Desculpem a demora mas tive de tomar conta dos meus sobrinhos por isso não tive muito tempo para escrever

Espero que gostem

Eu não posso o Mentalista


A noite tinha caído a algum tempo e já todas as estrelas estavam a brilhar no grande manto preto e azul escuro que era o céu. Era noite de lua cheia cujo o luar enchia toda a pequena cidade de Cannon River em Washington. Uma pequena brisa fresca da noite passava por entre os ramos e as folhas das poucas árvores que existiam ao redor da estrada agora praticamente deserta. Não haviam luzes lá a não ser as dos faróis do carro que por lá passava que também era a única fonte de som no momento. Dentro do carro estava uma mulher de cabelos castanhos compridos levemente ondulados, olhos tão verdes como duas grandes esmeraldas e usava uma farda.

O rádio estava ligado mas ela não estava a prestar atenção a música e também não estava atenta a estrada à sua frente mas sim ao pequeno envelope que estava em cima do banco que estava ao seu lado. Ela não estava a olhar para ele mas não era preciso olhar para aquele pedaço de papel ter toda a sua atenção. Tinha sido assim ao longo de um ano. Ele escrevia-lhe uma carta e depois enviava-lha de onde quer que ele estivesse e ela ia busca-la a uma caixa especial que ele tinha deixado para ela. Uma vez ele tinha-lhe mandado um lindo búzio que segundo a sua carta ele tinha encontrado durante um dos seus habituais passeios na praia. Ele descrevia muito o lugar onde estava mas nunca disse onde ele estava mesmo. Parte dela entendia que ele não lhe pudesse contar. Se alguém descobrisse sobre as cartas e as encontrasse facilmente o FBI iria encontra-lo e prende-lo. Mas outra parte estava muito magoada por ele não lhe contar. Quer dizer, eles tinham passado por tanta coisa juntos. Ele sabia que se ele lhe contasse onde ele estava ela nunca iria entrega-lo e destruído essa informação e ela ficaria aliviada só por saber.

Nesse momento ela reconheceu a fachada do seu apartamento. Ela estacionou o seu carro, tirou de lá uns papeis, não se esquecendo da carta, e fui para o seu apartamento. Ela fechou a porta com o pé e pousou os papeis em cima de uma mesa com um suspiro de alívio. Para os olhos dela aquilo não era muita papelada. Ela já tinha visto e preenchido muito mais. Ela tirou a gravata descartável e começou a desabotoar a camisa verde escura revelando a T-shirt branca que tinha por baixo. Ela soltou outro suspiro quando deixou a camisa escorrer pelos os seus ombros até estar completamente fora dela e depois olhos para a pequena placa de metal com algo escrito. Chefe Teresa Lisbon. Ela passou o polegar pela placa antes de atirar a camisa e a gravata para cima de uma cadeira que lá estava. Então os seus olhos vaguearam até a carta que estava no topo do monte de papeis.

Ela andou em direção a cozinha, tirou um copo de vidro e uma garrafa de vinho e encheu-o. Ela pousou o copo em cima da mesa quando voltou para sala/hall. Um sorriso inconsciente cresceu no rosto de Lisbon enquanto pegava na carta. Ela gostava da sensação do papel nos seus dedos. Lisbon pegou no copo de vinho com a outra mão e sentou no sofá. Ela deu um golo da sua bebida e depois pousou o copo em cima da mesa que estava a frente do sofá. Lisbon começou a abrir o envelope com cuidado para não o rasgar, depois colocou-o ao lado do copo e começou a ler a carta. Era a mesma coisa que todas as suas últimas cartas. A desejar que ela estivesse bem, a disser que ele estava bem e depois as coisas que ele tinha feito ou visto onde sabe lá Deus onde e terminar com o habitual Sinto a tua falta. P. Jane. Ela tomou mais dois golos de vinho e 20 minutos depois ela terminou a carta. Ela releu a carta pelo menos 4 vezes antes de se levantar do sofá e andar em direção a um armário alto.

