Pós mangá


Misunderstanding

by Doks


Foi no quinto ano de casamento. O bebê já não podia ser chamado assim, afinal, já tinha quase quatro anos. Winry ficava louca atrás de Victor Elric, enquanto tentava terminar as encomendas de automail. Edward, ao resolver suas questões com o Governo, logo procurou um emprego, de preferência um que ele pudesse fazer mais pesquisas sobre sua segunda paixão: a alquimia. Já que não podia mais praticá-la, ao menos poderia fazer algo para alguém que pudesse.

Não demorou muito e ele recebeu uma oferta para ser professor numa universidade ao lado de Risembool. Aceitou, assim que disseram que a "viagem" da casa dele até a universidade não demoraria mais que meia hora de carro. Era verdade que eles ainda não tinham um, mas não demorou muito para que comprassem.

Ambos estavam trabalhando e o pequeno Victor tirava a sua soneca matinal quando um rapaz loiro, alto, com olhos acinzentados apareceu procurando por Winry. Ela respondeu que era ela mesma e ouviu a explicação:

Soube que você fazia automail e vim procurá-la – Ele disse vagamente e Winry ficou curiosa com o mistério do rapaz, parou de lixar uma peça de metal e se virou completamente para ele, esperando que ele continuasse, já que ele visivelmente não precisava de uma prótese – não é para mim e sim para meu irmão. Eu tenho as medidas e o nome do material apropriado...

E começaram a tratar de preços e qualidade. Russell parecia entender do assunto, o que facilitou o trabalho de Winry e também fez com que ela simpatizasse com o rapaz; ele prometera voltar no dia seguinte para escolher o design e tratar a forma de pagamento.

Algumas horas mais tarde Edward chegou e foi recebido com um "papai!" entusiasmado. Sorrindo, ele pegou a criança no colo, colocando a pasta que tinha na mão em cima da mesa e procurando sua mulher com os olhos.

Olá – Ela cumprimentou chegando atrás dele e se apressou para beijá-lo levemente nos lábios. – como foi hoje?

Normal. E estou vendo que hoje o moleque deu folga! – ele brincou observando a mulher suja de óleo e graxa.

É verdade – Ela sorriu – Hoje apareceu um homem fazendo grandes encomendas. Comecei a preparar o material – Ela disse andando até as escadas e virou-se – Vou tomar banho, hoje a comida quem faz é você. – E subiu rapidamente não se importando com as reclamações do marido.

No dia seguinte, Russell apareceu novamente como tinha dito. Porém, não fez nenhuma questão de resolver o que haviam combinado, apenas ficou papeando por longas horas sobre mecânica e automail com Winry. Por ficar distraída com o assunto, nem percebeu seu marido entrar na loja olhá-la papear e voltar para dentro de casa.

Winry e Russell ficaram horas a fio conversando e no final nem resolveram nada. Estava tarde e ele tinha que voltar para o hotel. Despediram-se e ele avisou que voltaria para finalmente decidirem os pormenores do negócio que fechariam.

Winry fechou a loja e foi direto para seu quarto, que era onde Victor costumava dormir de dia, porém ao invés de encontrar uma criança loira dormindo, viu apenas uma cama vazia. Os olhos da mulher incharam e começou a procurar seu filho com desespero pela casa, percebendo pela primeira vez que sua casa era uma armadilha para uma criança da idade do menino. Metais com pontas agudas, escadas, eletricidade... por toda parte que Winry olhava um filme de uma tragédia passava em sua cabeça do que poderia ter acontecido com Victor por seu descuido.

Seus olhos começaram a desaguar percebendo que não via seu filho em parte nenhuma da casa. A primeira coisa que pensou foi em ligar para seu marido e avisá-lo, mas quando ligou para a universidade avisaram a ela que Edward já tinha saído. Sem nenhum apoio, Winry saiu de casa à procura da criança pelos arredores do quintal, perguntando às pessoas da rua se tinham visto seu filho. Não conseguia pensar em nada que não fosse tragédia e seu rosto já estava devastado, com lágrimas e vermelhidão nas suas bochechas.

