Capítulo 2

Mais tarde, as pessoas no acampamento estavam improvisando uma árvore de natal com bolas feitas de ouriço do mar e cipós improvisando guirlandas. Claire assistia atentamente ao trabalho das pessoas e dava sugestões animadamente. Charlie segurava Aaron e fazia caretas para ele.

- De repente a gente podia montar um presépio.- disse Claire empolgada.

- Um presépio?- repetiu Charlie. – Mas de madeira ou bambu?

- Ei, Charlie.- Hurley o chamou de repente.

- Oi, Hurley.- ele disse.

- Será que você poderia me dar uma mão com uma coisa aqui?

- Eu estou com o bebê agora.- ele respondeu.

- Ah, eu posso pegar ele de volta.- disse Claire.

- Tem certeza?- ele indagou.

- Tenho amor, vá ajudar o Hurley.

Eles deram um beijinho na boca e Charlie juntou-se à Hurley logo em seguida.

- Pra que precisa da minha ajuda?- Charlie perguntou.

- Para a segunda fase do meu plano "sana".

- Plano sana? Que diabo é isso homem?

- Plano de juntar o Sawyer e a Ana: Sana!

- Ai, meu Deus. Você ainda está com essa ideia louca na cabeça?

- Charlie, vai me ajudar ou não?

- Isso depende do que você quer que eu faça.- disse Charlie.

- Eu preciso que escreva um bilhete pro Sawyer e coloque na tenda dele.

- Um bilhete dizendo o que?

- "Sawyer estou muito a fim de você."

Charlie riu.

- De jeito nenhum que eu vou fazer isso, cara. Eu sou espada!

- Charlie, deixa de ser besta, você vai escrever o bilhete como se fosse a Ana-Lucia, entendeu?

- Entendi.- disse ele. – Mas por que tem que ser eu? Por que não escreve você?

- Porque a tua letra é mais afeminada do que a minha.

- Como é que é?

- Dude, eu já vi tu escrevendo aquelas músicas naquele caderninho Dharma. A tua letra é mais certinha. A minha letra não vai convencer ele de que tem uma mina interessada nele.- explicou Hurley.

- É só isso então?- Charlie perguntou.

- Tem mais uma coisa.- Hurley disse tirando um objeto de dentro do bolso de sua bermuda.

- O que é isso?

- Um batom.- Hurley respondeu.

- E pra que esse batom?- Charlie perguntou com medo da resposta.

- É pra você passar e dar um beijo no bilhete, deixar a marca da boca e tal...

- Hurley!- exclamou Charlie exasperado. – Fala sério! Se você quer mesmo convencer o Sawyer de que foi a Ana-Lucia quem escreveu e beijou esse bilhete, a boca tem que ser mais carnuda e a tua boca é mais carnuda do que a minha.

Hurley pensou por alguns segundos.

- Ok, escreve o bilhete que eu dou o beijo.

Nesse momento, Locke apareceu atrás deles carregando sua mochila nas costas como de costume:

- Quem vai dar em beijo em quem?- ele perguntou curioso com seu largo sorriso no rosto.

- Beijo? Que beijo?- disse Hurley disfarçando. – Tava falando de beijo, Charlie?

- Eu não cara, tá me estranhando?- rebateu Charlie. – Eu tava falando da gente ir dar uma olhada no motor da kombi que tava falhando.

- Ah sim, verdade. Vamos! Até mais Locke!

Locke ficou olhando Hurley e Charlie andando e cochichando. Riu consigo mesmo. Sabia que eles dois estavam aprontando alguma e era coisa das grandes.

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Depois de caminhar pela praia, cortar uns troncos de bambu e fazer alguns exercícios físicos, Sawyer resolveu que era hora de ir para sua tenda e tirar uma soneca. Entrou em sua barraca, tirou a camisa suada e os sapatos e se deitou em sua cama de poltronas do avião. Passou sua mão direita displicentemente pelo travesseiro e sentiu um pedaço de papel entre seus dedos.