No topo do armário estava uma grande caixa da mesma cor que as paredes do seu apartamento que facilmente se confundia no espaço. Ela posse na ponta dos pés e pegou na caixa antes de voltar a deitar-se no sofá. Colocou a caixa no seu colo e tirou a tapa mostrando as centenas de cartas que estavam lá dentro. Lisbon suspirou enquanto olhava para as cartas. Um ano. Era aquilo era. Um ano inteiro. Um ano inteiro de solidão e saudade que ela sentia dentro dela. Ela sentiu uma dor no seu coração quando olhou para o envelope em cima da mesa. Será que seria assim para sempre? Ela desesperadamente a espera das cartas de Jane até que FBI o apanhasse ou até um deles morrer? Lisbon limpou uma lágrima solitária que estava no canto do seu olho. Não valia a pena pensar nisso. Jane tinha feito a sua escolha. Ele tinha feito a sua escolha… e ela não estava incluída. Ele tinha preferido assassinar um homem e fugir do país deixando-lhe apenas uma mensagem de voz no seu telemóvel em vez de entregar um assassino em serie a justiça e ficar aqui e falar com ela pessoalmente.

Ela pegou no envelope de cima da mesa e abriu-o de novo para voltar pôr a carta no seu lugar. Então ela notou em algo. Lisbon franziu a sobrancelha desconfiada. Ela virou o envelope para baixo, abanou-o um pouco até que um pequeno pedaço de papel branco lhe caiu na mão. Mas que raio era aquilo? Ela atirou o envelope para o fundo do sofá e olhou para o pedaço de papel. Tinha algo escrito. Não era a letra do Jane. Espera isso quer dizer que alguém sabia sobre as cartas. E se fosse alguém do FBI. Oh não! OH NÃO! Tudo menos isso. E o que seria aquilo? Uma ameaça? Uma mensagem daquele agente do FBI que estava a tentar convence-la a entregar Jane? Agente Especial Abbott, certo? Só havia uma maneira de saber. Os olhos esmeralda de Lisbon arregalaram-se depois de ler o papel. Não podia ser.


O Sol do meio da manhã entrava pelas janelas do aeroporto iluminando completamente o interior do edifício. Havia várias e longas filas de pessoas, da qual a maior parte olhava impaciente para o grande relógio que estava por cima do gigantesco painel de luz verde com o número dos voos e os seus destinos que constantemente mudavam, que ansiosas esperavam pela sua na rececionista do aeroporto ou para levantar um bilhete ou porque perderam o seu voo ou para fazer uma das suas "habituais" reclamações. No lado oposto do edifício haviam pessoas sentadas em bancos pretos de plástico rodeadas pelas suas malas à olhar para o mesmo painel e relógio à espera que os chamassem para o seu voo uns para um destino de férias e paradisíaca outros para as grandes cidades em trabalho (alguns dizem) e ainda há alguns meramente para visitar um parente ou um amante.

Em um dos bancos estava uma mulher de cabelos curtos loiros. Ela passava despercebida no meio de tanta gente. Ela usava um chapéu bege que lembrava vagamente o de Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany's, uns óculos de sol leopardo de lentes tão grandes e tão escuras que nem se conseguiam ver de que cor eram os olhos da mulher e pela resto da roupa simples e leve parecia que ele iria para algum sítio a beira do mar. Ela também estava a olhar para o relógio se bem não com tanta ansiedade como as outras pessoas mas não porque ela estava mais calma do que eles. Não, na verdade era completamente o oposto. Ela por dentro estava paralisada de medo e ansiedade. Nesse momento a voz feminina no altifalante despertou a mulher dos seus pensamentos:

- Senhores e senhoras passageiros do voo VT7450 façam o favor de começar a embarcar, por favor. Obrigada.

A mulher pegou na mala de mão castanha que estava no banco ao seu lado e levantou-se juntamente com mais algumas pessoas e foram para uma das portas onde estava uma hospedeira. Era uma mulher de vinte e poucos de cabelos ruivos apanhados num rabo de cavalo no topo da sua cabeça e olhos azuis claros. A mulher entregou o bilhete à hospedeira com um sorriso amigável que o retribui quando o devolveu. Quando ela se sentou no seu lugar no avião a mulher soltou uma mistura de um suspiro de alívio e de cansaço e fechou os olhos. Ela sabia que ia ser um longo voo mas não era por isso que estava cansada. Quando mais cedo chegasse lá melhor. Esse foi o seu último pensamento antes de adormecer num sono sem sonhos.


