Bom, eu sei que demorou, mas aqui está, o segundo capitulo. Fiquei meio triste por só ter tido um unico comentário até agora, mas tudo bem. Eu supero. Só queria deixar claro desde o começo que essa história não é Neji love Hanabi como muitos podem ter pensado no prólogo. Ela é uma coisa completamente diferente que eu espero que todos gostem e comentem.

E agradeçam a Pink Ringo por me inspirar (por mais que ela não saiba disso xD)

1° Capitulo: Segredo Inconfessável!

O ar permanecia úmido, o que não era para menos, visto que a chuva somente cessara á poucos minutos. O céu mantinha o tom cinza esbranquiçado nas nuvens, e o vento ainda trazia o cheiro de molhado pelo ar. Provas de que naquele dia também iria chover, e talvez, fosse uma tempestade que nem o dia anterior.

O despertador tilintava no criado mudo do quarto, ao lado de um toco de vela apagado no meio da noite. A mão, ainda sonolenta e se vendo obrigada a parar com aquele som irritante, saiu de baixo das cobertas e apertou um botão qualquer no objeto, fazendo o silêncio reinar novamente no quarto masculino.

Hyuuga Neji bocejou, ainda deitado na cama, e esticou todo o corpo, tentando inutilmente tirar a preguiça de si. Abriu os olhos, revelando as orbes raras e belas, que em suas feições limitavam-se a ser frias. Ele levantou, empurrando o edredom que caiu no chão, ele não precisava coloca-lo novamente na cama, alguma empregada faria isso por ele, mas mesmo assim ele o fez. Abaixou o tronco nu e talhado e pescou com uma das mãos o tecido grosso que ainda mantinha o calor do seu corpo, depois colocou-o de volta no leito e se dirigiu ao banheiro, na suíte, para fazer a higiene matinal antes de mais um dia na escola.

O banheiro, avidamente branco, combinava com a seriedade que a casa tinha, vendo que seus moradores eram pessoas sérias. O Hyuuga entrou pela porta e a trancou, tirou a calsa moletom sem qualquer pressa, deixando as pernas fortes e torneadas á mostra. Completamente nu, ele se dirigiu ao boxe, maneou o chuveiro até deixar a água bem quente, e quando esta já estava á seu agrado, entrou. Os cabelos desciam lisos pelo seu corpo, rendidos á força da água; as mãos massageavam-se com o sabonete, para depois massagearem o resto do homem de 17 anos ali parado. A água caia displicente sobre si, fazendo um barulho refrescante ao tocar o chão.

Saiu do boxe, algum tempo depois, completamente acordado, e se dirigiu até o guarda-roupa. O uniforme da escola mais cara de Tóquio não era diferente da maioria dos uniformes do Japão, porém era feito de materiais mais caros, obviamente. Era composto por uma calsa social preta, os sapatos sociais possuíam a mesma cor, a camisa social num tom branco meio azulado, fazia um contraste maravilhoso com os olhos do rapaz, e na altura do peito um pequeno e discreto emblema da Ryuusei.

Ao sair pela porta de madeira talhada o cheiro do café da manha invadiu seus sentidos, a cozinheira, senhora Yuuki, adorava sua profissão e fazia-a com tal perfeição que o Hyuuga não acreditava existir pessoa melhor do que ela, era a única naquela casa que possuía o respeito dos patrões, e até a admiração.

Neji desceu as escadas sem pressa, a mão deslizando pelo ferro frio do corrimão trabalhado. Pulou o ultimo degrau agilmente, e se direcionou para a cozinha, o cheiro e a fome aumentando a cada passo que dava. Entrou pela porta branca e o cômodo limpo iluminou sua visão. Nas paredes, grandes quadros de paisagens límpidas; as grandes janelas abertas, deixando a pouca claridade do dia iluminar a mesa, esta por sua vez, se postava imponente no centro da sala, oito cadeiras confortáveis á sua volta retangular, e em cima, uma variedade grande de alimentos para o café da manha.

Antes de se sentar a mesa, o Hyuuga percorreu com seus olhos toda a sua extensão até que seu tio Hyuuga Hiashi acenou para que ele se servisse do café. Hiashi se encontrava na cabeceira da mesa, alto e firme, seus cabelos iguais aos do sobrinho, porém mais curtos, presos num rabo de cavalo baixo, o terno bem alinhado no corpo másculo e as feições que tanto lembravam á Neji. Hiashi era o dono das empresas Hyuuga, uma corporação familiar que mexia com a automobilística, criando peças e novos modelos de carros. Hiashi era irmão gêmeo do pai de Neji, Hizashi. Os dois, por mais que fossem iguais na aparência eram completamente diferentes nos gostos e na forma de ser, pois enquanto Hiashi era sério e frio, Hizashi era mais alegre e solto, havia até renunciado sua parte na empresa por acha-la "careta".

Podia-se dizer que Neji havia herdado geneticamente, características dos dois irmãos. Ele era charmoso e educado, como seu pai, popular com as mulheres, mas também era frio e inteligente como o tio, que o considerava um gênio. Por isso Neji morava naquela casa, pois, além de passar a herança genética ao garoto, Hiashi pretendia passar a herança familiar também, tornando o menino seu aprendiz, fazendo-o estudar nas melhores escolas, para um dia dar á ele a posse das empresas Hyuuga.

O rapaz se sentou no seu lugar á mesa, servindo-se logo em seguida de seu copo matinal de suco de laranja, depois percorreu novamente os olhos por toda a extensão da copa, notando por fim, que a prima não se encontrava ali. Mesmo que talvez parecesse ousadia o garoto não evitou perguntar:

- Onde está Hanabi?

O tio parou de comer a torrada no mesmo instante, e olhou para o sobrinho com as sobrancelhas arqueadas, porém o menino parecia calmo e impassível, como se tivesse apenas feito uma pergunta corriqueira, e não se importasse de receber ou não uma resposta.

- Ela já saiu! – a voz do homem era grossa e grave, prepotente em certo ponto, mas em sua maioria o timbre era gélido – A mãe de uma amiga dela veio pega-la para acompanhar a filha na volta as aulas!

O menino terminou de beber o copo de suco, num instante, e pegou uma maça na fruteira, quase como se não houvesse ouvido a explicação de Hiashi, mas havia prestado a ínfima atenção. Ele se levantou, dando uma mordida considerável na maça, estava na hora de voltar a normalidade e ir para a escola, afinal, era seu ultimo ano nela. Porém no instante em que pegou sua mochila na cadeira, onde a empregada sempre deixava de manhã, ouviu a voz do tio chama-lo mais uma vez.

- Neji... Eu quero um favor seu! – o menino virou-se para o matriarca da família, olhando-o meio espantado, afinal, não era todo dia que se via Hyuuga Hiashi pedindo favores. O rapaz permaneceu calado, olhando o tio tomar um gole do café fumegante de Yuuki antes de voltar a falar – Quero que assim que sair da escola vá até o aeroporto!

O Hyuuga mais jovem continuava sem entender o estranho pedido, mesmo assim, continuava calado, mostrando dessa forma sua subordinação para com o tio. Esse por sua vez, olhava atento todos as reações que o sobrinho tinha ao ouvir a noticia, ficava muito satisfeito ao notar que o garoto já quase não demonstrava mais emoções, seria um grande líder quando assumisse a empresa, era motivo suficiente para Hiashi se orgulhar.

- Minha filha mais velha, talvez não se lembre dela, eram muito pequenos quando se conheceram, vai voltar hoje de viajem! – acrescentou o mais velho dissipando a confusão que o garoto escondia com a mascara gélida – Quero que pegue Hinata no aeroporto e traga-a para casa... Iria mandar o chofer fazer isso, mas conhecendo minha filha da forma que conheço, ela ficaria encabulada de andar sozinha com ele no carro! – Hiashi fez um gesto negativo com a cabeça, como se tivesse vergonha do comportamento da filha – E então, fará isso por mim?

