II
Gackt quase caiu da cadeira. Teve de se concentrar pra não engasgar com o vinho, e ainda tossiu algumas vezes. Quando se recuperou, viu que suas mãos estavam tremendo e seu coração acelerado, dado o susto.
Mana ria, achando graça da reação de Gackt. E Közi olhava para o amigo travestido com cara de "Porra, Mana, dessa vez você exagerou na brincadeira!"
Assim que conseguiu falar, a primeira coisa que Gackt disse foi...
- Cara, você é homem?
Novo riso vindo de Mana.
- Sim, eu sou. Por que? Me vestir de mulher acaso me faz menos homem?
- É que... gente, é que...! Você está tão... tão perfeito de mulher, que...
- Então cumpri meu objetivo, que era me fazer passar por mulher sem ser notado. Bem, Gackt... você quer cantar pra gente, não é?
Áquela altura do campeonato, Gackt nem sabia se queria mesmo!
- Quer...? - indagou o belo crossdresser, erguendo uma de suas finas sobrancelhas.
- Eu... olha, eu quero sim. Mas... você vai sempre se vestir... de mulher?
Mana, calmamente, tomou um gole da taça de seu vinho branco, e em seguida respondeu:
- Vou, sim. Sou travesti desde 1990.
- Er... e vai falar?
- Não... você entende agora... o porque de eu não poder falar ou cantar em público...? Todos fariam uma cara como a que você fez quando me ouviu falar pela primeira vez...
De fato, Gackt ainda esperava que o "verdadeiro" Mana saísse detrás de alguma parede escondida e falasse que "era brincadeira", pensando que poderia estar pregando uma peça falando em algum lugar, e a moça dublando. Mas não... era ele mesmo, era da garganta dela que saía aquela voz potente e masculina.
- Eu... eu entendo, Mana... mas vocês... vocês esperam que eu me vista de mulher também?
- Não - respondeu "a moça", tomando mais um gole de seu vinho - Você se veste de homem. Mas vai precisar usar coisas mais exóticas do que esse seu terno roxo...
- Exóticas... como?
- Roupas. De anjo, de demônio, de vampiro, de aristocrata, de palhaço... mas uma coisa é certa: de mulher, somente eu me vestirei.
- Ah, tudo... tudo bem, sem problemas... eu só receio que você tenha falado tão tarde... pois logo é meia noite, o restaurante fecha e eu... e você... não poderemos conversar sobre a proposta da banda.
Mana sorriu novamente, mostrando lindos dentes brancos e... surpreendentemente femininos.
- O nosso jantar... foi apenas um teste para ver o limite do seu pré-conceito. Queria ver como reagiria ao saber que eu sou um homem que se veste de mulher. Porém, Gakuto... mesmo tendo levado um susto, o que é natural, você nos aceita como somos. E veio com uma roupa nada convencional... logo, você passou no meu primeiro teste. Agora... falta o segundo.
Közi olhou para o lado novamente, querendo pedir a conta. Não queria ver o que Mana ia falar...
- E... qual seria este teste, à meia noite? Visitar um cemitério, fazer um trabalho de magia...?
- Não. É apenas passar a noite comigo, em minha casa.
Gackt engoliu em seco. "Pronto, agora esse gay vai querer que eu o coma pra ver se passo no 'teste do sofá'! Ele me toma por prostituto ou o quê? Olha no que o Közi me meteu!"
Os olhos falsamente azuis de Mana observaram bem a expressão do aspirante a cantor, e não muito depois ele disse:
- Não, não é o que você está pensando. Não é passar a noite de maneira... erótica, pois sim? É passarmos a noite falando... sobre o que é o ser humano.
- Hum?
- Isso mesmo. O que fazemos no palco, jovem Gakuto... nada mais é que o teatro da vida humana. Se você não tem uma boa compreensão do que seja isto... infelizmente não poderemos admitir você no grupo.
- B-bem... desde que seja... apenas uma conversa filosófica...
Foi a vez de Közi rir.
- Fique tranquilo, Gakuto! O Mana pode se vestir de mulher, mas não é chegado em homem não. O que ele veste nada tem que ver com sexualidade.
- Mana levantou uma sobrancelha para Közi, como que concordando com ele, e em seguida olhou para Gackt.