Jane levantou-se da cama quando ouviu o chiar da chaleira à aquecer na cozinha. Ele desligou o fogão e começou a deitar a água quente numa chávena que já tinha uma saqueta de chá de camomila. Cerca de um minuto depois o chá estava pronto. Ele deu um pequeno sopro sobre a chávena e andou até a varanda. A ilha e toda a vila parecia ganhar outra vida sobre a luz do final da tarde. As ruas começaram a ficar vazias e as lojas a fechar mas mesmo assim havia a sensação de presença naquele lugar isolado. O vento já não soprava e o mar estava calmo. Não havia nenhuma nuvem no céu que pode-se sequer tentar tapar o grande astro amarelo e quente. Jane suspirou continuando a olhar para a vila. Era mesmo uma vista muito bonita… mas sem ninguém com quem a partilhar.

Ele voltou para dentro do seu degradado apartamento e olhou ao redor. As paredes verde velho cheias de lascas e buracos com praticamente toda a tinta a sair. O chão de madeira que chiava um pouco ao andar. As cortinas brancas antigas e farrapadas nas janelas da mesma cor já com grandes pedaços sem tinta. Isto para não falar da pouca mobília que lá havia também antiga e quase podre. A única coisa que ainda funcionava era o fogão na cozinha. Bem, não era grande coisa mas era melhor do que nada. Ele clicou no interruptor na parede ao seu lado mas a pequena lâmpada no teto não acendeu. Jane clicou mais algumas vezes no pequeno botão branco mas nada aconteceu. Ele soltou outro suspiro desta vez de frustração, deu um último golo antes de pousar a chávena vazia em cima de uma mesa de madeira com alguns livros e saiu do apartamento trancando a porta atrás de si. Ele desceu as escadas em um passo acelerado e foi a correr até a loja da Paloma. Queria voltar para o apartamento antes que escurece. Aquelas ruas podiam ser perigosas de noite.

- Buenas tardes, señoras. ("Boa tarde, senhoras.") – disse Jane quando entrou na loja como um relâmpago.

- Buenas tardes, Sr. Jane. ("Boa tarde, Sr. Jane.") – cumprimentaram as mulheres mais velhas ao mesmo tempo ambas por detrás do balcão.

- Necesito una lámpara. La de mi apartamento explotó. ("Preciso de uma lâmpada. A do meu apartamento explodiu.") – disse Jane por entre respirações tentando recuperar o fôlego.

- ¡Explotó! ("Explodiu!") – gritou Anita preocupada mas ficou calada quando viu que Paloma estava a lançar-lhe um olhar esquisito.

- ¿Explotó o fusionado? ("Explodiu ou fundiu?")– perguntou Paloma virando-se para Jane. Sr. Jane tinha um muito mau espanhol por isso não seria de admirar que ele confundisse algumas palavras e com algumas palavras quer dizer muitas.

- ¿No es lo mismo? ("Não é o mesmo?") – disse Jane ainda ofegante enquanto algumas gotas de suor lhe escorriam pela testa.

- Por supuesto que lo es. ("Claro que é.") – respondeu a mulher mais magra com sarcasmo antes de ir para detrás do painel de ferramentas que estava atrás dela. Ela voltou pouco depois com uma embalagem com uma lâmpada lá dentro e colocou-a em cima do balcão – Es uno real y setenta y cinco centavos. ("É um real e setenta e cinco centavos.")

- Muy bien. Muy bien. ("Muito bem. Muito bem.") – disse Jane tirando dinheiro dos bolsos da camisa e atirando-o para o balcão.

- Muchas Gracias. ("Muito obrigada.") – disse Paloma pegando no dinheiro enquanto Jane pegava na lâmpada.

- Sr. Jane, nos dijo que si alguien se pregunta por usted... ("Sr. Jane, disse-nos que se alguém pergunta-se por você…") – começou a disser Anita com calma até que o homem loiro a interrompeu.

- Sí, ¿por qué? ¿Alguien le preguntó para mí? ("Sim, porque? Alguém perguntou por mim?")

- Na verdade, é mais alguém está a tua espera. – respondeu uma voz feminina atrás dele em perfeito inglês.

Jane virou-se para trás. Era uma mulher loira e cabelos curtos que estava encostada contra a parede e pela roupa parecia uma turista. Mas havia alguma coisa naquele voz que lhe parecia tão… familiar. Ele não conseguia ver-lhe o rosto todo devido aos seus grandes óculos de sol e o seu enorme chapéu mas ele conseguia ver que ela lhe estava a lançar um sorriso carinhoso que também não lhe era estranho. Ela pôs a mala de mão em cima do móvel, tirou uma nota de um dos bolsos externos e foi para a frente do balcão e pôs-a em cima do balcão.