Foi quando estava voltando para casa que viu Edward olhando para ela, colocando o pequeno Victor no chão e dizendo para ele entrar. Winry quase não pôde acreditar no que via.

O que houve? – Edward perguntou preocupado quando a alcançou e viu as lágrimas de sua mulher.

Eu... Eu pensei que tivesse acontecido... algo com Victor – Ela disse sussurrando e olhando para baixo, enquanto Edward segurava seus ombros.

Ah, – suspirou – eu pensei que tivesse acontecido algo com Al – suspirou mais uma vez. – Eu cheguei cedo e Victor já estava acordado mexendo nas suas ferramentas. Eu passei na loja para dizer que íamos comer alguma coisa fora, mas você estava ocupada demais conversando com seu amiguinho loiro.

Edward disse a última frase do jeito mais cínico que pôde. O que fez Winry se enfurecer, ainda com os sentidos meio alterados. Ela se desvencilhou dos braços do marido e olhou direto nos olhos dele.

Então foi de propósito?

O quê? – Ele perguntou confuso.

Você levou Victor sem me falar nada para me deixar preocupada de propósito? – Ela estava enfurecida, Edward sempre teve medo de deixá-la assim.

O quê? Eu não sei do que você está falando, mulher – E ele realmente não entendeu como ela pôde ter esse raciocínio. Quem ela achava que ele era? Um maníaco ciumento?

Ela nem esperou que ele respondesse, foi para dentro de casa e logo amarrou a cara. Passaram todo o final de tarde e noite se evitando. Após o banho, Edward encontrou roupa de cama e dois travesseiros em cima do sofá. Suspirou pensando no que aquilo significava.

Já passava da meia noite e Edward ainda não conseguia dormir pensando em como sua mulher pôde ser tão cruel. Ela sabia que aquele sofá o deixava com as costas doloridas de manhã e ele nem sabia o motivo de dormir lá naquela noite. Ele não fizera de propósito. Ele ficou um pouco ciumento ao ver sua esposa tão... alegrinha ao conversar com aquele homem, mas não faria algo tão horrível como o que ela pensou. Ele achou que ela nem fosse notar a ausência deles...

Já chega – ele sussurrou e levantou do sofá para fazer o caminho para o quarto dele e de Winry.

Chegando lá, a porta do quarto estava fechada e ele ficou em frente a ela um pouco apreensivo. Contou até três e abriu a porta, andou até a cama e sentou, observando sua mulher dormir de lado, como fazia sempre. Encostando as mãos no ombro de Winry, Edward sussurrou um "acorde" bem baixinho.

Winry, – ele se abaixou e começou a beijar de leve o ombro esquerdo dela. – acorde.

Ela apenas suspirou e mexeu a cabeça em sinal de negação. Quis dizer que não queria acordar e não queria falar com ele naquele momento.

Winry, – dessa vez ele beijou as costas dela – eu não fiz de propósito. – ele dizia baixo – Eu não faria isso com você, sabe disso.

A mão direita dele já estava firmemente na cintura dela. Ela pareceu amolecer um pouco.

Eu... pensei que você nem fosse reparar a nossa falta. Eu não faria isso. Eu amo você.

Ao ouvir a declaração (que não acontecia com muita freqüência) ela se virou para ele, que, ao perceber a mudança, tirou as mão da cintura da mulher. Ela suspirou em sinal de derrota.

Eu acredito em você – Ela disse, mas não se desculpou. – Vem, pode dormir aqui. – Ele sorriu aliviado e já se preparava para se acomodar no corpo da mulher quando ela se afastou um pouco – Mas é tudo o que você vai conseguir esta noite. – E virou para o outro lado, voltando à posição em que estava dormindo. Edward fez um muxoxo de frustração, mas não reclamou, apenas se deitou e logo já estava dormindo.

O dia seguinte foi estranho para os dois. Winry logo percebeu que Edward estava pensativo demais – ele nem ao menos esperou o pequeno Victor acordar aquela manhã.

