Sozinho. Algo que há muito tempo não é comum para mim, geralmente acompanhado pelos Marotos aonde quer que eu esteja. Talvez seja por isso que tanta gente esteja olhando para mim agora. Ou talvez seja simplesmente pelo fato de eu, um Maroto, estar sentado sozinho em uma das mesas de estudo da biblioteca, um dos lugares do castelo em que eu raramente dou as caras.
Observando. É por causa da Evans que eu estou aqui, sozinho. De novo. Ela está em uma das outras mesas, cabeça baixa, estudando. Típico. Eu poderia ir até lá; como eu, ela também está sozinha. Mas de quê adiantaria? Não importa o que eu faça para chamar a atenção dela, nunca é o suficiente. Mas eu quero que seja. Quero encontrar algo que seja suficiente para que ela queira olhar para mim.
Sonhando. É o que os Marotos dizem que eu faço, sonhar acordado com o dia em que ela vai olhar pra mim, olhar de verdade, e perceber que aqui existe bem mais do que o cabeça-de-vento convencido e mal-comportado que ela pensa que eu sou. Eu sei que eu sou esse cara. Mas também sou mais do que ele, e é isso que eu quero que ela enxergue. Por que sei que quando ela fizer isso, então vai perceber que aqui existe bem mais do que seus olhos verdes podem ver.
Sei que ainda vai levar algum tempo pra que isso aconteça. Sei o quanto ainda tenho que mudar para isso. Então, enquanto não acontece, de longe, eu observo. E sonho.
