Capitulo 2
Sebastian abriu a porta do apartamento e girou os olhos ao ver o amigo, com quem dividia o apartamento há seis anos, encolhido no sofá. Misha segurava uma almofada bem apertada contra o peito enquanto chorava desconsolado por causa de algum filme que, Sebastian sabia, era uma daquelas irritantes histórias de amor.
_Misha, o que aconteceu? – perguntou esgueirando-se para o lado dele.
O moreno tinha os olhos muito azuis banhados em lágrimas, a face molhada brilhava com as cores da tv. Sebastian passou os dedos pelo cabelo preto arrepiado do amigo e o ouviu soluçar mais.
_Ele vai morrer. – disse apontando. – Eles não vão ficar juntos, Seb. Isso é tão triste. – e desatou a chorar novamente.
Sebastian finalmente olhou para a televisão, viu a mulher sentada no que parecia um dos destroços do navio que afundava ao fundo, um homem tinha apenas os braços em cima da madeira em que ela estava, e ela chorava compulsivamente, sendo acompanhada por Misha, do outro lado da tela.
O loiro girou os olhos, aquele com certeza era um dos piores filmes que já tinha visto na vida, mas era incrível como Misha nunca se cansava de assisti-lo, o mais bizarro de tudo era que o moreno sempre chorava, mesmo sabendo o final.
_Está tudo bem, Misha. – disse abraçando o outro. – Eles estão ganhando dinheiro pra fazer isso e você está ai, chorando e sem uma moeda no bolso. – viu quando o moreno lhe encarou irritado, parecia uma criança.
_Rum. – ouviu o resmungo que saiu dele e sorriu logo depois indo tomar banho.
Misha rolou os olhos, levantou do sofá quando viu que os créditos já passavam na tela, ele nem mesmo tinha visto o final, tudo por causa do outro. Deu de ombros sabia de cor e salteado mesmo. Abriu a geladeira e encarou os compartimentos vazios. Teria que tomar café na rua, de novo.
_Por que não foi no mercado, Seb? – gritou, enquanto ainda encarava a geladeira, como se por mágica alguma comida fosse aparecer ali.
Ouviu um resmungo abafado pelo som do chuveiro, e como não entendeu nada que o outro disse (ou resmungou?), foi para o quarto se vestir. Colocou uma calça jeans, uma camisa preta, um tênis e saiu.
Entrou na cafeteria de Julie e sorriu quando viu a ruiva de avental. Escorou-se na bancada e esperou ela atender um homem antes de vir até ele e lhe dar um beijo estalado na bochecha.
_E então... O que vai ser hoje, docinho? – perguntou.
_Café preto, sem açúcar. – respondeu.
_Aham, – confirmou anotando em um bloquinho. – mais alguma coisa?
_Tem torrada?
A mulher sorriu confirmando com a cabeça e saindo em seguida para pegar o pedido.
_Oi, Julie. – escutou uma voz grossa atrás de si e tremeu.
Virou e perdeu o ar ao encarar o moreno muito alto e de músculos definidos, porque mesmo que ele estivesse com camisa social, dava pra perceber. A ruiva se virou na direção da voz e sorriu.
_Oi, Jared. – respondeu enquanto abaixava-se para pegar uma sacola, que já estava preparada. – Aqui está.
O moreno alto pegou a sacola e sorriu galanteador, estendendo a nota de cinqüenta dólares para ela. Misha estava tão perdido naquele sorriso quanto a ruiva. Ela apoiou-se no balcão suspirando alto enquanto via o moreno sair do estabelecimento, nem reparou que do seu lado Misha fazia a mesma coisa.
_Oh meu Deus... O que eu não faria para ter um deus desse na minha cama? – perguntou-se ela em voz alta, arrancando risadas do moreno.
Ela entregou o pedido a Misha, o moreno comeu ali mesmo, e saiu assim que terminou. Estava voltando pra casa quando se bateu de frente com alguém, e teria quebrado a cara se não fosse os braços fortes que lhe seguraram o quadril.
_Desculpe. – disse antes de levantar os olhos e ver Richard Speight.
Richard era um empresário muito famoso no ramo da TV, Misha o conheceu por meio de Sebastian, que apresentou o dois em uma festa onde ele e o moreno entraram de penetra.
_Oi, Misha. – disse o outro risonho.
_Oi... – respondeu. – Pensei que estivesse viajando. – comentou, assim como quem não quer nada.
_Eu voltei mais cedo, tenho um compromisso para hoje à noite. – disse ele. – Tem um baile de caridade, todos os empresários da região confirmaram presença, então, mesmo não querendo, eu preciso ir.
_Hum. – limitou-se o moreno.
_É importante, pelo menos foi o que Chad me disse. – disse dando de ombros.
Richard encarou a face do outro, já fazia algum tempo que não saia com Misha, e por Deus sentia falta das tardes que passava com o moreno, na cama é claro. Olhou o relógio de pulso e mandou a merda todos os compromissos que tinha marcado para aquela manhã.
_Você tem algo pra fazer agora? – perguntou, encarando o outro de uma forma que ele entendesse o que queria dizer.
_Não. – respondeu simplesmente.
O outro homem sorriu e lhe pegou a mão, caminharam lado a lado até o carro preto do empresário, Misha entrou no lado do passageiro enquanto o outro pegava a direção. Não demorou a chegarem ao motel que já lhes era conhecido.
_Você ainda cobra o mesmo preço? – ouviu o outro perguntar, enquanto pegava a chave do quarto em que ficariam.
Acenou que sim.
Ainda cobrava uma miséria para que qualquer um pudesse se satisfazer com seu corpo.