- Com muito prazer Hiashi-sama! – respondeu prontamente, como fora ensinado a fazer, por mais que tivesse outros planos, não podia negar nada ao tio e tutor.

Com uma pequena mesura de respeito, o menino deu as costas e saiu da enorme mansão, seguindo até o carro negro que lhe esperava perto dos portões de ferro, o chofer lhe fez um aceno solene ao vê-lo se aproximar, e abriu a porta para que o rapaz entrasse no carro, em seguida, contornou o veiculo e fez o mesmo, dando partida ao caminho para o colégio Ryuusei.

A estrutura magnânima se erguia imponente em frente ao carro negro. As paredes brancas, do colégio que mais parecia uma mansão, demonstravam apenas a solenidade e eficiência do lugar. Possuía três andares, e uma variedade incrível de ensino e diversão a cada cômodo. Não era a toa que era considerada a melhor de todo o Japão, somente os poderosos estudavam ali, e poucos eram considerados bons o suficiente para conseguirem bolsas de estudo, geralmente eram só três ou quatro por ano que tinham esse privilégio.

O Hyuuga desceu do carro, assim que o chofer lhe abriu a porta dando passagem, e olhou, desde a calçada em que se encontrava, o gramado verde aparado até o colégio, que fazia um contraste estranhamente bonito com o céu cinza daquela manhã.

O rapaz colocou a mochila no ombro e foi pelo caminho asfaltado, em meio a grama verde, até as portas de vidro do colégio. Alguns alunos já se encontravam ali, as meninas populares, os garotos do time de futebol, entre outros tantos que Neji conhecia e fazia questão de ignorar. Com os olhos, sempre atentos, ele visualizou a silhueta da prima, á poucos metros de distancia, com as lideres de torcida ao seu lado, ela fingia não vê-lo, mas sabia perfeitamente bem que ele a olhava. E ele sabia que ela sabia daquilo. Sorriu de lado, discretamente, lembrando da noite passada como se fosse um filme em sua cabeça, ela estava deixando-o louco também.

- Ela é meu pecado! – sussurrou para si mesmo num timbre indecifrável, desviando o olhar da silhueta feminina, continuando a andar calmamente. Bom, pelo menos, teria sido assim, se não fosse por um braço magrelo lhe abraçando pelo ombro.

- Quem é seu pecado?

Rock Lee, era o melhor amigo de Neji desde que havia entrado na escola, quando os pais ganharam na loteria, mas o Hyuuga realmente não entendia por que ainda andava com ele. O rapaz, também de 17 anos, era uma figura incomum por onde passava, suas sobrancelhas grossas e seu cabelo em formato de tigela eram uma atração turística na escola, além de seu jeito engraçado e divertido. Os dois não tinham nada á ver, mas, por motivos estranhos, andavam sempre juntos, sem saber quando aquela "amizade" havia começado.

Neji bufou frustrado e tirou o braço do companheiro de seu ombro. Viu o sorriso feliz de Lee se alargar ao fazer isso, o amigo era um completo idiota, não tinha duvidas.

- Ah... – soltou o menino de cabelos tigelas diante do silêncio do outro, a voz alta e irritante de um débil mental – Estava falando da Hanabi, não é? Você é doente de transar com sua própria pri...

Mas antes que pudesse terminar a frase, levou um soco forte de Neji, na cabeça. Os olhos perolados estavam visivelmente irritados, e Lee já sabia o que havia feito de errado, enquanto massageava o galo, mas o Hyuuga fez questão de lembra-lo mais uma vez.

- Não conte á ninguém, seu idiota! – disse agressivo vendo o garoto de sobrancelhas grossas engolir em seco diante da possível ameaça, então abaixou o tom, parecendo mais calmo – O que temos é proibido!

- Yare, Yare! – soltou num moxoxo assustado ao ver Neji voltar a andar, e então seguiu-o, para conseguir completar as desculpas – Gomem, me esqueci!

Andaram em silêncio até as portas de vidro da escola. Se já era bonito por fora, nada se comparava ao glamour que Ryuusei tinha por dentro, cada detalhe impecavelmente colocado em cada lugar. Neji e Lee entraram no colégio, olhando a pouca movimentação que havia no corredor principal, com certeza a maioria dos alunos deviam ter corrido até o mural, para ver as salas em que haviam ficado. Por mais que o Hyuuga achasse maçante fazer isso, acompanhou Lee até o corredor do mural, para que o amigo parasse de lhe encher o saco querendo ver em que sala haviam ficado.

Ao virarem a esquina do corredor, a teoria de Neji se confirmou. Uma grande massa de alunos e alunas de várias idades se amontoavam na frente de um mural pregado na parede branca, onde várias listas de salas e nomes se dispunham. Lee entrou entusiasmado no meio das pessoas, e logo Neji perdeu os cabelos tigela de vista. O Hyuuga se encostou na parede e cruzou os braços esperando a "criança" que chamava de amigo se satisfazer vendo seu nome na mesma sala dele, mais uma vez, como se não fosse esperado.

Ele fechou os olhos, o barulho que as pessoas faziam lhe tirava do sério, e uma pequena dor nas têmporas já podia ser sentida. Permaneceu de olhos fechados ouvindo as conversas fúteis ao seu lado, como se aquilo ajudasse a passar a dor. Foi quando sentiu algo se aproximar á sua frente. Um corpo, consideravelmente mais baixo que Neji, se encostou á frente dele. O Hyuuga não sentiu nada com os fartos seios comprimidos no seus braços cruzados em frente ao tórax, ou com as pernas torneadas roçando nas suas, ele sabia quem era.

- Adivinha só! – a voz firme e decidida chegou-lhe aos ouvidos, ela estava próxima demais, e sussurrava na orelha do Hyuuga com lascividade – Estou na sala ao seu lado, acho que vou te ver mais tarde! – ele sentiu a língua aveludada passear em frente á sua orelha esquerda, mas não mudou de posição, nem sequer estremeceu com o ato – Isso não é bom, Hyuuga?

Ela beijou sedutoramente a bochecha do menino e saiu dali, abandonando o corpo. Ele por sua vez, permaneceu parado, ainda de olhos fechados, absorvendo as palavras dela. Droga. Mais uma para acabar com a sua vida. Mas até que não era tão ruim "jogar" com ela.

- Neji? – a voz de Lee tirou-o dos devaneios, e ele abriu os olhos, vendo o amigo magrelo se aproximar com um sorriso no rosto – Adivinha só, estamos na mesma sala!

- Que surpresa! – ironizou o Hyuuga, porém o outro não pareceu se afetar com isso, talvez nem tivesse notado a carga sarcástica que ele havia implantado nas palavras.

- E adivinha o que mais... – os dois voltaram a andar pelo corredor, o barulho irritante das conversas sumindo a medida que se aproximavam da sala de aula – Temari está na nossa sala também!

O menino nada disse, apenas continuou andando como se aquilo fosse irrelevante. Lee pareceu se decepcionar por não ver o amigo ter alguma reação, as vezes aquilo o incomodava muito, porque diabos Neji não era capaz de ter emoções? Afinal, Temari e ele haviam se encontrado nas férias inteiras, já haviam até transado, será que não havia significado nada para Neji? O sobrancelhudo esqueceu aquilo com um aceno de cabeça, um dia entenderia perfeitamente bem o Hyuuga. Abrindo outro de seus sorrisos contagiantes o garoto tomou novamente a meada da conversa.

