REPARANDO
FALHAS
por
Uhura
Capítulo 2 – Meu desejo mais profundo
O gesto que abre a porta é tão firme quanto os passos que o anteciparam. Completamente estupefato, Dumbledore observa a mulher se aproximar. Seus cabelos negros, longos, soltos por sobre os ombros, emolduram aquele rosto tão familiar. Os olhos dela, intensamente verdes, tal qual duas raras esmeraldas perfeitas, o fitam com carinho. Ela sorri, e o homem, tanto chocado quanto encantado, deixa escapar outro sorriso em resposta.
-
Minerva... - ele murmura.
- Ah, meu querido... - ela fala de um
modo terno, em um tom que Albus jamais havia ouvido daquela boca.
O bruxo perde-se em sua própria incredulidade. Pensamentos como "nada poderia ser mais absurdo", "jamais poderia tê-la como esposa de fato", "é absurdo supor que uma mulher como ela se casaria, ou interessar-se-ia que fosse, por um velho excêntrico como eu" o impedem de acreditar logo de início. Porém, como pode duvidar depois de vê-la sentando-se ao pé de si, sentir as mãos macias dela acariciando o seu rosto, e receber um surpreendente beijo doce e leve sobre os lábios?
-
Como você se sente? - ela pergunta. Está preocupada.
-
Eu... Eu estou bem. - e Albus faz uma pequena pausa antes de
continuar - O que houve comigo?
- Você não se
lembra?
- Tenho algumas lembranças, mas... ainda estão
um pouco confusas.
Ela toma as mãos dele nas dela, um gesto espontâneo e carinhoso.
- Há alguns dias Fawkes nos trouxe um bebê... pequeno, delicado e desprotegido. Usamos todas as poções que você recomendou que usássemos. Desde então você dormiu profundamente. Bem sabe o quanto confio em você, quanto acredito em você... mas tive tanto medo...
Nesse momento Albus, com nervosismo, percebe os olhos dela marejados. Nem parecia sua Vice-Diretora aquela diante de si. E muito embora parecesse sua grande amiga Minerva, era muitíssimo estranho vê-la abrindo-se tanto para ele, sentindo-se tão confortável... tão... bem, não se importando com mais nada além dos dois. Por outro lado, as palavras dela - não o modo como as dizia, mas o que dizia - o fascinam.
- Eu... renasci? - pergunta o bruxo, cujos olhos brilham extasiados.
Ela responde com um aceno de cabeça e um leve sorriso. Em seguida abaixa a cabeça. Teve medo.
- Min... - ele tenta soar de modo carinhoso, e ela corresponde olhando-o nos olhos - Eu me sinto feliz por estar aqui... com você. Eu... - por um momento faz-se o silêncio. Albus não quer parecer tolo ou ser estranhado. Sabe que podia ter dito há muito mais tempo, mas, por algum motivo, ainda parece difícil. - Eu não escolheria nenhuma outra mulher para ser minha esposa. - e ele sorri, sem jeito. Era difícil dizer, mesmo a tendo como esposa (o que ainda parecia estranhíssimo) - Amo-a. Eu a amo. Eu...
Ela o cala com um beijo. Um beijo desses repentinos, que não são nem atrevidos nem doces, às vezes gentis, e só. Como quem diz: "cale-se, não há nada para dizer". E Minerva o abraça com toda força. Ele retribui, apertando-a junto de si como sempre quis fazer. Era verdade, a amava há anos, e jamais pensou que se veria alguma vez assim, tão próximo, tão íntimo. E sem se afastar nem um milímetro ela diz baixinho:
- Eu amo você,
Albus. Eu te amo. Teria morrido se seus planos não tivessem
dado certo... se não tivesse voltado para mim... eu teria
morrido tamanho sofrimento. Prometa que nunca mais vai tentar algo
tão arriscado.
- Eu prometo.
- Eu não quero
perdê-lo. Nunca. Preciso de você. Minha vida não é
nada sem você para dividir os bons e maus momentos. Sempre o
amei, e a mais ninguém nesta vida. Não me assuste
assim. Não vou deixar que me deixe. - ela soou estranhamente
chorosa.
- Sempre estarei com você, Min, eu lhe prometo.
Sempre estarei ao seu lado.
Ficam assim por um momento, até que Minerva se afasta e o beija mais uma vez. Dessa vez Albus retribui o beijo de modo mais ativo. Beija-a como sempre esperou fazer. Mantém o corpo dela junto do seu, as faces tão próximas quanto possível; Abre os lábios de leve, buscando o hálito dela, buscando a boca dela. A língua do homem desliza lentamente, pedindo passagem aos lábios finos e macios da bruxa. Um passeio por lugares desconhecidos, descobrindo uma quentura suave e rara, um viciante gosto de afeto. E uma paixão que se acende de súbito, e o torna atrevido. E o tempo pára, simplesmente pára.
Momentos se passam e o beijo se finda... Albus não quer deixá-la ir, mas Minerva levanta-se e diz:
- Seus filhos vão querer vê-lo. Eu escreverei a eles. Estou certa de que Eros largará tudo e virá no mesmo instante em que receber a notícia. Ele tem vindo visitá-lo todos os dias. E Douglas... o pequeno está na sala, aposto que ansioso como nunca. Pedi que esperasse lá. Posso deixá-lo entrar ou você prefere descansar por mais algum tempo?
- Creio que já descansei o suficiente, minha cara.
Ela sorri e sai.
- Eros é um belo nome. - Albus murmura a si mesmo, sorrindo e pensando em como deve ser o seu filho. Filhos, Minerva disse, mais de um. Ele se sente ansioso por conhecê-los.
Logo o pequeno Douglas, com seus 6 anos e seus olhos brilhantes, aparece na porta, amável e satisfeito.