Pararam em frente a porta de madeira e Misha entrou assim o outro deu passagem para ele. Não demorou a sentir os dentes do outro lhe mordendo com força o ombro que estava coberto pela camisa que usava, Richard apertou-lhe o quadril enquanto esfregava a ereção latejante em sua bunda.
As mãos grandes do empresário não demoraram a entrar na calça do outro, masturbando o pênis de Misha. Empurrou-o em direção a cama, e o moreno logo se apoiou com os braços no colchão, empinando-se na direção do outro, porque sabia que era assim que Richard gostava.
Sentiu o ar gelado arrepiar suas pernas quando a calça e a boxer foram abaixadas com pressa. Trincou os dentes e evitou gritar quando um dos dedos do outro lhe invadiu sem qualquer aviso.
_Ah, Misha... – ouviu o outro falar com dificuldade. – Você me deixa tão duro...
O ar do quarto parecia ter ficado pesado demais, mas Misha parou de pensar nisso quando sentiu o outro lhe penetrando. Richard não esperou nenhum momento para começar a se movimentar, e mesmo sobre alguns protestos do moreno continuava lhe estocando forte, sem se importar se estava fazendo o outro sentir dor.
Misha agradeceu por Richard não agüentar muito tempo, pois apenas com algumas estocadas e ele já estava convulsionando em orgasmo, saindo de seu corpo para lhe espirrar o sêmen no rosto.
_Isso... – ouviu a voz arfante do empresário enquanto abria a boca, esperando pelo liquido branco que não demorou a vir.
Engoliu o gozo do cliente e passou a chupá-lo, o pênis de Richard começando a perder a rigidez.
_Meu Deus! – exclamou jogando-se na cama macia. – Eu tinha esquecido como a sua bunda é gostosa e apertadinha.
Misha fez uma cara de desgosto, mesmo tendo aquela vida não apreciava as palavras baixas e fúteis que seus clientes costumavam usar para descrever seu corpo.
Sentou-se na cama vendo o outro olhar pela segunda vez no relógio que tinha no pulso.
_Caralho! – e saiu da cama levantando as calças. – Eu até te ajudara ai, mas eu estou atrasado. – disse apontando para a ereção do moreno.
_Tudo bem. – respondeu simplesmente.
_E o seu dinheiro... – disse tateando os bolsos da calça recém colocada. – Droga! Eu não tenho nenhum trocado aqui, mas eu te procuro e pago certo?
Misha bufou e não disse nada, mesmo que Richard sempre lhe pagasse um pouco a mais depois, era irritante o fato dele sempre atrasar o dinheiro.
Entrou no banheiro a fim de tomar um banho frio, não estava com a mínima vontade de se aliviar pensando em Richard, e definitivamente, não tinha a imagem de mais ninguém na cabeça.
Vestiu as mesmas roupas e foi embora, o atendente na portaria lhe lançou um olhar faminto e Misha apenas abaixou a cabeça, continuando a andar.
Lembrou-se da festa que Richard lhe falara, quem sabe não passaria lá mais tarde a fim de cobrar a divida. Saiu de seus devaneios quando ouviu a chave rodar na fechadura e um pouco depois Sebastian entrar com um moreno a tiracolo.
_Misha. – ele pigarreou afastando-se um pouco do outro.
_Me desculpe Sebastian, eu não quero... – ele olhou o moreno que tentava esconder a parte da frente da calça. – Interromper.
_Você vai sair? – ouviu o francês perguntar enquanto entrava em seu quarto.
_Sim, eu vou a uma festa, parece que vai ter muitos empresários lá, e o Richard vai também, e como ele está me devendo...
_Ah, sim. – disse o loiro escorando-se na porta.
_Esta falando da festa de caridade? – dessa vez quem perguntou foi o moreno que acompanhava Sebastian.
_Sim. – respondeu.
_Ah, desculpe, Demore. – disse o loiro olhando para o outro. – Esse é o Misha, é meu melhor amigo.
_É um prazer. – disse e Misha sorriu.
_O prazer é todo meu.
Sebastian ajudou o amigo se vestir enquanto Demore esperava na sala. Misha não demorou em sair do apartamento, usava uma calça social preta, camisa branca e um colete prata, que Sebastian o emprestou, a gravata vermelha era a única peça de roupa que se destacava.
Chegou ao endereço que Demore lhe dera e avançou em direção a entrada, logo sendo barrado por um homem enorme e careca.
_Seu nome está na lista? – ele perguntou.
_Não, eu...
_Então não vai entrar. – disse enquanto indicava para que algumas pessoas que estavam ao lado de Misha passassem.
_Mas eu preciso falar com uma pessoa, é impor...
_Desculpe, se não está na lista, não entra. – disse dessa vez sem olhá-lo.
_Mas... – suas palavras morreram ao ouvir uma outra voz se sobrepor a sua.
_Algum problema Clif?
Misha virou-se para saber de quem era aquela voz rouca, mas seu cérebro parou de funcionar assim que se deparou com aqueles olhos muito verdes.
_Sr. Ackles, esse senhor não está na lista e mesmo assim quer entrar. – respondeu o segurança.
_Tudo bem, ele está comigo. – ouviu o outro dizer e suas pernas tremeram.
Sentiu a mão do loiro segurar a sua e então o segurança foi deixado pra trás.
_Obrigado. – disse assim que conseguiu recuperar sua capacidade de falar, o outro apenas sorriu para ele, os olhos verdes brilhando e a pele sardenta fazendo com que parecesse algum príncipe que fugiu dos contos de fadas.
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