- Eu também estranhei um negócio – Neji revirou os olhos, tinha achado que o amigo não tinha mais nada para dizer, mas sabia que era impossível fazer o garoto calar a boca – Tem uma tal de Hyuuga Hinata na sala ao lado da nossa! Conhece?

- É outra prima! – disse o Hyuuga, camuflando a surpresa por ouvir o nome dela – Não sabia que meu tio já havia matriculado-a na Ryuusei!

- Não acredito! – o rapaz de cabelos tigela parou no corredor, parecendo atônito, Neji se virou para olha-lo, e ergueu uma sobrancelha diante da cara de indignação do amigo – Mais uma prima pra você transar nas noites de tédio! - Lee recebeu outro soco forte na cabeça, e mais um galo para sua coleção – Gomem... de novo!

- Eu não vou transar com essa! – explicou o Hyuuga em voz baixa, menos irritado do que da outra vez, isso porque quase não havia gente no corredor – Pelo que meu tio disse, ela parece ser uma santinha que tem medo de homem... Deve ter vindo de um colégio de freiras, não deve nem saber se maquiar!

Lee apertou os olhos, ainda massageava o novo galo, depois sorriu para o amigo e seguiu-o até a sala de aula, entrando pela porta talhada, que continha os dizeres: "3° Colegial A" pintados de prata na madeira.

Os alunos estavam todos dispersos na sala de aula espaçosa. Algumas meninas bonitas conversavam futilidades em um canto, enquanto eram praticamente o único assunto de um grupo de meninos em outro canto. Havia alguns casais pela sala, uns conversando e outros se agarrando, nada que o Hyuuga não pudesse ignorar. Havia ainda uma única menina, sozinha na sala de aula, lendo um livro grosso, que mais parecia uma bíblia. E no canto, mais afastado e cheio de gente, estava a parcela de atletas e lideres de torcida daquela sala, incluindo a capitã das líderes, Sabaku no Temari.

A menina era muito bonita, tanto que era uma das mais populares da escola, tanto por sua personalidade quanto por ser capitã. Tinha os cabelos loiros ondulados, brilhantes e bonitos, os olhos de um tom verde piscina inacreditável, além de curvas e mais curvas avantajadas por todo o corpo. Esbanjava da saia e da camisa social do colégio, usando a saia três números menor que a de seu manequim e a camisa, também pequena, com dois dos primeiros botões abertos, mostrando a saliência dos seios fartos.

A menina sorriu olhando-o se aproximar, mesmo que ele não retribuísse seu sorriso, tê-lo olhando para ela era um sonho. Algumas outras garotas pela sala soltavam alguns suspiros quando o viram entrar, além de alguns comentários que o Hyuuga mal ouvia, mas que Lee faria questão de lembra-lo depois.

O rapaz procurou por seu lugar na sala, bem ao lado da janela, mas assim que se sentou, ao invés de olhar a paisagem, teve que prestar atenção em outra coisa. Dois pulsos firmes se apoiaram na mesa, em frente a ele. Não precisava olhar para saber quem era, mas mesmo assim olhou friamente para os olhos verdes sedutores.

- Oi gatinho! – a voz de Temari era manhosa enquanto ela se aproximava dele, sentando-se na carteira brilhante da sala de aula, insinuando suas coxas torneadas na direção dele – Sentiu minha falta?

Neji sorriu de lado, com toda sua superioridade, sabia que todos na sala haviam parado o que faziam para ver a cena, e teria uma cena. O Hyuuga pousou uma de suas mãos na coxa oferecida a si, e a outra colocou na cintura da menina. Viu-a sorrir ainda mais com sua atitude, adorava as atenções sobre si, principalmente quando estava com ele.

- Não!

A voz chegou aos ouvidos dela com rudeza. Como assim ele não sentiu a falta dela? Os olhos verdes piscaram atônitos algumas vezes, como se tentassem entender o que havia acontecido. Como se não acredita-se no que ele havia dito, ou até mesmo, esperando que ele completasse o que disse com algum carinho. Mas foi quando ouviu algumas risadinhas debochadas a sua volta que percebeu que não haveria continuação. O Hyuuga somente a olhava, com a maldita superioridade nos olhos de gelo.

- Como assim não? – perguntou ela se levantando, tirando agressivamente as mãos dele de suas coxas, olhando-o com certa irritação, a espera de alguma pegadinha, ou alguma explicação plausível para aquilo.

- Não, Temari! – ele sorriu com desdém, mas seus olhos continuavam apáticos – Eu não senti a sua falta!

Algumas risadinhas femininas, que sempre tiveram inveja do relacionamento dos dois, se intensificaram em gargalhadas, e o ódio de Temari somente aumentou.

- Ele está brincando Temari, acordou com o pé esquerdo hoje! – disse Lee, intervindo para ajudar o amigo. Os olhos verdes pousaram no menino, como se ela estivesse entendo tudo agora, com a explicação dele a irritação pareceu diminuir.

- Ninguém aqui está brincando!

Os olhos voltaram a encarar o apático rapaz, que não mudava nem sequer a posição, mas o que realmente deixava Temari louca era aquele sorriso ladino, desdenhoso dirigido a si. E aquelas risadinhas invejosas atrás dela, a Sabaku no, mesmo não entendo o porque da hostilidade muito bem, não iria deixar barato daquela forma. Não podia deixar barato daquela forma.

- Escuta aqui seu filho da... – um dedo acusador foi levantado na direção do rosto despreocupado do rapaz, mas antes que ela pudesse terminar de dizer qualquer coisa, o barulho da porta sendo fechada se fez ouvir.

- Senhorita Temari! – era a voz de Anko, a professora de matemática, a mais brava de toda a escola, e pra variar, sua voz já denunciava seu estado de animo: raiva – Não ouse terminar o que iria dizer! Quero você no seu lugar, bem longe do senhor Hyuuga! Agora!

Temari ainda olhou para o rapaz mais uma vez, antes de ir em direção á sua própria mesa, se sentando na cadeira com cara de poucos amigos. Os braços cruzados com força, enquanto alguns ainda tinham sorrisinhos maldosos no rosto.

- Abram o caderno de exercícios! – um burburinho de desagrado se fez ouvir depois daquela ordem – Estou pouco me lixando se vocês acabaram de voltar das férias, quero o maldito caderno aberto, agora!

A aula terminou em pouco tempo para satisfação geral. Ninguém mais agüentava o mal humor daquela professora, tanto que quando o sinal de fim de aula tocou, alguns alunos deram graças a Kami-sama, mas Anko não pareceu achar graça na brincadeira dos alunos, e, para provar isso, deu seis paginas de lição de casa.

A segunda aula seria de literatura, porém, como sempre na Ryuusei, a segunda aula era destinada ao pronunciamento de Jiraya, o diretor. Todos saíram de suas salas, e seguiram em bando até o auditório, sem a mínima vontade de passar uma hora ouvindo as regras, recomendações e boas vindas de Jiraya.

Neji e Lee andavam lado á lado nos corredores cheios. O menino de cabelos tigelas contava com animação sobre todas as garotas que ele havia 'pego' nas férias, como se Neji, ou qualquer outra pessoa, acreditasse naquelas histórias. O Hyuuga se mantinha sério, sem realmente prestar atenção no que o amigo lhe dizia, estava desatento, com os pensamentos longe, mas acordou de seu 'transe' ao sentir uma mão delicada pousar em seu antebraço e puxa-lo para longe do amontoado de pessoas, para um corredor deserto daquele mesmo andar.

- O que você quer? – perguntou agressivo se soltando da menina e olhando-a com certa frieza. Viu a loira sorrir divertida pra ele e depois se aproximar manhosa.