- E então? Aceita minha proposta, ou... desiste?
- Eu...
Gackt já estava achando que aquilo ultrapassava os limites do bom senso... mas pensou nas contas que venciam logo... na falta de um emprego pra pagá-las... e acabou aceitando.
- T-tudo bem... Mana... eu aceito... desde que não seja um incômodo em sua casa.
- Ora, se eu que ofereci estadia... claro que não será!
A "linda moça" sorriu para Gackt, o qual sentiu, involuntariamente... seu coração balançar pelo sorriso. E não se culpou, pois afinal... ele parecia tanto com uma mulher, que era até natural!
Levantaram os três. Mana pagou a conta. Gackt ainda insistiu em dividir, mas "ela" negou. Foi até o ouvido de Gackt e sussurrou, pro garçom não ouvir e não levar um susto com sua voz:
- Tudo bem, Gakuto. Chegamos a ganhar algum dinheiro com a banda nos últimos tempos, e você está desempregado. Deixe que eu pago, sim?
Aquela voz sussurrada... mesmo masculina... vinha daquela boca... hum... daquela boca rosada, pintada como se fosse um coração quase. Um arrepio involuntário percorreu a espinha do rapaz de Okinawa.
Mana pagou a conta, deixou gorjeta ao garçom e saiu. Gackt e Közi o seguiram. Em seguida, Közi tomou o carro que os trouxera e deixou ambos em frente à casa de Mana. No percurso até lá, nenhum dos três disse palavra, mas Gackt... reparou que Mana, o qual sentara a seu lado no banco de trás, cheirava bem... era um perfume provavelmente francês, muito bom...
Quando chegaram, Közi ainda se ofereceu para ficar na casa com ambos, "para o caso de Gackt ainda desconfiar". O aspirante a vocalista sorriu, dizendo pra deixar pra ĺá... pois se não confiava em Mana para passar uma noite em sua casa, como confiaria pra desenvolverem um trabalho?
Mana apertou a mão de Közi, o qual acenou para Gackt e saiu com o carro logo em seguida, cantando pneu. Mana riu, sacudindo a cabeça.
- Esse é Közi. Eu sou maluco, mas ao menos tento ser refinado. Bem... vamos entrar. Sinta-se em casa, Gakuto.
O rapaz se inclinou à moda dos japoneses a seu anfitrião. Não sabia se o cumprimentava como homem ou mulher... mas o fez como homem, pois poderia haver algo de errado caso ele o tratasse como mulher.
Mana tirou a chave de um dos bolsos da saia, e abriu a porta. Deixou que Gackt entrasse primeiro. Ele, cortesmente, pediu licença para entrar, e Mana a concedeu.
- Sinta-se em casa, Gakuto.
O rapaz entrou, ainda um pouco constrangido. Era uma casa bonita... de dois andares, ampla. Realmente, aquele negócio de banda talvez desse grana mesmo!
- Bem, Mana... aqui estamos nós. Vamos então conversar.
- Espere um pouco. Trarei alguma coisa pra gente beber, e vou me trocar.
- Se... trocar?
- Sim.
- Ah, então não se veste de mulher o tempo inteiro?
- Não. Mas sempre me visto de maneira excêntrica. E mesmo quando me visto de maneira masculina, não dispenso a maquiagem jamais.
- Não?
- Nem mesmo quando faço cooper de manhã!
- Bem... é muito interessante!
- Eu já volto.
Mana foi para um dos quartos para se trocar, e Gackt ficou refletindo... o que levava um sujeito a amar tanto assim ter traços femininos? Se ele não era gay, como Közi dissera... e de repente, de forma quase involuntária, começou a imaginar o lindo travesti se despindo no quarto... tirando a roupa peça por peça, ficando nu... e sacudiu a cabeça, contrariado.
"Ora, ele pelado deve ser algo não muito atraente... pois com certeza lembrará um homem!", pensou, enquanto tentava afastar o pensamento da cabeça.
Mas ficou lembrando da boca dele sussurrando em seu ouvido... do seu aroma agradável de perfume no carro... do seu modo elegante de andar... e começou a pensar que não era má ideia o "teste do sofá"...