- Gracias por vossa ayuda. ("Obrigada pela vossa ajuda.") – disse a mulher com um espanhol fluente que surpreendeu Jane. Então mulher virou-se para Jane que a olhava numa mistura de confusão, curiosidade e receio – Eu acho nós dois temos umas coisas á tratar.

- Si… Sim. – disse Jane gaguejando um pouco.

- Se calhar devíamos conversando em um lugar mais privado, não achas? – perguntou a mulher apontando com a cabeça para as duas mulheres mais velhas que pareciam ter observa-los atentamente.

Sim. Sim, claro. – respondeu o loiro enquanto via a mulher voltar para ao pé do móvel para ir buscar a sua mala.

Eles caminharam até ao apartamento de Jane. Nenhum dos dois disse uma palavra o caminho todo. Cada um estava perdido nos seus próprios pensamentos. Jane sentia que estava entre espada e a parede. Quem era aquela mulher? A sua voz não lhe era estranha e o seu sorriso também não mas ele tinha a certeza que nunca a tinha visto antes. Será que alguma agente do FBI? Isso quer dizer o FBI o encontrou? O meu Deus! Quando? Como? E Lisbon? Será que ela está bem? E se eles descobriram sobre as suas cartas? Ela podia ir presa por estar em contacto com um fugitivo? Claro que pode! O Deus! O DEUS! Isto era tudo culpa dele. Ele tinha começado as cartas para que Lisbon soubesse que ele estava bem e que ele ainda se preocupava com ela mas rapidamente aquelas cartas tornaram-se muito muito mais para ele. Tornaram-se na sua única ligação a sanidade. A sua única razão para acorda no dia seguinte e continuar a viver. Quando eles entraram no apartamento Jane tratou da lâmpada do teto enquanto a mulher pousava a sua mala ao pé da porta.

- Bem, disse que tínhamos algo que falar, não foi? – disse Jane enquanto descia do banco que tinha ousada como escadote para trocar as lâmpadas.

- Tu não me reconheces mesmo, pois não? – disse a mulher lançando-lhe outro sorriso que só com que Jane levanta-se a sobrancelha ainda mais confuso. A mulher soltou uma pequena gargalhada – Ou melhorei muito neste último ano ou tu estás a perder qualidades, Jane.

- Tu estás a jogar um pequeno jogo comigo, não estás? – perguntou Jane olhando cara a cara com a mulher que deu outra risada – Tu estás a divertir-te, não estás?

- Só um pouco. – respondeu ela desta vez com uma risada suave.

- Sim mas eu não. – disse Jane com uma cara séria e um olhar praticamente de gelo que espantou a mulher – Quem és tu? Quem te mandou aqui? – perguntou ele cruzando os braços a frente do seu peito.

- Ninguém me mandou. Eu queria saber se estavas bem. – respondeu a mulher com tom verdadeiramente preocupado enquanto baixava o olhar para o chão.

- Porque que isso te importa? – perguntou Jane num tom mais suave mais ainda rígido – Quem és tu?

- Uma velha amiga. – respondeu ela levantava o olhar de novo para Jane.

Então ela tirou o chapéu e atirou-o para cima da cama que estava encostada no canto da parede. Jane lançou-lhe um olhar interrogativo que desapareceu quando a viu a tirar os grandes óculos de sol leopardo revelando as duas íris cor de esmeralda. Nesse momento os seus olhos só refletiam pura e mera confusão. A mulher atirou os óculos para ao lado do seu chapéu com suspiro e levou a mão direita ao topo da sua cabeça. Os olhos de Jane arregalaram-se quando viu o cabelos loiros a separarem-se da cabeça da mulher soltando o longo cabelo ondulado castanho cor de chocolate. A mulher deixou cair a peruca ao seu lado enquanto tentava conter as lágrimas de vergonha que teimavam em escorrer.

- Lisbon… - sussurrou Jane como se tivesse acabado de levar com um grande balde de água gelada.

- Olá, Jane. – disse Lisbon dando-lhe um sorriso carinhoso.


Peço desculpa pelos erros. Se encontrarem algum avisem. ;)

Espero que tenham gostado e...

Próximo Capítulo: Jane e Lisbon reencontram-se depois de um ano de separação. O que acontecerá a partir daqui?

Comentem, siguem, tornei favoritos, por favor.