Temari se dirigia sensualmente até o Hyuuga, até encostar seu corpo com o dele e leva-lo em direção á parede. Pousou as mãos nos ombros largos do rapaz, enquanto mantinha seus olhos pregados nos olhos dele. Ela foi diminuindo a distancia de seus rostos, até sentir o hálito fresco dele bater contra sua boca. Mas Neji não gostava de ser dominado daquela maneira, então tratou de inverter a posição, virou Temari em direção á parede prensando-a com seu corpo, enquanto suas mãos seguravam com firmeza as coxas da colegial trazendo-as até a altura de sua cintura. Ela estava a sua mercê.

- Você não me respondeu! – disse ele rouco no ouvido da menina, sentindo-a estremecer em suas mãos, e depois, repetiu a pergunta numa ordem clara – O que você quer?

- Neji... – ela suspirou prazerosa, adorava estar nas mãos dele, sentindo o corpo dele grudado no seu, o cheiro masculino entorpecia seu corpo e a voz a reanimava trazendo-a de volta para aquela maravilhosa realidade – Eu queria te pedir desculpas! – disse fechando os olhos, sentindo a boca dele roçar a pele do seu pescoço, arrepiando todos os pelos do corpo.

- Porque? – perguntou ele, agora dando leves chupões no pescoço e colo da garota, sentindo-a cada vez mais entregue á suas mãos habilidosas.

- Porque... ahh... Eu não deveria ter te irritado hoje na aula, você estava de mau humor e eu somente piorei as coisas... – ele mordeu-a, ao qual ela respondeu com um gemido baixo, a voz ficando rouca de prazer – Eu sei que você não queria ter dito aquilo... Me desculpe por ficar brava! – ele não disse nada, apenas continuou seu trabalho de dar prazer á ela.

Aquela posição era realmente confortável, ele se encontrava entre as pernas dela, segurando com força e firmeza aquelas coxas deliciosas, sem deixa-la cair. Enquanto Temari gemia, deixando cada vez mais o colo exposto, para prazer dele. Neji se aproveitava de cada milímetro daquela garota, como já havia feito antes, ela não era tão boa quanto Hanabi na cama, porém, ainda tinha seus atrativos e fetiches. Ouviu-a dar um gemido mais alto, quando mordeu novamente aquele pescoço alvo, dessa vez com mais força.

- Vou entender isso como um "está perdoada" – disse ela, em seguida sorrindo de satisfação, delirando nas mãos do rapaz de orbes raras – Espero... ahh... que essa briga besta não acabe com nosso namoro!

A palavra ecoou pelo corredor, como também pelo cérebro do Hyuuga. Namoro. Ele soltou as mãos das pernas dela, fazendo-a cair sentada no chão, soltando um leve grito assustado, e se afastou um pouco, uma expressão mais séria no rosto, enquanto os dois olhos verdes olhavam-no sem entender.

- Não estamos namorando Temari! – disse ele, vendo-a abrir a boca numa surpresa muda e dolorida – Era somente sexo, você não deveria esperar por mais que isso!

E ao terminar de dizer aquilo, antes que ela pudesse assimilar tudo e dar um tapa na cara dele, Neji saiu daquele corredor, calmamente, como se nada houvesse acontecido. Se dirigiu até o salão, assistir o resto do pronunciamento, bem longe daquela garota idiota. Ele não podia entender como alguém tão inteligente como Temari fora capaz de achar que ele gostava dela. Talvez tivesse sido uma grande estupidez mexer com alguém que não sabia jogar.

O pronunciamento do diretor não acabou na segunda aula, como previsto, Jiraya parecia realmente empolgado em falar todas as coisas que ele NÃO queria que acontecesse nesse ano no colégio. Alguns alunos até dormiam em seus acentos, enquanto outros pareciam descrentes que o diretor conseguisse falar tanto, em tanto tempo e sem respirar.

O homem de cabelos brancos somente parou de falar quando o sinal de intervalo tocou, ele sorriu á todos e completou com um "A hora passa rápido quando estamos nos divertindo!", depois permitiu que todos se dirigissem ao refeitório no andar de baixo, para apreciarem seus trinta minutos de intervalo.

Neji suspirou realmente cansado se sentando numa mesa no refeitório. Lee tinha se incumbido de buscar alguma coisa para que eles comecem, e disse que voltava logo. Além de melhor amigo, Lee parecia ser o assistente/barra/empregado de Neji, quando também não tentava dar uma de conselheiro, o Hyuuga não se importava com aquilo, mas as vezes se sentia muito incomodado pelo amigo fazer tudo por ele e ele trata-lo com tanta frieza e descaso. Mas como sentimentos bons não duram muito tempo em Neji (como diz Pink Ringo em, Segundas Intenções xD), ele logo esquecia essa sensação e voltava a agir como o mesmo cara gélido e arrogante de sempre.

Por falar em caras gélidos e arrogantes, dois deles vinham em direção á sua mesa naquele exato momento. Neji era o capitão do time de futebol na escola, o que aumentava ainda mais sua tão grande popularidade. Mas os rapazes que andavam em sua direção eram tão populares quanto ele, e talvez os únicos na escola inteira que tinham o respeito do Hyuuga. Eles também eram da equipe de futebol, como também eram bonitos e inteligentes. As meninas suspiravam em deleite somente por senti-los passarem perto de si.

Eles se sentaram na frente de Neji, sem pedir permissão ou qualquer coisa, eles não precisavam disso. O do lado esquerdo tinha cabelos ruivos e olhos incrivelmente verdes, se mantinha apático, mas o que chamava mais atenção na sua face bonita era o Kanji em sua testa, uma tatuagem vermelha que tinha um significado desconhecido para todos. Ao seu lado, com um sorriso de escárnio nos lábios carnudos, estava um moreno de cabelos arrepiados, tão bonito quanto Neji ou o ruivo, seus olhos incrivelmente negros pareciam brilhar de vazio, como se não houvesse nada dentro dele, o que muitos acreditavam que realmente era verdade.

- Sasuke, Gaara... – a voz do Hyuuga soou grave e sem qualquer emoção, era seu modo de dizer 'olá' depois de voltarem das férias. Os olhos perolados olharam ao redor dos dois, e mesmo sem parecer interessado ele perguntou: - Onde está Naruto?

- Ele viu Lee na fila de comida... – afirmou o moreno revirando os olhos entediado por falar em Naruto, apesar deste ser seu melhor amigo desde muito tempo, os dois pareciam tão diferentes que era difícil dizer se eles eram realmente amigos, se não fosse pela mutua ajuda que um concedia ao outro – Está tentando convence-lo a cuspir na sua comida e não aceitar o trabalho escravo!

Neji sorriu de lado, típico de Naruto. Apesar de achar que aquele loiro de olhos azuis era um grande idiota, ainda mantinha um forte respeito por ele. De uma maneira diferente dos três rapazes sentados á mesa, Naruto também era muito popular, com seu jeito cativante e simpático, engraçado e tão bonito quanto os outros, porém, não tão inteligente.

- Eu estou falando sério... Quando você menos esperar ele já vai estar te usando como descanso pra pés! – a voz do loiro tão citado na mesa chegou aos ouvidos de todos, e logo os três pares de olhos apáticos se viraram na direção da voz, onde Lee carregava uma bandeja com comida enquanto Naruto tinha seu braço passado pelos seus ombros, gesticulando ao falar com o moreno de cabelos tigela.

- Naruto! – Neji revirou os olhos vendo o rapaz se sentar ao seu lado, enquanto Lee depositava a bandeja na mesa. O Hyuuga e o menino de cabelos tigela eram um ano mais velhos do que os outros três, mas mesmo assim se tratavam como iguais. Não era como os outros alunos mais novos que quase tremiam de vergonha ou medo ao vê-los passar.

