que posso fazer no momento. Não planejei apaixonar-me por outra pessoa. Simplesmente aconteceu. Sinto muito,Kagome. Sinto mesmo. Já lhe disse isso cem vezes.
Raio de Luz: Por favor, vá embora, Inuyasha. Você pode vir ver as crianças quando quiser, mas não me peça para ouvir sua peça teatral depois. E não deixe a Cinderela esperando. Ela pode se transformar numa abóbora, ou coisa que o valha.
Inuyasha(sorrindo): Aindo gosto de suas observações satíricas, mesmo quando espetam as minhas costas. Boa noite, Kagome.
O Príncipe acabou de passar aqui agora, e me perguntou como eu estava indo com o meu projeto especial.
Quando eu lhe contei, Ele sorriu e ficou em silêncio por um momento. Disse depois: "Então você a chama de Raio de Luz. Isso é bom. Capriche em sua história, Kakashi, e ao escrever você vai aprender muito". Que será que Ele quis dizer com isso?
Mas Ele a reconheceu imediatamente pela minha descrição. Ele conhece cada terrestre como se não houvesse nenhum outro. Temo que as alegrias deste lugar não significarão nada para Ele até que os traga ao lar.
É pessoal, mas um capítulo pronto!
Espero que vocês tenham gostado do primeiro capítulo!
Por favor me mandem sugestões e por favor não esqueçam de mandar
revews mesmo que seja para dizer que não estão gostando,
pois afinal é a primeira vez posto uma história.
Beijos a todos!