Winry nem sempre sabia o que pensar quando Edward fazia isso, mesmo após tantos anos juntos. Nesta mesma noite ela foi pega de surpresa por um telefonema rápido exigindo que ela deixasse Victor com Alphonse, se vestisse de um jeito bem "fresco" porque eles tinham uma reserva no restaurante mais caro da cidade (que nem era tão caro e nem tão chique comparado aos restaurantes da Central).

Edward estava a bajulando! Toda a semana seguinte foi cheia de pequenas surpresas como aquela, beijinhos e presentes a toda hora. Coisa que não era do feitio de seu marido. Winry se sentia duplamente bajulada, pois de manhã ela também recebia visitas de seu mais novo cliente.

Naquele dia, sábado, era a data marcada para fazer as entregas de Russell.

Bom dia – ela disse sorrindo, já acostumada com a presença dele naquele horário.

Bom dia – Russell respondeu um pouco triste, o que não passou despercebido por Winry.

Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou terminando de polir as peças para colocar nas devidas caixas.

Esse é o problema! Eu venho aqui todos os dias apenas para ver se encontro aquele homem musculoso e lindo que vi no segundo dia que vim aqui e nada – Ele suspirou alto em sinal de frustração.

Homem...?

É, você deve conhecer já que mora aqui. Ele é loiro, os cabelos dele estavam presos quando eu vi. Era musculoso e não tinha cara de muitos amigos. A-do-ro os bad boys, sabe?

Winry conhecia aquela discrição. Será que ele estava falando de...–

Winry, eu e Victor vamos para o lago. – Edward apareceu com seu filho nas costas, sem camisa e suado por causa do calor.

Ela não teve nenhuma reação quando Russell em questão de um segundo apareceu bem perto de seu marido, sorrindo e tentando puxar conversa.

Ooolá, esse bebê lindo é seu? – nunca deixando de sorrir, ao contrário de Edward que amarrou a cara logo que viu o "acompanhante" de sua mulher.

Sim, meu e da Winry – apontando e deixando claro que Winry tinha uma família.

Oh, você é casado com ela? – lágrimas já saíam de seus olhos.

Sim – e se afastou dele para chegar perto de Winry e beijá-la fortemente (para a surpresa dela). E depois saiu da loja como se nada tivesse acontecido ali.

Então... o automail está pronto, não é? – Russell disse extremamente sem graça querendo sair dali o mais rápido possível para nunca mais voltar.

Erm, sim. Estava terminando de colocar nas caixas. Você já pode levar – Winry respondeu não menos sem graça.

Ok, então... até mais. – Após acertarem o pagamento, Russell correu dali como se fugisse de um fantasma.

Em compensação, Winry caiu na risada logo depois que o rapaz saiu da loja. Afinal, o que tinha acabado de acontecer ali? Edward todo bajulador por causa de um rapaz que na verdade estava interessado nele?

Depois de algum tempo rindo, a linha de pensamento dela se voltou para como naquela época ela pensava saber tudo sobre Edward, esse episódio mostrou que ela ainda tinha muito que aprender sobre seu marido. Foi a primeira vez que ele tinha algum motivo para sentir ciúmes. Ela sempre achou que se esse dia acontecesse, ele seria um daqueles homens que fazia cena, gritavam e brigavam. Ele fez exatamente o contrário: ele criou um clima de lua-de-mel para provar que ela não conseguiria nada melhor que ele mesmo. Até que esse raciocínio fazia sentido. Afinal, não era de esperar menos de Edward Elric, todo cheio de argumentos para provar alguma teoria.

É, ele nunca deixava de surpreendê-la. E ela amava isso...


N/A: Well, desculpe a demora n.n eu estava tentando seguir uma linha de raciocínio que não estava funcionando direito, além de eu tentar uma coisa que eu nem pensava em fazer antes: graça. Eu nunca fui boa em coisas de comédia e essa foi uma tentativa muito fail, eu admito XD

Bem, obrigada para quem comentou ou colocou nos alertas e favoritos. Espero que gostem desse também. O próximo capítulo será sobre como eles escolheram o nome da filha deles.

PS: Esse capítulo não foi betado. Todas as minhas betas sumiram ou não gostam mais do fandom (ou não gostam mais de mim #chora). Se acharem algum erro terrível, por favor, me avisem que eu mudo rapidinho.