- Neji! – o loiro deu um de seus sorrisos brilhantes, aqueles que faziam as garotas praticamente desmaiarem só de olhar, parecendo ter se esquecido completamente que a segundos atrás falava mal do Hyuuga – Como foram suas férias?

- Não te interessa! – disse secamente, mas Naruto ignorou-o, como se não esperasse por qualquer outra resposta senão aquela.

- As minhas foram ótimas, obrigada por perguntar! – informou o rapaz de olhos azuis sem deixar de sorrir, vendo Neji pegar o copo de suco de laranja na bandeja que Lee trouxera, e começar a beber sem lhe dar atenção – Ahh... quase esqueci... – disse ele olhando para todos na mesa, enquanto roubava comida da bandeja – Kin me convidou pra uma festa na casa dela, e ela queria que eu chamasse vocês também! Parece que vai ser nessa sexta, uma daquelas festas de boas vindas ao colégio!

- Kin? ... A mimada, irritante, idiota, infeliz, estúpida e burra Kin? Quem em sã consciência iria numa festa dela?

Todos eles olharam na direção da nova voz, dessa vez feminina, e encontraram uma garota de longos cabelos chocolate e olhos da mesma cor parada em pé na frente da mesa deles, ela levava nas mãos uma bandeja com a sua refeição, e sua face parecia entre irritada e frustrada, olhando para Naruto como se ele fosse uma espécie nova de idiota.

- Isso mesmo querida Tenten! – a voz do loiro instantaneamente se transformou em um tom mais sarcástico, um tom que ele quase nunca usava, exceto quando estava com a morena de olhos chocolates – A maravilhosa, peituda e bunduda Kin!

- Com certeza é só isso que ela tem, peito e bunda... – iniciou se sentando em frente ao loiro na mesa, ao lado de Neji - Porque caráter, inteligência, compaixão e um mínimo de amor próprio estão em falta naquela vadia!

O Hyuuga sorriu de lado com a forma irritada que Mitisashi Tenten se referia á Kin. A morena podia se considerar a única da escola que não havia dormido com nenhum dos presentes naquela mesa, obviamente, porque tinha o respeito de todos ali. Ela era tão bonita e popular quanto eles, fazia parte da equipe de boxe da escola e tinha um temperamento explosivo. Era a única menina na escola que podia se sentar naquela mesa sem ser repudiada, também era a única que se sentava ali sem segundas intenções.

- O que é isso Tenten? – o loiro retrucou sarcástico, um de seus passatempos preferidos era irritar a morena de orbes chocolate – Ciúmes porque ela é mais bonita, ou porque ela não te convidou pra festa!

- Pra sua informação, loiro de farmácia... – a menina replicou depois de tomar um gole de seu refrigerante – Eu fui convidada pra essa festa!

- Então o seu mau humor é porque ela é mais bonita que você! – Naruto sorriu vendo os olhos de Tenten mirarem-no com raiva explicita, mas continuou antes que ela pudesse rebater sua retórica – Não se preocupe, eu ainda te acho bonitinha!

- Ótimo! – ela afundou na cadeira – Agora você conseguiu me deixar pra baixo! – o loiro olhou-a enviesado e então, mudando de assunto, os olhos chocolate olharam a figura ruiva na mesa, como se acabasse de lembrar de algo – Ahh é, Gaara! – os olhos verdes apáticos miraram a menina – Eu acabei de encontrar com a Ino, ela ta rindo que nem um idiota dando em cima de um carinha mais novo, o que aconteceu?

- Terminamos! – respondeu acido e direto, sem se importar com os olhos levemente arregalados da morena com a sua resposta evasiva. Gaara não se importava com muitas coisas.

- Como isso aconteceu? – perguntou ela novamente, mas o silêncio do ruivo foi sua única resposta.

- Foi nas férias! – Sasuke deu a resposta pelo o amigo, enquanto revirava os olhos em puro escárnio com as inúmeras perguntas irritantes da menina sentada á mesa – Brigaram e se separaram, fim de história!

O silêncio reinou por longos minutos naquela mesa depois disso, o ar ficou realmente pesado. Gaara não olhava para ninguém, apenas se mantinha distante da conversa como se não estivessem falando dele; Naruto e Lee trocavam olhares preocupados, perguntando mudamente quem iria acabar com aquela situação; Sasuke se mantinha indiferente vendo Tenten beber outro gole do refrigerante, num pretexto para não falar mais; e Neji sorria de lado, com escárnio, alguma coisa naquela conversa pareceu surtir esse efeito nele.

- Ah... – Naruto iniciou sem saber o que dizer exatamente, querendo apenas quebrar a tensão que havia se instalado na mesa – E então... Quem vai comigo na festa da Kin?

O sinal da saída tocou estridente pelos corredores da Ryuusei, em cada sala, os professores finalizavam suas aulas e davam permissão para que os alunos começassem a arrumar suas coisas. Ao contrário do começo da manha, as três ultimas aulas haviam passado rápidas. Obviamente foram chatas, mas não pareceram durar uma eternidade como as outras.

Neji se levantou da mesa e começou a guardar seus cadernos dentro da mochila, lentamente, sem presa de terminar aquilo, como se nem quisesse terminar aquilo. Lee olhou para o amigo meio confuso com aquela atitude, mas depois se lembrou da tal 'conversa' que o Hyuuga havia lhe contado, que tinha tido com Temari. A loira de olhos verdes somente havia aparecido para a ultima aula, o rosto lavado e meio enfurecido de quem chora de raiva, o moreno de cabelos tigela suspirou pesadamente, talvez Neji quisesse evita-la saindo mais tarde.

A porta da sala se abriu e os alunos começaram a sair, um a um, as conversas e risadas altas, Temari havia sido a primeira a deixar a sala, sem nem olhar para trás, como se fosse atingir Neji com isso. Em poucos segundos a sala já se encontrava completamente vazia, somente o Hyuuga continuava a arrumar suas coisas, Lee ao seu lado, esperando por ele.

- Lee? – a voz de Tenten chegou ao ouvido de ambos, e suas atenções se voltaram para a morena que entrava na sala de aula com um sorriso no rosto, ela se aproximou deles se dirigindo exclusivamente para o garoto de cabelos tigela – Naruto está chamando você para se inscreverem na aula de judô!

- Que ótimo! – os olhos negros do sobrancelhudo pareceram brilhar de excitação diante daquilo, e ele então, fez sua famosa pose Nice Gai – Avisa ele que eu só vou esperar o Neji arrumar as coisas e já vou...

- Não precisa! – Neji iniciou frio, voltando a colocar os cadernos na mochila á sua frente sem qualquer presa – Pode ir!

Lee sorriu em agradecimento, jogando sua mochila nas costas e correndo porta afora com a garota que viera chamá-lo. O Hyuuga se viu, finalmente, sozinho na sala de aula, fechou o zíper da mochila e colocou-a sobre sua mesa escolar. Depois, se dirigiu até a grande janela de vidro, se apoiando no batente dela, podia ver dali as várias pessoas saírem pelos portões da Ryuusei em direção á suas casas, felizes por se livrarem do colégio por aquele dia.

Os olhos perolados passearam pelas várias pessoas e encontraram a figura da prima mais uma vez no meio de todos, ele a encontraria até numa feira apinhada de gente. Hanabi sorria sensualmente enquanto conversava com um garoto novo, da mesma idade que ela, talvez fosse o seu novo passatempo para aquele ano. Ela era previsível na visão do primo, todo ano ela se interessava por um aluno novo, jogava com ele até deixá-lo completamente aos seus pés e depois terminava, arrasando o pobre coitado que pensou ser diferente.