Não muito depois, Mana voltou. Vestia um kimono azul de cetim, casual, a maquiagem ainda intacta em seu lindo rosto. Os cabelos, antes presos num coque, agora estavam soltos. Eram longos e negros. Gackt quase pulou da cadeira. "Oh, céus... soltos! Esse homem quer mesmo me seduzir!" Inabalável, Mana sentou-se no sofá que ficava em frente ao de Gackt, e lhe ofereceu uma dose de saquê.
- Gosta? - perguntou, enquanto se servia. A voz grossa de Mana ajudou Gackt a esquecer aquela repentina atração, e a responder:
- Ah, sim... mas não muito.
- Então tudo bem, não precisa tomar mais que esse. Bem, Gakuto... vamos começar. O que é o ser humano pra você?
O rapaz parou um pouco pra pensar, tomando um ou dois goles da bebida pra ajudar. Em seguida, disse:
- Ah... eu creio que nem nós mesmos sabemos. Se um dia saberemos... aí eu não sei.
- Hum... sim. Mas no tocante do que sabemos ou interpretamos... o que você acha que somos?
- Ah... seres em busca de si mesmos.
- E essa busca implica no quê...?
- Implica...
"Implica em beijar essa boca maravilhosa", pensou ele, mas não disse nada. Nunca, nunca antes um homem mexera tanto consigo! Talvez nem uma mulher...! Meu Deus, que delícia de boca...!
-...sim?
- Bem... implica em saber quem somos, mas muitas vezes não sabemos responder...
- Por que?
Os lábios de Mana passava deliciosamente pela borda do copo de saquê. A força de vontade que Gackt teve de exercer para não beijá-lo na boca ali mesmo, foi imensa.
- Porque...
"Porque eu quero me perder nesses lábios rosados... nesses braços alvos... oh Deus, eu preciso pensar melhor!"
- Porque às vezes morremos antes de saber!
Mana sorriu novamente.
- Exatamente. Ao morrermos, passamos sem sabermos o porquê sequer de termos nascido... mas... você há de convir que, num momento crítico, o que um ser humano mais quer é sobreviver.
- Sim... mas... querer sobreviver o faz escapar dessa busca.
- É claro... um meio de sobrevivência dificil faz com que a pessoa pense apenas em como continuar viva, e não no porquê de estar viva. Ora, não dizem que filosofar é coisa de gente desocupada?
Ambos riram. Gackt tomou a palavra:
- Sim... e nós, que trabalhamos de forma alternativa, temos tempo de sobra pra discutir isso. Não precisamos acordar cedo amanhã...
- É verdade... mas e os que precisam? Eles têm de labutar para sobreviver... e muitas vezes isto é difícil, é uma luta com outros seres humanos...
- Então eles têm de desenvolver habilidades para sobreviver...
-...muitas vezes não muito... dignas. Muitas com... malícia, sim?
- É verdade... você acha que a razão de o ser humano ser malicioso reside no fato de que ele precisa disso pra sobreviver?
- Não só pra sobreviver... mas para conseguir os melhores lugares. E é nisso, Gakuto... que se baseia o meu projeto. "MALICE MIZER" é o nome dele, em francês. As duas coisas que permeiam a vida do ser humano, do momento em que ele nasce... até o momento em que ele morre. A malícia, para sobreviver... e a morte, como paga pelos... pelos pecados.
Mais um gole de saquê. "Eu queria tanto cometer um pecado com ele...", pensou Gackt, mas se conteve mais uma vez.
- Então... como as únicas certezas da vida humana são essas... eu coloquei isto como projeto de arte para mim e para o meu grupo. O que achou?
- Muito inteligente... esplêndido na verdade!
- Sério? Que bom... está mesmo disposto a cantar a malícia e a miséria humana, Gakuto?
- Estou.
Mana sorriu, acabando de tomar seu saquê.
- Ótimo. Está aprovado. Você tem um bom feeling da alma humana...
- Ah, sim... talvez isso se dê porque eu mesmo passei por algumas tragédias em minha vida...
- É mesmo? Me conte algumas!
Gackt começou, então, a falar de quando quase morrera no acidente no mar de Okinawa, de quando fora internado por achar que ouvia espíritos... e de como isso fizera com que ele saísse de casa.
- Interessante... você vê espíritos?