Ele pegou o pedaço de papel que estava cuidadosamente dobrado e o abriu. Era uma letra pequena e caprichada que dizia: "Sawyer, estou muito a fim de você." E embaixo das palavras havia uma marca de batom vermelha de uma boca muito carnuda. Sawyer arregalou os olhos e leu de novo, custando a acreditar no que tinha lido.

- Mas como assim?- ele retrucou, curioso.

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À noitinha, Ana-Lucia resolveu ir até a despensa preparar algo para comer quando foi interceptada pelo cachorro Vincent no caminho.

- Ei, amigão!- ela exclamou acariciando-lhe a cabeça. – Como é que você sabe que eu estou indo jantar?

Ela tocou debaixo do queixo do cachorro e percebeu que ele tinha um pedaço de papel dobrado na boca e estava sendo cuidadoso para não molhá-lo com sua saliva.

- O que é isso?- ela indagou tirando o pedaço de papel da boca dele.

Desdobrou o papel e leu os dizeres que estavam escritos com palavras recortadas de revistas:

- "Quisera eu ter coragem de encarar teus olhos escuros e declarar o meu amor por ti. Sonho em beijar teus lábios dia e noite. A paixão me domina mas o medo da rejeição faz com que eu me esconda entre as sombras e te contemple de longe, morena linda. Mesmo assim serei eternamente seu." – Mas o que...?- Ana disse, chocada com o bilhete que acabara de receber.

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Naquela noite Sawyer teve dificuldade para dormir porque estava tentando descobrir em sua mente quem era a mulher que havia lhe mandado aquela mensagem. Ficou horas encucado com isso até que chegou a conclusão de que estava perdendo o sono porque sentia-se extremamente solitário naquela ilha e um simples bilhete de uma possível mulher que estivesse interessada nele acendeu-lhe as esperanças de lhe aplacar a solidão.

Sawyer pegou o bilhete que havia recebido e ficou olhando pra marca de batom no papel. E se não fosse uma garota que estivesse interessada nele, mas sim uma brincadeira de mal gosto de alguém querendo se vingar de alguma coisa cruel que ele tinha feito? Mas por que essa pessoa se daria ao trabalho de deixar uma marca de batom? Uma coisa tão pessoal?

Ele deixou o bilhete de lado e fechou os olhos preferindo acreditar pelo menos em seus sonhos que havia uma mulher linda, sexy e cheia de amor pra dar que estava interessada nele naquela ilha, embora ele soubesse que não seria tão difícil assim descobrir quem era ela com tão poucas opções no mercado, ele pensou.

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Assim que amanheceu o dia, Ana-Lucia levantou-se de sua cama e foi lavar o rosto com um balde de água que deixava estrategicamente ao lado de sua tenda todos os dias. Prendeu os cabelos e ajoelhou-se na areia ao lado do balde quando percebeu que havia um pedaço de papel preso com fita durex na superfície de metal da alça.

- Mais um bilhetinho?- Ana retrucou se apressando em pegar o papel e voltar para dentro de sua tenda para ler.

Abriu com cuidado o bilhete e viu que estava escrito com pedaços de letras cortadas de revistas como o que recebera na noite anterior. Este novo bilhete dizia: "Espero que tenha gostado do que escrevi ontem. Fiquei te imaginando abrindo o papel e lendo silenciosamente, tentando imaginar quem lhe enviaria tal coisa porque você pensa que ninguém te nota. Mas eu vejo você. Se quiser continuar o contato, por favor deixe um bilhete pra mim no bambuzal perto dos troncos caídos. Ass: Para sempre seu."

Ana-Lucia revirou os olhos e resolveu ir ter uma conversinha com Hurley sobre aquele seu misterioso amigo poeta.

Continua...

No próximo capítulo:

- Ana-Lucia, eu te falei que o cara é tímido, mas ele me disse que está louco por você.

- Se isso for mesmo verdade me diz quem ele é!

Meninas, obrigada pelos feedbacks. Eu também estou me divertindo muito escrevendo essa fic.