Um sorriso de lado surgiu nas feições frias do rapaz que olhava pela janela, e ele desgrudou os olhos da prima para olhar o céu daquele meio dia, estava cinzento e escuro, aparentando que a qualquer momento iria chover uma tempestade torrencial, era um milagre não ter caído nem uma gota ainda. Seus pensamentos se desfizeram ao ouvir o som da porta de sua sala de aula ser trancada a chave, e ouviu os passos leves de alguém ir a sua direção. O cheiro de baunilha chegou aos seus instintos, e ele já sabia quem era, não precisou se virar, somente deixou que as duas mãos delicadas e possessivas abraçassem-no pelas costas, sentindo os seios fartos se esmagarem contra seu dorso, do mesmo modo que, mais cedo naquele dia, haviam se esmagado contra seus braços cruzados.

- Achei que você não iria entender a minha pequena indireta de hoje mais cedo! – começou uma voz sedutora, enquanto lábios carnudos depositavam beijos quentes na extensão do pescoço masculino – Mas você é inteligente, não é mesmo?

- Fiquei sabendo que você e Gaara terminaram! – disse o Hyuuga apático, sentindo os beijos ficarem cada vez mais sôfregos em seu pescoço, mas ele parecia não sentir nada, não demonstrava nada, não mudava de posição, se mantinha ali, sentindo o calor dela – Achei que você gostasse dele!

- Achei que você não se importasse com ninguém! – a voz de Yamanaka Ino soou meio irritada, mas mesmo assim, ela continuou depositando seus beijos, sem parar nem por um segundo.

Neji sorriu de lado novamente e se virou para a garota, uma bela loira de olhos azuis, pareceria até um anjo se não fosse pelas intenções pecaminosas que seus olhos demonstravam. Era uma das melhores amigas de Hanabi na escola, assim como de Temari, e uma das lideres de torcida também. Era o tipo de garota desejada por todos, mas tida exclusivamente pelos melhores. Ela sorriu sedutoramente, os olhos brilhando de luxuria, e esmagou seus lábios contra os de Neji, num beijo sem paixão mas repleto de desejo.

As mãos do Hyuuga desceram pelos cabelos lisos nas costas da garota e se firmaram na cintura fina e delgada, enquanto as mãos de Ino brincavam na nuca masculina, sem deixá-lo romper o beijo. Neji puxou o tecido da camiseta da escola da garota e começou a acariciar com suas mãos geladas a pele exposta da cintura e da barriga. A Yamanaka gemeu em meio ao beijo que a cada segundo se intensificava mais e mais, a mão fria em seu corpo quente a excitava de um modo muito bom.

Podia-se dizer que brincar com Ino era tão legal quanto brincar com Hanabi, apesar de que Hanabi demonstrasse uma excitação maior, simplesmente por ser um perigo maior. Mas se não fosse isso, Ino se igualaria á ela, num prazeroso empate. Neji, aparentemente, não se importava com o fato de já ter dormido com a namorada de um dos melhores amigos, ou com a melhor amiga de sua ex-namorada, enquanto ainda eram namorados. Para ele, a Yamanaka era só um ótimo negócio, e nada mais. E ele não duvidava muito de que para Ino ele fosse à mesma coisa, apesar de sempre, depois de terminarem a sujeira que faziam, ele pudesse ver o filete de culpa estampado nos olhos azuis. Talvez por Temari, ou talvez por Gaara, o fato era: A loira se sentia culpada por trair a confiança de ambos os irmãos Sabaku No. Mas isso, não era problema do Hyuuga. Não havia nenhum problema agora.

A mão firme de Neji subia e descia pelas costas lisas, em baixo da camisa da colegial, apertando e aproveitando a sensação da maciez da pele da loira. Ino mantinha o beijo cada vez mais quente, brigava com a língua do Hyuuga por um lugar maior na boca, enquanto suas mãos delicadas arranhavam de leve o pescoço e os ombros ainda vestidos do rapaz. Mas foi quando, depois de uma mordida sensual no lábio inferior da Yamanaka, que ele a ouviu gemer e sabia que os joguinhos já haviam perdurado o suficiente. Com rudeza suas mãos giraram na cintura da loira e cravaram em suas nádegas firmes, puxando-as para cima, num convite para as pernas femininas rodearem a sua própria cintura. Um convite aceito de prontidão.

Era inegável que o Hyuuga tinha muita força muscular, não que Ino fosse gorda, longe disso, mas andar quase três metros com uma loira agarrada ao seu pescoço em direção a mesa do professor da sala de aula sem nem ao menos respirar um pouquinho mais ofegante, somente Neji tinha tal habilidade.

Agora, com ela sentada em cima da mesa, e ele perigosamente entre suas pernas, tudo ficava mais fácil. Neji parou o beijo e olhou para a garota, ela ainda se mantinha de olhos fechados, e ele sabia por que, mas isso não o incomodava. Ele passou a mão pela barra da blusa levemente, e contornou as curvas desde a cintura até os seios, onde o primeiro botão do uniforme quase implorava para ser aberto, e foi o que aconteceu. A cada segundo, um pouco mais da pele perfeita e do sutiã rendado rosa aparecia. Quando todos os botões já estavam fora de suas casas, as mãos do Hyuuga deslizaram nos ombros finos, empurrando o tecido da roupa para fora do corpo e ganhando de brinde outro gemido da boca rosada.

Os lábios de Neji desceram quase instintivamente para a pele recém exposta, chupando, mordendo, enchendo de prazer. Enquanto as mãos de Ino iam para as costas do próprio corpo, retirar sozinha o próprio sutiã, para dar ainda mais aceso à boca habilidosa do Hyuuga. O jeito direto e possessivo de Neji era o único, que para Ino, se igualava ao de Gaara, e era por isso que ela não conseguia parar quando estava perto do Hyuuga, era terrível admitir, e ela se negava a isso, mas o que ela sentia pelo ruivo Sabaku No era muito mais do que um mero gostar.

O sutiã teve o mesmo destino da camisa escolar, o chão frio da sala de aula. As mãos masculinas tomaram o lugar dos lábios, e começaram a acariciar com rudeza a pele fina e quente dos seios da garota. Os lábios agora tinham o trabalho de demarcar o pescoço alvo, num pequeno lembrete avisando que Hyuuga Neji passou por ali. Ino continuava gemendo do imenso prazer que a boca e as mãos masculinas lhe proporcionavam, mas sabia que já estava na hora dela também entrar no jogo. Com isso, ela começou a trilhar o mesmo caminho do Hyuuga, suas mãos delicadas saíram da mesa e deslizaram do dorso para o abdômen definido, mas em vez de abrir os botões do uniforme de cima para baixo, ela os abriu de baixo para cima, fazendo questão de roçar os dedos na virilha dele antes de abrir o primeiro botão, e ganhando como brinde um suspiro contido. Um sorriso brilhante encheu o rosto da garota, seus olhos azuis se mantinham fechados.

Um por um os botões foram abertos, e logo a camisa já mostrava o abdômen impecavelmente alvo e talhado, perfeito. As mãos da garota viajaram pela pele firme do Hyuuga, mas não tiraram a camisa branca em nenhum momento, mesmo que ela não o visse, sabia que a meia visão do dorso de Neji ainda com a camisa aberta, era como uma pintura grega, maravilhosa. Ela sabia disso, por que Gaara lhe dava essa mesma visão.

As mãos da loira subiram pelo abdômen até encontrar a gola da camisa, segurando com força os dois lados do tecido, ela puxou Neji ainda mais para si, mudando a posição. Agora, o corpo da Yamanaka estava completamente deitado na mesa fria da sala de aula, e o Hyuuga, por sua vez, ainda preso em meio às pernas torneadas, estava em cima da loira, ainda distribuindo mordidas fortes no pescoço e colo.