- Ahn... de vez em quando sim. Espero... que isso não seja demasiado estranho pra você.
- Claro que não... eu também creio em espíritos... acho que só na vida espiritual, quando não precisa mais lutar pra viver, o ser humano pode descobrir sua verdadeira razão de existir... é necessário ter uma vida espiritual.
- É verdade... mas a malícia muitas vezes não vem somente de... de sobrevivência. Às vezes parece que quando tudo parece ir bem... a malícia existe somente por si mesma!
- Poderia me dar um exemplo?
- A minha ex-namorada.
- Hum... o que ocorreu?
- Eu tinha dezesseis anos quando a conheci. Uma moça encantadora... mas um ano depois, ela simplesmente se enjoou de mim... me largou... apenas por um capricho.
- Será que... você não fez nada pra ela largar você?
- Eu tentei ser bom pra ela... mas sabe como é, moleque, inexperiente... eu devo ter feito alguma bobagem sem saber. E a partir daquele dia, não consegui mais namorar. Só saio casualmente com algumas mulheres, sem compromisso mesmo... e de vez em quando.
- Ah sim? Deve ser difícil mesmo ter uma decepção amorosa...
- Bastante... mas... você nunca teve uma decepção desse tipo? Para falar "deve"...
- Eu? Nunca.
- Não...? Mana... você nunca amou?
- Eu amo a arte. Eu amo a música. Mas uma mulher... um homem... nunca, jamais amei.
Gackt abriu a boca, surpreso mais uma vez. Ele era realmente diferente!
- Mana-chan... você nunca namorou?
Aquele assunto parecia ser o primeiro da noite a perturbar o crossdresser. Desviou os olhos, levou o copo até uma mesa próxima e voltou ao sofá. Após isso, coçando a cabeça e espalhando uma mecha de seu longo cabelo sobre seu peito, enfim respondeu:
- Não. Nunca.
- Também tem medo de se apaixonar... assim como eu?
- Não. Medo, não. Apenas... nunca aconteceu.
- Ora... você é mais velho que eu! Como nunca teria acontecido?
- Amor não tem idade, Gakuto. Pode vir aos doze anos, aos trinta, aos cinquenta... ou pode não vir nunca.
- E... desculpe a franqueza, Mana, mas... e o tesão? Você é humano, logo tem tesão.
Mais uma vez Mana ficou embaraçado. Era óbvio isso em seu semblante.
- É... todo mundo tem, eu também tenho, mas acho que extravaso esse tesão nas músicas, na moda... eu que desenho minhas roupas, sabia? E as da banda também.
- Sei... mas... não sai... com ninguém?
- Gakuto... não sei qual a sua pretensão em me perguntar coisas tão íntimas - Mana quase gaguejava, tamanho seu embaraço - Mas eu vou ser franco com você. Eu sou um artista nato e me desenvolvo muito bem com a arte, mas não com os seres humanos. Eu sou extremamente anti-social. Eu converso pouco, a não ser quando o assunto me interessa. E eu, apesar de ter atração por algumas garotas, eu... eu sou muito, muito tímido para chegar em uma delas... eu... não seria capaz de iniciar um namoro por mim mesmo. E já tentei sair com algumas garotas... mas nunca... nunca mesmo... consegui ficar sozinho com uma delas.
Assombrado, Gackt colocou o seu copo na mesa próxima, ao lado do de Mana. Em seguida, disse:
- Mana, não vai me dizer que você é virgem!
O crossdresser engoliu em seco, e somente assentiu que "sim" com a cabeça. Gackt riu, de assombro.
- Rapaz...! Você é mais velho que eu! Quantos anos tem?
- Eu não revelo a minha idade... esqueceu?
- Que bobagem, parece tia velha com essa história de esconder a idade!
- Eu faço isso desde os dezoito anos... e vou continuar fazendo até o final da vida.
- Sei... mas Mana... se é mais velho que eu, deve ter mais de vinte e cinco anos!
- Darei uma resposta, embora não seja exata... já passei dos vinte e cinco, mas ainda não cheguei aos trinta.
- Ora, então não se deixe chegar virgem aos trinta! Dá azar, sabia?
Mana riu.