A boca então se desprendeu da pele macia, e foi com satisfação que ele ouviu um muxoxo de desagrado ao fazer isso, Ino não tinha mostrado os orbes azuis piscinas em nenhum momento. Então, levemente, mas mesmo assim com uma força desnecessária, ele trilhou um caminho de mordidas e chupões, andando pelo vale dos seios fartos, passando pela barriga lisa e se encontrando, finalmente, com o começo da saia escolar. A posição dele era mais do que privilegiada, as mãos firmes agarradas às coxas torneadas, os seios em perfeita exposição e as pernas já abertas o suficiente para que ele começasse quando quisesse. Mais ainda era cedo demais.

Os olhos perolados caíram sobre a face da Yamanaka antes que ele continuasse seu movimento, os cabelos loiros brilhando em contraste com a madeira negra da mesa da sala, a boca soltando leves gemidos ritmados, entorpecidos e os olhos, fechados. Ele não podia negar que Ino era uma garota linda, mais olhando para os olhos fechados, ele também não podia negar que era uma garota tola. Manter os olhos fechados para pensar que ele era Gaara era a coisa mais idiota que a menina podia fazer. Mas ele não se importava com o que Ino pensava, contando que ela lhe desse todo o prazer de sempre.

As mãos fortes e calejadas deslizaram das coxas para dentro da saia da colegial, ele ainda a olhava a cada movimento, viu-a morder o lábio inferior e prender a respiração enquanto ele enrolava seus próprios dedos no tecido da calcinha, sem hesitar em puxá-lo pra baixo, mesmo que o pano rasgasse com o puxão. Apesar de grosseiro Ino não podia deixar de sentir que aquela dorzinha era prazerosa.

Completamente exposta, somente com a saia, a Yamanaka sabia que era definitivamente a vez dela de jogar. Ela sentou-se na mesa, Neji ainda se encontrava entre suas pernas, segurando as coxas com firmeza, ele olhava para ela, esperando. A garota desceu as mãos delicadamente, desde os ombros fortes até o abdômen perfeito, gostando da sensação que o tecido do uniforme produzia em contato com a pele alva e fria. As mãos dela então pararam, na barra da calça social preta. Contornando com leveza os botões da calça. Ela podia senti-lo, não estava preparado.

Os dedos delicados abriram calmamente os três botões da calça, com uma lentidão que enjoava. Neji revirou os olhos, e resolveu apressar um pouco as coisas. Abriu os botões da calça e abaixou-a, junto com a boxer negra, o suficiente. A menina sorriu, mais uma semelhança entre Gaara e Neji: detestavam esperar. Agora as mãos femininas circulavam a virilidade masculina, provocando prazerosamente, suspiros contidos do Hyuuga, os dedos então, depois de um tempo, rodearam o membro, acariciando e sentindo a textura, com uma sensualidade instigadora de tão leve e devagar que era. Agora Neji não pode conter e soltou um gemido meio abafado.

O que importava que estavam na escola? O que importava que estavam em cima da mesa onde no dia seguinte um professor colocaria seu material e daria uma aula? Não importava. O prazer justifica tudo, certo?

Enquanto uma das mãos se prostrava no ombro firme, a outra continuava a massagem instigante no membro já completamente ereto. Ino podia sentir a pulsação em seus dedos, mas não ia parar de brincar até que Neji perdesse completamente o controle.

E foi o que aconteceu. O Hyuuga sem qualquer cuidado ou carinho, empurrou a loira novamente deitada na mesa, ela soltou um leve gargalhar com isso, e se pôs de joelhos entre suas pernas, segurando as coxas com uma força desnecessária. Ela já havia se divertido à custa dele o suficiente. Soltou uma das mãos por um breve momento, e deixou-a rastrear o bolso da calça negra, puxou de lá um preservativo, abriu-o com os dentes e colocou-o, voltando a segurar a coxa da garota logo em seguida. Apesar de tudo o que fazia Neji não era idiota, ele se protegia. A única que tinha o prazer de senti-lo por completo era Hanabi, e ele confiava o suficiente nela, para saber que ela também se protegia com outros caras, e tomava pílula regularmente.

A saia da escola foi enrolada para cima, completamente á mostra. Ele puxou o quadril feminino para colidir com o seu próprio, mais parou, antes que as virilhas se ligassem, fez com que os pontos sensíveis se tocassem de leve, provocando. A Yamanaka quase gritou ao senti-lo fazer essa maldade, os olhos, mais cerrados do que nunca. Neji sorriu com a cara rabugenta da garota, e então, sem dó ou piedade, entrou fundo, forte e rápido, e dessa vez a loira não pode conter o gemido alto que lhe escapou da garganta. Igual á Gaara.

Neji ficou algum tempo parado, absorvendo os primeiros assomos do prazer em seu corpo, e deixando que a virilha feminina se acostumasse ao seu tamanho e força, pois ele podia ver, pela expressão de Ino, que estava doendo de tanto prazer. Alguns segundos de silêncio absoluto e então o ranger da mesa começou, entrando e saindo, primeiro fundo e lento e depois acelerando mais o ritmo. O suor começava a brotar dos colegiais, mas os movimentos não paravam. Eram frenéticos e o barulho dos corpos se chocando era quase como uma guerra. Ela deitada na mesa, sendo puxada com força de encontro á ele, e ele de joelhos, cravando as unhas curtas nas coxas da garota, puxando-a de encontro á si, cada vez mais forte, cada vez mais rápido, cada vez melhor.

Ambos estavam completamente entregues, completamente perdidos ali. Os movimentos não cessavam Neji não deixava parar. Ele viu Ino tremer levemente uma vez, e depois mais forte, ela havia chegado ao limite, ela sempre chegava primeiro. Ele continuou, entrando e saindo, com ainda mais força, ainda mais rápido, deixando a marca de seus dedos nas coxas da garota. Ela gemia alto, com os movimentos dele, e sussurrava baixinho, Neji sempre sabia o que ela sussurrava. Gaara.

A Yamanaka teve outro assomo de prazer, um segundo orgasmo, e numa tremedeira meio brusca desta vez, ela acabou fazendo que Neji também chegasse ao ápice. Pararam os movimentos instantaneamente, ele ainda estava dentro dela, sentindo as ondas gostosas perpassarem o seu corpo, desde o ponto em que estavam ligados, até o ultimo fio de cabelo.

O Hyuuga soltou, então, as coxas da colegial e desceu da mesa, tirando a camisinha com cuidado e jogando-a pela janela. Não se preocupava se por acaso alguém á encontrasse. Ergueu a calça social negra junto com a boxer e voltou seus olhos perolados para a garota ainda estirada na mesa, os olhos ainda fechados, e um sorriso estranho no rosto. Neji sorriu para si mesmo, malicioso.

- Ino? – ele disse, e viu com satisfação o sorriso dela sumir. Ele não era Gaara. Falar com ela era um ato de pura crueldade que ele não podia evitar. Ficava sem dizer uma palavra durante toda a transa, via aquele sorriso bobo no rosto dela quando terminavam, e a destruía, dizendo seu nome, fazendo-a ouvir a sua voz e não a que ela realmente queria ouvir. E isso o divertia.

Os olhos azuis se abriram, cansados e tristes, encontrando a figura do Hyuuga enfrente á ela, enquanto ela se sentava na mesa. Ele abotoava a camisa, e ela não podia deixar de pensar, que o olhar frio dele era igual ao de Gaara. A diferença estava nos perolados, pois ela sabia, ela podia ver, mesmo que somente um pouco, os olhos verdes á admiravam, enquanto aqueles que ela agora tinha diante de si, eram opacos, incapazes de dar amor. E era nessa hora que ela sentia pena dele.

Ele terminou de abotoar a camisa e olhou pra ela mais uma vez. Só pelo prazer de vê-la destruída. Sorriu de lado e saiu da sala de aula, passando antes em sua carteira e pegando sua mochila. E ali estava, sentada na mesa, a garota forte e destemida, que todos os garotos queriam e todas as meninas invejavam. Os olhos azuis que tantos desejavam ter, estavam novamente com o filete de culpa. Neji não sentia culpa nenhuma.

Ele saiu do colégio correndo, esbarrando em alguns alunos do período da tarde enquanto passava. Atravessou as portas de vidro em direção á saída. Estava atrasado e se recriminava por isso. Não devia ter se entretido tanto com a Yamanaka. Suspirou resignado, não havia o que fazer.

Os olhos perolados vagaram pelo céu cinza por trás do vidro fumê do táxi. Esperava que a prima o estivesse esperando. Não queria decepcionar Hiashi, não depois de tudo que o tio vinha fazendo por ele. Suspirou mais uma vez, e avistou logo á frente, o aeroporto de Tóquio.

Pagou o taxista e entrou pelas portas de vidro, o lugar estava lotado. Agora que pensava melhor, será que o vôo não havia sido cancelado pelo mal tempo? De qualquer modo, era melhor procurar pela prima, apesar de não saber ao certo como ela era. Andou entre as pessoas por toda a extensão do lugar. Falou com uma das recepcionistas e ela lhe disse que o vôo de Roma para Tóquio já havia chegado á trinta minutos. Ele perguntaria pela prima, se pelo menos pudesse se lembrar qual era o nome dela.

Sem opção ele vagueou mais e mais pelo aeroporto, que aos poucos ia se esvaziando. Talvez ela tivesse chamado um táxi. Ele pensava enquanto olhava atentamente para todas as pessoas. Ou talvez esteja perdida pela cidade. Maldição.

Cansado da busca por nada ele se sentou frustrado em um dos bancos de espera. Apoiou os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos. Estava cansado.

- Seus olhos...

A voz rouca vinha de algum lugar perto dele, parecia velha. Neji ergueu a cabeça e se deparou com uma figura corpulenta á sua frente. Era uma senhora, a pele enrugada e a bengala na mão, ela sorria pra ele. Os olhos cinza brilhavam olhando para os olhos perolados. O Hyuuga ergueu uma sobrancelha para a mulher.

- Uma garota, com a mesma cor de seus olhos, estava sentada nesse mesmo banco desse mesmo jeito... – e a velha riu, como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo – Era uma menina simpática e...

- Você sabe pra onde ela foi? – ele cortou-a rispidamente, voltando a se levantar.

A mulher analisou-o por um segundo, os olhos atentos a todos os trejeitos do Hyuuga, que a cada segundo ficava mais e mais enfurecido com a demora da resposta.

- Acho que ela esperava por você. – e a velha não sorria mais, havia dito aquilo como se fosse um presságio, como se tivesse duas formas diferentes de se entender aquela frase. Depois de longos segundos, quieta, somente olhando Neji, a velha voltou a sorrir. – Ela me perguntou a onde podia chamar por um táxi... – Neji revirou os olhos, não era isso que queria saber – Disse alguma coisa de precisar ir ao cemitério, e me agradeceu.

O Hyuuga deu as costas a velha, não agradeceu a informação. E se direcionou novamente para as portas de vidro do aeroporto, saindo por elas, enquanto amaldiçoava a maldita prima e a maldita velha. Porque, maldição, ela não havia ficado ali e esperado por ele? Agora teria que buscar a garota recatada no meio de um cemitério. Por Kami-sama, o que ela foi fazer lá? Neji suspirou mais uma vez, seria um longo dia.

Já fazia quase meia hora que ele andava por entre os túmulos. A chuva já havia começado a cair, primeiro levemente e depois se propagando até molhar completamente a figura do garoto. Ele gostava da chuva, gostava de sentir os pingos frios baterem em sua pele e estremecê-lo. Talvez esse fosse o único sentimento que ele realmente sabia possuir. Ele amava. Ele amava a chuva.

Apesar de como se sentia bem embaixo das gotas cálidas, ele não podia se dar ao luxo de pegar uma pneumonia, não podia ficar doente. E então, meio relutante, ele abriu o guarda-chuva negro em cima da cabeça, e continuou seu caminho.

Era uma figura realmente bonita e mórbida. Os cabelos grudados na tez alva da testa e do pescoço, a camisa social branca grudando e contornando todos os músculos firmes do dorso e abdômen, e por fim, os olhos, frios. Tão frios quanto a chuva. Eles vagueavam tumulo por tumulo, cripta por cripta, mas por mais que olhassem, Neji parecia ser o único naquele lugar. Ótimo, ele havia perdido a prima, agora sim que Hiashi ficaria decepcionado. Neji nunca o decepcionava. E mais uma vez se amaldiçoou por ter perdido tempo com Ino, apesar de não negar que haviam gastado o tempo fazendo algo de qualidade.

Ele sorriu de lado. Não desistiria da procura, por pelo menos mais cinco minutos. Foi quando ele avistou, ao longe, um tumulo branco e brilhante, talvez o único tumulo ali que ele realmente conhecesse. O tumulo de sua mãe. Não pode evitar se dirigir para ele, agora que pensava, fazia décadas que não visitava a mãe. Para falar a verdade, não a visitava desde o enterro dela. Ele considerava aquilo perda de tempo e não se sentia mal por isso, na realidade eram poucas as coisas que o faziam se sentir mal.

Ele virou a esquina do tumulo da mãe, e então parou. Talvez, e só talvez, aquela fosse a cena mais estonteante que já vira em toda a vida. Não pode evitar deixar que a boca secasse, ou que os olhos se perdessem. Não pode sequer pensar em algo coerente. Ele sentiu um nó na garganta, um nó que nunca havia sentido, mas sabia explicar o que era. Pena. Não, não podia ser pena. Mas ele não admitiria qualquer outra coisa. Ok, talvez só para si mesmo: Era compaixão. Neji nunca sentiu compaixão em toda a sua vida, pelo menos desde que sua mãe havia morrido. Era algo tão leve e doloroso ao mesmo tempo, tão diferente da pena, que no caso dele, se igualava a escárnio. Mas ali, parado em frente ao tumulo de Hyuuga Nigara e Hyuuga Helena, ele lembrou daquele sentimento a tanto tempo esquecido. Compaixão. Somente sua mãe e sua tia seriam as testemunhas daquele segredo inconfessável, por que ele duvidava que a menina á sua frente soubesse distinguir algo em seus olhos embaixo daquela chuva.

Lá estava ela. Sentada sobre o tumulo da mãe e da tia. A blusa roxa e a calça jeans se apertando contra seu corpo de 16 anos, emoldurando-o, definindo cada curva perfeita. Os cabelos de um tom negro azulado grudados ao rosto, desciam numa cascata molhada e ainda assim brilhante até o meio das costas esguias. O rosto, talvez mais branco que o normal, molhado de chuva e de lágrimas. E os olhos. Perolados.

O nome lhe veio como se nunca houvesse sido esquecido, mas em sua boca, as palavras se formaram mais duras do que ele pretendia. Era o habito.

- Hinata!

E ela olhou pra ele, e o nó na garganta apertou quando ela lhe sorriu, mas ele não demonstrou. Apesar de toda a sua crueldade e todas as suas negações, ele não conseguia deixar de pensar em como ela tinha vida em meio aos mortos.


Comentários?? Ç.ç Por favor, não dói escrever uma review... Eu acho o.O