- Como sabe se dá azar, se pelo que Közi me disse você tem vinte e dois anos, e portanto ainda não teve trinta... e pelo visto, deve já não ser virgem há um tempo considerável?
- Ah, isso é verdade... mas Mana... é sério, você é... é um homem bonito. Beleza feminina, mas é bonito. Não deixe essa beleza ser desperdiçada.
- Ah... eu fico "bonita" pra mim. Não pros outros.
- Mesmo assim. Você tem de experimentar, pelo menos pra saber como é...
- Talvez sim... eu não pretendo morrer virgem. Mas... queria que fosse algo especial. Me desculpe se isso parece coisa de mulher, mas...
- Oh, não... você está certo! E... que tipo de pessoa você ia querer?
- Alguém... que se importasse comigo, e não pensasse apenas em "me levar para a cama".
- Ah, eu sei... alguém que visse também a sua alma, não é?
- Exatamente...
- É... a primeira vez a gente nunca esquece!
- E a sua, Gakuto? Foi com quem? Já que estamos falando disso...
- Foi com aquela namoradinha que me abandonou. Depois me desapeguei disso de "sexo com amor", a gente sofre demais depois que a decepção acontece...
- Hum... e com as suas amantes, como é?
- Ah... eu tento ser um bom amante, fazer elas curtirem o momento. Mas... deixo claro que não quero compromisso.
- Se alguém te balançasse... você namoraria de novo?
- Ah, rapaz... não sei! A gente tem medo de se envolver...
- O medo nos tolhe... eu desejo que você ache alguém digna pra ser sua companheira... alguém que diminua as suas defesas quanto a ter um relacionamento.
- Espero que isso um dia aconteça!
- Bem... está na hora de dormir. Eu levo você até o quarto de hóspedes.
- Tudo bem...
Assim, Mana levou os copos até a cozinha, guardou a garrafa de saquê e apresentou a Gackt seu quarto, no andar de cima.
- O banheiro dos hóspedes fica logo ali - apontou o dono da casa a uma porta que ficava no corredor - Caso precise usar...
- Ahn... acho melhor escovar os dentes antes de dormir.
- Está certo... eu também vou, além do que, sempre tiro a maquiagem antes de dormir e passo vários cremes no rosto... sabe, pra ficar bonito igual mulher... a gente precisa se cuidar igual mulher.
- Entendo...
- Mas não se preocupe, eu vou usar o outro banheiro. Você fica com esse. Boa noite.
Inclinando-se levemente para o rapaz de Okinawa, Mana se despediu. Gackt se inclinou de volta, e ficou olhando Mana descer as escadas, observando seu longo cabelo negro, até ele sumir na dobra da escada.
Foi ao banheiro, se trancou lá dentro e... tirou a sua ereção pra fora da calça.
- Ceus, por que, por que o Közi tinha que me colocar na casa de um travesti que, de tão perfeito como mulher, me deixa com tesão?
Sem titubear, Gackt se masturbou. Ficou pensando naqueles lábios macios... em como devia ser bom beijá-los... e em como seria bom tê-los ali, chupando o seu pau... gozou pensando nele, em como seria bom se aquela gozada fosse na boca dele...
E no minuto seguinte, enquanto lavava as mãos e o membro por causa do gozo, lembrou... "Ele é virgem..."
Ficou pensando na real idade de Mana. Uns vinte e sete anos? É, por aí. Caramba, virgem com essa idade...
"Ah, ele deve ser uma verdadeira 'dama' pra agir assim... imagine, se uma mulher tira a virgindade dele... vai rir das maquiagens! Ou um homem... a maioria dos homens não trata bem os travestis, então poderia ser uma experiência de abuso, traumática... ainda mais para uma alma sensível como a que ele deve ter".
Ao escovar os dentes, Gackt ficou pensando... que ele, sim, ele... poderia tomar aquela incumbência para si. Tirar a virgindade do Mana... afinal de contas, ele não poderia deixar aquela beleza ímpar passar em branco... e além disso, não deveria deixar que Mana tivesse a sua primeira vez com um bronco-bruto. Tinha que ser com alguém que o tratasse bem...
E foi dormir pensando naquilo... em como faria aquela "proposta indecente" ao lindo travesti que conhecera naquela noite mesmo.
To be continued
OoOoOoOoOoOoO
